julho 2004 Archives

hip hop x dub

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Encerrando a mini-temporada do Digital Dubs na Matriz, ontem foi a vez do Quinto Andar fazer sua participação. Ao invés da tradicional trupe, o grupo se apresentou em versão reduzida; apenas Shawlin, De Leve, o trompetista Pedro e o DJ Castro.

Antes e depois do show, Nelson Meirelles e MPC mandaram ver num set com músicas como "Happiness", do Black Uhuru (em versão produzida por Gussie P.), "Baby I love you so", do Jacob Miller e "Liberation dub", do Groove Corporation. O DJ Castro também botou som antes de tocar com o Quinto Andar, abrindo o set com a bambástica "Bam bam", da Sister Nancy.

A exemplo do Echo SS, o destaque do show foi mesmo o instrumental. Até porque na Matriz o som na ajuda e, quem não conhecia as letras de "Largado" ou "Babilônia Teima", continuou sem conhecer. As bases estão bem chapadas, com graves pesadões escancarado as sutis inclinações jamaicanas do grupo, principalmente em direção ao nu roots e ao dancehall. Em algumas músicas, as bases eram de discos de reggae mesmo, como o riddim "Stalag" (o mesmo de "Bam Bam").

A pista balançou a noite inteira, o que leva a pergunta: quando teremos uma noite semanal dedicada aos ritmos jamaicanos na cidade!? Tá cheio de dj bacana pra tocar e -- a julgar pela quantidade de gente presente nos eventos da maratona regueira dessa semana -- tem público também.

O Quinto Andar promete disco para outubro, dizem por aí que sai pela OutraCoisa, do Lobão. Segundo De Leve, no repertório estão incluídos dois funk, dois raggas e até um dub. Deve vir coisa boa.
Posted by bnatal at 04:54 PM | Comments

A revanche

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Depois do set esquisito antes do show do Massive Attack em São Paulo, o DJ Pedrinho Dubstrong teria que se esforçar muito para fazer valer o apelido. Ontem, com o seu Echo Sound System, foi o dia de ir à forra.

Pela primeira vez no Rio, lançando o compacto "Todos um" (ST2 Records), Dubstrong honrou o nome logo no começo da noite. Antes da apresentação do Echo SS, ele fez um bom set de dub dos anos 80 pra não deixar dúvidas quanto suas predileções.

Dubstrong é muito mais um dj de hip hop que gosta (muito) de dub do que o contrário. Isso explica sua preferência por produções de gente como Scientist (ex-"estagiário" do King Tubby) ou Bullwackie, com baterias secas, linhas de baixo repetitivas e os primeiros efeitos eletrônicos. A coleção de clássicos dos anos 70 exibida no seu fotolog, segundo ele, são mais para ouvir em casa ou tocar em festas específicas de reggae.

A sonoridade do Echo SS, no entanto, é mais eclética, indo do rocksteady ao hip hop, passando pelo dub e pelo ragga. Além de Pedrinho, a formação original conta ainda com Gustavo Veiga (do grupo Veiga & Salazar), Pyroman (ex-MC do grupo frances Assassin) e Gustavo Sola. Os MCs Jimmy Luv e Funk Buia passeiam pelas bases criadas pelo grupo, misturando trechos de vinis com programações próprias. Apesar da competência dos vocais, o destaque são mesmo os momentos mais chapadões.

Numa semana em que o dub está dominando a cidade (hoje ainda tem Digital Dubs na Matriz e amanhã tem Reggae B no Circo Voador), a volta pra casa não podia ser melhor. As 2h da manhã, na Transamérica (na Transamérica!), tocou uma versão da Kris Kelly para "Uptown top rankin'", da dupla Althea & Donna, música atualmente estouradaça na Jamaica. Sintomático.
Posted by bnatal at 05:36 PM | Comments (11)

Colaboração

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Nessa sexta-feira estréia Farenheit 9/11, o novo filme de Michael Moore. Enquanto isso, Antonio Engelke manda a letra sobre os métodos de guerrilha do cineasta.

