Quando nem Ronaldo salvou o Brasil

Quando nem Ronaldo salvou o Brasil

 

O atacante Ronaldo estreou na seleção brasileira principal em Florianópolis, em um amistoso contra a Islândia. Fez um gol e garantiu um lugar entre os 22 que foram para a Copa de 1994, nos Estados Unidos. Tinha apenas 17 anos. Era o início de uma trajetória precoce e até agora vitoriosa pela seleção principal. Mas poucos lembram ou sabem algo sobre a passagem do centroavante pelas seleções de jovens, bem sucedida para ele, mas pouco vitoriosa para a equipe brasileira.

Foi no sul-americano sub-17 de 1993. Ronaldo ainda era um desconhecido atacante do São Cristóvão, mas já garantira um lugar na seleção que foi à Colômbia. O Brasil ficou no Grupo B, com Bolívia, Chile, Paraguai e Uruguai. A estréia contra o perigoso Chile foi difícil. Neira abriu o marcador para os chilenos, mas Ronaldo fez três em seguida. Nem o gol de Valenzuela tirou os dois pontos do Brasil (naquela época não havia três pontos por vitória em competições internacionais). A primeira fase seguiu tranqüila. Foram outras três vitórias: 2 x 0 sobre a Bolívia, 2 x 1 no Uruguai e 1 x 0 no Paraguai. A campanha irretocável deu ao Brasil o primeiro lugar na chave.

No outro grupo não houve surpresas. A Colômbia bisou o feito brasileiro e também colecionou quatro vitórias. A Argentina foi a segunda colocada, com seis pontos, o dobro dos eliminados peruanos. Equador e Venezuela ficaram para trás.

A fase final foi em quadrangular. E aí começaram os problemas. O Brasil estreou contra a Argentina. Logo no início do jogo, Biagini (atualmente no Mallorca da Espanha) pôs os albicelestes na frente. Pouco depois do intervalo, Diez duplicou o marcador. Ronaldo ainda diminuiu, mas o Brasil acabou perdendo para os rivais.

A partida seguinte foi novamente contra o Chile. Outro jogo equilibrado. No primeiro tempo, Ronaldo e Maurício fizeram 2 x 0 para o Brasil, mas Neira e Rozental (os melhores daquela geração chilena) empataram. Após duas rodadas, a Colômbia liderava com três pontos, um a mais que Argentina e Chile. O Brasil vinha em último com um único ponto.

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A rodada final seria decisiva não apenas para apontar o campeão, mas também para definir os três representantes do continente no Mundial da categoria, que seria disputado em agosto e setembro daquele ano no Japão. Na primeira partida da rodada dupla no estádio centenário de Armênia, chilenos e argentinos empataram em dois gols.

Com isso, apenas um empate serviria aos colombianos. Uma vitória classificaria os brasileiros para o Mundial e, dependendo do marcador, poderia dar o título no saldo de gols ou no número de gols prós. Nada feito, novo empate em dois gols e o Brasil ficou em quarto lugar. A Colômbia foi campeã sul-americana sub-17 pela única vez até hoje. As demais vagas para o Mundial foram para Chile e Argentina.

Foi um fracasso brasileiro. Para se ter uma idéia, foi a primeira (e única até hoje) vez que a seleção não disputou um Mundial Sub-17. Para piorar, os algozes brasileiros se mostraram relativamente frágeis. Colômbia e Argentina não passaram da primeira fase. O Chile surpreendeu e ficou em 3º, atrás de Nigéria e Gana.

De qualquer forma, Ronaldo se salvou. Com oito gols, foi o artilheiro do torneio sul-americano ao lado do chileno Neira. Além dos dois, o já citado argentino Biagini, o colombiano Bolaño e o uruguaio Magallanes foram os maiores destaques individuais.

Apesar do péssimo resultado da equipe, a atuação de Ronaldo em terras colombianas repercutiu nos grandes clubes. Foi dessa forma que o Cruzeiro se convenceu de que valia a pena pagar US$ 50 mil pelo passe do atacante, já nas mãos de Reinaldo Pitta e Alexandre Martins. No segundo semestre daquele mesmo ano, Ronaldo foi uma das principais revelações do Campeonato Brasileiro, ao lado do atacante Clóvis, do Guarani.

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Jorge Bolaño, hoje na reserva do Parma, foi o maior destaque da seleção colombiana campeã sul-americana sub-17 de 1993