novembro 2005 Archives

Claro q é Rock

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Iggy Pop
foto: divulgação

Mini-resenhas, só pra não passar em branco.

Cachorro Grande – De terno preto e primeira banda da escalação oficial a tocar, a cachorrada segurou a onda muito bem no enorme palco. Misturam músicas dos três discos, com direito a uma sessão de improviso (no show do Rio), encerrando com "Helter Skelter", dos Beatles. Mais tarde, quando Iggy convovou, subiram no palco junto com o público e tocaram o zaralho por lá. O caminho é longo, mas a pista continua totalmente livre pro Cachorro Grande.

Good Charlotte – A banda da vez da geração MTV lotou os shows do Rio e de São Paulo de adolescentes com os rostos pintados e roupas iguais as dos integrantes do grupo. A histeria tomou conta e os gêmeos Joel e Benji Madden fizeram uma pá de meninas desmaiar, chorar e se descabelar, no melhor estilo Menudos. Apear do som meio sem sal, igual a qualquer outra banda de pop rock dessas por aí, a performance de palcos dos caras é bem boa.

Nação Zumbi – A melhor banda do Brasil, disco após disco. Precisa dizer mais alguma coisa?

Fantômas – O ex-vocalista do Faith no More, Mike Patton, dessa vez chegou por aqui a frente do seu projeto de metal experimental, o Fantômas. Acompanhado pelo guitarrista Buzz Osbourne (do Melvins), do baterista Terry Bozzio (Frank Zappa) e o baixista Trevor Dunn (Mr. Bungle), Patton, atrás de teclados, pedais e um laptop, domou a multidão, que de maneira até surpreendentemente, aceitou bem o som do Fantômas.

Flaming Lips – As meninas adoraram e os rapazes se divertiram na apresentação da banda de Wayne Coyne, que mostrou que shows de rock não dependem somente de pirotecnias e show de luzes para ser visualmente interessante. Acompanhado por bonecos de pelúcia, balões, marionetes e teclados de brinquedo, Wayne conquistou o público com a versão de "Bohemina raphsody", do Queen, e "Warpigs", do Black Sabbath, além claro, das músicas próprias do Flaming Lips, como "She don't use jelly" e "Yoshimi".

Iggy & The Stooges – Histórico. Uma aula de atitude rock 'n' roll, ministrada durante clássicos como "No fun", "I wanna be your dog" e "1969". Sem camisa e fora de controle, Iggy convidou a platéia a subir no palco, quebrou microfones e honrou o nome dos Stooges. Talvez o único show do festival que foi melhor no Rio do que em São Paulo.

Sonic Youth – O do Rio é melhor nem comentar. Teve metade da duração do de São Paulo, com a banda visivelmente irritada com os atrasos do festival. Na terra da garoa foi outro papo, show longo, repleto de clásicos como "Teenage Riot", "PCH" e "Bull in the heather".

Nine Inch Nails – Trent Reznor, o líder do NIN, fez sua carreira misturando rock industrial com eletrônica. Por aqui o show não foi diferente. Ainda que no palco a banda tenha acessos de fanfarronice semi-poser, o som é de uma pressão absurda. No Rio os fãs esperaram até as 4 da matina pra ouvir "Head like a hole", a bela "Hurt" (regravada por Johny Cash), "Closer" e "Hand that feeds". Valeu a pena.

Cartolas – Os gaúchos mostraram seu rock de referências retrô e fez um show interessante, faturando o concurso e como prêmio uma van e uma gravação no estúdio Toca do Bandido. Ou seja, se tudo der errado, eles podem fazer lotação.

Claro q é Rock

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Iggy Pop
foto: divulgação

Mini-resenhas, só pra não passar em branco.

Cachorro Grande – De terno preto e primeira banda da escalação oficial a tocar, a cachorrada segurou a onda muito bem no enorme palco. Misturam músicas dos três discos, com direito a uma sessão de improviso (no show do Rio), encerrando com "Helter Skelter", dos Beatles. Mais tarde, quando Iggy convovou, subiram no palco junto com o público e tocaram o zaralho por lá. O caminho é longo, mas a pista continua totalmente livre pro Cachorro Grande.

