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O que é a ilha?

À deriva após a quarta temporada de Lost

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Depois de muita enrolação, acidentes de percurso, procrastinação saudável e de ter visto o último episódio da quarta temporada de Lost umas três ou quatro vezes (inclusive passei o olho na reprise de ontem, no AXN), é hora de comentar sobre a edição 2008 do seriado mais popular das interwebs. Por isso, se você não viu ainda o episódio de quase uma hora e meia que compreende a segunda e terceira parte de "There No Place Like Home", hora de embaçar os olhos e deixar a vista correr por todo o post. Sim, "saqueadores adiante", como eu já falei em outra ocasião.

(Vou até abrir mais um parágrafo com um parêntese pra dar tempo de você não correr o risco de ler algo por engano. Eu particularmente não ligo pra spoiler. Acho que se a história é boa, ela sobrevive a revelações ditas antes da hora. Mas como nem todo mundo é assim, dou esse espacinho pra você não correr o risco de ler algo que não quer)

Pois a ilha se foi. Puf. O Ben entrou na tal estação Orquídea com o Locke, tacou um monte de metal numa espécie de elevador-dimensional, queimou a parada e por trás dela havia um túnel. Entrou ali e foi sair em uma câmara congelada em que a proverbial Frozen Donkey Wheel o esperava para colocar em prática a vontade de Jacob: mover a ilha. Com um casaco pesado para se proteger do frio, ele passou a empurrar a enorme engrenagem de madeira, praguejando contra o espírito que toma conta do lugar e chorando por talvez nunca mais poder voltar à ilha em que cresceu.

Voltando no helicóptero após a explosão do cargueiro por fim à possibilidade de voltar à civilização, os chamados Oceanic Six (mais o escocês Desmond e o piloto Lapidus) não acreditaram no que viram: um enorme clarão começa a aparecer no centro da ilha para, alguns segundos depois, tornar branca toda a visão da tripulação e, logo em seguida, revelar nada além do mar - e um redemoinho girando onde antes estava a personagem principal do seriado. A própria ilha desapareceu na frente de todos e mesmo Jack, o "homem de ciência", não consegue achar explicação para o acontecido. O helicóptero cai no oceano devido à falta de combustível e os oito escapam num bote inflável de emergência, que seria resgatado por um navio em que a tripulação falava um português tosco - semelhante ao que ouvimos no final da segunda temporada. Era Penny, filha do arquivilão Charles Widmore, que, em busca global pelo amor de sua vida, finalmente encontrara Desmond. Dali, os sobreviventes partiriam para inventar uma história que justificasse o desaparecimento inteiro de uma ilha, mesmo que não convencesse nem eles mesmos.

E assim foi "There's No Place Like Home", que fechou direitinho a quarta temporada de Lost ao amarrar várias pontas soltas da série em um único episódio. Ao mesmo tempo, ele mostrou o que aconteceu com personagens cujo futuro já havia sido mostrado no ano anterior. Assim, descobrimos que Sun não fingiu ser viúva, acreditando piamente na morte de seu marido Jin, mesmo que não tenha deixado claro se ele havia morrido. Aprendemos como Ben foi aparecer no meio do deserto da Tunísia, porque Sawyer não estava entre os sobreviventes e quem estava dentro do caixão. E, como no último episódio da terceira temporada, assistimos a cenas que vamos ver provavelmente no desenrolar - ou no final - da temporada do ano que vem: Sayid chamando Hurley, Kate tendo pesadelos com Claire, Jack invadindo a casa funerária onde está o corpo de um certo Jeremy Bentham e sendo repreendido por Ben. Essas cenas certamente serão revisitadas na próxima temporada, desta vez com contexto, como aconteceu com o último episódio da terceira safra.

Mas, como todo bom episódio de Lost, à medida em que algumas perguntas foram respondidas, outras tantas surgiram. Além das dúvidas existenciais do seriado - o monstro de fumaça, os números, a perna de estátua com apenas quatro dedos, o fato de Richard Alpert não envelhecer -, "There's No Place Like Home" nos apresentou a um dos enigmas mais fantásticos da série: para onde foi a ilha?

Ou talvez o melhor seria nos perguntarmos para QUANDO ela foi?

Afinal, se a viagem temporal foi o tema desta quarta leva de episódios, não será estranho se descobrirmos que a ilha, em vez de desaparecer em algum lugar sobre o oceano em 2004, viajou no tempo. As principais apostas apontam para o futuro, uma vez que Ben, depois de girar o mecanismo que movimenta a ilha, foi aparecer no meio do deserto, só que em 2005. Há quem cogite a possibilidade da ilha ter ido para além de 2008, fazendo com que a temporada do ano que vem ocorra em tempo real com o nosso presente (até então, a série se desenrolou em duas épocas, após setembro de 2004, quando aconteceu o acidente com o vôo 815 da Oceanic, e em 2007, quando descobrimos que Locke saiu da ilha com um pseudônimo e visitou todos os sobreviventes, incitando-os a voltar. Eu não descarto sequer a possibilidade de a ilha ter voltado mais de um século no passado, surgindo no meio do Oceano Índico no século 19 e explicando o tal navio Black Rock em sua superfície.

