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Em Oxford, para participar do Brit Doc 08 (muitas oficinas interessantes, mas a parte voltada para o mercado, onde as diretores e produtores buscam finacimento para seus filmes eh bem estranha), esbarrei com um dos melhores documentarios que ja vi.
Em 1974 o frances Philippe Petit atravessou o vao que separava as duas torres gemeas, em NY, andando sobre um cabo de aco. Dirigido por por James Marsh, "Man on wire" revela os bastidores da missao para conseguir realizar a facanha, digna dos melhores filmes sobre assaltos a banco.
O simples fato de se realizar um filme sobre as torres apos os atentados de 11 setembro e nao cair na besteira de menciona-los ja seria merito o suficiente.
Usando imagens de arquivos, fotos da epoca, re-encenacoes de bom-gosto, inspiradas na estetica do cinema noir frances, e uma entrevista irresistivel com o carismatico e performatico Philippe Petit, "Man on wire" tambem nao detalha os aspectos tecnicos da aventura.
O filme vai bem alem disso. Fala de um sonho, desse que todos nos temos. De como, uma vez realizado, um sonho pode destrocar sua vida e a de todos a sua volta.
E de como, mesmo assim, pode valer a pena.
Seun Kuti & Egypt 80
fotos e vídeo: eumemo
Talvez antes mesmo do aspecto musical, o Lovebox, festival de dois dias organizado pelos integrantes do Groove Armada, se destaca pela comida. Reunindo algumas das melhores barracas do Borough Market, quase vira uma tarde gastronômica.
No domingo, os shows de Sebastien Tellier (divertido como sempre), Roni Size (fora de lugar e com o som sem pressão), Buraka Som Sistema (sacudindo a gringalhada), Operator Please (tocando numa cabana tosca), Goldfrapp (fraquinha e brega que só ela), Flaming Lips (também com som ruim), equilibraram a equação.
Quem fez a diferença mesmo foi Seun Kuti, filho mais novo do criador do afrobeat, Fela Kuti.
A frente do Egypt 80 desde a morte de Fela em 1997, nessa que foi sua última banda, Seun Kuti prova que não é um mero herdeiro aproveitador.

Seun Kuti & Egypt 80
12 dos 16 integrantes são veteranos das longas noitadas comandadas pelo pai no The Shrine, sua própria casa de shows -- diários! -- em Lagos, na Nigéria. É difícil imaginar que músicos desse nível aceitassem ser comandandos por qualquer um.
O caminho escolhido por Seun é mais próximo do pai e diferente do traçado pelo filho mais velho de Fela, seu meio-irmão Femi Kuti (que tocou na derradeira edição do Free Jazz Festival, em 2000), vez ou outra acusado de amaciar o afrobeat para ouvidos estrangeiros.
É uma encruzilhada sem solução aparente: se a escolha é atualizar os camihos, é chamado de água com açucar, se a opção for dar continuidade, pode-se facilmente ser chamado de oportunista.
Felizmente, isso não está acontecendo com Seun, cujo disco de estréia
"Seun Kuti & Fela's Egypt 80" está sendo bastante elogiado.
Além do quê, com a leva de afrobeat brotando nos EUA, através do Antibalas, Nomo, Amayo's Fu-Arkist-Ra ou Ocote Soul Sounds, nada mais justo que o filho do homem também tenha direito a dar sua contribuição.
Durante o show, lembrei da Nação Zumbi e de como seria injusto se não tivessem tido a chance de continuar sem Chico, um direito muito bem exercido por eles. Teríamos perdido uma bela banda e um dos melhores shows brasileiros.
A relação musical de pai e filho no caso dos Kuti, é bem diferente, por exemplo, da dos Marley. Seun toca com a Egypt 80 desde os 8 anos (Femi também) e assim como o pai, foi para Inglaterra estudar música.
Ele tem carisma, energia e talento próprio de sobra, ainda que a semelhança física com Fela (menor que a de Femi) e o jeito de dançar possam criar uma atmosfera saudosista.
Fela Kuti, no Shrine, no documentário,
obrigatório, "Music is a weapon".
Abrindo o show com uma música de seu pai, "em respeito", como Seun mesmo disse, suas próprias músicas não ficam para trás.
As frases dos metais grudam na cabeça já na segunda volta, as levadas de guitarra, simples e funcionais fazem a cama para hipnose, enquanto o baixo e a percussão lá na frente vão empurrando o conjunto. A sonoridade solidifica-se na dança das duas vocalistas de apoio.
Se tem um lugar no Brasil onde seria interessante ver esse show acontecer, seria Salvador, talvez fora do carnaval. Seria curioso ver as reações, do público e da banda. Lucas Santtana, dê um alô sobre o assunto.
Seguindo os politizados passos do pai, letras falam do sofrimento africano e clamam por mudanças. "Quero fazer afrobeat para minha geração. Em vez de 'levante e lute', será 'levante e pense'", disse em entrevista ao Independent.
É curioso como tanta gente gosta de música politizada, mas poucos gostam de política. Em vez de instigar a consciência, esse tipo de música faz o contrário; como se suprisse a necessidade diária de cada cidadão de se indignar. Como se ouvir um disco bastasse.
Seun Kuti segue lutando para que a música continua sendo uma arma.
The Mars Volta
foto e vídeo: eumemo
Até você entrar em sintonia com a aparente esquizofrenia que está acontecendo no palco, o show do The Mars Volta é um bocado assustador. Alto, agressivo e confuso.
Não é fácil de digerir a massa sonora, misturando a velocidade do speed metal com divisões de jazz, vocais de Robert Plant com trejeitos de Mick Jagger, ruídos industriais com feedbacks de guitarra, camadas de teclado perfuradas por saxofone, percussão e improvisos quilométricos.
Já haviam dito que Roundhouse, local do show, era uma das melhroes, se não a melhor, casa de Londres. E de fato, é.
Construído dentro de um antigo moinho, o espaço circular (por isso o nome, Roundhouse) oferece uma visão de 180° do palco, possibilitando assistir o show de ângulos normalmente reservados para quem está com uma credencial no peito.
Pena que a programação é muito irregular. Com a demolição do Astoria definida, quem sabe alguns shows não acabam indo parar lá.

The Mars Volta
Passados alguns minutos, um transe coletivo toma conta da platéia. A sonoridade, quase anti-social, não deixa espaço pra respirar. Uma experiência tão intensa que as pessoas quase não se movem.
Liderados pelo guitarrista Omar Alfredo Rodríguez-Lopez e pelo vocalista Cedric Bixler-Zavala, o septeto pode ir do Hurtmold ao Justice, via rock progressivo, em meio acorde.
Quando a apresentação termina, a banda sai do palco sem dizer uma palavra, como no resto do show. Se o recado era de que se tratava de uma das bandas mais originais em atividade, nem precisava falar nada mesmo.

vídeos (com excessão do Radiohead) e
fotos (inclusive as fora de foco): eumemo
Como dito anteriormente, todos os caminhos apontavam para Bélgica. O que pode ter faltado foi placas sinalizando melhor as intempéries.
Após quatro dias enfiado na lama e cercado de adolescentes bêbados, a maratona de shows do Rock Werchter 2008 ficou assim:
Vampire Weekend, The National, Shameboy, Lenny Kravitz, R.E.M., Soulwax, My Morning Jacket, Jay-Z, Duffy, The Verve, Hot Chip, Digitalism, MGMT, Band of Horses, Kings of Leon, Ben Harper, Sigur Rós, Radiohead, Hercules & Love Affair, Mark Ronson, The Racounteurs, Justice e Beck.
Uma sequência dessas apaga qualquer má impressão que um festival muito bem organizado, porém mal produzido, possa deixar -- afirmação parece antagônica, mas não é. Os principais problemas foram a superlotação e a má distribuição do espaço.
O bom é que passada as chateações, ficam apenas as recordações dos shows. E que shows.
Dia 1 - onde os urubús tem asa

