abril 2006 Archives

3 anos!

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Hoje o URBe completa 3 anos na rede. A tradicional festinha está sendo preparada, com a mais tradicional ainda falta de sintonia em relação a data verdadeira do aniversário. :)

Pra comemorar:

DAFT PUNK
MADONNA
TOOL
MATISYAHU

Mogwai
BLOC PARTY

The Go! Team
Damian Marley

Coldcut
Jamie Lidell
Yeah Yeah Yeahs

MASSIVE ATTACK
TOSCA
Lady Sovereign
Franz Ferdinand
SIGUR ROS
My Morning Jacket
Eagles of Death Metal
WOLFMOTHER
KANYE WEST...

Semana que vem, relato completo do Coachella 2006, com textos e muitos vídeos (pense na cobertura do FMI vezes 20).

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Apesar de ter achado o show do Nouvelle Vague no Jockey, ano passado, bem fraco, resolvi seguir a dica do Kassin e ir conferir a apresentação de uma das integrantes da banda, Camille, no Teatro Odisséia. A fonte era segura, assistiu ao show do Abril Pro Rock e dizia que a banda era bem diferente da que tocou aqui antes. Valeria a pena assistir só pelo cara que toca bumbo, caixa e pratos com os pés, teclado com as mãos e faz beat box.

Nas últimas semanas, em seu blog, Jamari França vem cutucando a questão da situação caótica da cena independente carioca. Convidou várias pessoas da área pra darem opinião. O produtor Bruno Levinson (Humaitá pra Peixe) questionou "o que está acontecendo com o público carioca?", a assessora de imprensa do Circo Voador Julia Ryff falou da (sub)cultura VIP, o empresário do Paralamas José Fortes e a produtora Maria Juçá reclamaram das carteirinhas. Todos com muita propriedade, diga-se.

Porém, nota-se que, até agora, os problemas recaem sobre o público. Está faltando falar do lado de lá do balcão, das bandas, dos produtores, das casas. Dos preços abusivos, estruturas precárias, som ruim, mal atendimento, não cumprimento dos horários (problema cronico), bebidas caras (R$5 uma lata de cerveja?)...

Todos esses fatores podem ser resumidos a um só: credibilidade, com a qual a cena carioca conta cada vez menos. Quem quer pagar, o valor que seja, pra se mal atendido, pra ver shows ruins em esquemas lambões? O público frequenta o que é bom, não tem jeito. Não tem essa de "dar um força a cena alternativa", isso é coisa pra meia dúzia. O público em geral quer serviço bem prestado, da bilheteria ao palco. Está, aliás, corretíssimo.

A Nuth, boate na Barra, cobra (da última vez que ouvi falar) R$60 de entrada. E se tem quem pague, não é apenas porque é a "boate da moda", "de playboy" e "fillhinho de papai". Paga porque, não apenas se indentifica com aquela cena, mas certamente porque tem suas expectativas atendidas.

O circuito alternativo é, como bem diz o nome, uma opção a cultura dominante, seja pelo preço, seja pela estética. Entretanto, ser uma opção não é justificativa pra ser desorganizado. Sabe-se que falta dinheiro, falta incentivo, falta bastante coisa. Mas não tem como ser diferente, primeiro o bom evento, depois o público. Não dá certo se for ao contrário.

Pra ilustrar a bagunça, voltemos ao show da Camille. Chegando ao Teatro Odisséia, começou a chover e as cerca de 20 pessoas que estavam do lado de fora ficaram tomando água na cabeça.

Quem já foi ao Odisséia, conhece a fila pra entrar. Normalmente, dois funcionários atendem a mesma pessoa e demoram bastante até conseguir encontrar nomes em listas e preencher as cartelas, um sistema arcaico que só serve pra gerar confusão -- com fila pra entrar e pra pagar na hora de sair. Ontem até que as cartelas poderiam, finalmente, vir a calhar.

Quando finalmente consegui chegar a parte coberta, um funcionário da casa chegou na porta, perguntando se faltava muita gente pra entrar. Vendo o fundo da casa vazio, sugeri que se transferisse a fila pro lado de dentro, já que do lado de fora não havia cobertura e a chuva apertava. A resposta, gentil, foi essa:

-- Você está querendo me ensinar a fazer o meu trabalho?

