Inacreditável. Mesmo.

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"A partir do dia 31 de maio, de acordo com decreto publicado no Diário Oficial desta terça-feira, estará proibido fumar em recintos coletivos fechados no município do Rio, sejam eles públicos ou privados." (fonte: O Globo)

Essa eu não pensei que fosse ver tão cedo. Quero ver é fazer a lei valer.

Enquanto isso, o Sindicato de Hotéis, Bares e Restaurantes do Rio esperneia, provavelmente com medo de perder clientes -- um receio infundado, já que é uma lei horizontal, atingindo todos os estabelecimentos.

Uma vez perguntei pra um alemão, pouco antes da mesma proibição entrar em vigor por lá, como eles fariam para colocar a lei em prática. Ele ficou olhando com uma cara de espanto, "como assim botar em prática? É a lei agora, as pessoas simplesmente obedecem".

Infelizmente, no Brasil é bem diferente.

Dei uma sorte danada na minha chegada em Londres. Exatamente um mês antes, uma lei idêntica foi instituída na Inglaterra.

Por conta disso, posso frequentar pubs (o que, segundo relatos, antes era impossível, tamanha a catinga), boates e shows sem chegar em casa fedendo, com os olhos ardendos e todo entupido.

Várias vezes pensei como seria difícil a readaptação na volta ao Brasil. Banhos as três da manhã, lavar as roupas após cada saída, . Agora há esperança.

Minha posição pessoal em relação ao assunto é radical. Além de alergia, tenho nojo, não consigo ver diferença entre um fumante soprando fumaça e alguém escarrando no chão.

Sem falar no hábito super higiênico de jogar os restos em QUALQUER lugar. Ou aquela adorável mãozinha pra trás na mesa do bar, para proteger os amigos da fumaça, desviando-a para mesa de quem não tem nada a ver.

Independente da minha visão pessoal, parece suficientemente lógico que, pensando no coletivo, uma lei dessa já devesse existir há muito tempo.

Não apenas pelo desconforto causado aos demais (a fumaça se espalha, não tem jeito), mas também por uma questão de saúde (aqui na Inglaterra foi isso que pegou).

Além do fato, claro, de que a maoria das pessoas não é fumante.

Quantos meses até o primeiro cidadão que for ingênuo o bastante para resolver fazer valer o seu direito, pedir para algum fumante apagar o fedorento em um lugar fechado, ser embolachado ou mesmo tomar um tiro? Vale um bolão.

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20 Comments

flávia d. said:

nossa, bruno, te enchi o saco naquele post sobre o css, hahahha, mas agora concordo plenamente contigo!!!

morro de nojo de cigarro! querem fumar na rua, em suas casas e carros não me importo nem um pouco, cada um sabe o q faz da sua vida. mas em lugares fechados é nojento mesmo! sou alérgica, não quero ficar c/ câncer no pulmão e odeio sair defumada dos bares e baladas, fora q fumante joga bituca em tudo qto é lugar! uma vez até em uma praia limpíssima em porto seguro vi uma amiga da minha tia jogando. q porquêra!

q bom alguém q me entende, hehe.

Antonio said:

Aí vc falou, meu jovem.

(É talvez o único assunto em que sua radicalidade ganha o meu aval, meus cumprimentos, e veja como é bom o ar puro).

Abs,

Lia said:

Pois é, vizinho. Vou adorar se o decreto pegar por aqui - mas se nem faixa de pedestres, cruzamentos e outras leis criadas pra proteger vidas são respeitadas, imagina fumar (não que não seja também uma forma de proteção à saúde, veja bem).

Se bem que tenho seríssimas restrições a pessoas que fumam andando na rua, também. Cigarros *queimam*, e você não apenas é obrigado a respirar a fumaça de quem está andando na tua frente, como de desviar do braço do sem-noção, que mantém aquela bombinha acesa pronta pra pegar de jeito na tua calça. Acho uma baita falta de educação as pessoas não saberem segurar um cigarro de forma segura. Enfim.

