
Já em termos de letras o grupo continua a mesmíssima coisa: sem o drama exagerado de alguns co-irmãos de gênero, mas investindo diretamente em relações encerradas e/ou mal resolvidas. Mesmo “Tempestade de Facas”, de título dramático, é intensa, sinistra e sufocante, uma das melhores faixas do disco, chegando a lembrar Iggy Pop fase Stooges. O título do álbum, se poderia sugerir algum tipo de canção-protesto, acaba trazendo na música homônima uma narrativa até positiva sobre São Paulo, a cidade onde os integrantes vivem. A música tem refrões colantes e é bem emblemática do CD, assim como “Depois de Horas”. Dançante e até certo ponto contagiante, parece moldada para tocar nas rádios. “Ano Que Vem Talvez” também tem lá seus predicados, como um riff de guitarra colante na abertura, e a boa “Maldita Herança” é de longe a mais pesada do disco, ecoado até nu-metal em alguns trechos e letras que batem forte (essa sim) em políticos e outros corruptíveis cidadãos brasileiros. Pieguice de verdade – ainda bem – só aparece na brejeira “Reais Amigos”.
As vantagens de se fazer um disco “mais do mesmo” como este do CPM 22 são encontradas principalmente pelos fãs, que em geral não se interessam muito por inovações. Resta saber se eles ainda não cresceram e estarão lá na fila do caixa sacando suas economias.