Mesmo pensando que, sim, talvez isso fosse necessário, disse que não.

Ele poderia, por exemplo, em vez de ficar perguntando se tinha muita gente do lado de fora, sentar e ajudar a preencher as cartelas mais rápido. Poderia também deslocar os dois seguranças que tomavam chuva, de terno, para o lado de dentro e coordenar uma fila no seco.

Afinal, pra que servem as cartelas, não é pra consumir e servir como passe de saída no final da noite? Então, que mal faria botar as pessoas do lado de dentro, visto que elas não poderiam; a) consumir sem pagar, já que não tinham cartelas; b) não poderiam deixar a casa sem a pagar a entrada, pois teriam que apresentar a cartela para sair?

Isso pra não entrar no mérito da "delicadeza" no fino trato com o público pagante. Mas, pra simplificar, disse que não, não queria lhe ensinar o ofício. Queria apenas ver o show, que estava começando.

-- As pessoas estão se molhando lá fora à toa, tem espaço aqui dentro.

-- Você está querendo mandar no meu trabalho?

-- Não. É apenas uma sugestão. Que absurdo isso! Quando entrar vou procurar o dono pra reclamar do seu comportamento.

-- Pode procurar!

-- Que babaca, cara...

Ele ameaçou:

-- Olha, não fica falando muito não se não eu te expulso.

-- O que? Você vai me expulsar? Toma essa cartela aqui, meu irmão, vou nessa.

Fui embora. Simplesmente me recuso a entrar num lugar em que sou tratado dessa maneira. Pagando R$20 então, pior ainda. Os dois amigos que estavam comigo também foram embora, totalizando o prejuízo para casa em R$60, sem falar nas cervejas. Depois reclamam de grana.

Obviamente, apesar de ser um exemplo real, é ilustrativo. Não significa que todos os lugares sejam assim. Mesmo porque cada local tem suas particularidades e seus problemas. No entanto, eles estão lá, são muitos e pedem solução.

Não pode ser coincidência o fato de a cena independente em São Paulo -- uma das cidades com a melhor prestação de serviços no mundo -- estar indo tão bem, enquanto, no Rio, casas fecham, o público mingua e a cidade está, pouco a pouco, sendo excluída do circuito de bandas nacionais e internacionais.

Fico pensando no tipo de solução que normalmente é apresentada nessas situacoes: "o funcionário foi demitido". Isso não resolve nada e nem é o objetivo aqui (e exatamente por isso, não revelo o nome da pessoa). É preferível mil vezes que esse funcionário -- ou qualquer outro -- seja treinado para lidar com o público, pedir desculpas pela desorganização, ser minimamente educado. Afinal, é um serviço pago e, diz o ditado, o cliente tem sempre a razão.

Hoje, ao invés da resenha de um show, um desabafo. Enquanto o Rio segue varrendo a sujeira pra debaixo do tapete.

Desconstruindo

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foto: Mario Canivello

Não sei nem como começar a falar disso aqui. Apesar de ser um blog, o URBe tem mais caráter jornalístico do que diário pessoal. Raramente os textos saem na primeira pessoa. Falar de mim mesmo então... Mais complicado ainda. Mas hoje não vai ter outro jeito. A notícia vazou.

Depois de 7 meses de trabalho, o documentário que dirigi, produzi e filmei sobre as gravações de "Carioca", novo disco de Chico Buarque (o primeiro pela gravadora Biscoito Fino), começa a ganhar as ruas.

"Desconstrução", título do doc, é daqueles projetos que tinha tudo pra não acontecer. Chico Buarque é conhecido por ser uma pessoa reservada, a possibilidade de aceitar que sua intimidade no estúdio fosse invadida era mínima. Menor ainda se fosse por um completo desconhecido. Pra piorar, com uma câmera na mão.

Ainda bem que as coisas nem sempre seguem a lógica e, contrariando a própria, o projeto aconteceu. Começou com uma proposta ao produtor executivo da BF, Pedro Seiler, amigo desde os tempos de faculdade. Foi ele quem convenceu o empresário do Chico, Vínicius França, a autorizar a gravação, abrindo as portas para iniciar o projeto.

