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Antes "Antes" que "Depois"

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Com uma pequena ajuda dos amigos (Hector e Frá, Luciano e Mariana), cheguei na tal música impossível de baixar, a nova dos Mutantes. Que tosqueira. Em poucas palavras: é o Sérgio Dias tentando compor como o Arnaldo Baptista. E quem conhece o trabalho de Sérgio solo ou dele comandando os Mutantes após a saída do irmão sabe o nível da tragédia. A música é uma tentativa de psicodelia a partir de andamentos de acordes e arranjos de instrumentos específicos e temas. Temo crer que se a dupla Michael Sullivan e Paulo Massadas resolvessem emular os Mutantes não sairia algo tão tosco, com trechos de puro constrangimento alheio como "você é os mutantes depois", "o bruxo do luxo chorou" e "eles disseram que eu me perdi/ na balada do louco na noite" - fora o coda com "burnin' it" que clona (ao menos tenta) descaradamente o encerramento das faixas psicodélicas dos Beatles. Tudo é vergonhoso.

(E antes que alguém venha dizer que "no chão vê folhas secas de jornal" ou "não há mais dia 36, tudo começa outra vez" também são letras bestas, eu peço para ouvir as músicas - a interpretação é a chave da história. Sérgio Dias canta com empolgação de jingle da Unesco.)

Tudo bem, o cara quer dizer que "é os Mutantes". Ele tava lá, ele era um deles mesmo. Quer ganhar dinheiro com isso, ótimo. Justo. Muitos não puderam assistir ao grupo na época, muitos sequer eram nascidos e se deliciaram com a oportunidade de ver clássicos ao vivo (eu mesmo, o show no aniversário de São Paulo no ano passado foi antológico), mas é só nostalgia, parque temático sobre um passado distante. É o que une os novos Mutantes ao Roger Waters tocando Dark Side of the Moon, ao Pixies tocando toda discografia melhor que qualquer banda cover de Pixies, os Sex Pistols gordaços tocando juntos de novo ("a maior picaretagem do rock'n'roll - indeed"), o Ian Atsbury encarnando o Val Kilmer com dois ex-Doors ou o Brian Wilson regravando Smile.

Mas os Beatles pegaram um recado da secretária eletrônica do John Lennon para fazer sua "música nova" enquanto David Gilmour chamou a mulher para dar uma mão nas letras do Pink Floyd pós-Waters. Já Sérgio Dias juntou sua galera e gravou uma tentativa de tributo ao próprio grupo e à nova geração de fãs. A intenção é boa, mas você conhece o ditado. E a música é só isso: intenção (gringo compra, mas gringo compra qualquer merda, né?). Aperte o "play" por sua conta e risco.

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Comments

aí matias...
Isso é o que a gente aqui chama de "Momento TVCOM".
... e o Sérgio Dias não desiste... que lástima!
abs.

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