janeiro 2007 Archives

Tem que ter

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O iPhone é o que há.

Gran finale

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HPP 2007
fotos: Joca Vidal

E lá se foi o Humaitá pra Peixe 2007. Numa edição que sofreu os reflexos da fraca safra de novidades de 2006, o HPP mais mapeou a cena do que apresentou novos talentos, dando espaço para algumas das diversas vertentes culturais que se espalham pela cidade.

No novo formato, com shows nos finais de semana, o festival recebeu um público diferente do habitual. Não que antes, quando os shows eram às terças e quartas, fosse muito diferente, mas a ausência de gente das ditas grandes gravadoras e veículos de imprensa ficou ainda mais óbiva dessa vez. O desinteresse pelo novo chega a ser engraçado, não fosse trágico.

Quem pensava que o Brasov seria imbatível e levaria fácil o título de melhor show do HPP 2007, se enganou. O Móveis Coloniais de Acaju chegou atropelando -- o que era até previsível -- no final de semana de encerramento, com uma programação mais próxima da cara do festival.

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Duplexx

Na sexta, o Duplexx criou um clima de ficção científica, prejudicado por problemas técnicos no próprio equipamento. Alguns curiosos ficaram pra conferir as estranhezas eletrônicas da dupla, mas grande parte preferiu esperar do lado de fora.

Difícil dizer se foi falta de ensaio ou de proposta, mas tudo soou um tanto frouxo. A guitarra e bateria ao vivo não acrescentaram muito, ao contrário dos metais, notadamente o trombone, que ajudou a amarrar os ruídos gerados pelos sintetizadores. Timbres e programações legais apontam para um caminho que pode ser interessante, principalmente quando se souber que caminho é esse.

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Vulgue Tostoi

Ultimamente parece que toda banda extinta está voltando à ativa, por um show apenas ou para retomar a carreira. São tantas que chega a confundir. Afinal, quanto tempo uma banda precisa ficar afastada para se caracterizar uma reunião? Nessa verdadeira volta dos que não foram, o Vulgue Tostoi se apresentou no festival onde havia estado em 2000.

Jr. Tostoi tem se destacado como guitarristas de apoio de Lenine, assim como Guila, também baixista do Vulgue. Tecnicamente muito boa, a banda se perde em referências pouco disfarçadas. Dá pra ouvir um Jane's Addicition e seu "Ritual de lo habitual" numa introdução em espanhol, AC/DC em riffs que lembram "Thunderstruck" e Mogwai, no clima soturno presente em quase todas as músicas, mesmo na pegada reggae de uma delas.

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Turbo Trio

Apesar da presença de BNegão nos vocal, o Turbo Trio, que conta também com Tejo Damasceno (Instituto) e Alexandre Basa (ex-Mamelo Sound System e produtor do disco do Black Alien), é presença rara no Rio.

Abrindo a última noite do HPP 2007, o combo provou que o lugar deles é mesmo por aqui. Misturando Miami bass, baile funk, ragga e muita pressão nos graves, por vezes lembrando o Apavoramento Sound System, o Turbo Trio começou com "Terremoto", cuja letra dá um passo além de "Rio 40 graus", de Fernanda Abreu: "Riô 50 graus / quem não aguenta passa mal".

Entre as participações virtuais de Deise Tigrona e trechos de Tim Maia ("Energia racional"), o vocal agressivo de BNegão deixa pouco espaço para as excelentes bases, o que pode dificultar o sucesso do projeto nas pistas, ao mesmo tempo que pode fortalecer o trio num baile. Já passa da hora, aliás, desse intercâmbio deixar de ser de mão única e artistas influenciados pelo funk se apresentarem nos bailes, devolvendo algumas referências para o batidão.

BNegão cantou a sua "Dança do patinho", enquanto o telão mostrava trechos de "Rize", documentário sobre uma dança, o krump, dirigido pelo fotógrafo David Lachapelle. Um remix de "Do robô", outra do repertório do Seletores de Frequência, teve sample de "Big in Japan", do Alphavile. Tomara que não demore mais um ano para o Turbo Trio retornar ao Rio.

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Móveis Coloniais de Acaju

Móveis Coloniais de Acaju. Isso lá é nome de banda? Pra esse ter sido aprovado, imagina o que não ficou de fora. A falta de preocupação em soar moderninho e bacanudo, desde a decisão pelo nome da banda, é justamente o motivo do Móveis soar... bacanudo, moderninho e, sobretudo, relevante.

A desprentensão com que o Móveis Coloniais de Acaju mistura ska, samba, rock, samba-rock, sonoridades de big band dos anos 50, sem soar referencial ou respeitoso demais, é o segredo da banda. O clima de encontro de amigos (nada menos que 10!) pra tocar parece sincero, resultando num som com o frescor que se espera de todas as bandas novas.