A idéia era filmar o Chico no estúdio. Só isso. No ínicio, não existia a noção de que esse material se tornaria um documentário. Era pra ser um material interno da gravadora, talvez um faixa interativa no CD. O interessante era a chance de acompanhar Chico em estúdio. O que surgiria disso, só se saberia depois.

O combinado era que eu fosse ao estúdio toda sexta-feira para filmar. Na primeira semana, em setembro de 2005, descumprindo o acertado, fui de segunda a sexta. Na semana seguinte, a mesma coisa. Depois de 15 dias, quando o Vinícius comentou "tá gostando de vir aqui, né, Bruno?", já era tarde. Todos os dias que o Chico esteve em estúdio, eu estava lá também.

Surpreendentemente, Chico, desde o começo, embarcou na idéia. Ignorou a câmera, agia como se não estivesse sendo filmado. Conversava sobre tudo com os amigos, recebia a visita dos netos, compunha. Meu trabalho era ficar quieto e atento para não perder os detalhes, o resto era com ele, que simplemente tinha que ser ele mesmo.

Conversamos pouco sobre o documentário durante as gravações. Na única vez que falei com ele sobre isso, com duas ou três semanas de trabalho, foi para saber se podia fazer uma pergunta por dia, não mais que isso, só quando desse tempo. Ele topou.

Até o dia em que mostrei o primeiro corte do documentário -- as edições começaram em dezembro de 2005, pois tinham que terminar junto com o disco, para irem pra fábrica juntos -- Chico não tinha se dado conta do que estava sendo feito. Depois de assistir o quanto havia sido registrado de seus dias no estúdio, a primeira pergunta que ele fez foi sobre a câmera. Ficou impressionado como um câmera daquele tamanho (uma mini dv, a Sony PDX10) podia ter capturado tantos detalhes com a qualidade de som e imagem tão boas.

Isso explica muito do sucesso do projeto. Soubesse ele o quanto se pode conseguir com uma câmera digital ou estivesse ali um diretor conhecido, tudo poderia ter sido diferente. Exatamente por não saber bem o que eu estava fazendo lá dentro, relaxou. E o grande mérito do trabalho é esse: ter flagrado o Chico relaxado.

70 dias de gravação, 42 horas de material bruto e 320 horas de edição depois, o resultado é o documentário "Desconstrução".

Uma das coisas mais bacanas foi ter podido realizar isso tudo cercado de amigos. Além do Pedro Seiler, produtor executivo do projeto, o editor foi o Rafael Mellin, amigo de PUC e a pessoa que me ensinou a filmar. Mellin se envolveu tanto no projeto que dividimos o crédito de roteiro.

A parte gráfica ficou a cargo do Mateus Araujo e dos parceiros do 6D Estúdio. A correção de cor foi feita pelo Ricardo Rocha, antigo colega de Conspiração Filmes, onde foi feita a correção. A mixagem e finalização de áudio foi feita por João Filho e João Henrique, do Estúdio Lontra, onde fica a minha ilha de edição. Enfim, estava tudo em casa.

Agora é voltar pro "Dub Echoes", que tá passando da hora de ficar pronto. Vai que dá certo outra vez.

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ATUALIZAÇÃO: Nesse domingo o Fantástico exibiu uma reportagem com trechos do documentário. Dá para assistir na Globo.com (não precisa de senha).

Mudança

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Devido a uma coincidência de nomes com a gravadora paulista Amplitude, o festival organizado por Bruno Levinson que acontecerá nas segundas de maio, no Melt, passou a se chamar apenas Ampli.

Anistia

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A Assembléia Legislativa do Rio vota nesta quinta-feira, em segunda discussão, o projeto de lei 1.624/04, que propõe anistia, durante 120 dias, de 90% do valor das dívidas de donos de veículos com IPVA atrasado, multas de trânsito e diárias em depósito.

Cada vez que uma anistia dessas é concedida, quem ainda paga impostos se sente ainda mais idiota. Pior que pagar por serviços públicos que não são realizados satisfatoriamente, é descobrir, depois, que nem precisava ter pago.

