maio 2006 Archives

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Se você está nessa onda de anular o voto nas próxima eleições (uma besteira, mas deixemos essa discussão pra depois), surgiu uma solução. Está nas ruas a campanha do Capitão Presença para presidente do Brasil.

O vingador mascarado é uma criação do Arnaldo Branco e é o primeiro persoagem open source de que se tem notícia. Isso significa que Arnaldo não monopoliza o direito de criar histórias com o Preza, qualquer um pode fazer o mesmo, desde que dê os devidos créditos de criação.

O troço tomou um volume tão grande (vem aí um disco, produzido pelo Instituto, só com músicas inspiradas no Max..., digo, no Presença), que virou livro. "As aventuras do capitão presença" sai pela pela Conrad.

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Bate-estaca e marreta são alguns dos termos nada elogiosos utilizados para descrever o techno. Muitas vezes é verdade mesmo, princpalmente no "sub-gênero" téquinôu, praticamente sinônimo de eletrônica entre fanfarrões e que serve bem pra descrever toda e qualquer farofada digital.

Ainda que aqui o techno esteja diluído e infiltrado por diversas influências, o excelente "Orchestra of bubbles" é um belo cala-a-boca para os que gostam de música eletrônica e ainda tem preconceito com o gênero.

Depois de remixarem um ao outro, Ellen Allien, dona do selo BPitch Control, e Apparat, cabeça do Shitkatapult (esse nome é fantástico) decidiram se juntar para produzir em conjunto. Deu certo.

O techno minimalista de Ellen Allien (que impressiona desde antes do seu último disco solo, "Thrills") misturou-se as ambientações e entortadas de Apparat, conhecido por suas produções IDM (Inteligent Dance Music, ô sigla...). O resultado é uma espécie de deep techno, um 4x4 menos massante e mais viajandão.

É, de certa maneira, um techno mais acessível que o normal e isso não é pejorativo. Pra curtir sozinho, de fone de ouvido ou pra dançar pequenininho, sem grandes explosões. As músicas nunca estouram, pelo menos não com a força que se costuma ver nas pistas.

É tudo sútil, uma virada, um break, a entrada de um elemento novo. Do dubstep/dancehall abaixo de zero em "Metric", passando pela quebradeira em "Do not break", pelo chill out "Edison", até as pancadas de "Jet" e "Turbo dreams", tem música pra todos os gostos. Até pra quem não gosta de techno.

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"Uma odisséia visual e musical sobre dois robôs e sua busca para se tornar humanos". Essa é a sinopse de "Daft Punk's Electroma", primeiro filme totalmente realizado pela dupla Guy-Manuel de Homem-Christo e Thomas Bangalte, mais conhecida como Daft Punk.

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Cena do filme, divulgada no myspace do DP

Depois de trabalhar com diretores como Michel Gondry e Spike Jonze em seus clipes e de se envolvere na produção de "Interstella 5555", animação do japonês Leiji Matsumoto, que tem como trilha todas as músicas do disco"Discovery", o Daft Punk assumiu controle total dessa vez. A trilha, de acordo com os créditos do filme, ficou a cargo de Steven Baker, então nada de música nova.

Dirigido e escrito pela dupla, "Electroma foi exibido pela primeira vez no dia 18 de maio, na "Quinzena dos realizadores", evento paralelo ao festival de cinema de Cannes. Ainda não há previsão para entrar em circuito ou ser lançado em DVD, muito menos de exibição no Brasil.

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Luke Jenner
foto: eu memo

Matéria que escrevi para o Rio Fanzine sobre os shows do Rapture e Kasabian no Nokia Trends, México.

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Além dos 15 downloads de fama

No último final de semana, dois dos mais festejados nomes do novo rock, The Rapture e Kasabian, se apresentaram na primeira edição do festival Nokia Trends no México. O novato Art Brut também tocou e o mexicano No Somos Machos fez as honras da casa. A edição brasileira está prevista para o segundo semestre, ainda sem escalação confirmada.

Ocupados com a gravação de seus novos discos, o segundo de ambos, The Rapture e Kasabian andavam sumidos dos palcos e aproveitaram pra testar músicas que só serão lançadas oficialmente em setembro. Na internet, claro, sempre chega antes. “W.A.Y.U.H”, do Rapture, já está lá.

O segundo disco é sempre um momento crucial na carreira de um artista, principalmente quando vem após uma boa estréia. É a hora de confirmar o quanto foi talento e o quanto foi sorte e mostrar se tem fôlego pra construir uma carreira. A pressão do público, da crítica e até da própria banda é grande.

Mais do que isso, nesses tempos de MP3, o passado chega rápido e poucos grupos têm conseguido se manter em evidência até o tal segundo disco. Pode parecer lógico que o sucesso logo de cara ajude a banda, mas com a voracidade que o público consome música atualmente, perder o posto de novidade pode ser fatal.

Seja pela ânsia dos ouvintes, sedentos pela nova revelação da semana, seja pela pressa das próprias bandas, que algumas vezes queimam etapas e divulgam seu material antes mesmo de estar pronto, o fato é que, hoje, para muitos artistas a fama não dura mais que 15 downloads.

Talvez com essa preocupação, o Rapture tenha aguardado três anos para preparar o sucessor de “Echoes”. Ainda sem título, o disco foi produzido por Paul Epworth (Bloc Party) e Ewan Pearson e conta com Danger Mouse no comando da mesa em duas músicas.

O Rapture acredita que a exposição da estréia ajude.

— É difícil colocar seu nome na consciência das pessoas, esse é o maior desafio. Quando você faz isso, é questão de você ser bom ou não. Acho que nós somos bons e as pessoas já ouviram falar da gente, então agora podem decidir — conta Luke Jenner, vocalista da banda.

Mas será que não ser mais novidade ajuda ou atrapalha?

— É a nossa primeira vez nessa posição. É bom porque não tem mais “você é a banda do momento e eu não sei o que pensar porque todas essas pessoas antenadas gostam e eu não tenho certeza se gosto disso” — continua Luke.

O Kasabian não esperou tanto tempo para gravar “Empire”, novo disco que chegará às lojas dois anos após seu bem sucedido disco homônimo. Eles estão confiantes que toda atenção conseguida no começo jogará a favor.

— Os fãs vão ficar felizes, excitados e orgulhosos que a banda que eles disseram pra todo mundo que é boa não os decepcionou — diz o guitarrista Sergio Pizzorno.

Parte das primeiras gerações de grupos que tanto devem à rede sua divulgação mundial, o The Rapture e o Kasabian enfrentam o segundo estágio. A julgar pelas novas músicas mostradas no show no México, ambas as bandas parecem ter conseguido manter o nível dos trabalhos anteriores. É dar tempo ao tempo e descobrir se o público ainda vai ter interesse nesse vovôs precoces do rock.
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Bruno Natal edita o URBe e viajou a convite da Nokia.

Arriba!

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Rapture: "W.A.Y.U.H."

A primeira edição do Nokia Trends no México começou bem. No último sábado, The Rapture, Kasabian, Art Brut e No Somos Machos tocaram na capital, para um público de aproximadamente 3.500 pessoas (a maioria convidados, apenas mil ingressos foram postos a venda, cota mínima exigida pelo Kasabian).