Uniforme
Werchter é uma pacata cidade, de poucos habitantes, no interior da Bélgica. Não tem nada perto, ou mesmo longe. Como é que um lugar desses faz pra reunir uma escalação desse peso -- e sem o nome de nenhuma mega corporação intrometida no logo do evento -- é um mistério.
Parte do intuito da ida a Bélgica era desvendar esse segredo, seguindo uma dica quentíssima de uma pessoa que por motivos profissionais já visitou praticamente todos os principais festivais do planeta (mesmo), apontando Werchter como o melhor.
Como comparação, foi dito que barrava o Coachella. É uma afirmação bem ousada, pois escalações a parte, o evento californiano tem algo que os festivais europeus não tem (tirando os espanhóis): certeza de dias ensolarados.
Nunca quis ir para o zoológico de Glastonbury justamente porque assistir a shows de galocha, com barro até os joelhos, vestindo uma capa e tremendo de frio não é exatamente meu ideal de uma tarde agradável.
A decepção com o ensopado verão europeu doeu ainda mais ao descobrir que, não apenas Werchter também é bem molhada, mas os frequentadores estão muito pouco preocupados com o que se passa nos dois palcos.
E tem também a bebida. No Coachella não é permitido circular com bebidas alcóolicas fora da área determinada, o que acaba deixando as coisas bem mais calmas. Já na Europa, os festivais são uma espécie de primos distantes do carnaval, com ênfase nos desastres.
Vampire Weekend, "A-Punk"
No primeiro dia, enquanto a maior parte do público se esbaldava nas poças e curtia o som comercial do quiosque patrocinado por uma rádio (estranhamente uma das maiores áreas do evento), o Vampire Weekend tocava na tenda.
O show é rápido e direto, emendando todas as músicas do disco sem intervalos. Animados com a reação da platéia, o vocalista do Vampire Weekend elegeu os belgas como os melhores dançarinos da turnê.
Isso porque eles ainda não foram para o Brasil. Torça para esse show aterrisar por aí, porque é coisa fina.
Antes do próximo show interessante da noite, o R.E.M., tocaram os Chatolas do The National (com "C" maiúsculo mesmo) e o farofeiro Shameboy quase levou a tenda abaixo.
Começando bem, com músicas de seus primeiros discos, Lenny Kravitz descarrilhou no final e fanfarronou como de costume.
Quando finalmente chegou a vez do R.E.M., o som do palco principal deixou o público na mão. Baixo e embolado, como se fosse no Brasil, mal dava pra ouvir as músicas.
Uma pena, pois o repertório estava caprichado, abrindo com "Orange crush" e fechando com "Man on the moon".
Soulwax, "Robot rock" + "Phantom Pt. II"
De volta a tenda, os heróis locais Stephen and David Dewaele encarnaram sua faceta de banda a frente do Soulwax.
Bastante coisa mudou no Soulwax do show no Tim Festival 2004 para cá. Se antes a banda era uma mescla de rock e electro (tendendo mais para o primeiro), sob o nome Soulwax Nite Versions ênfase é na eletrônica, tocando seus remixes ao vivo.
Stephen e David se dividem entre sintetizador, vocais e ocasionalmente guitarra, com um baterista somando-se a dupla.
Emendando "Gravity's rainbow" (Klaxons), "NY Excuse" (deles mesmo, explodindo a tenda), "Robot Rock" (Daft Punk) e "Phantom Pt. II" (Justice) fizeram uma das apresentações mais legais da música eletrônica recente (tem notado como os live PAs andam sem graça? ou é comigo?).
Os irmãos ainda voltariam mais tarde, com seu projeto mais conhecido, o 2ManyDJs, antes do show do Chemical Brothers encerrando a noite no palco principal.
A essa altura, com os ossos enxarcados, o banho quente e a cama gritavam bem alto, tão alto que foi impossível não atender a seus apelos.
Dia 2 - lá vem o sol

Jay-Z
Vir, vir, o sol não veio, mas pelo menos a chuva também não. Começando o dia devagar, o My Morning Jacket fez um show correto, mas repetitivo e um tanto cansativo na tenda.
No palco principal, e cedo, a presença mais comentada no circuito de festivais de verão desse ano mostrou que não estava a passeio.
Bom de palco que só ele, Jay-Z veio com banda, o que costuma ser a diferença entre um monólogo de rap terrívelmente insuportável e um belo show.
Sem vergonha nenhuma, botou a branquelada pra rebolar ao som de sucessos seus, com sua participação ou com seu dedo: "99 problems", "Crazy in love" (Beyoncé), "Umbrella" (Rihanna) e a música da estação, "American boy" (Estelle).
A distância entre o Jay-Z, brincando no palco, para a insossa Duffy na tenda era maior do que a caminhada em si. Sem graça, apelando para seduções baratas e com uma voz de pato, ao vivo a loirinha não segura a onda. Aliás, nem em disco.
No palco principal (eita, vai-e-vem...), o reunido The Verve angariava seus tostões simulando um retorno do brit-pop, que nem está tão longe assim ainda.
Hot Chip, "Ready for the floor"
A nerdice tomou conta da tenda, lotada para ver os ingleses do Hot Chip. Não dá pra dizer exatamente o que é, mas falta alguma coisa ali.
Pode ser o vocal, sempre no mesmo tom e sem dinâmica, pode ser a transposição das músicas para o palco, pode ser o excesso de esforço para parecer bacanas. Pode ser qualquer coisa, a bem da verdade, mas que falta algo, falta.
O show deu uma crescida em "Over and over" e na ótima "Ready for the floor", ficando curioso na versão de "Nothing compares 2 U", do Prince, imortalizada por Sinead O'Connor.

Digitalism
Cheio da onda, com cenário especial e tudo mais, o Digitalism era aguardado ansiosamente na tenda, super lotada.
Devido ao excesso de empolgação dos integrantes, o show quase se perde. É um tal de vir a frente do palco pra cantar ou fazer danças esquisitas, tocar bateria eletrônica com baqueta e pedir gritinhos que fazem pensar nos clichês do que é o "DJ Ibiza".
Entretanto, a pancadaria do som é tão forte que sossega até a dupla. Contrariando a "tendenssa" atual, nem todo show de música eletrônica é feito para ser assistido. O Digitalism certamente funciona melhor de olhos bem fechados.
Dia 3 - dobradinha histórica

MGMT
Provavelmente por estratégia do festival, todos os dias algumas das bandas mais esperadas tocavam bem cedo. O MGMT entrou no palco 13h25.
A impressão deixada no público no show de Londres, dois meses atrás, não foi das melhores. Grande parte saiu do show antes do fim.
É aquele negócio de banda de internet. Muita gente só conhece uma música e, talvez nivelando por baixo, espera mais dez iguaizinhas. Quando elas vem diferentes entre si -- o que deveria ser uma boa coisa -- a turma impaciente do hype debanda.
O MGMT é um prato cheio pra esse tipo de reação. O disco é bem diverso e ao vivo as músicas ganham roupagens de rock psicodélico que assustam quem está a fim de só "mandar um dance".
O pouco espaço de tempo entre os dois shows cancelam a idéia de uma evolucão da banda, mas o fato é que o show de Werchter foi infinitamente melhor do que o de Londres.
O repertório estava mais bem distribuído, a banda mais entrosada e o público mais atento. Os músicos fizeram tudo que o professor mandou e... Brincadeira. É que essa frase acima parecia resenha de futebol.
Show bom bagarái. Vamos ver como será recebido no Brasil.
O Band of Horses adormeceu a galera na tenda antes do Kings of Leon fazer justo o contrário no palco principal.
No caso do KoL, a distância entre o fraco show no Brasil e o que a banda vem apresentando atualmente é o suficiente para apontar uma evolução.
Os integrantes tocam e parecem não estar nem aí, como se aquilo não fosse nada ou não estivessem empolgados. Vai ver não estão mesmo. Pouco importa.
Com uma das músicas mais tocadas nos intervalos dos show, "On call", e lançando um disco melhor do outro, o KoL já provou que cresceu.