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O suburbano do Kentucky

Os críticos brasileiros torcem o nariz para Michael Moore. Em geral, o resumo dos artigos sobre ele é o seguinte: respeita-se o sucesso de seus filmes, mete-se o pau em seu método. Acusam-no de panfletário, fanfarrão, manipulador e superficial -- com alguma razão, aliás. Mas os críticos se esquecem de que o público-alvo de seus documentários não é a elite brasileira ou européia: é o americano médio. E o americano médio não prima pela inteligência.

Michael Moore é panfletário, fanfarrão, manipulador e superficial -- e também dono do humor mais corrosivo e certeiro da atualidade -- porque sabe que só assim vai conseguir colar sua mensagem na “América”. É só isto que lhe importa. Moore não tem um compromisso com o cinema, ou maiores preocupações artísticas. Ele é um “cineasta de ação”, um idealista megalomaníaco e puro (mas não ingênuo). Acredita realmente que seus filmes possam ter impacto social. Ou pelo menos alguma influência nas intenções de voto do eleitorado norte-americano, o que não é pouca coisa.

E daí que ele é o rei da auto-promoção? Num país que prioriza a imagem em detrimento do conteúdo e onde quem não comanda o show business é engolido por ele, adotar uma postura de popstar não me soa uma questão de escolha, e sim de necessidade profissional. É preciso mais do que um bom roteiro para tirar de casa um sujeito que mora no subúrbio do Kentucky e levá-lo ao cinema para ver um filme que não seja blockbuster. Moore sabe disso. Suas aparições na mídia, e o bafafá que se arma ao entorno delas, cumprem a difícil tarefa de levar este sujeito não apenas ao cinema, mas ao cinema para assistir a um documentário que pretende analisar as patologias sociais e políticas de seu país. Além do mais, é justo que Michael Moore seja notícia. Ele é o homem que ousa morder o cachorro.

Mas, para os entendidos de cinema no Brasil, isso não tem muita importância. O fato de que, sob intensa patrulha ideológica de uma mentalidade provinciana e repressora, um cineasta tenha a coragem de denunciar os efeitos perversos da tirania do sistema financeiro (em “Roger & Me”), de apontar a natureza ao mesmo tempo violenta e amedrontada de sua cultura (em “Tiros em Columbine”) e esmiuçar as relações um tanto suspeitas entre a família do presidente da nação e a de seu principal inimigo (em “Fahrenheit 9/11”), não parece ser, por si só, suficiente. É preciso que se faça tudo isso de maneira artisticamente impecável, intelectualmente refinada e, se possível, com alguma elegância.

Michael Moore está certíssimo em fazer o que faz, do jeito que faz. Seu método se justifica pelo caráter popular de seu discurso, pela coragem de peitar o império de Bush e o establishment americano, pela eficácia em levantar questões e suscitar polêmica -- e a polêmica às vezes é o primeiro estágio da conscientização. Na perspectiva do suburbano do Kentucky, ele é “gente como a gente” que, ainda por cima, “fala a nossa língua”. Este é seu maior defeito e trunfo. Abrir mão disso seria suicídio, mas é justamente o que ele teria que fazer para ganhar a admiração dos críticos brasileiros.

Tarja Preta 02

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Saiu o segundo número da Tarja Preta, editada por Matias Maxx. Nessa edição, mais quadrinhos subversivos e escrachados de gente como Arnaldo Branco e Allan Sieber.

Seguindo a tradição, o URBe sorteia três cópias. Mande um e-mail e corra o risco de receber um exemplar na porta de casa.

Marcelo D2 toca o zaralho na gravação do seu Acústico MTV.

Dançando

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Meio chupado do South Park, mas ainda assim engraçado: www.jibjab.com

Dançando

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Meio chupado do South Park, mas ainda assim engraçado: www.jibjab.com

Jabá paulista

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notom.jpg

Sexta-feira é praticamente o dia oficial da auto-propaganda no URBe. Pra não perder o costume, reproduzo a nota que saiu na coluna No Tom, publicada semanalmente no jornal Correio Popular, de Campinas.

