
Dizem os especialistas, de outro lado, que não temos uma boa geração de jogadores. No que eu discordo e afirmo o contrário. Apesar da implacável derrota para a Argentina, não considerei ruim a equipe armada por Dunga para essas Olimpíadas. Havia, a meu ver, duas diferenças básicas entre nós e os argentinos. A primeira é que eles tinham um time, treinado por um bom período por um técnico exclusivo da equipe – mais ou menos aquilo que chamam de “projeto olímpico”. A segunda, que tinham eles, em campo, Messi, Riquelme e Mascherano, todos em forma. No que concluo que, tivéssemos nós Kaká, Robinho e Ronaldinho também bem preparados, teríamos vantagem sobre eles, mesmo com um estrupício como Dunga no banco. E mais: a equipe das Olimpíadas + os craques de idade superior a 23 anos + um técnico apenas razoável = classificação para a Copa de 2010 com chances de vitória.
Não entendo o porquê de a CBF esperar tanto para trocar Dunga por um técnico. Estamos em quinto nas eliminatórias e temos, ainda esse ano, outros quatro jogos contra equipes fracas, sim, mas que Dunga não deve conseguir superar – ou o fará com certa dificuldade. Quanto antes ele sair, mais tempo terá o substituto para montar uma equipe que reaja na competição. Ou será que a CBF acredita que o Brasil se recupera com Dunga mesmo? Ou será que pretende esperar o fim do Brasileiro para ter o Engravatado Sob o Sol? Mistérios do poder.
Não queria tocar no assunto futebol feminino, mesmo porque acho que o que Marta e cia praticam é um esporte ligeiramente parecido com o futebol, mas não agüento mais ouvir lamentações pela derrota, também implacável, para os Estados Unidos. Ora, meus amigos, a equipe brasileira jogou uma pelada daquelas, sem o mínimo de estratégia e armação tática, e com o defeito de não ter feito gols a rodo, como sempre acontece num bom casado e solteiro. As americanas, mais experientes, essas, sim, tinham um plano de jogo. Não estou dizendo que era bonito de se ver, mas a estratégia delas funcionou, e de novo. Por isso achei justo o resultado – como se fosse preciso esse tipo de análise. Justíssimo.
Ademais, nesse esporte chamado futebol, não se chega, do nada, e sai ganhando. É preciso pelejar um bocado, sofrer, perder, para depois ganhar. É assim com qualquer equipe a cada vez que estréia num tipo de competição. É preciso perder um bocado, e perseverar, para conseguir. E, ás vezes, nem se consegue nada. Exemplos em Copas do Mundo é o que não faltam. Foi preciso o Brasil sofrer uma grande derrota em 1950 para depois superar o “complexo de vira-latas”. Perder em 1982 para um dia se pentacampeão, e assim por diante. No futebol, podem anotar, ninguém ganha ou perde para sempre. Quando atingir maturidade em todos os aspectos e deixar de jogar bola, para jogar futebol, Marta e suas amiga até poderão vencer algo. Leva tempo, meus amigos, leva tempo.
Até a próxima que Dodô não quer nada com a hora do Brasil!!!