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Para as novas bandas de Brasília, será feta uma seletiva, nos dias 11 e 12 de julho, no Gate's Pub. Os grupos interessados devem se cadastrar no site oficial do festival: www.poraodorock.com.br. A lista com o nome das 16 bandas escolhidas nessa seletiva será divulgada até o dia 4 de julho. Veja como está a escalação até agora:
Sexta, dia 1/8:
Suicidal Tendencies (EUA)
Matanza (RJ)
Mukeka Di Rato (ES)
Almah (SP)
Nitrominds (SP)
Madame Saatan (PA)
Sayowa (SP)
MQN (GO)
Kill Karma (Espanha)
Maldita (RJ)
Black Drawing Chalks (GO)
Sábado, dia 2/8:
Muse (Inglaterra)
Papier Tigre (França)
The Tandooris (Argentina)
SickCity (Alemanha)
Pitty (BA)
Autoramas (RJ)
Mundo Livre S/A (PE)
Supergalo (DF)
Canastra (RJ)
Orgânica (SP)
Amp (PE)
Tom Bloch (RS)
Num comentário bem humorado, Tobias Sammet se refere às dez novas músicas como "extraordinárias", e considera o novo álbum como "um ingresso ao hall da fama, lado a lado com Led Zeppelin, AC/DC e Black Sabbath". O vocalista, que tocou na semana passada em São Paulo com sua outra banda, o Avantasia, diz ainda que, dessa vez, não haverá um single, o que, segundo ele, atrasaria o lançamento do álbum, além de aumentar os custos da produção.
1- Fighting My Way Back
2- It’s Only Money
3- Wild One
4- For Those Who Love to Live
5- Showdown
6- Still In Love With You
7- Suicide
8- Rosalie
9- The Rocker
10- Sha La La
11- Baby Drives Me Crazy
12- Me And The Boys
13- Cowboy Song
14- Little Darling
15- Sound Check Jam
Sit And Wonder
Love Is Noise
Rather Be
Judas
Numbness
I See Houses
Noise Epic
Valium Skies
Columbo
Em depoimento ao site da Revista Billboard, Sebastian Bach voltou a negar o ingresso no Velvet Revolver, mas acabou revelando o tal "projeto secreto" para o qual Slash o convidou. Aí tem.
Pois vejam vocês que assistindo aos jogos da fabulosa Eurocopa, volta e meia me surpreendia com duas músicas. Uma delas é uma espécie de vinheta que entra nos alto-falantes dos estádios a cada vez que sai um gol. O resultado é um espetáculo fascinante que certamente ficará na memória (também musical) de quem lá torceu e vibrou muito com um gol da seleção de seu país. Sim, porque música tem essa que é a maior de suas propriedades. A de fazer o sujeito, ao escutar uma canção que já conhece, se lembrar exatamente o que acontecia em sua vida no momento em que esta mesma melodia era tocada. Uma coisa linda de morrer.
Eu mesmo, acreditem, de tanto assistir a jogos de Copa do Mundo e de Eurocopa e outras competições entre seleções, já consigo identificar os hinos de alguns países, além, claro, do brasileiro. As excepcionas melodias dos hinos da Suécia, da Argentina e de Portugal, entre outros, às vezes não me saem da cabeça. Cheguei a fazer, à época da Copa de 2006, uma seleção lá em Bola é Bola Mesmo, que incluía ainda, claro, a Marselhesa. Algumas seleções, e não só pelo futebol, caem no gosto da gente por mera simpatia, assim como bandas de rock nos despertam certa predileção (ou repulsão) por uma simples questão de antipatia – ou, ao contrário, de uma cruel abjeção.
Mas eu falava de duas músicas, e, até agora, falei só da tal vinheta oficial do gol, a trilha sonora do triunfo. A segunda, acreditem, vem do canto das torcidas, de todas as torcidas, e é, exatamente, o riff de guitarra da música “Seven Nation Army”, do White Stripes. Confesso que ouvia e ouvia e canto das torcidas, na verdade desde o triunfo italiano na Copa de 2006, mas matutava, matutava, e não chegava a uma conclusão, apenas ao clássico “conheço essa música, só não sei de onde”. Fiquei assim, encafifado, até que li uma nota na Folha On Line desfazendo o mistério. Além de identificar a música como sendo a mesma que saiu de um riff da guitarra de Jack White, a materinha apontava o seu cantarolar como uma verdadeira febre entre as torcidas européias, que adaptam as letras de acordo com cada clube/seleção. Lindo isso, não?
E aí temos a mania, justificável, de dizer que na Europa o nível é outro. Disse justificável porque aqui no Rio, de onde até pouco tempo nasciam os gritos de torcida usados em todo o Brasil, em geral nascem de sambas-enredo, de sucessos popularescos ou dos lamentáveis funks de morro. Mas eis que, nos últimos tempos, as coisas têm mudado. Outro dia, soube que a torcida do Fluminense estava improvisando um canto a partir da melodia de “Yellow Submarine”, dos Beatles. Identifiquei a do Flamengo com outro grito em cima do clássico pop “I Love You Baby”, de Gloria Gaynor. E até a do Corinthians improvisando o “não pára, não pára, não pára”, em cima de “Amigo”, do Rei Roberto Carlos, já é um grande avanço.