Bordoadas

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Na primeira noite da terceira edição do Sound System Attack, o evento mostrou a que veio. O dj paulista Yellow P -- sozinho e acompanhando o Mamelo Sound System -- deu uma aula de dub, enquanto o Inumanos, em contagem regressiva para o lançamento do seu primeiro disco, sacudiu os poucos presentes.

Vai ver foi a noite fria, mesmo assim é curioso como a suposta "galera do hip hop" da Zona Sul não dá as caras quando o lance é de verdade. Qualquer festa fanfarrona com um dj gringo enganando fica lotada. Agora, pra ver o Inumanos, nem trazendo a Lapa pro Ballroom. Lamentável.

Azar de quem não foi. Depois de fazer um set no esquema, Yellow P comandou o live pa do Mamelo. Apesar dos esforços da dupla de vocalistas, formada pelo ex-vj da mtv Rodrigo "Audiolandro" Brandão e Luana Lurdez, o forte do Mamelo são mesmo as bases. Essas bases, nas mãos de Yellow P, mixando ao vivo, tomam um xarope de dub que não é mole não.

Originalmente, quem pilota o live é o Alexandre Basa, multi-instrumentista com passagem pelo coletivo Instituto. Acontece que o cara tirou umas férias do Mamelo para produzir o aguardado disco solo de Gustavo Black Alien. Assim como Basa, Rafael Ramos, da Deck Disk, estava no Ballroom e liberou uma cópia do disco (que seria masterizado no dia seguinte) para Yellow P dar um gostinho pra galera.

A faixa, chamada "Caminho...", é uma pancada. A influência de dancehall -- assumida por Basa, fã de Sizzla e Sean Paul -- nas batidas e nos efeitos é escancarada, principalmente no vocal durante o refrão. Se o resto do disco, programado para sair no dia 11 de setembro, for no mesmo nível, o negócio vai ficar esquisito.

Riscado do mapa

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Skol Beats (há cinco anos), Massive Attack, Sónar, Creamfields, Linkin Park e a próxima edição do TIM Fest. Tudo isso, só em SP.

O Rio está definitivamente fora do circuito dos grandes shows. Alô, alô, produtores, tá na hora de um levante.

Sei não, mas a imagem de um time campeão levantando um cheque, ao invés de um troféu, não tem muito mais a ver com futebol do que com vôlei?

3 em 1

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Botando ordem na casa, resenha conjunta de três eventos que valeram a pena: Los Sebosos Postizos, no Teatro Rival, Mundo Livre S/A, no novo Teatro Odisséia, e a Febre!, na Casa da Matriz.

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"Uma noite do Ben" (01/07/04)

Era esse o nome do show do Los Sebosos Postizos, projeto paralelo de Jorge Du Peixe, Lúcio Maia e Pupilo (Nação Zumbi) e Bactéria (Mundo Livre S/A). Focado no repertório da década de 70 de Jorge Ben, teve muita coisa do disco "Tábua de esmeralda", além de "Komachi", "Rosa, mas que nada", "Domingas", "Rosa, menina, Rosa" e outras.*

A melhor descrição das versões é também a mais óbvia: Nação Zumbi toca Jorge Ben. A sonoridade final funciona e é exatamente a que se espera dessa fusão -- o que não é pouca coisa. É como se todas músicas atravessassem um filtro de dub e do outro lado saíssem desaceleradas, grudentas e ainda mais viajantes. Isso tudo sem perder o groove. A excessão foi "Que pena", com leitura Jovem Guarda.

O Rival estava lotado, mas ainda assim não estava apertado, garantindo o conforto de quem estava lá dentro. Um cuidado quem nem toda produção go$ta de ter.

