A partir dessa sexta, 23 de maio, a fachada da Tate Modern se transformará numa gigante exposição gratuita de street art.
Já se vão cinco anos da mais recente onda de intervenções urbanas (não, não é uma novidade) e essa será a primeira mostra desse tamanho numa instituição do porte da Tate.
Os trabalhos já começaram. Entre os artistas convidados, estão os brasileiros Os Gêmeos. A ausência mais sentida é a de Banksy, que recentemente organizou sua própria mostra, o Cans Festival.
Prezando pelo anonimato, provavelmente ele não toparia agir com data e hora marcada, ainda mais na Tate.
Banksy já grafitou os degraus de entrada da Tate Gallery com os dizeres "Mind the crap", ou "Cuidado com a bosta", fazendo trocadilho com o clássico alerta do metrô londrino "Mind the gap", sobre o espaço entre os trens e as plataformas.
A invasão nova-iorquina, iniciada com o show do Vampire Weekend, continou nessa quarta-feira, com a apresentação do Dirty Projectors, Battles e Fuck Buttons (esse é da Inglaterra mesmo), dentro de mais uma datas do festival All Tomorrow's Parties.
Os anfitriões deram início a noite no Astoria (que, infelizmente, deve se demolido até o final do ano por conta das obras de expansão da estação de metrô de Tottenham Court Road). Uma ótima surpresa.
Utilizando sintetizadores, teclados e, ocasionalmente, um tambor, a dupla cria camadas e mais camadas, atmosféricas e sombrias, muitas vezes produzindo loops ao vivo, por cima dos quais adicionam ruídos e pulsações.
Acordes contínuos, semelhantes ao de uma guitarra com pedal de distorção, cortam músicas inteiras, como os choques elétricos hipnóticos de "Sweet love for planet earth".
As músicas vão se emendando uma nas outras e só pararam de fluir porque um sujeito entrou no palco avisando que o tempo da banda havia acabado.
Um tanto agressivo para de se ouvir em casa (principalmente pelos grunhidos primais), funciona muito bem ao vivo, quando pode ser tocado bem alto, ecoando por um grande espaço.
Dirty Projectors
O Dirty Projectors tem sido bastante comentado, porém as vezes chama mais atenção quando a dica vem de onde você menos espera. No caso, do Lucas Santtana, que normalmente não comenta sobre bandas com esse perfil.
Olhando a banda se ajeitar no palco, não parecia nada complicado. Duas meninas (guitarra e baixo), um baterista e um vocalista/guitarrista. A guitarra igual a do Hendrix, o baixo igual o do Paul, as belas harmonias vocais entre as meninas, eram todos falso sinais, escondendo uma esquisitice que aflora logo nas primeiras notas.
O disco já não é fácil, ao vivo a estrutura das músicas ficam ainda mais complicadas e difíceis de acompanhar. Demora-se a perceber onde começa uma parte ou onde acaba outra. Até mesmo a amigável "Rise above" surgiu totalmente torta.
Fazer comparações com outras bandas ou tentar cravar as influências é tão complicado quanto tentar seguir as melodias do Dirty Projectors.
Fazia tempo que não via um show tão estranho. Sinceramente, não entendi nada. Nem o suficiente para dizer se isso é um elogio ou uma crítica. Se alguém souber, avisa.
Battles
Desde que pintou na capa da XLR8R em abril de 2007, o Battles é um mistério. O suposto hit "Atlas" até hoje não desceu por aqui.
Na maior parte do show, o quarteto se divide entre bateria e três guitarras, com dois dos integrantes tocando, simultaneamente, teclados. Hiperatividade parece ser uma boa palavra para definir o Battles.
Um baixo também é utilizado, pouquíssimas vezes. O forte da banda é criar loops com pedais, sobrepondo um sobre o outro para construir texturas bem densas.
Com a nerdice na moda, o lance é saber apertar tantos botões quanto possível no maior número de traquitanas que aparecer pela frente. E tome blusa social pra dentro da calça.
O post-rock encontra o metal, o que é o lado interessante da banda. Pena que na maior parte do tempo, cada integrante vá pra um lado, parecendo mais preocupados com os trejeitos do que tocar juntos. A posição bizarra do prato da bateria fala por si só.
A soma de todos esses ruídos desconpassados dá caldo e rende bons momentos. É tudo muito bem executado, apenas sem graça.
Se esse é o tal do math-rock, é melhor refazerem as contas, porque não tá batendo.
