julho 2006 Archives

Teatro Odisséia
Marcelinho da Lua e banda
1º de setembro (sexta-feira)
22h
R$ 20, R$ 16 (com filipeta)

Circo Voador
CocoRosie, Adriana Calcanhotto, Moreno Veloso e Domenico Lancelotti
02 de setembro (sábado)
22 horas
R$ 50 (inteira), R$25 (meia-entrada para estudantes)

Centro Cultural Telemar
Hurtmold
31 de agosto (quinta)
19h30
R$ 10, R$ R$ 5 (estudantes)
Obs: É fundamental chegar cedo para garantir ingresso. Não é permitida a entrada após o início do evento. Imperdível.
Materia sobre o novo disco do De Leve, "Manifesto 1/2 171", que escrevi para o Rio Fanzine.
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De Leve, de novo.
Pancada. Uma atrás da outra, vindas de todos os lados. Essa foi a rotina do rapper De Leve após a alegria inicial que seguiu o lançamento de “O estilo foda-se” (Segundo Mundo), em 2004, quando foi o assunto da vez, apontado como sucesso certo.
A estréia oficial não atingiu o resultado esperado, De Leve se desentendeu com sua gravadora por conta do lançamento do disco do Quinto Andar e, pra fechar a tampa, em abril do ano passado, o lendário coletivo de Niterói encerrou as atividades. Sem falar na briga com o ex-parceiro Marechal, pouco antes do disco sair.
Dois anos depois, De Leve está mudado. Aos 24 anos, acredite, está amadurecendo. A procura da parada mal feita (como canta em “Cão fudido”), o rapper lança seu segundo disco, “Manifesto ½ 171” (independente e já baixado mais de 1.000 vezes em seu saite, www.deleve.com.br).
— Essas merdas, de repente, tinham que acontecer mesmo. Eu era muito novo, não tinha noção do que era sair na capa de um jornal. Aprendi muito. A gente só aprende fazendo.
No disco, De Leve conseguiu equilibrar os escrachos da sua carreira solo com o perfil mais consciente que apresentava no Quinto Andar. Em "México" ele brinca (“mulher, você quer um papo cabeça, liga pro Pedro Bial / não me formei na PUC, fugi da federal”), em "Diploma" dá um recado para os jornalistas e em "Pode queimar" faz uma justa homenagem aos nossos honrados homens públicos.
Como se pode perceber, o estilo continua o mesmo, voando estilhaço pra todo lado. De Leve não poupa ninguém. E essa é uma crítica recorrente a seu trabalho, de que é muito fácil chamar atenção espinafrando grandes nomes.
— Nesse disco nem falo tanto nominalmente, mas é mais fácil mesmo falar das pessoas, vão querer te ouvir. Mas acaba que tem muita gente querendo falar isso também e ninguém fala, sei lá porque.
Se ele aliviou a carga, certamente Marcelo D2 não vai concordar. O homem-fumaça é alvo constante, do título do disco (uma paródia com sua marca de roupas, a Manifesto 33 e 1/3) às letras.
— Conheço ele muito pouco, encontrei algumas vezes, mas não sou inimigo dele não. Só acho que tem umas paradas que pedem uma zoação. O D2 pode receber de dois jeitos: ou não vai dar a mínima ou vai ficar puto. Ou então pode achar graça também.
Vai ver não achou. No seu último disco, na faixa “That’s what I got”, D2 cita o “Pra bombar no seu estéreo”, música do De Leve, e canta: “é que vagabundo é foda / deixa eu ganhar o meu din / é pra bombar no seu estéreo / eu vou botando de leve / ri não, fala sério / que vem da selva essa febre”
— Não sei se ele tá querendo me zoar, que tá botando em mim de leve... Eu achei graça e fiquei felizão. O cara famosão no mundo inteiro, falando meu nome? Pra mim é uma honra.
Há tempos atrás, essa resposta era inimaginável. Hoje, no entanto, De Leve está de olho numa fatia maior do bolo musical.
— Não vou dizer pra você que eu não espero que minha música toque na rádio, essas viadagens do underground. Esse disco está mais animado, mais dançante, mais pop mesmo, de propósito. Não quero fazer música pra meia dúzia.