Não foi a primeira vez dos brasilenses por aqui, ainda assim a recepção quase histérica do público foi além da melhores previsões. Sem se espantar com nada disso, os integrantes continuaram tranquilos, literalmente desviando dos confetes e serpentinas jogados pelos fãs para fazer um show histórico.

O Móveis é uma banda de palco. Embora sejam as músicas tocadas sejam as mesmas presentes no único disco gravado até hoje, "Idem", a bolacha não consegue captar a catarse que são os shows do grupo. Será necessário um produtor muito competente pra fazer essa transposição.

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A banda toca no meio do público

Além das músicas do disco de estréia e de algumas inéditas, o Móveis ainda encontrou espaço para versões de "Glory box" (Portishead), e de "Um, dois, três, quatro" (Little Quail and the Mad Birds), crássico alternativo dos anos 90, que contou com a participação do autor, o também brasiliense Gabriel Thomaz, hoje no Autoramas.

Gabriel aproveitou para anunciar que lançará pelo seu selo, Gravadora Discos -- além de um compacto do Bnegão e os Seletores de Frequência e do novo disco do Autoramas -- um EP intitulado "Vai Thomaz no Acaju", como integrante da banda.

Por falar em BNegão, o MC deve ter batido o recorde de canjas em um só HPP. Depois de subir ao palco com A Filial, Curumim e com o próprio Turbo Trio, o rapper participou da versão de "Se essa rua fosse minha", subvertendo o refrão e cantando"Se essa rádio, se essa rádio fosse minha / Eu botava o Acaju pra tocar / Se essa rádio, se essa rádio fosse minha / Não ia ter, não ia ter nenhum jabá".

Ainda deu tempo de tocar "Copacabana", que era pra ter sido a última. Porém, atendendo aos pedidos não só da platéia, assim como da própria banda, a produção liberou a saideira, com "E agora, Gregório?".

Nem precisa perguntar pro tal Gregório. O futuro do Móveis Coloniais de Acaju está bem claro.

Leão de Judá

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foto: Joca Vidal

Em sua mini-turnê pelo Brasil, o reggae man judeu, Matisyahu, tocou no Vivo Rio numa festa fechada da comunidade judaica carioca. Até houve venda de ingressos, mesmo assim, o clima era de clube, com muitas famílias, do avô ao netinho, curtindo juntas o show. Os vocalizes e a levada de Matisyahu, assim como as melodias da guitarra, lembram a música judaica. Era visível o entusiasmo dos rabinos presentes com aquele presente dos céus, se comunicando tão bem com a juventude e ainda assim mantendo as tradições judaicas praticamente intactas. O reggae de cabeça pra baixo da banda -- guitarra e teclado na frente, baixo e batera lááá atrás -- agradou, principalmente nas músicas minimamente conhecidas (como "Youth"), apesar das bases soarem um tanto repetitivas. No final da apresentação, a inesperada participação de Gabriel O Pensador.

Ben melhor?

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Inaugurando uma nova sessão do URBe, a FOTOLEGENDA do show do Ben Harper. O espaço será utilizado para shows e eventos que, se não rendem uma resenha completa, não merecem passar em branco.


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foto: Joca Vidal

Quase dez anos após sua primeira apresentação por aqui, no Free Jazz Festival de 1998, quando tinha apenas três títulos no currículo, Ben Harper retornou ao Rio. Alguns disco mais gordo, ficou claro que Harper optou por um caminho mais pop. O Claro Hall (Metropolitan) lotado e encantado (até com os solos um tanto farofentos do percussionista), não deixou dúvidas disso. Entre versões extendidas de suas próprias músicas, com solos intermináveis e hits certeiros como "Burn one down" (que ficou de fora na sua primeira passagem), Ben Harper pegou carona no sucesso de Kanye West e sua "Gold Digger" (baseada em "I got a woman" de, Ray Charles), "Heart of gold" (Neil Young) e na participação de Matisyahu. O ótimo baixista continua em forma, como mostrou num solo que contou com uma citação à "Blood suger sex magik" (Red Hot Chili Peppers). O bis repleto de músicas lentas quase põe tudo a perder, não fosse o momento gospel, em que Ben Harper cantou acapela, sem microfone, calando o blá blá blá do público. Após mais de duas horas de show, as luzes de serviço da casa foram desrespeitosamente acesas com Ben Harper ainda no palco, marcando o fim da festa.

Vale-cultura

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Lembrete

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Começa hoje a última semana do Humaitá pra Peixe 2007, a melhor delas.

Nessa sexta tem Duplexx e Vulgue Tolstoi.

No sábado tem o imperdível show dos brasilienses Móveis Coloniais de Acaju e o encerramento com o Turbo Trio, presença rara por aqui.

