Puro sangue
Lembram que eu falei da série nova do Alan Ball, True Blood? Ela só estréia em setembro, mas desde junho uma série de pequenos filmes (vendidos como um programa jornalístico chamado Blood Copy, em referência ao Hard Copy - uma espécie de Cidade Alerta dos EUA) estão sendo veiculados online e instigam para o lançamento.
Na série, após o anúncio da invenção de uma espécie de sangue sintético, os vampiros podem finalmente sair das trevas e conviver com seus camaradas humanos, uma vez que não precisam mais destes como fontes de alimentação. Os filminhos postos na internete falam desta transição de realidade, quando passaríamos a conviver com os sanguessugas e deixaríamos o posto de topo da cadeia alimentar global. E como os melhores exemplos deste tipo de marketing, eles apresentam toda uma série de clichês: câmeras ocultas ou conduzidas por amadores, anúncios misteriosos em código, conspirações globais, ameaças em vídeo, jornalismo-denúncia marrom, corporações japonesas... mas tudo visto com o humor cínico típico de Alan Ball (que, além do roteiro de Beleza Americana, também conduziu a ótima A Sete Palmos). Tem até um político falando em "vampiro-americanos". Até mesmo esse tipo de marketing é banalizado com uma série de anúncios forjados para a nova classe, os vampiros (nesse ponto, True Blood se aproxima a outro marketing 2.0 de hoje em dia, o de Watchmen). Isso sem contar que tem muito vampiro que odeia o sangue sintético - e vai continuar preferindo alimentar-se de forma "orgânica".
Eis os filminhos, com os dias em que foram veiculados, um a um:
8 de junho
15 de junho
22 de junho
29 de junho
6 de julho
13 de julho
20 de julho
Estes filmes devem continuar até a estréia da série e ajudam o espectador a se ambientar com o clima de paranóia e preconceito x tolerância que devem dar o tom da série (sem esquecer do cinismo). Assim, True Blood (como A Sete Palmos) provavelmente se alia a séries como Battlestar Gallactica - que, por trás das brigas de navinhas, jargões militares e misticismo robô, também é uma sólida crítica à era Bush - numa reação bem humorada (e fingindo-se séria) ao neoconservadorismo dessa primeira década do século.