Mas a coisa mais surpreendente na seara rock e gritos de torcida veio lá do Sul – tinha que ser de lá mesmo. Quando a torcida gremista canta “vou torcer pro Grêmio bebendo vinho / Libertadores é o meu caminho” não há como não identificar a música “Bebendo Vinho”, do gremista Wander Wildner, que ficou conhecida também com o Ira!. A mesma melodia foi adotada pelos vascaínos, que cantam “vou torcer pro Vasco ser campeão / São Januário, meu caldeirão”. Não deixa de ser recompensador para este velho entusiasta do rock’n’roll ver a música independente brasileira, representada por Wander Wildner, um andarilho punk brega, chegar às massas em rede nacional nas transmissões de TV via torcidas organizadas.
Como disse lá em cima, meus amigos, não sabia se devia falar de futebol numa coluna de rock, ou, por outra, de rock numa coluna de futebol. Assuntos siameses recíprocos e que têm, como se vê, tudo a ver. Nesse momento “should I stay or should I go”, fica a lição: o negócio é sair fazendo. Porque parado é que não dá pra ficar, não é não?
Até a próxima e long live rock’n’roll!!!

No mundo da música sempre existiram regras que todos seguem para se chegar ao sucesso, procedimentos que foram desenvolvidos durante anos pela indústria para fazer um artista “dar certo”. Uma delas é cantar em inglês, afinal é impossível fazer sucesso nos Estados Unidos, o maior mercado da música pop, e até na Europa, sem fazer músicas na língua de Shakespeare.
Mas para toda regra existe uma exceção, e ao que parece, é esse o caso do Rammstein, não só pelo fato de a banda só compor em alemão. Nascido em 93, o grupo veio resgatar um conceito que estava esquecido dentro da música pop, ao menos fora do underground: o de rock industrial (ver box). Nascido em Berlim, em meio à explosão musical pós-queda do muro, o grupo foi batizado Rammstein (com um “m” a mais) numa referência ao local onde uma tragédia aconteceu com a queda de um avião da Força Aérea Americana, durante uma exibição, resultando na morte de 80 pessoas.
O vendedor Richard Z. Kruspe-Bernstein começou a tocar com músicos que ainda ganhavam a vida no proletariado, entre eles Oliver Riedel (baixo) e Christoph Schneider (bateria). A entrada de Till Lindemann (vocal) completou a formação que gravou uma demo e venceu um concurso de novas bandas, e em seguida foi a vez de Paul Landers (guitarra) e Flake Lorenz (teclado) chegarem para firmar o Rammstein até os dias de hoje. Ao todo, foram quatro álbuns: “Herzeleid” (95), “Sehnsucht” (97), “Mutter” (2001), e o recém lançado “Reise, Reise”, além do ao vivo “Live Aus Berlin”, de 99. Andando sempre no limiar da música pesada e da eletrônica, o Rammstein produziu diversos singles, transformando músicas de artistas como Korn, Marilyn Manson e Depeche Mode, e teve músicas suas remixadas por gente do naipe de Pet Shop Boys e Laibach.
No início o Rammstein conseguiu projeção somente na Alemanha, e em países como Áustria e Suíça. Mas a medida em que os criativos clipes do grupo (como o de “Links 2-3-4”, que tem as formigas dançando) foram ganhando espaço nas emissoras de TV, e a banda pode fazer turnês, o espaço foi aos poucos sendo conquistado. Quando o Rammstein esteve no Brasil, em abril de 99, na abertura da turnê do Kiss, todos puderam ver a explosiva performance do grupo, com direito ao vocalista Till cantar uma música inteira sob chamas e “urinar” no público, entre outras facetas.
“Reise, Reise” já está no terceiro single e freqüenta o top 10 das paradas dos principais mercados europeus. Mas, no estúdio, a banda teve que se reinventar, já que durante as gravações de “Mutter” o bicho pegou, os seis integrantes se desentenderam e tiveram que repensar algumas coisas para a banda não acabar. Esse foi um dos assuntos mais comentados nos cerca de 70 minutos de entrevistas feitas pela gravadora do Rammstein com os seis integrantes, num material que a Dynamite teve acesso. Confira o que responderam o guitarrista Richard Z. Kruspe-Bernstein, o baterista Christoph Schneider e o vocalista Till Lindemann:
Qual era o ambiente no estúdio quando vocês estavam gravando o disco?
Christoph Schneider: Este é um típico álbum de banda, que toca ao vivo. Mas foi um recomeço, especialmente porque havia crises antes de iniciarmos.
Era uma crise de personalidade?
Schneider: Durante o “Mutter”, chegamos a um ponto em que não podíamos aturar uns aos outros, porque os egos se desenvolveram tanto que não havia mais espaço para sermos criativos. O que importava era “o quanto eu estou colocando nessa música”. Tivemos que nos reeducar uns com os outros, e pensar o que era o Rammstein, e como poderíamos voltar para o básico, para fazer tudo funcionar de novo. Percebemos o quanto o Rammstein é importante para nós, o quanto longe estávamos disso, e que seria uma grande pena simplesmente acabar.