Imprima o cupom de desconto e pague R$12 de entrada.

Novo craque

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Talvez ele já tenha nascido. Se tudo der certo na carreira do menino, aos 17 anos ele brilhará na Copa do Mundo de 2026.

Para o encantamento dos gringos, que tanto admiram a versatilidade dos nomes dos nossos jogadores, veremos despontar, como foi dito num camping na Bahia, um novo ídolo: Aipodison Silva.

Coachella 2007

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Escalação completa do Coachella 2007, agora é oficial.

HPP vs. praia

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Casuarina
fotos: Joca Vidal

O verão carioca, atrasado que só, deu uma trégua de duas semanas. Nesse período, o Humaitá pra Peixe 2007 aproveitou para fixar seu novo formato no coração do público e saiu-se bem nos dois primeiros finais de semana.

O confronto, no entanto, era inevitável. Sexta-feira, no primeiro dia de sol do ano, uma corrente fria trouxe águas cristalianas para praia, reforçando o time da areia. A primeira vítima desse HPP foi Rodrigo Bittencourt.

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Rodrigo Bittencourt

Pouca gente ouviu as versões de "In bloom" (Nirvana), "Deus e o Diabo" (Titãs) e o chilique "de brincadeira" da banda sobre a qualidade do som -- que, diga-se, tem estado ótima. O pôr-do-sol segurou muita gente na praia e o público, o menor do evento até agora, só chegou pro segundo show.

Da mesma forma que a mudança para os finais de semana pode ter trazido um outro perfil de platéia para o festival, também fez com que o HPP entrasse na concorrência com os vários eventos que acontecem no Rio durante o verão. Isso pode estar contribuindo para médias de público não muito generosas.

Às sextas, sábados e domingo, o horário muito cedo esbarra na preguiça dos que estão com planos de sair mais tarde. Nessa decisão, pesa também o preço do ingresso, R$ 24 a entrada inteira, muito caro para um programa pré-noitada.

Isso é coisa pra produção do evento refletir a respeito para a próxima edição, mas do lado de cá, de quem trabalha cobrindo ou frequenta o festival, até agora a impressão é de que o festival tinha mais força quando era realizado durante a semana.

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Erika Machado

Já era noite quando Erika Machado subiu ao palo para apresentar suas fofas canções. Apadrinhada por John, guitarrista do Pato Fu (e produtor do disco da cantora), a mineira ninou o Espaço Cultural Sergio Porto.

Cantando num tom de voz de quem está fazendo aviãozinho para criança comer, florzinhas no violão e computador enfeitado com cara de bichinho, Erika não justificou o burburinho que seu disco tem causado nas redações por onde passou.

A infantilidade das composições passa longe da proposta de Adriana Calcanhoto. Nem a participação de John empolgou. Os acordes básicos das músicas (várias delas variando a tríade sol-ré-dó) tornam o som repetitivo e previsível.

Culpa dos acordes que não é. Clássicos como "Knocking on heavens door" (Bob Dylan), "Stand by me" (John Lennon) e "Wish you were here" (Pink Floyd) transitam por alguns desses mesmos acordes simples com muito mais eficiência.

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Edu Krieger

No sábado foi a vez do samba. Edu Krieger mostrou composições próprias, como "Ciranda do mundo, gravada por Maria Rita, Pedro Luís e a Parede, Bangalafumenga e "quem mais quiser", segundo o autor.

Acompanhado pelo irmão, Fabiano Krieger, guitarrista do Brasov, Edu fez um show bacana, embora as músicas talvez pudessem soar melhor na mão de outros intérpretes. Cercado por painéis da Oi FM, patrocinadora do festival, Edu foi responsável por um dos momentos mais divertidos da noite quando resolveu homenagear a concorrente MPB FM pelo trabalho de divulgação de sons nacionais.

Fazendo o trajeto Zona Sul-Lapa-Zona Sul, o Casuarina (que repetiu o mesmo discurso de Edu!) trouxe sua roda de samba para perto de casa.

Mesmo com a distância que esse tipo de apresentação impõe (roda de samba é em pé e com cerveja na mão), o grupo balançou o Sergio Porto com seu samba pé-limpo. Ao filtrar referências de samba já filtradas anteriormente (Chico, etc.), o Casuariana encontra personalidade própria, ainda que letras que falem de cheque sem fundo não soem muito verdadeiras vindo deles.

O grupo não é exatamente uma novidade, está estabelecido, com disco lançado pela Biscoito Fino, mas raramente se apresenta na Zona Sul. Foi bom vê-los tocando pra molecada que estava presente, ajudando na tal renovação de público e, por que não, do próprio samba. Só falta o D2 samplear.

No domingo, o Reverse e Eletro encerraram a terceira semana.