O que deu no DJ Shadow!?
No blogue que mantém em seu saite, o produtor vinha escrevendo que seu novo disco, "The Outsider", iria surpreender "quem pensava que sabia qual era a dele". Surpreendeu mesmo.
Se o disco novo for todo como essa "3 freaks", melhor deixar pra lá. Shadow abandona seu hip hop instrumental viajante e envereda por caminhos mais comerciais.
Baseado nessa música -- e nessa música apenas -- o título do disco faz mais sentido ainda agora.
Se antes Shadow era um outsider num universo hip hop dominado por hits duvidosos, agora ele é "forasteiro" duas vezes: um novato no rap comercial e, provavelmente, mal visto na cena alternativa que o revelou.

A lista de shows do segundo semestre não pára de crescer. Até agora, pelo que andam dizendo, está assim:
-- SETEMBRO
Motomix (São Paulo, 16) - Franz Ferdinand (também no Rio, dia 13), Art Brut, Annie, Isolée, Peter Hook (DJ set do baixista do New Order), SWAYZAK, Andrew Weatherall (produtor do Primal Scream), Adult. e Modeselektor.
Campari Rock (São Paulo [06], Florianópolis[08] e Belo Horizonte [09]) - Gang of Four e The Cardigans.
Curitiba Sonora Festival (02 e 03) - Violent Femmes, We are scientists, Razorlight, Fiery Furnaces, Dog, Brian Jonestown Massacre e Bonde do Rolê.
-- OUTUBRO
TIM Festival (Rio, 26 à 28) - DAFT PUNK, BEASTIE BOYS, Yeah Yeah Yeahs, Patti Smith, Clap Your Hands Say Yeah, Devendra Banhart e Goldfrapp.
Claro q é Rock - boatos: Hard Fi, Kasabian, Rakes e Muse .
-- NOVEMBRO
Nokia Trends - Ladytron e boatos sobre DJ Shadow
Creamfields Brasil (18, na Cidade do Rock) - Underworld e mais nomes à confirmar
New Order - São Paulo (13 e 14, Via Funchal) e Rio (16, Fundição Progresso)
Cocorosie (São Paulo) - à confirmar

Ó, meu Mengão!
Eu gosto de você
Quero cantar ao mundo inteiro
A alegria de se rubro-negro
Cante comigo Mengão!
Acima de tudo rubro-negro
(repete até não aguentar mais)

Espaço Cultural Sérgio Porto
Mr. Catra e os Apóstolos (no show "Só Judas tá fora")
09 de agosto (quarta)
19h
R$ 20

Dedicados exclusivamente a divulgar links para baixar discos inteiros, os disco-blogues estão se espalhando numa velocidade alucinada. O sujeito ripa um disco inteiro, escreve uma resenha curta contando a história da bolacha e disponibiliza através de um HD virtual.
É um esquema mais seguro que o P2P de programas como SoulSeeks ou Kazaa, é tudo descentralizado. A empresa que hospeda os blogues não está ajudando a distribuir nada além dos links; a empresa que oferece o HD virtual (You Send It, Mega Upload, etc.) não pode ser responsabilizada, pois, para garantir a privacidade dos usuários, desconhece o que está sendo enviado.
E o usuário... Que usuário? Aquele que criou o blogue com dados falsos? Não tem jeito. Sufocam a troca de arquivos de um lado, aparece uma solução do outro. Até a hora em que, inevitavelmente, se encontrará um equilíbrio.
Dia desses circulou um e-mail com uma longa lista desses áudioblogues. Existem muitos, alguns temáticos, onde encontra-se de tudo. As vezes os títulos são auto-explicativos (como o "Rockers Radio", só reggae 70), às vezes não (caso do "Notas agudas", que de cara traz um Massive Attack). A graça é se perder.
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Em ordem alfabética:
A taste of vinyl
Acorde Final
Aispo Records
All that she wants
Alma Matters
Audio History
Australia No Aparece
Back on the road
Beats Rimas Vida
Bent Records
Best of both worlds
Black Music Lovers
Black Slair
Blow Up Doll
Bonzasheila
Bossa Nova Dreamer
BR Nuggets
Br Music 4 All
Bring me heads
Cápsula da Cultura
Chocoreve
Conexão Cordel
Crap I found at the library
Easy Listening
Endless Mike 101
Feijão Tropeiro
Fonalidade do Secarrão
La Trash Tienda
Lágrimas Psicodélicas
Latin Music
L0ud
Loronix
Lounge Tracks
Low Cost Music
LSD Phone Calls
Mamushka
Manches Solares
Mercado de Pulgas
Mod 64
MP3 Place
MPB Acesso Raro
Much Music
Música do Bem
Musicoteca
Nau Pyrata
Nongseynyo
Notas Agudas
Palestinian Light Orchestra
Past Tense Music
Phil Musical
Pop Music
Rasta Spliff
Rato Records
The Revival Blog
Riffingeddie
Rock Delirious
Rockers Radio
Rodeo Town
Sand Gropers
Saravá Club
Score Baby
Shadows of 60
Shelter from the storm
Smooth Tunes
Só Pedrada
Som da Pesada
Soundsational
Spirit of 77
Stoned
Stoned Guitars
Super Nova Pop
Espaço Cultural Sérgio Porto
Stereo Maracanã
08 de agosto (terça)
19h
R$ 20