Quando a banda voltou para o bis, Jorge Du Peixe pisou o palco falando pra platéia, "acende! acende outro!". Antes de começar a tocar, o vocalista continuou: "Quem não gosta de reggae, bom sujeito não é. É uma das músicas mais sinceras do planeta". Na sequência veio "King Tubby meet Rockers Uptown", do disco homônimo. Precisa dizer mais alguma coisa?

* nomes "adaptados", a memória falhou.

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Mundo livre (11/07/04)

O Teatro Odisséia, casa de shows bacana, na Lapa, foi bem no mês de inauguração. Estreiou, em festa fechada, com show do Los Hermanos, já teve B Negão e Acabou la Tequila.

O Mundo Livre S/A tinha tudo para engrossar a lista de bons shows da estréia da casa, bastava repetir as ótimas apresentações do Teatro Rival, no lançamento de "O outro mundo de Manoela do Rosário". Mas não foi isso que aconteceu.

O show teve seus bons momentos, claro, principalmente com músicas do primeiro disco. No entanto, de maneira geral, não foi tão bom quanto os outros. Muito disso porque pareciam estar poupando os momentos acachapantes. O baixo até amassava, mas não com a mesma força dubtrônica de outros shows. E a falta do transe provocado pelas linhs de baixo, tornou a batida da guitarra e do cavaquinho um tanto repetitiva.

Pode estar na hora de lançar outro disco pra dar um novo gás.

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Temperatura alta (15/07/04)

Pela segunda vez a Febre, principal festa de db do Rio, começou com um set de dub. A idéia é boa e tá com cara de que vai pegar.

O som se encaixa no espírito da festa -- além de fazer parte da linha evolutiva do db, tanto Calbuque quanto Da Lua são fãs do gênero -- e, a julgar pela quantidade de gente dançando, esse pode vir a se tornar um diferencial e tanto.

Logo depois, foi a vez do Marcelinho da Lua fazer um set avassalador de jungle. Mostrando toda sua competência, e sem sair do clima que estava rolando, Da Lua começou com o reggae "Fade away" (Junior Byles) emendando num remix da mesma música. A mixagem -- em cima da melodia e não da batida, ou seja, na guitarra e não na bateria -- foi cirúrgica. Dali pra frente, não dá pra escapar do clichê: foi quebradeira geral.

Fazia tempo que Febre não andava tão legal. Boa notícia.

3 em 1

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Botando ordem na casa, resenha conjunta de três eventos que valeram a pena: Los Sebosos Postizos, no Teatro Rival, Mundo Livre S/A, no novo Teatro Odisséia, e a Febre!, na Casa da Matriz.

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"Uma noite do Ben" (01/07/04)

Era esse o nome do show do Los Sebosos Postizos, projeto paralelo de Jorge Du Peixe, Lúcio Maia e Pupilo (Nação Zumbi) e Bactéria (Mundo Livre S/A). Focado no repertório da década de 70 de Jorge Ben, teve muita coisa do disco "Tábua de esmeralda", além de "Komachi", "Rosa, mas que nada", "Domingas", "Rosa, menina, Rosa" e outras.*

A melhor descrição das versões é também a mais óbvia: Nação Zumbi toca Jorge Ben. A sonoridade final funciona e é exatamente a que se espera dessa fusão -- o que não é pouca coisa. É como se todas músicas atravessassem um filtro de dub e do outro lado saíssem desaceleradas, grudentas e ainda mais viajantes. Isso tudo sem perder o groove. A excessão foi "Que pena", com leitura Jovem Guarda.

O Rival estava lotado, mas ainda assim não estava apertado, garantindo o conforto de quem estava lá dentro. Um cuidado quem nem toda produção go$ta de ter.

Quando a banda voltou para o bis, Jorge Du Peixe pisou o palco falando pra platéia, "acende! acende outro!". Antes de começar a tocar, o vocalista continuou: "Quem não gosta de reggae, bom sujeito não é. É uma das músicas mais sinceras do planeta". Na sequência veio "King Tubby meet Rockers Uptown", do disco homônimo. Precisa dizer mais alguma coisa?