Richard Z. Kruspe-Bernstein: No Rammstein somos seis personalidades diferentes. Depois do “Mutter” foi muito importante ficarmos um pouco distantes uns dos outros, e ter a chance de olhar “toda a figura”, o que foi uma boa experiência. O “Mutter” foi importante porque a tensão que havia resultou num álbum agressivo e emocional, que nos fez mais fortes. E essa é a coisa mais importante, estar com a banda, porque eu acredito que a banda resgata essas seis identidades. E viver numa democracia é uma coisa muito difícil de se fazer. Tem sempre alguém tentando liderar toda a coisa, e é preciso lembrar que aquilo é uma democracia.
Então havia uma relação de trabalho diferente entre os integrantes dessa vez?
Schneider: É possível fazer um bom disco de várias maneiras; pode ter uma atmosfera agressiva ou competitiva, e ter um bom entrosamento. Costumávamos trabalhar em uma relação tensa, que para mim não funcionará mais, não quero mais trabalhar assim. “Mutter” é definitivamente um bom álbum, mas eu não gostaria de trabalhar daquela forma nunca mais. Para mim é mais importante ter um ambiente relaxado, para poder ajudar uns aos outros. É o que nos fez sentir bem com esse disco. Havia um ambiente tranqüilo e criativo, nenhuma tensão ou raiva, o que é possível e eu prefiro.
Richard: Para mim não é tão fácil, porque somos de personalidade forte. Por exemplo, às vezes eu sinto que gosto como está agora, porque é uma coisa tranqüila. Mas de outro lado, eu sei que nós também temos bons resultados quando há o conflito. Às vezes é perigoso ficarmos tão tranqüilos.
Existem certas coisas que vocês não conseguem fazer no contexto da banda?
Schneider: Quem quiser uma música só do seu jeito, não quiser mudar nada nela, tem que fazer um projeto paralelo. Não é a forma como o Rammstein trabalha. É sempre assim que acontecem os conflitos conosco.
Este é o disco mais variado e arriscado que vocês já fizeram?
Schneider: Somos personalidades bem diferentes, todos preferem músicas diferentes, e essas personalidades tiveram que mudar no desenvolvimento do disco. Esse disco traz diferentes aspectos da música.
Richard: Também somos abertos o bastante para fazer coisas hoje que nós não faríamos no passado, como a música “Los”, que representa esse sentimento tranqüilo do estúdio. Fizemos coisas que não fazíamos antes, para testar; fomos muito mais criativos no estúdio que antes. “Mutter” foi como seguir a fita master, sabíamos o que fazer, os passos a seguir, não havia espaço para a criatividade.
Schneider, você parece ter tirado um som de bateria um pouco diferente. Seria justo dizer que o estilo de “Reise, Reise” é mais “natural”?
Schneider: Claro, no álbum anterior tínhamos formas definidas de separar o som, o industrial combinado com músicas com guitarras, e guitarras de metal. Eu especialmente estava meio cansado disso, e tentamos fazer algo de novo, porque não tinha mais idéias para aquele formato, não estava à vontade para continuar tocando aquilo o tempo todo. Mesmo sendo essa a marca registrada do Rammstein, temos que trazer a banda para um novo estágio, e eu também quero me desenvolver como baterista.
Na música “Dalai Lama” vocês parecem buscar uma nova direção...
Schneider: Essa música tem definitivamente um arranjo diferente. Em geral as musicas do Rammstein têm um arranjo pop, com guitarras pesadas. Essa música é mais elétrica, e repete, repete...
Richard: Há uma coisa que é bem única nessa música. Foi a primeira vez que nós gravamos uma música, e não pudemos mudar nada, até a letra ficar pronta, exatamente como era o arranjo. É inacreditável, mas, por alguma razão, música e letra funcionam muito bem juntas.
“Mein Teil” é a faixa mais pesada e suja do disco. Vocês ficaram surpresos quando essa música foi escolhida como primeiro single?
Till Lindemann: Depois de três anos, poderíamos ter lançado uma balada, mas queríamos mostrar algo pesado e voltar à cena fazendo barulho.
“Amerika” é a única faixa no disco com palavras e frases em inglês. Ainda há uma versão toda em inglês...
Till: Havia um refrão originalmente escrito em inglês, e nós não tínhamos a intenção de fazer uma música nesse idioma. Mas o refrão era muito bom, guardamos e fomos em frente. Continuamos com a versão em inglês, mas também fizemos uma versão em alemão, e, olhando para as duas, decidimos ficar com a em alemão, que é mais direta, e era o que queríamos.
Como você faz as letras? Você gosta de ouvir a música primeiro?
Till: Eu ouço toda a parte instrumental antes. Se nenhuma idéia vem à cabeça, ouço tudo de novo, bem alto, e começo a procurar pelas letras certas, a escrever novas letras. Em uma das músicas desse álbum eu escrevi 24 versões diferentes, antes de a banda aprovar. Eles são críticos e exigentes, eu apresento as letras e eles fazem uma lista de coisas que não encaixam. Aí eu tenho que consertar o que não funcionou. No final do processo toda a banda dá o “selo de aprovação”.
Você está sempre escrevendo e guardando tudo até precisar?
Till: Em 80 por cento do tempo eu tenho papel e caneta comigo. Eu também sou muito esquecido, então anoto todas as idéias que tenho, e as salvo no meu computador. Quando chega a hora de produzir algo, eu abro esse arquivo, e escolho: ”isto serve, isto tem que ser arrumado, isto funciona, é isto que eu procuro...”
Sua performance vocal no disco novo parece ter ido para um nível mais alto. Você estava consciente disso na hora?
