junho 2004 Archives

Voando

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Sim, o boato era verdade. Manu Chao participou mesmo do show do Reggae B ontem, no Circo Voador. Tá certo que uma aparição do Clandestino em terras cariocas não é exatamente uma novidade -- o cara, dizem, tem até casa em Santa Teresa. Ainda assim, a presença do carismático Manu fez a diferença.

Se a simples reabertura do Circo Voador já é um acontecimento importante para cena do Rio, melhor ainda é constatar que ele voltou com uma estrutura de palco superior a de muitos de seus pares na cidade. A qualidade dos equipamentos de som e luz estão boas, assim como o isolamento acústico, motivo de muitas brigas tempos atrás. Detalhes óbvios, básicos até, mas que quase nunca são observados pelas casas de shows.

De negativo, além de uma bilheteria um tanto tumultuada, apenas a parte ao ar livre. O excesso de obras deu um ar de praça de alimentação de shopping, asséptico demais. A iluminação fria e exagerada do bar também não ajuda, mas pior são os canhões de luz que quase cegam os desavisados que passeiam entre as palmeiras cravadas no concreto.

A noite começou com um set do MPC, do Digital Dubs, seguido por B Negão e os Seletores de Frequência, fazendo uma de suas piores apresentações. Menos suingadas do que de costume, as guitarras estavam altas demais em relação aos outros instrumentos. E o tempo curto fez algumas boas músicas ficarem de fora, atravancando a fluidez do show.

Honrando a tradição do Circo, grande inspirador do "horário Ballroom", o Reggae B só entrou em cena às 2 da manhã. Na lateral do palco, Yuka, D2, Digão, Don Negrone e Manu Chao se espremiam para assistir o "Paralamas sem Herbert" mandar seu recado. Além dos metais e do tecladista João Fera, Barone tava na bateria .

Talvez devido a passagem de som, esse foi sem dúvidas o show mais agudo e pop do Reggae B. Muito disso, parece, se deve a saída de Gustavo Black Alien da banda. Tem um papo de que Don Negrone vai assumir os vocais, mas apesar do MC ser dos melhores, a onda dele é hip hop. Fã de dub e ragga, Black Alien é mais versátil e se encaixava perfeitamente na sonoridade da banda. Uma pena.

reggaebd2.jpg

Sua ausência abriu espaço para várias canjas. Lá pelas tantas, a letra pediu um "legalize it" e D2 não aguentou; resolveu participar cantando "Queimando tudo", do Planet Hemp. Digão, do Raimundos, também tocou guitarra num ska a 100 por hora. O grande "convidado", no entanto foi mesmo Bidu. O trombonista da banda, soltinho, soltinho, pegou o microfone algumas vezes, dando um banho em todos os outros vocalistas.

Manu Chao encerrou a festa tocando repertório próprio numa participação pra lá de especial. Ele começou com "Welcome to Tijuana", emendou em "Clandestino", "Mr. Bobby", "War" (Bob Marley), espinafrou Bush e terminou pra cima, pedindo "sube, sube!", enquanto a galera pogava. Amarradão, Manu ria sem parar e, se deixassem, atenderia os pedidos de "mais uma, mais uma" vindos do platéia e do palco sabe-se lá até que horas.

Manu Chao está no Rio, o Circo está armado e o público gostou. Agora, só falta uma coisa. Produtores, acordem.

Sónar SP

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Saiu a escalação da edição brasileira do Sónar, um dos maiores festivais multi mídia do mundo. De 9 a 12 de setembro, em São Paulo.

Jeff Mills
Ricardo Villalobos
Matthew Dear
Matthew Herbert
Prefuse 73
Chicks on Speed
LCD Sound System
Laurent Garnier
Beans
Four Tet
Carsten Nicolai
Mugison
Pan Sonic
Angel Molina

Não tem bar por aqui na Jamaica que não tenha som. As caixas, feitas artesanalmente, são o destaque, exibidas como parte da decoração e sendo motivo de orgulho dos donos dos lugares. Muito por conta disso, a lista de músicas e discos "a comprar" tá grande, cada dia trombo com uma parada nova em algum sound system.

