dezembro 2004 Archives

Esse ano não vai ter essa balela de lista de melhores do ano com trocentas categorias no URBe. Minha memória é péssima, a cronológica então, pior ainda. Não presto pra fazer essas listas, embolo as datas, é um desastre.

Pra simplificar, sem pensar muito, alguns destaques (com links) nas duas categorias indicadas no título. Depois, três apostas para 2005. Quem for concordando, discordando e lembrando de mais coisas, participe nos comentários.

Alegrias

Tributo à Coxsone Dodd, na JAMAICA!
Mombojó, no Ballroom
Mad Professor no Circo Voador
Los Hermanos, na Fundição Progresso
Chemical Brothers, em São Paulo (acompanhado é sempre melhor)
Kill Bill
BB King, na Marina da Glória
Acabou la Tequila, no HPP
China, no HPP
Lucas Santtana, no Dulcina
Nego Moçambique, no Fosfobox
Basement Jaxx, no Skol Beats
Manu Chao, participando do show do Reggae B, no Circo Voador
Del Rey, no Teatro Odisséia
Festa de lançamento do URBe no Gardenal, no 00
Dub Echoes e suas várias viagens
Babylon by Gus, o ano do macaco vol. 1, o disco
Mr. Catra e os Apóstolos, na Vila Mimosa
Gregory Isaacs, em Juiz de Fora

Tristezas

Massive Attack, no Via Funchal (SP)
Lemonheadzzz, no Ballroom
TIM Fest, no Rio e em SP
Scissor Sisters, no Creamfields UK
The Doors of the 21st Century (fecha a porta! fecha!)
O esvaziamento cultural do Rio
Perder o Pixies em Curitiba
Bush de novo

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Claramente, mais coisas boas do que ruins. 2004 foi um bom ano, na música e no URBe. O saite cresceu, ganhou mais visibilidade, pavimentando o caminho para quando finalmente a convergência de mídias chegar.

Já que estamos aqui, três apostas fáceis, barbadas. Três nomes. Um que surgirá, um pra estourar e outro pra continuar por aí no ano que vem:

Mombojó - O septeto pernambucano chegou abrindo espaço e rapidamente conquistou o seu lugar. O excelente "Nadadenovo" conquistou uma legião de fãs, todos secos para ouvir o que mais vai sair da cabeça dessa mulecada do Recife. Melhor surpresa de 2004, o Mombojó tem tudo pra se firmar em 2005. Basta manter o nível e seguir a risca o título do primeiro disco.

Nervoso - André Paixão, o Nervoso, não é exatamente uma novidade no circuito underground carioca. Com passagens pelas baquetas do Acabou la Tequila, Beach Lizards e Autoramas, taí há um tempo. O lance é que o cara cansou de ficar escondido atrás de pratos e caixas e ton-tons, deu um passo a frente e lançou o ótimo "Saudades das minhas lembranças", se revelando um front man dos bons. Assim como o próprio disco, que leva umas três, quatro audições pra descer direito, Nervoso aos poucos vai chamando mais e mais atenção. Em 2005 um nome pra acompanhar de perto.

Moptop - Mesmo parecendo demais com Strokes, Franz Ferdinand e com um vocal de timbre "Amarante rouco", os cariocas do Moptop devem crescer. Por que? Exatamente por tudo isso. O público não é mesmo chegado a muita novidade, prefere referências fáceis, próximas. E disso o Moptop tá cheio. O grupo faz um pop rock esperto, com qualidade. Ninguém nasce pronto, com certeza com o tempo eles encontrarão o próprio caminho. Relatos dão conta de que Chico Neves (produtor do "Bloco do eu sozinho", "Lado B Lado A", entre outros) produz o disco. O chiclete "O rock acabou" vai martelar muito seu ouvido em 2005.

bônus

O dub sai da toca - Já botou a cabeça pra fora, isso todo mundo viu. Nunca o gênero teve tanta exposição por aqui. No entanto isso não significa que teremos diversos revivals dos clássicos setentistas. Lentamente o gênero vai se infiltrando em outros estilos, aparecendo de maneiras mais sutis, se fortalecendo como elemento, não apenas como influência. No Brasil isso fica cada vez mais óbvio. É um processo sem volta.

Obrigado a vocês, meus quatro leitores, que fazem valer a pena continuar escrevendo aqui. Bom 2005 e vamo que vamo!

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foto: Carol Mariotto

Resenha do URBe TV, para o Rio Fanzine Online (O Globo).

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Gregory Isaacs no Brasil

Ganhar uma segunda chance, em qualquer coisa, é raro. Nesse quesito, no entanto, 2004 até agora tem sido generoso. Quem havia perdido as visitas anteriores de Massive Attack e Kraftwerk, teve outra oportunidade de conferir esses shows. Com o ano acabando, mais um nome fundamental dentro do seu gênero voltou ao Brasil: Gregory Isaacs.

Ao contrário dos dois primeiros, o Cool Ruler superou sua visita anterior. A medida que a turnê avançava, os comentários positivos sobre as apresentações de Gregory Isaacs pelo Brasil iam se acumulando. Recife, Salvador, São Paulo, por onde passava o rei do Lovers Rock (vertente romântica do ritmo jamaicano, o que lhe rendeu o apelido de Roberto Carlos do reggae por aqui) ia desfazendo a má impressão deixada na sua última passagem, quando ficou devendo uma atuação digna de sua história.

No entanto, 2004, o ano do repeteco, não ajudou os cariocas. O Rio ficou de fora de boa parte dos grande eventos que agitaram outros estados e com Gregory Isaacs não foi diferente. Para quem enxergou essa vinda como uma chance imperdível de ajustar as contas com o passado, restou ir para Juiz de Fora, em Minas Gerais, o mais perto que o jamaicano chegou do Rio.

O povo de Juiz de Fora, solícito e gente boa, compareceu ao Free Hits, mas não lotou o lugar. Antes do show começar, os DJs do Urcasônica (que abriu a noite, botando som antes do Grave!) ouviram até pedidos para tocar umas musiquinhas do Gregory. "Pra gente ir conhecendo", explicou o rapaz.

Nem precisou. Acompanhado pela boa banda brasileira Leões de Israel, Isaacs entrou no palco depois das 3h da manhã e em três músicas todo mundo, conhecendo ou não, estava dançando. De terno branco, blusa preta e boné do NY Yankees, a voz saia limpinha, tal e qual nos discos.

A primeira foi "Number One" e depois o velhinho enfileirou hits como "My only lover", "Front Door", "Soon Forward", "Slave Master", a clássica "Night Nurse", "Raggamuffin", "Love is Overdue", fora a citação a "People are you ready", do Tappa Zukie. Repertório pra agradar qualquer um.

Conforme o transcorrer do show, Gregory foi ficando mais à vontade. Primeiro tirou o terno, depois abriu a blusa. Não demorou muito e já tava chamando uma menina pra subir no palco. A garota ficou cinco minutos lá em cima enquanto um amigo tentava tirar uma foto. No meio do show. Ninguém reclamou.

Se ele tivesse cantado uma música já teria valido a pena, só por ver uma lenda do reggae ao vivo. Foi bem mais do que isso. Quem perdeu, reze à Jah por uma terceira chance. Essas, porém, costuma ser bem mais difíceis.

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