* nomes "adaptados", a memória falhou.

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Mundo livre (11/07/04)

O Teatro Odisséia, casa de shows bacana, na Lapa, foi bem no mês de inauguração. Estreiou, em festa fechada, com show do Los Hermanos, já teve B Negão e Acabou la Tequila.

O Mundo Livre S/A tinha tudo para engrossar a lista de bons shows da estréia da casa, bastava repetir as ótimas apresentações do Teatro Rival, no lançamento de "O outro mundo de Manoela do Rosário". Mas não foi isso que aconteceu.

O show teve seus bons momentos, claro, principalmente com músicas do primeiro disco. No entanto, de maneira geral, não foi tão bom quanto os outros. Muito disso porque pareciam estar poupando os momentos acachapantes. O baixo até amassava, mas não com a mesma força dubtrônica de outros shows. E a falta do transe provocado pelas linhs de baixo, tornou a batida da guitarra e do cavaquinho um tanto repetitiva.

Pode estar na hora de lançar outro disco pra dar um novo gás.

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Temperatura alta (15/07/04)

Pela segunda vez a Febre, principal festa de db do Rio, começou com um set de dub. A idéia é boa e tá com cara de que vai pegar.

O som se encaixa no espírito da festa -- além de fazer parte da linha evolutiva do db, tanto Calbuque quanto Da Lua são fãs do gênero -- e, a julgar pela quantidade de gente dançando, esse pode vir a se tornar um diferencial e tanto.

Logo depois, foi a vez do Marcelinho da Lua fazer um set avassalador de jungle. Mostrando toda sua competência, e sem sair do clima que estava rolando, Da Lua começou com o reggae "Fade away" (Junior Byles) emendando num remix da mesma música. A mixagem -- em cima da melodia e não da batida, ou seja, na guitarra e não na bateria -- foi cirúrgica. Dali pra frente, não dá pra escapar do clichê: foi quebradeira geral.

Fazia tempo que Febre não andava tão legal. Boa notícia.

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Matéria sobre o disco "Two Culture Clash" que escrevi para o Rio Fanzine (O Globo).

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Está no ar o saite do Dub Echoes, documentário de dub que estou fazendo.

Por enquanto é só um teaser, pra marcar terreno mesmo. Logo mais vai ter um trailer e notícias sobre a produção do filme. Visitem.

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Matéria sobre viagem à Jamaica, para filmar o documentário "Dub Echoes", que escrevi para o Rio Fanzine (O Globo).

Clique na imagem para ler.

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A viúva de King Tubby posa ao lado da foto clássica
fotos: Felipe Continentino

Logo no segundo dia em Kingston, entrevistamos Bunny Lee, lendário produtor e dono do estúdio Striker Lee. Encontramos com ele na sua casa e de lá ele nos levaria para o estúdio. No meio do caminho, Bunny resolveu nos levar pra conhecer a casa do King Tubby. Pensando que iríamos ver apenas a fachada, chegando lá fomos recebidas pela viúva do homem.

Sente a fiel descrição dos arredores feita por Lloyd Bradley e James Maycock, na Mojo de abril de 1999*:

Uma sensação de desconforto impregna a Drumilly Avenue, uma poeirenta e esburacada rua de Kingston. No coração de Waterhouse, uma das áreas mais notórias da capital da Jamaica, a Drumilly Avenue faz fronteira com a Olympic Way, que nos anos 70 se transformou na linha de fogo entre dois grupos políticos em guerra chamados de comunidades de guarnição. Hoje em dia, a única ameaça direta de confronto vem do magro cachorro amarelo que parece não gostar de estranhos. Ou de ninguém, na realidade. Em outras circunstâncias, a atmosfera é a da áspera Kingston -- quente, tensa, opressiva até. Mas entre as aparentemente pacíficas casas pintadas em tons pastéis e de muros de tijolos ventilados a violência é estritamente latente.

