Bola e Bola Mesmo
02 de setembro de 2008
A hora dos técnicos
Com o fim da janela de negociação e os elencos definidos, é hora dos treinadores mostrarem serviço no brasileirão.

Equilíbrio é a palavra da vez. Descobriram os observadores da crônica esportiva que há muito mais empates nesse campeonato brasileiro do que vitórias e, consequentemente, derrotas. Para isso foi preciso que, na rodada desse último final de semana, nada menos que 15 equipes mantivessem a posição na tabela, contrariando a máxima de que o brasileirão é um grande sobe-e-desce. No que é preciso reafirmar que nossos comentaristas continuam a examinar a tabela de classificação, não os times. Muito embora o tal equilíbrio é, a essa altura, inegável.

Mas cabe a pergunta: por que há esse equilíbrio? O que faz uma equipe como o Botafogo, entre os quatro primeiros, não conseguir derrotar o Náutico, entre os quatro últimos, dentro de seus domínios? Aí, meus amigos, só assistindo à partida. Como poucos profissionais fazem isso nos últimos tempos, a resposta vem com base na tabela, e via de regra é do tipo “o Náutico está precisando escapar do rebaixamento e o Botafogo relaxou depois que entrou no G4”. Quando, na verdade, deveria o analista, dizer quem jogou melhor, quem dominou as ações da partida, que foi mais ofensivo, quem soube se defender, quem teve sorte e assim por diante. Se o campeonato é nivelado por baixo, imagine a crônica esportiva.

Pois é com os olhos prostrados na tabela de classificação que já tem gente dizendo que apenas duas equipes estão na disputa pelo título: Grêmio e Palmeiras, os dois primeiros colocados, sendo a equipe de Porto Alegre a franca favorita. E isso com 15 rodadas e 45 pontos a serem disputados. Pode isso? Pode, meus amigos, tanto pode que é o que está se passando. Não sou tão bom de tabela quanto os meus pares, mas, como dizia Didi Mocó, vou dar minhas cacetadas. Se o Palmeiras tem chances, o Cruzeiro, com três pontos a menos, também tem. E o Botafogo, um abaixo do Cruzeiro, tem também. E assim por diante, até chegar, ao menos, até Vitória, Coritiba e Flamengo, com 37 pontos cada. Analisando a tabela, é isso.

Repare que eu disse analisando a tabela. Porque, se pensarmos no futebol jogado dentro das quatro linhas, é fácil dizer que Coritiba e Vitória não vão arrumar nada, e que o time do Botafogo é bem fraquinho, e pode agradecer aos céus se conseguir ficar entre os quatro primeiros. O mesmo acontece, num nível mais acima, com São Paulo e Flamengo, sendo que o atual bicampeão está e franca decadência - até o empolgado Muricy está desanimado - ao passo que o Flamengo, se embalar com os novos reforços e junto com a torcida, pode dar uma arrancada para o título semelhante à que o tirou da zona o rebaixamento no ano passado rumo à Libertadores. Mesmo porque Grêmio, Palmeiras e Cruzeiro não estão com essa bola toda, não. E estou falando, repito, de futebol. Bola rolando mesmo.

Lá embaixo a coisa é diferente. Como dizia Waldir Amaral, é um bololô danado. A distância que separa os últimos colocados às vezes inexiste, é preciso apelar para os critérios de desempate. Vejam que há uma equipe com 21 pontos, quatro com 23 e uma com 24. Como o tal equilíbrio e o sobe-e-desce é a constante, quem estivar descendo nas últimas rodadas é que periga ir para o brejo. Mas, falando de bola rolando, posso apontar os quatro fadados ao descenso: Ipatinga, Náutico, Portuguesa e Atlético do Paraná.

Vale a lembrança de que ontem, enfim, foi fechada a tal “janela de negociação”. Quem tinha que ir já foi, e quem esperava se reforçar já se reforçou. Ou seja, começa a última e derradeira etapa do campeonato brasileiro, e agora cabe aos técnicos fazerem suas respectivas limonadas. Agora, com os elencos consolidados é que é a hora do treinador se virar mostrar se é bom mesmo. É fato que nenhuma equipe vai sair vencendo jogos a torto e a direito, mas dá pra muita gente trabalhar pra conseguir escapar de rebaixamento, chegar às copas continentais e, mesmo, colocar a mão na taça. Não vivem perguntando se técnico ganha jogo? Agora é a hora de mostrar que sim.

Até a próxima, que a paradinha é um espetáculo!!!

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