Good Charlotte – A banda da vez da geração MTV lotou os shows do Rio e de São Paulo de adolescentes com os rostos pintados e roupas iguais as dos integrantes do grupo. A histeria tomou conta e os gêmeos Joel e Benji Madden fizeram uma pá de meninas desmaiar, chorar e se descabelar, no melhor estilo Menudos. Apear do som meio sem sal, igual a qualquer outra banda de pop rock dessas por aí, a performance de palcos dos caras é bem boa.

Nação Zumbi – A melhor banda do Brasil, disco após disco. Precisa dizer mais alguma coisa?

Fantômas – O ex-vocalista do Faith no More, Mike Patton, dessa vez chegou por aqui a frente do seu projeto de metal experimental, o Fantômas. Acompanhado pelo guitarrista Buzz Osbourne (do Melvins), do baterista Terry Bozzio (Frank Zappa) e o baixista Trevor Dunn (Mr. Bungle), Patton, atrás de teclados, pedais e um laptop, domou a multidão, que de maneira até surpreendentemente, aceitou bem o som do Fantômas.

Flaming Lips – As meninas adoraram e os rapazes se divertiram na apresentação da banda de Wayne Coyne, que mostrou que shows de rock não dependem somente de pirotecnias e show de luzes para ser visualmente interessante. Acompanhado por bonecos de pelúcia, balões, marionetes e teclados de brinquedo, Wayne conquistou o público com a versão de "Bohemina raphsody", do Queen, e "Warpigs", do Black Sabbath, além claro, das músicas próprias do Flaming Lips, como "She don't use jelly" e "Yoshimi".

Iggy & The Stooges – Histórico. Uma aula de atitude rock 'n' roll, ministrada durante clássicos como "No fun", "I wanna be your dog" e "1969". Sem camisa e fora de controle, Iggy convidou a platéia a subir no palco, quebrou microfones e honrou o nome dos Stooges. Talvez o único show do festival que foi melhor no Rio do que em São Paulo.

Sonic Youth – O do Rio é melhor nem comentar. Teve metade da duração do de São Paulo, com a banda visivelmente irritada com os atrasos do festival. Na terra da garoa foi outro papo, show longo, repleto de clásicos como "Teenage Riot", "PCH" e "Bull in the heather".

Nine Inch Nails – Trent Reznor, o líder do NIN, fez sua carreira misturando rock industrial com eletrônica. Por aqui o show não foi diferente. Ainda que no palco a banda tenha acessos de fanfarronice semi-poser, o som é de uma pressão absurda. No Rio os fãs esperaram até as 4 da matina pra ouvir "Head like a hole", a bela "Hurt" (regravada por Johny Cash), "Closer" e "Hand that feeds". Valeu a pena.

Cartolas – Os gaúchos mostraram seu rock de referências retrô e fez um show interessante, faturando o concurso e como prêmio uma van e uma gravação no estúdio Toca do Bandido. Ou seja, se tudo der errado, eles podem fazer lotação.

Automaticamente vivo

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Dia desses presenciei uma performance do programa Ableton Live 5. É um dos favoritos de artistas de música eletrônica que se apresentam ao vivo nos chamados live PA. A capacidade do programa esticar, alterar e adaptar os samples, sem nunca sair do tempo, de maneira automática, é espantosa.

Como também é de espantar imaginar que uma pessoa sem muito conhecimento técnico ou musical pode meter a mão ali e sair fazendo música. Como toda ferramenta, em mãos erradas é um pulo pra picaretagem.

Automaticamente vivo

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Dia desses presenciei uma performance do programa Ableton Live 5. É um dos favoritos de artistas de música eletrônica que se apresentam ao vivo nos chamados live PA. A capacidade do programa esticar, alterar e adaptar os samples, sem nunca sair do tempo, de maneira automática, é espantosa.

Como também é de espantar imaginar que uma pessoa sem muito conhecimento técnico ou musical pode meter a mão ali e sair fazendo música. Como toda ferramenta, em mãos erradas é um pulo pra picaretagem.

Vida bandida

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Nos EUA, onde existe publicações a respeito de qualquer coisa, até os bandidos tem a sua revista especializada, a Don Diva.

