Bola e Bola Mesmo
15 de julho de 2008
Pior que antes aqui também
Segundo a crônica esportiva, o nível do Campeonato Brasileiro anda baixíssimo. E só uma bela janela, de fora pra dentro, pode resolver.

Outro dia ouvi um comentarista de alguma dessas resenhas esportivas enaltecer uma equipe que havia vencido duas partidas seguidas. Segundo ele, este seria um feito extraordinário. Eu que, assim como o Fluminense, não havia ainda “entrado” no Brasileirão, tomei um susto. Porque, se é assim como o tal cronista falou, o nível está muito mais baixo do que no ano passado. Sim, era comum fazer esse tipo de colocação com relação a cinco, seis jogos sem derrota. Ou, até, para três ou quatro triunfos consecutivos. Mas duas, só duas vitoriazinhas, já é demais.

Lamento voltar a tocar no assunto, mas de novo percebo que a lógica dos comentaristas continua nos deslocamentos da tabela de classificação. Vejam que todos vinham colocando a equipe do Vitória nas alturas. Pude assistir ao VT do jogo contra o traumatizado Fluminense e não vi nada demais. Um time jovem, velocista, com um veterano bom passador no maio-campo - o Ramon. E só. O Flu só não ganhou de mais porque alguns jogadores ainda estão empacados. E o pior é que alguns comentaristas ainda continuaram dizendo isso e aquilo do Vitória, que a equipe baiana merecia melhor sorte e tal. Fala sério: vai ter é que correr muito atrás para conseguir se manter a primeira divisão.

Antes de o campeonato começar, apontei seis equipes como favoritas: Internacional, Palmeiras, São Paulo, Cruzeiro, Flamengo e Fluminense. Passadas 11 rodadas, não tiro nem ponho nada. Até o Flu, que hoje ocupa a zona de rebaixamento, tem chances, e boas, é só fazer as contas em cima dos aproveitamentos. Mas complemento: as quatro equipes classificadas para a Libertadores de 2009 sairão dessas seis. Podem anotar.

Falei do Flamengo e já observo que, por incrível que pareça, Caio Júnior está tendo sucesso à frente da equipe. Havia dito que não daria certo, e estou só esperando algo dar errado para soltar um “eu não falei?”. Só que a coisa vai muito bem, e ontem ele recebeu - quem diria - melhores condições de trabalho e pagamento, já que ameaçava se mandar para o Qatar. É óbvio que se o Flamengo continuar com esse aproveitamento próximo dos 80% vai ser o campeão com folga. Mas aposto que não consegue. Porque o Flamengo, para mim, é um enigma. Não tem meias, tem atacantes ruins, que em geral fazem poucos gols e vive vencendo. De bom, na equipe da Gávea, só vejo os laterais, em excelente fase, e uma zaga razoável e bem protegida. Praticamente traduzi os gols marcados no domingo, um por um zagueiro e dois por cabeças de área. É mole isso?

Afora a obsessão pelos deslocamentos das equipes na tabela de classificação, nossa crônica esportiva está preocupada com a tal “janela de negociação”, ou seja, o período em que a Fifa permite as transferências internacionais de jogadores. No que eu lembro que uma janela costuma ventar para os dois lados. Se vão levar nossas revelações, que interessam a eles, vamos pegar de volta aqueles que foram levados no passado. No ano passado, o Flamengo fez isso e arrancou para uma improvável classificação para a Libertadores desse ano.

É lamentável ver ídolos brasileiros que conquistaram um mundo exibindo uma franca decadência. Falo dos dois Ronaldinhos, que subitamente renunciaram ao futebol e estão gordos feitos gambás. Sem Kaká, Ronaldinho Gaúcho ainda passou a ser a salvação da seleção olímpica, nos Jogos de Pequim. Outra lástima, uma seleção formada sabe-se lá por quem, à mercê da cartolagem internacional e que deve obter um fracasso retumbante. Ou, por outra, como tudo é possível no futebol, pode até sair de lá com a medalha de ouro. Na hora a gente acaba torcendo feito bobo, mas uma derrota cairia muito bem para resultar no desligamento de Dunga e num pensar melhor para a próxima Olimpíada, daqui a quatro anos.

Até a próxima, que a Vila Belmiro é quase o recreio dos cariocas!!!

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