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novembro 30, 2006

Vida Fodona #057: É meio que o meu dia-a-dia

Dose dupla de mashup de Beatles, indie-pop goiano, nova do Z’África, velha do KC, funk remix, pista do MySpace, o hit do finde passado, brinde vitrolista, indiesmo no talo, Lily Allen macia, Kassin surf music e as dicas sobre a cena mashup brasileira.

- “Lady Madonna” - Beatles
- “True School Walrus” - Flying White Dots Staring at the Sky
- “Rapture Rapes the Muses” - Of Montreal
- “Nobody Moves, Nobody Gonna Get Hurt” - We Are Scientists
- “Da Quebrada, a Vida é Rara” - Z’África Brasil
- “Montagem Cruel” - Bonde dos Carecas
- “Bonus” - X-Ectuoneers
- “Passion” - Killing Chainsaw
- “For Myself” - Grape Storms
- “Indian Maracas” - PELVs
- “Everything’s Just Wonderful” - Lily Allen
- “O-Hot Brain (Original Mix)” - Onetwo
- “Discotech (Weird Science Remix)” - Young Love
- “Homem ao Mar” - Kassin + 2

Tó.

"I don't see a white boy..."

Vocês viram o episódio perdido de Seinfeld?

"...i see a damn fool!"

Lúcio Ribeiro convida...

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Talvez melhor que o Bonde do Rolê seja ver o Gorky discotecando. E ele toca hoje com o Lúcio, no Vegas (a lista dos caras inda tá em aberto, se agiliza), que pediu pra dar um toque pra quem tiver a fim. Eu recomeindo.

novembro 29, 2006

We're all one

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Coluninha da Simples nova, que tá na banca agora...

***

Todos, um só

“Conjuntos com guitarras já eram”, disse um executivo da gravadora Decca ao dispensar ninguém menos que os Beatles. É muito fácil rir disso depois que os Beatles se tornaram um fenômeno, mas como ele poderia prever? Era uma época em que os principais artistas do planeta eram trovadores solitários, vozes ou instrumentistas que imprimiam seu próprio nome de batismo (ou pseudônimo) como marca na capa de um disco, no cartaz de um show, nos créditos do cinema.

Então, qual credibilidade de um grupo com quatro pessoas que preferia esconder seus nomes de verdade atrás de um rótulo que nem é um nome de verdade? Podia ser um trocadilho de besouros com ritmo ou qualquer outro nome, podia ser os Beatles ou qualquer outro grupo. É muito pouco provável que qualquer outro executivo de gravadora achasse aquilo uma grande sacada. Tanto que a gravadora que contratou o grupo mais tarde, a EMI, não foi atrás – foi preciso muita insistência do empresário da banda, Brian Epstein, para que a banda fosse ouvida e concessões tiveram que ser feitas (a mais notável foi a saída de Pete Best para a entrada de Ringo Starr).

O trunfo da visão é todo de Brian. Foi ele quem viu quatro moleques fazendo barulho num porão decadente de uma cidade portuária do norte da Inglaterra e viu algo fora do comum. Não eram as composições, mesmo porque boa parte do repertório deles eram versões de músicas americanas. Não era a aparência, pois eles pareciam – e eram – moleques proletários posando de bad boys do cinema. Não era a técnica nos instrumentos – crua, rústica –, os arranjos – pobres – ou mesmo o carisma com o público – que era inegável.

O que clicou Brian era o fato de que os quatro não se comportavam como quatro pessoas, quatro indivíduos. Mas como uma gangue. Como um grupo, como uma unidade só. Essa talvez tenha sido a grande revolução dos Beatles não seja musical – e sim comportamental. Melhor e mais divertido.

Depois eu falo mais disso.

novembro 28, 2006

Um mais um

Ah sim: hoje o Sujo completa onze anos. Não que isso seja de importância pra alguém além de mim, mas enfim, taí o registro. Onze anos, que coisa...

300 Filmes

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Chegou nas bancas no finde passado (primeiro Rio e SP, depois o resto do Brasil) o guia 300 Filmes para Ver Antes de Morrer, mais um frila com a chancela de qualidade Trabalho Sujo. E não só a minha: o livro foi editado ao lado do Maron e tem textinhos de bambas como Fred Leal, Vladimir Cunha, Dafne Sampaio e Arnaldo Branco. Aqui tem uma pagininha não-oficial com alguns exemplos de páginas e dando uma geral no livrinho que, custando 20 pilas, é, fácil, o melhor guia de filmes publicado em bancas de jornal no Brasil.

novembro 26, 2006

Amador!

Dica do Fred: edição é tudo.

Everyday is like Sunday

Eae, se eu passei por você ontem no Nokia e pareci fingir que não te vi, liga não - noite daquelas, cê manja, mal aê. Curti bem o We Are Scientists, não esperava metade - o resto, mal lembro. Lembro das minhas lombadas de livro, na TV do meio, da fila de cima. E hoje, só pra constar o post, tá o link pro podcast da Bizz em que eu falo da matéria de capa, ampliando uns temas que ficaram pela metade na revista.

novembro 25, 2006

Vídeo Fodona

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Agora agüenta: me arrumaram uma câmera preu fazer um videolog. Detratores, detratem-me. Picaretagem, pós-intelectualismo ou artsy-fartsy? Eu voto nas três, claro. Who cares: filmei umas lombadas de livros, botei umas músicas de BG e fiz dez filmes que vão ser exibidos hoje, no stand do Resfest do Nokia Trends. Aliás, quem vai?

Vida Fodona #056: Muito mais esquema

A princípio, tudo indo...

- "Palco" - Gilberto Gil
- "Mamãe Virei Capitalista" - João Brasil
- "Long Distant Call (25 Hours a Day Remix)" - Phoenix
- "A La La (Bonde do Rolê Mix)" - Cansei de Ser Sexy
- "Zombie" - Azymuth
- "Regret" - New Order
- "Borrowed Time" - John Lennon
- "Promiscuous (Silk Remix)" - Nelly Furtado
- "69 Police (Four Tet Remx)" - David Holmes
- "Whoo! Alright, Yeah... Uh Huh! (Simian Mobile Disco Remix)" - Rapture
- "Rock You Girl (Mark Ronson Remix)" - Justin Timberlake
- "Monster Hospítal (MSTRKRFT Remix)" - Metric
- "Toop Toop (Martin Eyerer Remix)" - Cassius
- "Waiting for My Man (Backstage Sluts Remix)" - Velvet Underground
- "Back to Discos" - Loto
- "Hábitos Delinqüentes" - Autônomo
- "Within You Without You/ Tomorrow Never Knows" - Beatles

Por aqui.

VSP

Sabadão na Ilustrada, depois de uma quinta no far east da ZL...

David Lloyd mapeia São Paulo

Convidado para retratar a metrópole na série Cidades Ilustradas, quadrinista visita locais inusitados; "tenho a obrigação de entender a cidade como um todo", diz o ilustrador de "V de Vingança", que participa de evento hoje na Fnac

“Você já reparou que os carros em São Paulo são pintados de preto, branco ou cinza?”, pergunta-me David Lloyd em frente à subprefeitura da Cidade Tiradentes, a região mais leste da Zona Leste de São Paulo. Um dos autores da minissérie “V de Vingança”, o inglês de 56 anos - olhos pequenos, caminhar relaxado - passeia pela cidade até o próximo dia 3, enquanto vai dos lugares mais improváveis de São Paulo aos mais corriqueiros, entre eles uma sessão de autógrafos que acontece hoje na Fnac Pinheiros e um bate-papo na próxima segunda-feira, na Universidade Mackenzie.

O motivo da passagem é que Lloyd será o autor do sétimo volume da coleção Cidades Ilustradas, da editora Casa XXI, que já publicou edições dedicadas ao Rio de Janeiro, Belém, Belo Horizonte, Curitiba, Salvador e as cidades históricas de Minas Gerais, vistas pelos olhos de quadrinhistas nacionais e estrangeiros - entre os últimos, bambas como o francês Jano - autor do rato punk Kebra -, que fez o Rio, e o espanhol Miguelanxo Prado - da graphic novel “Mundo Cão” - que desenhou a capital mineira.

Num calor de quase 40 graus, o desenhista não se abala e fotografa de vez em quando, sem nunca fazer rascunhos ou desenhar nada, só anotações mentais. “Eu sou inglês, meu caro. Nós não nos importamos. Quanto mais difícil, melhor”, ri.