Vida bandida

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Nos EUA, onde existe publicações a respeito de qualquer coisa, até os bandidos tem a sua revista especializada, a Don Diva.

Bomba

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"Foi uma verdadeira cena de terror. Um dos piores momentos que já passei na minha vida. As pessoas pulavam pelas janelas, apavoradas".

Enquanto a imprensa, doida por um assunto novo, se coça pra não usar o termo "atentado terrorista" para definir o ataque com coquetéis molotov de traficantes a um ônibus no subúrbio carioca, impressiona a declaração acima de uma das sobreviventes.

"UM dos piores dias"? Resta imaginar os outros.

Bomba

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"Foi uma verdadeira cena de terror. Um dos piores momentos que já passei na minha vida. As pessoas pulavam pelas janelas, apavoradas".

Enquanto a imprensa, doida por um assunto novo, se coça pra não usar o termo "atentado terrorista" para definir o ataque com coquetéis molotov de traficantes a um ônibus no subúrbio carioca, impressiona a declaração acima de uma das sobreviventes.

"UM dos piores dias"? Resta imaginar os outros.

A raiz do problema

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O ® conta como a Sony vem se enraizando em computadores mundo afora através de programas que se auto executam escondidos nos discos da gravadora.

A raiz do problema

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O ® conta como a Sony vem se enraizando em computadores mundo afora através de programas que se auto executam escondidos nos discos da gravadora.

Sacal?

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Sacal?

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Tramando

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mombotrama.jpg

De contrato assinado com a Trama, o septeto Mombojó preparam o segundo disco. A produção ficou a cargo de Ganjaman, do Instituto, e de Lúcio Maia, guitarrista da Nação Zumbi. Kassin foi cotado pra produzir algumas faixas, mas o acerto acabou não acontecendo.

Tramando

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De contrato assinado com a Trama, o septeto Mombojó preparam o segundo disco. A produção ficou a cargo de Ganjaman, do Instituto, e de Lúcio Maia, guitarrista da Nação Zumbi. Kassin foi cotado pra produzir algumas faixas, mas o acerto acabou não acontecendo.

Retrô

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craft.jpg

Blackalicious ataca novamente. A capinha estilosa agrada todo mundo. As incursões pelo r&b e sonoridades mais pop, nem tanto.

Retrô

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Blackalicious ataca novamente. A capinha estilosa agrada todo mundo. As incursões pelo r&b e sonoridades mais pop, nem tanto.

Ecos Jamaicanos

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1130770639_f.jpg

Abaixo, o release que escrevi para o disco de estréia do Echo Sound System.

----------------

Formado pelos produtores Pedro Dubstrong (DJ da Chocolate Crew e conhecido por suas mixtapes), Gustavo Sola e pelo o multi-instrumentista Gustavo Veiga (metade da dupla Veiga & Salazar), o Echo Sound System não é (mais) uma banda de reggae, nem é apenas um grupo de hip hop; é um coletivo de produção com raiz nas vertentes jamaicanas, mesclando diversas influências.

“Do centro de SP mandando ver pro mundo inteiro / freqüências e efeitos em estéreo brasileiro”, diz Jimmy Luv em “Todos um”.

O trio apresenta suas intenções logo no nome. Inspirado na cultura dos sound systems e ecoando diversos estilos da música jamaicana, o Echo Sound System utiliza a tecnologia para promover o reencontro do reggae e do rap, dois gêneros nada distantes (afinal, os rappers são descendentes diretos dos toasters jamaicanos). De quebra, mostra como são extensos os espectros tanto do hip hop, quanto da música produzida na ilha enfumaçada.

O disco de estréia, “Tempo vai dizer” (ST2 Records), mixado por Ganja Man e Tejo (Instituto), combina esses vários estilos. Vai do rocksteady de “Só d’eu ver(de)” ao dancehall de “Vampire”, passando pelo dub (“Supamind dub”), pelo reggae (“Pas tester”), pelo rub-a-dub (“I & I”) até o hip hop (“Punanny”). Além de Veiga, responsável pelo violão, baixo, teclados, flauta e escaleta, o baixista Gema e o saxofonista Andres Salazar também tocam no disco.

