
Corta para hoje. Quatro anos depois, contratados por uma grande gravadora – daquelas ditas falimentares – chegam ao segundo disco com a responsabilidade de mostrar que eles são, no fim das contas, aquela coca-coca toda. Até trazem músicas de longa data, daquelas que não foram aproveitadas no disco de estréia, mas o que se nota após uma ou duas audições desse segundo disco é que o Moptop, hoje, é uma outra banda. Shows pra lá e pra cá nesse Brasilsão, reconhecimento quase que unânime da mídia e mesmo da gravadora, que não contrata ou renova com ninguém, moldam um novo grupo, representado nesse álbum por uma linearidade madura, ampla e jamais demeritória.
As músicas reunidas aqui não são, em separado, como no disco de estréia, uma tentativa de ser isso ou aquilo; juntas é que elas funcionam, dando ao conceito de álbum, tão desgastado nos dias de hoje, novos contornos. É fácil enxergar em algumas delas, como na abre-alas “Aonde Quer Chegar” ou em “Desapego”, a vocação radiofônica – se rádio ainda fosse algo relevante -, mas o fato é que elas são pop, no sentido de que colam no ouvido mais distraído, como acontecia no repertório de origem do quarteto. Só que não é possível a análise pontual num universo pleno e bem amarrado que as 12 faixas tão bem oferecem.
Pode ser citada a boa “Malcuidado” como flerte com o reggae, ou ainda “Contramão”, por ser semelhante a algo já feito pelos Strokes, mas elas são tão bem alinhavadas com as demais que a impressão não passa de marcação ranzinza daquele cujo ouvido é de alcance reduzido. “2046”, de seu lado, já conhecida daquele especial “MTV Apresenta”, carrega uma urgência das mais interessantes - é rara a evolução de guitarra apresentada após o refrão. A derradeira “Bonanza”, com uma indefectível maresia surf music, assim como a faixa-título, é, ao mesmo tempo, algo novo e remete a “não sei onde”, mérito que só as boas composições conseguem ter. Outra boa é a dançante “História Pra Contar”, que, no entanto, não foge tanto do conceito musical do CD, a não ser pela velocidade melodiosa que conduz os vocais notadamente lineares de Gabriel Marques, neste disco mais “marca registrada” do que nunca.
Mesmo sem o frescor dos iniciantes – e talvez por isso mesmo – nesse disco o Moptop registra pra sempre no rock nacional que tem uma sonoridade própria, não mais dependente das referências que serviram no começo da banda. E ainda abre espaço para o deslanchar de uma carreira que continua – para o bem ou para o mal – promissora. Como diz a canção, sem agasalho, sem hora pra voltar.
Não concordo com a resenha. Depois de ouvir o disco, vi um Moptop fazendo um arroz com feijão nada inspirado, muito diferente da estréia. É óbvio que eles quiseram soar pop (isso não é ruim), mas pecam justamente aí. Ao invés de explorar essa veia continuaram presos aos riffs e à sonoridade "strokeana" e o resultado taí: um disco rock que não tem peso... Os indies vão torcer o nariz e a massa não vai comprar o barulho... Que apostar quanto?