Casa da Matriz
Digitaldubs - 5 anos
DJ Nepal na pista 2
23 de agosto (quarta)
23h
R$ 16, R$ 12 (com filipeta)
Space Invaders!
A diferença que faz uma boa idéia. Tem também uma versão carne e osso do Pong.
Aliás, estão abertas as inscrições do Resfest.

Resenha do show do TV on the Radio no Coachella 2006, acompanhando matéria do Calbuque sobre o segundo disco da banda, que escrevi para o Rio Fanzine.
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TV e rádio ligados, ao mesmo tempo
Ser escalado para o festival Coachella, apesar da ótima visibilidade, não é garantia de público. Veja a tarefa ingrata do TV on the Radio, na edição desse ano, por exemplo.
Tocando na tenda Mojave, espremidos entre as apresentações do Clap Your Hands Say Yeah e do Ladytron, a banda ainda teve que disputar atenção com os shows do rapper Kanye West e do Sigur Rós, que arrastaram boa parte do público para o palco principal.
Além da concorrência, o TVOTR tinha outra barreira a vencer: o experimentalismo do seu próprio som. O resultado da mistura de rock, gospel, pós-punk e post rock, eletrônica, pop, blues e hip hop, às vezes na mesma música, não é o que se pode chamar exatamente de palatável.
Mesmo assim, puxados pelo sucesso (em pequena escala, é verdade) da climática ”Staring at the sun”, os nova-iorquinos provaram sua força e juntou bastante gente na tenda. Outras músicas do primeiro disco, “Desperate Youth, Blood Thirsty Babes”,, como “Ambulance” (faixa vocal que, ao vivo, ganha instrumentos de verdade), completaram o repertório.
Com data marcada pra tocar no Brasil no ano passado, o TVOTR acabou cancelando as datas. Uma pena. Agora que assinaram com a gigante Interscope para o lançamento de “Return to Cookie Mountain”, seu segundo disco — exatamente como também fez o Yeah Yeah Yeahs — a banda deve contar com uma distribuição e divulgação maior.
É torcer pra ser grande o suficiente pra trazer a banda até aqui.

Um milhão, oitocentos e noventra três mil, trezentas e vinte nove pessoas.
Esse é o número de pessoas que faltam para atingir os 600 milhões necessários para o sucesso do World Jump Day.
A idéia é causar um impacto capaz de alterar a órbita da Terra e, com isso, diminuir os efeitos do aquecimento global. Está marcado para amanhã, dia 20 de julho, às 8:39:13 (8 horas, 39 minutos e 13 segundos) de Brasília.
Só tem maluco.

Depois de quase chegar a presidência dos EUA, Al Gore partiu em uma cruzada pela melhora do clima da Terra. "An incovenient truth" é um documentário, o trailer é assustador.
Humanos, esses parasitas.

Eu sei, as coisas andam meio devagar por aqui. Tenho trabalhado bastante, principalmente com vídeo, saído pouco e ando sem novidades mesmo.
Não é desculpa, só um esclarecimento a quem visita o URBe. Estou tentando retomar o ritmo.
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Segundo a definição do Fred, o TravBuddy é o My Space das viagens.
Embora visualmente pareça mais atrativo que o Thorn Tree Forum, dificilmente a central de informações do tradicional guia de viagens Lonely Planet será desbancada.