Boataria

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O Coachella 2007 se aproxima e, com isso, começaram os boatos sobre a escalação.

Liderando todas as listas que circulam na rede -- tanto as de mais desejados quanto as de mais cotados -- está a volta do Rage Against the Machine. Com os olhos cheios d'água (tamanha é a emoção despertada pela possibilidade de ver A banda da minha adolescência), fica a torcida para que seja verdade.

Outros nomes são: The Good the Bad and the Queen (nova banda de Damon Albarn), MSTRKRFT, Ozomatli, Bjork, Konono No 1, Artic Monkeys, The Roots, Air, Hot Chip, !!!, Sonic Youth, Explosions In the Sky, The Rapture, Gogol Bordello, Kaiser Chiefs...

Tá ruim?

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Isso sem falar no papo de que Lee Perry vem aí. MauVal lançou a nota no roNca roNca da semana passada, irresponsavelmente omitindo qualquer detalhe, podendo ser responsabilizado por ataques do coração na imensa torcida rubro-auriverde.

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Dama de Ferro
Carl Craig, Raif e Rafael RM2
23 de março (sexta)
23h
R$ 50, R$ 30 (c/ filipeta)

Piratão

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Mixtape agora é crime.

Logo, logo você poderá ser preso por ouvir música em casa com sua namorada ou amigos. Aguarde.

Jamaica 06/07

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Esse é o trailer do documentário "King at the controls - the King Jammy's story". O filme conta, óbvio, a história de King Jammy, discípulo de King Tubby -- de onde vem sua primeira alcunha, Prince Jammy -- e responsável, entre outras coisas, pelo primeiro reggae digital, o riddim "Sleng teng".


Shaggy, "Church Heathen"

Voltando para o presente, na virada de 2006 para 2007, essas três músicas têm se destacado nos sound systems de Kingston:

* Batizado após a série de blecautes que tem assolado a Jamaica, o riddim de dancehall "Power cut" é o mais escutado. Todos os grandes nomes da ilha, de Vybz Cartel e Elephant Man à Bounty Killer, já utilizaram a base. Busy Signal também.

* O "Taxi riddim", originalmente gravado nos anos 80 pela dupla Sly & Robbie, voltou com tudo, Buju Banton à frente da melhor versão, chamada "Driver".

* Pra fechar, a recém-lançada "Church heathen", do Shaggy. Quando canta sobre bases jamaicanas, sem preocupação de tirar o pé para soar palatável, Shaggy é um monstro.

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Estou testando esse tal de Snap Preview, ferramenta que fornece uma prévia de cada link disponibilizado, sem necessitar clicar em cima, apenas tocando o cursor em cima.

Como quem lê é você, diga o que achou, se atrapalha ou ajuda, se vai pro trono ou toma o gongo.

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Resenhas do festival Hutuz e do novo disco d'A Filial que escrevi para o terceiro número da Rolling Stone Brasil. Com a edição fora das bancas, reproduzo os textos aqui.

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A Filial
“Quem menos tem é quem mais oferece” (Dubas Música)
cotação: três estrelas e meia

Todo mundo junto

Num Rio de Janeiro cada vez mais retraído, onde um tiro lhe aguarda em cada esquina (ou ao menos como parte da imprensa e das autoridades querem fazer parecer), o discurso d’A Filial faz o caminho inverso. Fala de sair na rua, de encontros e de aceitar o outro como único caminho possível pra sairmos do caos atual — e não apenas na Cidade Maravilhosa.

Dispensando o uso de samples, tão caros à cultura hip hop, com exceção de alguns scratches e batidas eletrônicas, os sons do disco foram feitos do zero. Tocado pela própria banda — formada por Edu Lopes (vocal), DJ Castro (do extinto Quinto Andar, Black Alien), Rodrigo Pacato (percussão), Ben Lamar (trompete) e Flavio Prazeres (sax e cavaquinho) — mostra uma boa evolução em relação ao EP “A Filial”, de 2002.

O hippie-hop acústico do quinteto mistura rap, samba, soul, funk, faixas instrumentais (“Prelúdio”, “Charme e sedução”) e abre espaço para convidados como BNegão (ex-companheiro de Edu no Funk Fuckers) em “Verso versátil” e De Leve, em “Be the world”.

Quando as coisas parecem estar ficando cabeça demais, o verão carioca se faz presente na guitarra funkeada de “Gosto tanto”, no bumbo reto de “Dança” e no sambinha “Linda”. Afinal, um pouco de alegria sempre facilita o encontro.

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Premiação do hip hop agita o Rio

Organizado pela Central Única das Favelas (Cufa) e realizado ininterruptamente desde o ano 2000 no Rio de Janeiro, o Hutúz chegou a sua 7ª edição, firmando o evento como o principal encontro do hip-hop brasileiro.