Conhecer os sound systems jamaicanos é fundamental para compreender a importância do reggae para música mundial. Desde os tempos do ska, nos anos 50, até o dancehall dos dias de hoje, todas as noites, em alguma esquina de Kingston, potentes aparelhagens de som são montadas para animar festanças gratuitas ao ar livre. Essas festas ambulantes são a mais respeitada forma de propagação musical na Jamaica, servindo de campo de testes para novas músicas e cantores.

Naturalmente, há um espírito competitivo entre os sound systems para ver quem sai na frente nos lançamentos. Não por acaso, foi um jamaicano, o DJ Kool Herc, quem primeiro botou caixas de som nas ruas do Bronx. Depois vieram Grandmaster Flash, Afrika Bambaataa e o resto é história.

Apesar do respeito pelo passado, “Tempo vai dizer” não soa retrô. A produção caprichada atualiza as referências, misturando umas as outras, resultando num som original.

“Echo Sound System, raiz com futuro”, como é dito na faixa “Pas tester”.

Isso fica claro nas espertas programações de bateria, nos timbres diferenciados e nas ambiências viajantes. Outro diferencial é o bom uso de efeitos diretamente emprestados do dub (como delays, ecos e reverbs), sem nunca soar exagerados ou fora de propósito. Os efeitos estão em todo o disco e não apenas em faixas como “Bom filho” e “Kaya monkeys (safari dub)”, onde a influência de dubmasters como Scientist fica óbvia.

As batidas de hip hop são sustentadas por linhas de baixo (“Leão de asas”) ou por samples de bateria de reggae setentista (“Pas tester”). Os reggaes, por sua vez, seguem o caminho inverso, aceitando elementos do rap. Os MCs Funk Buia (Z’África Brasil), Jimmy Luv e Arcanjo (Enganjaduz) e o francês Pyroman (Assassins), se revezam nos vocais, variando entre o discurso social, o divertido e o espiritual.
“Todos um”, um hip hop com um pé no dancehall, que já havia sido lançada em um compacto de vinil, em 2004, conta com Funk Buia no microfone. “Só d'eu ver(de)” estava no lado b da mesma bolacha, prensada no clássico formato 7 polegadas dos lançamentos jamaicanos. Enquanto Arcanjo dá “um minuto pra explodir” na potente “Inna babylon”, Jimmy Luv despeja sinceridade na quebradeira de “Replay”.

Na Jamaica, é comum diversos cantores fazerem versões da mesma música, criando novas letras e melodias utilizando bases musicais idênticas, lá chamadas de riddim. Seguindo essa tradição, em “Original style” Pyroman canta sobre “Stalag”, riddim eternizado por “Bam bam”, na versão de Sister Nancy.

Além dos colaboradores regulares do Echo, o jamaicano General Smiley, integrante da dupla Michigan & Smiley (conhecida por hits do dancehall do começo dos anos 80, como “Diseases” e “Rub a dub style”), também está em “Tempo vai dizer”. Mesmo sem intenção, a mistura de línguas internacionalizou o som, o que pode abrir uma frente para o Echo Sound System no exterior.

General Smiley conheceu o Echo Sound System através da página do grupo no saite My Space (www.myspace.com/echosoundsystem) e fez toda sua participação à distância. Sua parceria, de rachar o coco, com Funk Buia em “Rookie rock” (produzida em conjunto com o suíço Romanowski, do coletivo Future Primitive Sounds), é um dos destaques do disco. Na edição especial em vinil, a música ganhou um remix do Turbo Trio, projeto paralelo de BNegão, Tejo e Alexandre Basa.

Após 21 faixas, “Tempo vai dizer” não cansa. “Favorite song” encerra o disco num astral tão bom que faz o ouvinte desejar que as vinhetas fossem músicas completas, só pra ter mais um gostinho. Ou então, que o CD fosse um vinil, pra poder virar o lado e continuar escutando.

Ecos Jamaicanos

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Abaixo, o release que escrevi para o disco de estréia do Echo Sound System.

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Formado pelos produtores Pedro Dubstrong (DJ da Chocolate Crew e conhecido por suas mixtapes), Gustavo Sola e pelo o multi-instrumentista Gustavo Veiga (metade da dupla Veiga & Salazar), o Echo Sound System não é (mais) uma banda de reggae, nem é apenas um grupo de hip hop; é um coletivo de produção com raiz nas vertentes jamaicanas, mesclando diversas influências.