A convite da editora, Lloyd aceitou o desafio de fazer São Paulo. “A única vez que havia vindo ao Brasil foi em 2003, quando vim para o Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte e passei pelo Rio, rapidamente. Não conheci São Paulo. Por isso, o convite é uma espécie de desafio. E como é um trabalho também - tenho prazo, salário -, eu tenho a obrigação de entender a cidade como um todo, ir além do turista e do artista. Se fosse um trabalho autoral, eu não teria a necessidade de falar de tudo. Eu podia contar a história de uma pessoa, de um bairro. É como se eu fosse para uma floresta e desenhasse apenas uma folha. Ainda é a floresta, mas não é ela inteira”.

A comparação de São Paulo com uma floresta suscita outras impressões que a cidade passou para o artista. “O Roberto (Ribeiro, editor da Casa XXI) me pediu para fazer o livro em preto e branco, com algumas referências de cor, aqui e ali. Mas, além das cores dos carros, o que me impressionou foi o contraste entre o cinza e o verde”, continua. “O cinza é muito mais presente do que em Londres, Nova York ou outras grandes cidades pelo excesso de concreto que se usa nas obras - e como esse concreto fica à mostra”.

“Já o verde vem em todos os lugares. Tudo bem, São Paulo é uma cidade poluída, mas há verde por toda a parte, muito mais do que em qualquer outro lugar deste porte. E o verde funciona como uma metáfora para as pessoas, que parecem aparecer de todos os lugares. Existem duas regras que parecem explicar a cidade: os pobres só têm aquilo que os ricos deixam eles ter e os pobres tomam à força o que eles querem ter. O equilíbrio entre estas duas forças, que dá origem a estas casas feitas de papelão, embaixo da ponte e a comunidades pobres enormes, dá o tom da cidade”.

Lloyd já passou por pontos óbvios da cidade - como o bairro da Liberdade e o Terraço Itália -, mas também visitou pontos distantes do dia-a-dia do paulistano, como a Cratera da Colônia, no extremo sul da cidade, onde uma comunidade de 20 mil pessoas mora num buraco formado pela queda de um meteoro. “É uma cidade com muitos contrastes, muita variedade de tudo - comida, música -, mas não é isso que faz São Paulo diferente das outras metrópoles. Seria diferente se não tivesse. Há um otimismo recorrente nas pessoas, independente de como elas vivem, e ao mesmo tempo um olhar de resignação. E há um fascínio incrível por carros!”.

Mais que o desenhista de “V de Vingança”, Lloyd foi co-autor da minissérie que virou filme dos irmãos Wachowski - foi dele a sugestão de colocar um bandido contra o estado, de dar um clima cinematográfico à obra e de não usar nem balões de narração, de pensamento ou onomatopéias na história. Ao contrário do outro autor, o venerado Alan Moore, Lloyd não se incomodou com a adaptação para o cinema e manteve seu nome no filme. “A essência da série está ali. A história é outra, afinal de contas, é um filme”, ele dá de ombros. David também aproveita a vinda ao Brasil para negociar o lançamento no país de sua nova série, “Kickback”.

Sessão de autógrafos com David Lloyd
Hoje, às 16h
Local: FNAC Pinheiros (av. Pedroso de Moraes, 858. Pinheiros)

Encontro com David Lloyd
Data: 27 de novembro, segunda-feira, às 20h
Local: Universidade Mackenzie (Rua da Consolação, 930)
Entrada franca

novembro 24, 2006

Confusão? Que confusão?

novembro 23, 2006

Mashing upings

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Coluninha na Trip, pá-pum, se liga...

***

Dois em um

“For Those About to Clown” – DJ Riko
O produtor francês pegou o riff básico de “For Those About to Rock” do AC/DC, uma virada de bateria tocada pelo John Bonham do Led Zeppelin e o vocal emocionado de Smokey Robinson cantando “Tears of a Clown” e fez uma música cool e enxuta, com cara de rock arena dos anos 80 bem feito – e pop até dizer chega.

“Sleeping” – CCC
Uma das pérolas centrais do disco Revolved, em que o produtor inglês Chris Shaw, funde o clássico disco dos Beatles de 1966 com hinos de diferentes épocas da história do pop. Essa joga o vocal de “I’m Only Sleeping” sobre a base trip hop do Portishead em “Glory Box” (por sua vez, tirada de “Ike’s Rap”, de Isaac Hayes), acrescentando cítaras de “Within You Without You” e os animais de “Good Morning, Good Morning”, duas faixas do Sgt. Pepper’s.

“Only Ur Lullaby” – Team9
A base galante e sinuosa do Cure em “Lullaby” funciona como base para os vocais da musa menor R&B Ashanti soltar sua “Only U” – criando, assim, uma música inteiramente nova – densa e suave, doce e amarga, indie e soul na mesma medida. Brilhante.

I look at the world and I notice it's turning

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E na Ilustrada de hoje...

Beatles animam Cirque du Soleil

Produtor George Martin cria "Love", um ótimo mix de samples que é trilha para novo espetáculo da trupe; álbum, que ganha lançamento mundial, repassa a história da banda com colagens sonoras de diferentes músicas

Eis a premissa, prepare-se para erguer as orelhas: nem Paul, nem Ringo, nem Yoko participaram efetivamente do novo produto que leva a chancela oficial dos quatro de Liverpool. O novo disco com o nome do grupo, que chegou às lojas do mundo inteiro esta semana, mais do que uma coletânea é um, er… “medley” gigantesco, em que Sir George Martin e seu filho Giles repassaram a carreira da banda como trilha sonora do novo espetáculo do grupo canadense Cirque du Soleil encenado em Las Vegas. Dá pra ver os olhos dos fãs se arregalarem num silêncio assustado e o sorriso malicioso dos chatos antibeatles crescer. Sabemos o quanto os Beatles podem ser piegas - principalmente, postumamente - e qualquer um está fadado a pisar na lama do fundo do poço.

Desfaçam a expressão - não foi agora. Com “Love”, o mais novo CD do grupo, os Beatles mais uma vez fazem jus à sua fama de topo do pop e acrescentam mais uma cotação máxima à sua estrelada carreira fonográfica. Com pouco mais de uma hora e vinte e seis faixas que reúnem trechos de nada menos que 130 canções do grupo, George Martin deixou de lado obviedades como temas orquestrados, regravações com novos intérpretes e novas composições para fazer uma homenagem à altura do legado do grupo formado por John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr.

É um conceito incrível e mais incrível é a forma como ele funciona. “Love” é uma sinfonia de samples de diferentes fases da carreira do grupo, que entrelaçam canções umas às outras, criando um fluxo coeso de sentimento e informação. É o conceito de mashup que parte de um dos agentes do principal movimento cultural do século vinte, depois desta cultura de colisões musicais já haver flertado com os quatro de Liverpool em inúmeros bootlegs avulsos e discos inteiros, sendo o infame “Grey Album”, do DJ Danger Mouse (vocais do “Black Album” de Jay-Z sobre instrumentais do “White Album” dos Beatles), seu principal exemplar.

O resultado é inacreditável. Com maior ênfase no período posterior a 1966, quando os quatros desistiram de fazer shows ao vivo para dedicarem-se e existirem apenas nos sulcos dos discos do vinil, “Love” é a versão de Martin para o “Anthology”. Em vez de simplesmente revisitar os arquivos da banda ou tratar em estúdio com qualidade superior (o que também acontece neste disco, mas não é o principal atrativo), o produtor de todos as gravações do quarteto - um dos poucos seres vivos a ter o título de “quinto beatle” - resolve interferir no passado, “retocar a Mona Lisa”. Sim, ele opta pela heresia, reinventando músicas do grupo ao fundi-las umas com as outras.

Não podia ter sido mais feliz. Para quem gosta de cultura pop, “Love” é “a” aula sobre Beatles para ser dada aos iniciantes e uma cápsula do tempo sobre a importância do histórica do grupo. A base de “Tomorrow Never Knows” serve de apoio para o vocal de “Within You Without You”, ressaltando a influência indiana na psicodelia. “Strawberry Fields Forever” passa por suas diferentes versões - da demo ao violão à versão final - em um só take, numa clara homenagem ao passo mais ousado do grupo. “For the Benefit of Mr. Kite!” descamba na segunda parte de “I Want You (She's So Heavy)” e o violão de “Blackbird” serve como introdução para “Yesterday”; o solo de “Taxman” entra em “Drive My Car”, o final de “Come Together” se mistura ao de “Dear Prudence”. Exemplos felizes destes transplantes musicais estão por todo o disco.