Os show aconteceram num galpão, num bairro chamado La Condesa. O lugar é conhecido como o Soho mexicano e está em alta entre os jovens atualmente, pela grande concentração de bares e restaurantes e eventos culturais.

O Art Brut abriu a noite, ainda cedo, umas 21h, quando o lugar ainda começava a encher. Tidos como grande revelação, a banda não fez juz a fama. O som estava tão ruim que causou apreensão sobre como seria o resto da noite. Mais tarde, quando as outras atrações subiram no palco, com bom som, ficaria claro que o problema era mesmo com o Art Brut.

O vocalista é carismático e o resto dos integrantes tem boa presença de palco, mas isso não é suficiente. Não é meramente uma questão técnica, algumas vezes isso não importa. As letras são bobas, a voz do cantor não existe (ele fala, não canta), falta pressão e entrosamento entre os músicos.

O êxito dos reality shows pode servir pra explicar o sucesso de grupos como o Art Brut. A empatia gerada no público ao ver uma pessoa "normal" na televisão é a chave para a boa audiência desses programas. Mesmo para quem não está participando do programa, a televisão deixa de ser um lugar inatingível, aproximando-se do telespectador.

Seguindo esse raciocínio, com a música acontece algo similar. É como se o fato daquele camarada que não sabe cantar, numa banda que não consegue nem passar o som, estar viajando o mundo, significasse que o palco não é um lugar tão distante. Talvez, seja melhor que continue sendo.


Kasabian: "Reason is treason"

Há sete meses sem fazer shows, dedicados exlusivamente a terminar seu segundo disco -- "Empire", novamente produzido por Jim Abiss e que chega as lojas em setembro -- os ingelses entraram em cena com vontade de tirar o atraso. O show foi dividido em duas partes, primeiro as músicas com pegada mais rock e depois as voltadas pra pista.

"Club foot", "Processed beats", "Reason is treason" e "L.S.F.", hits do primeiro disco, se juntaram a inéditas, tocadas pela primeira vez em público. Ao vivo, a mistura de Primal Scream, Chemical Brothers, Happy Mondays e Stone Roses e Oasis funciona tão bem quanto no disco, com a vantagem da energia da banda valorizar algumas músicas.


Rapture: música nova

O Kasabian esquentou, mas a noite era do Rapture. A banda também se prepara para lançar o segundo disco, um dos lançamentos mais aguardados do ano, e não se apresentava há um tempo. Os mexicanos se espremeram no pequeno espaço para assistir os nova-iorquinos.

"Sister saviour", "Echoes", "Olio" e o encerramento com a música que catapultou a banda para o sucesso, "House of jealous lovers", serviram pra matar saudades do show deles no Brasil, em 2003. O melhor mesmo foi a quantidade de músicas novas que foram tocadas, umas cinco.

De acordo com Luke Jenner (voz e guitarra), o baixista Mattie Safer canta em cerca de metade do disco, ainda sem nome. No show deu pra perceber que os vocais estão menos gritados, ameaçando até algumas harmonizações entre os dois cantores.

Os boatos de que Danger Mouse, que produziu o último Gorillas e é metade do Gnarls Barkley, comandou as gravações é quase verdade. Na realidade, ele produziu apenas duas faixas, o restante ficou por conta da dupla Paul Epworth (Bloc Party) e Ewan Pearson.

A apresentação foi toda filmada por um cara que está seguindo todos os passos da banda; na coletiva de imprensa, no hotel e no palco. Empolgado, Jenner pulou no meio do público e o Rapture parece ter gostado da recepção as novidades.

Eram umas 2h20 quando a dupla No Somos Macho começou a tocar. Nem deu tempo de sacar qual é a deles. As 3h os copos de tequila com refrigerante sumiram do bar, as luzes acenderam e a música parou. No México, parece, a festa acaba cedo.

¡Arriba!

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Rapture: "W.A.Y.U.H."

A primeira edição do Nokia Trends no México começou bem. No último sábado, The Rapture, Kasabian, Art Brut e No Somos Machos tocaram na capital, para um público de aproximadamente 3.500 pessoas (a maioria convidados, apenas mil ingressos foram postos a venda, cota mínima exigida pelo Kasabian).

Os show aconteceram num galpão, num bairro chamado La Condesa. O lugar é conhecido como o Soho mexicano e está em alta entre os jovens atualmente, pela grande concentração de bares e restaurantes e eventos culturais.

O Art Brut abriu a noite, ainda cedo, umas 21h, quando o lugar ainda começava a encher. Tidos como grande revelação, a banda não fez juz a fama. O som estava tão ruim que causou apreensão sobre como seria o resto da noite. Mais tarde, quando as outras atrações subiram no palco, com bom som, ficaria claro que o problema era mesmo com o Art Brut.

O vocalista é carismático e o resto dos integrantes tem boa presença de palco, mas isso não é suficiente. Não é meramente uma questão técnica, algumas vezes isso não importa. As letras são bobas, a voz do cantor não existe (ele fala, não canta), falta pressão e entrosamento entre os músicos.

O êxito dos reality shows pode servir pra explicar o sucesso de grupos como o Art Brut. A empatia gerada no público ao ver uma pessoa "normal" na televisão é a chave para a boa audiência desses programas. Mesmo para quem não está participando do programa, a televisão deixa de ser um lugar inatingível, aproximando-se do telespectador.

Seguindo esse raciocínio, com a música acontece algo similar. É como se o fato daquele camarada que não sabe cantar, numa banda que não consegue nem passar o som, estar viajando o mundo, significasse que o palco não é um lugar tão distante. Talvez, seja melhor que continue sendo.


Kasabian: "Reason is treason"

Há sete meses sem fazer shows, dedicados exlusivamente a terminar seu segundo disco -- "Empire", novamente produzido por Jim Abiss e que chega as lojas em setembro -- os ingelses entraram em cena com vontade de tirar o atraso. O show foi dividido em duas partes, primeiro as músicas com pegada mais rock e depois as voltadas pra pista.

"Club foot", "Processed beats", "Reason is treason" e "L.S.F.", hits do primeiro disco, se juntaram a inéditas, tocadas pela primeira vez em público. Ao vivo, a mistura de Primal Scream, Chemical Brothers, Happy Mondays e Stone Roses e Oasis funciona tão bem quanto no disco, com a vantagem da energia da banda valorizar algumas músicas.


Rapture: música nova

O Kasabian esquentou, mas a noite era do Rapture. A banda também se prepara para lançar o segundo disco, um dos lançamentos mais aguardados do ano, e não se apresentava há um tempo. Os mexicanos se espremeram no pequeno espaço para assistir os nova-iorquinos.

"Sister saviour", "Echoes", "Olio" e o encerramento com a música que catapultou a banda para o sucesso, "House of jealous lovers", serviram pra matar saudades do show deles no Brasil, em 2003. O melhor mesmo foi a quantidade de músicas novas que foram tocadas, umas cinco.