Semana que vem, a Grande Maçã se faz presente em Londres na figura do aguardadíssimo show do MGMT.
Vampire Weekend, "Mansard roof" vídeo e foto: eumemo
Antes da apresentação do Vampire Weekend, a abertura do White Williams (será a do Piquet?) foi pouco animadora. O quadro, porém, estava prestes a mudar.
Começando por uma vomitada colossal de uma menina, abrindo um clarão pertinho do palco e garantindo uma boa visão do show.
O bloqueio mental causado pelo excesso de hype em torno de algumas bandas é bem difícil de ser superado. As vezes, tanta falação pode ter o efeito contrário, gerando antipatia antes até de se escutar a primeira música.
Recebendo todos os elogios imagináveis na imprensa por seu disco de estréia, o homônimo "Vampire Weekend", os nova-iorquinos sofrem desse mal. O pior para eles é que não cabe as bandas controlar a dose exata de buchicho para evitar a ressaca.
Enquanto pensava estar ignorando solenemente o Vampire Weekend, após repetidas audições no MySpace da banda enquanto lia as tais matérias a seu respeito, as músicas foram crescendo e a curiosidade aumentando.
Isso -- somado ao fato de que só existe uma maneira realmente eficaz de se analisar uma banda: o palco -- serviu de impulso para ir a porta do Electric Ballroom tentar a sorte .
Os ingressos estavam esgotados há meses, não se encontrava nem no eBay. Na porta, estavam pedindo 40 libras por uma entrada que originalmente custava 12 libras.
Os agressivos cambistas londrinos são uma turma complicada, tentam inclusive impedir a negociação entre pessoas que querem vender ingressos uma para as outras sem valores extorsivos.
Com sorte, consegue-se comprar pelo preço correto. E quando isso acontece, costuma ser sinal de uma noite boa vindo pela frente.
Vampire Weekend
O Vampire Weekend entrou em cena ovacionado. Vestidos como os garotos formados em faculdades da Ivy League que são, o visual era suéter e sapato, com uma postura levemente nerd. O vocalista estava com a mesmíssima roupa que tocou no Jimmy Kimmel Live. Figurino calculado?
Sem cerimônias, o Vampire Weeend abriu a apresentação com duas de suas músicas mais conhecidas, "Mansard roof" e "Cape Cod Kwassa Kwassa", essa última sintetizando as intenções do quarteto.
Ezra Koenig centraliza as atenções da formação simples (guitarra, teclado, baixo e bateria), não apenas por ser o cantor. Sua guitarra é o que mais se destaca no diferencial na sonoridade do grupo: as influências do pop africano, de juju music nigeriada ao soukous congolês, também explorados por Peter Gabriel no passado.
Sem se basear nos riffs ou power chords dos onipresentes grupos de rock, o teclado e a guitarra fazem frases, repetidas diversas vezes, indo e voltando, como num mantra pop.
Bem mais pesados ao vivo do que em disco, o segredo do sucesso da banda talvez resida justamente em saber dosar as influências africanas.
A mistura é apenas o bastante para tornar o som diferente do resto. Sem cabecismos, mas também sem atalhos. E, o mais importante, permanecendo pop.
Além de "Oxford comma", "A-Punk", "One (Blake's got a new face)", "The kids don't stand a chance" e todo o repertório do disco, vieram também duas músicas novas. Ambas devem fazer parte do novo trabalho, em processo inicial de composição, como o vocalista disse durante o show.
Uma delas, tinha pegada parecida com a de uma guitarrada paraense. Seria interessante saber o que aconteceria se o Vampire Weekend topasse com os mestres Vieira, Curica, Aldo Sena ou mesmo com o La Pupuña.
No palco, o Vampire Weekend confirma o burburinho, obrigando os detratores a darem o braço a torcer. A banda é mesmo boa.
Essa eu não pensei que fosse ver tão cedo. Quero ver é fazer a lei valer.
Enquanto isso, o Sindicato de Hotéis, Bares e Restaurantes do Rio esperneia, provavelmente com medo de perder clientes -- um receio infundado, já que é uma lei horizontal, atingindo todos os estabelecimentos.
Uma vez perguntei pra um alemão, pouco antes da mesma proibição entrar em vigor por lá, como eles fariam para colocar a lei em prática. Ele ficou olhando com uma cara de espanto, "como assim botar em prática? É a lei agora, as pessoas simplesmente obedecem".
Infelizmente, no Brasil é bem diferente.