Sigur Rós
Tudo que é bom tem seu preço. No caso do show do Sigur Rós, era aturar o Ben Harper destruindo, uma a uma, suas melhores músicas.
É um caso ainda mais grave do que o do Lenny Kravitz. Era de se esperar que depois de três discos excelentes, o sujeito estivesse encaminhado. Mas não.
Inacreditavelmente, vieram bombas atrás de bombas (com excessão de "Woman in me", um musicão) e, hoje, assistir um show do Ben Harper é, infelizmente, uma dureza.
Divida paga, os islandeses do Sigur Rós fizeram valer o esforço.
Com um dos cenários mais bonitos do festival e chuva de papel picado no encerramento contra um céu rosado pelo pôr-do-sol, os islandeses domaram a platéia, conseguindo silêncio geral.
Até mesmo um lamentável grupo de trintões que insistia em brincar de botar um pinto de borracha na boca para aparecer no telão ficou quieto. A tarefa não era fácil, acredite.
Radiohead, "Climb up the walls"
Duas bandas tão distantes e estranhamente próximas como Sigur Rós e Radiohead, tocando uma após a outra, é pra jogar as mãos pro céu.
A grande "falta de sorte" foi que o repetório dos ingleses foi bem parecido com o da apresentação no Victoria Park, com pouquíssimas alterações.
A inclusão de "Paranoid android" fez valer o ingresso. Novamente, o clássico (é, já) "In rainbows" foi tocado quase integralmente e "Climb up the walls" surgiu numa versão dub de cair pra trás de tão boa.
Obviamente, o festival inteiro queria assistir o show colado no palco, o que ocasionou um espreme-espreme raro por essas bandas.
Na tentativa de evitar o tumulto no final da apresentação, escolhi sair antes da última música pelo vão onde fica a equipe técnica, alegando que era impossível atravessar a massaroca de gente.
Sem saber, foi um prêmio. Sabe-se lá porque, o caminho levava até a boca do palco, a cinco metros da banda tocando "Everything in it's right place", antes da saída. Só não deu tempo de sacar a câmera pra mais uma foto fora de foco.
Dia 4 - arrancada final

Hercules & Love Affair
Arrebentado, com os pés doloridos das benditas galochas e mal alimentado (o Rock Werchter é o paraíso das porcarias), o último dia começou bem mal com o Hercules & Love Affair.
O grupo mal consegue ser uma paródia de si mesmo, com músicos fracos, versões magras e a ausência da voz do Anthony (and the Johnsons). Toma um baile, fácil, fácil, do Celebrare no quesito disco-music águada para casamentos.

Mark Ronson
Eis que surge Mark Ronson e sua banda gigante, os Version Players, chegando a somar 19 músicos no palco em alguns momentos.
A idéia por trás do projeto é tão simples que soa até boba. A princípio. Como um DJ, Ronson comanda uma sessão de versões de hits do rock, hmmm... contemporâneo.
Lembra um pouco a proposta da Orquestra Imperial, fundada pelos produtores Berna Ceppas e Kassin e reunindo músicos amigos pra tocar músicas que influenciaram suas carreiras. A diferença é apenas cultural, o que cada um ouviu de seu país enquanto crescia.
Produtor conhecido pelo trabalho com Amy Winehouse e Lilly Allen, Mark Ronson entorta as músicas até ficarem quase irreconhecíveis, criando uma unidade sonora impensável entre "Toxic" (Britney Spears), "Just" (Radiohead), "Stop me" (The Smiths) e "God put a smile upon your face" (Coldplay).
O show é praticamente um portifólio itinerante, mostrando o talento de Mark Ronson na produção. O único detalhe é que é um show tão intenso e empolgante que as pessoas sequer pensam nas músicas originais. É como se tudo fosse material inédito.
O show agrada desde o indie mais exigente até quem nunca ouviu falar em Mark Ronson antes. Impressiona também porque, com tantas participações especias no disco, seria difícil imaginar as versões sem seus intérpretes.
A catarse provocada por "Valerie", logicamente sem Amy Winehouse nos vocais, prova o contrário.
Mais tarde, Ronson ainda deu uma canja no palco do Kaiser Chiefs.

Racounteurs
Já em seu segundo disco, não se sabe até quando o Raconteurs será chamado de "projeto paralelo do guitarrista Jack White". O White Stripes parece cada vez mais distante, ainda mais vendo o estrago que White pode fazer com uma banda completa.
Sem a responsabilidade de prover ao mesmo tempo a melodia e a base, White ganha mais espaço para explorar seus talentos na guitarra, no piano ou mesmo no vocal. O resto da banda também não é nada boba, resultando num show mais redondo que o do White Stripes.

Justice
O que não é um conceito. Ouvindo os zilhões de ruídos e distorções do Justice, fico pensando o que aconteceria com a dupla se vem vez da opção por um show encenado, tentassem fazer um simples DJ set com as mesmas músicas.
Se a pista ficaria vazia ou não é pura especulação. De qualquer forma, é inegável o apelo das referências ao rock e ao metal (jaquetas de couro, amplificadores Marshall e, claro, as cruzes). Como no caso do Daft Punk, não é apenas um show de música, é também uma espécie de peça teatral.
Nesse contexto, as críticas de que os shows são sempre iguais, com pouquíssimos adendos, e acusações de que é tudo pré-gravado (na montagem do palco um roadie apertou algum botão por acidente e em vez de uma nota ou algo parecido, disparou foi a base de "Genesis", prontinha) perdem um pouco o sentido. Teatro é assim.
O perigo é os atores começarem a acreditar nos papéis e quererem se transformar nos personagens. Sinal amarelo para a pose da foto acima, que durou uns 20 segundos, mais pra Poison do que pra Metallica.

Beck
Fechando a tampa, o grande Beck, um tanto apagado e acompanhado por uma banda meio frouxa,mostrando músicas do novo disco, "Modern guilt" e alguns de suas melhores canções.
Entre "Loser", "Devil's haircut", "New polution", "Where it's at", o grande momento foi "Everybody's got to learn sometime", do The Korgis, que fez parte da trilha do filme "Brilho eterno de uma mente sem lembranças".
Moído, restava uma última coisa a fazer: sair correndo para escapar da sequência letal Underworld / Nightwish.
São e salvo.

Direto da Rough Trade East, "Aerial", do holandês 2562 é uma PEDRADA de dubstep no seu quengo.
Não vai ter nem resenha, só os auto-explicativos nomes de cinco faixas do disco lançado pelo selo Tectonic, de Bristol.
"Moog Dub"
"Channel Two"
"Techno Dread"
"Basin Dub"
"Greyscale"
Depois não diga que não foi avisado.
Radiohead, "There, there"
vídeo e fotos: eumemo
A estratégia de lançamento de "In rainbows", com vendas estritamente on line e com o preço dado pelo comprador, foi tão surpreendente que passou-se mais tempo falando disso do que do fato que trata-se de um dos melhores (e mais acessíveis) discos do Radiohead.
Tocando para uma multidão no Victoria Park, na primeira passagem da atual turnê em Londres, o quinteto conseguiu transformar as novas canções em algo ainda melhor, sem deixar quase nenhuma de fora.
O som cristalino que saia das caixas era de chorar. Papo de ouvir os mínimos detalhes do som dos dedos dedilhando violões ou o piano. É raro ouvir algo tão bem equalizado, principalmente ao ar livre.
Fechado em seu mundo particular, o guitarrista e programador John Greenwood divide-se entre xilofone, teclados, rádios a pilha, arco de um violoncelo e disputa atenção com o dono da banda, o vocalistaThom Yorke.

O show é muito simples e é justamente aí que está o truque.
Das timbragens dos intrumentos a execução das canções -- mesmo com as constantes mudanças de formação de palco, indo de guitarras, piano, baixo, bateria e programação para voz e violão de uma música para outra -- não tem firula.

O cenário resumia-se a um conjunto de luzes retangulares colodidas, pendurados do alto do palco, com um telão no fundo. Dividido horizontalmente em cinco partes, sempre mostrando detalhes dos integrantes em câmeras fixas. As imagens ganhavam mais tratamentos e diagramações nos telões laterais.
Menos é mais, as vezes dizem por aí.

