fevereiro 2004 Archives

Matéria sobre concurso de vídeos anti-Bush que escrevi para Folha Online

-------

ONG promove concurso de vídeos anti-Bush e os divulga na internet
BRUNO NATAL
free-lance para a Folha Online

Ao se dizer preocupada com as conseqüências das ações do atual governo dentro do próprio Estados Unidos, a MoveOn (www.moveon.org), organização não-governamental dedicada a aproximar cidadãos comuns da política, realizou um concurso de vídeos anti-Bush e os divulgou na internet.

Para participar do "Bush in 30 Seconds" (Bush em 30 Segundos), bastava ser cidadão americano e fazer um vídeo cuja única instrução era falar "a verdade sobre o presidente e suas políticas", remetendo-o ao site www.bushin30seconds.com.

Aproveitando o momento em que os EUA atravessaram sua pior recessão na história, é natural que a maior parte dos 26 finalistas, escolhidos entre mais de mil inscritos, demonstre inquietação quanto ao que vem pela frente.

Por isso, imagens de crianças e questionamentos sobre o futuro do país foram temas recorrentes.

O grande objetivo da MoveOn era exibir o vídeo vencedor no intervalo comercial do Super Bowl, a final do campeonato de futebol americano e o espaço publicitário mais valorizado do mundo, que teve como episódio mais marcante o incidente entre Janet Jackson e Justin Timberlake.

No entanto, a emissora CBS se recusou a colocar a peça no ar. Como solução alternativa, a ONG conseguiu veicular o anúncio na CNN, no mesmo horário.

Entre os jurados da competição estavam os atores Jack Black e Janeane Garofalo, os diretores de cinema Michael Moore, Michael Mann e Gus van Sant e os músicos Moby, Michael Stipe, líder do REM e Eddie Vedder, vocalista do Pearl Jam.

Os vídeos estão disponíveis on-line, no site oficial do concurso. Assista aos vídeos premiados no saite "Bush in 30 Seconds".

O Globo, 13/02/2004

| | Comments (0) | TrackBacks (0)

Dibob_foto_Lucas Bori.JPG
foto: Lucas Bori

Matéria sobre o Dibob que escrevi para o Rio Fanzine (O Globo).

----------

Dibob pega uma onda diferente

Bruno Natal Especial para o Rio Fanzine

O Dibob tinha tudo para ser apenas mais uma bandinha de punk rock. Mas não é. O grupo se destaca das outras bandas porque foge completamente dos estereótipos do underground carioca. A atitude dos quatro moleques do Leblon está mais próxima dos surfistas da nova geração do que do perfil padrão dos músicos independentes. Por isso, fisgaram outro público e trouxeram para seus shows a turma da praia, normalmente ausente do circuito alternativo.

Em menos de dois anos, Dedeco (voz e guitarra), Gesta (baixo e voz), Miguel (guitarra) e Falcon (bateria) pularam dos saraus de colégio para apresentações lotadas no Ballroom e no Sérgio Porto.

— A banda é uma brincadeira que passou dos limites — explica, rindo, Miguel. — Nossa demo saiu do nosso círculo de amizade, caiu nas mãos de uma outra galera e, a partir daí, as coisas começaram a caminhar sozinhas.

No final de 2003, o Dibob foi abrir um show do Skank e do Titãs, em Aracaju. A banda chamou a atenção da BMG e acabou de gravar o disco de estréia, produzido por Marcelo Sussekind, que deve chegar às lojas em março.

A maior parte das letras é sobre relacionamentos, com uma pequena diferença: sai o tradicional “eu te amo e vou morrer se não tiver você” e entra “eram quatro da manhã, via duas de você / um é pouco, dois é bom, é assim que vai ser” (em “Se perde”). Os outros títulos dão uma boa idéia dos temas: “Pau mandado”, “1 x 0 eu” e “19 anos”.

Nos shows, é normal escutar 200, 300 pessoas gritando todas as letras. Guardadas as proporções, parece até uma banda grande.

— Falamos das coisas que nós vivemos. Noitadas, confusões com namoradas; todo mundo tem um pouco dessas coisas — diz Dedeco.

As influências vão dos ídolos Los Hermanos e NOFX, passando por Chico Buarque e Blink 182.

No entanto, eles não gostam de tocar música dos outros.

— A única que tocamos é uma versão do funk “Venha comigo”, do Nélio & Espiga, feita em cima da levada de “Girls just wanna have fun”, da Cindy Lauper — conta Gesta.