Você se embanana todo pra pagar seus impostos, integralmente e em dia. Daí, o camarada que simplesmente resolveu não pagar, tem o direito de regularizar a situação desembolsando apenas 10% do valor que você pagou. E ainda dizem que o objetivo é aumentar a arrecadação, quando na verdade estimula justo o contrário.

Dá-lhe, Rosinha.

Nuke

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20 anos do acidente nuclear de Chernobil. Não custa lembrar que o planeta não é nosso, somos convidados e deveríamos nos comportar melhor.

Brazilintime

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em pé: Babu, Nuts, Cut Chemist, J. Rocc, Derf Reklaw, Paul Humphrey
sentados: James Gadson, João Parahyba, Wilson das Neves e Mamão
fora da foto: Madlib

Recuperando um texto de um ano atrás. Essa trupe volta ao Brasil, no ínicio de maio, para o show de lançamento do documentário "Brasilintime". No Rio? Claro que não. Só em São Paulo.

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Filmado em 2002, "Keepintime: A Live Recording" reúne os DJs de hip hop Numark, Madlib, Cut Chemist, Babu, J.Rocc e Shortkut e os clássicos bateristas de jazz, soul e funk, que eles tantos samplearam: Earl Palmer (Frank Sinatra, James Brown, Little Richard), Derf Reklaw (Curtis Mayfield), Paul Humphrey (Jimmy Smith, Marvin Gaye, John Coltrane) e James Gadson (Ray Charles, Aretha Franklin, Gaye).

A idéia veio de um projeto surgido anos antes. "Keepintime: Talking Drums and Whispering Vinyl" não era ao vivo e trazia ainda outro baterista, Roy Porter (Dizzy Gillespie, Miles Davis), morto em 1997.

Esse primeiro documentário, sobre o encontro do passado e do futuro, fez tanto sucesso que acabou sendo levado para os palcos, resultando no DVD mencionado acima.

Não satisfeitos, em novembro de 2002, parte dessa turma veio à São Paulo. Aqui, se juntaram aos bateristas Wilson da Neves, Mamão (do Azymuth), João Parahyba e ao DJ Nuts para fazer o "Brasilintime: Batucada com Discos", ainda inédito.

Sexo

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Um assunto, dois livros e diferentes formas de abordagem.

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Conhecido por suas análises sobre política externa (publicadas no saite No Mínimo) e pelos conhecimentos de tecnologia (é colunista do caderno Link, do Estadão), o jornalista e blogueiro Pedro Doria mostra uma terceira faceta do seu trabalho no livro "Eu gosto de uma coisa errada" (Ediouro).

Trata-se de uma compilação de textos que publicou na imprensa, em grande parte relacionando sexo e internet, combinação que já praticava no blog
LAD. Apesar do tema, há muito mais do que sacanagem nas linhas. Aliás, sacanagem mesmo, tem bem pouca. São reportagens de comportamento antes de qualquer coisa.

Como observador, Pedro nos leva para conhecer histórias como a da Bruna Surfistinha (ele foi o primeiro a falar da prostituta mais famosa do Brasil e até agora o único a ir além do sensacionalismo), da comunidade naturista da Colina do Sol (RS) ou do casal voyeur Explícitos.

Como na maior parte não são escritos inéditos, pra quem acompanha Doria pode dar a sensação de repeteco. Para esses -- e para outros jornalistas -- a introdução e o encerramento, contando os caminhos profissionais que levaram Pedro até o assunto, valem a leitura.

De qualquer maneira, texto bom é que nem sexo: quando é bem feito, vale repetir.

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O assunto é o mesmo, mas Xico Sá, em seu "Catecismo de devoções intimidades & pornografias" (Editora do Bispo), faz caminho inverso ao de Pedro Doria. No pequeno livro, editado em formato miúdo, como uma bíblia de bolso, Xico externa um olhar particular sobre o sexo.

O leitor pode abrir em qualquer página, aleatoriamente, e encontrar pérolas educativas como "Não diga: 'Não é nada disso que você está pensando'. Diga: 'Junte-se a nós e sejamos felizes'.". É a versão brasileira do I Ching, o I Xinga.

Cunhando termos como "pedagogia da manga" e "suruba lounge", Xico cria uma espécie de manual sexual de instruções comportamentais. Seja lá o que isso for.