FritzGG said:

Não fumo em locais fechados, não gosto de incomodar ninguém. Fumo quando estou sozinho e detesto a companhia dos enjoadinhos. Paro de fumar quando os carros forem proibidos de expelir monóxido de carbono (esse é letal mesmo), quando as mulheres forem proibidas de expelir perfumes nauseantes, quando as pessoas forem proibidas de expelir músicas sertanejas em decibéis insuportáveis, quando a tv for proibida de expelir big brothers e quando retardados forem proibidos de votar em políticos nocivos ao bem estar geral. Prometo.

Paulo said:

aqui no Recife teve a mesma lei e causou muita polêmica (pelo que me parece é uma lei federal). Depois de muita capa de jornal e notícias o Ministerio Publico decidiu que fumar em ambientes abertos era permitido, pois até então até as calçadas dos bares proibia a fumaça. Por um lado acho bastante correto, mas acho um perigo essas leis desbancarem num radicalismo. O que acho importante é respeitar o direito dos outros, sobretudo o dos garçons que acabavam fumando por tabela.

Joca Vidal said:

demorou, né?

quem trabalha na noite e não é fumante agradece (e muito!!)

abrs!

Rodrigo said:

É um assunto delicado. Eu parei de fumar há mais de 4 anos, mas respeito o fumante. Entendo que em alguns lugares a proibição seja corretíssima, como é o caso de restaurantes. Agora, em casas noturnas e bares acho muito difícil aplicar uma lei dessas. Eu sou contra qualquer tipo de proibição radical. Os clubes querem preservar a saúde de seus clientes não-fumantes? Que façam então uma área para fumantes. Ou façam como eu já vi em muitos lugares na Espanha: coloquem uma placa avisando que ali dentro se fuma. Se o sujeito não quiser entrar, não entra. O oposto também funciona: se em um lugar é proibido o fumo, não se fuma.
Todo tipo de segregação é chata. Até mesmo uma que se baseia num suposto bem maior, que seria a saúde coletiva.
Isso me faz lembrar a questão da maconha, já discutida aqui. Talvez muitas pessoas não vejam relação entre os dois temas, mas eu vejo. É tudo uma questão do embate indivíduo x sociedade.

Polla said:

Bruninho,

Acabei de voltar da Europa e realmente ai o fumo é proibido. Todavia em Madrid eu vi uma sensivel e positiva diferença: em lugares privados os donos decidem se liberam ou nao o fumace. Assim, na porta do estabelecimento, existe uma placa com a posiçao (liberado ou nao).
Sinceramente eu acho isso mais democratico do q simplesmente impor uma proibiçao.
Me admira vc concordar plenamente com uma proibiçao impositiva.
Eu nao sou fumante, mas acho q cada um tem o direito de escolher se quer frequentar lugar de fumante ou nao.
A comparaçao de fumante com escarro foi exagerada...
Abs

Bruno said:

Polla,

Se deixarem pra os donos dos bares escolherem, simplesmente todos continuaram como estão, basicamente porque é mais fácil também.

Já falaram em criar uma licensa, com a que os bares na Europa e nos EUA precisam para vender álcool, para se ter um bar de fumantes.

Não foi pra frente. Saber porque? Porque todos os bares pagariam e nada mudaria.

No momento, bar e boates é reduto de fumantes. Mas muito disse se deve ao fato dos não fumantes não conseguirem frequentar os lugares. Portanto, o medo dos donos de bares de perder negócio é infundado.

A meu ver a questão é muito simples: quem se incomoda mais, os fumantes num ambiente sem fumaça ou os não-fumantes no meio da fumaceira?

Quanto ao escarro, mudo minha comparação:

A fumaça sai do pulmão, igual o catarro, e vem cheio de saliva, como o catarro. E ainda fede. Ao menos a escarrada costuma ser direcionada para o chão, não na cara das pessoas.

A fumaça do cigarro não tão nojenta quanto a escarrada. É pior ainda.

Abs,

Bruno.