De acordo com Luke Jenner (voz e guitarra), o baixista Mattie Safer canta em cerca de metade do disco, ainda sem nome. No show deu pra perceber que os vocais estão menos gritados, ameaçando até algumas harmonizações entre os dois cantores.

Os boatos de que Danger Mouse, que produziu o último Gorillas e é metade do Gnarls Barkley, comandou as gravações é quase verdade. Na realidade, ele produziu apenas duas faixas, o restante ficou por conta da dupla Paul Epworth (Bloc Party) e Ewan Pearson.

A apresentação foi toda filmada por um cara que está seguindo todos os passos da banda; na coletiva de imprensa, no hotel e no palco. Empolgado, Jenner pulou no meio do público e o Rapture parece ter gostado da recepção as novidades.

Eram umas 2h20 quando a dupla No Somos Macho começou a tocar. Nem deu tempo de sacar qual é a deles. As 3h os copos de tequila com refrigerante sumiram do bar, as luzes acenderam e a música parou. No México, parece, a festa acaba cedo.

palco pernambuco.jpg

Circo Voador
Palco Pernambuco
Nação Zumbi e Monbojó, lançando seu segundo disco, "Homem-espuma"
com participação especiais de Otto, Céu, Siba e Paralamas do Sucesso
02 de junho (sexta)
22h
R$ 30, R$ 15 (estudante)

DEP, 70

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Mais um boteco vai pra vala. Dessa vez, o grande Caneco 70. Outro dia fechou um perto da minha casa também, mais simples, desses de esquina mesmo.

A moda agora no Rio -- porque, no Rio, tem sempre que ter alguma moda -- são o que os paulistas chamam de "barzinhos". Com cara de restaurante, caros, geralmente tem boa comida e ótimo chope. Mas, embora haja espaço pras duas coisas, não tem muito a ver com a cidade.

Lentamente, os pé-sujos vão virando pé-limpos e o Rio perdendo um pouco da sua carioquice.

Eu vou.

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Mentira, vou nada. Mas, se estivesse em São Paulo, iria. A iniciativa parece legal.

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23/05/2006

Que parada do mal.

Supostamente, a festa do copo vermelho parecia um inocente encontro de blogueiros de todo o país. Não se sabia quem estava organizando -- o que deveria ter sido motivo o suficiente pra desconfiar -- mas a oportunidade de encontrar com essas pessoas parecia bacana.

Tinha visto o nome de muita gente que costumo ler na lista. Quando vi confirmações como a dos vizinhos Inagaki e Trabalho Sujo, blogueiros de confiança, imaginei que era pra valer.

Coloquei o convite no URBe, confirmando minha presença (bom, no caso, apoio ao evento, já que era em SP e não poderia ir). Então, o André deixou um comentário esquisito e, junto, uma pulga atrás da minha orelha.

Ação de marketing? Tinha uma empresa por trás disso? Claro que sim. A exigência da data de nascimento na entrada no saite dava a dica: deveria ser algo ligado a marcas de bebidas alcóolicas ou tabaco. Poderia também ser pornografia.

Não é pornografia, mas é sim uma tremenda putaria.

Seguindo un linque indicado pelo Inagaki, descobri que trata-se de uma campanha de uma marca de uísque, que aproveitando-se da boa fé da blogosfera, infiltrou de maneira oculta sua propaganda em diversos saites. Sem avisar, sem pedir, sem consultar.

O que a pressa de atualizar o blogue não faz. Pra piorar, além do embaraço público de ter caído nessa, repare na goiabice: a festa era no dia 20 de maio. E escrevi a respeito no dia 22. Tsc, tsc...

Expert

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Hey, Guy!

Esse vídeo está voando pela internet desde quinta, talvez você já tenha visto. Caso não tenha, é só apertar o play arriba.

A história é a seguinte. Nos estúdio da BBC, jornalistas debatiam, ao vivo, sobre o ganho de causa dado à Apple Computers na disputa com a gravadora Apple (dos Beatles) pelo direito de uso do nome e do logo da maçã. Guy Kewney, editor do saite News Wireless, esperava para dar sua opinião, ao vivo.

Enquanto isso, Guy Goma, um desempregado congolês, aguardava na recepção por sua entrevista de emprego. Na correria do programa ao vivo, o produtor entrou na sala e chamou Guy para o estúdio. Achando estranho, Guy Goma foi mesmo assim, acreditando que fosse parte do processo seletivo.

Para surpresa de Kewney, que esperava em outra recepção, Goma entrou no ar. E não fez feio. A BBC, em mais uma demonstração do que deve ser o bom jornalismo, não só admitiu o erro, como fez matéria a respeito e disponibilizou o vídeo em seu saite.

Guy Goma, logicamente, virou celebridade. Já tem até página oficial.

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Release que escrevi para o lançamento de "3 sessions in a greenhouse", novo disco de Lucas Santtana, inteiramente disponível pra baixar, é só clicar.

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Sinal verde
“3 sessions in a greenhouse” – Lucas Santtana e Seleção Natural

O título do disco é auto-explicativo: “3 sessions in a greenhouse” (Diginóis) foi gravado em apenas três sessões, ao vivo. A idéia era capturar o clima dos shows, com qualidade de estúdio. Já a greenhouse, bom, você pode imaginar.

Para isso, Lucas Santtana e Seleção Natural ocuparam uma grande sala no estúdio AR, no Rio, e gravaram na reta, como se fala no meio musical. Todos tocando juntos, como num show. Vale a melhor tomada coletiva. Sem regravação, sem overdubs, sem retoques.

A linha de baixo acachapante e a metaleira matadora da instrumental “Awô dub”, que abre o disco, entrega de cara o elemento unificador do disco: o dub. Lucas Santtana é admirador da vertente alucinada do reggae há muito tempo.

Não por acaso, mantém, junto com o inglês David Cole, um sound system nos moldes jamaicanos. O Sensorial Sistema de Som costuma se apresentar nas praias do Rio, com David nos toca-discos e Lucas no MP3.

Isso não significa que Lucas Santtana tenha fugido do seu estilo próprio e que “3 sessions in a greenhouse” tenha uma pegada reggae – não mesmo. O dub aqui é utilizado como ferramenta, não como um estilo. É um modo de produção.

Em todas as faixas o baixo e a bateria estão na frente, os efeitos desnorteiam e te mandam para lugares distantes. No entanto, a idéia não é simplesmente emular os mestres do dub dos anos 70, mas sim adaptar os experimentos jamaicanos à música atual, utilizando o estúdio como um instrumento, independente do gênero musical.

A inédita “Tijolo a tijolo, dinheiro a dinheiro” (que vinha aparecendo nos shows e agora, finalmente, foi gravada), segunda faixa do disco, ilustra bem isso. O cavaquinho ecoa, a voz reverbera, o baixo pulsa, mas só um louco categorizaria a música como reggae. Aliás, classificar “3 sessions in a greenhouse” de qualquer coisa é complicado. E essa é a graça do disco.

“Só baixo se for de graça”, diz Lucas na letra da mesma música. O comentário não é gratuito. Lançando o disco por seu próprio selo, o agora digital Diginóis (.com.br), Lucas está ligado no cenário atual da indústria musical. O Diginóis é o novo saite oficial de Lucas Santtana, onde ele passa a manter um blogue.