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Teatro Odisséia
Digitaldubs - lançamento do disco "Brasil Riddims Vol. 1"
participação de: Mr. Catra, BNegão, Ras Bernardo, Jimmy Luv, Funnk MC e vários outros
28 de abril (sexta)
23h
R$ 16, R$ 12 (com filipeta)

* Ampli, maio

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Melt
Festival Ampli
Todas as segundas de Maio
22h
R$ 20, R$ 15 (com filipeta)

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PROGRAMAÇÃO:

DIA 01
Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta (Salvador)
Móveis Coloniais de Acaju (Brasília)

DIA 08
Drumagick live band (São Paulo)

DIA 15
Sambramaica
Digitaldubs

DIA 22
Lasciva Lula
Branco Mello

DIA 29
Canastra
Mulheres Q. Dizem Sim

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Teatro Odisséia
Supercordas, Verbase, Luisa Mandou Um Beijo e Jess Saes + DJ Rodrigo Lariú
16 maio (terça feira)
22h
R$15, R$12 (com filipeta, após 22h), R$10 (com filiipeta, até 22h)

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Circo Voador

MC Papo Reto
MC Pipoh
Cidinho e Doca
MC Duda do Borel
Mr. Catra e os Apóstolos
Pitbull
DJ Mavi
DJ Sandrinho
DJ Sanny Pitbull
DJ Edgar

19 de maio (sexta)
22h
R$24, R$20 (com filipeta), R$12 (com carteirinha)

Filhos da...

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Filhos da Judith
foto: Moskow

O trio Filhos da Judith roubou a noite na final das eliminatórias para o festival Mada (Música Alimento da Alma) 2006. A banda ficou em segundo lugar -- o Cabaret (ex-Glamourama) faturou a disputa -- e garantiu uma vaga no evento, que acontece em Natal, em Maio.

Com um visual setentista, o trio mistura Jovem Guarda, Beatles, um tantinho de Mutantes e psicodelia, coros lembrando grupos americanos dos anos 50 e 60 e rock. O show é divertido, com boa presença de palco dos integrantes, principalmente da dupla que se reveza nos vocais.

Formado, há dois anos, por Pedro Dias (baixo e vocal), Luiz Lopes (guitarra, teclado e vocal) e Alan Fontinele (bateria), a banda ainda está crua, mas aponta um caminho interessante. Atualmente, só de sair da mesmice emocore , onipresente em boa parte das novas bandas, quase chega a ser diferencial o suficiente.

Pra baixar: "O amor é o que vale".

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Lucio Maia (Nação Zumbi) + Fernando Catatau (Cidadão Instigado) = Maquinado.

Assinado

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Depois de um longo namoro cm a Sony/BMG e uma paquera com a Warner, o Moptop finalmente assinou contrato com uma gravadora. Quem levou foi a Universal.

Se tudo cer certo, o disco terá a produção de Chico Neves ("Lado B Lado A", O Rappa; "Bloco do eu sozinho", Los Hermanos) e deve sair depois da Copa do Mundo. Algumas das músicas da demo "Moonrock" (por enquanto, ainda disponível para baixar no saite) farão parte do repertório.

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Matéria sobre Kassin e seu projeto de músicas feitas em Gameboy, o Artificial, que escrevi para revista americana de música eletrônica XLR8R.

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ARTIFICIAL INTELLIGENCE: It’s game on for Brazilian 8-Bit head Artificial.

You probably remember the days when your parents desperately asked you to turn down the volume of the TV while you were playing Nintendo. Judging from the kind of sound Kassin extracts from a simple Game Boy with his Artificial project, you can only imagine his mother suffered a lot more than the rest.

The idea behind Artificial is simple: to make music using Game Boy’s blips and beeps. Doing it is a little more complicated. Instead of turntables and a laptop, Kassin’s live PA consists of two Game Boys, a MicroKorg keyboard, and two delay pedals, all plugged to a four-channel board. This lo-fi approach comes as quite a switch for Kassin, a well-known Brazilian producer who has worked with Tropicália’s Caetano Veloso, Bebel Gilberto, and even Japanese pop stars.