Além dos shows, o Hutúz envolve uma premiação aos melhores do ano, apresentações dos quatro elementos (DJ, MC, break e grafite), mostra de cinema, seminários, oficinas e campeonato de basquete de rua.

A edição 2006 teve como tema o esporte e trouxe vários artistas latinos, como o argentino Emanero, o chileno Sammy Houston e o uruguaio Contra las Cuerdas. O rapper e ator americano Mos Def (no país para filmar cenas do documentário que está produzindo, “4 real”) fez duas participações especiais, apresentando duas músicas na festa de premiação e como convidado no show do MV Bill, dois dias depois.

Entre os premiados estão Facção Central (melhor grupo e melhor álbum, por “O espetáculo do circo dos horrores”), Dia dos Pais (melhor música, por “Inquérito”), Atitude Feminina (revelação), Graphis (grafite), New Crew (break), Erick 12 (produtor) e Inumanos (clipe).

HPP, semana 02

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Brasov
fotos: Joca Vidal

Na segunda semana do Humaitá pra Peixe 2007, a mudança do perfil do público, devido a passagem dos shows para os finais de semana, vai se confirmando. Com isso, abrem-se mais portas para os músicos que ali se apresentam, o que só pode ser bom.

Além disso, a semana 02 trouxe o melhor show do festival até agora. A banda que quiser mudar isso terá bastante trabalho.

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Brasov

O nome do grupo é emprestado da capital de um condado romeno com tradições ciganas. O título do disco que estava sendo lançado, "Uma noite em Tuktoyaktuk" (Dubas), fala de uma cidade canadense próxima ao círculo ártico, onde brilham o sol-da-meia noite e a aurora boreal.

Alguns nomes presentes na lista de agradecimentos no encarte podem dar uma pista do som: Fanfare Ciocarlia, Intrépida Trupe, Andy Warhol, Mike Patton, Teddy Boy Marino, Berna & Kassin, Marcelinho da Lua, Silvio Santos...

Se essa dicas não são suficientes para entender do que se trata a banda, a culpa não é sua. Misturando levadas de música brasileira (guitarrada, samba), latina (cumbia, salsa) e cigana, o Brasov veio mesmo pra confundir. E, sobretudo, divertir, passando longe dos cabecismos que as referências acima podem sugerir.

Para um desavisado, o Brasov, no seu resgate de sonoridades orquestrais antigas, pode remeter à Orquestra Imperial. Entretanto, voltando ao mesmo HPP onde se apresentou pela primeira vez há seis anos, em 2001, o septeto é anterior a big band e os caminhos são diferentes.

Como um Skatalites no palco de uma churrascaria, o Brasov fez um show espetacular. As músicas instrumentais, as breguices em espanhol, as performances no meio da platéia, a teatralidade tosca, a banda acertou em tudo, conquistando os presentes.

De quebra, a ótima qualidade do som que se ouviu é a prova que, com um bom técnico, o Sergio Porto pode soar muito bem.

A volta do Brasov, que andava desativado, confirma que há mesmo um preço a se pagar pelo ineditismo. Há seis anos atrás, com um circuito independente bem menos estruturado, a banda não conseguiu o espaço que merecia. A julgar pela apresentação de sexta e pelo bom disco, tudo indica que dessa vez vai.

O encerramento foi com "O show já terminou" (Roberto e Erasmo), interrompida abruptamente pela metade. Para quem perdeu -- e pros que querem repeteco -- a banda falou de um show no Odeon. É esperar e ver.

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duSOUTO

Coube aos potiguares do duSOUTO a ingrata tarefa de subir ao palco após a catarse provocada pelo Brasov. Não deu.

A mistura de rock, eletrônica e elementos locais (em nome de uma suposta e desnecessária brasilidade), mesmo nos melhores momentos, não apresenta nada de novo. O show não segurou quem foi pelo Brasov e a casa, que estava cheia, aos poucos foi se esvaziando.

Ruim não é, mesmo porque é bem feito. Porém, o mais-do-mesmo remete a tantas coisas -- dos cariocas do Grave!, Asian Dub Foundation e DJ Patife, esbarrando em DJ Dolores e Chico Correa -- sem, de fato, recriar essas influências, que se torna cansativo e previsível.

Existe um caminho interessante, além de talento. Talvez o que falte seja estrada e disposição de se jogar em terrenos menos conhecidos.

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Zé de Riba

No sábado não houve apresentação de nenhum artista carioca. O maranhense Zé de Riba mostrou ao vivo as músicas do bom disco "Reprocesso" (Urban Jungle). Alguma coisa, no entanto, se perdeu na transposição para o palco.

