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A volta de Mulder & Scully

Arquivo X 2, ao que parece, é só um prelúdio da segunda vinda da série

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Fui ver o Arquivo X 2 ontem e o filme é razoável. Não recomendo pra quem não gosta da série - ou pra quem não tem as referências -, porque, assim, o filme é apenas fraco. É basicamente um filme sobre o reencontro entre Mulder e Scully - com um caso que não faz parte da mitologia oficial da série. Mas o fato de ser um filme ruim não quer dizer que a série vá parar por aí: muito pelo contrário.

No tempo de Arquivo X, a mídia que utilizávamos para assistir séries depois que elas passavam na TV era a fita VHS e para acompanhar um seriado no exterior você tinha que ter um amigo bem gente boa que gravasse e mandasse, pelo correio, essas fitas periodicamente - como alguns jornalistas que cobriam TV no Brasil faziam, no começo dos anos 90 - ou esperar por compilações em vídeo que reuniam alguns episódios na tentativa de atrair novos espectadores para o seriado.

Pois é, não havia DVD muito menos temporadas inteiras de séries à venda ou para alugar. Baixar um episódio pela internet era uma espécie de lenda urbana que todo mundo já tinha ouvido falar ("um amigo meu deixou o computador ligado por duas semanas e baixou um filme!") mas longe da realidade e as séries americanas não eram tão importantes quanto os filmes de Hollywood (ou mais, como hoje - outro dia eu falo disso).

O fato é que Arquivo X passou assim por um bom tempo e as pessoas realmente grudavam no aparelho na hora em que ia começar. Tinha uma reprise, mas era religioso - e algo em torno de seis meses depois de exibido nos EUA.

Falando assim, parece a Idade Média.

Corta pra 2008, quando séries - traduzidas e legendadas - são exibidas informalmente no dia seguinte da sua transmissão para todo o planeta e o que é Arquivo X? Uma enorme pilha de DVDs esperando para ser assistida!

Arquivo X foi o seriado que deu origem a esse novo formato que consumimos hoje. Em vez de pequenos filmetes toda semana que terminam sempre numa boa, as aventuras de Mulder e Scully eram um enorme filme que assistíamos aos poucos. O marco-zero desta novidade é o Twin Peaks de David Lynch, mas Chris Carter, o criador do Arquivo X, transformou o clima freak e de fantasia da cidadela do noroeste americano em um saga de paranóia e explicações pseudo-científicas, misturando razão e fé em dois personagens que, se não funcionavam sozinhos, faiscavam quando colocados juntos.

E eis aí os dois agentes do FBI de volta num filme em que nada acontece. Inocência? Pé frio? Tudo errado?

Longe disso. A impressão que eu tenho é que Arquivo X, o segundo filme, reabre a série para um novo público, sem expectativa de revival. É uma retomada, de fato. As nove temporadas da série não só já foram relançadas em DVD como já estão - todas elas - entre os cem DVDs mais vendidos da Amazon, além de estar nas prateleiras das principais megastores do Brasil - e, provavelmente, do mundo. Já já o filme sai do cinema e moverá-se em direção da TV, o que inevitavelmente fará a série voltar à programação - tanto da TV a cabo como da aberta. E aí sim, veremos um terceiro filme que, certamente, terá alienígenas e vários dos personagens consagrados na primeira vinda da série - além de outros, novíssimos.

Acho que ganhamos mais tempo para falar daquela conexão entre Lost, Indiana Jones e Arquivo X, portanto. (Mas a conexão do filme com o Fringe é mais do que evidente, perceba.)

E se você for assistir ao filme no cinema, fique até os créditos começarem a passar. O gelo derreterá, surgirá um oceano e você verá uma cena hilária.

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