Dei uma sorte danada na minha chegada em Londres. Exatamente um mês antes, uma lei idêntica foi instituída na Inglaterra.
Por conta disso, posso frequentar pubs (o que, segundo relatos, antes era impossível, tamanha a catinga), boates e shows sem chegar em casa fedendo, com os olhos ardendos e todo entupido.
Várias vezes pensei como seria difícil a readaptação na volta ao Brasil. Banhos as três da manhã, lavar as roupas após cada saída, . Agora há esperança.
Minha posição pessoal em relação ao assunto é radical. Além de alergia, tenho nojo, não consigo ver diferença entre um fumante soprando fumaça e alguém escarrando no chão.
Sem falar no hábito super higiênico de jogar os restos em QUALQUER lugar. Ou aquela adorável mãozinha pra trás na mesa do bar, para proteger os amigos da fumaça, desviando-a para mesa de quem não tem nada a ver.
Independente da minha visão pessoal, parece suficientemente lógico que, pensando no coletivo, uma lei dessa já devesse existir há muito tempo.
Não apenas pelo desconforto causado aos demais (a fumaça se espalha, não tem jeito), mas também por uma questão de saúde (aqui na Inglaterra foi isso que pegou).
Além do fato, claro, de que a maoria das pessoas não é fumante.
Quantos meses até o primeiro cidadão que for ingênuo o bastante para resolver fazer valer o seu direito, pedir para algum fumante apagar o fedorento em um lugar fechado, ser embolachado ou mesmo tomar um tiro? Vale um bolão.
A dica era quente, veio diretamente de um dos Digitalism, em uma mini-entrevista em novembro de 2007. Desde então, o estranho nome ficou na cabeça: Late of the Pier.
Levou alguns meses até aparecer o primeiro show, quando foram a grata surpresa da noite, abrindo para o Justice no Astoria, seguido por um como atração principal na ULU.
Com o lançamento do disco chegando perto, as apresentações começam a se tornar mais frequentes. E apesar de ainda bem pequenas, também estão ficando maiores e/ou mais relevantes. Essa semana foi a vez do Camden Barfly, um lugar para 200 pessoas. Do jeito que a gente gosta.
The Displacements; fitas demo;
Collapsing Cities; A Place to Bury Strangers
Foi-se o tempo em que bandas fazendo propaganda (seja na TV ou em turnês patrocinadas) era queimação de filme e certeiras acusações de vendida. Nesse estranho mundo novo, é quase um status, atestado de "grandeza", um grupo estar envolvido em algo assim.
A noite era parte de uma turnê chamada "Levi's: one's to watch", e teve ainda o Collapsing Cities (OK), The Displacements (fraco) e A Place to Bury Strangers (bizarro e bom). Na banquinha que vendia material das bandas, um passo adiante (ou atrás) na nostalgia dos compactos de vinil: fitas demo. Fazia tempo que essas não apareciam.
Late of the Pier
O LOTP não parecia cansado do péssimo show da noite anterior, em Birmingham, como contou o baixista Andrew Faley. Elétricos e derretendo no palco, talvez movidos a MDMA, o quarteto fez a mesma bagunça que vem fazendo, misturando rock, metal, eletrônica, psicodelia e histeria adolescente.
Dia 18 de maio sai o primeiro single, um Lado A duplo, com as músicas "Space and the Woods" e "Focker". O disco cheio vem na sequência.
Sei que política não é exatamente o assunto campeão de audiência aqui desse espaço. Porém, insisto. Porque, gostemos ou não, nossa vida é em grande parte regida por essa turma. Não há, portanto, como escapar disso se espera-se alguma melhora no caos reinante.
Por isso, é uma alegria ver o Gabeira na capa da Rolling Stone. Provavelmente, quase ninguém vai dar atenção, mas ao menos está lá.
As possibilidades de vermos um sujeito como Gabeira como prefeito do Rio são remotas. Por menores que sejam, nas atuais cincunstâncias, é animador vislumbrar a chance de ter no poder, em vez dos tradicionais trogloditas, pouco preocupados com qualquer coisa que não o próprio bolso, alguém com quem se poderia ter efetivamente uma conversa. Concordando ou não com suas colocações.
Ganhe, não ganhe, ao menos é alentador. Porque pra viver numa cidade onde cuidados mínimos como um "obrigado" ou um "bom dia" desapareceram, há de se ter, no mínimo, esperança.
Estando fora do país por algum tempo e mais uma vez vendo tão de perto que, sim, é possível viver numa sociedade um pouquinho mais organizada, a esperança chega a quase virar inveja.