Outro dia, viajando, passei por um bar de beira de estrada com as paredes todas pintadas com grandes nomes do reggae, com dois djs tocando do lado de fora. Simplesmente uma das paradas mais rastas da viagem. Filmei muita coisa desse lugar, ficou bem bacana.

Nesse exato momento estou na costa Leste da ilha, no lado oposto aos destinos turíticos mais procurados da Jamaica, Negril e Montego Bay. Enquanto lá redominam os resorts e o clima frio de praia particular, do lado de cá tudo é mais rural, original, jamaicano por assim dizer. É uma praia atrás da outra, cada uma melhor que a anterior, principalmente Frenchman`s Cove.

Amanhã, de volta à Kingston e novamente ao Passa Passa. Vou ver se pego os contatos, esses caras tem que tocar no Brasil.

Ya man!

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Tudo verde aqui na Jamaica. As coisas são beeeem mais tranquilas do que diziam. O difícil é se comunicar, tem vezes que se passa cinco minutos tentando entender uma frase.

Por enquanto já rolaram visitas ao Striker Lee, estúdio do Bunny Lee, à casa do King Tubby, esbarrão no Elephantman na rua, um sound system muito ROOTS em downtown, making of do novo filme do Rick Elgood, bastante cerveja Red Stripe, ital food e outras boas histórias.

E isso só nos primeiros dois dias.

A apresentação de ontem do brasiliense Marcelo de Jesus, o Nego Moçambique, no Fosfobox, foi mais uma prova do estrago que uma sacola lotada de samples e bases pré-programadas pode causar.

Não se tratava de um DJ set, tampouco de um live pa ultra elaborado com uma banda de apoio. O esquema é reduzido. Ele se apresenta acompanhado "apenas" de um MPC -- a tal sacola lotada - e de uma mesinha para controlar os efeitos. Ah, tem também a presença de palco, um elemento à parte.

O som é uma mistura de black music, muitos pancadões, pitadas de break e um esbarrão no house, ainda assim resultando em algo bem brasileiro, veja só. O fato é que ninguém fica imune a essa saraivada de grooves. Vendo a reação da galera, dando gritos e dançando muito, Nego não resistiu e mandou no microfone: ""Vocês gostam de um Miami bass, né? Ê, cidade boa...". O sample da música seguinte, repetidos várias vezes, respondeu por todos; "maneiro".

Durante o set, Nego Moçambique não pára. Faz passos de dança, levanta os braços e faz a pista chacoalhar junto com ele. Pra completar, ainda faz os vocais, com sua voz mascarada por um vocoder. A melhor palavra pra descrevê-lo é carisma, aquele troço que não se explica nem se aprende, ou a pessoa tem ou não tem. E Nego Moçambique, definitivamente, tem.

Esse carisma deve ter sido um dos responsáveis pela reunião de boa parte da cena eletrônica carioca para assistir a apresentação. DJs, produtores, músicos, jornalistas, tava todo mundo lá para conferir o set, superior ao bom disco lançado pela Segundo Mundo.

Inaugurado no final de abril, o Fosfobox não nega o nome. Pilotado por Cabbet Araújo, o tamanho reduzido acaba servindo como diferencial, dando as noitadas um certo ar de exclusividade. O lugar, undergrounde de verdade, lembra bastante o clima dos longíquos bons tempos da Bunker.

Do jeito que foi ontem, dá pra imaginar a repercussão que as apresentações no Favela Chic (Paris) e principalmente no festival espanhol Sónar (onde também toca o DJ Marlboro) devem ter. Vai faltar cintura pra gringalhada se balançar.

marlboroentrevista.jpg
clique: eu memo

Nem bem voltou de Londres, onde tocou na versão local do Sónar, o dj Marlboro já está de malas prontas pra retornar à Europa. A turnê começa dia 17, na edição oficial do Sónar, em Barcelona, e passa pela França, Eslovênia e Croácia.

Há pouco menos de um ano, quando Marlboro tocou no festival Central Park Summer Stage, em NY, a primeira apresentação do funkeiro nos EUA chamou atenção da mídia. Agora, tão pouco tempo depois, tocar no exterior parece ter virado rotina.

Pra tentar entender o que mudou de lá pra cá e falar de algumas outras coisas, nada melhor do perguntar pro próprio.

