Na paralela

Zé Rodrix
Ontem, a coluna "Gente Boa", do jornal O Globo, publicou uma carta do músico
Zé Rodrix em que ele explica porque decidiu pedir demissão da direção da peça "Rei Lagarto", sobre o vocalista do The Doors.
O motivo alegado foi ter descoberto somente agora, através de uma notícia, que a produção seria financiada através da Lei Rouanet. Como cidadão, o artista é contrário ao uso de recursos públicos para financiar projetos culturais.
Hoje, na sessão de cartas do jornal, foram publicadas nove mensagens comentando o fato, todas apoiando a atitude de Rodrix.
Coincidentemente, o assunto faz paralelo com o ponto que foi levantado no texto publicado terça-feira aqui no URBe, que começa falando do filme "Tropa de Elite" e faz uma desvio, até chegar na Lei Rouanet e do Audio-visual.
É um assunto espinhoso, pois trata de uma indústria ainda não estabelecida nesse país. E cultura é sim essencial.
No entanto, as dirtorções da Lei Rouanet está criando um sistema viciado e cada vez incomoda mais. Há de haver algum critério, pois patrocinar a vinda do Cirque du Soleil com ingressos à R$ 250, como ocorreu ano passado, pode até ser legal, mas é imoral.
Abaixo, a carta de Zé Rodrix:
“Acabo de descobrir exatamente nos detalhes desta notícia que não vou mais participar do projeto. Vocês conhecem a minha opinião sobre Renúncia Fiscal e Leis de Incentivo. Enquanto isto era um empreendimento privado, no máximo com os patrocínios e os apoios diretos de empresas que se associariam ao empreendimento, eu estava dentro. Infelizmente, ao entrar na jogada da Lei Rouanet, MiniCul etc., ele se torna impossível para mim.
Não acredito que o dinheiro de TODOS deva servir para patrocinar a aventura pessoal de ALGUNS, e, quando isto se configura, eu saio fora. Investimento deve ser feito com dinheiro real que não prejudique o essencial do país. Impostos devem ter fim específico, e os sustento da arte não é, a mer ver, uma destas essencialidades. Sempre fui um artista que não se privilegiou de nenhum tipo de ligação com estados e governos, em nome de minha própria liberdade. Assim sendo, há que haver em mim algum respeito pelas coisas em que eu acredito. Se entrar nisto, estare negando tudo que é a minha maneira de ser, pensar e agir. No Brasil de hoje, precisamos de investidores conscientes, e não, segundo minha maneira de ver a realidade, de utilizar de maneira equivocada o dinheiro público.
Desejo ao pessoal da produção o máximo de sorte e sucesso possíveis, e sei que serão muito felizes, graças à qualidade artística de todos os envolvidos”.
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