DJs da festa carioca Moo, Diogo Reis (que tocou na festa de 5 anos do URBe) e Eduardo Christoph, participaram do "Beats in Space", programa de rádio de Tim Sweeney, integrante do selo DFA (capitaneado por James "LCD Soundsystem" Murphy), por onde já passaram Lindstrøm & Prins Thomas e Laurent Garnier. Coisa fina.
01. Tyndall - "Unterwegs"
02. Explorer - "No.8"
03. Discodromo - "Cosmorama"
04. Alpha Man - "Vision" (Sankt Göran Mix)
05. The Mole - "Smiling and Running"
06. Runaway - "She Did It For The Money"
07. Freddy Fresh - "The Flow"
08. Santos - "Beat The Knuckles"
09. Hieroglyphic Being - "A Time Warp Synthesizer"
10. Mathew Jonson - "Symphony For The Apocalipse"
11. Holger Zilske - "The Birds"
12. Common Factor - "Get Down #3"
13. Prosumer - "Vise"
14. The League Unlimited Orchestra - "Do or Die"
15. Carl Craig - "Psychobeat"
16. Kango's Stein Massiv - "Lettbeint Liten Sak" (Original Dialyse Mix)
17. Ilija Rudman - "Blast From The Past" (Part 1)
18. Chow Daddy - "Never Fade"
Silver capes and sampler-mashing straight from Castle Donington's fresh-faced upstarts.
words: Bruno Natal
Yes, Late of the Pier is another weirdly named band of British 20-somethings, totall hyped though they don't even have a record out yet. Your first reaction might be just to ignore them. But praise from Digitalism, and Erol Alkan's involvement in producing that yet-to-be-released album, might be enough to get you to one of their gigs. And that, my friend, may lead you to the center of a kaleidoscopic, psychedelic, noisy, stop-start dance-rock maelstrom, where you'll find yourself surrounded by 18-year-olds and wearing a pair of band-distributed "rainbow trippy goggles".
On stage, Late of the Pier has so much going on at the same time that it's almost hard to describe: silver capes, metallic guitarr riffs and screams, frenetic, MPC-triggered 8-bit effects, post-punk drums, distorted disco basslines, and layers and textures from synthesizers that have been carefully placed in golden foil-wrapped boxes. And all of these elements are neatly rolled into recent singles on their Zarcorp label, including "Bears are coming" and "Bathroom Gurgle" (a remix of which shows up on the latest taste-making Kitsuné compilation).
"I think a lot of people that hear us are interested because it just sounds a little bit odd; familiar but... just slightly odd," explains bassist Andrew Faley. "That confuses them into listening to us a bit more. And that's when we sink our musical claws into them."
The foursome's live set-up -- guitar, bass, drums, two synths, and one MPC -- came naturally, says Faley. "We originally played just straight bass, drums and guitar. We all listened to a lot of electronic music, from Prodigy and Daft Punk to Lamb, Chris Clark, and Autechre, but never really thought about playing it as a band. Sam [Eastgate, the guitarist and lead vocalist] was sequencing, sampling, and producing electronic music himself and eventually the two collided."
The Midlands-based band finally decided to add electronic elements into its sound after a group outing to Cut Copy's first U.K. gig. "They were using a MPC-1000 sampler live. Next week, Sam bought one off eBay and [keyboardist Sam] Potter went from playing one key on a keyboard in one song to mashing a sampler [into everything we do," says Faley.
If it all falls apart, there is a plan B. "Ross [Dawson, the drummer], is going to be a gravedigger after LOTP, and Potter wants to be a glass blower," explains Faley, who's obviously been given the task of remembering the band's retirement plans after some drunken night.
"Sam's going to collect glass that Potter's blow. We'll all still be connected though -- I'll make a film about Ross' grave-digging, for which I'll use special glass lenses in the camera. These I'll buy of Sam, who'll have collected them from Potter. And the band played on...
Os sinais de que o público do comportado Barbican Centre no dia 03 de maio seria um tanto diferente estavam claros desde a entrada. Era noite de show do Café Tacvba, um dos maiores nomes do México e um imã para comunidade latina.
Em vez da tradicional pontualidade britânica (que, aliás, é papo sério), a quantidade de gente chegando em cima da hora, cantando, conversando alto e bebendo, não deixava espaço para dúvidas de que seria uma noite um pouco mais caliente que o habitual.