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URBe - Como foi a apresentação na Inglaterra, tudo bem?

DJ Marlboro - Recebemos um e-mail do Ben Cave, produtor do The Breezeblock, da BBC Radio One, o maior programa de música eletrônica alternativa da Inglaterra e que já teve convidados como Radiohead e Björk. Ele disse que tinha ficado muito impressionado com o que ouviu no Sónar e me convidou pra produzir um set especial para o programa.

URBe - Suas músicas tem muitos samples de clássicos da década de 80. Você acredita que esse interesse do funk lá fora possa estar relacionado com o revival mundial dos anos 80?

DJM - Acho que não. O funk se alimenta de tudo, desde músicas dos anos 80 até músicas e elementos do nosso folclore, essas influências e essa mistura é que fazem do funk uma coisa inédita, apesar de conter samples. A popularização e reconhecimento do funk no exterior tem mais a ver com o vazio da cena dance atual, tá todo mundo atrás de algo novo. Nosso som está tendo um espaço e reconhecimento que já poderia ter tido há muito tempo, mas o preconceito de djs e promotores daqui deu uma retardada nisso. A justiça divina tarda, mas nunca falha. Tem muito mais coisas acontecendo, é que eu nao gosto de falar antes de concretizar. Coisas que, acho, nenhum dj brasileiro até hoje conseguiu.

URBe - Adianta pelo menos um pouco desse assunto. Algo relacionado a outros grandes festivais europeus (Glastonbury, Homelands, etc.)?

DJM - Sei não!

URBe - A última faixa do disco que veio encartado naquela revista/biografia sobre você, é um medley praticamente sem vocais. Essa vertente instrumental é um estilo dentro funk? Dá pra fazer um set inteiro dessa forma?

DJM - Claro que sim. Pelo tempo de existência e pelo o que o funk já se desenvolveu até hoje, dá pra fazer um set completo de qualquer uma de suas vertentes. Tem muita música que pra gente já passou, mas pro resto do mundo é novidade e bem legal. Isso é o resultado de ter ficado tanto tempo no submundo, se desenvolvendo nele. Hoje temos um história muito forte e vasta.

URBe - Falando de tendências dentro do funk, liste os principais estilos e os anos em que cada um surgiu.

DJM - Até 1988 era só funk internacional, a nacionalização se deu nesse ano e em 89 saiu o primeiro disco, "Funk Brasil Volume 01". No início tudo era chamado de funk. Quando letras romanticas foram inseridas no estilo, nasceu o funk melody. O funk irrevente é mais atual, com a Taty [Quebra Barraco] e MC Serginho, apesar de já ter musicas há mais tempo. O funk relato, também conhecido como "proibidão", surgiu quando os bailes foram fechados e a policia não permitia bailes nos clubes. Antes era a favela cantando pro asfalto, as músicas relatavam o orgulho da favela, de morar nela. Depois da perseguição, era a favela cantando pra favela, sob outras regras e outras visões. As músicas passaram a retratar a realidade das pessoas que moram sobre aquelas regras e leis. Funk montagem é o funk com trechos de outras músicas. Hoje bootleg é moda, mas o funk é bootleg muito antes de existir essa denominação. O mesmo serve pra música eletrônica, o funk é eletronico antes da denominaçao também!

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De hoje, até dia 27, notícias direto da ilha mais enfumaçada do caribe. Jah guide.

Sentindo falta do Seinfeld? Passeando pelo Esquema Geral, encontrei um link (www.jerry.digisle.tv) para dois curtas publicitários que o comediante fez para Amex.

Neles, Jerry contracena com ninguém menos do que seu maior ídolo, Super-Homem. No final, a propaganda descarada corta o clima, ainda assim serve pra matar as saudades do seriado com um dos melhores textos da tv.

Um festival de uma semana, com performances artísticas 24h por dia, em pleno deserto e onde transações monetárias são proibidas. Nada disso explica completamente o que é o Burning Man, evento multimídia que faz o Woodstock parecer coisa de yuppie.