Como praticamente tudo na Jamaica, mudaram os planos iniciais e a primeira entrevista foi com a primeira dama do dub. Um papo amargo, cheio de ressentimentos relacionados a direitos autorais de zilhões de coletâneas de Tubby pelas quais, segundo ela, a família nunca recebeu um tostão.

Na sequência, pedimos pra filmar algumas fotos do King Tubby do seu arquivo pessoal. O primeiro álbum que ela trouxe era justamente o do funeral, repleto de imagens do engenheiro no caixão e das pessoas que compareceram ao enterro, Coxsone Dodd entre elas. Macabro. Logo depois vieram fotos mais leves, Tubby na juventude, posando ao lado de sua motoca e no estúdio. O melhor de tudo, no entanto, ainda estava por vir.

tubbygunneddown2.jpg
Uma página do diário, atualizado pela viúva

Surgiram então dois livros de recortes (scrap book) que eram mantidos por King Tubby, algo que provavelmente pouquíssimas pessoas sabem que existe. Folhear os cadernos é como espiar a mente de um gênio e ter o privilégio de entender minimamente o que atraía a atenção do rei do dub, além da música. Mal comparando, é como se João Gilberto estivesse morto e encontrássemos um diário secreto do homem responsável por um dos melhores períodos da música brasileira.

Entre os recortes, a maior parte de jornais locais, textos sobre músicos (tinha até sobre o Michael Jackson) e muitas notícias de violência, quase como se ele previsse seu próprio destino trágico. A manchete do seu próprio assassinato (foto) também estava lá, colada pela viúva e funcionando como um encerramento do diário.

Não deu tempo de ler tudo com calma, mas deu pra perceber que trata-se de um tesouro. Sabe-se lá o que mais essa mulher não tem guardado em casa. Esse material, editado, rende um livro fácil. E é exatamente isso que estou tentando fazer agora.

*este parágrafo é a tradução de um trecho da excelente matéria sobre King Tubby publicada na Mojo e que chegou as minhas mãos através do esforço do Julio Adler, que em meio aos seus muitos discos, livros e revistas bacanas, organizados de maneira pouco ortodoxa, conseguiu encontrar o tal exemplar para me emprestar.

Dub Echoes

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U-Roy em ação

Esse é o nome do documentário que estou dirigindo. Idéia antiga até, acabou se tornando realidade com a ida pra Jamaica.

Os engenheiros de som jamaicanos foram os primeiros a utilizar a mesa de som como um instrumento, desconstruindo e reconstruindo faixas pré-gravadas, aplicando efeitos, inventando técnicas e criando nesse processo não somente novas músicas, como também um novo gênero: o dub.

Isso no começo dos anos 70. Por conta disso, mestres como King Tubby, Lee Perry e King Jammy são tidos como os precursores do que hoje se convencionou chamar de remix. Como o nome sugere, o objetivo do filme é mostrar que as experimentações psicodélicas nos toscos estúdios da ilha ainda ecoam, influenciando tanto a sonoridade quanto a maneira como se faz música atualmente.

A primeira etapa do documentário já rendeu bastante. Falamos com boa parte dos principais personagens da época que ainda estão vivos e morando na Jamaica. Fomos recebidos por Sly Dunbar, U-Roy, Ernest Hookim e Gussie Clarke, além de Mutabaruka, Weepow, Dr. Carolyn Cooper e Clive Jeffrey. As baixas foram Sylvan Morris (que queria 200 doletas pra falar) e Errol Thompson (hoje dono de supermercado e que fugiu da gente o tempo todo). King Jammy também estava fora, mas esse eu falo na Inglaterra.

Pra concluir o filme falta exatamente isso, ir pra Inglaterra -- principal centro de música jamaicana fora da ilha, um dos primeiros lugares a receber suas influências e casa "oficial" do dub hoje em dia -- falar com a outra metade da história e amarrar as duas pontas.

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Resenha do show em homenagem a Coxsone Dodd, que escrevi direto da Jamaica para o Rio Fanzine (O Globo).

