Bola e Bola Mesmo
30 de setembro de 2008
A alegria de Ronaldinho
Comemoração por conta de golaço marcado contra a Inter de Milão pode marcar o recomeço da carreira do craque.

Aquele que já passa por essas linhas virtuais sobre o esporte bretão há mais tempo já deve ter percebido, numa ou outra coluna, o meu desapreço pela figura de Ronaldinho Gaúcho. Não que eu não goste do jogador, mas detectei há tempos que ele é muito mais um jogador de clube do que de seleção, e, recentemente, atestei o fim precoce de sua carreira – eu e mais uma pá de gente boa. Ronaldinho, fora de forma e pouco interessado em recuperá-la, parece não querer de volta os tempos de glória que a bola – dada a sua pouca idade – ainda lhe reserva.

Acontece que, no último final de semana, um lance me trouxe novas esperanças quanto ao brilho desse craque voltar a figurar entre os destaques do futebol mundial. Na partida contra a Inter, praticamente da linha do meio de campo, ele fez um lançamento milimétrico para Kaká. Quando da TV focou no ex-são-paulino, ele dominou a bola, avançou e cruzou para o meio da área. Para a surpresa geral, Ronaldinho surgiu como uma flecha, desferindo uma cabeçada mortal contra as redes adversárias. A jogada, ao menos vista pela TV, revelou características do jogador que pareciam fazer parte do passado.

Na primeira delas, um lançamento de fazer lembrar os tempos de Gérson na Copa de 70, ou de Rivelino no comando da máquina tricolor, com a vantagem para Ronaldinho de hoje tudo ser muito mais corrido, mais rápido, e sem espaço e tempo para se pensar muito. Acertar o passe que o Gaúcho acertou, ainda que se duvide da posição de Kaká quanto a uma possível marcação de impedimento, não é algo fácil, meus amigos. Mas isso não foi tudo.

Kaká foi rápido, cruzou logo para a área para encontrar possivelmente um centroavante, mas achou a cabeça de Ronaldinho. Ora, o pique dado pelo jogador mostra que ele, se não está com o condicionamento físico ideal, se encontra bem melhor do que estava nas olimpíadas, quando parecia procurar a sombra do campo para jogar. Foi o pique que valorizou a sensacional cabeçada do craque, já que esse, diga-se, não é um de seus melhores fundamentos.

Não seria legítimo, no entanto, se ficássemos apenas no aspecto técnico – e já extraordinário – da coisa. Ocorre que, após marcar o gol, Ronaldinho comemorou com uma efusiva alegria que há tempos não se via na carreira do jogador. Eu, para ser bem honesto, lembrei do primeiro gol que o ainda garoto Ronaldinho marcou pela seleção brasileira, contra a Venezuela, na Copa América de 1999. A vibração do menino ao fazer um golaço, driblando adversários de forma desconcertante, foi digna de nota e é lembrada até hoje. Foi dela que me lembrei ao vê-lo estampar um sorriso daqueles, com o elástico de prender o cabelo nas mãos. Se aquela jogada marcou o início da carreira de Ronaldinho, essa de domingo pode muito bem, profeticamente, marcar seu recomeço.

Até a próxima, que no Flamengo, burro é o torcedor!!!

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