trabalhosujo
Porque alguém tem de fazê-lo...
 

maio 10, 2008

Interrompo minhas férias prum post rapidinho

Só pra linkar dois vídeos que fiz por minha passagem por Paris:

Primeiro, Jonathan Richman no Casino Nouveau, com a ótima "I Was Dancing in a Lesbian Bar"

Depois, Blood Red Shoes no La Maroquinerie, com a sua "I Wish I Was Someone Better"

Dois shows curtos, eficazes e provavelmente baratinhos, só com duas pessoas no palco, mandando ver. O Blood Red Shoes é sinistro: a banda tá pegando fogo e funciona melhor que os White Stripes. Fica a dica pra quem traz show gringo pro Brasil...

Agora deixa eu voltar à minha programação normal: depois de um beouf com foie-gras, é hora de dar um bode rápido e continuar com o lazer. Tá um sol sinistro aqui e, te digo, se tu nunca veio à Paris, não tem idéia do que tá perdendo...


maio 2, 2008

Güentaê

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Aproveitei o primeiro de maio pra fugir do trabalho - inclusive deste Sujo aqui, que eu gosto tanto (e, pode fazer essa carinha, também sei que você gosta). Mas desde hoje tou longe da vida real - padres que voam, crianças jogadas pela janela, craques que pagam traveco, essas bobagens mundanas. Por isso, devo reaparecer de vez em quando, mas só contem com a minha volta de verdade no dia 26 de maio.

Enquanto isso, qualquer urgência é só mandar um email: alexandrematias@gmail.com. Não garanto ler todo dia, você sabe como são as férias...

É isso, meu povo, deixa eu descansar! :D

Abraços pros caras e beijos pras meninas

Uma sexta-feira, um mashup

De Lost com Office - aproveitando a chegada das férias...

Aquele velho papo...

A revista DJ Mag me convidou pra um bate-papo com uns camaradas e outros que conheci na hora sobre aquele velho assunto: MP3, morte das gravadoras, pirataria, download ilegal, fim do CD, você sabe... Segue a transcrição.

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Tá chegando a hora
Com a iminente falência das gravadoras e a música digital - distribuída gratuitamente ou não - em crescimento aparentemente incontrolável, o que será da indústria fonográfica? Quais os novos caminhos da distribuição musical? Reunimos algumas peças-chave da cena para um papo divertido sobre o assunto

por Debora Rocha
fotos Fábio Tavares

É tempo de mudanças, grandes mudanças. A constante evolução e revolução da tecnologia nas últimas décadas chegou como uma grande e devastadora onda, engolindo gravadoras e trazendo novas questões a serem resolvidas dentro da indústria fonográfica - além de mudar a forma de pensar de quem faz, consome e vende música. Por muitos anos o mercado musical se manteve numa curva ascendente e megalucrativa, com artistas, gravadoras e distribuidoras ganhando muito dinheiro. Atualmente, o cenário é outro. O tempo passou, as tecnologias se popularizaram, o público reverteu seu comportamento de consumo, as gravadoras deixaram de existir como grandes impérios, o perfil do artista deu uma cambalhota e hoje a chance de ter visibilidade é enorme (mesmo que por 15 minutos).

A chegada do MySpace ao Brasil no final de 2007 é um sinal de que o mercado realmente está muito diferente. Atualmente, 12 milhões de artistas e bandas possuem um perfil no site de relacionamentos. E muitos dos que estão ali nem cogitam a idéia de gravar suas músicas em CD, suporte físico que ficou pequeno diante dos tocadores de mp3. O que virá daqui para frente? Sem a pretensão de fazer profecias ou de se chegar a uma única conclusão, Luiz Pimentel, diretor de conteúdo do MySpace Brasil, Carlos Eduardo Miranda, produtor musical, Gonçalo Vinha e Paulo Rodrigo Sbrighy, sócios no selo Offbeat, Renato Cohen, produtor, e Alexandre Matias, jornalista do jornal O Estado de S.Paulo, trocaram opiniões sobre o tema.

DJ MAG A presença de sites como o MySpace Brasil e o Trama Virtual deixa evidente a popularização da música on-line. Como essa nova tecnologia tem afetado as gravadoras e movimentado o mercado fonográfico?
Miranda
A casa de todo mundo hoje é uma gravadora. Daqui pra frente, o que vai existir são agências de artistas que cuidam da carreira deles. As gravadoras sabem que o negócio delas acabou, pois era baseado no suporte CD. Mas o CD não morreu e não vai morrer. Ele está na rua, todo mundo ainda usa. O que morreu foi a indústria do CD.
Gonçalo Vai haver uma segmentação no mercado. Você só trabalha bem um artista quando tem contato direto com o público que quer atingir.
Miranda Mas acho que já estamos além da segmentação. O negócio é pessoal, esse é o futuro. O cara é seu amigo, você sabe quem é o artista e as agências sabem exatamente quem é o público que consome.
Gonçalo Pra mim, o CD já é só um cartão de visita.
Miranda O que rola hoje é a variedade. Não há necessidade do suporte. O Trama Virtual e o MySpace representam isso.
Luiz Pimentel O MySpace chegou ao Brasil por ser uma rede social muito difundida no país e focada em cultura pop. Hoje temos aproximadamente 12 milhões de perfis de artistas ou bandas no MySpace. O que mais ouço dos artistas é que o que eles mais gostam no site é a facilidade de relacionamento. Se entro no site de uma banda, aquilo acaba sendo uma rua sem saída. Chego até lá, absorvo o que tem ali e pronto. Agora, se vou no perfil no MySpace de uma banda, começo a caminhar, a partir daquele perfil que eu entrei, para outras coisas que tenham a ver comigo. Isso é que garante o sucesso do MySpace.
Miranda É um site caótico, pesado pra caramba, mas que dá supercerto. A liberdade de cada um montar sua página usando vários tipos de padrões que podem ser bagunçados à vontade acabou virando um charme. Pra mim, o grande mistério do MySpace é o novo perfil de artista, que hoje não é mais o cara da limusine e do pedestal, é um cara igual à gente, que está ali ouvindo os outros artistas também. O bom é que se tenho uma página ali e adoro tal artista, vou até a página dele e o convido para ser meu amigo. E ele aceita! Sou amigo do meu artista, está escrito lá, "Add friend". Aí, entro na rede de relacionamentos dele e vejo um monte de gente que conhece coisas que não conheço. Começo a fuçar e aquilo vai se transformando num universo tão grande de novidades que eu queria ser uns dez pra poder aproveitar bem.
Matias Um dos motivos de êxito tanto do MySpace como do Trama Virtual é que as bandas que começaram a fazer sucesso nesses sites vieram da cena independente, que já era organizada. Na verdade, os caras só pegaram uma cena que já se comunicava de outras formas, por telefone, correio, e otimizaram isso. Se o MySpace fosse voltado pra comunidade do cinema, não sei se daria certo como está dando com a música, que sempre teve essa coisa da troca.
Miranda Quando o artista me pergunta o que fazer para entrar no mercado, sempre digo que o caminho é a internet e a rua. Rua porque você tem que ir aonde as pessoas que possam gostar do seu trabalho estão, e também para procurar onde estão os artistas semelhantes a você; e na internet não é só colocar a música no MySpace e esperar que vá surgindo um monte de gente pra te ouvir. Primeiro tem que se mostrar fã dos outros, procurar aquilo que gosta, porque aí o artista vai começar a receber de volta.