"Todos nós concordamos que vídeo games são uma força importante? E todos assumimos que os jogos têm um significado, que eles refletem visões de mundo e sensibilidades de seu público, certo? [Então] por que não existem críticos de vídeo games?"
Aproveitando o ponto levantado na revista Esquire, Ricardo Calil discute a questão em seu blogue.
É interessante notar, também, como a estética dos vídeo games hoje influencia o cinema -- vide "Falcão Negro em Perigo", filme fraco em discurso, primoroso na execução -- e até mesmo a estética da transmissão de grandes eventos, como a Copa do Mundo.
A Copa da Alemanha foi um exemplo disso, puro Winning Eleven. Tudo lembrava uma partida virtual de futebol, dos closes na bola no tiro de meta aos planos abertos e tomadas aéreas verticais, da câmera dentro do gol, se sacudindo a cada bolada, à chuva de papel picado. Sem falar no capricho da própria bola, na final: dourada, com aquele toque especial que se encontra nas últimas fases de um jogo qualquer.
Em 2002 já foi assim, o uniforme do Brasil e de outras seleções parecia saído do Fifa Soccer. Se você perguntar um moleque de 12 anos de onde ele conhece os nomes dos jogadores que disputam a competição, é mais provável ouvir Winning Eleven do que ESPN.
A influência desses jogos hoje é tamanha que, ao invés de simplesmente copiarem elementos da vida real, estão contribuindo decisivamente na maneira que assistimos algo tão difundido quanto uma Copa do Mundo. E isso é só o começo.

Convés Bar (Rua Cel. Tamarindo, 137, Gragoatá, Niterói)
Móveis Coloniais de Acaju, Coquetel Acapulco, Noitibó e Emblema 5
04/08 (sexta-feira)
19h30
R$ 7, R$ 6 (com filipeta), R$ 5 (antecipado na loja Roque's)
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Teatro Odisséia
Festival Laboratório Pop - Móveis Coloniais de Acaju, Reverse, Cinco Rios, Eletro, Macaco Bong, Abaixo de Zero e Terceira Via
03 de agosto (quinta)
21h
R$15, R$10 (lista amiga), R$12 (com filipeta).

Beach Boys, Beatles, Velvet Underground,
Pink Floyd, Sex Pistols e Frank Zappa.
Esses estilo de bonequinhos, conhecidos pelo nome pomposo de designer toys,são febre entre colecionadores. Existem vários fabricantes, o mais conhecido deles sendo a Toy2R, por sua série Qeester.
Funciona assim: os fabricantes (ou as vezes, alguma marca, com a Adidas) convida designers pra desenvolverem um coleção; as unidades são vendidas em caixas fechadas e o comprador depende da sorte pra tirar o boneco desejado; quando uma série se esgota, aqueles desenhos não são mais fabricados.
Esses da foto, dedicados a grandes nomes da música, sumiram das prateleiras e hoje são vendidos por uma baba no E-bay. Uma inutilidade, é verdade, mas que dá vontade de ter um desses, dá. No Rio, alguns modelos são vendidos na loja da Auslander.
Boletim enviado por Otávio "Bumba Beat" Rodrigues para divulgar sua nova festa:
BRITÂNICA ACORDA COM SOTAQUE JAMAICANO
Londres - Deu na BBC, no Times Online e evidentemente rodou o mundo: a britânica Lynda Walker, 60 anos, acordou depois de um infarto falando com um sotaque jamaicano. Conforme noticiado, ela sofre de uma doença chamada Síndrome do Sotaque Estrangeiro. Lynda diz que ficou chateada. "Não me sinto a mesma pessoa. Estou devastada", disse ao jornal. "É como perder uma grande parte de sua identidade", disse ela, decerto com seu novo sotaque. "Todos me perguntam de onde sou. Quando respondo 'Newcastle', dão risada, acham que estou mentindo".
FESTA BALANÇA CIDADE COM SOTAQUE JAMAICANO
São Paulo - Agora todo sábado tem reggae de primeira rolando no Hole Club. A banda Mano Bantu juntou forças ao Bumba Beat para fazer essa temporada. Neste sábado, dia 8 de julho, teremos o pessoal do sound system carioca DigitalDubs e das bolachinhas do norte-americano Jimi Hori, colunista da revista The Beat.
Vê se vai porque a balada é boa. O único risco é sair de lá falando mole, com sotaque jamaicano.
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Hole Club
Mano Bantu & convidados, Radiola Bumba Beat
Todos os sábados
23h
R$ 12, R$ 10 (com filipeta), mulheres grátis (até 0h30)
Nem só de Copa é feita uma passagem pela Europa. É lógico que não. Entre um jogo e outro, deu pra assistir alguns shows e sets. Pena que não deu pra conferir tudo que estava rolando no período. Nunca dá mesmo.
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Berlim, 16 de junho