Já para o fã dos Beatles, o disco é um sonho. Não importa o quão brega (ou não) seja o musical circense, com personagens das canções se juntando à história da banda. Sozinho, a trilha é uma montanha-russa de sensações novíssimas, criadas a partir de velhos sabores. No imenso mashup de pai e filho Martin, os Beatles não só surgem como o principal legado cultural do século passado, mas como visionários sônicos, que abandonaram a performance ao vivo para abraçar as infinitas possibilidades do som gravado - abrindo uma fronteira cuja exploração assistimos até hoje.

novembro 18, 2006

"You gotta loaded side/ This is the prize"

Bom feriado aê pra geral.

novembro 16, 2006

As melhores músicas do mundo

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Ainda desnorteados pelo New Order ou esse feriado no meio da semana deu pra desanuviar?

Tomara, porque nessa sexta-feira tem mais "Gente Bonita, Clima dePaquera" ali no Bar Treze, em frente à Faap.

Assumiremos os CDJs com nossos CD-Rs pra lembrar que, mais que o hype da semana que vem e o hit que ainda não estourou no MP3blog mais conhecido da Bélgica, música pra dançar é música BOA - sem distinção de país de origem, época de lançamento, campanha de marketing, posição nas paradas de sucesso ou gênero musical. Aliás, você sabe, às vezes até uma música entra na outra e vira uma terceira - mas sem preciosismos de DJ. Ou seja, as melhores músicas que você conhece - daquelas do tipo que te faz desistir de ir embora, e sair correndo para dançar no momento que estava pagando a comanda – e músicas que vão fazer parte do seu playlist pessoal nos próximos meses - mas que neste exato momento você nem sabe que elas existem!

E, dividindo-se entre o começo da festa e momentums fotolog/colunismossocial, a primeira convidada - de uma série de muitas - de nossas noitadas, a reclusa onipresente DJ Mulher, que além de entrar no espírito da festa, ainda é nossa fotógrafa - e produtora, MC, DJ, atual Lily Allen versão brazuca e grafiteira do grupo de low-funk carioca Os Princesa.

Dez reais pra entrar, mas na nossa lista é cincão. Basta entrar no www.gentebonita.org e deixar o seu nominho (ainda dá pra incluir seu +1 e dar pitaco no repertório...) E é SEXTA - ou seja, dá pra ficar até ALTAS.

E é óbvio que vamos tocar Blue Monday (se pura ou misturada com Hung Up, Without Me ou Can't Get You Outta My Head é que eu não sei...) e é claro que você a dançará como se fosse a primeira vez.

Sexta-feira, dia 17 de novembro de 2006
Discotecagem: Luciano Kalatalo, Alexandre Matias e Dj Mulher (convidada)
Local: Bar Treze - Rua Alagoas, 852 Higienopólis (em frente à Faap)
Telefone: 11 3666-0723
Horário: A partir das 23h
Preço(s): R$ 5,00 (é só se cadastrar no site: www.gentebonita.org)

Assim na terra como no cel

Nessa quinta, às 18h, medio um papo sobre música e celular no MobileFest, evento que começa hoje e vai até domingo, no Sesc da Avenida Paulista.

Painel 1
As partituras que vibram

Debatedores
Leonardo Xavier - Ligaki
Pedro Paranaguá - Creative Commons Brasil / CTS - FGV
Gustavo Mansur - TIM

Mediação
Alexandre Matias

Local: Auditório do SESC Paulista

Av. Paulista 119 CEP: 01311-903 / São Paulo / SP
Estação Brigadeiro do Metrô
Tels: 11-3179 3716 ou PABX 11- 3179 3700

mobilefest@avenidapaulista.sescsp.org.br

Inscrições - AQUI !

novembro 15, 2006

Vida Fodona #055: Vamo ver se eu consigo

Depois de uma estratégica mas involuntária pausa de meses fora do ar, volto à labuta como se nada tivesse acontecido... Tisque, tisque, hein...

- "Ooh La" - Kooks
- "Salve" - Tommy Guerrero (com Curumin)
- "MPB" - Mr. Catra e DJ Edgar
- "I Wanna Be Your Dog" - Uncle Tupelo
- "Ch-Ch-Check it Out (Mark Ronson RMX)" - Beastie Boys
- "Daft Punk is Playing in My House (Shibuya Soulwax Remix)" - LCD Soundsystem
- "Community Revolution in Progress" - MSTRKRFT
- "Afrihouse" - São Paulo Underground
- "We Share Our Mother's Health" - The Knife
- "Crazy in Love" - Snow Patrol
- "More is Enough" - Epic Man & Plan B
- "Ogodô 2000 (Monstrão Remix)" - Lucas Santtana
- "Hustler" - Simian Mobile Disco
- "Frog Rock" - Supercordas

...and we're back!

novembro 14, 2006

Mashup o Culote

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Materinha pra Outracoisa, a revistadolobão, que vem com um CDzinho do Carbona encartado...

Mexidinhas

O mashup, a justaposição de músicas diferentes em um mesmo single, é um fenômeno online, uma subcultura clandestina, uma fonte inesgotável de hits e uma tendência econômica. E está apenas começando

De um lado, o ritmo cru e a putaria clandestina que negros americanos faziam com guitarras elétricas, baixo e bateria. Do outro, a toada pesada e o senso de bebedeira que brancos americanos faziam com banjos, violões e percussão. Moleques entre 20 e 30 anos que tentavam a sorte no incipiente mercado de discos – ganhar dinheiro se divertindo era possível! – e que cantavam sobre sexo, álcool e confusão nos mesmos compassos, tempo e pegada. Eram apenas divididos por barreiras raciais e econômicas, mas um profeta chamado Sam Philips anunciou a chegada do escolhido quando ele descobrisse "um branco com voz de negro". Elvis Presley canalizou ambas subculturas em algo único – rhythm'n'blues com sotaque de caubói, country'n'western com suíngue de negão. Representava duas culturas como se elas fossem uma mesma, ao tocar gêneros diferentes na mesma levada. O veículo para a mudança havia sido tecnológico e técnico – instrumentos fáceis de se tocar, tocados de forma simples.

Cinqüenta anos passados e o universo inaugurado pelo big bang de Elvis segue em franca expansão. Da fusão original que inventou um modismo dançante nos anos 50 nasceu uma imensa e fragmentada árvore genealógica, cujos galhos se entrelaçam quase sempre, mesmo quando crescem em direções opostas. E, apesar de não existir uma consciência de que a história do rock surgiu da justaposição de realidades diferentes, é notável que os grandes momentos desta história aconteceram quando estas colisões cognitivas comandaram o imaginário coletivo.

Os Beatles venderam, primeiro para a Inglaterra, depois para os EUA e finalmente para o mundo, que a colcha de retalhos da música popular americana dos anos 40 e 50 era, na verdade, uma só trilha sonora. A psicodelia diminui as distâncias entre bandas de rock e o ocultismo, as drogas de expansão da consciência e outras experiências místicas. O punk rock surgiu de uma estranha semelhança entre as bandas de garagem americanas e a apatia dos jovens operários ingleses. O reggae começou como uma tentativa de se fazer soul music no Caribe. O indie rock sempre emulou o rock clássico em condições opostas – o anonimato em vez do estrelato, o fracasso em vez do sucesso, a fraqueza em vez do poder. O grunge chocava hard rock farofa com hardcore tosco. O hip hop transformava o MC dos bailes em uma estrela do canto falado e o DJ, que usava trechos de músicas, em um instrumentista pilotando uma vitrola. Em todos estes momentos – todos cruciais para a formação e consolidação do rock e da música pop como trilha sonora de nossos tempos – aconteceram as mesmas duas coisas que ajudaram a criação e popularização do rock'n'roll: técnica e tecnologia se tornando mais acessíveis, baratas e simplificadas, proporcionando a criação de novas músicas e gêneros criativos a partir da simples soma de duas realidades.

Em pleno século 21, isso é nítido. Fãs de música eletrônica começam a entender o bate-estaca do rock – e via electro, um gênero inventado pelo hip hop. Roqueiros skatistas passam a entender o groove negro e fundi-lo com guitarras pesadas. A lógica do dub e do funk africano passa a definir novos subgêneros em áreas diferentes como samba, techno e jazz. Rock, rap, música eletrônica, dance music – tudo é entendido na mesma batida, no mesmo riff, na mesma frase repetida várias vezes.