Os brasileiros radicados em Nova York, Forró in the Dark abriram a noite. Mesmo com um pouco mais de água na mistura do que o necessário, o grupo conseguiu agradar o público que estava lá mesmo para ver os mexicanos.
O Café Tacvba esteve no Brasil em 1997, sem muito alarde, no Festival Tordesilhas, organizado pela MTV, que trouxe também os colombianos Aterciopelados e os argentinos do Illya Kuryaki. A barreira da língua provavelmente explica porque a banda não faz o mesmo sucesso na terrinha comparado com o resto da América Latina.
Liderados pelo carismático vocalista /guitarrista Rubén Albarrán, o Café Tacvba, junto coma platéia, quebrou todos os protocolos do Barbican. Flashes eram disparados sem parar, as pessoas dançavam nos corredores e ficavam em pé nas cadeiras.
Não vai ser surpresa se o grupo nunca mais puder tocar na casa. Não bastasse o descontrole dos fãs com a avalancha de éxitos, enfileirando "No controles", "Ingrata", "Esa noche", "Eres", "Las flores", "La locomotora" (cata no YouTube, estão todas lá), o vocalista resolveu convidar a turma para subir no palco. Obviamente, foi a senha para a invasão.
No final, com todos mais calmos, encerram a fiesta com "Como te extraño", seu maior sucesso e a música que talvez melhor ilustre o título de "Paralamas do Sucesso mexicano".
Na platéia, pipocavam bandeiras da Argentina, Venezuela e, claro, México. Só faltou a do Brasil.
Comemorando os dois anos do seu Diginóis com uma bela festa, Lucas Santtana fala sobre seu lado blogueiro em entrevista para o URBe.
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Hoje em dia todo artista tem saite com blogue. O seu, no entanto, não fala de você ou da sua carreira. Porque essa opção por um cortejornalístico?
Na verdade tudo no diginois foi se dando como experiência. E é assim até hoje. Quando o fiz não sabia que iria se transformar num QG, num lugar onde concentro todas as atividades, tudo que eu vou vendo, fazendo, vivenciando.
Sempre tive esse interesse por vários assuntos, por inovações tecnológicas, arquitetura, design, dados ciêntíficos, cultura, etc. Então acho que o blog foi apenas uma extenção desse interesse. Na internet os codigos sao outros, é um espaço colaborativo, então essa cultura do EU,EU,EU é totalmente desinteressante.
Fora que quando o fiz também não sabia que blogar era uma parada tão viciante, outro dia deu pane no sistema e por alguns minutos poderia ter perdido todo o conteúdo desses quase 2 anos. Maluco, fiquei desesperado! Só ai me dei conta de como já faz parte da minha vida de uma maneira significativa.
Qual é o objetivo do Diginóis, como selo e como saite?
É ser mais um filtro na rede. Como tantos outros que existem na internet. Gerar e disseminar conteúdo. Como selo também. O disco do Guizado, por exemplo, sai pelo Diginóis, mas o Gui a princípio não quer disponibilizar o CD lá. Já o CD do Buguinha Dub não sai pelo Diginóis, mas ele quer disponibilizar lá. Vou por é claro!
Ou seja, nem em relação ao selo existe um modelo. O pessoal da FGV gosta de chamar o Diginóis de open business. O open eu já entendi, só tá faltando o business, hahahaha.
Você acompanha os assuntos ligados a ditribuiçao digital de música e inclusão digital bem de perto. Já que você, como artista, tem a oportunidade de experimentar com tudo isso no seu próprio trabalho, quais caminhos a seguir?
Acho que é por ali, como falei acima são outros códigos a serem vivenciados e descobertos num mundo digital, onde o comportamento em relação a escala industrial está em declínio. Esse ano fui convidado para fazer a direção musical de um show em homenagem a Tropicália em São Paulo e para fazer a produção e curadoria de um CD com bandas "independentes" fazendo versões de Noel Rosa, ambos para os SESCs SP. Acho que esses convites acabam rolando porque com o diginois fica mais claro que não sou apenas um músico, mas alguém que pensa sobre e através da música e também sobre o mundo que estamos vivendo. Então vou continuar assim, experimentando e ouvindo os sinais e respostas que aparecem e tentando dialogar com eles.
Como você avalia sua experiência com o "3 sessions in a green house", que foi disponibilizado gratuitamente? Qual foi o balanço final, em termos de resultado?