Till: A banda me deu o impulso para isso, a música estava mais melodiosa, e foi para vários lugares. Então eu tentei adaptar minha voz, não como se eu quisesse, mas foi como as coisas vieram.
Vocês acham que os fãs mais fiéis ficarão surpresos com a diversidade desse disco?
Schneider: Talvez eles só gostem do estilo do Rammstein dos três álbuns anteriores, e o que há nesses discos não temos mais neste. Não nos sentíamos mais confortáveis em repetir, tínhamos que achar algo de novo. Estamos felizes com esse passo que nós damos e esperamos que todos os fãs possam nos seguir, afinal nem é um passo tão grande assim.
Depois de três anos do lançamento do último álbum, deve existir uma expectativa por coisas musicalmente novas...
Schneider: Três anos é bastante tempo, mas não ficamos à toa, trabalhamos duro nas músicas, e levou um tempo até elas ficarem boas o bastante para serem gravadas. Nós também não nos importamos muito com marketing e essa coisa de que as pessoas talvez se esqueçam de você. Temos um bom show, mas não aparecemos muito no meio do pop ou do rock.
Sobre o vídeo de “Mein Teil”, a banda aparece interpretando a música de formas diferentes. Schneider, você sempre quis se vestir de mulher?
Schneider: É engraçado você filmar um clipe e colocar uma roupa de mulher, porque sua personalidade muda, você passa a explorar a mulher que há em você. É uma experiência interessante e eu fiz por causa da história, um caso de canibalismo, e esse cara tinha morado com a mãe dele por um grande tempo. Eu interpreto essa mãe.
Algumas cenas foram gravadas nas ruas de Berlim. Alguém te confundiu com mulher?
Schneider: Sim, teve um cara que parou e perguntou: “você é um homem, uma mulher ou um transexual?”, e saiu rindo. E teve uma mulher que passeava com um cachorro que parou para conversar comigo. Eu percebi que ela sabia que eu não era uma mulher.
Richard, você briga com você próprio no vídeo. Como você encontrou uma expressão tão bem?
Richard: A primeira coisa que nós pensamos foi em fazer uma performance dançante. Eu tentei dançar, mas foi ridículo. O diretor disse para fazer algo que eu me sentisse bem, e eu achei interessante. Eu era um lutador quando tinha 10 anos, mas achei interessante que alguém do ramo me mostrasse novos golpes.
Você era um forte lutador quando era jovem?
Richard: Na Alemanha oriental tudo era sobre esportes, e você era avaliado pelo esporte. Eu gostava de competir, mas não havia tempo para se fazer outra coisa. Eu passava anos competindo todo final de semana e estava cansado, porque já estava mais interessado em música. Mas isso me ajudou muito a colocar minha agressividade para fora na época, e eu sempre me metia em encrenca, então foi útil para mim.
Um dos remixes de “Mein Teil” foi feito pelo Pet Shop Boys. Vocês ficaram surpresos com o fato de eles terem trabalhado com uma faixa tão pesada quanto essa?
Schneider: Eles gostaram da música, especialmente porque estavam num projeto sinfônico, fazendo música para uma trilha de filme. Foi como nos encontramos, no ano passado. Eles usaram as letras do Rammstein e música sinfônica no geral. Foi uma gravação interessante, uma diferente abordagem do Rammstein. Só o fato de o Pet Shop Boys ter ouvido um disco nosso e resolvido trabalhar uma das músicas, já é um honra para nós.
“Mein Teil” pode ser traduzido de formas diferentes. Qual é a favorita de vocês?
Richard: Uma coisa boa no Rammstein é que temos nossa própria tradução. Para mim é “minha ferramenta” mesmo.
Schneider: Para mim é “minha parte”.
Till: Eu gosto de “minha ferramenta”.
Till, você está pensando em novas formas de atear fogo em você durante o show?
Till: Se a questão é ”o quanto longe você pode ir”, nós já fizemos tudo, mas tentaremos ainda novas idéias.
É verdade que havia um efeito tão realista na turnê do “Mutter”, que vocês tiveram que retirá-lo do show, porque era demais para o público?
Till: Tinha um efeito no qual o Flake ateava fogo em mim, e ateava bastante fogo, porque ao invés de o fogo ser apagado com um extintor, havia um material inflamável, que fazia o fogo crescer. No final do número todo mundo vinha e tentava apagar o fogo. A banda não achou que era uma grande idéia ou uma grande coisa, mas eu adorei isso.
Você gosta da sensação dada pelas chamas?
Till: Eu não estou viciado nisso, mas no palco, durante uma performance, rola uma química diferente, e se você tem fogo envolvido, isso é bom, é uma experiência completamente diferente.
O Rammstein não é uma banda política, mas há uma mensagem específica que vocês tentam passar?
Schneider: A mensagem do Rammstein é: se divirta e não esquente, seja você mesmo, seja algo único. O Rammstein era improvável há uns anos, esse tipo de banda alemã, com letras em alemão, e teve um certo sucesso sem ninguém esperar por esta possibilidade. É um bom exemplo de que cada um pode fazer sua própria coisa, ao invés de copiar algo de quem já é famoso. Faça sua própria coisa, insista, use agressividade.