DJ MAG Renato, você está terminando de produzir um álbum. Já sabe como será feita a distribuição?
Renato
Estou com uma gravadora européia e talvez nem saia em CD, só em vinil e mp3. Vou lançar CD só no Brasil. O CD não quer dizer mais nada. Na Europa é basicamente mp3 e vinil, porque ainda tem gente que faz questão. O engraçado do mp3 é que tenho músicas de 2003 que não fiz absolutamente nada para divulgá-las, estão no MySpace e as pessoas escutam. Nesses últimos 12 meses uma música antiga minha teve 110 downloads no Beatport. Vender 110 cópias de uma coisa velha que nem eu lembrava, com uma qualidade que é uma merda? Isso mostra como a distribuição em mp3 está indo cada vez melhor.
Miranda O que pouca gente lembra é que o som do mp3 é uma merda. Neguinho ouve e acha que é do caralho, mas não é.
Gonçalo Estava falando outro dia com o John Acquaviva, que foi um dos caras que ajudaram a fundar o Beatport, e ele me disse que o site já está vendendo em wave. Falou que nos últimos quatro meses a venda tem subido muito, mas aqui no Brasil dificilmente o cara tem uma conexão legal para baixar o arquivo rapidamente.

DJ MAG Mudou a forma de se consumir música, ok. E o valor dela, também está mudando?
Matias
O valor está mudando agora.
Renato O mp3 hoje faz parte da nossa vida. Quando começou o mp3 eu trabalhava com internet no UOL e o cara que programava comigo comprou um CD de mp3 pelo correio. Tinha hino do Corinthians, do São Paulo, mil coisas de rock nacional. O cara não gostava de nada daquilo, mas comprou porque estava em mp3 e ele achava legal ouvir mp3. É muito deslumbre. O cara gostava da música por causa do formato que ela tinha.
Matias Logo que apareceu o mp3, muita gente baixou uma quantidade enorme de músicas com medo de que logo aquilo acabasse.
Miranda Um assunto importante são as tentativas de restrição ao download gratuito. Quantas vezes eu não ridicularizei o DRM (Digital Rights Management, ou Gestão de Direitos Digitais) nas reuniões a que ia na época do Trama Virtual? DRM é uma idiotice. Aí, ninguém entende por que as pessoas preferem baixar música de graça. Tem coisa mais óbvia do que isso? O que é necessário para você fazer uma venda on-line verdadeira? Apenas que o comprador precise de você. Pegar música de graça, o cara vai e pega. Agora, qual música? Se eu sei que tem um lugar que vou onde sou muito bem recebido, onde conhecem meu gosto, é rápido, me diverte e ainda é barato, é claro que eu pago pelo serviço. Não pago para ter a música, mas sim pra chegar até ela. É isso que ninguém entendeu, ainda está todo mundo querendo vender a música. Quando falo da morte do CD, não estou querendo dizer a morte do CD, mas sim da venda de um suporte único. Mas essa indústria continua cega, achando que tem que vender a coisa e não o caminho até ela.
Matias As gravadoras sempre tiveram o hábito de vender o artista da vez. Então, o disco da semana era do fulano de tal. O grande barato de você criar uma loja virtual onde as pessoas são bem recebidas é que, diferente de como eram tratadas pelas gravadoras, não vai mais importar o gosto musical da pessoa, ela sempre será bem tratada. Não vão empurrar pra ela a música de massa.
Renato Olha que absurdo. Na loja do UOL, cada faixa do disco do Ramones tem que custar R$ 2 o download. Se o disco todo tem 40 músicas, então ele vai custar R$ 80, sendo que o CD nas Lojas Americanas custa R$ 10. Assim não dá, por mais que o download custe R$ 2, o disco todo acaba saindo absurdamente caro.
Miranda Mas aí a gente entra em um assunto muito sério, que são as editoras. Elas são hoje o grande câncer do mercado, estão pregando o fim delas mesmas, sendo burras demais e empurrando o povo pra pirataria.
Gonçalo Vai chegar uma hora que o artista vai dizer que não precisa mais da editora e vai lançar a música direto.
Miranda Mas já está acontecendo isso. O cara só pode colocar a sua música no MySpace ou na Trama Virtual se ele tiver direito sobre a edição. Até pode pôr em streaming, mas não pra download. Se o artista colocar uma música editada no MySpace, sem autorização, a editora vai pra cima. A Trattore, que é a grande distribuidora independente e está ativa na cena, briga e fica puta com os artistas que colocam as músicas pra download de graça. Isso porque se trata de uma gravadora esclarecida.
Luiz Fora do país, o que o MySpace fez foi disponibilizar o download pelo Snocap, uma empresa que era do Napster. O artista joga as músicas pro Snocap, que devolve um código que ele coloca em sua própria página. O cara que vai comprar direto no perfil do artista está comprando na verdade do Snocap, que repassa o dinheiro pro artista. Aqui, a gente tem essa dificuldade com a editora e estamos tentando descascar este abacaxi. Algumas empresas estão respondendo melhor a isso. Mas eu tentei, por exemplo, comprar no UOL, quando lançaram Pato Fu. Custava R$ 9,90, um preço honesto, por isso eu quis. Mas dificultaram tanto a minha vida dentro do site que desisti.
Miranda Quero ver se um artista como o Pato Fu, por exemplo, resolve subir pra download gratuito uma música que é editada pela Sony. Certeza que a casa cai. E o MySpace não tem controle disso. No caso do Trama Virtual, nosso controle era ouvir as músicas. Eu sabia o que era editado ou não. Em streaming a editora ainda permite, o que não pode é colocar em seqüência, como uma programação de rádio, porque aí você tem que pagar o Ecad. Mas o streaming on demand não tem nenhum controle, ainda não existe lei que fale sobre isso.
Rodrigo Achei genial a idéia do Radiohead, de lançar o In Rainbows pelo site da banda e pedir para os próprios compradores atribuírem um valor pro álbum.
Miranda Fizeram muito bem. Descobriram que o preço do álbum deles é US$ 4. Esse é o valor.

DJ MAG E em relação ao trabalho dos DJs? Como eles ficam com essa nova tecnologia, na era da música virtual?
Renato
Não existe mais DJ purista que só toca com vinil. Música eletrônica não é a mais popular do mundo, mas cada cidade tem lá a sua ceninha. É aquilo que eu estava falando: um selo que vendia 10 mil vinis passou a vender 800. Oitocentas pessoas no planeta inteiro! Acho que não é um número que dê pra considerar. Hoje, quem gosta de vinil toca com o Serato - que já é coisa de gente velha, que ainda faz questão de colocar a mão no vinil.
Miranda Hoje o que se vê são os iPods ligados no equipamento.
Gonçalo Outro dia vi um set do Armand van Bureen, e ele chegou com uns memory cards de máquina fotográfica, pegou o DVJ 1000, inseriu os cards e as músicas estavam todas ali.