Talvez a única crítica negativa ao show seja o exagero de marcações de palco para as câmeras funcionarem a contento. Thom Yorke também abusa dos trejeitos, mas a essa altura, já faz parte do espetáculo.
Em seu momento politizado, puxou um coro de "Free Tibet", sentado ao teclado coberto com uma bandeira da terra dos monges, antes de desembocar "Everything in its right place" (uma mensagem subliminar?) e caminhar rumo ao encerramento, com "Idioteque".
Com sete discos lançados, mesmo num show de pouco mais de duas horas, sempre falta muita coisa. O que é ótimo, sobram surpresas para as próximas apresentações.
obs: meu futuro vizinho virtual Gustavo Mini, a quem finalmente conheci no mundo real, fala do aspecto "verde" do show no seu Conector.
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O repertório do show, fora de ordem, segundo a memória de Pedro Seiler:
"15 Step"
"Bodysnatchers"
"All I Need"
"The National Anthem"
"Pyramid Song"
"Nude"
"Arpeggi"
"The Gloaming"
"Dollars and Cents"
"Faust Arp"
"There, There"
"Just"
"Climbing Up The Walls"
"Reckoner"
"Everything In Its Right Place"
"How To Dissappear Completely"
"Jigsaw Falling Into Place"
Bis 1:
"Videotape"
"Airbag"
"Bangers ‘n Mash"
"Planet Telex"
"The Tourist"
Bis 2:
"Cymbal Rush"
"You And Whose Army?"
"Idioteque"
Johnny Clarke, "Every knee shall bow"
vídeo: eumemo
Diz o ditado que não se deve confiar numa banda de reggae em que a guitarra é o grande destaque. Entrar no Queen Elizabeth Hall e enxergar no palco apenas percussão, trombone, um piano (!) e um violão (!!) não podia ser bom sinal.
Tudo bem, não existe o tal ditado, mas o ponto é válido. Show de reggae sem baixo e bateria é como uma escola de samba desfilar sem surdo e tamborim. Não tem como dar certo (ou, sendo flexível, é muito, muito, muito pouco provável que dê).
Escalados para o festival Meltdown 2008, com curadoria do Massive Attack, Earl 16, Johnny Clarke e Horace Andy participaram da noite chamada "Reggae Acoustic Songbook".
Um nome desses deveria ter servido de alerta, porém nada indicava que o show se resumiria aos cantores interpretando praticamente a coletânea "Legend", do Bob Marley, de ponta a ponta, acompanhados por uma banda que não agradaria muito no sul do Brasil. Uhú, reggae raiz!
Inundado de tristeza e envergonhado com a breguice, restou esperar para os poucos momentos em que os cantores cantaram algum de seus clássicos.
Ver Johnny Clarke mandando "Every knee shall bow" ao vivo vale a pena. Mesmo sem baixo.
Lykke Li, "Little bit"
vídeos: eumemo
Mês passado, Lykke Li passou por Londres fazendo o show de abertura para o Sebastien Tellier. Agora, a sueca reapareceu para uma série de shows só seus.
Não foi apenas a dimensão dos shows ique mudaram. A acolhida calorosa pela imprensa começou a se tranformar em pedradas, sem motivo aparente, além da menina estar começando a se destacar.
De um nome para se prestar atenção para resenhas mornas e músicas espinafradas foi um pulo. O pecado do sucesso, parece, é punido mundo afora.
Tanto a velocidade quanto a voracidade da rede não permitem a um artista flutuar entre esses extremos por muito tempo. Os shows de lançamento do disco em Londres ganharam mais importância. Lykke precisava, novamente, se provar.
El Pero Del Mar
Também da Suécia, o El Perro del Mar ameaçou fazer um show sem graça, que terminou sendo interessante.
As três primeiras músicas enganaram. No formato voz e violão, davam a certeza de mais uma cantora de folk (quantas mais?). Isso até outros músicos chegarem pra tocar piano, baixo, sampler, engrossando o caldo.
A cantora Sarah Assbring, integrante única do El Perro del Mar e que ao vivo tem um timbre lembrando, ainda que de longe, Beth Gibbons (Portishead), colaborou, se arriscando na flauta e no teclado, deixando tudo pronto para a amiga Lykke Li.
Lykke Li, "Can I kick it" (A Tribe Called Quest)
Imagine o susto que a M.I.A. tomaria se um dia acordasse presa no corpo da Britney aos 14 anos, de calcinha e com uma vontade incontrolável de se tornar um chanteuse. Taí uma possível descrição da Lykke Li.
O tema das letras, em boa parte falando de relacionamentos tortos, relembra que a menina tem apenas 22 anos. A voz doce, quase um sussurro, meio infantil, contrasta com a postura no palco, beirando a agressividade. Mesclando com poses ensaiadas com piadas prontas, Lykke vai dominando a platéia.
Antes de "Little bit", quando fazendo uma brincadeira com a letra, ela pergunta "quem está apaixonado?" e emenda "mas não por mim", já é tarde demais. As centenas de conterrâneas presentes no show já estão entregues.
Mesmo com as camadas e texturas eletrônicas, ao vivo as músicas do "Youth novels", o disco de estréia, surgem mais secas e diretas, primas (bem) distantes de uma base produzida por Pharrel Williams.
Quando a aproximação com o universo hip hop começa a se tornar absurda demais, Lykke encerra o show com uma versão de "Can I kick it?", do grupo de rap A Tribe Called Quest, misturada com "Walk on the wild side" (Lou Reed).
Se ela, mesmo que inconscientemente, estava falando das críticas recebidas recentemente, nem precisava perguntar. É só chutar.
Dublime: Iration Steppas, Lee Perry & Adrian Sherwood e Pole
fotos e vídeo: eumemo
A primeira edição da festa Dublime na Fabric trouxe uma escalação em sintonia com um certo documentário.
De Lee Perry a Pole, passando por Don Letts, Congo Natty, Kode 9 e alguns dos principais nomes do dubstep, do jungle e do UK Roots, o evento foi um passeio pela linha evolutiva do dub, do berço jamaicano a improvável vertente alemã.

Iration Steppas
Com três pistas rolando simultaneamente, o esquema era cruel: escolhia-se um nome pra conferir, perdia-se, no mínimo, outras duas coisas muito boas.
Embora não seja uma presença rara em Londres, sendo de Leeds, o Iration Steppas teve prioridade. Tocando na menor pista, com MCs exaltando o time e um grave de amassar o peito, a versão de "Welcome to Jamrock" já valeu o set.


Lee Perry & Adrian Sherwood
Don Letts fez um set pesado pacas, misturando digidubs com roots, transformando num presente o atraso para o início da apresentação do Lee Perry.
Em sua passsagem pelo Brasil, em 2007, acompanhado por uma banda que não era a sua usual, Lee Perry já fez mágica num pé só (o outro estava engessado), imagina acompanhado por Adrian Sherwood.
Além das bases e efeitos caprichados de Adrian, o grande barato da apresentação é que ela dura exatamente o tempo que Lee Perry leva para pintar um de seus quadros, no palco.
Misturando grafite com as pinceladas naïf, características da decoração do seu chamuscado estúdio, a Black Ark, Perry fala sem parar, entre improvisações e trechos de clássicos como "War inna Babylon", "Curly locks".
Perry é primeiramente um produtor, não um artista (embora tenha gravado várias músicas), então o ideal seria vê-lo mixando, coisa que ele já não faz mais.
O show é sim morno, mas isso pouco importa quando se está cara a cara com uma lenda da dimensão (dimensões?) de Lee Perry, com um pincel na mão, pintando os braços de quem os esticasse em sua direção.

Pole
Na outra pista, logo na sequência, o Pole tocou com um laptop, mixando e aplicando os efeitos ao vivo, através de uma mesa.
Resvalando no minimal house e mais dançante do que se poderia imaginar pelos discos, o alemão tem mesmo os dois pés no dub, por mais que diga em seu saite que é apenas uma influência.
Com os ouvidos zunindo de tanto grave, a parcela dubstep ficou pra depois.
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A escalação completa da festa:
Pista 1 - ROOTS
Lee Perry Soundsystem & Adrian Sherwood (LIVE)
Dillinja (Valve Recordings)
Congo Natty aka Rebel MC (LIVE)
Caspa & Rusko (Dub Police), Loefah (DMZ/ Deep Medi)
Don Letts (Dub Cartel Sound System)
Souljazz Soundsystem
MCs Pokes, Warrior Queen & Rod Azlan
Pista 2: TEC
Pole (LIVE) (Scape/Mute)
Sleeparchive (LIVE)
Kode 9 (Hyperdub)
Scuba (Hotflush)
Pinch (Tectonic/Planet Mu)
Appleblim vs Peverlist (Skull Disco/Punch Drunk)
Downshifter (Skud/Hyponik)
MCs Flow Dan & Rogue Star
Pista 3 - POOM
Iration Steppas (Sub Dub)
Moody Boyz (Studio Rockers)
Antisocial (Deep Medi)
Blackdown & Dusk
Earl Gateshead (Trojan Sound System)
Jonny Trunk (Trunk Records)
MGMT, "Electric Feel"
fotos e vídeo: eumemo
Sob o som de um delicado dueto de flautas, os integrantes do MGMT entraram em cena, um por um, adicionando seus intrumentos ao arranjo e mostrando que o viria a seguir não seria muito parecido com o disco "Oracular Spetacular".
Ao longo da noite, as muitas referências de Andrew VanWyngarden e Ben Goldwasser, da disco ao folk, do pop a eletrônica, foram se desmachando no palco, até uma se sobrepor a todas as outras: o rock psicodélico
As flautas etéreas se revelaram uma comprida introdução para uma versão mais chapada de "Electric Feel". A partir daí, foi como se o repertório do disco estivesse sendo tocado de trás pra frente, sempre com mais peso na guitarra. O resto dos hits ficaram guardados para o final.
Vestido com uma túnica colorida e faixa no cabelo, apesar de não escrever as letras, o vocalista Andrew VanWyngarden dá o tom do show. New age, neo-hippie e viajandão.
A lista de ingressos para imprensa e convidados, por exemplo, estava atrelada a uma contribuição de cinco libras para uma instituição de caridade escolhida pela banda.

