
Além de material raro, gravações ao vivo e os videoclipes oficiais do período (entre 1990 e 1992), turbinados por cenas de bastidores, o que marca é a espontaneidade de Chris Robinson, seja concedendo entrevistas a rádios, quando todos querem saber da brigas entre ele e o irmão Rich, que nunca existiram, ou debochando das reuniões que precisa ter com executivos de gravadoras. O vocalista, de um modo ou de outro, parece estar sempre emaconhado, já que, no caso dele, mary juana, música e o seu modo de vida são uma coisa só. Numa das passagens mais hilárias, Chris assume que faz música para maconheiros, ao questionar se os pesquisadores que avaliam o público do grupo já foram na casa de um vendedor da erva para saber o que ele anda ouvindo. Acertou na mosca.
Apesar de se tratar de um vídeo oficial, assuntos não tão agradáveis são abordados entre uma ou outra cena. Chris Robinson se defende da acusação de ter cuspido em uma incauta que acompanhava uma fã numa loja de conveniência, e acusa o ZZ Top de fazer dublagem em pleno palco, logo depois de – segundo consta – o grupo ter sido cortado de uma turnê com os barbudões. “Eles são muito velhos e muito pequenos para nos expulsar”, diz. Ele também tenta se defender da “acusação” de um fã, numa rádio, de o grupo fazer um som retrô, mas se enrola todo. Como negar isso já a partir o visual de brechó adotado pela banda?
As performances musicais são todas boas, até “You’re Wrong”, extraída do acústico MTV cai bem, pela animação do esquelético vocalista. A mesma coisa se percebe no clipe para “Remedy”, responsável por catapultar a banda para o sucesso, que ganha cenas avulsas de um making of não planejado. Na parte ao vivo, vale checar o grupo mandando muito bem em “Jealous Guy”, de John Lennon, mas nada supera “Stare It Cold”, gravado durante um festival em Moscou diante de uma incontrolável multidão, justamente naquele período de queda do regime comunista. Sobrou cacetada para o público e para a jovem esquadra russa, incrédula diante da histeria rock’n’roll.