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Adeus a ‘Sir’ Coxsone

Bruno Natal - JAMAICA

Qualquer tentativa de resumir a carreira de Clement “Sir” Coxsone Dodd parecerá sempre incompleta. Falar que seu Studio One —- híbrido de estúdio, gravadora e distribuidora — foi um dos principais responsáveis por moldar a música jamaicana nas últimas décadas é pouco. Talvez, acrescentar que foi de lá que saiu “Simmer down” (primeira música do Bob Marley a atingir o topo das paradas de sucessos) e dizer que nomes como Lee Perry, Delroy Wilson e Dennis Brown também começaram por ali ajude a mostrar a dimensão do seu trabalho. Mas isso não é tudo.

A melhor maneira de contar sua trajetória é através da música. E foi exatamente isso que aconteceu no último sábado, no Mas Camp, em Kingston. Morto há menos de dois meses (quatro dias após uma cerimônia oficial que trocou o nome da Brentford Road, rua onde fica o estúdio, para Studio One Boulevard), Coxsone Dodd ganhou um tributo de respeito. Cerca de 30 artistas do seu elenco clássico — praticamente todos que ainda estão vivos, um verdadeiro dream team da velha-guarda jamaicana — reuniram-se para homenagear o saudoso produtor.

O show foi histórico, com as apresentações mostrando um pouco da evolução dos gêneros, indo do ska ao reggae, passeando pelo rocksteady, pelo r&b e pelo dub. O público era formado principalmente por gente que viveu a época, matando as saudades dos bons tempos. Isso porque os jovens na Jamaica só querem saber de uma coisa e de uma coisa apenas: dancehall.

Nem por isso a platéia era menos animada. Quando uma música agradava — e num show desses quase todas agradam — o pessoal apontava as mãos em forma de revólver para o alto, gritando “pou! pou! pou!”. Era a senha para o artista mandar a banda pull up e reiniciar a música, igualzinho ao que alguns DJs fazem hoje em dia.

Alguns dos culpados por esses rewinds acústicos foram Bunny Brown, Prince Jazzbo, Cornell Campbell e Errol Dunkley, com sua “You gonna need me”. As canções de Derrick Harriot tiveram os maiores coros e a dupla Roy & Enid, bem velhinhos, foi quem mais emocionou. Apesar de anunciado em alguns cartazes, Horace Andy não apareceu. No geral, uma noite antológica. Para deixar qualquer Buena Vista roxo de vergonha.

Ressaca

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São Caetano campeão paulista, Santo André campeão da Copa do Brasil, Figueirense liderando o Brasileirão. Na Europa é a mesma coisa: Monaco na final da Copa dos Campeões e Portugal na final da Eurocopa contra Grécia ou República Tcheca. Até na última Copa do Mundo tiveram bizarrices como Turquia e Coréia do Sul nas semi.

Como diria o grande Gerson: é brincadeira?

Tamanho G

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Se você pensa que com sua conta tradicional + um Hotmail você já estava bem servido é porque ainda não conheceu o Gmail. Depois do buscador e do Orkut, o Google inaugura seu serviço de webmail e dá mais um passo para dominação mundial da informação na rede. Algo que pode vir a ser preocupante, mas isso é papo pra depois.

O Gmail ainda está em versão beta e por enquanto poucas pessoas tem acesso (recebi o convite através do Tom Leão) e o grande diferencial é o espaço de 1 GIGA para armazenamento de mensagens, o suficiente para justificar o slogan "nunca mais delete uma mensagem". Além disso, assim como o Google e o Orkut, existem diversas funções de busca e agrupamento de mensagens bem interessantes. Outro ponto positivo é que interface é leve, o que, pelo que deu pra perceber até agora, tornou a navegação rápida, muito rápida.

E-mail é um vício perigoso. Quando você percebe, já não consegue ficar um dia sem acessar cada uma das suas diversas contas. Com o Gmail, a tendência é piorar.

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