MGMT
Numa pausa entre as canções, o vocalista VanWyngarden, olhou o Astoria de frente e disse "nunca tocamos num lugar tão grande". O público parecia tão assustado quanto ele.
Pode ser que o nervosismo, a falta de quilometragem na estrada ou que o som embolado tenham atrapalhado a banda, mas o fato é que muita gente saiu antes do final do show.
Antes de debandar, uma dessas pessoas teclava no celular (impossível não ler aquela telinha azul piscando na sua frente no escuro...) algo como "meu Deus, o MGMT é o pior pesadelo do Pink Floyd".
A reação é compreensível. Ao vivo, a banda não atende as expectativas pop criadas pelas músicas de maior sucesso de "Oracular spetacular".
Não que isso seja exatamente uma crítica negativa. Simplesmente, as músicas não surgem tão dançantes e estruturadas como em boa parte do disco.
Certamente, é bem diferente do que se pode esperar -- a escolha de tocar uma versão de "Mindless child of motherhood", do Kinks, não deixa dúvidas disso.
Isso não quer dizer que seja ruim, apenas diferente do que se espera, o que é até bom. Sabendo disso, na segunda vez possa ser ainda melhor.

Andrew VanWyngarden e Ben Goldwasser
Depois de saírem brevemente do palco, Andrew VanWyngarden e Ben Goldwasser voltaram, sozinhos, para cantar "Kids" sobre uma base pré-gravada. Em seguida, parte da banda também voltou e tocaram uma música inédita, "Dancing on the beach".
Num bate-papo rápido após o show (que será extendido numa entrevista, a ser feita nessa sexta), Andrew van Wyngarden disse que estão muito empolgados com a ida ao Brasil, confirmando que irão tocar no TIM Fest.

Fuck Buttons
fotos: eumemo
A invasão nova-iorquina, iniciada com o show do Vampire Weekend, continou nessa quarta-feira, com a apresentação do Dirty Projectors, Battles e Fuck Buttons (esse é da Inglaterra mesmo), dentro de mais uma datas do festival All Tomorrow's Parties.
Os anfitriões deram início a noite no Astoria (que, infelizmente, deve se demolido até o final do ano por conta das obras de expansão da estação de metrô de Tottenham Court Road). Uma ótima surpresa.
Utilizando sintetizadores, teclados e, ocasionalmente, um tambor, a dupla cria camadas e mais camadas, atmosféricas e sombrias, muitas vezes produzindo loops ao vivo, por cima dos quais adicionam ruídos e pulsações.
Acordes contínuos, semelhantes ao de uma guitarra com pedal de distorção, cortam músicas inteiras, como os choques elétricos hipnóticos de "Sweet love for planet earth".
As músicas vão se emendando uma nas outras e só pararam de fluir porque um sujeito entrou no palco avisando que o tempo da banda havia acabado.
Um tanto agressivo para de se ouvir em casa (principalmente pelos grunhidos primais), funciona muito bem ao vivo, quando pode ser tocado bem alto, ecoando por um grande espaço.

Dirty Projectors
O Dirty Projectors tem sido bastante comentado, porém as vezes chama mais atenção quando a dica vem de onde você menos espera. No caso, do Lucas Santtana, que normalmente não comenta sobre bandas com esse perfil.
Olhando a banda se ajeitar no palco, não parecia nada complicado. Duas meninas (guitarra e baixo), um baterista e um vocalista/guitarrista. A guitarra igual a do Hendrix, o baixo igual o do Paul, as belas harmonias vocais entre as meninas, eram todos falso sinais, escondendo uma esquisitice que aflora logo nas primeiras notas.
O disco já não é fácil, ao vivo a estrutura das músicas ficam ainda mais complicadas e difíceis de acompanhar. Demora-se a perceber onde começa uma parte ou onde acaba outra. Até mesmo a amigável "Rise above" surgiu totalmente torta.
Fazer comparações com outras bandas ou tentar cravar as influências é tão complicado quanto tentar seguir as melodias do Dirty Projectors.
Fazia tempo que não via um show tão estranho. Sinceramente, não entendi nada. Nem o suficiente para dizer se isso é um elogio ou uma crítica. Se alguém souber, avisa.

Battles
Desde que pintou na capa da XLR8R em abril de 2007, o Battles é um mistério. O suposto hit "Atlas" até hoje não desceu por aqui.
Na maior parte do show, o quarteto se divide entre bateria e três guitarras, com dois dos integrantes tocando, simultaneamente, teclados. Hiperatividade parece ser uma boa palavra para definir o Battles.
Um baixo também é utilizado, pouquíssimas vezes. O forte da banda é criar loops com pedais, sobrepondo um sobre o outro para construir texturas bem densas.
Com a nerdice na moda, o lance é saber apertar tantos botões quanto possível no maior número de traquitanas que aparecer pela frente. E tome blusa social pra dentro da calça.
O post-rock encontra o metal, o que é o lado interessante da banda. Pena que na maior parte do tempo, cada integrante vá pra um lado, parecendo mais preocupados com os trejeitos do que tocar juntos. A posição bizarra do prato da bateria fala por si só.
A soma de todos esses ruídos desconpassados dá caldo e rende bons momentos. É tudo muito bem executado, apenas sem graça.
Se esse é o tal do math-rock, é melhor refazerem as contas, porque não tá batendo.
Semana que vem, a Grande Maçã se faz presente em Londres na figura do aguardadíssimo show do MGMT.
Vampire Weekend, "Mansard roof"
vídeo e foto: eumemo
Antes da apresentação do Vampire Weekend, a abertura do White Williams (será a do Piquet?) foi pouco animadora. O quadro, porém, estava prestes a mudar.
Começando por uma vomitada colossal de uma menina, abrindo um clarão pertinho do palco e garantindo uma boa visão do show.
O bloqueio mental causado pelo excesso de hype em torno de algumas bandas é bem difícil de ser superado. As vezes, tanta falação pode ter o efeito contrário, gerando antipatia antes até de se escutar a primeira música.
Recebendo todos os elogios imagináveis na imprensa por seu disco de estréia, o homônimo "Vampire Weekend", os nova-iorquinos sofrem desse mal. O pior para eles é que não cabe as bandas controlar a dose exata de buchicho para evitar a ressaca.
Enquanto pensava estar ignorando solenemente o Vampire Weekend, após repetidas audições no MySpace da banda enquanto lia as tais matérias a seu respeito, as músicas foram crescendo e a curiosidade aumentando.
Isso -- somado ao fato de que só existe uma maneira realmente eficaz de se analisar uma banda: o palco -- serviu de impulso para ir a porta do Electric Ballroom tentar a sorte .
Os ingressos estavam esgotados há meses, não se encontrava nem no eBay. Na porta, estavam pedindo 40 libras por uma entrada que originalmente custava 12 libras.
Os agressivos cambistas londrinos são uma turma complicada, tentam inclusive impedir a negociação entre pessoas que querem vender ingressos uma para as outras sem valores extorsivos.
Com sorte, consegue-se comprar pelo preço correto. E quando isso acontece, costuma ser sinal de uma noite boa vindo pela frente.