Até que, em 2001, o inglês Roy Kerr, usou a base de “Hard to Explain” dos Strokes com o vocal de “Genie in a Bottle”, da Christina Aguillera, para lançar-se com o nome de Freelance Hellraiser. A dupla de irmãos belgas David e Stephen Dewaele foi ainda além e juntou pedaços de várias outras músicas em um longo mix que casava gêneros e canções tão diferentes quanto “Push It” do grupo de hip hop Salt’n’Peppa e “No Fun” dos Stooges ou “Dreadlock Holiday” do 10cc com “Independent Woman” das Destiny’s Child em um longo set lançado com o nome de As Heard on Radio Soulwax – Part 2, assumindo profissionalmente um codinome de brincadeira, 2ManyDJs. E embora o uso de pedaços de canções para construir diferentes faixas seja um hábito quase tão velho quanto a história do rock’n’roll (experiências com vitrolas feitas pelo compositor francês Pierre Schaffner datam dos anos 50, a psicodelia inglesa já havia superposto a narração da “invasão marciana” feita por Orson Welles nos anos 30 sobre uma base de rock, o hip hop e a acid house já tinham discos clássicos – Paul’s Boutique dos Beastie Boys e Straight Outta Compton dos NWA de um lado, Into the Dragon do Bomb the Bass e as experiências da dupla Double Dee & Steinski do outro), foi no primeiro ano do novo século que este hábito tornou-se um gênero próprio que cresce cada vez mais: o mashup.

Também conhecido como “bastard pop” ou “bootleg” (ou abreviações como “booty” ou “boot”), o gênero, como mais um sólido degrau na escalada do pop, propõe a fusão de realidades diferentes a partir de facilidades tecnológicas e técnicas. São duas ações simultâneas: programas de edição de áudio de interface cada vez mais simples e de resultados convincentes e profissionais caminham lado a lado com a proliferação de arquivos de áudio de toda espécie através da troca de MP3s online. Assim, um material que antes era disponibilizado apenas para DJs – modalidade que, à medida em que a eletrônica e o hip hop ganharam terreno, tornou-se tão distante do público quanto o decadente popstar – passou para a mão de pessoas com uma boa conexão online, um processador potente e um HD parrudo. É um passo ainda além do “faça-você-mesmo” do punk rock – quem faz música, nesta cena cada vez maior, são as mesmas pessoas que baixam e compartilham música na internet. Ou seja – gente que nem eu e você.

Citar nomes destes artistas é algo improdutivo, pois eles se multiplicam numa velocidade incrível, pelo simples fato de, ao ouvir um mashup, qualquer um comece a cogitar possibilidades de fusões musicais. Uns vêm da colisão de extremos opostos (Eminem com Smiths?), outros de possibilidades lingüísticas (há uma faixa que reúne quatro canções chamadas “Last Night”/“Last Nite”) e trocadilhos infames (“Smells Like Beach” reúne Nirvana e Beach Boys) – e saem das cabeças, mãos e mouses de pessoas chamadas CCC, DJ Zebra, Go Home Productions, DJ BC, Lenlow, Arty Fufkin, DJ Moule, Bobby Martini, C.H.A.O.S. Produtions, Team9, A plus D, Party Ben, DJ Riko – mas é só puxar qualquer um deles pra descobrir uma outra lista de artistas anônimos e igualmente numerosos.

A subcultura mashup se movimenta na internet e em festas – San Francisco, Nova York, Londres e Paris têm suas cenas consolidadas a partir destas baladas – e não se restringe a reciclar flashbacks. Um dos principais desafios destes produtores é capturar o sucesso mais recente e misturá-lo com hits do passado: LCD Soundsystem, o último disco de Madonna, a “Promiscuous” de Nelly Furtado e “Crazy” da dupla Gnarls Barkley são alguns dos favoritos entre estes produtores.

Gnarls Barkley, aliás, é o melhor exemplo do que está acontecendo com esta cultura. O grupo foi fundado pelo DJ Danger Mouse que, há três anos, mashupou o Álbum Branco dos Beatles com os vocais do Black Álbum do rapper Jay-Z, criando o “Grey Álbum”. Depois de ameaçar ser processado pela EMI, detentora dos direitos dos Beatles, o DJ suspendeu as vendas do disco e o download das músicas de seu site, mas teve a solidariedade de mais de uma centena servidores de internet pelo mundo, que, num ato de desobediência civil online, disponibilizaram gratuitamente o álbum em protesto contra a rigidez da EMI. Este protesto aconteceu no dia 24 de fevereiro de 2004, dia que ficou conhecido como “Grey Tuesday” (“Terça-feira Cinza”), em homenagem ao disco.

A repercussão do caso levou Danger Mouse a produzir o disco do ano passado do grupo Gorillaz, sendo responsável direto por duas das melhores músicas de 2005 – “Feel Good Inc.” e “Dare”. Na prática, Damon Albarn, do Blur (mentor dos Gorillaz), chamou Danger Mouse para produzir singles para o grupo de hip hop De La Soul e para o ex-vocalista dos Happy Mondays, Shawn Ryder, estrelas centrais de cada uma destas faixas do Gorillaz, respectivamente (ironicamente lançadas pela EMI). Dos Gorillaz, Danger Mouse produziu o disco Danger Doom ao lado do produtor de rap MF Doom – e usando samples de personagens do Adult Swim, a faixa adulta do Cartoon Network. E depois lançou o grupo Gnarls Barkley, ao lado do rapper Cee-Lo (ex-Goodie Mob), responsável pelo melhor disco do ano até então, St. Elsewhere, além da melhor música do ano, a citada “Crazy” – que também foi a primeira música vendida apenas online a chegar ao topo de uma parada de vendas (no caso, a britânica).

MP3s no topo das paradas, discos e desenhos animados, soul e indie dance, processos e discos de ouro – a história de Danger Mouse é uma interessante fábulas sobre as transformações de nossa época. E quando o Google começa a falar em fazer mashups de sites e a bolsa americana passa a elogiar mashups de empresas (diferentes de meras fusões), mais uma vez vemos a música assumir o papel de carro-chefe das transformações de nossa época.

E isso é só o começo.

novembro 11, 2006

Vou te contar...

Só passei aqui pra desejar um bom finde procês...

Nação Zumbi

Materinha na Folha de hoy...

Crítica/Humor: Filho de Mel Brooks alerta sobre o perigo dos zumbis

De repente, quem você pensava que havia morrido aparece na sua frente, olhos vidrados, andar cambaleante. Ao perceber você, o cadáver lança os braços para a frente e passa a emitir um som gutural -que aos poucos se transforma num grito grotesco. Por mais bizarra que a cena possa parecer, suponha que ela aconteça. Nesta situação, a primeira e única pergunta depois de alguma exclamação de cunho religioso ou de um palavrão é: o que fazer?

Foi pensando nisso que o humorista Max Brooks, ex-roteirista do programa de TV norte-americano "Saturday Night Live", escreveu "O Guia de Sobrevivência a Zumbis", em que tenta responder à tal pergunta em mais de 300 páginas de um detalhismo nerd deliciosamente meticuloso e divertido. Escrito sempre a sério, sem nenhum traço de ironia ou distorções caricatas no texto, o guia não apenas cogita a possibilidade destes seres poderem um dia realmente andar entre nós como afirma que eles existem desde o início da raça humana, como uma espécie de doença que, depois de matar seu hospedeiro, o transforma em uma máquina de comer qualquer ser vivo -de preferência gente.

Brooks, filho do comediante Mel Brooks e da atriz Ann Bancroft, escreve que os zumbis são acobertados pelos governos e pela mídia. O livro, escrito originalmente em 2004, prefere não fingir que a ameaça não existe e explica, com minúcia e pluralidade, tudo o que se sabe sobre estes seres também conhecidos como necrófilos. Até mesmo este texto poderia ser encarado como um tentativa de acobertar a existência dos zumbis, ao tratar o tema como mera ficção e não como realidade inevitável, como martela o autor, constantemente.

O segredo do texto é nunca se transformar numa paródia e sempre se levar a sério. Ele examina o comportamento dos mortos-vivos desde seus sentidos básicos (se eles têm paladar ou olfato) até suas relações sociais (caso você não saiba, mortos-vivos não comem outros mortos-vivos) e explica como se deve utilizar cada uma das armas disponíveis contra as criaturas. De armas medievais e espadas de samurai a ferramentas e armas brancas e de fogo, além de listar dicas para transformar sua casa num forte antizumbi auto-sustentável.
Brooks também detalha formas de evitar o contágio, lista os melhores veículos para uma fuga e enumera aparecimentos e registros históricos a respeito desta epidemia que acompanha a evolução do ser humano.

Chega até a cogitar uma possibilidade final e extrema da praga se espalhar de tal forma que o planeta se torne habitado por mortos-vivos. Quando isso acontecer, a pergunta do início torna-se ainda mais pertinente e desesperada. Em torno desta premissa, Brooks escreveu um segundo livro sobre o tema, "World War Z" (guerra mundial z), lançado neste ano nos EUA e já comprado pela produtora do ator Brad Pitt, Plan B, para virar filme.