Bruno said:

Rodrigo,

Acho a comparação entre a questão do cigarro e da maconha justíssima. Estava só esperando alguém levantar a bola.

Afinal, porque o direto de fazer uso do primeiro é defendido com unhas e dentes e a questão da liberação do segundo não pode serquer ser levantada?

Pra mim, tanto um quanto o outro deveriam ter o uso liberado, desde que feito no sossego da sua casa ou em área destinadas para tal.

Em nenhum momento falei que cigarro deveria ser proibido. Mas querer que todos convivam com seu males é demais.

Não vejo porque ninguém deva ser forçado a conviver com a fumaça. Seja de cigarro ou de maconha.

Abs,

Bruno.

Luis Roberto said:

O comentário do Rodrigo foi muito apropriado. E eu amplio o foco. Pq se cria uma lei com a pretensa idéia de fazer valer direitos ao mesmo tempo q cerceia-se o direito de outros ? Bares e pubs são locais típicos de fumantes e se a pesquisa fosse feita só com o público frequentador tenho a certeza q o resultado seria outro. Deveria-se criar na mesma lei a possibilidade da existência de estabelecimentos aonde o fumo seria permitido, talvez uma nova classe de bares e similares. Mas não, usa-se a desculpa da saúde pública, como se a mesma não estivesse sendo destruída aos poucos através de outros meios....

Bruno said:

Rodrigo,

Uma outra coisa que eu esqueci de comentar:

Não são os clubes ou bares que "querem preservar a saúde dos seus clientes não-fumantes" não, como você sugeriu. Eles não poderiam estar menos preocupados com isso, não é?

Falando da proibição na Inglaterra, que é a que estou acompanhando mais de perto, o que aconteceu foi que vários sindicatos exigiram a lei, pois trabalhadores de vários setores eram obrigados a ficar expostos as toxinas da fumaça durante toda sua jornada de trabalho.

E no caso dos trabalhadores, não é opcional. Uma placa na porta avisando sobre o fumo não soluciona esse problema, porque isso limitaria a opção de empregos para algumas pessoas.

Abs,

Bruno.

Bruno said:

Que dizer então, Luis Roberto, que se a saúde está "sendo destruída aos poucos através de outros meios", não vale a pena tentar melhorar?

É como os comentários de que o foco deveria ser no combate a dengue. Deveria ser TAMBÉM na dengue. As questões não excluem umas as outras.

Esse tipo de pensamento, tão presente nos brasileiros, é exatamente o que os políticos gostam de tentar nos fazer acreditar, para terem menos trabalho:

"No momento estou empenhado em resolver a questão X, não posso resolver a Y".

Já que está tudo uma merda então, fazemos o que, jogamos no ventilador? Eu prefiro tentar começar a limpar.

Abs,

Bruno.

Antonio said:


"Pq se cria uma lei com a pretensa idéia de fazer valer direitos ao mesmo tempo q cerceia-se o direito de outros?"

A pergunta é boa. Eu responderia dizendo que, de um modo geral, toda lei cerceia a liberdade de alguém. A questão é de quem, ou de qual grupo particular. É sempre uma escolha.

A lei existe para proteger a sociedade, inclusive e sobretudo da própria sociedade. Não temos maiores problemas em aceitar, por exemplo, que a lei nos obrigue a andar de cinto de segurança. Alguns detestam, acham incômodo, mas não tem jeito. Se não valer para todo mundo, não é lei.

Do jeito como estava, a lei protegia os fumantes. O sujeito tinha a sua liberdade de esfumaçar o ambiente que fosse, e os não-fumantes que se ferrassem. Assim como o Bruninho, eu não tenho nada contra o cigarro, desde que o fumante não prejudique a saúde de quem não fuma.

Se a lei pegar, seremos nós, os não-fumantes, os protegidos. Isso me parece mais justo. Até o fumante mais inveterado há de concordar que, se a lei tem que proteger alguém (e, em assim fazendo, estimular um determinado tipo de comportamento) deveria ser justamente aquele que sai prejudicado em função do vício de terceiros. Não há como conciliar integralmente ambas as partes. Se se estabelecer um adendo na lei permitindo a certos lugares fechados o direito de fumar, a exceção vira regra e tudo continuaria como antes.