As referências de Totonho e os Cabra, Otto, Lenine, bem filtradas no disco, ficam óbvias ao vivo. O elétrico Zé da Riba, que chegou a invadir a platéia, ficou um tanto abandonado pela banda, que apesar de competente, é tem uma presença apagada no palco.

Apoiado por baixo, guitarra, três percussionistas e um saxofonista, Zé da Riba passeou por repentes, xote, batidas afrobeat, funk e uma versão de "Alma não tem cor", do Karnak.

Lançado pela mesma gravadora da cantora Céu, a Urban Jungle, Zé da Riba tem toda pinta de que vai cavar seu espaço lá fora antes de pisar forte por aqui. Como fez a própria Céu.

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Tom Bloch

Os gaúchos do Tom Bloch, a banda-do-filho-do-Luis-Fernando-Verissimo, foram responsáveis por uma visita inusitada que, certamente, entrou para a história do HPP. Assistindo o show de pé, pertinho do palco, estava a atriz Tonia Carrero.

A pegada oitentista e soturna do Tom Block, ora lembrando o Zero, ora lembrando um Biquini Cavadão mais pesado, soou datada e não decolou. No intervalo das músicas, o cantor era saudado aos gritos de "Jack Bauer!", por sua semelhança com agente da central anti-terrorismo da série "24 Horas", interpretado por Kiefer Sutherland.

Espremido entre os porto-alegrenses, quem se destacou foi o baixista carioca Patrick Laplan. Fazendo linhas de baixo escorregadias e criativas, Laplan brincou com efeitos, salivando aqueles que continuam aguardando o show do seu novo grupo, Eskimo, um duo formado com Henrique Zumpichiatti.

No domingo, o Revolucionnários, do ex-baixista do Charlie Brown Jr., Champignon, e e os gaúchos do Fresno, fecharam a programação da semana.

O Orkut dos outros

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Amen

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Pescado no Kolleidosonic, esse vídeo conta a história do Amen break. Trata-se de um dos mais importantes breaks da história do hip hop e que continuou influente até o surgimento do jungle.

O formato caseiro do documentário dirigido por Nate Harrison (autor também de "Bassline Baseline", sobre a Roland TB-303 Bass Line) é o que mais chama atenção.

Fosse um texto (longo e chato) e provavelmente não teria atingido a marca de 170 mil leitores, que é o número de visitas ao vídeo no YouTube. Um excesso de prentensão talvez tivesse tornado a empreitada inviável.

Ao aceitar o tamanho que poderia ter, para mídia em que está inserido, "Amen break" consegue contar a história do loop e discutir as problemáticas do uso de samples de maneira eficiente.

Melhores de 2006

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Lista, de qualquer coisa, definitivamente, não é comigo. Em dezembro sempre tento fazer uma com os melhores do ano que passou e acabo confundindo ano de lançamento de disco, esqueço uma pancada de coisas, não dá certo. Mesmo porque, não consigo muito hierarquizar música.

Algum ano organizarei um planilha de Excel com tudo que vi e ouvi, como faz um psicopata que conheço.

Enquanto isso não acontece, por afinidade, indico a lista do Matias. E também por possibilitar, via podcast, a audição de quase tudo que lá está. Vai que é quente.

Bateristas

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Scracho, Rockz e Curumin
fotos: Joca Vidal

Mantendo a tradição, o Humaitá Pra Peixe 2007 abre o ano novo da música independente e dessa vez com algumas novidades. A principal delas é que, pela primeira vez, o evento conseguiu o horário nobre do Espaço Cultural Sergio Porto e acontece nos finais de semana de janeiro, sempre as sextas, sábado e domingos (antes os shows aconteciam as terças e quartas).

Logo na primeira semana, a mudança foi perceptível na platéia. Sai a trindade amigos-da-banda / integrantes-de-outras-bandas / profissionais-do-meio (técnicos, jornalistas, etc.) e entra, veja só, um público sem muita ligação com a cena independente, indo atrás de um bom show.

Se por um lado a social nos bastidores, tão característica do HPP, perde a força; por outro a bandas tem a chance real de conquistar novos fãs para o seu som. Devido ao horário, no final de tarde, o grande adversário do HPP deve ser mesmo a praia. As próximas semanas do festival vão demonstrar o que, de fato, é melhor para o evento.

No primeiro final de semana, os bateristas se mostraram peça-chave para compreender os três dias de apresentações e seus instrumentos foram o centro das atenções.

Dia 1

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A Filial

Abrindo o evento, na sexta, os cariocas d'A Filial aproveitaram pra fazer em casa o show de lançamento do seu segundo disco, "Quem menos tem é quem mais oferece" (Dubas). Na transposição para o palco, as músicas perdem um dos fatores mais interessantes do disco: os instrumentos, tocados ao vivo na gravação, sem o uso de samples, são substituídos por bases pré-gravadas.