All of Kassin’s gigs as Artificial are improvised, mixing pre-recorded beats with live effects to create a rough-sounding collision of electro, Miami bass, and breakbeat. Relying on heavy electronic drum sounds, some songs gravitate loosely towards house, while others could be a bed for hip-hop lyrics or point to new possibilities for baile funk.

In order to access the videogame soundbank, Kassin utilizes two specially made cartridges, which transform the toy into a synthesizer and a sequencer of 8-bit beats and noise. “I read about this LSDJ program that allowed you to program a Game Boy and I bought it online,” says Kassin. “When I talked about it to my partner, Berna Ceppas, I found out that he had just bought a similar one called Nanoloop.”

The technical limitations of such rudimentary tools are not a problem; rather, they fit perfectly with the music’s aesthetic. “Every time I feel limited by the programs, I just use something else,” says Kassin. “When I’m missing some chords, I use the keyboard. It’s the drums and the bass I like the most. I also use a laptop with some beats programmed in it, just in case–basically because the Game Boy has let me down a couple of times.”

The laptop came in handy during 2005’s Sónar festival, when his Game Boy failed. “It was great nonetheless,” recalls Kassin. “I programmed the show on the plane on the way to Spain. I had a great time at these concerts. The reactions were funny, because people didn’t expect me to sing in falsetto, for instance. And a lot of people danced.”

Released through his own label, Ping Pong, Free U.S.A. captures some of this live action. An American citizen (his father is American), the idea for the record came during a trip to the United States. “I was on a US tour with my band, +2,” explains Kassin. “It was just before the war [in Iraq] had begun. In Minneapolis there were flags with “Free Iraq” written on them in front of every house. I thought this was such ignorance–comparable to the Nazis–that I recorded an album called Free U.S.A.”

www.pingpongdiscos.com

Entrou areia

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foto: Ricardo Mello/O Globo

Contrariando qualquer previsão e as suposições feitas em cima do estereótipo do surfista (desses que pipocaram nas resenhas da passagem do cantor pelo Brasil na grande mídia), o show do Jack JoooooOOOOHNNNN... Uá, Johnson, não teve nada de tranquilo. Foi um caos. Culpa da produção desastrosa da Dream Factory, uma das piores para um show dessas proporções já vista por aqui.

O tumulto começou logo na entrada, com um afunilamento inexplicável do público e uma longa fila, cheia de furões, trazendo recordações do Maraca -- fossem os frequentadores do estádio majoritariamente loiras de 16 anos, como num episódio do seriado Laguna Beach. A saída foi igualmente tumultuada, talvez pior, coroada com um tiroteio comendo solto do lado de fora.

Não satisfeitos, os organizadores reservaram uma arquibancada inteira para VIPs de mentira que se dispuseram a pagarR$300 pelo direito de bebidas sem filas e banheiros limpas. Algo que deveria ser oferecido a todo público, taxado em R$ 100 pela chance de estar ali.

O ambiente, definitivamente, não era o ideal para um show do Jack Johnson. Seja pelo tamanho (grande demais), seja pelo tipo de construção (só cimento), a Apoteose cortou o clima intimista proposto pelo havaiano.

O som, perfeito pra ouvir quieto, relaxando, se dispersou. Uma praia, com uma divulgação menos agressiva, para menos pessoas, seria ideal, como ficou provado na canja que JJ deu em Ipanema, no domingo.

A banda não ajuda. Tá certo que a sonoridade não pede grandes músicos; o mérito está nas excelentes canções escritas por Jack Johnson, não em performances mirabolantes. Pena que os músicos não tenham entendido isso. O tecladista, fraco, se esforçava pra aparecer. Subia no piano, tocava pulando e dançando como uma chacrete, tudo na tentativa de esconder suas deficiências técnicas.

A passagem de som também não colaborou. Os instrumentos de apoio abafavam o violão de JJ, que deveria ser o principal. Um tanto frio, parecendo até desconfortável no centro das atenções, a voz de Jack Johnson saia meio sem vontade, faltando empolgação.

Houve bons momentos. O público recebeu bem as canções de seus dois primeiros discos ("Bushfire fairytales" e "On and on"), tanto quanto as do "In between dreams" (os dois últimos com produção de Mario Caldato Jr.), que catapultou JJ para o estrelato.