DJ MAG No futuro a música vai ser de graça?
Miranda
Não acho que vai ser de graça. O cara tem que comprar o computador, pagar conexão de internet... Ele está pagando pra ter a música. Só não está chegando o dinheiro no artista, mas o consumidor está pagando.
Gonçalo Há alguns meses a Pioneer entrou em negociação com o Beatport, pra fazer com que o consumidor que comprasse um equipamento da Pioneer ganhasse um cartão magnético com um código para ser usado no Beatport, no valor de dez músicas da loja. Você acha que a Pioneer não embutiu o preço disso no equipamento?
Miranda Quanto custa um iPod? R$ 300, o mais barato? Então o consumidor já tem aí uma média de 20 discos a R$ 15.

DJ MAG Então, qual será o futuro da distribuição musical?
Miranda
Acho que tem muito a ver com os sites que têm as músicas em streaming. mp3 está quase virando passado. Acredito que deva ser cobrado como TV a cabo: você paga uma taxa e ouve à vontade. E ainda tem a vantagem de que não precisa guardar as músicas em um HD. Se tiver streaming de alta qualidade, o futuro será esse. A Last FM é um grande exemplo, mostra por onde vão as coisas.
Matias No final do ano passado, o empresário do U2 fez a mesma coisa que o Metallica fez com o pessoal que baixava no Napster, mas em vez de mirar no público que baixa música, ele mirou nos provedores de acesso. Fez eles tirarem todas as músicas do U2 do ar ou então entraria com um processo. Os provedores entraram com um recurso, mas acho que a tendência é essa, a gente pagar um pouquinho mais do que pagamos no acesso à internet em imposto. Já existe um estudo sobre isso: se tivesse um acréscimo de US$ 5 no acesso à internet de todos os usuários, já se pagaria o imposto de direito autoral. Agora, como fazer para distribuir isso para os artistas é outra história.
Miranda Se o streaming é on demand, a marca d'água está registrada.
Matias Não sei se vocês viram, mas teve uma empresa chamada Q-Trax que anunciou um serviço em que você podia baixar músicas das principais gravadoras do mundo, na quantidade e na hora que quisesse, em quantos computadores quisesse, com ótima qualidade. Na hora que anunciaram isso, começou toda uma discussão sobre esse assunto. Aí, as gravadoras se manifestaram e desmentiram o anúncio, falaram que estavam em negociação com essa empresa, mas não era nesses termos que estavam anunciando. Imagina se você tem um serviço em que todas as gravadoras disponibilizam todos os arquivos delas e a única coisa que você exige do usuário é que ele faça um cadastro? Na Last FM eles sabem todas as músicas que seus clientes baixam, sabem que o cara que gosta de Sandy e Junior gosta também de Norah Jones.
Luiz Estamos falando de dois universos diferentes. Nós, nessa mesa, somos migrantes desse mundo digital. Tem também as pessoas que são nativas, que não entendem o mundo sem internet. São os moleques, quem têm até 18 anos e não sabem o que é viver sem a rede. A gente ainda não aproveitou todo o potencial da internet. Eu era um cara que esperava passar o clipe na TV de casa. Esses moleques de hoje têm o que eles querem, na hora que querem. Nós ainda não percebemos que a internet é a única mídia completamente mensurável. Consigo saber exatamente de onde o moleque saiu, por onde passou e pra onde foi, mas no caminho inverso, não estou entregando isso de volta pra ele. Não estou atendendo bem esse público. Acho que quando quem detém o poder da música digital conseguir atender bem esse consumidor, ele vai ter a faca e o queijo na mão.
Matias Tem um livro que se chama The Future of Music, de 2004, escrito a partir de um conceito do Bowie de que no futuro a música vai ser como água. Mas onde você abre uma torneira, seja na rua ou na sua casa, tem um imposto que você está pagando. Acredito cada vez mais que é isso que vai acontecer com a música. O lance é descobrir quem é que vai cobrar por isso, se vai ser o provedor de acesso, se vai ter um serviço, ou se as próprias gravadoras vão oferecer e cobrar como um sistema de assinaturas. Acredito que as pessoas estão dispostas a pagar, desde que não existam tantas restrições, como essa história de que você só pode ouvir a música tantas vezes, não pode trocar com outra pessoa...
Gonçalo Quem quiser viver de música precisa pensar lá na frente, se adaptar às novas tecnologias, aprender com os erros do passado. Está na hora da galera assumir a responsabilidade que antes ficava nas mãos dos outros. Que os sites criem um controle pros artistas. Aí, vai todo mundo conviver bem. É legal entrar num site e ver quantos downloads você vendeu hoje, quanto vai receber daqui a seis meses. Isso cria uma organização de trabalho. Tanto as gravadoras quanto os artistas ainda estão muito desorganizados.
Luiz Em março, uma banda das antigas chamada Pennywise vai lançar seu disco no MySpace, e quem adicionar como amigo uma empresa chamada Textango vai poder baixar o disco inteiro de graça. Isso vai acontecer a partir do dia 25 de março. Quem está pagando a conta é a Textango, que vai criar um relacionamento simpático com o público do Pennywise.
Renato Concordo com todo mundo. É só um problema de organizar. Canais de TV aberta, por exemplo, a gente não paga nada e é uma coisa que movimenta muito dinheiro. Na Alemanha e na Inglaterra eles pagam uma taxa por ano para os canais abertos, mas é um valor bem pequeno. É só uma questão burocrática. Acho estranho que isso não aconteça com a música, que o mercado não esteja preparado para essas mudanças. Não consigo entender que essas pessoas não olhem para o futuro. Na música eletrônica sempre vai existir alguém no meio, alguém entre o produtor e o público. Antes era a distribuidora, que agora acabou, todas faliram. Agora o poder passou pra mão dos sites. Produtor de música eletrônica vai estar sempre resmungando e reclamando da vida porque ele coloca todo o poder na mão do outro e depois fala: "Pô, os caras ganharam tudo e não me pagaram". É sempre assim. Acabou o vinil e os caras transferiram o poder pro Beatport. Tem mais é que se foder mesmo!

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Quem é Quem?

Paulo Rodrigo
"Sbrighy" "Sou DJ e produtor, sócio do Gonçalo no Offbeat, e dedico quase todo meu tempo para a produção de música eletrônica."

Gonçalo Vinha
"Sou produtor musical e estou no mercado desde 1987. Trabalhei em várias gravadoras, entre elas a Stiletto, primeira gravadora independente a investir pesado no segmento de dance music no Brasil. Tenho hoje o meu próprio selo, o Offbeat, e continuo tocando com o meu projeto, que é o Oil Filter."

