
Com Anette, o Nightwish confirmou aquilo que já se percebia em “Dark Passion Play”, o primeiro disco da nova fase: é outra banda. Não apenas porque o chefão Tuomas Holopainen optou por uma vocalista mais pop à manter uma soprano, seu grande achado no passado e que desencadeou toda uma geração de bandas afins. Mas porque Anette, com uma estampa de garupa de moto, não tem aquilo que Tarja sempre carregou, mas que só agora se sente a falta: uma postura imponente conjugada por um misto de beleza, bom gosto e presença de palco. Por isso a entrada da empolgada Anette no palco dando adeus à Tarja já causa desânimo.
Não é, entretanto, o caso de comparar coisa com outra num show desse tipo. O público, sábio, não está nem aí para isso. E pouco se importou com os ecos usados para sustentar a voz em “The Siren” ou em “The Poet And The Pendulum”, ou se “Wishmaster” teve o início mais pré-gravado do que cantado, como no passado. Mesmo porque o resultado, com o cada vez melhor som do Circo Voador, era muito bom. Apesar de Tuomas ser um mago dos teclados, o recurso das gravações teve que ser usado para reproduzir a complexidade da já citada “The Poet And The Pendulum” e seus 14 minutos com grande fidelidade. Anette Olzon falseou a voz várias vezes (em “Dark Chest of Wonders”, de tom puxado para ela, isso foi latente), e a todo o momento ia atrás de um biombo se recompor – sem perder o pique do show. Num deles, predominou o clima acústico de “The Islander”, outra das novas.
No repertório, apesar de curto, com pouco mais de 80 minutos, ficou claro que o Nightwish, hoje, é uma banda em franca transição. Se o bom álbum “Oceanborn”, de 1998, que projetou o grupo, passou em branco, realçou a firmeza dos novos tempos. Ao omitir o hit “Nemo”, reafirmou na gêmea “Amaranth” o grande momento do show, com direito a forte emoção – de público e banda – no final. E há ainda o que se resgatar, como aconteceu na ótima versão para “Come Cover Me”, esquecida pela banda nos últimos tempos, além da reafirmação de clássicos onde Marco Hietala e destaca, caso de “Wish I Had An Angel”, solitária no rápido bis. É preciso, também, salientar que a presença discreta de Anette abriu espaço para Emppu Vuorinen se soltar no palco e brilhar em belos solos, sobretudo em “Wishmaster” e “Whoever Brings The Night”.
Transição, porém, que só vai acaba com o lançamento de mais um ou dois álbuns. Se depender do talento de extraordinário compositor de Tuomas, e do apoio fornecido pelo público carioca, o futuro está garantido. Resta saber se, depois dessa atribulada passagem pelo Brasil, a querida Anette Olzon vai prosseguir agüentando o tranco das grandes turnês reservadas para bandas da projeção do Nightwish.
O público estava tão “de bem com a vida” que antes, na abertura, aceitou – e muito bem – o show do Libra. A banda, capitaneada pelo cantor de mesmo nome, faz uma curiosa mistura do bom e velho metal arrastado (doom metal, gothic metal, como queiram) com rock, pop e letras em português. Com uma boa qualidade de som, surpreendeu pela firmeza do vocalista e pelo bom entrosamento na parte instrumental - destaque para o bom guitarrista Bebeto Daroz. Uma cover pesada para “Enjoy The Silence”, do Depeche Mode, deu o tom da festa que se anunciava com o show principal.
Set list completo:
1- Intro + Bye Bye Beautiful
2- Whoever Brings The Night
3- The Siren
4- Dead to The World
5- Amaranth
6- The Islander
7- The Poet and the Pendulum
8- Come Cover Me
9- Dark Chest of Wonder
10- While Your Lips Are Still Red
11- Sahara
12– Wishmaster
Bis
13- Wish I had an Angel