O cantor tocou "My doorbell" (White Stripes), fez citação a "Whole lotta love" (Led Zepellin) e arrancou urros da platéia com o corinho de "Mas que nada" (Jorge Ben). Faltou a melhor música, "Holes to heaven".

Ao final do show, a confirmação do óbvio: as ótimas canções funcionam melhor mesmo em disco.

Na amizade

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Renatinho, Nervoso e Edu Vilamaior
foto: André Nazareth

O denominador comum, pra variar, é o Acabou la Tequila, mas a amizade de Nervoso e Renato Martins transcende a banda em que tocaram juntos. A noite de quarta, no Sergio Porto, mostrou isso. Foram dois shows, de dois amigos, lançando dois clipes, um deles como parte de um contrato com uma gravadora.

Cada um à frente de um banda -- Renatinho no Canastra, Nervoso em carreira solo -- ambos trilham caminhos parecidos, cavando seu lugar e tentando viver de música.

Foi show pra pouca gente, algumas testemunhas presenciando dois nomes que merecem mais destaque. E quando esse destaque finalmente chega, como já aconteceu com outras bandas, entre os presentes fica a memória "daquele show meio vazio, antes da banda estourar" e o lembrete de porque é tão bom frequentar a cena independente e ver, antes da maioria, com todo conforto e sem empurra empurra, gente que ainda vai dar o que falar. Sem falar nas boas bandas que se perdem antes de acontecer e só alguns poucos tiveram sorte de ver.

Nervoso tocou primeiro . O bom show -- que várias vezes, dividindo o palco com outras bandas, acaba sendo muito curto -- teve duração suficiente para Nervoso mostrar músicas do seu disco de estréia, "Saudades das minhas lembranças", e adiantar algumas que estarão no próximo, como "Kit homem", "Um sonho de transatlântico" (essa com clima mais pop, tipo de música pra puxar o disco) e "Candidato a amigo".

Embora algumas músicas estejam com arranjos diferentes, algumas mais lentas, outras ressaltando mais levadas de samba, o show continua parecido com o do lançamento do disco. Houve também distribuição do primeiro "Nervozine", um fanzine no estrito significado do termo, ou seja, um informativo sobre a banda, feito por um fã, em papel xerox e distribuído gratuitamente. Fazia tempo que não se via um desses.

O Canastra, de contrato assinado com a Sony/BMG, por outro lado, mostrou um show bem diferente do que se via no ínicio da banda, mais bem amarrado e potente. Em clima de big band, o Canastra mistura rockabilly, country, rock sem perder a mão, alguns integrantes fazem cena quando não estão tocando, como os músicos responsáveis pelos metais, jogando baralho entre uma canção e outra.

No final do show, Renatinho convidou Nervoso para cantarem juntos "Bom veneno", gravada por Nervoso e com letra de Renatinho, seguida de uma versão de "Back in black" countrycore. Nervoso se jogou no palco, arrancando risos da filha de Renatinho, que assistia ao pai pela primeira vez.

"O tio Nervoso é muito louco, né filha?" , disse Renatinho. Na amizade, claro, na amizade.

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Obrigado pelas muitas alegrias.

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O título do texto não diz respeito aos conhecidos discos em que Scientist e
King Jammy disputam a coroa do dub. É uma briga de verdade mesmo.

O motivo é um processo que Scientist moveu contra a Greensleeves e no qual Jammy testemunhou contra seu compatriota. Além dos dois jamaicanos, a confusão envolve a gravadora inglesa, a Rockstar Games, telefonemas gravados e ameaças de morte.

Provando que a Jamaica é mesmo o berço da abordagem moderna em relação a música, o quiprocó se refere a -- veja só, que assunto atual -- direitos autorais, de discos produzidos na virada dos anos 70 para os 80. A questão é tão delicada, quanto é complicada.

Scientist exige da Greensleeves pagamento de direitos autorais sobre a série de discos que a gravadora lançou (clássicos como "Scientist rids the world of the evil curse of the vampires" e "Scientist meets the space invaders") e do licenciamento dessas músicas para o video game "Grand Theft Auto III", da Rockstar Games.