RAMMSTEIN
Reise, Reise
Universal
O peso ofegante de “Mein Teil”, o primeiro single, vem em seguida, num ritmo pesado e arrastado, que ainda abre espaço para trechos falados da letra. “Dalai Lama”, estranha já no título, traz refrões com vocais femininos e suaves teclados, e é também uma das lentas. Mas o destaque do álbum está mesmo na seqüência “Amerika” e “Moskau”, duas espécies de tributo às nações que governaram o mundo durante a guerra fria, encerrada definitivamente com a queda do muro. “Amerika” tem um poderoso refrão, e com trechos da letra em inglês, debocha do american way of life, ao rimar “terra maravilhosa” com “sutiã”, e “esta não é uma música de amor” com “eu não canto na língua da minha mãe”, e ainda ao citar “coca-cola, às vezes guerra”, tudo num cômico alemão misturado com inglês (nos States, saiu uma versão com a música toda em inglês). Até o solo de guitarra é tipicamente hard rock americano. No clipe, todos os membros da banda são astronautas americanos cometendo trapalhadas no espaço. Já “Moskau” lembra totalmente o X-Mal Deutschland, banda alemã oitentista de certo sucesso no underground, com vocais femininos e tudo. Na letra, com trechos cantados em russo, Moscou é apresentada como “ainda a cidade mais bonita do mundo”, e até Lênin é citado.
Nos compactos 47 minutos há ainda espaço para “Stein Um Stein”, espécie de balada à Rammstein, que começa lentinha e fica super pesada, e para “Amour” (em francês mesmo), que prima pela delicadeza e certa dramaticidade. “Reise, Reise” consegue dar um salto de qualidade na carreira do Rammstein, superando “Mutter”, o álbum anterior, sem que a banda tenha aberto mão de sua original e exemplar sonoridade. Quem disse que não é possível fazer rock com música eletrônica?
SAIBA O QUE É ROCK INDUSTRIAL
Os pesquisadores mais rigorosos costumam afirmar que o som industrial já aparecia na década de 60, em trechos de músicas do Can e do Pink Floyd, e até mais tarde, com o experimentalismo do Kraftwerk. Mas foi no final dos anos 70, depois da explosão do punk, que o termo começaria a se solidificar, a partir de bandas como as inglesas Cabare Voltaire e Throbbing Gristle, e da alemã Einstürzende Neubauten. O uso de sintetizadores com guitarras muito distorcidas, quase sem nenhum solo, e ruídos os mais diversos, resultando numa sonoridade áspera e extrema, compunham o cenário dessa música que, na época, era chamada de noise music. O temo industrial só passou a ser utilizado mais tarde, derivado do nome da gravadora do Throbbing Gristle, a Industrial Records.
O rock industrial (ou simplesmente industrial) é marcado pela repetição exaustiva de certas partes, criando literalmente uma atmosfera mecânica, onde letras, em geral, detectam a alienação e a falência do ser humano diante de uma crescente “maquinização da humanidade”. O vídeo “1/2 Mensch”, do Neubauten, nesse sentido, é emblemático: boa parte das cenas foi gravada dentro de uma indústria deserta, com os sons tirados de bancadas e ferramentas. Nos shows o grupo sempre usou “instrumentos” como latas, betoneiras e esteiras rolantes.
Ainda nesse período, novas bandas criaram outras variantes do industrial, como o Skinny Puppy e o Front 242, que, mais dançante, virou ícone do ebm (electronic body music). Outros nomes que ajudaram a manter a cena industrial viva na década de 80 foram Front Line Assembly, Alien Sex Fiend, Laibach, Birthday Party (de onde saiu Nick Cave) e Test Department, entre outros.
No início da década de 90, com a ascensão do heavy metal produzida pela geração thrash, o mundo conheceu o metal industrial, de bandas como Ministry, Nine Inch Nails, Fear Factory e Fudge Tunnel, entre outras. Até Marilyn Manson usou essa derivação para realçar toda a teatralidade em suas performances. Com o sucesso dessas bandas, o temo industrial acabou se recolhendo ao underground, onde se multiplicou em vários outros subgêneros.
Hoje, com a proliferação da eletrônica e o crescimento da música alternativa, o termo industrial serve para identificar tendências das mais diversas, como a no wave, industrial dance, electro industrial, dark ambiente, darkwave e assim por diante, causando uma fragmentação que pouco tem contribuído para a afirmação do rock industrial tal qual foi criado na década de 80.
O problema é que já há tempos a MTV é muito menos “music” e mais “television”. Perturbada pelos avanços tecnológicos (entenda-se youtube), abdicou de ser um grande veículo do pop contemporâneo para se transformar numa espécie de coletivo de programas de auditório à Silvio Santos, com um certo sotaque pop. Assim, difícil acreditar que as pessoas que lá trabalham sejam credenciadas a nos apresentar algo de bom. Ademais, apresentar grupos que já tem público fiel, discos com certo sucesso lançado é fácil – por que não buscar ilustres desconhecidos no underground e transformá-los em aposta?
Pois as bandas que aparecem nessa coletânea não têm nada a ver com isso. Foram contratadas, receberam cachê, tocaram e estão aí para aparecer mesmo. Em comum todas elas têm o grande ícone dessa nova geração: a internet. Todas, sem exceção – e o mini-documentário do DVD realça isso – usaram a grande rede para divulgar seus trabalhos e formar um público surpreendente de tão novo e tão apaixonado pelos ídolos recém-descobertos. Fresno, Forfun e NX Zero que o digam.