Essa é a primeira questão. E quem ficou na ilha? Vimos Sawyer e Juliet bebericando o rum da Dharma na beira do mar, lamentando não apenas o fato de não voltarem tão cedo para casa quanto a morte de seus amigos no cargueiro e no helicóptero. Vimos Locke encontrar Richard Alpert e assumir a liderança da tribo d'Os Outros (com um quê dos garotos perdidos de Peter Pan e a tribo Ewok d'O Retorno de Jedi). Vimos o estranho diálogo entre Miles e Charlotte sobre o fato de ela finalmente ter voltado para a ilha e a decisão de ambos em continuar lá. Vimos o cargueiro explodindo e alguma possibilidade de Jin estar vivo. E vimos Daniel Faraday recolher uma trupe de atores desconhecidos - os figurantes de Lost estão acabando... - em seu bote rumo ao cargueiro, antes da explosão (não vimos nem Bernard nem Rose, mas esses dois só aparecem de vez em quando, mesmo...). Com o desaparecimento da ilha, o que aconteceu com cada um destes grupos de personagens? Vimos alguns destes personagens erguendo os olhos para o céu enquanto ele começava a ficar cada vez mais claro. Assistimos ao desaparecimento da ilha do ponto de vista de alguém de fora. O que aconteceu dentro da ilha é um dos mistérios que só iremos desvendar no começo do ano que vem.

Mas vale perguntar-se algumas coisas. Se a ilha não puxou o helicóptero onde estavam Jack, Hurley, Sayid, Kate, Aaron, Lapidus, Desmond e Sun, ela também talvez não tenha puxado nem o bote de Faraday ou os sobreviventes - se houve algum - da explosão do cargueiro. Então eis um cenário possível para o começo de 2009: um cientista meio maluco perdido num bote no meio do nada com um bando de desconhecidos tem que, sem laboratório nem instrumentos por perto, achar sozinho a ilha que acabou de sumir (e talvez com a ajuda de um certo náufrago coreano). Caso a ilha tenha levado Faraday e seu barquinho, tudo bem - caso contrário, ele pode, sem querer, estragar o disfarce dos Oceanic Six.

Enquanto isso, na ilha, Sawyer lideraria o que restou dos sobreviventes originais em um grupo que vive em paralelo aos novos Outros, estes desta vez liderados por Locke. Ele, por sinal, passa um por processo de reinvenção de si mesmo ao cogitar inclusive um novo nome para si - mais um filósofo inglês, desta vez, Jeremy Bentham. Convém lembrar que, mais do que ser um libertário excêntrico em seu tempo (falava de igualdade de direitos entre o homem e a mulher, direitos dos animais e outras filosofias consideradas avançadas demais para os padrões de seu tempo), o Bentham original também concebeu o conceito de panóptico, uma cadeia em que seus prisioneiros não conseguem perceber se e quando estão sendo observados - uma boa metáfora para a própria ilha...

O fato é que algo dá errado após a mudança da ilha de lugar e Locke/Bentham sai da ilha (girando a roda, como Ben?) e procura cada um dos seis integrantes originais do vôo 815 que conseguiram sobreviver para avisar que eles precisam voltar para o lugar onde se conheceram - e, pior, vai parar num caixão em que, supomos, se retornado à ilha, lhe trará de volta à vida. A quantidade de perguntas que surgem apenas nesse pequeno intervalo é suficiente pra deixar qualquer fã do seriado com a cabeça girando. (Isso sem contar com o fato de Sawyer poder estar envolvido com a virada de Locke, o que não é algo para se descartar - uma vez que a última grande ação do bad boy foi saltar do helicóptero para salvar os amigos, fazendo-o assumir, pela primeira vez, o papel consciente de herói.)

E tome mais dúvidas: onde Sun arrumou dinheiro para comprar a empresa do pai? O pai de Sun jogava golfe com Charles Widmore? Por que Hurley vai parar num hospício - e suas visões de Charlie e Mr. Eko são apenas visões? Como Jack deixa de ser um cético completo para abraçar completamente o papel que antes era de Locke? E como será a quinta temporada? Os Oceanic Six irão trabalhar junto com Ben para voltar à ilha? Por que Claire aparece num sonho de Kate? O que os sobreviventes combinaram com Penny depois do resgate? Onde foi parar Desmond? E quem matou Nádia, a mulher de Sayid? Alguém descobre que Aaron não é filho de Kate? E o Lapidus, que fim levou?