Carlos Eduardo Miranda
"Sou produtor de disco já há muito tempo, faço coisas muito diferentes uma das outras e nas horas vagas trabalho num programa de TV onde tiro sarro de neguinho que vai cantar música horrível. Minha maior ligação com o mundo virtual foi ter participado da criação do Trama Virtual, site que disponibiliza mp3 e cria comunidades."

Luiz Pimentel
"Sou jornalista, diretor de conteúdo do MySpace Brasil, rede social conhecida no mundo por sua ligação com a música."

Matias
"Sou jornalista, trabalho no Link, caderno de informática do jornal O Estado de S.Paulo, tenho um site chamado Trabalho Sujo (gardenal.org/trabalhosujo) há 13 anos e um podcast chamado Vida Fodona (gardenal.org/ trabalhosujo/vida_fodona)."

Renato Cohen
"Sou DJ e produtor de techno desde 1994 e estou finalizando meu primeiro álbum autoral, com um pouco de tudo o que venho produzindo nos últimos anos."

Lost: Something Nice Back Home

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Já baixou? Enquanto o download não termina, que tal ler uma entrevista que o carinha do Ain't it Cool News fez com o Michael "Ben" Emerson? Não se aprofunda demais (Emerson comenta mais sobre a série em que sua esposa irá atuar, a nova de Alan "Six Feet Under" Ball, True Blood, uma ficção científica que inclui vampiros que co-existem pacificamente com seres humanos), mas dá umas boas dicas sobre a série (uma delas é que a cada temporada o escopo da série se extende, como uma câmera que sai da ilha e vai incluindo mais gente - e um detalhe sobre Locke). Ainda tem duas matérias da Popular Mechanics: uma discutindo a validade científica das viagens do tempo na série e outra uma entrevista com a dupla Cuse & Lindelof - de novo. E o Doc Jensen, o colunista de Lost da Entertainment Weekly, que começou a cogitar conexões do seriado com Indiana Jones, Arquivo X e o continente perdido de Mu?

E você viu a caixa de DVDs da quarta temporada - que ainda nem terminou?

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A Amazon já tá aceitando encomendas.

Blog of the Dead

Não, não - nada a ver com J. J. Abrams. É o novo do Romero. O Terron explica o porquê do título desse post.


maio 1, 2008

Do rádio pra TV

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De bobeira nesse primeiro de maio? É assim que tem que ser. Daqui a pouco (às 21h15) passa, no Multishow, a entrevista que o Urbano fez comigo, com o Dória e com o Fabião - nós três apresentamos o Link Eldorado todo domingo (uma versão radiofônica para o caderno que edito) e conversamos com o pessoal do programa sobre o tema da semana: "Como a tecnologia pode tornar nossas vidas mais simples".

E reprisa paca: sábado às 14h30, domingo às 9h e às 21h45, segundo às 18h30 e terça às 7h30. Só não vê quem não quiser. :P

"The Gold It's In The..." - Pink Floyd

Já que eu já tou na desaceleração mesmo...



E D A E D A

E D A
Come on, my friends, let's make for the hills.
E D A
They say there's gold but I'm looking for thrills.
E D A
You can get your hands on whatever we find,
E D A
'Cause I'm only coming along for the ride.
B
Well, you go your way, I'll go mine.
G
I don't care if we get there on time.
A
Everybody's searching for something, they say.
F
I'll get my kicks on the way.

E D A
Over the mountains, across the seas,
E D A
Who knows what will be waiting for me?
E D A
I could sail forever to strange sounding names.
E D A
Faces of people and places don't change.
B
All I have to do is just close my eyes
G
To see the seagulls wheeling in those far distant skies.
A F
All I want to tell you, all I want to say is count me in on the journey.

Don't expect me to stay.


abril 30, 2008

Albert Hofmann (1906-2008)

Um santo moderno.

Vida Fodona #106: Esse ruído

vf106.jpg

Rage Against the Machine - "Killing in the Name Of (SebastiAn's Late Night Laptop Edit)"
X - "Sex & Dying in the High Society"
John Coltrane & Duke Ellington - "Take the Coltrane"
Tower of Power - "Drop It In The Slot"
Martha And The Muffins - "Echo Beach"
Legião Urbana - "Plantas Embaixo do Aquário"
Huey Lewis & the News - "Heart & Soul"
Gossip - "Jealous Girl"
Lily Allen - "I Could Say"
Prince Paul - "The Monolith"
LCD Soundsystem - "Never as Tired as When I'm Waking Up"
Rolling Stones - "Memo from Turner"
Beck - "Glut"
Beach Boys - "That's Not Me"
Spiritualized - "Sitting on Fire"
Spiritualized - "The Waves Crash In"
Spiritualized - "Don't Hold Me Close"
Olivia Tremor Control - "Can You Come Down With Us"
Mutantes - "Mutantes Depois"

Vamo.


abril 29, 2008

Leitura Aleatória 53

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1) Despesas com buscas ao padre desaparecido chegam a R$ 564 mil
2) Porco inflável de Roger Waters desaparece em festival
3) O vídeo online pode fazer a internet entrar em colapso?
4) Sextape do Jimi Hendrix?
5) Google dá até R$ 8 mil por widgets para orkut
6) David Lynch vem ao Brasil em agosto para lançamento de livro
7) Sly Stone vai voltar!
8) Skol Beats anuncia data e novo formato
9) I Can Has a Chezburger indicado para o Oscar da web
10) Balanço da Virada Cultural

Melhor que grátis, por Kevin Kelly

O português Remixtures.com é um dos melhores blogs sobre as transformações que estão acontecendo com o mundo da música após a chegada do MP3. Conduzido por Miguel Caetano, ele deixa artistas e lançamentos em segundo plano para focar em indústria, mercado, ética e novas soluções para os perrengues que passam todo mundo que lida com música na virada do século (e, sim, fonte pra alguns links do Leitura Aleatória). Leitura fortemente recomendada. Toco no assunto porque pedi ao Miguel para que ele permitisse a reprodução da tradução que ele fez para o texto Better than Free, escrito pelo guru Kevin Kelly, que fala de elementos intrínsecos ao processo musical (e, por que não, cultural) que não podem ser digitalizados - e, portanto, impossível de serem copiados como um MP3 ou um DVD. Mantive a tradução lusitana porque acho bom a gente se acostumar com a cultura digital produzida em Portugal - temos muito que aprender com eles, como eles com a gente. Valeu, Miguel! E antes do texto em si, a introdução que ele fez para a tradução:

Uma crença comum por parte de muitos responsáveis da indústria de entretenimento é que não é possível concorrer com o grátis quando tudo pode ser facilmente copiado. Mas algumas importantes fabricantes de software de código fonte aberto sabem desde há muito que é possível gerar um valor adicional para os seus produtos que é difícil de copiar, mesmo ou sobretudo num ambiente que encoraja a abertura e a capacidade de fazer um número infinito de cópias como a Internet.