O GUIA DE SOBREVIVÊNCIA A ZUMBIS ***
Autor: Max Brooks
Tradução: Amanda Orlando e Gabriela Fróes
Editora: Rocco
Quanto: R$ 36 (336 págs.)

novembro 10, 2006

Treze Zero Um

Estreei coluninha nova no Rraurl, a pedidos do Camilo e da Gaía, os mentores do site. São treze músicas pra ouvir quando der na telha - minha e sua. Se liga:

1. "Writer's Block"- Just Jack
Harpa, bateria eletrônica, voz de aeroporto – a intro faz parecer que os Beckistas (lembram do Eels ou do Forrest for the Trees?) voltaram à ação. Rimando preguiçoso sobre perder o celular e se sentir como uma borboleta num furação, Jack põe a pista pra sacudir devagar, até cair num refrão quase pensativo – doce e chapado.

2. "Salve" – Tommy Guerrero
Bossa novinha baixo perfil, quase tímida, lo-funk e lo-fi, ela seria apenas uma vírgula na biografia do compadre Tommy, não fosse a participação do nosso Curumin no vocal. Pisando oficialmente em solo americano, o brasileiro canta e improvisa a letra da música, tateando no hip hop ad lib que já vem sendo testado homeopaticamente em seus shows.

3. "Slow Motion" – Futuro
Guitarras ponteagudas, pegada pós-punk, groove disco music, miolo Franz. Essa bandinha de Glasgow não pode dar em nada, mas essa é daquelas músicas pra ouvir dirigindo, no talo, com a certeza de chegar inteiro – e disposto – no final da jornada.

4. "Over and Over (Party Ben's Smell of Repetition Remix)" – Hot Chip
"Como um macaco tocando pratos em miniature" – a letra nem precisava ser tão explícita. Nem o remix – mas quando o mashupeiro Party Ben coloca o vocal do refrão irresistível do Hot Chip num loop infinito de "over and over and over and over and over", ele encontra o gancho perfeito para mutar um dos hits de 2006 com os ciclos proto-tranceiros que Giorgio Moroder idealizou para "I Feel Love", de Donna Summer.

5. "Ooh La" – The Kooks
E essa levadinha de violão, pop ensolarado bem acima da média das outras faixas desses Kooks… Como resistir? Música pra chamar os amigos pra fazer um piquenique no campo sábado de tarde – não que você precise chamá-los, ou que o piquenique aconteça no campo ou num sabado à tarde. É só o espírito – e deixa as meninas berrarem como se estivessem cantando sobre si mesmas.

6. "Baranga" – João Brasil
Ode às guerreiras do baixo clero da noite, uma homenagem tão sincera quanto a empolgação no vocal do carioca João Brasil, o hitmaker que ainda não saiu da fila. Enquanto espera sua vez, convida ao groove com o suíngue de um Claudio Zoli e o groove da fase boa do Jota Quest – quando ainda era Jay. Peraê, é sério?

7. "Nausea" – Beck
Outra levadinha de violão de veraneio, embora o tema e o título deixe a atmosfera tensa desde o início, eis o camarada Beck recorrendo ao mestre Dylan para voltar à boa forma. Tempos modernos…

8. "Damn, Girl" – Justin Timberlake
Base seca, gemidos e sussurros, teclado derretendo, falsete e um refrão que faz o sol e a lua nascerem ao mesmo tempo, R&B elevado à condição de Arte – do naipe do Prince e de Michael. O Black Eyed Peas Will.I.Am acaba sobrando com seu rap bocudo. Justin, por outro lado, desliza de smoking – classe e groove na mesma medida, quase um James Bond americano.

9. "That Old Spell" – Cassiano Fagundes
Soul rasgado com rock alternativo, como se Bob Mould resolvesse virar o Prince ainda nos áureos tempos do Hüsker Dü. O curitibano Cassiano, um dos Bad Folks e veterano do Magog, segue seu rumo, sempre na paralela.

10. "Take Me Back to Your House" – Basement Jaxx
Country e house não parece ser, nem de longe, uma combinação agradável. Mas os jaxxistas têm a manha do groove redondo e colocaram um vocal soul para conduzir a mistura – que o vídeo leva para a Rússia czarista. Delícia!

11. "Semáforo" – Vanguart
Esse um típico hit de internet e o principal motivo para esta coluna não se ater a lançamentos ou a músicas recém-saídas do forno. "Semáforo", do grupo matogrossense Vanguart, deve ter mais de um ano de existência e pra muita gente já é do arco da velha – tanto que é cantada em uníssono pela platéia em qualquer show da banda. E resume bem os intuitos dos cinco – folk rock, Radiohead, Bob Dylan, glam e Secos & Molhados. E com letra em português daquelas de mostrar possibilidades pra toda uma geração.

12. "Don Gon Do It" – Rapture
Parece comercial dos anos 70, mas cai num bate-estaca sintético que cogita Robert Smith como um dos fundadores do Gang of Four (que mané new rave, as mesmas referências do começo continuam lá), mas caindo pro pop descompromissado, sem politicagens ou chororôs existenciais. Se liga no cowbell – nenhuma música usa cowbell impunemente.

13. "Eple" - Røyksopp
Ah, e daí que essa música tem cinco anos? Deixem os passarinhos sintéticos imaginados pela dupla sueca cantar em paz! E fique na paz…

novembro 9, 2006

Cinco Perguntas Simples: Cassiano Fagundes

1) O disco (como suporte físico) acabou?
Não, mas certamente a dependência que se tinha pelo disco na divulgação do artista é menor, e a Internet é a causa óbvia disso. Principalmente para o artista independente, o disco hoje acaba tendo um papel muito mais psicológico do que qualquer outra coisa, supre a necessidade de se ter algo palpável que traduza o esforço da produção musical. Alimenta o ego do artista. Certamente o disco não é dispensável, mas se tornou um dos elementos de um pacote que inclui página na Internet, shows, televisão e outros.

2) Como a música será consumida no futuro? Quem paga a conta?
Os bardos celtas não deviam ficar ricos com suas apresentações itinerantes nas cortes da alta idade média, a música era vista como algo sagrado, não um produto (posso estar enganado, mas imagino que era isso mesmo, e se não fosse, devia ser). Acho que a percepção da música como algo sagrado deveria ser resgatada, é uma postura mais ecologicamente correta e positiva. Sou a favor do MP3 gratuito, de uma orgia musical sem precedentes - que aliás já está acontecendo: você já baixa praticamente tudo disponível no mercado fonográfico de graça, se souber procurar. Quem paga a conta? bem, acho que os músicos, sobretudo os independentes, ganham muito pouco com apresentações ao vivo. O ideal seria o artista e a estrutura em volta dele viverem de shows, aparições promocionais e coisas do tipo. Tem muita gente que já disponibiliza 50% de um disco gratuitamente, a outra metade você tem que comprar o CD para ter, ou acabará achando alguém na Internet que disponibilizou essa outra parte gratuitamente - e ilegalmente. Acho que não dá pra parar isso, não dá e não se deve parar isso. Será que o Led Zeppelin fez fortuna com venda de discos? acho que grande parte do dinheiro que arrecadavam vinha dos contratos milionários que Peter Grant, seu empresário, conseguia firmar com casas de shows e produtores nos Estados Unidos.

3) Qual a principal vantagem desta época em que estamos vivendo?
Qualquer um que tenha um computador e um bom software de gravação faz seu disco em casa. Isso é uma maravilha. Já gravei muita coisa em casa que ficou melhor do que o que gravei em estúdios profissionais. Essa é uma grande vantagem para o músico, com certeza, porque significa liberdade. E um artista sem liberdade de criação tende para a mediocridade.

4) Que artista voce só conheceu devido às facilidades da época em que estamos vivendo?
O MySpace é onde descubro as coisas mais legais que tenho escutado. Goldfish é um cantor/violonista punk folk escocês de primeira, gravou seu disco na sala de estar de sua casa, em Glasgow, está completamente fora do mercadão, mas eu o considero um dos compositores mais brilhantes dos últimos anos. Republic of Loose é uma banda irlandesa que deu uma roupagem interessante ao soul, muito legal - também os descobri no Myspace. Outros nomes que estão no Myspace: Daydreamers (França), The Pocket Raindrops (Suécia), Sebastião Estiva (Acre) e até bandas já com gravadoras e mais conhecidas, como Midlake (EUA). O legal do MySpace é que ele te dá a possibilidade de conhecer artistas do mundo todo, muitos com idéias similares às suas.