Gravado ao vivo no Via Funchal, em São Paulo, com quatro músicas para cada banda (mais uma nos extras, só com guitarra e voz), é essa relação que o vídeo salienta: um público delirante frente a artistas que, de tão novos – e sem carisma, diga-se – não sabem o que fazer e optam pelo deslumbramento. Assim, é comum ver Lucas, do Fresno, ainda perplexo quando todos cantam a letras de uma das músicas. Ou quando os rapazes do Forfun, eles próprios, puxam as palmas que deveriam receber da platéia por livre e espontânea vontade. No caso do NX Zero, o despreparo e o equivocado deslumbre são tão flagrantes quanto efêmero é o público que o assedia. A sensação é que o prazo de validade dessas bandas está tão perto que eles próprios fingem não saber disso para aproveitar ao máximo. Não, eles não têm boas músicas, não são bons músicos, compositores ou intérpretes e, conseqüentemente, não vieram para ficar.
Peixes fora d’água, Moptop e Hateen são, a bem da verdade, os mais criativos. Nascido guitar band nos anos 90, o Hateen já foi melhor, mas tem o mérito (defeito?) de se manter vivo ao longo do tempo, mesmo com as mudanças no mercado musical brasileiro. Já o Moptop, este sim, faz um trabalho de grande qualidade, sintonizado com o rock contemporâneo e com um longo caminho a trilhar, o que pode ser visto nas duas músicas novas tocadas nesse show: “2046” e “Tempos Depois”. O melhor (e mais surpreendente), no entanto, é a única música da banda de abertura registrada neste vídeo. Os riffs de “Já Nem Sei”, do Mecanika, superaram, e de longe, as guitarras desorientadas de grande parte das atrações principais. Ao menos isso a MTV nos apresenta – de verdade – nesse DVD.
Os policiais queriam saber como Kevin Skwerl conseguiu os arquivos, que rapidamente foram retirados do ar, depois que o próprio Axl Rose reclamou. O site chegou a apresentar problemas devido a enorme número de acessos simultâneos, já que a notícia do vazamento das faixas correu rapidamente na internet.
A conversa durou cerca de 15 minutos, e Skwerl, um ex-funcionários da Universal Music, gravadora do Guns N'Roses, disse não ter mais os arquivos. Mesmo depois dessa indesejável visita, o dono do site disse não estar preocupado com medidas legais que possam lhe ser aplicadas, já que, segundo ele, as faixas não estavam finalizadas.
Digo pode, porque os russos viraram a sensação da festa, com jogadores técnicos e rápidos costurando jogadas irresistíveis. Espanha e Rússia, na quinta, tem tudo para ser um jogão de bola. Os russos devem tentar parar a Espanha assim como fizeram com os holandeses, e surpreendê-los com velocidade e toque de bola. Mas os espanhóis também jogam assim, e aí que está a graça dessa partida. Para mim, vão resolver o jogo os craques de cada equipe. Pavlyuchenco, Arshavin e Semshov de um lado, e Villa, Fàbregas e Sergio García, de outro. Jogão de bola, podem gravar para ver de noite.
Já Alemanha e Turquia devem fazer um jogo, assim, assim. A Alemanha vai colocar seu pragmatismo em campo, com lampejos de Ballack e Podolsky e – com sorte – cabeçadas de Klose. A Turquia vai tentar atravancar o jogo de qualquer maneira, já que joga algo parecido com o futebol, e esperará, certamente, por um milagre como aconteceu nas últimas duas partidas, contra República Tcheca e Croácia. Será que acontece de novo? Como no domingo já saberemos quem venceu a Eurocopa 2008, e eu havia cravado uma final entre Alemanha e Itália, peço licença para fazer o necessário reparo. Dá Rússia e Alemanha, com vitória desses últimos. Não será dessa vez que a Espanha vai largar a vocação para a derrota.
Não sei vocês que moram em outras cidades, mas aqui no Rio vivemos uma espécie de final de Copa do Mundo. Sabia que era assim, mas não esperava que fosse tanto. Sabem aquela coisa de ver todo mundo se movimentando para ver o jogo da seleção brasileira em algum lugar? Pessoas saindo devidamente uniformizadas para a casa de amigos, telões, bares, um monte de lugares? Senhoras carregando bandejas e rapazes comprando caixas de cerveja? Foi o que aconteceu na partida ente Fluminense e Boca Juniores no último dia 4. De lá pra cá, houve uma parada na competição, mas o clima de copa continua, seja no dia-a-dia ou em episódios lamentáveis como o da venda de ingressos – esse eu já sabia que seria assim. Matéria de véspera fácil, fácil.
No Rio, Flamengo e Vasco já venceram a Libertadores, mas numa época em que as coisas não ram tão globalizadas como hoje, afinal estamos na era da informação. Nos sites e TVs a cabo, há matérias mostrando (literalmente) o passo a passo dos jogadores do Fluminense, desde a chegada a um hotel no aeroporto, até o embarque, o translado em si, hotel, treinos e o escambau. É muita informação, muito Fluminense na mídia, e, conseqüentemente, o clima de final de Copa do Mundo que contagia até àquela minoria que tenta torcer contra. Assim como na Copa dos Campeões da Europa, para um grande clube brasileiro é preciso disputar a Libertadores todos os anos, e não estou falando só da grana envolvida nessa história toda. Nunca a marca do Flu apareceu tanto em tudo o que é lugar. Agora entendo porque os nomes de São Paulo e Internacional, por exemplo, são tão respeitados por todos, mesmo quando as equipes claudicam.
