South Park In Rainbows

Imagine que você é um músico e tem uma banda ou um diretor de cinema e seu disco/filme é freqüentemente baixado ilegalmente por pessoas ao redor do mundo. Se você for agir dentro da lei, gastará dinheiro, tempo e paciência para encontrar cada "pirata" (qualquer sujeito com um computador e boa conexão com a internet, não precisa nem ser na própria casa) e processá-lo, além de correr o risco de sapatear histérico sobre a própria reputação.
Uma outra opção é você mesmo distribuir seu material. Pensa bem: se tudo vier com boa qualidade e estiver bem organizadinho, os fãs não vão procurar em outro lugar senão da fonte. Eles até pagariam por isso, mas, no mínimo, farão um cadastro para baixar seu produto e você saberá quem é que quer conhece-lo. Pode entregar material exclusivo, marcar papos semanais ou mensais, rascunhos, enfim - transformar sua atividade pontual (um disco por ano, um filme a cada dois anos) em uma atividade contínua, como um site. Nele, tudo que pode ser "pirateado" (ou, sem o eufemismo legal, digitalizado) vai ser oferecido de graça. Tudo que não pode ser, tem um preço. E o contato com o seu público agora é direto, na casa do fã. Sem gravadoras, sem várias etapas no caminho, sem um monte de salários para pagar e com uma parte mais substancial da venda para receber.
Foi isso que fez o Radiohead no ano passado e está sendo imitado a torto e a direito. O disco vai ser lançado, tudo bem. Só que até ele chegar na loja, corre o risco de ter o percurso desviado e cair na internet, inevitável. Então porque não entregar direto na rede - e centralizar o séquito de fãs?
É isso o que os caras do South Park estão fazendo agora com o site South Park Studios. O site é uma parceria dos criadores do desenho - Trey Parker e Matt Stone - com o canal Comedy Central, da Viacom, que o exibe desde a primeira temporada (a atual é a décima segunda - é... O tempo passa...). No site, é possível assistir cada um dos mais de 150 episódios com Kyle, Stan, Cartman e Kenny, que estão na íntegra e divididos em milhões de clipes (estes, diferentes dos episódios, podem ser "embedados" em outros sites à vontade). Em outras palavras: pra que procurar no YouTube quando se pode ir direto no catálogo principal?
O mais legal é o motivo que levou a dupla a criar o site - eles tavam de saco cheio de baixar os próprios episódios da internet. Às vezes queriam ver um determinado trecho ou episódio e não encontravam ou demorava demais pra baixar.
Vamos ver como é que vamos medir o possível sucesso desse novo site. Se In Rainbows podia ser contabilizado no download e nos discos vendidos, este ficará nas contagens de episódios inteiros assistidos, trechos colocados em outros sites ou pageviews? Acredito que, pensando o site da internet como uma base do programa de TV, é possível ampliar o escopo do desenho pro lado que eles quiserem. Taí Lost como melhor exemplo disso.