A boa dupla de metais, a percussão, o DJ e, principalmente, o vocalista Edu Lopes, seguram bem a ausência do baixo, bateria e violão presentes na mistura de samba, letras conscientes e hippie-hop do grupo.

Além das músicas próprias -- as dançantes "Gosto tanto" e "Dança" estão prontinhas pro rádio -- teve também uma versão acapela de "Push it" (Salt-N-Pepa) e a participação de BNegão em "Verso versátil", repetindo o que é feito no disco.

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Curumin

O baterista paulista Curumin veio em seguida e mostrou um samba-rock repleto de improvisações, efeitos, citações musicais como "Rasta chase" (Mad Professor), "War pigs" (Black Sabbath), "One step forward" (Max Romeo) e versões de "Like a virgin" inna dubwise style, emendada na sua "Vem menina", e "Feira de acari" (MC Batata) com pegada new wave.

Cantando e tocando bateria, Curumin largou as baquetas para empunhar um cavaquinho elétrico e recebeu BNegão (é, de novo) para juntos tocarem "Funk até o caroço", do ex-Planet Hemp. Só faltou seu parceiro Tommy Guerrero dar as caras, em pessoa ou apenas musicalmente.

Como tantos outros grupos paulistas, Curumin pesa a mão demais nas referências a Jorge Ben, o que acaba tirando a personalidade de sua música, ainda que seja tudo muito bem feito e, sobretudo, bem tocado.

Na saideira, Curumin recebeu a cantora Anelis Assumpção no palco e se despediu com um enigmático "feliz 2005".

Dia 2

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Ordinário GC

No sábado foi a vez do Ordinário Groove Trio, célula inicial do Binário, se apresentar como Ordinário Groove Combo. Assim, a formação de guitarra, baixo e bateria ganha um piano e dois MCs, Aori e Iky.

A parte musical é fina e o rap cabe bem ali, ainda que jazz e hip-hop não seja uma mistura exatamente inovadora. Com ótima dicção, algo, por incrível que pareça, raro entre os rappers, Aori é um dos melhores MCs da praça.

O problema é que em vez de intervenções pontuais, os MCs participam o tempo todo, diminuindo o espaço da parte instrumental e descaracterizando o que se conhecia do Trio. Felizmente, houve espaço para esses improvisos sonoros em pelo menos três músicas.

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Rio Maracatu

O Rio Maracatu, banda conhecida das festas universitárias e menos ligada ao circuito independente carioca, fechou a noite com o seu novo projeto, Lapada.

Com a boa vocalista Patrícia Oliveira à frente e fazendo uma mistura meio manjada de MPB com maracatu (e tocar Chico Science não ajuda muito a disfarçar isso), a pressão dos tambores do grupo agradou bastante, mesmo que tenham abusado (ou talvez exatamente por isso) das versões. No total, foram cerca de seis, de Jorge Ben à Gonzaguinha e Lenine.

Dia 3

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Rockz

Domingo foi o dia do rock, começando pelo Rockz. Formada por figuras conhecidas do cenário carioca, a combinação de nomes soa inusitada, ou estranha mesmo, despertando algumas perguntas.

O que leva músicos com bagagens tão diferentes quanto Pedro Garcia (bateria; Cabeça, Planet Hemp), Nobru Pederneiras (guitarra; Cabeça, Lobão), Gabriel Muzak (guitarra; Funk Fuckers, Seletores de Frequência, carreira solo), Diogo Brandão (voz; Benflos) e Daniel Martins (baixo; Benflos) a optarem por fazer esse tal de "novo rock", tão em voga?

A primeira vista, nada. Exatamente por isso, a banda provoca uma certa desconfiança em quem acompanha os músicos em outros projetos. Seria oportunismo?

Questionamento parecido é despertado pelo mais recente disco de Caetano, "Cê", que no intuito de fazer rock, juntou-se a alguns dos melhores músicos da cena. A impressão inicial é que assim, contratando os nomes certos, Caetano ficou dispensado de, ele mesmo, pensar a tal sonoridade rock, pondo em dúvida a validade do resultado final.

Assistindo o show do tal disco e fazendo-se o exercício de descolar o grupo da história do Caetano, descobre-se uma boa "novidade", melhor que boa parte das bandas estreantes que estão aí. Passa-se então a querer saber é se se eles, o grupo contratado, teria conseguido chegar até ali sozinho, sem Caetano. Uma coisa complementa a outra.

Vendo o Rockz ao vivo, realmente empolgados no palco, as dúvidas desaparecem. Primeiro porque, com uma formação dessas, sabia-se de antemão que ruim não seria. Segundo porque, no final das contas, nem soa tão novo rock e/ou oportunista assim, como mero pastiche de Strokes-Franz Ferdinand-Bloc Party-Moptop.

