
Senão vejamos. Nas últimas três quartas-feiras, a torcida brasileira (sobretudo a tricolor) viveu emoções a flor da pele, com jogos extraordinários contando, pela ordem, com os seguintes ingredientes: um gol de classificação no último segundo, um empate heróico na casa do adversário e uma virada sensacional. Aqui no Rio, com exceção de uns parcos “secadores” que arrumaram briga até com a torcida argentina, todo mundo é tricolor. Nos bares, nas esquinas, nas cidades, quase todos os lugares, todo mundo é tricolor, como bem notou o veterano Carlos Eduardo Novaes. Pelé, Zico, Roberto Dinamite, o cobrador do ônibus, todos querem o Flu campeão das Américas. A empolgação que saiu do gramado e contagiou uma cidade inteira é tanta que, nas Laranjeiras, ao invés de tratarem de treinar jogadas, finalizações e outras estratégias de jogo, o negócio é segurar a onda do “já ganhou” para enfrentar os dois dificílimos jogos contra a LDU.
Olhando para o outro lado da Dutra, vemos um Corinthians renascendo das cinzas mais rápido do que se imaginava. Na série B, após cinco rodadas, o time é líder absoluto, invicto e com cinco vitórias seguidas. Sou do tempo em que, quando uma equipe caía para a segunda divisão, dizia-se que, se não tomasse cuidado, não conseguiria voltar para a primeira tão cedo. Pois o Corinthians, após cinco rodadas, já voltou. Mais que isso, chega a final da Copa o Brasil como favorito frente a um fulminante Sport, que destronou simplesmente Internacional, Palmeiras e Vasco. Torço pelo timão porque não quero ver time pequeno representando o Brasil na Libertadores de 2009. E temo que a polícia de Pernambuco, que continua impune, volte a estragar o espetáculo – dispensável o apoio dado a um policial pelo jogador do Sport através de um cumprimento, no domingo, após marcar um gol sobre o Palmeiras.
Envolto a esse turbilhão de emoções, o Brasileirão tinha mesmo que dar o ar da graça o último final de semana. O São Paulo parece ter curado a ressaca da eliminação da Libertadores e emplacou um impiedosa goleada sobre o Atlético Mineiro, construída em menos de meia hora. O Flamengo, que há trezentos anos não começava bem uma campanha, ruma ao título vencendo em casa – sua especialidade – e aproveitando o mole que os adversários lhe oferecem. E para apimentar ainda mais a disputa, os lamentáveis erros de arbitragem deram o ar da graça, no que eu aqui peço licença para convertê-los numa espécie de “atrativo a mais”. Porque quem escala um energúmeno como Wilson de Souza de Mendonça (ou nome que o valha) para apitar uma partida só pode estar querendo apimentar a coisa mesmo. Digo isso depois de saber que o chefão da comissão de arbitragem deu razão ao notório criador de confusões, validando uma interpretação que foi por terra em 1991, há 17 anos, justamente a que acaba com a chamada “defesa em dois tempos”.
Enquanto a emoção rola solta nessas três competições, eis que, na Eurocopa, espécie de Copa do Mundo sem Brasil e Argentina, os jogos dão uma canseira na gente. As vitórias da República Tcheca sobre a Suíça e da Croácia sobre a Áustria, e o empate entre Romênia e França (aonde os goleiros não chegaram a fazer defesas) foram de doer. Salvou-se, como de hábito, uma espetacular exibição da Holanda, que sapecou três a zero na Itália campeã do mundo, jogando em exuberantes contra ataques. Que futebol europeu que nada.
E aí, meus amigos, quando tudo começa a embalar aqui no Brasil, eis que uma parada de cerca de 15 dias é anunciada, justamente para que o Brasil dispute mais duas partidas pelas eliminatórias, as mais difíceis, contra Paraguai e Argentina. A mesma seleção que não empolga, treinada por um técnico novato, terá a chance de se mostrar ao mundo. E é aí que mora o perigo, mesmo porque, sem time, não há padrão de jogo, e as chances de vitória, nas duas partidas, são mínimas. Por incrível que pareça, nossos campeonatos, hoje, são mais legais que os jogos da seleção. Quem diria...
Até a próxima que o Boca se calou!!!