5) O estado da indústria da música atual já realizou algum sonho seu que seria impossível em outra época?
Meu, não. Sempre fui muito azarado com a indústria. Eu considero meu som super bom, muito melhor do que muita porcaria por aí, mas talvez por eu ser de Curitiba e cantar em Inglês nunca tenham me levado a sério, ao menos no Brasil. O legal da Internet é você não precisar mais depender de industria musical - especialmente a brasileira - para dar seus passos. Estou me armando sozinho, por enquanto. É um caminho difícil, mas dá para se virar. Marcar shows em qualquer lugar do mundo hoje é fácil para qualquer artista brasileiro que queira fazer isso. O problema é quem paga as passagens e todo o resto. Mas é viável. Minha banda, Bad Folks, tocou na Espanha em 2004 sem a ajuda de nenhuma gravadora, tudo com os contatos que fizemos pela Internet.

Cassiano Fagundes é guitarrista e vocalista do Bad Folks

Off-Timfa

Você também - como todos os outros presentes naquele Timfa do ano passado, também no Rio - achou o show do De La Soul curto? Ou você nem foi e ficou de bode de ter perdido - mesmo os menos de sessenta minutos que teus conhecidos viram? Ou você acha De La Soul uma banda de rap normal, nem boa, nem ruim? Então deixa eu te dar uma boa notícia: showzinho deles no Brasil agora no começo de dezembro. Furo do Radiola Urbana - e você achava que os shows do Jurassic 5 no ano passado tinham sido foda...

Vai um dossiênho, aê?

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E na Bizz nova, a matéria de capa é minha e do Mr. Ferla. Ch-ch-check it out.

Só se foi quando o dia clareou

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O povo da Bravo me pediu uma sub pra essa matéria de capa deles sobre samba, falando do que tem rolado na noite de São Paulo. Taí embaixo.

Renascença sambista

A vida noturna paulistana torna-se cada vez mais fiel à versão tradicional do ritmo pátrio brasileiro

“Na verdade, essa volta do samba ainda nem começou”, anima-se José Marilton da Cruz, o Chapinha, um dos fundadores do Samba da Vela. A noite, que acontece no bairro de Santo Amaro, em São Paulo, não é apenas um dos mais tradicionais redutos do samba hoje, como foi um dos primeiros grandes focos para esta renascença sambista que invade a noite paulistana.

Ao redor da vela que mede a passagem de tempo da já tradicional roda de samba – ela acontece desde julho de 2004, sempre às segundas-feiras – reúne-se um público que é genericamente referido como “amantes do samba”. Esta denominação, porém, não se restringe mais a uma faixa etária, uma classe social ou um viés ideológico – todos se misturam no samba. “A faixa de renovação de público por noite é de trinta por cento”, comemora o sambista, “sempre tem gente que nunca veio pra cá, ainda somos uma novidade. Por isso que eu acho que a gente ainda está assistindo a um nascer de uma época de ouro do samba – e não é só em São Paulo ou no Rio de Janeiro e algumas cidades maiores. É no Brasil todo”.

A noite começou num local fundado por Chapinha, o Espaço Cultural Ziriguidum, mas logo deslocou-se para a Casa de Cultura Santo Amaro, devido à massiva presença de adeptos – que chega a quase trezentos toda segunda. “Quando eu, Magno (Sousá), Paqüera (José Alfredo Gonçalvez de Miranda) e Maurílio (de Oliveira Souza) começamos, nossa idéia era fazer uma roda de samba autêntica, mas que abrisse espaço para novos compositores”, segue o nativo cearense que já mora em São Paulo há mais de trinta anos, “e desde o primeiro dia percebemos que havia sido um sucesso. Tinha pouca gente, nem cinqüenta pessoas, mas todo mundo estava feliz, satisfeito com o que estava ouvindo”.

O sucesso atingiu uma escala maior graças à interferência da sambista Beth Carvalho, a quem Chapinha se refere como “grande madrinha e garimpeira do samba”. “Estávamos funcionando há pouco mais de três meses quando ela ouviu falar desta nova roda de samba em São Paulo e veio conferir de perto. Na primeira noite em que ela compareceu, vieram umas sessenta, setenta pessoas. O boca-a-boca foi tanto que, na outra segunda, tinham mais de quatrocentas pessoas que apareceram, achando que veriam a Beth Carvalho. Ela não veio, mas o samba estava lá, e as pessoas continuaram vindo”.

Igualmente modesto, o pequeno Tocador de Bolacha, na Vila Madalena, cedeu à presença da música ao vivo, outra característica fundamental deste ressurgimento do samba no começo do século vinte e um. “Começamos apenas tocando discos”, conta Stella Guerreiro, proprietária do estabelecimento ao lado do marido, o violonista Antônio Mineiro, “mas sempre aparecia alguém com um violão, e aos poucos fomos abrindo para música ao vivo. Mas microfonamos o mínimo possível, não queremos que o som saia alto e priorizamos música instrumental”.

A casa ainda flerta com o jazz e com o choro (outro gênero em franca nova fase, assunto para outra oportunidade), mas o forte são as noites de samba. “Apesar de focarmos num público mais adulto, a presença de jovens é muito forte. E também do lado dos músicos – cada vez há mais gente nova e boa tocando e compondo”. “Neste sentido, concordo que haja uma explosão”, conta Stella, que é cética sobre um renascer sambista na vida noturna de São Paulo. “Sempre houve samba, só tinha que procurar mais”, lembra, antes de concordar que o bairro da Vila Madalena – tradicional reduto boêmio e jovem da cidade – está lentamente se tornando um pólo de noite sambista. “Não é pagode, nem é moda”, ela sublinha, “é samba de raiz, é isto que as pessoas estão procurando”.

Outra casa tradicional do samba na Vila é o Ó do Borogodó, que também alterna suas noites de samba com rodas de choro. “O samba sempre esteve aí. Acontece que só agora ele tem chegado aos bares de uma classe média universitária que, além de freqüentá-los, começa a procurar lugares em que este samba se manifesta de forma mais autêntica”, explica Stefânia Gola, uma das proprietárias do lugar.

“Antes éramos só uma portinha, botávamos as mesas na calçada”, se orgulha, em frente à casa que cresce anualmente tanto como ponto de encontro universitário quanto como foco de resistência do samba tradicional. “Tudo cresceu bem devagar, fomos comprando as coisas aos poucos, à medida em que ficávamos mais conhecidos”, explica a dona, que explica o segredo do sucesso. “Não somos empresários da noite, não estamos atrás da nova onda, nem do que traz público. Somos do samba, acreditamos no samba e fazemos uma noite de samba. Se não der público, não vamos fechar. Mas sempre dá. Porque as pessoas gostam de samba. Gostam do que é bom”.

“A mídia é quem filtra tudo e só deixa passar o que é ruim”, completa Chapinha. “Porque a qualidade dos cantores, instrumentistas e compositores hoje é tão boa – ou, atrevo-me a dizer, melhor – do que as gerações anteriores. Porque são pessoas novas que já entendem muito o que é o samba. E ainda vão evoluir. E isso não é só em São Paulo, não, isso é no Brasil todo”.

Samba da Vela
Casa de Cultura Santo Amaro
Praça Francisco Lopes Ferreira, 434
Santo Amaro – São Paulo
Telefone: 5522-8897
Segunda a partir das 20 horas

Ó do Borogodó
Rua Horácio Lane, 21
Pinheiros – São Paulo
Telefone: 3814-4087
Todos os dias

Tocador de Bolacha
Rua Patizal, 72
Vila Madalena – São Paulo
Telefone: 3815-7639
De terça a domingo

Doutor, eu não me engano...

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Me chamaram de dotô (e justo a gevê) e quem sou eu pra desmentir...

09:20 – 10:30 CENÁRIOS DA MÚSICA NO BRASIL E NO MUNDO EM VISTA DAS NOVAS MÍDIAS

Uma análise da cadeia de produção musical e suas transformações decorrentes do surgimento e expansão de novas tecnologias

Participantes:
-Dr. Dirceu Santa Rosa (Advogado – Veirano Advogados)
-Dr. Joaquim Falcão (Diretor da Escola de Direito da FGV)
-Lucas Santtana (músico)
-Dr. Ronaldo Lemos (Centro de Tecnologia e Sociedade)
-Dr. Alexandre Matias (Gravadora Trama)

Cêis acham que é cedo? Isso porque tu não viu a hora que eu vou pegar o vôo pro Rii... Se, normalmente, a minha madrugada termina ao meio-dia, posso dizer que vou sair daqui na calada da noite - inda mais com o horário de verón.