Pra começar, “3 sessions in a greenhouse” foi realizado com dinheiro captado através de um edital cultural da Petrobrás feito inteiramente online, sem uma folha de papel impressa. Agora, pronto, todas as músicas poderão ser baixadas, gratuitamente, no saite do selo. O disco será vendido fisicamente apenas nos shows.

Tanto as músicas da maneira que foram concebidas, como também as faixas abertas, estão ao alcance de quem se interessar. No dorso da capa lê-se: “Letras, faixas abertas, novas mixes. Participe da evolução desse trabalho”. O lance é coletivo.

A mixagem de Buguinha Dub (técnico de PA da Nação Zumbi, que também mixou metade de “E o método tudo de experiências”, do Cidadão Instigado, e produziu “3 sessions...” junto com Lucas) é essencial, amarrando os muitos instrumentos e efeitos de maneira eficaz.

O entrosamento com a Seleção Natural – formada por Gil (bateria), David Cole (efeitos), Ricardinho (baixo), Leandro Joaquim (trompete e fluguelhorn), Maurício Zacharias (trombone), Bruno Levi (guitarra) e pelos percussionistas do Trio Onilu (Leo Leobons, João Gabriel e Leo Saad) – foi imprescindível para o bom resultado final.

Durante a gravação, o ambiente estava tão solto que é possível ouvir os comentários e avaliações dos músicos entre uma faixa e outra. As três sessões foram registradas, com cinco câmeras de vídeo, por Luis Baiia e Pedro Amorim e devem ser reunidas em um DVD em breve.

Não faltaram convidados. Tom Zé participa da regravação samba dub da sua “Ogodô ano 2000” e Gilmar Bola 8 canta em “Pela orla dos velhos tempos”, da sua banda, Nação Zumbi, aqui em versão funk (com direito a sample do sample de “Feira de Acari”, do DJ Marlboro).

Inspirado na batida de “Colonial mentality”, de Fela Kuti, a afrobeat “A natureza espera”, feita com Wado, conta com as participações de Marcos Lobato (do Afrika Gumbe) tocando Rhodes, do ator João Miguel (do filme “Cinema, aspirinas e urubus”) e da jornalista americana Phylis Huber, lendo um trecho de “The waves”, de Virginia Woolf, descrevendo um nascer do sol pra lá de psicodélico. A balada “Into shade” é parceria com Arto Lindsay.

“Deixe o sol bater” (do primeiro disco, “Eletro Bem Dodô”) surge em versão instrumental e os parênteses dizendo dubversão de “Lycra-limão” (do segundo disco, “Parada de Lucas”) dispensa maiores explicações. Fechando o disco, “Faixa amarela”, clássico do repertório de Zeca Pagodinho, vai a Kingston e não volta mais.

“3 sessions in a greenhouse”, coincidentemente o terceiro disco da carreira de Lucas Santtana, evoca a tradição jamaicana dos riddims, em que uma canção está sempre viva e pronta para ser manipulada novamente.

Regravações e inéditas se confundem no tempo e no espaço. Cabe a cada ouvinte escolher a sua viagem.

Transbordou

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LCD_Skol Beats 2006.jpg
LCD Sound System
foto: divulgação (Cláudia Assef/Felício Marmo)

O Skol Beats vai caminhando rumo a conquista do título de "maior festival de música eletrônica do mundo" (tamanho é documento?), custe o que custar. A sétima edição do principal evento de música eletrônica do Brasil sofreu com o excesso de público no Anhembi, o exagero de 57 mil pessoas, numa noite gelada de São Paulo. Ainda bem que a boa música, apesar de tudo, continua conseguindo dominar as atenções.

Ficou difícil circular. Não bastasse as grandes distâncias entre o palco e as tendas, não estava fácil atraveassar a massa humana, compacta em toda parte, tornando impossível um simples passeio e desanimando quem queria assistir mais atrações. O empurra-empurra na hora do show do Prodigy foi tão grande que, segundo relatos, lotou o pronto socorro e foi descrito por alguns frequentadores como "um dos piores momentos da vida".

A organização do evento precisa tomar uma decisão urgente: ou segue o exemplo do Coachella e diminui a lotação, proporcionando conforto pra quem está do lado de dentro ou; melhor ainda, muda de lugar. Com a força que o Skol Beats tem hoje em dia, a mudança para um lugar mais aprazível -- como uma fazenda no interior, grama no chão -- provavelmente não abalaria o que já se tornou uma verdadeira peregrinação anual dos amantes da música eletrônica de todo país.

Tocando num horário ingrato (21h30), quando grande parte do público ainda está começando a chegar, Tiga fez um set honesto na tenda The End. Misturando breaks, electro, remixes de Bloc Party (Banquet") e LCD Soundsystem ("Tribulations"), o maior desafio do canadense foi vencer o som baixo.

Enquanto isso, no trio Pepsi "Eletric" (assim mesmo, faltando a letra "c" do inglês electric; o "o" de eletrio ou o acento agudo de elétrico), o DJ Marlboro, depois de rodar o mundo 35 vezes, finalmente ganhava sua chance de mostrar a música eletrônica genuinamente brasileira no Skol Beats.

Foi um sucesso. Como foi bem observado por um amigo, os sorrisos e animação das pessoas -- dançando e rebolando, com direito a um "chão, chão, chão" -- contrastava com o visual geralmente posudo da cena eletrônica. Marlboro foi na certa e disparou hit atrás de hit: "Elas estão descontroladas", "Malha funk", Tati Quebra-Barraco ("fama de putona só porque como teu macho") e o sucesso do verão, "Se ela dança, eu danço", do MC Leozinho. Isso tudo com o trio em movimento e milhares de pessoas seguindo. Sensacional.

Perto do final da apresentação de Marlboro, o LCD Soundsystem de preparava pra entrar em cena, praticamente obrigando parte do público a abandonar o trio. Antes dos americanos, Gil Barbara fez um bom set.

A banda de James Murphy, uma das atrações mais aguardadas do evento, começou morna e demorou um pouco pra empolgar. Bastou a sequência matadora de "Daft Punk is playing in my house", "Tribulations" e, um pouco depois, "Yeah" para mudar o cenário.

O bom vocal e presença de palco (e atuação na percussão) de Murphy ajudaram bastante o LCD, que acabou sim conquistando o público, embora este ainda fosse pequeno. O show teve também "Beat connection" e "Losing my edge".

Garantindo-se no sucesso de um passado nem tão distante, o grande nome do Skol Beats 2006 era mesmo o Prodigy. Entre o show deles e do LCD, o DJ Vitor Lima tocou e agradou com um remix bacana de "Dani California", do Red Hot Chilli Peppers.

O Prodigy entrou avassalador e não demorou nada para tocar hits como "Breathe" e "Firestarter". Enquanto o grupo tocava, o público, crescente, continuavam tentando entrar na arena do palco, causando confusão e transtornos. Enquanto isso, do lado esquerdo do palco, onde ninguém conseguia chegar, estava tudo calmo.