Vampire Weekend
O Vampire Weekend entrou em cena ovacionado. Vestidos como os garotos formados em faculdades da Ivy League que são, o visual era suéter e sapato, com uma postura levemente nerd. O vocalista estava com a mesmíssima roupa que tocou no Jimmy Kimmel Live. Figurino calculado?
Sem cerimônias, o Vampire Weeend abriu a apresentação com duas de suas músicas mais conhecidas, "Mansard roof" e "Cape Cod Kwassa Kwassa", essa última sintetizando as intenções do quarteto.
Ezra Koenig centraliza as atenções da formação simples (guitarra, teclado, baixo e bateria), não apenas por ser o cantor. Sua guitarra é o que mais se destaca no diferencial na sonoridade do grupo: as influências do pop africano, de juju music nigeriada ao soukous congolês, também explorados por Peter Gabriel no passado.
Sem se basear nos riffs ou power chords dos onipresentes grupos de rock, o teclado e a guitarra fazem frases, repetidas diversas vezes, indo e voltando, como num mantra pop.
Bem mais pesados ao vivo do que em disco, o segredo do sucesso da banda talvez resida justamente em saber dosar as influências africanas.
A mistura é apenas o bastante para tornar o som diferente do resto. Sem cabecismos, mas também sem atalhos. E, o mais importante, permanecendo pop.
Além de "Oxford comma", "A-Punk", "One (Blake's got a new face)", "The kids don't stand a chance" e todo o repertório do disco, vieram também duas músicas novas. Ambas devem fazer parte do novo trabalho, em processo inicial de composição, como o vocalista disse durante o show.
Uma delas, tinha pegada parecida com a de uma guitarrada paraense. Seria interessante saber o que aconteceria se o Vampire Weekend topasse com os mestres Vieira, Curica, Aldo Sena ou mesmo com o La Pupuña.
No palco, o Vampire Weekend confirma o burburinho, obrigando os detratores a darem o braço a torcer. A banda é mesmo boa.
fotos e vídeo: eumemo
A dica era quente, veio diretamente de um dos Digitalism, em uma mini-entrevista em novembro de 2007. Desde então, o estranho nome ficou na cabeça: Late of the Pier.
Levou alguns meses até aparecer o primeiro show, quando foram a grata surpresa da noite, abrindo para o Justice no Astoria, seguido por um como atração principal na ULU.
Com o lançamento do disco chegando perto, as apresentações começam a se tornar mais frequentes. E apesar de ainda bem pequenas, também estão ficando maiores e/ou mais relevantes. Essa semana foi a vez do Camden Barfly, um lugar para 200 pessoas. Do jeito que a gente gosta.

The Displacements; fitas demo;
Collapsing Cities; A Place to Bury Strangers
Foi-se o tempo em que bandas fazendo propaganda (seja na TV ou em turnês patrocinadas) era queimação de filme e certeiras acusações de vendida. Nesse estranho mundo novo, é quase um status, atestado de "grandeza", um grupo estar envolvido em algo assim.
A noite era parte de uma turnê chamada "Levi's: one's to watch", e teve ainda o Collapsing Cities (OK), The Displacements (fraco) e A Place to Bury Strangers (bizarro e bom). Na banquinha que vendia material das bandas, um passo adiante (ou atrás) na nostalgia dos compactos de vinil: fitas demo. Fazia tempo que essas não apareciam.

Late of the Pier
O LOTP não parecia cansado do péssimo show da noite anterior, em Birmingham, como contou o baixista Andrew Faley. Elétricos e derretendo no palco, talvez movidos a MDMA, o quarteto fez a mesma bagunça que vem fazendo, misturando rock, metal, eletrônica, psicodelia e histeria adolescente.
Dia 18 de maio sai o primeiro single, um Lado A duplo, com as músicas "Space and the Woods" e "Focker". O disco cheio vem na sequência.
Café Tacvba, "Como te extraño"
vídeo: eumemo
Os sinais de que o público do comportado Barbican Centre no dia 03 de maio seria um tanto diferente estavam claros desde a entrada. Era noite de show do Café Tacvba, um dos maiores nomes do México e um imã para comunidade latina.
Em vez da tradicional pontualidade britânica (que, aliás, é papo sério), a quantidade de gente chegando em cima da hora, cantando, conversando alto e bebendo, não deixava espaço para dúvidas de que seria uma noite um pouco mais caliente que o habitual.
Os brasileiros radicados em Nova York, Forró in the Dark abriram a noite. Mesmo com um pouco mais de água na mistura do que o necessário, o grupo conseguiu agradar o público que estava lá mesmo para ver os mexicanos.
O Café Tacvba esteve no Brasil em 1997, sem muito alarde, no Festival Tordesilhas, organizado pela MTV, que trouxe também os colombianos Aterciopelados e os argentinos do Illya Kuryaki. A barreira da língua provavelmente explica porque a banda não faz o mesmo sucesso na terrinha comparado com o resto da América Latina.
Liderados pelo carismático vocalista /guitarrista Rubén Albarrán, o Café Tacvba, junto coma platéia, quebrou todos os protocolos do Barbican. Flashes eram disparados sem parar, as pessoas dançavam nos corredores e ficavam em pé nas cadeiras.
Não vai ser surpresa se o grupo nunca mais puder tocar na casa. Não bastasse o descontrole dos fãs com a avalancha de éxitos, enfileirando "No controles", "Ingrata", "Esa noche", "Eres", "Las flores", "La locomotora" (cata no YouTube, estão todas lá), o vocalista resolveu convidar a turma para subir no palco. Obviamente, foi a senha para a invasão.
No final, com todos mais calmos, encerram a fiesta com "Como te extraño", seu maior sucesso e a música que talvez melhor ilustre o título de "Paralamas do Sucesso mexicano".
Na platéia, pipocavam bandeiras da Argentina, Venezuela e, claro, México. Só faltou a do Brasil.
Video do evento, feito com uma câmera fotográfica digital.
A tosqueira de produzir nesse formato cada vez fica divertida.
Daqui uns anos vira estética.
vídeo: eumemo
No sábado passado aconteceu, no Victoria Park, o festival gratuito Love Music Hate Racism Carnival, com a presença de Hard-Fi, The View, Get Cape.Wear Cape.Fly, Dennis Bovell, Don Letts, entre outros, coma presença de mais de 100 mil pessoas, segundo os organizadores.
O encerramento ficou com The Good, The Bad and The Queen. Foi uma escolha simbólica, pelo fato do baixista da banda, Paul Simonon, ter sido um dos integrantes do The Clash, atração principal do Rock Against Racism, no mesmo parque, 30 anos antes.
No RAR, o alvo das manifestações era a escalada ao poder do partido nazi-fascista National Front, que perseguia principalmente imigrantes e irlandeses. Passados 30 anos, a situação é parecida, mudam apenas os nomes.
Os atores principais agora são a British National Party (BNP) e os imigrantes dos países árabes (chamados, numa generalização, simplesmente de muçulmanos) e do leste europeu, principalmente os poloneses, recém-integrados a União Européia.
Num clima muito politizado, as atrações transcorreram, sem sustos, entre muitos discursos. O evento é uma maneira de sinalizar, tanto para sociedade, quanto para os imigrantes, que, apesar da forte propaganda, a maior parte dos britânicos não concorda com o pensamento da BNP.
Um pouco estranho, tem-se que dizer, um evento que prega a tolerância, trazer a palavra "odiar" em seu nome. Mesmo que seja odiar o racismo, porque odiar não pode ser bom. A palavra foi repetida diversas vezes durante o dia, nos discursos inflamados.
A recessão batendo a porta é o cenário perfeito para ascenção de partidos de extrema-direita. Os empregos começam a faltar e fica muito fácil convencer a populaçnao de que os imigrantes estão roubando o seu emprego, utilizando isso como de votos.
Por isso, apesar da aparente tranquilidade, foi um evento importante. Basta uma olhada na lavada que os Trabalhistas tomaram nas eleições locais britânicas dessa quinta.
A pior derrota eleitoral em 60 anos, fortaleceu os Conservadores (lembra da Tatcher?), sinaliza que, assustado (e infeliz com o Primeiro Ministro, Gordon Brown), o povo já está.
O encerramento foi com a versão dubstep do clássico do The Specials, "Ghost town", com base do Kode 9 e vocais do Space ape. O tom perfeito.
Lykke Li, "Beating it up"
vídeos e fotos: eumemo
É sempre uma grata surpresa quando o show de abertura é melhor que a atração principal. Quando isso não se deve ao fato da estrela da noite ser uma decepção, mas por méritos próprios do convidado, é ótimo. Se você nunca tiver escutado o artista antes, melhor ainda.
Essas três coisas aconteceram ontem, no Scala, em Londres, quando a sueca Lykke Li tocou antes do francês Sebastien Tellier (e antes dos dois, com a casa praticamente vazia, Bridgette Amofah)
Sebastien Tellier, "Divine"
Mesmo que parte gráfica do seu lançamento mais recente, "Sexuality", entregasse a cafonice bem humorada do trabalho, as credenciais do Sebasiten Tellier -- disco produzido por Guy-Manuel de Homem-Christo (Daft Punk), elogios de Nicolas Godin (Air) -- não davam a dica do que estava por vir.
Para construir um Sebastien Tellier brasileiro, seria preciso imaginar o João Brasil, preso no corpo do Paulo César Peréio, tocando o repertório de uma parceria imaginária entre Fausto Fawcett e Reginaldo Rossi. Ou algo assim.
Dançando totalmente desajeitado, o sujeito fez amor com o piano, com o pedestal do microfone, com a guitarra, se apalpou como se fosse o Michael Jackon, ignorou os pedidos para que falasse em inglês e fez piadas em francês, para alegria dos seus muitos conterrâneos presentes e se esbaldou no temas soft-porn, revezando-se entre o piano e a guitarra, com direito a solo de metal.
É até difícil não se distrair com o personagem criado por Tellier, totalmente embuído do tema do seu disco, levando a canastrice ao limite. Prestando atenção a parte musical, percebe-se que a piada tem conteúdo. O recheio é de boas melodias, teclados oitentistas, ecos de Jean Michel Jarre e instrumentos bem tocados por uma bom trio de apoio (baixo no sintetizador, bateria repleta de pads eletrônicos e teclados).
Divertido e engraçado, sem ser engraçadinho.