Vi hoje o meia Thiago Neves dizendo que o jogo de amanhã, contra a LDU, em Quito, vai ser mais difícil do que as partidas contra Boca e São Paulo. E ele está certo, porque a final é sempre o jogo mais difícil, e porque o próximo jogo tem que ser mais difícil do aquele que já passou – ao menos até que este passe também. Ademais, embora a partida entre Flu e Boca tenha sido considerada a tal “final antecipada”, ante a fragilidade da outra semifinal, entre LDU e América do México, agora é que é a hora da verdade para ele, Thiago Neves, e os demais jogadores. E, ainda, que o time da LDU sabe jogar, tem padrão de jogo, não é nenhuma baba. Um “plus a mais”? A altitude que, se não é sufocante como na Bolívia, fez o outro Thiago, o Silva, cometer deslizes impossíveis de se imaginar no jogo de estréia, nessa mesma Libertadores. Todo cuidado é pouco, não vai ser fácil, mas o Fluminense é o favorito e tem tudo para ser o campeão, vencendo, inclusive, os dois jogos.
Não vou falar muito sobre o Dunga, porque todo mundo já está dizendo. Não é só uma coisa de imprensa e formadores de opinião como ele quer dar a entender. Todo mundo no Brasil quer Dunga fora, incluindo Ricardo Teixeira. Dunga termina as Olimpíadas e vai pra casa. No jogo o Chile, em setembro, já teremos outro treinador. Ou melhor, um treinador de verdade, o que Dunga não é.
Até a próxima que sem o Cuca o Botafogo afunda, e com o Cuca o Santos afunda junto!!!
Na carta enviada ao NME, Bono disse discordar do empresário, e chamou o Radiohead de "criativo e corajoso ao estabelecer um novo tipo de relação com seu público". Bem que eles poderiam conversar entre eles antes, afinal, roupa suja se lava em casa...
O Tim Festival acontece na segunda quinzena de outubro no Rio, em Vitória e em São Paulo. Rio e Vitória mantém os lugares onde o festival aconteceu em 2007, ou seja, Marina da Glória e o Teatro UFES, respectivamente. Em São Paulo, devido aos problemas de horário que ocorreram no ano passado, o evento deve mesmo sair da Arena Skol Anhembi - se é que o nome ainda é esse.
Embora tenha todos os seus discos lançados no Brasil, o Staind é pouco conhecido no País, mas nos Estados Unidos é bem pouplar. O último disco da banda, "Chapter V", de 2005, vendeu quase 1 milhão de cópias por lá. Para quem não conhece o som da banda, é como se fosse o encontro do nu-metal americano com o britânico Joy Division.
Já em termos de letras o grupo continua a mesmíssima coisa: sem o drama exagerado de alguns co-irmãos de gênero, mas investindo diretamente em relações encerradas e/ou mal resolvidas. Mesmo “Tempestade de Facas”, de título dramático, é intensa, sinistra e sufocante, uma das melhores faixas do disco, chegando a lembrar Iggy Pop fase Stooges. O título do álbum, se poderia sugerir algum tipo de canção-protesto, acaba trazendo na música homônima uma narrativa até positiva sobre São Paulo, a cidade onde os integrantes vivem. A música tem refrões colantes e é bem emblemática do CD, assim como “Depois de Horas”. Dançante e até certo ponto contagiante, parece moldada para tocar nas rádios. “Ano Que Vem Talvez” também tem lá seus predicados, como um riff de guitarra colante na abertura, e a boa “Maldita Herança” é de longe a mais pesada do disco, ecoado até nu-metal em alguns trechos e letras que batem forte (essa sim) em políticos e outros corruptíveis cidadãos brasileiros. Pieguice de verdade – ainda bem – só aparece na brejeira “Reais Amigos”.
As vantagens de se fazer um disco “mais do mesmo” como este do CPM 22 são encontradas principalmente pelos fãs, que em geral não se interessam muito por inovações. Resta saber se eles ainda não cresceram e estarão lá na fila do caixa sacando suas economias.
"X&Y", o álbum anterior do Coldplay, lançado em 2005, estreou em primeiro lugar, com 737 mil cópias na primeira semana, ocupando o top 200 da Billboard por três semanas consecutivas. Empolgada, a gravadora da banda acrescenta que o disco ocupa o primeiro lugar no Japão e é o mais vendido também na Bélgica, e, claro, no Reino Unido.
Não preciso me esforçar muito para lembrar de outros. O Dire Straits, por exemplo. “Sultans Of Swing” é possivelmente umas das músicas mais tocadas nas FMs brasileiras em todos os tempos, e na sua versão ao vivo, aquela mesma que está registrada no álbum “Alchemy”. Tanto que a pobre da música sempre é citada como exemplo de mesmice nas rádios, que não toca nada de novo, só a dita cuja e blá blá blá. Eu prefiro ir na contramão desse lugar comum e a favor do rock. Tinha porque tinha que ver aquela paradinha no meio da música, quando a guitarra vai recuperando a força de seu riff aos poucos. E consegui, há sete anos, no show que Mark Knopfler fez no Rio. Um momento mágico que valeu todo o espetáculo do excelente músico. Já vi e ouvi mil e um guitarristas tocando essa versão, mas precisava ver O cara fazendo isso.
