
Mas cabe a pergunta: por que há esse equilíbrio? O que faz uma equipe como o Botafogo, entre os quatro primeiros, não conseguir derrotar o Náutico, entre os quatro últimos, dentro de seus domínios? Aí, meus amigos, só assistindo à partida. Como poucos profissionais fazem isso nos últimos tempos, a resposta vem com base na tabela, e via de regra é do tipo “o Náutico está precisando escapar do rebaixamento e o Botafogo relaxou depois que entrou no G4”. Quando, na verdade, deveria o analista, dizer quem jogou melhor, quem dominou as ações da partida, que foi mais ofensivo, quem soube se defender, quem teve sorte e assim por diante. Se o campeonato é nivelado por baixo, imagine a crônica esportiva.
Pois é com os olhos prostrados na tabela de classificação que já tem gente dizendo que apenas duas equipes estão na disputa pelo título: Grêmio e Palmeiras, os dois primeiros colocados, sendo a equipe de Porto Alegre a franca favorita. E isso com 15 rodadas e 45 pontos a serem disputados. Pode isso? Pode, meus amigos, tanto pode que é o que está se passando. Não sou tão bom de tabela quanto os meus pares, mas, como dizia Didi Mocó, vou dar minhas cacetadas. Se o Palmeiras tem chances, o Cruzeiro, com três pontos a menos, também tem. E o Botafogo, um abaixo do Cruzeiro, tem também. E assim por diante, até chegar, ao menos, até Vitória, Coritiba e Flamengo, com 37 pontos cada. Analisando a tabela, é isso.
Repare que eu disse analisando a tabela. Porque, se pensarmos no futebol jogado dentro das quatro linhas, é fácil dizer que Coritiba e Vitória não vão arrumar nada, e que o time do Botafogo é bem fraquinho, e pode agradecer aos céus se conseguir ficar entre os quatro primeiros. O mesmo acontece, num nível mais acima, com São Paulo e Flamengo, sendo que o atual bicampeão está e franca decadência - até o empolgado Muricy está desanimado - ao passo que o Flamengo, se embalar com os novos reforços e junto com a torcida, pode dar uma arrancada para o título semelhante à que o tirou da zona o rebaixamento no ano passado rumo à Libertadores. Mesmo porque Grêmio, Palmeiras e Cruzeiro não estão com essa bola toda, não. E estou falando, repito, de futebol. Bola rolando mesmo.
Lá embaixo a coisa é diferente. Como dizia Waldir Amaral, é um bololô danado. A distância que separa os últimos colocados às vezes inexiste, é preciso apelar para os critérios de desempate. Vejam que há uma equipe com 21 pontos, quatro com 23 e uma com 24. Como o tal equilíbrio e o sobe-e-desce é a constante, quem estivar descendo nas últimas rodadas é que periga ir para o brejo. Mas, falando de bola rolando, posso apontar os quatro fadados ao descenso: Ipatinga, Náutico, Portuguesa e Atlético do Paraná.
Vale a lembrança de que ontem, enfim, foi fechada a tal “janela de negociação”. Quem tinha que ir já foi, e quem esperava se reforçar já se reforçou. Ou seja, começa a última e derradeira etapa do campeonato brasileiro, e agora cabe aos técnicos fazerem suas respectivas limonadas. Agora, com os elencos consolidados é que é a hora do treinador se virar mostrar se é bom mesmo. É fato que nenhuma equipe vai sair vencendo jogos a torto e a direito, mas dá pra muita gente trabalhar pra conseguir escapar de rebaixamento, chegar às copas continentais e, mesmo, colocar a mão na taça. Não vivem perguntando se técnico ganha jogo? Agora é a hora de mostrar que sim.
Até a próxima, que a paradinha é um espetáculo!!!