
Mas falemos da equipe espanhola. Não é que eles tenham dado um banho de bola na Alemanha, na verdade, a equipe do vovô Aragonés começou com um certo medo de ser feliz, um receio de partir pra cima da poderosa esquadra alemã. Como a Alemanha, embora tivesse o controle do jogo, pouco ameaçou a meta de Casillas, Fàbregas e cia. foram gostando do jogo e impondo um irresistível toque de bola ante a marcadores pesadões. O único leve da defesa, o lateral Lahm, falhou copiosamente e deixou Torres marcar o único gol do jogo depois de um passe extraordinário de Fàbregas. Ali acabou o jogo para os alemães, que perderam – repito - a paciência que lhes era histórica.
Mas, sabemos todos, um a zero não define jogo nem aqui, nem na China, muito menos em Viena. Por isso a segunda etapa foi tão emocionante, uma vez que a Alemanha, mesmo jogando pouco, poderia fazer um gol a qualquer momento e trazer de volta todos os traumas de uma seleção desacostumada à vitória. A Espanha tratou de jogar bola e armou ataques sensacionais pra cima de uma defesa totalmente desorganizada, e cada vez mais, à medida que o tempo passava e o resultado se mantinha. Um belo um a zero, que fechou a Eurocopa 2008 com o brilho que ela esbanjou.
Sim, porque, por incrível que pareça, ao invés de jogos modorrentos e chatos, vimos partidas excepcionais nesta Eurocopa, com a maioria das seleções partindo pra cima, para atacar e resolver a partida – coisa, convenhamos, incomum no futebol do continente europeu. Vimos uma Holanda mágica, uma Rússia surpreendente, uma Portugal que parou de bater pra jogar bola, uma campeã Espanha com um toque de bola irresistível. Vimos até seleções de jogadores duros, como Croácia, Romênia e Suécia, partirem pra cima mesmo sem esse refinado toque de bola, mas querendo sempre vencer. Ainda a França, sem vencer, jogou bonito, jogou pra cima. Pragmáticos como Itália e Alemanha não tiveram vez numa competição que parece ter tido, por decreto, no regulamento, a obrigatoriedade do ataque. Daí a importância de o vencedor ser justamente uma seleção de toque de bola, insinuante, pra frente. Parabéns, Espanha!
Vejam vocês que por aqui o Fluminense foi às alturas de Quito e sofreu uma fragorosa goleada de quatro a dois para a LDU, complicando o jogo de volta, amanhã, no Maracanã. Muitos desceram o pau na equipe tricolor, acusada de sofre um apagão, de estar irreconhecível, esse tipo de coisa. Não quero tirar os méritos da equipe equatoriana, que passou o primeiro tempo todo sufocando os tricolores. Mas reconheço nessa partida um golpe de sorte extraordinário, sobretudo nos dois gols de escanteio, um anotado sem querer e outro numa infelicidade de Washington, que, ao tentar cortar a bola no primeiro pau, a colocou quase dentro do gol. Acredito também que a LDU deu mole ao, além de não ampliar o placar no segundo tempo, ainda permitir ao Flu o segundo gol, de cabeça, de Thiago Neves – coisa rara um gol de cabeça dele. Assim como é raro o outro Thiago, o Silva, perder uma antecipação como ocorreu no primeiro gol da LDU. Fatos isolados de um jogo absolutamente atípico e que dificilmente se repetirão no Maracanã.
Só isso, no entanto, não garante a vitória do Fluminense amanhã, muito menos por dois ou mais gols de diferença. O que dá confiança à equipe das Laranjeiras é que o Flu é melhor, a LDU em geral perde os jogos decisivos de volta (foi assim com Santos e Internacional, em duas recentes Libertadores), e o Fluminense, junto com sua torcida, tem feito exibições arrebatadoras, como aconteceu contra São Paulo e Boca Juniores. Que o Fluminense vai vencer é fato, como aconteceu em todas as partidas dessa competição. O negócio é a diferença de gols, que pode ser feita em 90 ou 120 minutos, ou até, a partida ser definida na marca do pênalti, o que daria um colorido pra lá de dramático à primeira final de Libertadores disputada no maior e mais importante estádio do mundo.
Sei que no futebol, quando o título não vem, desaba o trabalho que foi feito. Mas, mesmo que não consiga ser o campeão, a equipe do Fluminense tem motivos de sobra para se orgulhar. Um time que mobilizou uma torcida, uma cidade, um estado, um país. Que trouxe emoções só comparáveis àquelas que ocorrem com a seleção brasileira em tempos de Copa do Mundo. Em três quartas-feiras seguidas o Fluminense levou imbatíveis emoções ao público amante do futebol que desbancaram jogos de outras praças e competições paralelas. A essa altura o título ir parar nos braços da LDU seria de uma crueldade atroz, peça que o futebol adora pregar em todos nós. Por isso, desde já, me antecipo: obrigado, Fluminense.
Até a próxima que a paradinha vai acabar!!!