Fundado por Larry Harvey, um hippie tardio que chegou à California no final do movimento, o Burning Man começou em 1986 numa praia de São Francisco, quando, numa espécie de ritual espontâneo, Larry construiu um boneco e o incendiou. A fogueira, mesmo sem um sentido definido, atraiu bastante gente e inspirou o nascimento do evento que, desde 1990, acontece em Black Rock, Nevada. Em 2003, mais de 30 mil pessoas passaram por lá para assistir um boneco de mais de 10 metros queimar.

O lance é uma grande comunidade alternativa temporária em que, paradoxalmente, as pessoas pagam 250 dólares pelo direito de passar 7 dias longe do capitalismo. Em Black Rock, nada é vendido -- a não ser gelo e café, com renda revertida para projetos sociais -- e quem for pego negociando qualquer coisa é expulso.

Além disso, cada um é responsável por trazer tudo que seja necessário para sobreviver por uma semana, de água a papel higiênico, e todo o lixo produzido tem que ser levado junto com o seu proprietário na hora de ir embora.

O saite do evento, que esse ano acontece de 30 de agosto a 6 de setembro, não deixa claro que tipo de atrações se apresentam além dos próprios participantes, mas ressalta para os mais animadinhos que não se trata de uma rave. O grande objetivo é conhecer pessoas e conviver em harmonia. Só indo pra ver se funciona.

Sound System

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A Jamaica tem se mostrado um lugar engraçado. A quantidade de situações absurdas que se vê e vive por aqui é impressionante. Todo dia acontece alguma bizarrice digna de nota, aquele tipo de historia que é difícil botar em palavras. Ainda mais com pressa, então vou ficar devendo detalhes.

Sem dúvidas, a coisa mais complicada aqui é falar de dinheiro. Os jamaicanos são arredios quando esse é o assunto, o que pode acabar transformando uma simples negociação do preço de uma corrida de táxi (que aqui não tem taxímetro, veja só) em uma discussão político/social, remontando aos tempos da colonização inglesa. Isso quando dá pra entender o patois dos locais.

Nesses últimos dias consegui completar parte da missão na ilha. Entrevistei Sly Dunbar, U-Roy, Mutabaruka, Gussie Clark, Dr. Carolyn Cooper (coordenadora do Reggae Studies Unity da universidade West Indies, Kingston) e Clive Jeffrey para o documentário que estou fazendo (acho que ainda não falei disso no URBe), que havia comecado meio torto e agora começa a tomar forma. Também conheci mais dois sound systems, Stone Love e Passa Passa, esse último no meio do gueto, entre Trenchtown e Tivoli Garden, dois lugares BEM barra pesada de Kingston.

Os sound systems são, sem dúvida nenhuma, a grande atração da Jamaica. Como toca de tudo, de roots a dancehall ("the selecta must praise everybody", me disseram), é a melhor maneira de conhecer novos sons. É tambem o lugar onde se encontra as maiores figuras, desde gente dançando no estilo, até negras enormes, vestidas com roupas de vinil cor-de-rosa muito apertadas, além de vendedores carregando galhos de maconha como se fossem buquês de rosa. Deu pra imaginar o cenário?

Nesses lugares não costuma ter muitos estrangeiros, é a galera local mesmo que comparece. Apesar do clima tranquilo, claro que não dá pra um branquelo como eu ir sozinho -- tem que contratar um amigo jamaicano pra ir junto -- e muita gente vem pedir dinheiro ou oferecer qualquer coisa. Mas tem também gente que se aproxima só pra perguntar o que você está fazendo ali, positivamente surpresos com sua presença naquele lugar.

O que fica cada vez mais clara é a importancia que a música desempenha no cotidiano dos jamaicanos. É o assunto predileto nas ruas, dá pra conversar sobre riddims ou artitas obscuros com praticamente qualquer um. Como é o futebol no Brasil.

Ainda não entendi bem porque estou tendo essa impressão, mas parece que a paixão deles pela música talvez seja ainda maior do que a dos brasileiros. Mas isso é coisa pra pensar em casa, na volta. A única maneira de começar a entender é assistindo a galera se balaçando em frente a uma pilha gigantesca de caixas de som, cuspindo graves e grooves assassinos.

Já vai tarde

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Segunda-feira nem sempre é um dia difícil. Essa semana, por exemplo, já começa com uma excelente notícia: O Creed acabou.