Foi surpreeendente. O CD ajudou o Diginóis e vice-versa. Nunca tinha vendido toda a tiragem em oito meses. Sendo que quem fez a distribuição foi euzinho mesmo, de loja em loja ou por telefone. Só que a 1ª tiragem foi de apenas 2 mil, enquanto que os downloads no Diginóis chegaram a 10 mil, e não vai parar nunca, né? Pois sempre alguém vai indicar o Diginóis e o "3 sessions" estará lá para ser baixado.
Fora que já são quase 20 remixes, que daria um álbum duplo. O último foi feito pelo DJ Pantera, lá do bairro de Periperi em Salvador. Um cara que é DJ de baile funk lá. Ou seja, é muito mais rico, né? Não fica limitado a nichos, nem a espaços de assessoria de imprensa apenas.
Volta e meia você tem publicado fotos de estúdio e de equipamentos, escrevendo apenas "gravando" abaixo das imagens? Vai lá, conta um pouco do que está acotecendo.
Eu estou gravando o disco novo. Tá ficando muito legal! É um disco que eu queria fazer a muito tempo, uma idéia antiga que quero tirar da minha cabeça para que outras tomem o seu lugar, hahaha. De vez em quando também dou umas dicas do que está rolando... Como semana passada, quando coloquei uma foto de um microfone binaural da Neumman que o Chico Neves tem.
Quando o disco estiver mais adiantado eu vou falar mais dele. Por enquanto não convém contar com o ovo no cú da galinha.
O Cans Festival, ou Festival das Latas, uma corruptela com o nome do festival de cinema de Cannes, transformou um túnel de acesso desativado ao antigo terminal do Eurostar (linha de trem que liga Londres a Paris e que atualmente sai de King's Cross) numa gigantesca galeria de obras feitas utilizando a técnica de estêncil.
Organizado pelo grafiteiro conhecido como Banksy, o espaço exibe diversos trabalhos do próprio, além de artistas convidados de todo o mundo, incluindo os brasileiros Altocontraste, Anda Nahu, Daniel Melim e Izolag. Existe também um espaço onde outros artistas podem acrescentar suas obras a mostra.
Programado para acontecer durante um final de semana apenas, a procura foi tão grande que a visitação ao Cans Festival deve ser extendida por mais seis meses.
Levando o título e a sonoridade da música ao pé-da-letra, o novo clipe do Justice, "Stress", dirigido por Romain-Gavras, é justamente isso: tenso, sufocante e estressante.
Talvez seja inspirado nos recentes conflitos nos subúrbios menos favorecidos de Paris e o visual lembra os trabalhos do Chris Cunningham para o Aphex Twin, mas com tanta violência, podia mesmo era ter sido filmado no Rio.
Video do evento, feito com uma câmera fotográfica digital.
A tosqueira de produzir nesse formato cada vez fica divertida.
Daqui uns anos vira estética. vídeo: eumemo
No sábado passado aconteceu, no Victoria Park, o festival gratuito Love Music Hate Racism Carnival, com a presença de Hard-Fi, The View, Get Cape.Wear Cape.Fly, Dennis Bovell, Don Letts, entre outros, coma presença de mais de 100 mil pessoas, segundo os organizadores.
O encerramento ficou com The Good, The Bad and The Queen. Foi uma escolha simbólica, pelo fato do baixista da banda, Paul Simonon, ter sido um dos integrantes do The Clash, atração principal do Rock Against Racism, no mesmo parque, 30 anos antes.
No RAR, o alvo das manifestações era a escalada ao poder do partido nazi-fascista National Front, que perseguia principalmente imigrantes e irlandeses. Passados 30 anos, a situação é parecida, mudam apenas os nomes.
Os atores principais agora são a British National Party (BNP) e os imigrantes dos países árabes (chamados, numa generalização, simplesmente de muçulmanos) e do leste europeu, principalmente os poloneses, recém-integrados a União Européia.
Num clima muito politizado, as atrações transcorreram, sem sustos, entre muitos discursos. O evento é uma maneira de sinalizar, tanto para sociedade, quanto para os imigrantes, que, apesar da forte propaganda, a maior parte dos britânicos não concorda com o pensamento da BNP.
Um pouco estranho, tem-se que dizer, um evento que prega a tolerância, trazer a palavra "odiar" em seu nome. Mesmo que seja odiar o racismo, porque odiar não pode ser bom. A palavra foi repetida diversas vezes durante o dia, nos discursos inflamados.
A recessão batendo a porta é o cenário perfeito para ascenção de partidos de extrema-direita. Os empregos começam a faltar e fica muito fácil convencer a populaçnao de que os imigrantes estão roubando o seu emprego, utilizando isso como de votos.