E, por favor, isso nada tem a ver com ser anti-democrático. Toda lei é em alguma medida autoritária. Já imaginou se fossem perguntar a cada cidadão o que ele acha de uma ou outra lei? Não tinha sociedade, não tinha acordo. Toda lei é criada com base numa espécie de consenso básico entre os representantes (democraticamente eleitos, em nosso caso) da sociedade sobre o que constituiria o bem comum. E há os instrumentos legais que o cidadão pode acionar caso se sinta lesado em seus direitos (é possível recorrer, individual ou coletivamente contra uma determinação do Estado).


Polla said:

Bruninho, mas se os donos de bares todos comprarem as licenÇas, que comprem. Ao menos estarao dando o direito de escolha. Quer dizer q os fumantes nao mais poderao tomar uma cerveja fumando um cigarro num bar?
Eu to com o Rodrigo, cercear o direito de alguem (fumante no caso) é algo q vai totalmente contra a ordem democratica.
Acho q sua opiniao, no caso, esta baseada justamente pela propria e comentada aversao ao cigarro.
Eu nao gosto da fumaça tmb, mas acho q no bar q eu escolher ir, se for permitido, convivo com isso numa boa.
O direito de escolha é principio basico que rege a democracia...
Abs

Polla said:

So um adendo: se a regra fosse so para lugares publicos, tudo bem. Afinal, esta dentro da esfera administrativa do prefeito. Agora, em lugar privado, ai eu acho q ultrapassa os limites dessa esfera.
Abs

Antonio said:

Polla,

Permita-me discordar de vc: cercear o direito de alguém não é algo que vai contra a democracia. Ao contrário: se todos tiverem direito a tudo, não há democracia, somente a lei do mais forte.

Porque a democracia não é o lugar da realização da minha vontade, ou da sua. Ao contrário, a democracia é o lugar da contenção da minha vontade em função da sua, e vice-versa. Vou explicar.

A condição de possibilidade da democracia é a existência de vários atores sociais com semelhante poder de barganha. Se um dos atores (um partido, ou uma pessoa) monopolizar completamente o poder, não é democracia, é ditadura. A democracia é, portanto, um sistema que depende da negociação: às vezes um grupo ganha, outras vezes perde, e isso vale para todos os grupos. Não há como um grupo conseguir impor suas vontades e fazer valer seus interesses o tempo todo. Ele será sempre contido, em função dos interesses (conflitantes) dos outros grupos.

Portanto, o direito de escolha não é o princípio que rege a democracia, embora seja um de seus supostos mais importantes. Se fosse assim, eu poderia acusar de anti-democrático um governo que não me desse todas as escolhas que eu gostaria de ter. Os EUA, por exemplo, estariam longe de ser um país democrático, porque lá uma mulher não pode escolher interromper uma gravidez indesejada (aborto). Acho que não preciso dar mais exemplos, o argumento há de estar claro.

Então voltando ao ponto: os fumantes não poderão mais fumar seu cigarro tomando uma cerveja no bar porque isso prejudica a saúde de quem não fuma. Eu honestamente não vejo porque a lei deveria proteger o direito dos fumantes, e não os direitos dos não-fumantes, que desejam apenas não ter sua saúde prejudicada pelo vício alheio.

Abraço,

Luiz said:

Uma coisa há de convir! É uma CATINGA que impregna na alma. Nem banho de creolina resolve na primeira...

Lucio K said:

Ótimo post. Vamos torcer agora pela fiscalização, pq infelizmente só mesmo à força a consciencia dos que prejudicam os outros com seu "prazer" pode mudar...

gustavo said:

boto dez reais no dia 08/08/08 que se isso virar lei federal aqui no Brazil, algum puto de merda altamente freak vai perder a linha e vai dar merda... quem mais?

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