Cola lá, se tiver na pilha. Se não, fica o reZistro... (E é bate-volta, cariocada, senão claro que eu marcava um som, uma cerva, uma balada, um sei-lá-mais-o-quê)

novembro 6, 2006

College Rock

Indeed. "Frank Jorge é um dos professores". Forwardeado pelo Cardoso (que tá todo-todo com o site novo dele).

novembro 5, 2006

Segundona

Materinha de hoje na Folha...

***

secondlifegirls.jpg

Histórias do outro mundo

Com várias formas de interação cultural, universo do game Second Life já conta com mais de 1 milhão de "habitantes"

Um videogame sem regras, em que o usuário pode fazer o que quiser -até mesmo nada. Ninguém perde, mas é possível ganhar de formas completamente diferentes da lógica tradicional dos games. "Vencer" pode ser tanto encontrar um desconhecido com a mesma afinidade que a sua, comprar MP3s ou assistir a um show virtual. E nunca, depois da "vitória", o jogo termina.

Assim é o Second Life, um fenômeno comportamental que funciona como uma realidade digitalizada em três dimensões, quando o jogador assume um avatar -uma personalidade virtual- que tem completa liberdade para agir num mundo que já conta com 1 milhão de "habitantes".

Mais do que realidade virtual, o Second Life é um novo ambiente para que artistas e o mercado de entretenimento possam dialogar com seus clientes e fãs. Isso tem mexido com a publicidade mundial de forma que, aos poucos, empresas têm comprado territórios on-line para oferecer aos seus possíveis consumidores, além de bandas (como Duran Duran e U2), autores (Howard Rheingold e Kurt Vonnegut) e executivos do cinema (Disney e Fox) usarem a plataforma como um novo meio para interagir com seu público.

Criado pela empresa Linden Labs em 2003, o Second Life tem potencial para ser maior do que o Orkut e o MySpace juntos -apesar de parecer apenas mais um game em três dimensões para vários jogadores (conhecidos pela sigla MMORPG - Massive Multiplayer On-line Role-Playing Game, Jogo de Interpretação On-line Massivo para Múltiplos Jogadores). A diferença entre o Second Life e qualquer outro jogo é simples: não há objetivos definidos e não há regras. Ou seja, não é um jogo.

Primeiro milhão
Mais do que isso: há possibilidades infinitas. É possível voar ou tomar forma de um animal, fazer sexo e mudar de aparência, teletransportar-se de um lugar para o outro e até comprar e vender coisas on-line, usando a moeda virtual do lugar -os linden dollars, cuja cotação flutua entre L$ 250 e L$ 300 para cada dólar americano do mundo real.

E, no mês passado, a população do Second Life chegou ao seu primeiro milhão de habitantes, em pouco mais de três anos de atividade. "Trinta mil diferentes computadores brasileiros diferentes se conectaram à rede SL nos últimos 60 dias", diz o diretor de marketing da Kaizen Games, Jorge Filho, que representa alguns jogos da linha MMORPG no Brasil. "É a terceira geração da internet, em que você tem uma versão sua em três dimensões dentro da rede", diz. Além de meramente explorar o mundo digital, ainda é possível criar seu próprio negócio e procurar pessoas com interesses parecidos para conversar e conhecer -dentro e fora da rede.

Próxima mídia
"A transmissão da experiência é algo novo e não é a "next big thing'", escreve o fundador do Second Life, Bill Lichtenstein, em seu manifesto "The Transmission of Experience". "É literalmente a próxima mídia na velha progressão das formas de comunicação, da fala para a palavra escrita, para os livros, para o rádio, para o cinema, para a TV. Isso mudará a forma como nós nos comunicamos e vivemos, que aprendemos e fazemos negócios, da mesma forma que qualquer outra mídia que surgiu antes. Simplesmente porque agora, pela primeira vez, conseguimos transmitir experiência."

E é daí que vem o dinheiro que financia o software. Gratuito, entrar no Second Life só requer a instalação de um programa e sua atualização. Mas qualquer um pode comprar um terreno virtual pagando dinheiro de verdade, e com isso, receber uma cota mensal de linden dólares para gastar no ambiente -como bem entender.

Mas o Second Life não é apenas uma nova forma de fazer compras e consumir cultura. O Centro de Diplomacia Pública da University of Southern Califórnia criou uma ilha para estimular a discussão sobre o papel dos MMORPGs na diplomacia mundial, o New Media Consortium está construindo um campus universitário inteiro (com biblioteca, auditórios e um planetário), o Creative Commons está construindo seu instituto on-line e instituições médicas dão noções de primeiros socorros para pessoas reais por meio de avatares digitais.

****

Isto é second life

O que é Second Life?
É um mundo virtual em três dimensões idealizado pela empresa norte-americana Linden Lab, em que é possível, além de reproduzir ações do dia-a-dia, realizar feitos fantásticos, como voar, mudar a própria aparência em segundos e teletransportar-se. Sua interface e funcionamento lembram o de um videogame de RPG, mas o fato de ele se basear em comunidades e nos gostos pessoais de seus participantes, torna-o semelhante a outras redes de relacionamento, como Orkut e MySpace

Como fazer parte?
O cadastro é gratuito e basta instalar um software que pode ser encontrado no site oficial do ambiente (www.secondlife.com). Nos EUA, há sistemas com assinaturas que dão direito a benefícios, mas é possível permanecer on-line sem fazer pagamentos; no máximo, atualizações do software

Quem sustenta o Second Life?
Ao imaginar um mundo visualmente reconhecível e navegável em 3D, o diretor de tecnologia da RealNetworks, Philip Rosendale (fundador da Linden Labs), pensou em um ambiente em que empresas e marcas pudessem se expor de forma diferenciada em relação à publicidade tradicional. Usuários pagam assinaturas para obter privilégios (como comprar territórios), mas não são a principal fonte de renda do mundo virtual

É um jogo? É um site?
Nem um nem outro. Second Life faz parte de um conceito que parece ser crucial no marketing de entretenimento para 2007 e além: a transmissão da experiência. Enquanto muitos apostam na experiência ao vivo como estratégia adequada para consagrar marcas (vide festivais e premiações), várias empresas preferem eventos que podem ser experimentados em rede, atingindo um público que antes pertencia à TV via satélite, sem a interatividade. Estamos, portanto, diante de uma nova plataforma e um velho conceito, o da realidade virtual

***

SL se inspira no universo pop

Apesar de criado como uma plataforma de relacionamento on-line, algumas idéias do Second Life se inspiram na ficção pop. O próprio conceito de um ambiente em rede que deu origem ao software nasceu em obras básicas do cyberpunk, subgênero da ficção científica surgido nos anos 80 -o ciberespaço concebido por William Gibson em "Neuromancer" e o Metaverso imaginado por Neal Stephenson em "Snow Crash".

O próprio U2, um dos primeiros conglomerados pop a perceber a importância do SL e a dar shows exclusivos para o ambiente (trechos podem ser vistos no YouTube ou no site da "turnê" - www.u2insl.com), também já havia flertado com essa possibilidade de existir virtualmente nas letras de discos como "Achtung Baby" e "Zooropa", nos anos 90.

Já o ato de criar objetos do nada, uma ação chamada de "rez", na linguagem do ambiente, vem do verbo "desrez", neologismo inventado pelo filme "Tron" (1982), também sobre realidade virtual, para os avatares que "morrem" nesta interface virtual.

novembro 3, 2006

Lycra Limão

gambilucas.jpg

Sabadão do marasmo? Preferiu não pegar uma filinha em Cumbica ou em Congonhas? Então sai de casa: mais uma edição da festa Gambiarra acontece no Studio SP e eu assumo os CDJs um pouco antes e logo depois do grande show do Lucas Santtana (afrobeat + dub + mangue beat + samba, classe A, garanto). Pra se acabar com uma hora a menos na madruga - afinal, hoje começa o horário de verão.

Nominho na lista paga menos, manda um email pro studiosp@studiosp.com.br. Tcherto? Cola lá.

novembro 1, 2006

Tudo no ishquema

Considerações sobre a compra do YouTube pelo Google... Meio bilhão só pra direitos autorais, pra começar a conversa. Se alguém se dispor a traduzir, eu posto.