Após um tempo, as batidas se tornaram um pouco repetitivas e cansaram. A falta de variações justifica, talvez, o motivodo Prodigy ter sumido do mapa. Pra resolver, mais sucessos.

"Smack my bitch up" arrancou o povo do chão e o encerramento com "Out of space", com o sample de "Chase de devil" (pérola produzida por Lee Perry eternizada na voz de Max Romeo) sendo cantado por todos, foi melhor do que se esperava. Pra acalmar a galera, depois do show tocou "Love is in the air", do Paul Young.

O Cansei de Ser Sexy, acompanhado por Camilo Rocha, fechou a tampa do trio Eletric, fazendo um show de verdade, com bateria, baixo e guitarra. Os destaques foram o sucesso underground "Super afim" e a versão rock de "Sexy boy", do Air.

Depois da decepção de 2005, o Skol Beats reconquista sua credibilidade musical com uma boa edição. Resta agora, resolver questões organizacionais.

Lua dub

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Easy Star All Stars: "Time"

O conjunto Easy Star All Stars, responsável pela versão inna dub style do clássico do Pink Floyd "Dark Side of the Moon", apareceu pelo Brasil para uma série de apresentações do disco "Dub Side of the Moon". O roteiro incluiu Rio, São Paulo, Porto Alegre e Belo Horizonte.

A tarefa era complicada; transpor para o palco as delicadas camadas do disco e repetir ao vivo o que deu tão certo quando foi gravado: transformar psicodelia rock em psicodelia reggae. O MC talvez tenha tido a missão mais ingrata, ao ter que refazer vocais que no disco são cantados por nomes como Ranking Joe.

A banda afiada deu conta direitinho. Começando com um aquecimento de umas cinco músicas próprias antes de entrar no repertório do disco -- que foi tocado na ordem -- o Easy Star All Stars adiantou a versão interessante de "Climb up the walls", do Radiohead, que vai estar na próxima experiência do grupo, a releitura de "Ok Computer", chamada "Radiodread". Agora é esperar o disco sair pra ouvir o resto.

A Via Funchal não lotou, mas ficou cheia, na noite que também teve apresentações do DubVersão e do Firebug, com participação de BNegão dando um sabão no D2. O público cantou junto em várias músicas, como "Time" e "Us & them".

Faltou mais pressão no grave da casa (como já havia acontecido no show do Massive Attack, em 2004), porém nada que estragasse a noite. Só a oportunidade de ver uma boa banda de reggae passando longe do óbvio "tributo a Bob Marley", coisa difícil de acontecer por aqui, já valeu o ingresso.

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Joca Vidal conta como foi o show no Rio:

O lado dub do Rio

Que o evento ia ficar cheio, ninguém duvidava. Só não dava pra imaginar que ia ficaria lotado. O próprio pessoal do Circo Voador estava na dúvida se iria "bombar" mesmo, afinal muita coisa estava em jogo naquele dia, principalmente custos. Devem estar sorrindo até agora.

Como de costume aqui na Cidade Maravilhosa, o público foi chegando bem aos poucos. 1 da manhã e metade do Circo tinha acabado de ser preenchida. A outra metade, só 1 hora depois, quando a banda entrou no palco.

Antes deles, o coletivo Sound System Attack começou a tocar por volta das 23h. Escalados para serem a primeira atração, o Digitaldubs se recusou a entrar no palco e preferiu deixar rolando o novo disco de Lucas Santtana, integrante do Sensorial Sistema de Som (ao lado de David Cole).

O Sensorial abriu oficialmente os trabalhos, seguido pelo Sozales Dub. O pessoal ia chegando e aos poucos uma pista ia surgindo. Chico Dub fez o seu set, privilegiando a mistura de dub com eletrônica e tocando nomes como Roots Manuva.

Quando o Urcasônica entrou, já tinha um pessoal atento as batidas do dub/dancehall, até mesmo porque eles levaram as suas "Uh-tererês Queens" para dançarem no palco enquanto discotecavam. Quando o set do Urca acabou o Digitaldubs entrou e começou uma combination entre todos os sounds, cada um tocando uma música. Foi nessa vibe que chegaram os integrantes do Easy Star All Stars.

Ovacionados assim que entraram no palco, o Easy Star All Stars demorarou para mandar os petardos de "Dub Side Of The Moon". Antes da primeira música do disco, foram apresentados vários sons do selo do Easy Star, como "Fighting".

45 minutos depois e o público já estava tenso. Aos primeiros acordes de "Time" o Circo veio abaixo! O sorriso nos rostos das pessoas (e dos músicos) era cintilante. Um clima de misticismo misturado com uma pressão que vinha de todos os lados era responsável pelo momento mágico que todos esperavam.

"The Great Gig In The Sky", "Money" e "Us And Them" adaptaram o som clássico do Pink Floyd à modernidade da emergente cena dub carioca. Mas não foi só isso: o Easy Star ainda manteve a vibe com clássicos como "World a Reggae" (de Ini Kamoze, inspirador de "Welcome To Jamrock", clássico contemporâneo), "Climbing Up The Walls", do Radiohead e "Steppin' Out" (o riddim, instrumental). Duas horas depois o público já se dava por satisfeito.

Todos foram unânimes em repetir que o show foi histórico. O engraçado foi ver que, no dia seguinte, um monte de amigos esteve por lá e nem deu para encontrar. Isso mostra que o público está atento ao que vem de fora e realmente representa algo original, inovador. Se o show fosse apenas uma cópia do disco não ia ter tanta graça.

Nego

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No saite da Segundo Mundo, Nego Moçambique botou pra jogo um set inteirinho pra baixar. Vai que é quente.

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Studio SP (São Paulo)
Lucas Santtana & Seleção Natural
todas às quintas de Junho
22h
R$ 15, R$10 (mandando mail para studiosp@studiosp.org)

Prêmio

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O URBe foi indicado ao "Prêmio Dynamite de Música Independente – Melhores de 2005", na categoria "melhor veículo online". A votação é online.

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Teatro Rival
Lia de Itamaracá, Célia Conquista e Filhas de Baracho
+ Rockz, tocando de graça no teto da bilheteria
30 e 31 de maio (terça e quarta)
19h30h
Preço não divulgado

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Circo Voador
Los Hermanos e Toranja
+ Rockz, tocando de graça no teto da bilheteria
06 de junho (terça)
21h
R$ 50, R$ 25 (estudante)

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Casa da Matriz
Digitaldubs
14 e 28 de junho
23h
Dia 14 (véspera de feriado) - R$ 20, R$ 16 (com filipeta)
Dia 28 - R$ 12, R$ 9 (com filipeta)

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Fosfobox
Jamaica Hi Fi
14 de junho ()
23h
R$20, R$15 (com filipeta)

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Teatro Odisséia
roNca roNca, com show de Lucas Santtana
23 de junho (sexta)
21h
R$20, R$15 (com filipeta ou até as 23h)

Tesouro

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1.357 vinis, entre eles discografias completas (e quase completas) do Milton Nascimento, Caetano, Gal, alguns do João Gilberto ("Chega de saudade"), Tim Maia (falta a fase "Racional"), João Donato, Marcos Valle, Weather Report, João Nogueira, Led Zeppelin, Emerson, Lake & Palmer, Simonal, Miles Davis, Jack Pastorius...