Lykke Li
A loucura orgasmástica promovida por Sebastien Tellier não parece, nem de longe, relacionada com o nome escolhido para tocar antes dele. A atitude, cada um a seu modo, talvez seja o elo entre os dois.
Com disco foi produzido por Björn (do Peter, Björn and John) e tocando pelo mundo com Shout out Louds e El Perro del Mar, aos 22 anos a sueca está enturmada na cena de seu país. Aos poucos, vai ampliando seu território, arrastando um público considerável (e atento) para quem era a banda de abertura.
Lykke Li não faz o estilo menininha-de-voz-rouca que tem inundado o mercado atualmente. Apesar de baixinha e loirinha, se coloca no palco sem se preocupar exatamente se o cabelo vai estar despenteado -- não estava.
Ainda que soe minimalista em diversos momentos, o som é cheio de detalhes e nuances, com elementos de folk e eletrônica, sem ser exatamente uma mistura disso.
Ao vivo, acompanhada por bateria, guitarra e teclado, os graves ganham mais peso. Além de cantar, Lykke brinca com um kazoo, batuca em tamborim e agogôs e arrisca umas pancadas na bateria.
No show, durante as músicas do disco em que seu vocal é dobrado, ela usa trechos pré-gravados para produzir o mesmo efeito. O curioso é que, em alguns casos, ela escolhe fazer o vocal de apoio ao vivo, em vez da voz principal.
Vestida de preto e dançando de maneira desconpasada, o foco é mesmo na sua voz, doce e angelical, quase infantil. Com essa descrição, poderia ser um desastre, rapidamente desmentido por faixas como "Little bit", "I'm good, I'm gone" ou "Dance dance dance".
Tem tudo pra decolar e o hype em torno do seu nome parece estar apenas começando, após passagens pelo festival americano SXSW e pelo programa de TV inglês "Later... with Jools Holland".
Até onde vai, é com ela mesmo. Como disse o Berna, ao passar a dica, "ela tem onda".

foto: eumemo
Soltando seu bordão favorito, seu tradicional "ô, sorte!", Wilson das Neves foi recebido sob aplausos durante a passagem do seu Ipanemas pelo Barbican.
Fundador e único remanescente da formação original, atualmente Wilson está sendo acompanhado por uma banda de bambas: Mamão (bateria) e Alex Malheiros (baixo), ambos do trio Azymuth, Tiago Martins, filho do Mamão (percussão), José Carlos (violão), Vitor Santos (trombone). Não tem como dar errado.
Mesmo com essa formação, o show é do Wilson. Entre músicas do Ipanemas, sambas de sua carreira solo e da Orquestra Imperial, ele canta, samba, toca bateria, berimbau, pandeiro e tamborim, faz piadas e leva a platéia na palma da mão.
Bonita noite de música brasileira pra deixar gringo babando. Sorte foi de quem estava lá.
Ska Cubano, "Big Bamboo"
vídeo: eumemo
Cuba e Jamaica, ambas mundialmente conhecidas por sua música, são tão próximas fisicamente, que é até estranho que seus caminhos sonoros não tenham se cruzado muitas vezes.
O auto-explicativo Ska Cubano é uma dessas misturas. O contra-baixo acústico, os timbales da percussão e as letras em espanhol são mescladas a batida sincopada do ska como se nunca tivesse sido diferente.
Em disco a mistura soa mais tradicional e respeitosa, talvez a timbragem cubana com mais destaque do que a estrutura jamaicana. No show, é o contrário, uma pulação alucinada.
vídeo: eumemo
Com tantas músicas boas -- "Bonafied lovin", "Needy girl", "Tenderoni" -- do divertido disco "Fancy footwork", é uma decepção descobrir que o Chromeo não consegue transpor para o palco suas camadas de sintetizadores oitentistas de maneira convincente.
Resumindo bastante, o show no Koko foi praticamente um playback. A dupla simplesmente despe suas produções de alguns elementos para poder reproduzi-los ao vivo, para assim ter o que fazer no palco.
Um riff de guitarra, uma batucada no agogô, um tecladinho e o vocal é tudo que eles tem a oferecer. O resto é base pré-gravada e apertar play (no caso do Chromeo, saindo sem pressão nenhuma). Ah, com longas interrupções entre todas as músicas.
Não tem uma virada diferente, uma mudança e, principalmente, não tem carisma nenhum. Pode botar a culpa na conta dessa mistura -- praticamente obrigatória atualmente -- entre rock (ou os preceitos de um show de rock) e eletrônica.
Parece que hoje todo artista de música eletrônica tem que ter um live pa, uma formação de palco minimamente semelhante a de uma banda (segurar uma guitarra ajuda bastante), maquiados com um cenário esperto, para justificar um show.
Está dando saudades de ver alguém simplesmente levando uma pista, sozinho (o que é não tarefa fácil).
Nem tudo se encaixa nesse formato. Ou melhor, nem todos conseguem se encaixar nesse formato. O Chromeo não consegue, talvez porque levem a brincadeira a sério demais.

Clandestino

Banda Leme


Lucas Santtana e Gabriel Thomaz


Pedro Zila



Diogo Reis
E lá se foi a festa de 5 anos do URBe.
Eu não fui, mas o Joca Vidal foi e disse que foi sensacional! Fala aê, Joca!
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URBe, 5 anos
fotos e texto por Joca Vidal
A chuva londrina que começou a cair as 18h30 anunciava que estava chegando perto da hora da festa. Afinal, festa do URBe sem chuva não é festa URBe!
E como já está virando tradição (não por nossa culpa), o início também deu uma atrasadinha de leve e cada DJ teve 15 minutos a menos de discotecagem. Além disso, não foi possível a participação do VJ João Simi por problemas técnicos.
Falando em "de leve", foi o próprio que abriu os trabalhos às 23h10, com sua Banda Leme, junto dos boa-praças Flu e Luciano. De Leve já havia feito uma participação na festa do ano passado, no show de estréia do João Brasil.
Mostrando suas novas composições, o trio estava bem a vontade na pequena pista do Clandestino. Talvez seja o fato de estarem quase tocando "em casa", já que o local é bem perto da divisão entre Copacabana e Leme. Fazendo jus ao recente destaque na revista Rolling Stone, a Leme botou a galera para dançar, principalmente com seu hit "Nadadora".
Em seguida, Gabriel Thomaz entrou na cabine e só saiu depois de aquecer a pista com uma deliciosa mistura de rock oldies de várias partes do mundo, chegando até a flertar com electro e breakbeats. A pegada continuou com Lucas Santtana, que aprofundou seu set na música eletrônica e mashups em geral, culminando sua apresentação com uma falta sentida na noite, a de João Brasil (lembrado com "Quero fazer amor").
Pedro Zila fez a transição com a "Dança do Quadrado" e manteve o pique no melhor espírito CALZONE de ser, misturando rock com eletrônica, soul e funk. Impressionava pelas boas mixagens, arrancando gritinhos na pista (rarara!). Diogo Reis finalizou com chave de ouro o agito, com seu repertório único de space disco e grooves diversos. Agradou quem aguentou dançar até ás 4 e pouco da matina.
Gostaria de agradecer as pessoas que enfrentaram a chuva e forma prestigiar a festa. Os comentários na pista foram 100% positivos! Que venha 2009 e os seis anos do URBe!