Este fenómeno é explicado de uma forma brilhante e acessível por Kevin Kelly, antigo editor da revista Wired, no ensaio “Melhor que grátis” que faz parte de um livro em que ele se encontra a trabalhar e que irá chamar-se Technium. Numa economia da abundância de informação, o secretismo e a acumulação de dados deixm de ter valor e o controlo sob os canais de distribuição deixa de ser uma fonte segura de riqueza.

As únicas coisas que adquirem valor são aquelas características que não podem ser copiadas. Kelly enumera oito dessas qualidades a que ele dá o nome de gerativos e que não “caem das árvores” pois precisam de ser fomentadas ao longo do tempo: imediatez, personalização, interpretação, autenticidade, acessibilidade, corporalidade, mecenato e encontrabilidade (findability).

A par com o livro A Cauda Longa de Chris Anderson - que curiosamente é o actual chefe de redacção da Wired - e uma série de artigos de Mike Masnick do Techdirt, considero que o ensaio de Kelly consiste numa referência indispensável para quem pretenda sobreviver com a produção de conteúdos (informação, música, vídeo, imagens…) nesta economia da abundância. Daí que o tenha decidido traduzi-lo para português. Acho que é um texto bastante revelante não só para quem está dentro do sector da música mas também para uma infinidade de outros sectores económicos. Como Kelly refere, nem tudo será fácil para os artistas independentes mas existem oportunidades a explorar para quem se aperceber das vantagens da cooperação e agregação. Indispensável.

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Melhor que grátis - Kevin Kelly

A internet é uma copiadora. Ao seu nível mais básico, ela copia cada acção, cada caracter, cada pensamento que temos enquanto navegamos por ela. De modo a enviar uma mensagem de um canto da Internet para outro, os protocolos de comunicação exigem que a mensagem inteira seja copiada por diversas vezes ao longo do percursos. As empresas de Tecnologias da Informação ganham montes de dinheiro vendendo equipamento que facilita esta cópia incessável. Cada bit de dados jamais produzido em qualquer computador acaba sempre por ser copiado em algum lado. Neste sentido, a economia digital navega por entre um rio de cópias. Ao contrário das reproduções fabricadas em massa datadas da era das máquinas, estas cópias não são apenas baratas, são grátis.

A nossa rede de comunicação digital foi concebida de forma a que as cópias se difundam com o mínimo de fricção possível. De facto, as cópias propagam-se de uma forma tão livre que podemos até conceber a internet como um sistema de superdistribuição em que a partir do momento em que uma cópia é introduzida ela irá continuar a difundir-se eternamente pela rede, muito à semelhança da electricidade num fio supercondutor. Podemos constatar isto na vida real. A partir do momento em que qualquer coisa que pode ser copiada entra em contacto com a Internet ela é copiada e essas cópias nunca podem ser eliminadas. Mesmo um cão sabe que não podemos apagar algo a partir do momento em que esse algo é distribuído através da Internet.

Este sistema de superdistribuição tornou-se o pilar da nossa economia e riqueza. A reprodução imediata de dados, ideias e media sustém todos os principais sectores económicos da nossa economia, em especial aqueles relacionados com as exportações - isto é, aquelas indústrias onde os EUA possuem uma vantagem competitiva. A nossa riqueza assenta num enorme dispositivo que está constantemente a copiar de uma forma promiscua.

Contudo, a era anterior de riqueza da nossa economia baseou-se na venda de cópias preciosas pelo que o livre fluxo de cópias grátis tende a pôr em causa a ordem estabelecida. Se as reproduções dos nossos melhores esforços são grátis, como é que podemos continuar como até aqui? Simplificando, como é que ganhamos dinheiro com a venda de cópias grátis?

Eu tenho uma resposta. A maneira mais simples que eu tenho de a explicar é a seguinte:

Quando as cópias são superabundantes, elas perdem todo o seu valor. Quando as cópias são superabundantes, aquilo que não pode ser copiado torna-se escasso e valioso.

Quando as cópias são grátis, precisamos de vender aquilo que não pode ser copiado.

Bem, então o que é que não pode ser copiado?

Existem uma série de qualidades que não podem ser copiadas. A “Confiança”, por exemplo. A confiança não pode ser copiada. Não se pode comprá-la. Precisa de ser conquistada ao longo do tempo. Não pode ser descarregada. Ou falsificada. Ou contrafacturada (pelo menos por enquanto). Se tudo o resto vale o mesmo, iremos sempre preferir lidar com alguém em quem possamos confiar. Daí que a confiança seja um bem intangível que possui um valor crescente num mundo abundante de cópias.

Há um número de outras qualidades semelhantes à confiança que são dífíceis de copiar, tornando-se por isso valiosas neste economia em rede. Penso que a melhor forma de analisá-las não é a partir do ponto de vista do produtor, fabricante ou criador, mas sim do utilizador. Podemos começar por colocar uma questão simples ao utilizador: porque é que pagaríamos por algo que podemos obter de graça? Quando alguém compra uma versão de algo que poderia obter de graça, o que é que está a adquirir?

Partindo da minha análise da economia em rede, identifico oito categorias de valor intangível que adquirimos quando pagamos por algo que poderia ser grátis.

Estas oito coisas são, de uma forma bem real, melhores do que aquilo que é grátis. Eu dei-lhe o nome de “gerativos”. Um valor gerativo é uma qualidade ou atributo que deve ser gerado, desenvolvido, cultivado, sustentado. Uma coisa gerativa não pode ser copiada, clonada, falsificada, replicada, contrafacturada ou reproduzida. Ela é gerada de um modo único, num determinado local, ao longo do tempo. No sector digital, as qualidades gerativas acrescentam valor às cópias grátis, sendo por isso algo que pode ser vendido.

Oito gerativos melhores que grátis

Imediatez - Mais tarde ou mais cedo iremos acabar por encontrar uma cópia grátis do quer que pretendamos, mas receber uma cópia na nossa caixa de novas mensagens imediatamente logo no momento em que ela é lançada - ou ainda melhor, produzida - pelos seus criadores é um bem gerativo. Muitas pessoas vão ao cinema ver filmes na noite de estreia, apesar de terem que pagar um preço substancial por um filme que irá estar posteriormente disponível de graça, ou quase de graça, para aluguer ou download. Os livros de capa dura custam mais devido à sua imediatez, sob o disfarce da capa dura. Se queremos ser os primeiros a ser atendidos temos que pagar mais pelo mesmo produto. Enquanto qualidade comerciável, a imediatez possui vários nível, incluindo o acesso a versões beta. Os fãs são deste modo incorporados no próprio processo gerativo. As versões beta são frequentemente desvalorizadas porque são incompletas, mas elas também possuem qualidades gerativas que podem ser comercializadas. A imediatez é um termo relativo e é por isso que ela é um gerativo. Tem que se adequar ao produto e à audiência. Um blog possui uma noção diferente de tempo da de um filme ou de um carro. Mas a imediatez pode ser encontrada em qualquer suporte.