Todas estas questões devem ser elucidadas a partir do ano que vem, quando a quinta e penúltima temporada do seriado começar. Acredito que o que assistiremos nos episódios seguintes serão estas duas histórias em paralelo. De um lado, a transformação de Locke em Bentham, sua saída da ilha e sua morte. Do outro, a farsa do resgate dos Oceanic Six caindo à medida em que eles percebem que precisam voltar para a ilha. Estas duas sagas serão a espinha-dorsal de 2009 para a série e é suponho que a próxima temporada termine com a volta dos seis para algum lugar no meio de algum oceano. (Outras histórias complementarão a narrativa, cada vez mais fragmentada e menos linear, como o destino de Faraday, o passado de Charlotte, a importância de Miles, a reabilitação de Sawyer - que não tem esse nome à toa, como tudo na série -, a trama envolvendo os pais dos sobreviventes e, os produtores já avisaram, mais novidades sobre a Iniciativa Dharma e os números malditos.)

Lost faz parte de uma safra de seriados que está reinventando o formato. Depois que sucessos dos anos 90 como Lei e Ordem, Plantão Médico, Sex & the City, Arquivo X e Baywatch provaram que um seriado poderia sobreviver com certa dignidade sem precisar cair em fórmulas e estereótipos. Destes, Twin Peaks, Simpsons e Seinfeld, especificamente, funcionaram como antíteses irônicas disso tudo e determinaram um novo padrão, que foi absorvido pela geração de seriados desta década. Em vez de contar pequenas historietas em um capítulo de meia ou uma hora, a partir do ano 2000 os seriados começaram a se enxergar como um longo filme dividido em pequenos episódios. É esta característica que une obras tão diferentes quanto Desperate Housewives, The Office, House, Battlestar Gallactica, Os Sopranos, Heroes, 24 Horas ou Prison Break. O seriado americano do começo do século é um formato denso e complexo, que lida com camadas e camadas de referência, podendo criar pequenos universos em cada capítulo. Uma das principais características que unem estas séries é que elas fogem dos gêneros tradicionais: The Office também é sobre relacionamentos e Os Sopranos lida com problemas familiares, não é apenas uma comédia e uma série de máfia. Lost leva às últimas conseqüências: primeiro criando um tipo de série para cada personagem (com Jack o seriado ganha tons médicos, com Sayid vira um programa sobre guerra, com Sawyer o assunto são golpes e trapaças), depois conduzindo o telespectador a um abismo de ficção científica que faz Arquivo X parecer uma série policial.

O salto aconteceu durante a quarta temporada. A série, até seu terceiro ano, era dividida em dois tempos: o presente e o passado. O presente narrava o dia-a-dia dos sobreviventes de um desastre de avião numa ilha, enquanto o passado recapitulava, na forma de flashbacks, o histórico de cada um dos personagens. Foi assim por três anos desde 2004, cada episódio centrado em um personagem e contrastando um passado quase sempre desconhecido dos outros personagens com a rotina que o escolhido levava após o acidente. Só que ao final da terceira temporada, os produtores inverteram a lógica e mostraram o que ia acontecer no futuro. Sim, um flash-forward. Nos mostraram que, pior do que não saber o que pode acontecer, é não saber como aquilo aconteceu. E, ao mesmo tempo, eles introduziram o conceito de viagem no tempo na série, fazendo-nos crer que a ilha habita um espaço-tempo diferente do nosso - daí sua dificuldade em localizá-la.

Isso ficou claro desde que a nova temporada foi lançada na Comicon de 2007, quando foi exibido um filme de orientação da Dharma em que um coelho voltava no tempo e encontrava-se consigo mesmo no nosso presente. A cena foi revisitada no último episódio, quando Locke, feito uma criança, não pára de encher Ben de perguntas e só fica quieto quando este aciona um vídeo semelhante ao exibido na Comicon. Neste, o instrutor explica como funciona o elevador que Ben começa a lotar de objetos metálicos ao mesmo tempo em que sublinha o risco de se colocar coisas desta natureza em seu interior. Quando Locke pergunta para que servia aquilo, Ben responde, com desdém, que o elevador era usado pela Dharma para "fazer coelhinhos viajar no tempo", como se aquilo fosse uma descoberta pífia comparada à natureza da ilha. Ao destruir o elevador, ele abre a entrada para um túnel com inscrições em hieróglifos, que leva a uma câmara congelada aparentemente no meio da ilha, dando a crer que a Iniciativa Dharma nunca soube da existência daquela passagem.

Ao chegar no meio da ilha, ele usa uma roda destas de moinhos puxados por tráção animal para liberar uma espécie de energia mística, que o instrutor da Dharma chama de "matéria exótica".

