Fuzil

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foto: O Globo

A iniciativa é boa: banir os fuzis como armas de patrulha regular da cidade.

Esse ciclo de violência tem que acabar. Comprovadamente, quanto mais arma o Estado coloca na equação, pior fica, pois os bandidos também se equipam, numa escalada sem fim.

Bom pro asfalto, mas por enquanto, nada muda nas favelas. O secretário de segurança falou:

"Para operações em locais em que existem paióis de armas de grosso calibre e onde sabemos que existem bandidos armados com fuzis e até metralhadoras .30, logicamente que os policiais usarão o fuzil. Não posso determinar que o policial fique em desvantagem. Nas favelas, vamos de igual para igual".

Dois pesos e duas medidas, o problema de sempre no Brasil. Sim, tem que se combater os traficantes, no entanto, colocado assim, soa como uma meia-solução.

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3 Comments

Paulo said:

blz então. Dois pesos e duas medidas? vamos fazer o seguinte: vou dar uma pistola (apenas 1!) na sua mão pra vc fazer uma operação num morro carioca. se vc sobreviver, vc é Deus, malandro!

Falar da polícia do Rio quando se mora em Londres é mole! Difícil é botar a cara...

bruno said:

Paulo,

Realmente tenho pouca autoridade pra falar do Rio, afinal morei apenas 29 anos da minha vida na cidade. Não sabia que um ano fora me descredenciava pra dar minha opinião ou analizar os fatos.

De qualquer maneira, parece que você não prestou atenção no texto. Estou falando da maneira com que a questão foi colocada.

E é sempre colocada do mesmo jeito: pra Zona Sul, chuchu beleza, pra favelada, manda bala.

E veja até onde isso nos trouxe.

Em nenhum momento estou questionando que é uma boa medida. Aqui em Londres -- pra não fugir do assunto -- a polícia sequer tem arma de fogo.

O que nos traz ao ponto central levantado: como impedir o ciclo de violência?

Na Zona Sul o problema dos fuzis são os acidentes, as balas perdidas, etc. Na favela, o problema dos fuzis é que ele gera e alimenta ainda mais violência. Só isso que estou dizendo.

Que tal entrar na favela com educação, pra começar, em vez de invadir com o caveirão. Temos que buscar soluções de longo prazo, não paliativos. Mas político não gosta de longo prazo, não dá tempo de lucrar em cima.

Certamente, discutir o assunto ajuda. Obrigado pela sua participação. Gostaria muito de ouvir mais sobre suas posições, para além das situações hipotéticas.

Abs,

Bruno.

Antonio said:

Concordo, Bruno.

Olho por olho, acabaremos todos cegos.

O Rio de Janeiro "importou" somente uma parte de um pacote de segurança pública implantado com bons resultados na Colômbia -- a política do confronto. As medidas de longo prazo foram simplesmente deixadas de lado. É uma lástima, e pagaremos caro por isso.

O problema está em que o carioca é hoje um povo aterrorizado, traumatizado (não sem razões, diga-se). O resultado disso é que não se quer mais justiça, e sim vingança. Porque querer justiça é, antes de tudo, querer que se faça valer o Estado de Direito. Mas o carioca quer uma polícia que seja tão bandida quanto os bandidos, desde, é claro, que seja no morro, e não no asfalto. Isto sim são dois pesos e duas medidas.

É triste ver sempre este populismo rasteiro em épocas eleitorais.

Abs,

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