Personalização - Uma versão genérica de uma gravação de um concerto pode ser grátis mas se pretendemos uma cópia que foi ajustada de modo a soar perfeitamente na nossa sala de estar - como se a banda tivesse a actuar na nossa sala - poderemos estar dispostos a pagar uma enormidade. Uma edição da cópia grátis de um livro pode ser personalizada pelos editores de modo a ter em linha de conta os teus hábitos de leitura. Podemos pagar por um filme grátis se ele for montado tendo em conta a classificação etária que pretendamos (sem cenas de violência mas inclusão de linguagem obscena). A aspirina é grátis, mas a aspirina concebida à medida do nosso ADN é muito cara. Como muitos já fizeram questão de salientar, a personalização exige um diálogo permanente entre o criador e o consumidor, artista e fã, produtor e utilizador. É bastante gerativa porque é bastante repetitiva e exige tempo. Não se pode copiar a personalização que uma relação representa. Os marketers chamam a isso de “stickyness” - qualidade daquilo que é sticky, isto é, pegajoso - porque significa que ambos os lados da relação estão colados (participam) neste bem gerativo e não aceitarão de bom grado qualquer mudança na relação que os obrigue a começar de novo.

Interpretação - Existe uma velha piada que diz: “o software é grátis. O manual custa 10 mil dólares.” Só que não é piada nenhuma. Algumas grandes empresas como Red Hat, Apache e outras ganham dinheiro a fazer exactamente isso. Elas prestam suporte a software grátis mediante pagamento. A cópia do código é grátis, uma vez que se trata de um mero conjunto de bits que apenas se tornam valiosos para nós com o suporte e a orientação de outrem. Suspeito que muita da informação genética acabe por seguir este mesmo caminho. Neste momento é demasiado caro obter uma cópia do nosso ADN mas dentro em breve deixará de o ser. Aliás, dentro em breve as companhias farmacêuticas irão PAGAR-NOS para ter acesso à nossa sequência de genes. Deste modo, a cópia da nossa sequência será grátis, mas a interpretação daquilo que ela significa, o que podemos fazer com ela e como a podemos usar - o manual dos nosso genes, por assim dizer - será cara.

Autenticidade - Poderemos ter acesso grátis a uma aplicação de software essencial, mas mesmo que não precisemos de um manual, poderemos querer saber se ela não contém bugs, é robusta e possui garantia. Iremos pagar pela autenticidade. Existe um número quase infinito de variações de improvisações dos Grateful Dead em circulação; mas se comprarmos uma versão autenticada à própria banda iremos ter a certeza de que estamos a receber aquela que queríamos. Ou que foi de facto interpretada pelos Grateful Dead. Os artistas lidam com este problema desde há muito. Reproduções gráficas como fotografias ou litografias vêem frequentemente com o selo de autenticidade do artista - uma assinatura - de forma a aumentar o preço da cópia. As marcas de água digitais e outras tecnologias de certificação não irão funcionar como esquemas de protecção contra a cópia (uma vez que as cópias são líquidos supercondutores) mas podem conceder uma qualidade gerativa de autenticidade àqueles que se importam com isso.

Acessibilidade - Em muitas ocasiões a propriedade pode ser um defeito. Obriga-nos a manter as coisas arrumadas, actualizadas e, no caso de material digital, guardadas num local seguro. E neste mundo em movimento, somos obrigados a transportá-la connosco. Muitas pessoas, eu inclusive, vão ficar muito aliviadas quando surgirem empresas especializadas na manutenção dos nossos “pertences” através de um sistema de subscrição. Iremos pagar ao Armazém Digital Acme para que ele nos forneça qualquer música do mundo, quando e onde a quisermos, bem como qualquer filme, fotografia (tirada por nós ou por outros fotógrafos). O mesmo para livros e blogs. O Acme irá guardar tudo num local seguro e pagará aos criadores, entregando-nos no final os nossos pedidos. Nós vamos poder receber os conteúdos nos nossos telemóveis, PDAs, laptops, desktops ou onde quer quer que seja. Uma vez que grande parte deste material irá estar disponível de graça, à medida que o tempo for passando será cada vez menos sedutor ter que o tratar, guardar, actualizar e organizar.

Corporalidade - Na sua essência, a cópia digital é incorpórea. Podemos agarrar numa cópia grátis de uma obra e passá-la para um ecrã. Mas talvez queiramos visualizá-la em alta resolução num ecrã de grandes dimensões. Ou talvez estejamos interessados em vê-la a três dimensões. Os PDFs são servem, mas por vezes é absolutamente fascinante ver as mesmas palavras impressas num papel branco suave e brilhante, com encadernação em pele. É uma sensação formidável. E que tal explorarmos o nosso jogo favorito (grátis) juntamente com outros 35 na mesma sala? Não existem limites a uma maior corporalidade. É óbvio que a alta definição dos dias de hoje - que atrai muitas pessoas às maiores salas de cinema - poderá chegar ao nosso home theater já amanhã, mas haverá sempre uma série de tecnologias de imagem a que os consumidores não terão acesso. Projecção a laser, monitores holográficos, o próprio holodeck! E nada se torna tão corpóreo quanto a música durante uma actuação ao vivo, com corpos reais. A música é grátis - o concerto físico dispendioso. Esta fórmula está a ser adoptada por um número cada vez maior não só de músicos, como de autores. O livro é grátis. A comunicação corporal é dispendiosa.

Mecenato - Acredito sinceramente que as audiências QUEREM pagar aos criadores. Os fãs gostam de recompensar os artistas, músicos e autores com algo que representa o apreço pelo seu trabalho, porque isso lhes permite estabelecer relações com eles. Mas eles apenas irão pagar se for muito fácil de o fazer, se se tratar de uma quantia razoável e se eles se sentirem seguros de que o dinheiro irá beneficiar directamente os criadores. A experiência recente dos Radiohead em permitir que os fãs pagassem a quantia que desejassem por uma cópia grátis é um exemplo excelente do poder do patrocínio. A relação intangível e esquiva que flui entre os fãs e o artista vale algo. No caso dos Radiohead, foi cerca de cinco dólares por download. Existem muitos outros exemplos em que a audiência paga apenas porque lhe faz sentir bem.

Encontrabilidade - Se as qualidades gerativas anteriores se encontram dentro das próprias obras criativas digitais, a encontrabilidade é um bem que ocorre a um nível mais elevado, no valor agregado de muitas obras. Um custo zero não ajuda a canalizar a atenção para uma obra e pode na verdade acabar por fazer desviá-la. Mas não obstante o seu preço, uma obra não possui valor se não é vista; as obras primas que não foram encontradas não valem nada. Quando existem milhões de livros, milhões de músicas, milhões de filmes, milhões de aplicações, milhões de tudo e mais alguma coisa que exige a nossa atenção - sendo a maioria grátis - a capacidade de ser encontrado é valiosa.