“Do centro de SP mandando ver pro mundo inteiro / freqüências e efeitos em estéreo brasileiro”, diz Jimmy Luv em “Todos um”.

O trio apresenta suas intenções logo no nome. Inspirado na cultura dos sound systems e ecoando diversos estilos da música jamaicana, o Echo Sound System utiliza a tecnologia para promover o reencontro do reggae e do rap, dois gêneros nada distantes (afinal, os rappers são descendentes diretos dos toasters jamaicanos). De quebra, mostra como são extensos os espectros tanto do hip hop, quanto da música produzida na ilha enfumaçada.

O disco de estréia, “Tempo vai dizer” (ST2 Records), mixado por Ganja Man e Tejo (Instituto), combina esses vários estilos. Vai do rocksteady de “Só d’eu ver(de)” ao dancehall de “Vampire”, passando pelo dub (“Supamind dub”), pelo reggae (“Pas tester”), pelo rub-a-dub (“I & I”) até o hip hop (“Punanny”). Além de Veiga, responsável pelo violão, baixo, teclados, flauta e escaleta, o baixista Gema e o saxofonista Andres Salazar também tocam no disco.

Conhecer os sound systems jamaicanos é fundamental para compreender a importância do reggae para música mundial. Desde os tempos do ska, nos anos 50, até o dancehall dos dias de hoje, todas as noites, em alguma esquina de Kingston, potentes aparelhagens de som são montadas para animar festanças gratuitas ao ar livre. Essas festas ambulantes são a mais respeitada forma de propagação musical na Jamaica, servindo de campo de testes para novas músicas e cantores.

Naturalmente, há um espírito competitivo entre os sound systems para ver quem sai na frente nos lançamentos. Não por acaso, foi um jamaicano, o DJ Kool Herc, quem primeiro botou caixas de som nas ruas do Bronx. Depois vieram Grandmaster Flash, Afrika Bambaataa e o resto é história.

Apesar do respeito pelo passado, “Tempo vai dizer” não soa retrô. A produção caprichada atualiza as referências, misturando umas as outras, resultando num som original.

“Echo Sound System, raiz com futuro”, como é dito na faixa “Pas tester”.

Isso fica claro nas espertas programações de bateria, nos timbres diferenciados e nas ambiências viajantes. Outro diferencial é o bom uso de efeitos diretamente emprestados do dub (como delays, ecos e reverbs), sem nunca soar exagerados ou fora de propósito. Os efeitos estão em todo o disco e não apenas em faixas como “Bom filho” e “Kaya monkeys (safari dub)”, onde a influência de dubmasters como Scientist fica óbvia.

As batidas de hip hop são sustentadas por linhas de baixo (“Leão de asas”) ou por samples de bateria de reggae setentista (“Pas tester”). Os reggaes, por sua vez, seguem o caminho inverso, aceitando elementos do rap. Os MCs Funk Buia (Z’África Brasil), Jimmy Luv e Arcanjo (Enganjaduz) e o francês Pyroman (Assassins), se revezam nos vocais, variando entre o discurso social, o divertido e o espiritual.
“Todos um”, um hip hop com um pé no dancehall, que já havia sido lançada em um compacto de vinil, em 2004, conta com Funk Buia no microfone. “Só d'eu ver(de)” estava no lado b da mesma bolacha, prensada no clássico formato 7 polegadas dos lançamentos jamaicanos. Enquanto Arcanjo dá “um minuto pra explodir” na potente “Inna babylon”, Jimmy Luv despeja sinceridade na quebradeira de “Replay”.

Na Jamaica, é comum diversos cantores fazerem versões da mesma música, criando novas letras e melodias utilizando bases musicais idênticas, lá chamadas de riddim. Seguindo essa tradição, em “Original style” Pyroman canta sobre “Stalag”, riddim eternizado por “Bam bam”, na versão de Sister Nancy.