Tudo catalogado e cada título sendo vendido à R$3 (três Reais!) pela mãe do colecionador, já morto. O estado de conservação é impressionante. É como se os discos estivessem numa loja, nenhuma dobra ou amassado nas capas e encartes, nenhum arranhão. Alguns parecem que nunca foram tocados.

Enxuga as lágrimas, o lote foi arrematado. Felizmente, pelos vizinhos do estúdio Lontra, facinho de visitar.


Trailer: "Desconstrução"

Saiu o novo disco de Chico Buarque, "Carioca". A edição especial do CD vem acompanhada por um DVD com um documentário sobre as gravações, chamado "Desconstrução", que eu dirigi.

RBMA

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Cinco capitais vão sediar os workshops da Info Sessions, do Red Bull Music Academy, no mês de Maio:

10 - Rio de Janeiro
16 - Porto Alegre
20 - São Paulo
24 - Brasília
27 - Recife

No Rio, a Info Sessions acontecerá no Rio Scenarium, com a participação de BNegão, Kassin, Berna, Deize Tigrona, MPC (Digital Dubs) e Lucas Santanna, além da exibição do documentário "Brasilintime". A partir da meia-noite, a festa é aberta (R$15), com apresentação do projeto Black e do MC Marechal.

As vagas são limitadas e as inscrições podem ser feitas no saite do evento.

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Daft Punk

Você tem certeza de que uma viagem vai ser boa quando as coisas se encaixam sem muito esforço. A ida para Los Angeles, para conferir o Coachella Music & Arts Festival , foi premiada logo na chegada ao aeroporto.

No desembarque, um sujeito com pinta de rapper passou carregando uma bolsa de laptop com o logotipo do Ozomatli bordado na frente. Como não se vê esse logo toda hora, mesmo em Los Angeles, fui perguntar. Não deu outra, era Jabu, MC que substituiu Chali 2na (hoje no Jurassic 5) , seguido pelos outros integrantes.

Não bastasse a saraivada de shows que viriam no sábado e domingo, uma das bandas latinas mais bacanas de todos os tempos (top 5 na minha lista pessoal de shows mais desejados) tocava em Los Angeles na sexta-feira que antecedia o festival. Contando com a simpatia gratuita que a palavra "brazilian" desperta no exterior, conseguir ingressos foi moleza.


Ozomatli: "Cumbia de los muertos"

Não era um show comum. O grupo se apresentou na Hollywood Race Track, pista de corridas de cavalos em Inglewood, servindo de entretenimento entre um páreo e outro. Na platéia, praticamente apenas mexicanos e decedentes e um ou outro curioso cansado de perder dinheiro apostando em pangarés.

O despojamento da situação somado ao público receptivo garantiu um show especial, relaxado, com clima de apresentação para amigos. Com naipe de metais, DJ, MCs, baixo, bateria, guitarra e percussão e dois vocalistas, o Ozomatli enche qualquer palco e a mistura de hip hop, cumbia, salsa, dub, rock e letras em spanglish serviu para aliviar a tensão da manifestação hispânica (com adesão dos brasileiros e chineses) que viria no dia 1 de maio, o "Dia sem imigrantes".

Comandado pelos cantores Asdrubal Sierra e Raul Pacheco, o Ozomatli tocou músicas de seus três discos, indo de "Cumbia de los muertos" até a balada "Cuando canto mi canción", sem esquecer de "Como ves", "Saturday night", "Street signs", fechando a fiesta com a incendiária "La misma canción" e o palco cheio de crianças brincado de percussionistas.

Antes mesmo de chegar a Indio (cidade onde acontece o Coachella) e um show pra coleção de favoritos. A viagem prometia.

Coachella, primeiro dia

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Entrada

O cenário do Coachella, que esse ano reuniu 97 nomes em dois dias de show, é o belo gramado de um campo de pólo, cercado por montanhas e pelo deserto da região de Palm Springs. As atrações se dividem entre dois palcos (Coachella e Outdoor stage) e três tendas (Gobi, Mojave e Sahara), além de outros espaços com programação feita por rádios e revistas locais. A quantidade de gente que invade a cidade no final de semana do festival é grande, cerca de 60 mil por dia.

Após um leve engarrafamento no estacionamento e de uma fila na entrada, deu tempo de pegar o finalzinho do The Walkmen (com uma música com metais bem legal) e correr para pegar também a rainha do grime, Lady Sovereign. Talvez pela semelhança com o hip hop, a inglesa agradou o público, arrancando gritos com "Public warning" e pedidos de bis.

Com destaque para a saxofonista e segunda vocalista da banda, o Zutons misturou músicas dos dois discos. O vocalista, também muito carismático, segurou bem a platéia e o calor (eles tocaram debaixo de um sol violento). Ao vivo, a banda cresce muito, até dub teve. "Valerie" foi a música mais cantada.

Uma boa surpresa foi o My Morning Jacket. Bom do início ao fim, principalmente quando tocaram "Wordless chorus". Eles vão abrir a turnê do Pearl Jam nos EUA, o que pode ajudar o MMJ, que está em seu quarto disco, a deslanchar.

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Wolfmother

Até então os shows não eram dos mais disputados e estavam fáceis de ver. Isso mudou quando foi hora de assistir o Wolfmother, numa das tendas. O show serviu pra explicitar um dos poucos problemas do festival.

Apesar de aproximarem público e artistas, num evento para 60 mil pessoas as tendas lotam rápido e bastante gente não consegue entrar. Quem fica longe não vê muito bem, não apenas porque a estrutura das tendas bloqueia a visão, mas também porque os palcos são baixos (poderiam ter ao menos 1,5 metro a mais de altura para facilitar a vida de quem está mais atrás).

Influenciados por Black Sabbath, Led Zeppelin, Mars Volta por stoner rock, o trio australiano fez uma apresentação visceral. A voz do vocalista e guitarrista Andrew Stockdale lembra Ozzy Osbourne e Jack White (Stripes) e a mão pesada do rapaz arranca riffs secos e poderosos.

O toque de psicodelia fica a cargo do baixista e tecladista Chris Ross. É ele quem controla os efeitos através de pedais preso em cima do seu teclado, distorcendo, prolongando e alterando os riffs de Stockdale, garantindo que o som da banda não seja apenas um pastiche do rock setentista. A eletrônica está lá, ainda que discreta.

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Clap your hands say yeah

Saíram os australianos, veio o combo nova-iorquino Clap Your Hands Say Yeah. Com meros dois minutos de atraso, o CYHSY ouvia palmas ansiosas. Com cinco, quando entrou no palco, ensaiavam-se as primeiras vaias. Num festival com tantas atrações, cada minuto é precioso e, por isso, o público não tolera demora.

Bastou o show começar para a turma esquecer da espera. Bom exemplo da moda que se tornou ouvir música nesses tempos pós-MP3 e iPod, o CYHSY cresceu através da internet, sem divulgação na grande mídia e conta com público fiel. Difícil dizer o que vai ser dessas bandas quando não for mais tão bacana saber qual a última novidade vinda dos porões de qualquer lugar.