A banda vem tomando o tempo dos integrantes e tem ficado cada vez mais difícil para os quatro surfistas freqüentarem as direitas do Pontão ou a calçada em frente ao BB Lanches. A tendência é piorar, mas isso não importa, eles estão decididos a se dedicarem à banda.

Se até agora as coisas foram acontecendo meio sem querer, imagina querendo...

Bruno Natal é jornalista e faz o zine eletrônico URBe.

Matéria sobre a passagem pelo Brasil de Dennis Haysbert, ator que vive o presidente dos EUA, David Palmer, na série "24 horas", que escrevi Folha Online.

--------

Depois de quase três anos afastados dos palcos, o Planet Hemp encerrou em grande estilo a décima edição do Humaitá pra Peixe com um show de mais de 1h30, no maior clima de ensaio entre amigos. Antes deles, tocaram ainda China, Jimi James e Bangalafumenga.

Repetindo a excelente apresentação do Sergio Porto -- na verdade um pouco mais curta -- China segurou a onda no palco do Canecão. Para ele, o primeiro show foi melhor, "senti a galera mais perto, mais interessada", disse. Besteira. Apesar de boa parte do público estar lá mesmo para ver o Planet, quem chegou cedo estava a fim de assistir e curtiu bastante

O pernambucano se confirmou como a grande revelação do HPP esse ano. Seu som climático, equilibrando bem peso e melodia, está alguns passos a frente do que está sendo feito por aí e só encontra paralelo nos parceiros do Mombojó. Não é coincidência, China assina cinco músicas do disco de estréia dos "Mombojovens", como a banda foi apelidada em Recife, todos fãs do Sheik Tosado. Dois deles, o baixista Pirulito e o tecladista Chiquinho, tocaram no primeiro show do China no festival.

Abre parênteses

(A molecada do Mombojó -- o mais velho tem 21 -- mal deu as caras e já chama a atenção. Foram matéria na Folha, saem na próxima Trip e devem ser a próxima aposta da OutraCoisa, a revista do Lobão, que lançou o disco solo do BNegão. Além disso, Mombojó e China tem uma terceira banda juntos, a Del Rey, só de covers do Roberto Carlos. Em março deve ter tudo isso aqui no Rio.)

Fecha parênteses

Tarde pra caramba, mais de 1h da manhã, o Planet Hemp finalmente pisou no palco. Ao gosto do freguês, abriram pedindo pro público levantar os isqueiros e cantar "Bonde dos maconheiros", emendando direto em "Quem tem seda". Daí em diante foram só clássicos: "Legalize já", "Stab", "Ex-quadrilha da fumaça", "Mantenha o respeito", "Queimando tudo", "Zerovinteum" e "A culpa é de quem", anunciada por B Negão como "Fu Manchu style". Até a polêmica (e qual dessas não é?) "Não compre, plante", depois de nove anos fora do repertório da banda, apareceu. Foi tanto tempo sem tocar essa música que os MCs precisaram de uma cola.

Comemorando uma década de banda, Marcelo D2 estava feliz com a reunião do grupo. Ele não parava de elogiar os companheiros, dedicou praticamente todas as músicas do show aos "velhos tempos" e não cansou de repetir que "dez anos não é brincadeira". Aproveitou e agradeceu o "padrinho" Bruno Levinson pela batalha à frente do festival, de onde o Planet saiu para conquistar o Brasil.

O hardcore, muito presente nos primeiros discos da banda, também teve vez em "Raprocknrollpsicodeliahardcoreragga" e outras. Nessa hora deu pra notar que os dez anos de estrada cobram pedágio; faltou fôlego tanto para Marcelo D2 quanto para B Negão. Eles até brincaram com a situação, rindo sem graça, principalmente depois que D2 esqueceu a letra de "Bala perdida".

Em homeangem a Chico Science, eles tocaram "Samba Makossa", do disco "Da lama ao caos" e regravada pelo Planet no primeiro trabalho lançado pela Nação Zumbi após a morte do seu líder. D2 chamou o China, que assistia tudo da lateral do palco, para participar.

Antes de "Dig dig dig", no final do show, que acabou com uma jam porrada, D2 resolveu falar. Aparentemente fazendo alusão aos seus contantes problemas com a justiça, disse que estava "em guerra, porque quando o lado de lá começa a latir você tem que morder". Quando um fã pediu para ele tocar uma música da carreira solo, Marcelo respondeu: "Não vim aqui pra falar de rap nem de samba, eu vim aqui pra falar de maconha". Mal terminou de falar a frase, se deu conta da bobagem e continuou, "Ih, não podia falar isso! Retiro o que eu disse. Será que isso ajuda no tribunal?".