A pior derrota eleitoral em 60 anos, fortaleceu os Conservadores (lembra da Tatcher?), sinaliza que, assustado (e infeliz com o Primeiro Ministro, Gordon Brown), o povo já está.
O encerramento foi com a versão dubstep do clássico do The Specials, "Ghost town", com base do Kode 9 e vocais do Space ape. O tom perfeito.
Além dessa, no MySpace da gravadora alemã Man Recordings tem um remix do Stereo MCs para "1 real", do MC Gringo. Sem falar na pérola "Mais ela" (Scottie B feat. Bill), a nova "Chatuba de Mesquita".
Enquanto os organizadores dão um tiro no próprio pé (e no pé dos outros, ao incluir uma máscara do candidato a prefeitura Gabeira na coleção disponível para baixar no saite do evento) ao sugeria que as pessoas, como bandidos, se escondam atrás de fantasias para não serem reconhecidas, o nome da caminhada contrária a descriminalização é ASSUSTADOR.
Qualquer um que tenha conversado sobre política com um taxista no Rio (o grande termômetro dos assuntos da cidade) nos últimos tempos, sabe que o papo "na época da ditadura que era bom, não tinha tanta violência" volta e meia pipoca aqui e ali.
A marcha de domingo pode ter mais significados do que parece. Aliás, as coisas sempre têm. A a discussão continua.
Enquanto no Brasil a polícia segue desperdiçando esforços valiosos prendendo manifestantes pró-descriminalização (mesmo que isso seja contra a lei), na Inglaterra a instituição rejeita a tentativa oportunista do Primeiro Ministro Gordon Brown que, contra tudo e contra todos, pretende reclassificar a cannabis da classe C para B.
A mudança de categoria voltar a significar prisão para quem for flagrado com a erva. Hoje em dia, o produto simplesmente confiscado e o sujeito recebe um aviso no local, sem ir para delegacia.
Conferir, in loco, a gravação do "Later... with Jools Holland", programa semanal de música da BBC 2 em que (geralmente) cinco (ou mais) bandas tocam ao vivo, é uma alegria.
Em outras circunstâncias, é quase impossível assistir tantos shows diferentes em um espaço de tempo tão curto. Como não há troca de palco -- o programa é filmado num estúdio que funciona em 360°, com um espaço montado para cada artista -- a música flui continuamente.
A escalação, como é característica do programa, estava eclética: do rock madchester do James ao folk do Petangle, do dance-rock um tanto histérico da sensação Operator Please! ao pós-grunge do The Gutter Twins (Mark Lanegan, ex-Screaming Trees + Greg Dull, ex- Afghan Whigs), da diva soul Mable John ao r&b jazzeado da Melody Gardot (com o timbre lembrando a Maria Rita, mas num tom mais grave) ao neo-folk experimental do Liam Finn (filho do Neil Finn, do Crowded House). E ainda teve uma mini-entrevista com Eddy "walk right through Electric Avenue" Grant.
A estrutura era boa, mas além do programa ser temático, engessando justamente a mistura (os convidados têm que fazer versões de um homenageado), a peridiocidade não existe e o horário, pra lá de duas da manhã, é até desrespeitoso com os artistas e com o público. O "Later... with Jools Holland" vai ao as terças, ar ao vivo, as 22h, na TV aberta, com reprise, em versão extendida, as 23h35 as sextas).
Pena não existir algo assim no Brasil. Não pode ser por falta de variedade e de bons nomes.
É sempre uma grata surpresa quando o show de abertura é melhor que a atração principal. Quando isso não se deve ao fato da estrela da noite ser uma decepção, mas por méritos próprios do convidado, é ótimo. Se você nunca tiver escutado o artista antes, melhor ainda.
Essas três coisas aconteceram ontem, no Scala, em Londres, quando a sueca Lykke Li tocou antes do francês Sebastien Tellier (e antes dos dois, com a casa praticamente vazia, Bridgette Amofah)
Sebastien Tellier, "Divine"
Mesmo que parte gráfica do seu lançamento mais recente, "Sexuality", entregasse a cafonice bem humorada do trabalho, as credenciais do Sebasiten Tellier -- disco produzido por Guy-Manuel de Homem-Christo (Daft Punk), elogios de Nicolas Godin (Air) -- não davam a dica do que estava por vir.
