Bola e Bola Mesmo
04 de novembro de 2008
Desinteresse da “turma do deixa disso” pode definir campeonato
Com a proximidade do fim do Brasileirão, é cada vez maior o número de equipes sem muito objetivo que pode não se esforçar tanto e, com isso, favorecer adversários nas duas pontas da tabela.

Vinha bem o campeonato brasileiro, com muita gente disputando muita cosa, na parte de cima e na parte de baixo da tabela. Numa conta feita grosso modo, cinco em cima disputando o título e as quatro vagas da Libertadores, somados a nove, embaixo, correndo atrás de permanecer na primeira divisão em 2009, chegávamos ao resultado de 14 equipes com objetivos bem definidos. Acontece que, à medida que o campeonato vai chegando ao fim, começa a aumentar a turma dos desinteressados. E essa galera pode definir muita coisa.

Não vou falar em fiel da balança porque não é exatamente isso. Mas o grupo de equipes da fase intermediária da tabela de classificação, que não se altera há um bom tempo, pode salvar time do rebaixamento e entregar a taça a outro. Vejam o exemplo do Ipatinga. É, notadamente, uma equipe mais fraca que a do Coritiba, mas, pelo desinteresse dos paranaenses, venceu e ressuscitou na tabela. Não vi a partida, nem quero tirar o mérito do vencedor, mas claro que o Coritiba não se esforçou tanto para impedir o sucesso dos mineiros.

O triunfo do São Paulo também dependeu desse desinteresse do Internacional. Disse desinteresse e já corrijo. O Inter correu atrás de vencer o São Paulo – esse jogo eu vi. Tanto que deu espaço para o Tricolor vencer com facilidade nos contra-ataques. Duvido que se o Inter estivesse com alguma chance de pegar uma das vagas para a Libertadores jogaria assim; montaria, isso sim, um ferrolho daqueles que lhe garantiria, ao menos, um empate chocho típico do futebol gaúcho.

O caso do Sport não é tão flagrante, mais preocupa. O time, já classificado para a Libertadores por ter dado a sorte de faturar a Copa do Brasil, não vence há 11 rodadas, nem quando jogada em sua várzea, antes considerada um alçapão. Nem tanto pelo jogo de domingo, em que perdeu para o Atlético Paranaense com um gol nos acréscimos, mas pelo restante da campanha recente, o Sport vai entregar a quem quiser disparar lá em cima, ou se salvar na parte de baixo. Inter e Botafogo, de olho na Copa Sul-americana, também, muito embora, diz o sábio, não se pode confiar no Botafogo.

E o Goiás? Pergunta o leitor. Não tem mais o que conquistar, mas foi lá e sapecou três a zero no Cruzeiro, sem dó, em 16 minutos de bola rolando. Eis aí um grande mistério. E a equipe mineira, do Professor Pardal Adílson Batista, que venceu duramente o ex-líder Grêmio pelo mesmo placar, quatro dias antes, é tida como uma das melhores do campeonato. Como então, nos cerca de 74 minutos, não conseguiu esboçar a mínima reação? Mistério, mistério.

O pior é que, à medida que as posições vão se definindo, com a proximidade do final do campeonato, essa “turma do deixa disso”, que não briga por nada, vai aumentando perigosamente. Hoje vai de Botafogo a Sport, mas logo deve incluir Atlético Mineiro e Santos, e, talvez, o quinto que sobrar do G4, muito provavelmente o Flamengo, que simplesmente renunciou às vitórias – quem diria - no Maracanã. Ou seja, vida cada vez mais fácil pra quem pegar uma dessas equipes, e mais dura para os demais. Pontos corridos, pois não?

Até a próxima, que um time ruim vai ser o campeão!!!

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