Bola e Bola Mesmo
12 de agosto de 2008
Pontos corridos com finais
Dessa vez o campeão do primeiro turno não vai levar o título. Mas alto lá, que campeão do primeiro turno, se a disputa é em pontos corridos?

Não sei se já falei disso por aqui, mas sou a favor de uma versão melhorada do modelo de disputa por pontos corridos. Para mim, o ideal seria termos turno e returno disputados em pontos corridos, sendo que as equipes classificadas em primeiro e segundo lugar de cada um deles disputaria semifinais e finais. Lembro que em 1985 foi assim, com Santos, Cruzeiro, Botafogo e Fluminense classificados para as finais das quais saiu o Botafogo campeão em cima do Santos.

Digo isso porque o modelo “pontos corridos”, é, sem dúvida, o que dá a vitória para a melhor equipe em todo o campeonato, mas reconheço que precisamos de finais. E se as copas de continente são mistas, com uma fase de grupos e outra de mata-mata, poderia ser assim no brasileirão também. É mais lógico, e tanto é assim que considera-se, na mídia, turno e returno, e agora, depois das primeiras 19 rodadas, faz-se o balanço de um primeiro turno que não existe, no papel, mas já está encardido na cultura do futebol brasileiro.

Dessa forma Grêmio e Cruzeiro já estariam classificados para as finais, fatalmente relaxariam e abririam caminho para que outras duas equipes vencessem o segundo turno. E neste até a duplinha de lanternas, Ipatinga e Fluminense, poderia chegar às finais e sair com o título. A rigor, até essas duas equipes podem, no segundo turno, fazer uma campanha melhor que a que Cruzeiro e Grêmio fizeram no primeiro, encerrado domingo passado. Diferentemente, com a fórmula de disputa atual, desde 2003, quando ela foi adotada, quem vence o primeiro turno é o campeão. Será dessa vez assim também?

Eu não acredito. Primeiro porque não coloquei a equipe do Grêmio entre as favoritas antes do início do campeonato, e me recuso a incluí-la agora. Das seis que apontei, só o Fluminense é digno de banimento do favoritismo. Em Cruzeiro, Palmeiras, São Paulo, Internacional e Flamengo eu continuo apostando. Num ano em que investiu alto e fez tudo certinho, o despreparo da comissão técnica retirou o clube das Laranjeiras da disputa pelo título. Com o time e a estrutura que montou, o Fluminense deveria ter chegado às finais em todas as competições que disputou, não apenas uma. Vaga na Libertadores era para ser favas contadas, ainda mais depois de o clube ter se adaptado tão bem à competição continental. Mas agora isso é assunto para 2009. Nesse ano resta ao Flu torcer para que o técnico Cuca, que assume hoje, consiga fazer um bom trabalho com um time bom também, porque até hoje ele só montou boas equipes quando o elenco era sofrível.

Na zona de rebaixamento vejo o Ipatinga, como time pequeno que é, já rebaixado, e Santos e Fluminense escapando. A situação do Vasco é a mais difícil, por conta de um presidente isolado e refém das travessuras cometidas pelo anterior. Assim como aconteceu com o Corinthians, que passou por um processo parecido, o lugar do clube da Colina deve ser mesmo a segundona no ano que vem. A esses dois devem se juntar o Náutico, em franca decadência, e Portuguesa, Figueirense ou Atlético Mineiro. Torço pela queda do Figueira, claro, por motivos óbvios.

Em Pequim, diz a mídia que o veterano Ronaldinho Gaúcho voltou a jogar o futebol que o consagrou, por conta de dois gols (um de falta e outro de pênalti) e umas boas jogadas individuais contra a Nova Zelândia – terra onde o futebol e bola redonda são mistérios indecifráveis. Contra adversários como a Bélgica, que só desce a porrada, Nova Zelândia e China, a obrigação do Brasil é golear mesmo. Arrisco dizer que todas s 20 equipes da nossa série A venceriam esses pernas de pau. Tanto que até com um meia titular somente do time dos casados da pelada do aterro vencemos fácil, de modo a encher os olhos da nossa crônica. Se o Brasil terminar em primeiro, deve pegar moleza também nas quartas de final (Camarões ou Coréia do Sul) e o bicho só vai pegar mesmo nas semifinais, quando encontrar a Itália, campeã européia sub 20, e a Argentina de Messi, Riquelme e Mascherano na final.

Não quero ser do contra, mas há que se lamentar a comemoração excessiva de três medalhas de bronze conquistadas até agora nas olimpíadas, pelo judô. No caso dos atletas que ficaram em terceiro ontem, vá lá, que são ilustres desconhecidos. Mas hoje, Tiago Camilo era favorito para o ouro, e foi derrotado, ficando com um reles bronze. Que herói que nada. Já vi site de publicação respeitável explicando por que o Brasil é o “país do judô”. Como é que é?

Até a próxima que no Vitória o banco é melhor que o time!!!

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