
Gesto, que, mesmo depois da derrota nos pênaltis, mantenho. Na primeira participação do clube (desde que a competição passou a despertar o interesse do futebol brasileiro), o Fluminense foi vice-campeão com uma campanha irrepreensível, a melhor de todas as 40 equipes que foram selecionadas para disputar o torneio, depois de ter conseguido uma espécie de “dupla classificação”, ao vencer a Copa do Brasil e chegar em quarto lugar no Campeonato Brasileiro, em 2007. Ao todo, foram 14 partidas, sendo 9 vitórias, 2 empates e 3 derrotas. 29 pontos em 42 possíveis, o que resulta num aproveitamento de 69%. Marcou 22 gols e sofreu 15, num saldo de 7. No Maracanã, venceu todas as partidas e sofreu apenas 3 gols. É ou não é uma campanha e tanto?
O Maracanã deve ao Fluminense a oportunidade de ter, pela primeira vez em sua história, ter sido sede de uma final de Taça Libertadores. Sim, porque o Fluminense só jogou todas as chamadas “partidas de volta” no estádio porque teve a melhor campanha entre as 32 equipes que disputaram a primeira fase, coisa nunca antes conseguida por uma equipe carioca que eventualmente disputou o torneio. E a torcida tricolor, apoiada por todas as personalidades do esporte e política em geral, fez uma festa particular no Maracanã. Torceu e vibrou até o último minuto, até a última cobrança de pênalti. Derrotada, ensinou ao Rio, ao Brasil e ao mundo, como deve ser uma torcida. Não se registrou, no Estádio e entorno, uma briga sequer. Não houve confusões nos bares da zona sul, nem quebra-quebras ou muros pichados. Dois dias após a derrota, estavam lá os torcedores, nas Laranjeiras, não para pedir a cabeça do treinador e iniciar uma “caça às bruxas”, mas para apoiar os jogadores e “curtir” a ressaca da derrota solidariamente e com civilidade. A onda tricolor contagiou o Brasil e transformou em minoria aqueles que, apegados a valores menores, não viram no triunfo tricolor um benefício para o futebol carioca e brasileiro.
Como sul-americanos, agora teremos que aturar a fraca LDU nos representando contra o Manchester United (e alguns figurantes) no mundial de clubes. Sim, porque a LDU tem um time fraco, que, como acontece com a seleção equatoriana, se garante na altitude e sempre perde em condições normais, no nível do mar. Ou vocês não perceberam que o primeiro, terceiro e quarto gols da Liga, no jogo de Quito, foram causados pelos efeitos da altitude no chamado “tempo de bola”? Existe uma tendência, por vezes justa, de encher de elogios aquele que vence, mas não há como negar que a equipe da LDU é realmente muito ruim, do goleiro ao ponta esquerda, e que ganha – como ganhou na última quarta – mais por fatores extra-campo, como organização, planejamento, altitude, arbitragem, do que por apresentar um bom futebol. Não vamos agora fazer a apologia do futebol equatoriano, né?
Citei arbitragem ali em cima para chegar na figura nefasta do Sr. Hector Baldassi. Considero sempre (e aprendi com o Mestre) que todo juiz é um ladrão vocacional, mas hesitei em incluir este parágrafo nesta coluna até tomar conhecimento da opinião de Arnaldo César Coelho, em seu blog, e, ontem à noite, no Programa “Bem Amigos”, do Sportv. Arnaldo deixou de lado o tradicional corporativismo com o qual defende os árbitros e dissecou toda a lambança feita por Baldassi, que já entrou no gramado mal intencionado, ao implicar com o posicionamento de alguns fotógrafos. Durante a partida, amarrou o jogo ao sabor da LDU, desrespeitando orientações da FIFA, deixando de distribuir os necessários cartões amarelos, travando o jogo intencionalmente. Sabemos todos, desde o “episódio Edílson”, que não se rouba um jogo só com marcações escandalosas, mas também irritando os jogadores e “quebrando” o jogo. Foi exatamente o que fez o Sr. Baldassi, até nas cobranças de pênalti, quando não teve pulso para colocar o goleiro da LDU pra fora.
Mas Baldassi ainda reservara, no início da partida, um lance, sim, escandaloso, ao não marcar o pênalti sobre Washington. Mesmo que o Fluminense, como sugeriram alguns comentaristas “do contra” (notadamente da crônica além Dutra), não convertesse a penalidade, o jogador da LDU, como último homem, deveria ser expulso, e a história do jogo seria outra. Ou seja, Hector Baldassi interferiu, sim, no resultado da partida, o que configura, sim, um resultado injusto. Dirão os tais “do contra” que o juiz também anulou um gol legítimo da LDU, no final da prorrogação, o que é verdade. Mas, meus amigos, provavelmente nem teria existido prorrogação, caso o pênalti a favor do Fluminense fosse marcado, com a subseqüente expulsão do jogador da LDU. Hoje, parece evidente que um árbitro argentino matreiro como esse nunca deixaria um clube brasileiro ser campeão de uma Libertadores, ou, no mínimo, atrapalharia o feito ao máximo. Fica a lição para os dirigentes tricolores para, da próxima vez, atuar politicamente, junto à Comembol, para evitar esse tipo de situação.
Só que a perda do título aconteceu porque o Fluminense levou um gol logo de saída. Ou, por outra, porque lhe faltou fazer um gol, em 30 minutos de jogo ou nos 30 da prorrogação, visto que o terceiro saiu por volta dos 15 do segundo tempo. Acontece que a equipe das Laranjeiras não teve mais pernas e estava psicologicamente arrasada, fato reafirmado nas cobranças dos penais. Os melhores jogadores e melhores batedores cobraram muito mal e foram vítimas da catimba de um goleiro, convenhamos, frangueiro de carteirinha. Embora emocionante, taticamente o jogo foi uma pelada colossal, com todo mundo partindo pra cima sem marcar ninguém. Jogou melhor o Fluminense, e por isso venceu por três a um, numa exibição de Thiago Neves, certamente o jogador mais importante de toda a campanha tricolor.
Agora, com a derrota e a lanterna no Brasileirão, todos caem em cima do técnico Renato Gaúcho. Considero que ele fez um bom trabalho. Se foi arrogante, partiu dele a motivação, logo após o jogo de Quito, que deu força aos jogadores e desaguou na onda tricolor que mobilizou o País. Já disse aqui que uma das virtudes do técnico, é saber jogar duas competições ao mesmo tempo, escalando equipes A e B de acordo com as circunstâncias. Foi assim com o vice do Vasco na Copa do Brasil, em 2006, e com o título tricolor em 2007. Dessa vez, Renato agiu certo, só que não se esperava que a equipe B fosse ter um desempenho tão ruim. Dela, era de se esperar uma aproveitamento de uns 40%, o que resultaria, hoje, em algo em torno de um satisfatório décimo lugar.
Quando percebeu a fraqueza do time B, Renato chegou a escalar os titulares em alguns jogos, mas estes também não venceram, e foi alegada a tal “falta de foco”. Outra lição a ser aprendida. O “foco” não pode ser “só” no título, mas a vitória a cada jogo, o que leva a equipe, consequentemente, ao tal título. E jogador é pago para se empenhar ao máximo a cada partida. Depois da grande exposição que o Fluminense conseguiu na mídia, com a derrota agora é hora desta mesma mídia azucrinar a cabeça dos já abalados jogadores tricolores. Muita calma nessa hora que logo, logo o Fluminense sai dessa lanterna.
Até a próxima que o Vasco agora é puro Dinamite!!!