> I'm an experienced veteran in the digital media business and thought
> I'd share my version of events that happened at Youtube. Some of this
> is based on talks with people involved and some is speculation based
> on my experience working in the industry, negotiating settlements and
> battling in court.
>
> In the months preceding the sale of YouTube the complaints from
> copyright owners began to mount at a ferocious pace. Small content
> owners and big were lodging official takedown notices only to see
> their works almost immediately reappear. These issues had to be
> disclosed to the suitors who were sniffing around like Google but
> Yahoo was deep in the process as well. (News Corp inquired but since
> Myspace knew they were a big source of Youtube's traffic they quickly
> choked on the 9 digit price tag.) While the search giants had serious
> interest, the suitors kept stumbling over the potential enormous
> copyright infringement claims that were mounting.
>
> Youtube knew they had an issue and had offered a straight revenue
> share deal if the complainants would call off the dogs and give them
> time. The media companies quickly rejected this path for two reasons.
> First off Youtube wasn't making any money and was fuzzy about how they
> would generate revenue in the future. But more important the media
> companies view is that there was a mountain of past infringement that
> Youtube had engaged in and built their business on and they felt they
> deserved some of this accumulated value. And who could blame them. In
> spite of the media "user generated" puff pieces it was clear to all
> involved that they generated that content by hooking up their TV tuner
> cards to their PCs.
>
> It didn't take a team of Harvard trained investment bankers to come up
> with the obvious solution and that is to set aside a portion of the
> buyout offer to deal with copyright issues. It's not uncommon in
> transactions to have holdbacks to deal with liabilities and Youtube
> knew they had a big one. So the parties (including venture capital
> firm Sequoia Capital) agreed to earmark a portion of the purchase
> price to pay for settlements and/or hire attorneys to fight claims.
> Nearly 500 million of the 1.65 billion purchase price is not being
> disbursed to shareholders but instead held in escrow.
>
> While this seemed good on paper Google attorneys were still
> uncomfortable with the enormous possible legal claims and speculated
> that maybe even 500 million may not be enough - remember were talking
> about hundreds of thousands of possible copyright infringements.
> Youtube attorneys emphasized the DMCA safe harbor provisions and
> pointed to the 3 full timers dedicated to dealing with takedown
> notices, but couldn't get G comfortable. Google wasn't worried about
> the small guys, but the big guys were a significant impediment to a
> sale. They could swing settlement numbers widely in one direction or
> another. So the decision was made to negotiate settlements with some
> of the largest music and film companies. If they could get to a good
> place with these companies they could get confidence from attorneys
> and the ever important "fairness opinion" from the bankers involved
> that this was a sane purchase.
>
> Armed with this kitty of money Youtube approached the media companies
> with an open checkbook to buy peace. The media companies smelled a
> transaction when Youtube radically changed their initial 'revenue
> sharing' offer to one laden with cash. But even they didn't predict
> Google would pay such an exorbitant amount for Youtube so when Youtube
> started talking in multiples of tens of millions of dollars the media
> companies believed this to be fair and would lock in a nice Q3/Q4.
> [Note to self: Buy calls on media companies just prior to Q3/Q4
> earnings calls.] The major labels got wind that their counterparts
> were in heated discussions so they used a now common trick a "most
> favored nation" clause to assure that if if a comparable company
> negotiated a better deal that they would also receive that benefit.
> It's a clever ploy to avoid anti-trust issues and gives them the
> benefit of securing the best negotiating company. They negotiated
> about 50 million for each major media company to be paid from the
> Google buyout monies.
>
> The media companies had their typical challenges. Specifically, how to
> get money from Youtube without being required to give any to the
> talent (musicians and actors)? If monies were received as part of a
> license to Youtube then they would contractually obligated to share a
> substantial portion of the proceeds with others. For example most
> record label contracts call for artists to get 50% of all license
> deals. It was decided the media companies would receive an equity
> position as an investor in Youtube which Google would buy from them.
> This shelters all the up front monies from any royalty demands by
> allowing them to classify it as gains from an investment position. A
> few savvy agents might complain about receiving nothing and get a
> token amount, but most will be unaware of what transpired.
>
> Since everyone was reaching into Google's wallet, the big G wants to
> make sure the Youtube purchase was a wise one. Youtube's value is
> predicated on it's traffic and market leadership which Google needs to
> keep. If they simply agreed to remove all unauthorized content and
> saddle the user experience with ads Youtube would quickly be a
> skeleton of its prior self. Users would quickly move to competing
> sites. The media companies had 50 million reasons to want to help.
> Google needed a two pronged strategy which you see unfolding now.
>
> The first request was a simple one and that was an agreement to look
> the other way for the next 6 months or so while copyright infringement
> continues to flourish. This standstill is cloaked in language about
> building tools to help manage the content and track royalties, some of
> which is true but also G knows that every day they can operate in the
> shadows of copyright law is another day that Youtube can grow. It
> should be noted that Google video is a capable Youtube competitor with
> the ONE big difference being a much more sincere effort to not post
> unauthorized works - and Google fully appreciates what a difference
> that makes. So you can continue to find movie clips, tv show segments
> and just about every music video on Youtube today.
>
> The second request was to pile some lawsuits on competitors to slow
> them down and lock in Youtube's position. As Google looked at it they
> bought a 6 month exclusive on widespread video copyright infringement.
> Universal obliged and sued two capable Youtube clones Bolt and
> Grouper. This has several effects. First, it puts enormous pressure on
> all the other video sites to clamp down on the laissez-faire content
> posting that is prevalent. If Google is agreeing to remove
> unauthorized content they want the rest of the industry doing the same
> thing. Secondly it shuts off the flow of venture capital investments
> into video firms. Without capital these firms can't build the data
> centers and pay for the bandwidth required for these upside down
> businesses.
>
> There are some interesting chapters yet to unfold. One is how much of
> this will become public. Google is required by the SEC to disclose
> material financial developments at their company. Working in Google's
> advantage is their enormous market capitalization and revenues will
> give them considerable leeway to claim that a 50 million transaction
> is not significant to their business. If the other video sites have
> the wherewithal to put up a legal fight any decent attorney will
> demand access to Youtube acquisition documents. Expect a claim of
> collusion between Google and the media companies as a defense
> strategy.
>
> Infringement lawsuits will be served on Youtube and the new proud
> parent Google in the coming months. Google will respond with two
> paths: an expensive legal fight or a quick and easy settlement with
> most choosing the latter. Are there any larger copyright holders such
> as music publishers, movie studios, or unlicensed record label EMI
> that put up a fight rather than accepting the check? We'll have to
> watch and find out.

Cinco Perguntas Simples: João Marcello Bôscoli

1) O disco (como suporte fisico) acabou?
Não, o disco como suporte físico não acabou. É usado para DVDs, games e - ainda - obras musicais , com os CDs. Ainda vai durar um bom tempo. Porém, isso não quer dizer que outros suportes e técnicas de compressão e encoding não estejam evoluindo dia-a-dia. O presente e o futuro são multiformatos. A revista Wired já fala isso há quase duas décadas.

2) Como a música será consumida no futuro? Quem paga a conta?
Gosto de pensar em música como água, saindo por torneiras em todo planeta, com valor acessível, tipo contas de luz, gás e água, cobradas periodicamente ou por uso imediato. Vejo minha conta de celular com um item chamado música, de valor financeiro baixíssimo e valor emocional intangível. Vejo muitas dessas músicas tornando-se obras no mundo real sob múltiplas formas e não mais só sob o cansadíssimo e pouco funcional 'jewell box'. Vejo bilhões de músicas existindo na web, disponíveis para o público, sem polícia e sem processos. Pense na indústria de perfumes, por exemplo. Eles vendem líquido perfumado e, às vezes, colorido. Creio que grande parte da magia e da aura desse negócio venha da imensa variedade de suas embalagens. Imagine essa cultura trazida para o mundo da música, no futuro. Penso em patrocinadores responsáveis socialmente e ecologicamente, pagando as contas de música das pessoas, como fazem há anos com as TVs abertas e a cabo. Há tantas possibilidades..

3) Qual a principal vantagem desta época em que estamos vivendo?
Descentralização de poder. O que era previlégio de algumas corporações, hoje já é dividido por centenas de milhões de pessoas.Compor, produzir, distribuir, vender, apresentar... tudo isso hoje é quase tão acessível quanto um violão. E pode ser feito do seu quarto. É bom ver grandes corporações tendo que se dobrar ao indivíduo e perdendo poder. E ainda por cima fazendo campanhas milionárias para dizer que é contemporâneo e que está gostando desses novos tempos. Hilário.

4) Que artista voce só conheceu devido às facilidades da época em que estamos vivendo?
Hoje em dia posso dizer que já perdi a conta.

5) O estado da indústria da música atual já realizou algum sonho seu que seria impossível em outra época?
Sim, vários. Por exemplo: um player pequeno, com som razoável eu conhecia desde os 8 anos de idade. Agora, um player onde caiba milhares de músicas ao mesmo tempo, tal qual um cassete interminável... ah! isso é demais. E lembrar de uma música, poder ouvir na hora na rede e ainda comprar e receber em casa a obra física ou simplesmente comprar só a faixa?

João Marcello Bôscoli é presidente da gravadora Trama.