Para construir um Sebastien Tellier brasileiro, seria preciso imaginar o João Brasil, preso no corpo do Paulo César Peréio, tocando o repertório de uma parceria imaginária entre Fausto Fawcett e Reginaldo Rossi. Ou algo assim.
Dançando totalmente desajeitado, o sujeito fez amor com o piano, com o pedestal do microfone, com a guitarra, se apalpou como se fosse o Michael Jackon, ignorou os pedidos para que falasse em inglês e fez piadas em francês, para alegria dos seus muitos conterrâneos presentes e se esbaldou no temas soft-porn, revezando-se entre o piano e a guitarra, com direito a solo de metal.
É até difícil não se distrair com o personagem criado por Tellier, totalmente embuído do tema do seu disco, levando a canastrice ao limite. Prestando atenção a parte musical, percebe-se que a piada tem conteúdo. O recheio é de boas melodias, teclados oitentistas, ecos de Jean Michel Jarre e instrumentos bem tocados por uma bom trio de apoio (baixo no sintetizador, bateria repleta de pads eletrônicos e teclados).
Divertido e engraçado, sem ser engraçadinho.
Lykke Li
A loucura orgasmástica promovida por Sebastien Tellier não parece, nem de longe, relacionada com o nome escolhido para tocar antes dele. A atitude, cada um a seu modo, talvez seja o elo entre os dois.
Com disco foi produzido por Björn (do Peter, Björn and John) e tocando pelo mundo com Shout out Louds e El Perro del Mar, aos 22 anos a sueca está enturmada na cena de seu país. Aos poucos, vai ampliando seu território, arrastando um público considerável (e atento) para quem era a banda de abertura.
Lykke Li não faz o estilo menininha-de-voz-rouca que tem inundado o mercado atualmente. Apesar de baixinha e loirinha, se coloca no palco sem se preocupar exatamente se o cabelo vai estar despenteado -- não estava.
Ainda que soe minimalista em diversos momentos, o som é cheio de detalhes e nuances, com elementos de folk e eletrônica, sem ser exatamente uma mistura disso.
Ao vivo, acompanhada por bateria, guitarra e teclado, os graves ganham mais peso. Além de cantar, Lykke brinca com um kazoo, batuca em tamborim e agogôs e arrisca umas pancadas na bateria.
No show, durante as músicas do disco em que seu vocal é dobrado, ela usa trechos pré-gravados para produzir o mesmo efeito. O curioso é que, em alguns casos, ela escolhe fazer o vocal de apoio ao vivo, em vez da voz principal.
Vestida de preto e dançando de maneira desconpasada, o foco é mesmo na sua voz, doce e angelical, quase infantil. Com essa descrição, poderia ser um desastre, rapidamente desmentido por faixas como "Little bit", "I'm good, I'm gone" ou "Dance dance dance".
Tem tudo pra decolar e o hype em torno do seu nome parece estar apenas começando, após passagens pelo festival americano SXSW e pelo programa de TV inglês "Later... with Jools Holland".
Até onde vai, é com ela mesmo. Como disse o Berna, ao passar a dica, "ela tem onda".
O Skol Beats divulgou hoje sua nova data e formato.
O festival será no segundo semestre e o público poderá participar da escolha do local , sem, no entanto, ter a palavra final. O Camilo Rocha conta os detalhes.
Esquentando para o lançamento do seu segundo disco, "Donkey", o primeiro após o sucesso mundial, o CSS (ex-Cansei de Ser Sexy) liberou a primeira faixa, "Rat is dead (rage)", para ser baixada de graça no seu saite.
Lamentável é ver a banda alimentando a suposta rixa com o seu próprio país.
Para baixar a música, é preciso preencher um cadastro e responder de onde você é. Como normalmente essas listas de países estão em ordem alfabética, é uma prática comum, para facilitar o preenchimento dos dados por fãs dos principais mercados, alguns nomes aparecem em destaque, logo no começo da lista.
O Brasil não está nessa lista. Gesto totalmente desnecessário e gratuito.
Ah, sobre a música, é legal. Mais rock e menos eletrônico do que de costume, soando mais como o CSS ao vivo.
Em vez da tradicional tríade disco-turnê de lançamento-disco ao vivo, Caetano Veloso resolveu fazer diferente (mas nem tanto), segundo o comunicado oficial divulgado ontem.
Seu novo show, "Obra em progresso", irá misturar as músicas do último disco, "Cê", grandes sucessos e composições inéditas. Depois da turnê e de muitos testes, Caetano fechará o repertório do novo trabalho.