Enormes agregadores como a Amazon e a Netflix ganham parte do seu dinheiro ajudando a audiência a encontrar as obras que ela aprecia. Eles são o melhor exemplo do fenómeno da “cauda longa” que, como todos sabemos, aproxima as audiências de nicho das produções de nicho. Mas infelizmente a cauda longa beneficia apenas os maiores agregadores e os agregadores de média dimensão como as editoras de livros, estúdios de cinema e companhias discográficas. A “cauda longa” não serve de muito para os próprios criadores. Mas os criadores precisam de agregadores, dado que a encontrabilidade apenas pode de facto ocorrer ao nível dos sistemas. É por isso que as editoras de livros, estúdios de cinema e companhias discográficas (PSL - publishers, studios and labels) nunca irão desaparecer. Eles não são precisos para a distribuição das cópias (a maquinaria da internet faz isso) mas sim para a distribuição da atenção dos utilizadores por entre as obras. Os PSL encontram, sustentam e revêm o trabalho dos criadores que eles consideram ser mais capazes de dizer algo com que os fãs se possam relacionar. Outros intermediários - os críticos. por exemplo - também canalizam atenção. Os fãs dependem deste dispositivo de encontrabilidade composto por vários níveis para descobrirem as obras que valem a pena a partir daquele número infindável das que são produzidas. Há dinheiro a ganhar (em termos indirectos para os criativos) com a descoberta de talento. Durante muitos anos a publicação impressa TV Guide gerou mais dinheiro do que todas as três grandes cadeias de televisião juntas e cuja programação editava. A revista orientava os telespectadores e apontava-lhes os programas interessantes que iriam passar naquela semana na televisão. Programas que, vale a pena salientar, eram grátis para os telespectadores. Não existem grandes dúvidas de que no mundo do grátis tanto os mega-agregadores como os vários PDLs irão ganhar dinheiro comercializando encontrabilidade - para além das outras qualidades gerativas.

Estas oito qualidades requerem um novo conjunto de competências. O sucesso no mundo das cópias grátis não resulta das competências ligadas à distribuição dado que a Grande Copiadora que Está no Céu toma conta disso. Do mesmo modo, também as competências legais relacionadas com a Propriedade Intelectual e o Copyright já não são muito úteis. O mesmo se pode dizer a respeito das competências relacionadas com a acumulação e a escassez. Em alternativa, estes oito novos gerativos exigem uma compreensão do modo como a abundância gera uma mentalidade de partilha, como a generosidade é um modelo de negócio, da importância crescente da promoção e do estímulo de qualidades que não podem ser replicadas com um clique de um rato.

Em suma, nesta economia em rede o dinheiro não segue o percurso das cópias mas sim o da atenção e a atenção possui os seus próprios caminhos.

Os leitores mais atentos deverão ter reparado uma ausência notória até aqui. Eu não disse nada a respeito da publicidade. Os anúncios são vistos por muitos como a solução, quase a ÚNICA solução, para o paradoxo do grátis. A maioria das soluções avançadas para resolver o problema do grátis que eu vi até agora envolvem algum tipo de publicidade. Penso que os anúncios são apenas uma das vias que a atenção percorre e que a longo prazo eles serão apenas uma parte das novas formas de ganhar dinheiro com a venda grátis de algo.

Mas isso é outra história.

Situados debaixo da camada de publicidade frívola, estes oito gerativos irão fornecer valor às cópias grátis ubíquas e transformá-las em algo que vale a pena anunciar. Estes gerativos aplicam-se não só a todas as cópias digitais mas também a todo o tipo de cópia em que o custo marginal dessa cópia se está a aproximar do zero (leiam o meu ensaio A Tecnologia Quer Ser Livre - Technology Wants to be Free). Até mesmo as indústrias materiais estão a descobrir que os seus custos de duplicação estão a descer para o zero - de modo que elas também serão obrigadas a encarar os seus produtos como se tratando de cópias digitais. Os mapas já atravessaram esse limiar. A engenharia genética está quase lá a chegar. Os gadgets e pequenos dispositivos (como os telemóveis) estão a deslizar nessa direcção. A indústria farmacêutica já chegou a esse ponto mas não quer que ninguém o saiba. Não custa absolutamente nada fabricar um comprimido. Nós pagamos pela Autenticidade e Imediaticidade que os medicamentos nos oferecem. Um dia pagaremos pela Personalização.

Assegurar a continuidade desses gerativos dá muito mais trabalho do que duplicar cópias numa fábrica. Existe ainda muito a aprender. Muito a compreender. Se acharem que percebem algo do que se está a passar, entrem em contacto comigo.

Aladygma

Isso mesmo, Aladygma. Nova peça no quebra-cabeças J.J. Abrams. Mas o que é: Cloverfield 2? Sobrenatural? Siga os espaços brancos.

Uh!

Por pouco! (Você sabe o que é IED?)

Cinco Vídeos pro Meio da Semana - 43

Cinco tirados do Coachella desse ano, que rolou no finde.


Hot Chip - "Ready for the Floor"


Justice - "We Are Your Friends"


Prince - "Creep" (do Radiohead)


Black Kids - "I'm Not Gonna Teach Your Boyfriend"


MGMT - "Time to Pretend"

Escolhas, escolhas...

GTA IV: Believe the Hype?

Pelo jeito, é tudo isso memo.

Jeezer

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Honey's dead? Segui a dica do Luciano, mas a música nova do Jesus & Mary Chain me parece mais consciente de si e auto-referente (à Rivers Cuomo) do que propriamente boa. Não que a música seja ruim (não é), mas... E a parede de ruído? E a microfonia? E o sussurro? Me parece muito amigona do rádio essa faceta 2008 do velho Jesus...


Jesus & Mary Chain - "All Things Must Pass"

Indie Globo

Mais três daquela idéia do Chico.


"Frog Rock" com Renascer


Academia da Berlinda com Tropicaliente


Feist com Quatro por Quatro

JOSÉ! MIROSMAR! DE CAMARGO!

Culpa da Jess.

Antes "Antes" que "Depois"

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Com uma pequena ajuda dos amigos (Hector e Frá, Luciano e Mariana), cheguei na tal música impossível de baixar, a nova dos Mutantes. Que tosqueira. Em poucas palavras: é o Sérgio Dias tentando compor como o Arnaldo Baptista. E quem conhece o trabalho de Sérgio solo ou dele comandando os Mutantes após a saída do irmão sabe o nível da tragédia. A música é uma tentativa de psicodelia a partir de andamentos de acordes e arranjos de instrumentos específicos e temas. Temo crer que se a dupla Michael Sullivan e Paulo Massadas resolvessem emular os Mutantes não sairia algo tão tosco, com trechos de puro constrangimento alheio como "você é os mutantes depois", "o bruxo do luxo chorou" e "eles disseram que eu me perdi/ na balada do louco na noite" - fora o coda com "burnin' it" que clona (ao menos tenta) descaradamente o encerramento das faixas psicodélicas dos Beatles. Tudo é vergonhoso.