O lance é que, apesar do nome na capa, tecnicamente Scientist não é o autor dos discos. O que ele fez, como engenheiro de som, foi remixar as faixas a partir das fitas originais, produzidas por Junjo Lawes, compostas e tocadas por diversos músicos.

Por mais que tenha feito seu trabalho com muito estilo, Scientist não compôs as músicas ou pagou pela produção do disco, pelo contrário, foi contratado para o trabalho específico de mixar as faixas.

Acontece que "mixar as faixas" como Scientist fez (seguindo os passos de King Tubby, Lee Perry, Jammy e outros) acabou se tornando uma arte: o dub. As músicas acabam totalmente transformadas, num processo que é difícil não chamar de autoral. Não por acaso, não são os nomes dos músicos ou produtores que aparecem nas capas dos discos de dub, mas sim o dos engenheiros de som.

Se o disco não tem participação autoral do Scientist, porque o nome dele está na capa? Se ele recebeu para mixar os discos e não exigiu que autoria fosse compartilhada na época, por que cobrar isso agora? Advogados de direito autoral quebram a cabeça há um tempo, num ensaio do que pode vir acontecer quando músicas feitas a base de samples começarem a ser sampleadas.

Sente o clima e imagina o que é viajar atrás dessa galera pra fazer um documentário. Money, money, money, is the root of all evil...

Idioteque

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IBM 360/91

Segundo a boataria, o Radiohead toca no Brasil esse ano, encabeçando o TIM Festival. Tem muito fã ensandecido com a notícia por aqui, mas difícil encontrar alguém tão fissurado quanto os organizadores do fã-saite greenplastic.

Lá, além de dados básicos como discografia, fotos, tablaturas, notícias, etc, há informações detalhadas sobre cada música. Pode se descobrir, por exemplo, que o sample inconfundível da abertura de "Idioteque" foi retirado da interpretação de Paul Lansky da peça "Mild Und Leise", que foi uma das primeiras músicas feitas em computador (um IBM 360/91), em 1973, quando estes ainda ocupavam salas inteiras.

Ecoando

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Dubstrong no comando
foto: Joca Vidal

Meses após o lançamento do excelente "Tempo vai dizer", finalmente o Echo Sound System aportou no Rio para lançar o disco. O Fosfobox ficou cheio para conferir os paulistas ao vivo.

A noite começou com o reggae dos DJs do Urcasônica SS e emendou num set de dancehall suingado de Pedrinho Dubstrong antes de desembocar na apresentação do ESS. A abertura mostrou parte da linha evolutiva do conjunto. O hip hop, outro elemento importante na sonoridade, ficou pro encerramento, com o DJ Tamempi.

É no cruzamento dessas influências -- entre o reggae e o hip hop -- que o ESS atua. Dub hop, como dizem alguns. Ao vivo, o trio Dubstrong, Gustavo Sola e Veiga (do Veiga & Salazar) se multiplica, como faz no disco, através das participações dos MCs.

Os MCs Jimmy Luv, Funk Buia, Junior Dread e Arcanjo, todos com excelente presença de "palco" (era uma pista de dança, né), se dividiram nos vocais, como no disco. Até o jamaicano General Smiley participava, mesmo que pré-gravado.

Problemas técnicos nos microfones forçaram o trio de produtores a disparar, além do arsenal de efeitos, vocais gravados também de alguns dos MCs presentes, sem atrapalhar a apresentação.

O som tem peso, balanço e nuances suficientes pra empurrar a pista de uma boate, coisa difícil pra grupos de reggae. Ainda assim, seria interessante ver o Echo Sound System virar uma banda. Pode ser questão de tempo até isso acontecer.

De má notícia, só o que se leu no jornal no dia seguinte, sobre a possível venda do Fosfobox. Mais uma casa fechando e o Rio indo pra vala... O problema não pode ser concorrência, a noite carioca está desértica nesse sentido. Mais sobre isso, logo mais.

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Circo Voador
Easy Star All Stars apresenta Dub Side of the Moon
abertura: Urcasônica, Chico Dub, Sensorial Sistem de Som e Sozalesdub
13 de maio (sábado)
22h
R$40, R$20 (meia-entrada)

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