Vai saber, tomara que sim. O lugar do Planet é subvertendo a ordem em cima do palco, não atrás das grades.

Depois de quase três anos afastados dos palcos, o Planet Hemp encerrou em grande estilo a décima edição do Humaitá pra Peixe com um show de mais de 1h30, no maior clima de ensaio entre amigos. Antes deles, tocaram ainda China, Jimi James e Bangalafumenga.

Repetindo a excelente apresentação do Sergio Porto -- na verdade um pouco mais curta -- China segurou a onda no palco do Canecão. Para ele, o primeiro show foi melhor, "senti a galera mais perto, mais interessada", disse. Besteira. Apesar de boa parte do público estar lá mesmo para ver o Planet, quem chegou cedo estava a fim de assistir e curtiu bastante

O pernambucano se confirmou como a grande revelação do HPP esse ano. Seu som climático, equilibrando bem peso e melodia, está alguns passos a frente do que está sendo feito por aí e só encontra paralelo nos parceiros do Mombojó. Não é coincidência, China assina cinco músicas do disco de estréia dos "Mombojovens", como a banda foi apelidada em Recife, todos fãs do Sheik Tosado. Dois deles, o baixista Pirulito e o tecladista Chiquinho, tocaram no primeiro show do China no festival.

Abre parênteses

(A molecada do Mombojó -- o mais velho tem 21 -- mal deu as caras e já chama a atenção. Foram matéria na Folha, saem na próxima Trip e devem ser a próxima aposta da OutraCoisa, a revista do Lobão, que lançou o disco solo do BNegão. Além disso, Mombojó e China tem uma terceira banda juntos, a Del Rey, só de covers do Roberto Carlos. Em março deve ter tudo isso aqui no Rio.)

Fecha parênteses

Tarde pra caramba, mais de 1h da manhã, o Planet Hemp finalmente pisou no palco. Ao gosto do freguês, abriram pedindo pro público levantar os isqueiros e cantar "Bonde dos maconheiros", emendando direto em "Quem tem seda". Daí em diante foram só clássicos: "Legalize já", "Stab", "Ex-quadrilha da fumaça", "Mantenha o respeito", "Queimando tudo", "Zerovinteum" e "A culpa é de quem", anunciada por B Negão como "Fu Manchu style". Até a polêmica (e qual dessas não é?) "Não compre, plante", depois de nove anos fora do repertório da banda, apareceu. Foi tanto tempo sem tocar essa música que os MCs precisaram de uma cola.

Comemorando uma década de banda, Marcelo D2 estava feliz com a reunião do grupo. Ele não parava de elogiar os companheiros, dedicou praticamente todas as músicas do show aos "velhos tempos" e não cansou de repetir que "dez anos não é brincadeira". Aproveitou e agradeceu o "padrinho" Bruno Levinson pela batalha à frente do festival, de onde o Planet saiu para conquistar o Brasil.

O hardcore, muito presente nos primeiros discos da banda, também teve vez em "Raprocknrollpsicodeliahardcoreragga" e outras. Nessa hora deu pra notar que os dez anos de estrada cobram pedágio; faltou fôlego tanto para Marcelo D2 quanto para B Negão. Eles até brincaram com a situação, rindo sem graça, principalmente depois que D2 esqueceu a letra de "Bala perdida".

Em homeangem a Chico Science, eles tocaram "Samba Makossa", do disco "Da lama ao caos" e regravada pelo Planet no primeiro trabalho lançado pela Nação Zumbi após a morte do seu líder. D2 chamou o China, que assistia tudo da lateral do palco, para participar.

Antes de "Dig dig dig", no final do show, que acabou com uma jam porrada, D2 resolveu falar. Aparentemente fazendo alusão aos seus contantes problemas com a justiça, disse que estava "em guerra, porque quando o lado de lá começa a latir você tem que morder". Quando um fã pediu para ele tocar uma música da carreira solo, Marcelo respondeu: "Não vim aqui pra falar de rap nem de samba, eu vim aqui pra falar de maconha". Mal terminou de falar a frase, se deu conta da bobagem e continuou, "Ih, não podia falar isso! Retiro o que eu disse. Será que isso ajuda no tribunal?".

Vai saber, tomara que sim. O lugar do Planet é subvertendo a ordem em cima do palco, não atrás das grades.

© 2003 - 2006 | Reprodução permitida após consulta. | Os textos desta página nem sempre são revisados. | Termos de Uso