Festeeenha!

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cliques: Joca Vidal + Felipe Continentino

Como se não bastasse ser uma quarta -- o dia mais falido da noite carioca -- tinha jogo do Brasil. E logo contra a Argentina. Pra completar, choveu. Nem mesmo essa combinação de fatores destruidora foi capaz de anular o poder de atração do line up assassino da festa de lançamento do URBe. Aproximadamente 400 pessoas foram ao 00 conferir o evento. Histórico. Um pouco depois do final do jogo, a fila na porta assustava, era gente que não acabava mais.

Os horários determinados na filipeta foram cumpridos com apenas meia hora de atraso. A festa começou as 22h30 com uma aula de 80's reggae do Calbuque, fazendo quem tava lá esquecer da pelada contra os hermanitos. O cara sacou uma coleção de versions de músicas da Tracy Chapman ("Fast car"), Marvin Gaye ("Sexual healing"), George Michael ("Never gonna dance again"), Alphaville ("Forever young") e até Michael Jackson ("Billie Jean"), além de uns raggas cheios de balanço.

Quase meia noite, quando a casa começou a encher pra valer, o mestre Calbuque passou as carrapetas para Chicodub, fazendo sua estréia, um tanto atrapalhada, na discotecagem.

O telão feito pelo VJ Mateus Araújo, recheado de samples de filmes jamaicanos e outras referências, se encaixou perfeitamente nos sets. Quando Berna Ceppas & Kassin iniciaram o aguardado live pa de Gameboy, foi a vez das imagens 8 bits (só clássicos do Atari) e mensagens contra a guerra dominarem o cenário.

Enquanto a dupla tocava, as pessoas se amontoavam ao redor, tentando entender como aquelas duas maquininhas cuspiam tantos pancadões. A apresentação começou mais experimental e seguiu num crescente, até desembocar em duas bases bem dançantes, preparando o terreno para o que vinha na sequência.

John Woo desceu a mão, estabelecendo um Apavoramento geral e irrestrito. A pista teve que se entortar bastante para acompanhar a quebradeira e os grooves elásticos do samurai da pick ups. Inna kung fu style. Em seguida foi a vez do robótico Spark domar os presentes com um set pra lá de classudo.

Dizem por aí que, lá pelas 4h, o padrinho do saite invadiu a cabine e botou um som para os que ainda resisitiam bravamente.

A julgar pela quantidade de mails perguntando "quando é a próxima?", pode-se dizer que a festiva realmente foi bem bacana. Muitos papos, vários amigos, coleguinhas, colaboradores e ainda conheci três dos meus quatro leitores.

Preciso arranjar um motivo pra fazer outra dessa.

Após um ano, o URBe rendeu tudo que podia render no formato de blog. A idéia inicial -- ser um espaço livre, para escrever sem restrições -- foi superada e o blog foi além: serviu de cartão de visitas profissional, como catalisador de novas amizades e, o mais legal, como ponto de troca com vocês, meus quatro leitores.

Agora começa uma nova fase, um pouco mais interessante, onde o grande diferencial é a organização (uma obsessão particular). Cortesia do dizáiner Antonio Pedro. Agora os textos serão divididos por categorias, facilitando a leitura e o arquivamento. Além disso, deixo de ser refém dos humores do blogger e não corro o risco de ser deletado a qualquer momento.

As sessões serão abrangentes. Em "música" entra tudo relacionado ao tema, menos críticas de shows e discos, que vão estar em "resenhas". "Urbanidades" é aquilo lá, política, cinema e pensamentos gerais. A "agenda" veio pra resolver uma reclamação recorrente, de que nunca rolava avisos ANTES das boas. Em "imprensa" entram links para minhas matérias publicadas por aí e a "links" é auto-explicativa.

No mais, as coisas vão mudando com o tempo. Isso aqui está 80% pronto, ainda faltam uns detalhes para ficar redondinho, como terminar de instalar o sistema de busca e o de mailing e alguns links quebrados.

Mas isso começa a ser feito amanhã, hoje tem uma festa me esperando.

(atualizem seus links, o endereço agora é esse, www.gardenal.org/urbe)

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