A sonoridade do Clap Your Hands é interessante. Chata mesmo é a voz do cantor Alec Ounsworth, desafinado além do ponto do que pode ser considerado um estilo. Pelo menos em uma das músicas, "Is this love?", Alec consegue controlar os defeitos de sua voz e faz parecer uma estranheza pensada. Pena que seja só nessa.

Às 17h45, no palco principal, Kanye West foi o primeiro peixe fora do áquario independente a dar as caras no festival. Seu disco mais recente, "Late registration", faturou um Grammy e vendeu, até agora, 2,5 milhões de cópias. Com um sucesso comercial totalmente fora do padrão do resto da escalação, teve gente temendo que recepção ele teria.

Vestindo uma camiseta com uma foto de Miles Davis e pedindo para o público colocar os "diamonds in the sky" (diamantes no céu) -- com um gesto juntando a ponta dos indicadores e dos polegares, lembrando outra coisa -- Kanye não demorou nem meia música pra ganhar a platéia.

Acompanhado por bons músicos, incluindo cordas e cantores de apoio, reproduziu-se ao vivo os samples e programções dos seus discos. Antes de cantar o hit "Gold digger", o rapper brincou, dizendo que o "Grammy está errado, essa é a melhor música do ano", em referência ao título perdido em 2005 para "Boulevard of broken dreams", do Green Day.

Como na versão radiofônica, que lima palavrões e insultos, Kanye substituiu o "nigger" (palavra agressiva usada para se referir aos negros) do refrão "she ain't messing with no broke nigger" por um segundo "broke". Sem perder a oportunidade de dar uma zoada num público majoritatiamente branco, o cantor mudou de idéia no meio da música e resolvou falar a letra sem censura, avisando: "brancos, essa é a sua chance de falar nigger"!

Depois de cantar "All falls down", Kanye pediu ao DJ A-Trak para colocar algumas músicas que ele ouvia em casa, na adolescência. Vieram "Let's stay together" (Al Green), "Rock with you" (Michael Jackson) e, acreditem, "Take on me", do A-Ha ("isso não é uma piada, gosto mesmo dessa música", fez questão de dizer), enquanto Kanye dançava como se estivesse sozinho em seu quarto.

Guardando o melhor pro final, a última música foi "Touch the sky", feita em cima de um sample matador de "Move on up", do Curtis Mayfield. Nem precisava, o jogo já estava ganho.

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TV on the Radio

Correndo de um lado pro outro, ainda deu tempo de ver um pouco do TV on the Radio, antes de voar de volta para o palco principal atrás do Sigur Rós. Com várias pessoas assistindo o show deitadas no gramado, os islandeses coroaram o final de tarde com músicas do "( )" e "Takk", em versões um pouco mais barulhentas e pesadas do que as dos discos.

A noite, Cat Power fez um bom show. Com aquela voz, fazendo passinhos de dança e acompanhada de 14 músicos (a Memphis Rythm Band) no palco, tinha sopro, cordas, vocais de apoio, enfim, completo. Cat focou mais músicas do seu último disco, "The greatest", abrindo com a faixa título, mas também executando outras de discos anteriores.

O Franz Ferdinand enfrentou uma multidão disposto a mostrar que pode ir além dos 15 downloads de fama tão habituais hoje em dia. No entanto, depois do que foi o show no Rio, não tinha nem graça ver de novo. A melhor opção era conferir a metade final da apresentação de Damian "Jr. Gong" Marley.

Exagerando nas homenagens ao pai, Damian carimbou "Exodus" e "Could you be loved", praticamente na sequência. Logo ele que, ao contrário dos irmãos, resolveu seguir uma linha de reggae atual, um dancehall com o pé fincado no roots and culture e uma boa dupla de baixo e bateria pra manter a casa em pé. Ainda bem que ele encontrou um espaço para mandar "Road to Zion" e a crássica "Welcome to Jamrock".

Da Jamaica pra Áustria, sem perder o eco, o Tosca estava programado pra tocar as 22h15. Horário perigosíssimo, perto demais da principal atração da noite, Daft Punk. O resultado é que, como aconteceu com outros nomes, só daria pra ver o começo do show do projeto de Richard Dorfmeister.

A situação ficou mais grave com a demora pra começar o show. Quando começou, o pianista e segunda metade do Tosca, Rupert Huber, resolveu fazer uma introdução de uns 10 minutos no Fender Rhodes, espantando quem queria ao menos ter um visto um pouco do show. Quem não ficou até o final, teve que se contentar com a passagem de som, com o MC cantando "The model", do Kraftwerk, sem parar.

O Depeche Mode também tocou nesse horário, tendo como garantia hits como "Walking in my shoe", "Personnal Jesus", "Enjoy the silence", "Behind the wheel" e "Stripped", além de faixas do disco novo e seis telões caprichados.

Quem se deu bem foi a dupla Audio Bullys, atração anterior ao Daft Punk e que, com isso, acabou tocando pra uma grande quantidade de pessoas, a maioria apenas aguardando os franceses.

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Daft Punk e a pirâmide

Há seis anos sem tocar e fazendo a estréia de sua turnê mundial (de apenas oito shows), o Daft Punk encerrou a noite e atraiu todas as atenções.

Um pano preto escondia o palco até o início do set. Quando a cortina caiu, viu-se a dupla dentro de uma pirâmide negra, vestido com as roupas de robô e começando a um zilhão por hora, com "Robot rock". As pessoas gritavam sem parar, sem nem ter ouvido nada, só pela alegria da cena. O painel de led atrás dos dois piscava.

Apenas os sucessos da dupla seriam suficientes pra garantir uma noite de diversão. Mas eles queriam mais. A pirâmide era a grande surpresa.

Três músicas depois do início, quando todos estavam satisfeitos com o que viam, a pirâmide acendeu pela primeira vez. Ficou branca. Depois azul. Daí em diante, música a música, o triângulo negro (coberto de telas de plama) e a estrutura metálica que o emoldurava iam ganhando algo a mais, cores, movimentos. A cada vez que algo novo acontecia, a platéia urrava.

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Robô

Fazendo mash ups deles mesmos, o Daft Punk não negou nada. Teve "Around the world" em cima da base de "Harder, better, faster, stronger", "Da funk" (essa e qualquer outra com uma pegada hip hop acertavam em cheio os americanos), "Technologic" e uma explosão coletiva com "One more time" misturada à "Aerodynamic", como no remix que eles próprios fizeram para o disco "Daft Club".

No final, após "Human after all", os robôs fizeram jus ao nome da música, se renderam e bateram palmas pro público. Enquanto a pirâmide não se apagou, ninguém parou de berrar ou deixou a tenda, esperando a dupla pra um repeteco que, infelizmente, não houve.

Um show de música eletrônica perfeito, tanto visualmente quanto musicalmente, rivalizando com o Kraftwerk -- e provavelmente ganhando -- o título de melhor apresentação da praça. Sem essa de "precursores", "sem um não teria o outro", blá, blá, blá. Se as coisas fossem assim, nada andava pra frente.