(E antes que alguém venha dizer que "no chão vê folhas secas de jornal" ou "não há mais dia 36, tudo começa outra vez" também são letras bestas, eu peço para ouvir as músicas - a interpretação é a chave da história. Sérgio Dias canta com empolgação de jingle da Unesco.)

Tudo bem, o cara quer dizer que "é os Mutantes". Ele tava lá, ele era um deles mesmo. Quer ganhar dinheiro com isso, ótimo. Justo. Muitos não puderam assistir ao grupo na época, muitos sequer eram nascidos e se deliciaram com a oportunidade de ver clássicos ao vivo (eu mesmo, o show no aniversário de São Paulo no ano passado foi antológico), mas é só nostalgia, parque temático sobre um passado distante. É o que une os novos Mutantes ao Roger Waters tocando Dark Side of the Moon, ao Pixies tocando toda discografia melhor que qualquer banda cover de Pixies, os Sex Pistols gordaços tocando juntos de novo ("a maior picaretagem do rock'n'roll - indeed"), o Ian Atsbury encarnando o Val Kilmer com dois ex-Doors ou o Brian Wilson regravando Smile.

Mas os Beatles pegaram um recado da secretária eletrônica do John Lennon para fazer sua "música nova" enquanto David Gilmour chamou a mulher para dar uma mão nas letras do Pink Floyd pós-Waters. Já Sérgio Dias juntou sua galera e gravou uma tentativa de tributo ao próprio grupo e à nova geração de fãs. A intenção é boa, mas você conhece o ditado. E a música é só isso: intenção (gringo compra, mas gringo compra qualquer merda, né?). Aperte o "play" por sua conta e risco.

Leitura Aleatória 52

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1) O "Santo Graal dos Beatles" apareceu (menos, menos...)
2) Os 50 maiores livros cult
3) Blender lista os 10 melhores logos de bandas
4) Jornal Nacional omite o sobrenome do delegado no caso Ronaldo, três travecos e, talvez, cocaína (você não tinha visto que era Pinto?)
5) Guillermo del Toro fala sobre os filmes do Hobbit
6) Prazo da Microsoft para a compra do Yahoo! vence - e ninguém comenta nada
7) Identificado objeto que caiu do espaço em Goiás
8) Vem aí Harry Potter - A Exposição
9) Pitchfork dá nota 5 pro novo da Madonna
10) GTA 4 será o game mais vendido de todos os tempos?


abril 28, 2008

Destamanho

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É isso aí: um cartucho do velho Nintendo funcionando como um console.

Ouviu as novas da nova loirinha?

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Lily Allen - "I Could Say"


Lily Allen - "I Don't Know"

Beatles de cima pra baixo

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Foda, hein. Tirei daqui.

CSS 2008

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E eis a música nova com que o CSS anuncia seu novo disco, Donkey, que deve sair em julho pela Sub Pop. A música é bem mediona, mas deve ter sido lançada antes mais pra exorcisar a treta com o Du...


Cansei de Ser Sexy - "Rat's Dead (Rage)"

E o Bruno comenta sobre o fato da banda não ter colocado o Brasil no topo dos países que têm preferência no download. Acho que nem é rixa, tá com mais cara de vergonha. Se liguem, meninas: ser brasileiro é maior charme.

Agora... Quem descobrir como baixar a tal "música nova" dos Mutantes ("Mutantes Depois") via IG, me avisa. Nunca vi um MP3 tão difícil de baixar...

Link - 28 de abril a 4 de maio de 2008

- Fotografia digital no papel: vale?
- E trocar a câmera por um celular que tira fotos?
- Ensinando em vídeo pela internet - e ganhando por isso!
- OpenSocial chega ao Orkut - da Índia!
- Pedro Dória: Twitterremoto
- Vida Digital: Fabíola da Silva


abril 26, 2008

Rumo ao Sul!

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Outono gelando Porto Alegre e a festa Gente Bonita Clima de Paquera chega no Rio Grande do Sul pela primeira vez para esquentar o clima da capital gaúcha. Após atordoar Floripa e Rio de Janeiro em suas últimas edições. vamos começar a apresentar algumas novidades da temporada de hits outono/inverno 2008, que começa em meio do calor da pista do Porão do Beco, um clássico da noite portoalegrense. E pra aquecer a pista, os locais Schutz e Machuca se unem à febre mashup - em que hits de todas as épocas, lugares e gêneros musicais se fundem com gosto - da nossa festa, que completa um ano e meio de existência misturando tudo, mas sem deixar nunca que o pique e o alto astral saiam do primeiro plano.

Gente Bonita @ Porão do Beco
Pela primeira vez em Porto Alegre!
DJs: Luciano Kalatalo & Alexandre Matias (Gente Bonita Clima de Paquera) e Schutz e Machuca
Sábado, 26 de abril de 2008
23h (Sem hora para acabar)
Local: Porão do Beco
Preço: R$ 10

Nosso Cavaleiro das Trevas

Há pouco tempo, o Angeli (nosso rei do rock) começou a fazer umas tirinhas em que mostrava dois gêmeos numa paisagem apocalíptica, apreciando o fim do mundo.

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Qual a surpresa quando descobrimos que isso tudo era prefácio para a volta de um de seus personagens mais emblemáticos: Bob Cuspe. Mestre!

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(Ah, você não consegue ler as tiras? Tente aqui).


abril 25, 2008

E por falar no Miller...

Cês viram o trailer do Spirit, né?

Santo Frank Miller!

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Foda.

Jack Bauer 2008

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Ó o Tony aê!

Leitura Aleatória 51

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1) Homem quebra vitrine da livraria Cultura com taco de beisebol em São Paulo
2) Motomix 2008: Clap Your Hands Say Yeah não vem mais, Chromeo e Fujiya & Miyagi vêm no lugar
3) Como as crianças reagem quando um apresentador de TV infantil se suicida
4) Versão de Tropa de Elite para a TV é cancelada
5) 25% já colocaram um :- ) em trabalhos escolares
6) Kevin Shields + Patti Smith
7) Mutantes libera música inédita para download (a merda é que é impossível baixar!)
8) As piores músicas em clássicos nerds do cinema
9) 10 filmes que valem a pena esperar (e 5 que, er, nem tanto)
10) Single novo do Cansei na segunda-feira - e de graça (o disco sai em julho, pela Sub Pop)

Cientistas gays descobrem o gene da cristandade

Tungado do Dória.

"Who's the King of Pop now, bitch?"

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Roubei da Dani.

Podcast P-Funk

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E você sabia que a nação regida pelo presidente George Clinton tem um podcast? Nem eu, mas nem preciso dizer que é filet mignon, né...

"He changed the rules"

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Bom o episódio de ontem, hein... Não foi fodão como muita gente esperava, mas tá com cara de enunciar o melhor final de temporada de Lost. E esse logo da Dharma no casaco do Ben?

Enquanto o episódio da semana que vem não chega, uns petiscos: Lostscape, o passatempo inventado pela ABC para promover a volta da série, e outra entrevista com Damon e Cuse, desta vez para Jimmy Kimmel.