Perguntar o que é aquela roda e aquele jato de luz é perguntar sobre natureza da ilha.

Sim, a pergunta não é o que são as coisas estranhas que acontecem nesta ilha - e sim o que é a ilha.

Tudo leva a crer que nem a Inciativa Dharma saiba o que está acontecendo ali. Por mais que a tenham estudado, o grupo de cientistas da Fundação Hanso não parece sequer ter raspado nas propriedades mágicas da ilha. O grupo que existe ao redor da ilha parece protegê-la inclusive da própria Iniciativa Dharma. E aí vem outra pergunta cabal: quem são Os Outros?

Há quem diga que a ilha é Atlântida. Ela mesma, o reino perdido contado por Platão, o continente que, existindo para além do estreito de Gibraltar, afundou no mar - ou desapareceu, se permite-me a conexão com Lost. Mais do que uma civilização perdida, a ilha poderia ficar pulando de oceano em oceano, criando lendas de continentes desaparecidos em diferentes épocas e países. Poderia ser a terra de Mu, a Lemúria lembrada por Madame Blavatsky, o continente Kumari Kandam da mitologia indiana ou Túlia, das lendas nórdicas. Em diferentes situações, a ilha sumiu e apareceu, carregando consigo lendas e histórias que podem ter se refletido em toda história da humanidade.

Outra vertente (que eu simpatizo) até concorda com a possibilidade de uma ilha móvel ser a origem de lendas sobre terras perdidas do passado, mas explica de forma mais convicente sua natureza móvel.

Tá sentado? A ilha é uma nave espacial.

Aí abrem-se duas vertentes: que a ilha é uma nave camuflada de ilha e os Outros são seres humanóides mas alienígenas (teriam quatro dedos em cada pé? Até hoje não vimos os pés de Richard...) e que uma nave teria caído na ilha há muito tempo dando-lhe esta série de efeitos especiais, em particular a imortalidade aos seus primeiros habitantes. Só que ela reside na base da ilha, escondida em uma série de túneis pelos quais os Outros consegue se mover rapidamente de um canto para o outro. Estes túneis também teriam uma entrada para a sala da Frozen Donken Wheel, sem que a Estação Orquídea fosse o único acesso. É bem capaz que ela seja o próprio Templo assinalado no mapa -e que esteja no subterrâneo.

Viagem? Lembrei disso a partir de uma entrevista com o Michael "Ben" Emerson, que dizia para a gente reparar que, em cada temporada, a narrativa dava um passo para trás. Na primeira, assistimos aos sobreviventes do desastre em uma praia numa ilha deserta. Depois descobrimos que a ilha não é deserta e que houve um grupo de cientistas que instalou uma série de câmaras ali nos anos 70 e 80. Na terceira, há outro grupo, que exterminou os cientistas e se diz dono da ilha, Os Outros. Na quarta, vemos que a ilha faz parte de um jogo global em que Widmore e Ben trocam farpas como se estivessem em uma mesa de baralho. E na quinta? O planeta? Além dele?

Tudo especulação. O fato é que isso me dá mais munição pro assunto de outro dia: uma possível conexão entre Lost, Indiana Jones e Arquivo X.

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Comments

muito bom o texto! queria viajar no tempo pra 2009 chegar logo kkkkkkkkkk

o sawyer é fodão, na minha opinião, ao lado do desmond, o personagem melhor construído. aquele ep. flashback sobre a vida dele tá nos top 10 de toda série.

bacana o texto.
agora tenho mais assunto pra mesa de bar.

tem muitas informações e discussões interessantes no lostpedia, conhece?!

ótimas explicações do inexplicavél!!

muito boa mesmo as deduções do que a pra vir

minha aposta é que através de jeremy bentham [panóptico e utilitarismo] vai dar pra compreender a ilha. e acho também que na quinta temporada, essa ligação ficará mais clara.

legal essa tiuria! ainda fico com as anteriores, por hora - inclusive uma q acho bem legal dos Outros serem descendentes [semi-]imortais da tripulação no navio Black Rock.

os produtores deram uma pista legal, sobre os esqueletos nomeados Adão e Eva [da 2a temporada, acho] serem a chave de muita coisa e o que a gente vai lembrar no derradeiro episódio da série ['ah, então era aquilo'...]. e eu tenho um palpite vago de que podem ser os esqueletos de Aaaron e Ji Yeon, a filha de Sun e Jin].

ah, e a Sun comprou a parte dela na empresa com a indenização que recebeu da Oceanic pela queda do seu vôo; pelo menos é o que ela diz pro pai embasbacado no episódio. de repente o Ben deu uns 'trocados' pra ela servir de mais uma peça no tabuleiro dele.

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