fotos e vídeo: eumemo e Zarapas
Dez anos depois, o Portishead fez seu retorno aos palcos londrinos no bacana Hammersmith Apollo, abrindo com o mesmo sample non-sense em português da nova "Silence".
Um problema técnico nas primeiras músicas, fez a banda interromper o show logo após "Mysterons". Acompanhados por um baixista e um baterista cascudos, Geoff Barrow (produção, programação e toca-discos), Adrian Utley (guitarra) e ela, Beth Gibbons (vocal), voltaram rapidamente para hipnotizar a grande massa de trintões saudosos.
A banda estava toda vestida de preto, mas mesmo assim, ao vivo, pareceu de certa maneira menos dark. Ou, no mínimo, menos pesado. Pode ser por conta da maior ênfase na guitarra e na bateria atualmente.
As músicas do novo disco, "Third", se misturam com o repertório dos outros dois de maneira mais natural do que se poderia esperar numa primeira audição. É uma evolução, novos caminhos, apesar de ter havido críticas quanto a uma certa massive attackzação do som.
Agarrada ao microfone, e sem poder fumar (hoje em dia, na Inglaterra, é proibido fumar em lugares fechados e isso se extende ao palco), Gibbons não disse uma palavra ao público, deixando sua interpretação sofrida e voz perfeitas darem o recado.
"Wandering Star" foi tocada apenas pelo trio central, em formato acústico, e as radiofônicas "Glory box" e "Sour times", intercaladas no meio do repertório, sem maiores destaques, mataram a vontade de quem estava lá só pra isso.
Cercada por telões com efeitos digitais com tudo pra parecerem ultrapassados, antes de virarem estética (esse assunto está se tornando recorrente), a banda conseguiu mostrar que continua relevante.
Se o som é datado, certamente é num bom sentido. Talvez seja mais justo falar em uma sonoridade que marcou uma época, não o contrário.
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Repertório:
Silence
Hunter
Mysterons
The rip
Glory box
Numb
Magic doors
Wandering star
Machine gun
Over
Sour times
Nylon smile
Cowboys
-
Threads
Roads
We carry on
Assistir ao filme U23D na tela gigantesca do IMAX, apesar dos muitos defeitos (um deles a chatice da banda e as malices do Bono, mas isso é outro assunto), é impressionante.
Antes do início da sessão, a caprichada apresentação do equipamento do cinema, uma tiração de onda com o sistema de som, como num baile funk , ainda é a melhor parte. Lá está o melhor que a tecnologia pode produzir, abusando de imagens geradas por computação gráfica, como "Sea Monsters".
As pessoas riem sem parar, tentam tocar nos peixes nadando a sua frente e se abaixam quando um dinossauro passa por cima de suas cabeças. Uma ingenuidade que lembra os relatos das primeiras sessões de cinema, promovidas pelos irmãos Lumiére no século retrasado, quando as pessoas corriam do trem que vinha na direção da câmera.
Nos primeiros minutos, nos planos feito do meio da platéia, tem-se a nítida impressão de que as pessoas estão levantando o braço na sua frente, fazendo você mexer a cabeça pra desviar, como se estivesse num show. Produzir um efeito assim no espectador não é pouca coisa.
A massa pulando filmada de cima, a profundidade dos planos, o volume da luz, os closes, as novas possibilidades de se utlizar fusões (algo que, normalmente, pode cair na cafonice facilmente), tudo isso conta a favor.
Nos melhores momentos, é sim como se estivesse vendo ao vivo, principalmente nos enquadramentos mais próximos ao tamanho real das pessoas e objetos, como os feitos das laterais do palco.
Muitas vezes em um show "de verdade", quando se está assistindo de longe, parece mesmo que se está vendo uma tela. Nesse sentido, o efeito 3D é parecido, pois as imagens tem profundidade que emulam essa sensação. Replica algo que está acontecendo "lá".
A estrada até algo menos artificial ainda é longa. Os movimentos de câmera atrapalham o efeito, closes não funcionam bem e gráficos vetoriais ainda produzem um resultado mais realista.
Atualmente, o desconforto causado pelos óculos não é maior do que o fato de que você não pode mover a cabeça e ver o que quiser. É preciso manter o olhar fixo no centro da tela e permanecer passivo, recebendo as imagens como e na ordem em que são apresentadas.
Para tornar a experiência mais ativa, seria preciso inserir o expectador num verdadeiro ambiente de três dimensões, com visão 360°, podendo ficar no meio do palco e escolher o que ver. Virar para trâs para ver o baterista, para o lado e ver o guitarrista, editando nós mesmo, pelo olhar, o filme que assistimos.
Isso aplicado a filmes de ficção pode revolucionar a maneira de se fazer e se atuar para o cinema. Em vez do telespectador ser guiado, ele mesmo escolherá o que acompanhar, gerando conversas depois de um filme como :
-- Você viu a cara do assassino na hora do tiro?
-- Não, eu estava virado para refém, atrás da prateleira.
-- Caramba, nem vi que ela estava lá também!
Voltando a música, no dia que essa tecnologia estiver suficientemente disseminada, nenhuma apresentação será realmente exclusiva. Se a cópia será tão boa quanto o original é outra história, pra fazer Walter Benjamin querer escrever outro ensaio direto do seu túmulo.
Integrante do System of a Down, Serj Tankian falou recentemente sobre shows holográficos, turnês mundiais feitas em um dia.
Hoje as pessoas chamam de papo de maluco. Amanhã podem estar assistindo um desses shows.

foto: Carol*
Puxados pela energia infinita do amigo da Madonna, o violonista e vocalista Eugene Hütz, o Gogol Bordello fez uma apresentação tão bombástica quanto a de dezembro passado -- novamente com ingressos esgotados -- em Londres, dessa vez na Brixton Academy.
Comece a vestir roxo.

foto: Carol*
Ao montar o musical "The harder they come", baseado no filme homônimo de 1972, dirigido por Perry Henzell, a companhia Theatre Royal Stratford East se lançou numa tarefa arriscada.
Além de ser celebrado como o primeiro filme a retratar fielmente a dura vida nos guetos jamaicanos, "The harder they come" não apenas catapultou a carreira de seu protagonista, Jimmy Cliff, como a trilha sonora é considerada a responsável por apresentar o reggae para o mundo de forma massiva -- até o lançamento da coletânea "Legend", do Bob Marley, em 1984, era o disco mais vendido das história do gênero.
Portanto, transpor para o palco em todos os detalhes a história de Ivanhoe Martin, saído do interior para Kingston, em busca de uma carreira no disputada indústria musical jamaicana, não podia ser fácil.
Com um excelente elenco de atores-cantores-dançarinos, uma banda cravada no meio do palco, um cenário minimalista red-gold-green e a boa escolha do protagonista, a transformação do ingênuo Ivanhoe no rude bwoy Rhyging em cena funciona perfeitamente.
Naturalmente, com uma enorme comunidade na Inglaterra, jamaicanos e descendentes ocupam cerca de metade dos lugares do teatro, rindo sem parar das histórias de casa, provavelmente lembrando de suas dificuldades pessoais, quando trocaram seu país pela Inglaterra.
No entanto, a saga de Ivanhoe é uma história universal. Fala diretamente a quem precisa ou já precisou correr muito atrás pra fazer as coisas acontecerem (ou seja, todo mundo), embora o final nem sempre seja feliz.
Não é o caso da própria peça ou da própria colônia jamaicana na Inglaterra. Em sua segunda temporada, agora no cultuado Barbican Centre, o musical é um sucesso de crítica e público.
A platéia inteira de pé e dançando ao final do espetáculo -- num lugar onde é proibido se levantar durante um espetáculo, mesmo os de música -- é um espelho disso.

A julgar pela estética nerd que exportou para o mundo, o Brookyn é um lugar estranho. As fotos do Cobra Snake comprovam que os hábitos de lá se espalham: nas principais capitais mundiais existem jovens forçando o mesmo estilo roubei-da-minha-vó ou achei-no-armário-do-meu-irmão-mais-velho.
Lá, todos usam óculos grandes e de armação grossa, calças jeans apertadas, sobretudo com cinto, tênis de cano-longo, cabelo torto, são designers e/ou artistas plásticos. E, o mais importante, tem uma banda.
É tanto conjunto super-valorizado que sai de lá -- do chato Clap Your Hands Say Yeah ao super-valorizado Vampire Weekend chupando tudo do Peter Gabriel -- que as vezes fica difícil de acreditar que o The Rapture ou LCD Soundsystem também são de Nova York.