
Explico. Contam os matemáticos que, neste ano, ao Brasileirão apresenta a menor distância em pontos, na tabela de classificação, entre o primeiro e o último colocado, em toda a recente história dos pontos corridos. Ou seja, está tudo muito embolado, do topo à rabeira. Prevê-se, já, um rodízio nunca visto pelas primeiras posições, ao passo que, na zona de rebaixamento, num olhar global, também há novidade. Nunca os times lá debaixo venceram tanto, num esforço hercúleo para se livrar das últimas posições. Só que, logo acima, os que ali estão não abrem mão de suas colocações, rodada após rodada. E a coisa vai apertando, resultando na sanfona curta que citei ali em cima.
Uma das equipes que não conseguem se livrar das últimas colocações é justamente aquela que, pelo elenco que montou e pelos investimentos que fez, nem era para estar ali. Falo do Fluminense, que eu próprio apontei como um dos favoritos ao título, ao lado de Flamengo, Inter, Palmeiras, São Paulo e Cruzeiro. Acontece que o Tricolor, além de ressacado pelo vice da Libertadores e numa entressafra de jogadores que inclui vendas e convocações para a seleção, encontra-se numa sinuca de bico da qual o treinador não está conseguindo sair. Mas nem sempre foi assim.
Em toda a sua curta história como técnico, Renato Gaúcho sempre treinou equipes medianas ou ruins mesmo, e sempre soube armar esquemas táticos que levaram esses times muito mais longe do que e imaginava. Foi assim com o Vasco de 2005, que bateu na trave da Libertadores e com o Fluminense semifinalista de 2002, na última disputa antes da era pontos corridos, só para citar dois exemplos. Com o Vasco, Renato consagrou o tal 3-6-1, e fez fama no Flu com o lema Romário + 10. A única vez em que Renato pode montar uma equipe como quis, com um bom investimento por trás, foi a desse ano, daí o sucesso na eletrizante campanha da Libertadores. É bem verdade que ele se enrolou um pouco com a história dos três atacantes no início, mas no fim as coisas deram certo – com uma ajudinha no destino.
Acontece que agora Renato aparece em entrevistas pós-jogo se lamentando por conta da saída de jogadores e da falta de peças para substituí-los. Ora, Renato, faça como você fazia antes, pare de reclamar, colha seus limões e faça sua limonada. Monte uma retranca, jogue nos contra-ataques, tire um nó tático da cartola, dá o seu jeito. Só não é possível ficar destrinchando um rosário de lamentações. Sabemos que é duro um time que vinha atuando com dois meias elegantes, não ter jogado com nenhum no sábado passado, mas, doravante, vai ser assim. Ao menos até que o clube se reforce e esses reforços comecem a render, o que deve demorar uma pá de rodadas.
Precisa também o Fluminense, internamente, se livrar de vez desse fantasma da Libertadores, esquecer que há a tal “ferida cicatrizando”, senão aí é que ela não sara nunca mesmo. Jornalistas sempre farão essa lembrança nefasta a cada tropeço do time, mas, assim como Renato se transformou num motivador cavalar para levar a equipe ao brilhante desempenho na final, ele agora tem que usar de estratégias semelhantes para reconduzir o Fluminense a uma posição na tabela de classificação condizente com sua grandeza e com os investimentos que o clube tem feito nos últimos temos. Chega de expressões carregadas como as do próprio Renato e o capitão Luiz Alberto nas coletivas pós-jogo. É preciso partir de vez para a tal campanha de recuperação no Brasileirão.
Até a próxima, que o Caveirão vai desfalcar é os adversários do Flamengo!!!