Além dos colaboradores regulares do Echo, o jamaicano General Smiley, integrante da dupla Michigan & Smiley (conhecida por hits do dancehall do começo dos anos 80, como “Diseases” e “Rub a dub style”), também está em “Tempo vai dizer”. Mesmo sem intenção, a mistura de línguas internacionalizou o som, o que pode abrir uma frente para o Echo Sound System no exterior.

General Smiley conheceu o Echo Sound System através da página do grupo no saite My Space (www.myspace.com/echosoundsystem) e fez toda sua participação à distância. Sua parceria, de rachar o coco, com Funk Buia em “Rookie rock” (produzida em conjunto com o suíço Romanowski, do coletivo Future Primitive Sounds), é um dos destaques do disco. Na edição especial em vinil, a música ganhou um remix do Turbo Trio, projeto paralelo de BNegão, Tejo e Alexandre Basa.

Após 21 faixas, “Tempo vai dizer” não cansa. “Favorite song” encerra o disco num astral tão bom que faz o ouvinte desejar que as vinhetas fossem músicas completas, só pra ter mais um gostinho. Ou então, que o CD fosse um vinil, pra poder virar o lado e continuar escutando.

Riddim

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cover02-05.0.jpg

Após anos publicada em alemão, a revista Riddim finalmente ganhou uma versão em inglês. O primeiro número estampou Jah Cure na capa, o segundo traz Damian "Welcome to Jamrock" Marley e seu irmão, Stephan Marley.

Riddim

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Após anos publicada em alemão, a revista Riddim finalmente ganhou uma versão em inglês. O primeiro número estampou Jah Cure na capa, o segundo traz Damian "Welcome to Jamrock" Marley e seu irmão, Stephan Marley.

XLR8R, nov/2005

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capa_xlr8r_nov2005.jpg

Matéria sobre o Nego Moçambique que escrevi para revista americana de música eletrônica XLR8R.

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Nego Moçambique
Sweating it out with Brasilia's dancefloor powerhouse.

With only one sefl-titled record to his name (on the Segundo Mundo label), inventive Brazilian producer Nego Moçambique (the alias of 32-year-old Marcelo Martins) has already played at Barcelona’s Sonar festival and Montreal’s MUTEK, and in Paris and London. But he didn’t have to travel that far to catch DJ Hell’s attention. The head of Gigolo Records saw Moçambique live in Rio last February, and was blown away.

“He sounds like a mixture between Kraftwerk and Green Velvet with a Brazilian touch,” Hell told local newspaper O Globo. “He uses very few thing on stage, but makes an incredible sound and has tremendous presence. Everything he played in two hours was excellent. He can be big, if he wants to.”

“I noticed this guy, clearly a foreigner, paying attention,” says Moçambique, when asked about the gig. “Suddenly, my mixer malfunctioned and this person not only showed me what was going on, but fixed it. I thought, ‘What a nice gringo!’ Turns out it was DJ Hell. We exchanged emails and we have been taliking about doing something for his label. It’s funny because he liked exactly the songs I didn’t think were the best ones.”

A music student, Moçambique never considered becoming a DJ. Living in the country’s capitol, Brasília, he wanted to create his own sound. “Because Braslília is for from the so-called Rio/São Paulo cultural axis, things were more amateur and I had more liberty to experiment,” he explains. “DJs have gotten really specific [these days]. This segmentation has transformed styles into ghettos.”

Using only hardware, Moçambique started prodducinga with a Boss DR-5 drum machine and an Emu Morpheus synthesizer. These days, his live PAs are achieved with a and MPC 1000 sampler, a Virus C synthesizer and a a Fatman valve compressor, all plugged into a eight-channel board. The thing that hasn’t changed is his sound, wich evades genre callifications even as it references black music, baile funk, Afrobeat, electro, house and breakbeat. In his propulsive, minimal tracks, Moçambique samples everything from Gilberto Gil to Barrington Levy and Prince, but never in an obvious way.

“I say I make funk music with a Brazilian accent, but there’s also other influences,” Moçambique offers. “When I’m making music I try to balance somethig for every mood, stuff that everyone can dance to.” Instead of trying to emulate whatever is the newest trend abroad, he fuses his own references and makes his onwn parameters. “Music is made of what you live,” he declares. “you have a daughter, you’re crazy for you wife, the day is beautiful, you’re feeling good… I make music about that.”

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