Rolling Stone, Abril/2007

Resenha do disco do Brasov, que escrevi para alguma edição da Rolling Stone Brasil, em abril, talvez.
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Brasov
4 estrelas
“Uma noite em Tuktoyaktuk”
Dubas
Skatalites de churrascaria
Enquanto o nome da banda homenageia um condado romeno de tradições ciganas, o título do disco “Uma noite em Tuktoyaktuk” fala de uma cidade canadense onde brilham o sol-da-meia noite e a aurora boreal. É um fator lúdico bem particular, que traduz o universo do Brasov.
Imerso numa atmosfera kitsch, o Brasov ousa misturar música brasileira (guitarrada, samba), latina (cumbia, salsa) e cigana em temas instrumentais, pieguices em espanhol, órgãos de banda de restaurante, andamentos de aceleração repentinas e, ainda assim, dar certo.
Em 2002 o Brasov pendurou os uniformes de porteiro e tocas de natação que usava em suas apresentações e resolveu dar um tempo. Nesse mesmo surgiu a Orquestra Imperial, com a qual, depois do retorno, o grupo tem sido insistentemente comparado.
A volta em 2006, com o lançamento do disco, confirma o preço a se pagar pelo ineditismo. Antes, com um circuito independente bem menos estruturado, a banda não conseguiu o espaço que merecia. Hoje, encontra pares na cena, como a Orquestra Imperial e Móveis Coloniais de Acaju.
A referência brega é o que liga músicas de nomes esquisitos, como “Melô do sacudo”, “Bongo furioso” e “Alzira, Por Que Não Possui It Please?”, emendada em “Dorogoj Dlinnoju” e a citação ao tema dos jurados do Show de Calouros, do Silvio Santos.
Após o final do disco, uma faixa escondida comprime em 20 minutos todo o repertório, numa espécie de audição dinâmica. Após outro silêncio, um versão letrada de “Homem objeto” fecha o baile.
É tempo o suficiente para decidir com qual das oito opções de capa você vai embalar a bolacha. O Brasov não tem mesmo uma cara só.
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