Chico
foto: divulgação
Há oito anos sem lançar disco e mais ou menos o mesmo tempo sem fazer shows, Chico Buarque aceitou o convite pra participar da Copa da Cultura, evento paralelo à Copa do Mundo, quebrando o jejum.
Os ingressos, vendidos a € 5, evaporaram da bilheteria, deixando na vontade muitos brasileiros expatriatos, doidos pra matar a saudade da terrinha. Do lado de fora, cambistas vendiam a entrada por € 50. Considerando a qualidade sonora da Casa das Culturas do Mundo e o evento em questão, local da apresentação, continuava barato.
Mart'nália abriu a noite, mostrando músicas do seu mais recente disco, "Menino do Rio", além de clássicos como "Estácio, holy Estácio" (Luiz Melodia) e de suas parcerias com Zélia Duncan e Ana Carolina. A banda, privilegiando os elementos percussivos, agradou bastante os alemães, arrancando aplausos e tentativas de sambar.
Chico começou o show, apropriadamente, com "Voltei a cantar" e aproveitou pra mostrar o repertório do disco novo, "Carioca", esquentando pra turnê que vem por aí. O samba "O futebol", claro, também foi incluído.
A platéia, respeitosa, permaneceu em silêncio, mesmo em músicas conhecidas, como "Futuros amantes" ou "Morro dois irmãos", como se aproveitasse ao máximo o momento. No final, em "Quem te viu, quem te vê", o público se soltou e começou a cantar.
Chico saiu do palco sob aplausos, mas teve que voltar. Cantou "Vai passar", junto com Mart'nália, e saiu novamente e teve que voltar outra vez, agora com "João e Maria".
O público insistiu por mais um bis, mas foi a derradeira música do show. Não interessa quantos bis houvesse, nunca seria o suficiente.
Amsterdã, 24 de junho

Paradiso
A Paradiso é uma espécie de Cine Íris que deu certo. Localizada dentro de uma antiga igreja, é (junto com o Melkweg) uma das principais boate/casa de shows da Holanda, onde -- se não me falha a memória -- Chico Science & Nação Zumbi tocaram quando estiveram no país.
O Pressure Drop Sound System tomava conta da pista principal. Influenciado por todas vertentes do reggae, inclusive as mais modernas, os ingleses tocaram acompanhados por uma boa dupla de MCs, Mista Melody & Rider Shafique.
O dub porrada comeu solto a noite toda, passeando pelo jungle e pelo breakbeat. E tome versões de "Milkshake" (Kelis), "Ring the alarm" (Tenor Saw) e mais meia dúzia de músicas no Stalag Riddim, além de músicas próprias, num set tão poderoso quanto animado.
Paris, 29 de junho

Alice Russell
Paris não é mais a boemia que foi um dia. Após meia-noite é difícil encontrar bares abertos, um lugar pra comer ou mesmo pegar um táxi (na verdade, isso é difícil a qualquer hora do dia). Pegunta daqui, pergunta dali e chega-se à boate Rex.
Parada obrigatória de nomes importantes da eletrônica -- Laurent Garnier, Miss Kittin e vários outros batem ponto por ali quando estão na cidade luz -- a data era de uma festa entitulada "Carta branca para Alice Russell". A soul woman inglesa teve a noite toda pra fazer o que quisesse.
Nome em ascensão do nu-soul, Alice Russell, lançou seu segundo disco, "My favourite letters", no final de 2005. Antes desse já havia chamado atenção na cena com a estréia "Under the Munka moon" e pelas participações em projetos como The Quantic Soul Orquestra (e viva o Google, porque, antes disso, nunca tinha ouvido falar da cantora).
Ainda que suas músicas adicionem elementos como hip hop e eletrônica ao soul, é difícil imaginá-las funcionando numa pista de dança. A questão foi resolvida. Acompanhada por TM Juke (parceiro do selo Tru Thoughts) nos toca-discos, turbinando as bases, Alice Russel incarnou uma espécie de Jamie Lidell de saias, empolgando a pequena platéia.
E justo quando se pensava que não havia mais versão nenhuma a se fazer de "Seven nation army", do White Stripes, Alice canta a música sobre uma base um tanto mais sombria, composta por duas guitarras minimalistas, bateria e metais (como registrada em um EP do Nostalgia 77).
Boa surpresa.

Teatro Odisséia
Walverdes
21 de julho (sexta)
21h
R$ 18, R$ 16 (com filipeta até 1h), R$ 15 (antecipado)
Com o futebolzinho xexelento que a Seleção estava jogando, surpresa é que não foi.