E evolução, bem, esse não é exatamente um problema para o Daft Punk.

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Coachella, primeiro dia

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Coachella

Mal deu tempo de dormir. O segundo e último dia do Coachella Music and Arts Festival, ainda mais quente que o anterior, começou com o funk latino dos venezuelanos Los Amigos Invisibles. Bandeiras da terra de Hugo Chávez pipocavam na platéia. De lá para a apresentação de Amadou & Mariam, dupla de Mali que mistura ritmos africanos, blues, afrobeat e violões e que fez um bom show por aqui, no Rock in Rio 3, em 2001.

No palco principal, a banda-de-menina Magic Numbers fez um bom show, servindo de trilha sonora para um espreguiçada debaixo do sol, vendo as bolinhas de sabão passar no céu. Fazendo seu último show antes de entrar em estúdio para gravar o próximo disco, o grupo aproveitou pra mostrar duas músicas novas.

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Público

Enquanto isso, músicos promoviam sessões de autógrafo na Virgin. Passaram por lá Matisyahu, She Wants Revenge e Seu jorge, entre outros. A interação com o público, no entanto, é limitada. Um atendente pega o disco (ou DVD, ou poster) das mãos do fã e entrega pro artista. Não há contato algum.

A loja de discos é um ponto de encontro, vendendo títulos de todos artistas do evento por, em média, apenas 10 dólares, bem mais barato que as camisetas, que chegavam a custar US$ 30. Não é fácil resistir a tentação. Lembrar que uma garrafa d'água custa 2 dólares e uma boa refeição vegetariana chega aos US$ 9 ajuda bastante.

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Carrossel

Pelo menos passear pelas lojinhas de bugingangas (uma sombrinha em estilo japonês fez sucessos entre as meninas), estandes de revistas e andar nos brinquedos era de graça. Também, pudera, o carrossel era formado por biciletas e só girava se todos pedalassem! Tinha também roda-gigante em miniatura funcionando no mesmo esquema.

A organização impressiona, sobretudo pela qualidade do som em todos os palcos. Boa parte do mérito do festival, entretanto, é o astral dos frequentadores. Americanos (lógico), mexicanos (óbvio), espanhóis, cubanos, ingleses, convivendo num clima ótimo. Pessoas bem educadas, muitos "por favor", "desculpe" e "obrigado", palavrinhas bobas, pequenas, mas que podem fazer toda a diferença quando 60 mil pessoas estão reunidas no mesmo lugar.

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Matisyahu

No meio da tarde, o reggae man judeu Matisyahu foi um dos primeiros a arrastar uma boa quantidade de gente para o palco principal. Ao contrário do disco, em que baixo e bateria ficam bem à frente, ao vivo a guitarra é muito alta. O rock, o hip hop, beat box e vocalizes predominam sobre o reggae, levando o som mais pro lado do Sublime do que do Sizzla. Bom, mesmo assim, embora diferente do que se esperava a julgar pelas gravações.

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Bloc Party

Pelo horário, 18h, dava impressão de que a ordem do Bloc Party e do The Go! Team na escalação havia sido invertida. Mesmo sendo mais conhecido, o BP tocou mais cedo que o TG!T, que só entrou às 21h40. Após o show das duas bandas, ficou provado que a ordem estava correta.

Um belo pôr-do-sol serviu de fundo para o show do Bloc Party, enquanto o vocalista Kele Okereke reclamou do calor ("dá pra fritar um ovo aqui no palco", disse) e agradeceu ao público a disposição de ficar debaixo do maçarico pra conferir a banda.

Ainda que tenha faltado pressão no som -- não ficou claro se por culpa da banda ou dos equipamentos -- e a guitarra estivesse baixa, o Bloc Party foi bem, muito por conta da presença de palco de Kele. "Banquet" e"She's hearing voices" continuam funcionando e a boa notícia é que aparentemente a banda finalmente começa a se coçar pra gravar outro disco e chegaram a mostrar uma das músicas novas.

A disputa por um bom lugar para assistir a Madonna obrigou quem quisesse assistir a estréia da Confessions Tour a sacrificar vários shows. Entre as vítimas estavam Yeah Yeah Yeahs, Mogwai e Digable Planets (e também Seu Jorge e Editors). Pior mesmo foi ter que aturar a farofada do Paul Oakenfold antes dela.

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Madonna: telão

Em seu primeira apresentação em um festival, a rainha do pop ofereceu apenas um aperitivo da turnê que está por vir. Foram poucas músicas, abrindo com "Hung up". Teve ainda "Everybody", "Get together", "Ray of light" e "I love New York", deixando de fora a atual música de trabalho, "Sorry".

Mestre em dominar as massas, Madonna conversou com o público ("does my ass look ok?" ["minha bunda tá legal?], perguntou), tocou guitarra, dançou com seus bailarinos, tirou a roupa e fez a festa da multidão. Era gente a perder de vista, muito, muito além da capacidade de 8 mil pessoas da tenda. A cantora saiu do palco sem dar tchau ou agradecer. Quem quiser mais, só pagando os US$ 300 do ingresso mais barato da turnê.

No caminho para conferir o The Go! Team, uma parada estratégica para escutar um pouco do Coldcut, sacudindo a tenda com drum 'n' bass, jungle, vídeos bem sacados no telão e protestos contra Bush e Tony Blair. No palco principal, o Massive Attack, acompanhado de Horace Andy, chapava os ouvintes.

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The Go! Team

O The Go! Team surpreendeu. Se transpor para o palco um disco repleto de samples e colagens não é tarefa fácil, mais difícil ainda é conseguir animar um público já cansado de horas e mais horas de show. Pois o TG!T conseguiu. Agitados e carismáticos, o grupo conquistou o público com "Ladyflash", "Phanter dash" e "Everyone's a VIP to someone".

A banda é formada por brancos, negros, japoneses e cada integrante desempenha múltiplas funções, todos fazem um pouco de tudo. Seguindo a filosofia da internet, ferramenta de divulgação de quase todos os novos nomes atualmente, o trabalho coletivo é quase um pré-requisito numa banda atualmente, e o The Go! Team não é diferente.

Fechando a tampa, às 23h de domingo (um dia antes do lançamento do novo disco, "10,000 days"), o Tool voltou aos palcos, após muitos anos. A banda conta com uma legião de fãs na California, de todas as idades e incluindo muitas mulheres, coisa rara nesse estilo de som.

Os comentários sarcásticos do vocalista Maynard James Keenan destoavam do clima soturno do Tool. Brincando, saudou a platéia com um "e aí, hippies!" e fez comentários como "espero que vocês tenham conseguido desfrutar a área VIP. Claro que conseguiram, isso é Los Angeles, todo mundo é VIP".

A pouca luz do palco, iluminado praticamente apenas por lâmpadas azuis, destaca o visual dos telões e seus vídeos sombrios. É praticamente tudo que se pode ver do show, Keenan fica o tempo todo no fundo, escondido perto da bateria. Boa ambientação para as viagens de "The patient", "Laterallus" ou "Sober".

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