Eles estão ali para fazer, ora, rock, só isso. E rock eles fazem, bem mais pesado do que as ditas matrizes -- a referência ao Queens of the Stone Age não é gratuita. O volume altíssimo tornou o show ensurdecedor, mesmo com um som bem passado.

A bateria de Pedro Garcia, perfeita, conduz as quebras e mudanças de direção, enquanto o vocalista exagera na expressão teatral e nas piadas. A música de trabalho "Confesso que errei" foi a que mais empolgou.

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Scracho

Apostando num repeteco da euforia histérica que se viu ano passado no show do Forfun, quando o produtor Bruno Levinson foi obrigado a subir no palco durante a apresentação para pedir calma a platéia, o Scracho foi escalado pra encerrar o primeiro final-de-semana do HPP.

A banda levou muita gente ao Sergio Porto, mas a expectativa não se confirmou. Goste-se ou não, o Scracho conta com um bom público e justifica sua presença no festival, ainda que alguns prefiram não admtir isso.

Seguindo caminho parecido com o de bandas como Dibob e o próprio Forfun, o Scracho aposta na internet e em saraus de colégio como forma de construir uma carreira. Pode dar certo. Acontece que atualmente, cada turma de rua tem a sua própria banda, seus próprios diretores de vídeo, designers e etc, fato que parece restringir a base de fãs aos amigos e chegados.

A idéia era assistir apenas uma ou duas músicas para sacar o clima antes de ir embora. No entanto, a confirmação da promessa feita por Pedro Garcia de ao menos se escutar uma boa baterista, mais a versão punk-pop de "Lua de cristal" (Michael Sullivan, eternizada na voz de Xuxa), logo no começo, mudaram os planos.

Curioso é que a música por pouco sequer fez parte da infância dos integrantes, uma vez que foi lançada em 1990, quando eles tinham, em média, trê anos.

Escondida no fundo do palco, a estrela do show (e do Scracho) foi mesmo a baterista Debora Teicher, de 20 anos. Não apenas pelo fato inusitado de ser uma menina tocando hardcore (mesmo aguado), mas porque a ex-integrande da Código de Barras, recém-chegada no Scracho, toca bem a beça.

Apresentada pelo vocalista com a pérola "toca pra caralho e tá solteira", Debora mostrou versatilidade de ritmos e carregou a banda nas costas.

Pode esquecer o estereótipo da roqueira de preto e All Star. Vestida como uma das muitas fãs que estavam na platéia gritando pelo cantor, Debora faz o tipo menininha. Tocou (e fez vocais de apoio) usando blusa listrada, calça branca, descalça e com uma flor prendendo os longos cabelos, enquanto espacava a bateria sem perder a doçura.

Mesmo com os fãs, a animação e todo o resto, ao Scracho falta maturidade musical. Apesar do repertório do show listar um momento dub e dos dreads do vocalista, o que se ouviu foram covers de Bob Marley e Natiruts, demonstrando a usual falta de referências de reggae, citado como influência pela própria banda.

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Semana que vem tem mais HPP.

* Phunk!, 10/Mar

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Bola Preta
Phunk! + Max BO
10 de Março (sábado)
23h
R$ 15

Feliz 2007!

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foto: Lucas Bori

Baterias recarregadas, novas idéias no horizonte, férias encerradas.

Vambora que 2007 chegou.

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Pista 3
Esquema Geral
01 de março (quinta)
22h
R$15, R$10 (até meia-noite)

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Estrela da Lapa
Kassin +2
06, 13 e 20 de Março (terças)
21h
R$ 15

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Teatro Odisséia e Casarão Cultural dos Arcos
Ruído Festival
01 à 03 de março (quinta à sábadi)
21h
R$ 20, R$ 15 (com filipeta), R$ 10 (meia)

PROGRAMAÇÃO:

Quinta, 01/Mar, Teatro Odisséia

Rock Rockets (SP)
Superguidis (RS)
Banzé (SP)
Pr(o)to (DF)
Pic-Nic
Regra Zero

Sexta, 02/Mar, Teatro Odisséia

Autoramas
Erika Martins & Telecats
Ambervisions (SC)
Stratopumas (RS)
Cabaret
Noitibó

Sábado, 03/Mar, Casarão Cultural dos Arcos

Devotos de Nossa Senhora de Aparecida (SP)
Sebastião Estiva
Ecos Falsos (SP)
Lasciva Lula
Iguanas

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Pista 3
Norótica!
DJs Artur Miró e Coisa Fina (PHUNK!), DJ Torto e DJJocasan
17 de março
R$ 16, R$ 10 (lista-amiga, e-mail para jocavidal@gmail.com)

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