Da mesma forma postulo que de nada adianta ver o melhor guitarrista de todos os temos tocando “Smoke On The Water”, se um dia não der pra ver o genial Ritchie Blackmore, que inventou o riff (um dos mais poderosos da história do rock) fazendo isso, ao vivo, coisa que consegui em 1991, num Maracanãzinho com um som ruim daqueles. Pouco importava, meus amigos, porque estava frente a frente com O cara. Por isso fiz de tudo para ficar no gargarejo do show do Police, no ano passado, num Maracanã lotado, porque precisava ver a virada de “Message In a Bottle” feita por Stewart Copeland, e o riff criado por Andy Summers tocado por ele e acompanhado por Sting. Pouco importou se boa parte das músicas foi tocada em ritmo e velocidade diferentes; o importante era presenciar mais este imaginário coletivo do rock.
Disse isso tudo para chegar no show que fui, anteontem, aqui no Vivo Rio. Estava lá um senhor de 81 anos (mais velho que meu idoso pai) que tocou um repertório de menos de uma hora, tinha a voz rouca e encatarrada e tocava sem o mínimo punch que o rock exige. Seria um fiasco fenomenal, não fosse esse velhinho simplesmente um dos caras que inventou o próprio rock, um dos riffs mais colantes de toda a história da humanidade e gravou no imaginário coletivo um jeito inimitável de se movimentar no. Falo, claro, de Chuck Berry, “Johnny B. Goode” e de sua “duck walk”.
Durante anos escutamos essa música – tocada por quem quer que seja -, vimos esse negro eterno saracoteando de um lado a outro do palco e lemos histórias de como o rock foi criado passado por ele, que agora está ali, em carne, osso e alma, muita alma. Vejam vocês que eu, entusiasta que sou do rock (para dizer o mínimo), admito a irremediável falha de não ter sequer um disco de Chuck Berry escondido nas minhas inúmeras prateleiras. Nem uma reles coletânea barata, nem uminha música baixada em tempos de internet, nadica de nada. Ainda assim, conhecia boa parte das 13 músicas tocadas no show de anteontem. Digo isso para mostrar como a música de um pioneiro do rock (e da sociedade contemporânea) como Chuck Berry, faz parte da vida da gente.
Falava do show e dizia que, enquanto espetáculo, foi ruim. Sim, como cantor, Chuck Berry não tinha voz. Como guitarrista, não conseguia sequer tocar as músicas no ritmo alucinante em que ele próprio as criou, se resumindo a levadas quase narradas, num esforço digo de um recém operado. Sim, meus amigos, parecia que ele estava saindo de uma mesa de operações. Ou, então, iria entrar numa assim que o show acabasse. Ao meu lado, uns playboys bradavam, aos berros: “Rock’n’roll! Rock’n’roll!”, no que, a princípio, achei uma atitude deselegante ante ao velhinho. Mas como ir contra a mais legítimas das reivindicações? Clamar por rock num show de rock, e no de um dos caras que inventou o próprio rock é umas das solicitações mais inegáveis de que se tem notícia. Em algumas músicas, hinos de várias gerações, era mesmo difícil de identificar a melodia, a não ser lá pela hora do refrão ou de um verso mais marcante.
Apesar de clamores como esse que citei, e da falta de educação daqueles que não entendem a diferença entre público e artista, entre o mito e o ordinário, até que o público entendeu bem o espírito da coisa. Todo mundo cantou, dançou, pediu música e saiu dali achando ótimo ter investido o mínimo de R$ 90 para ver um show de cerca de 50 minutos, protagonizado por um debilitado senhor de 81 anos. Porque, meus amigos, acreditem, o que valia, ali, era esta perto do mito, era vê-lo tocar seus riffs (hoje tão nossos quanto dele), sua dancinha do pato e tudo o mais. O que vale é estar frente a frente, repito, com aquilo que está no inconsciente de todos e faz parte do imaginário coletivo do rock. Um momento sublime em que, por alguns minutos, sonho, fantasia e realidade são uma coisa só. Meus amigos, eu vi Chuck Berry tocando “Johnny B. Goode” e fazendo o “duck walk”. Vi o rock em pessoa cantando e tocando para mim.
Até a próxima e long live rock’n’roll!!!
1- Intro
2- Diane
3- Left Behind
4- Bear The Cross
5- A Dead Heavy Day
6- Me Myself And I
7- X
8- Human-Compost
9- The Days Between
10- Hatelove
11- Low Life
12- Only You Can Tear Me Apart
O site avisava que as versões das músicas já eram as finais, incluídas no álbum. Além de músicas manjadas e que foram tocadas no Rock In Rio, há mais de sete anos, como "Madagascar"e a faixa-título, outras que ainda não foram escutadas, como "'Rhiad And The Bedouins" e "If The World" também estavam na relação. Confira todas as músicas que vazaram, e tente encontrá-las de novo:
Better
The Blues
Chinese Democracy
Madagascar
IRS
There Was A Time
Rhiad And The Bedouins
If The World
Sem Título

O guitarrista solo mais bem sucedido da música instrumental está de volta com um álbum de fazer inveja aos clássicos de sua melhor fase. “Crystal Planet” marca a retomada de Joe Satriani ao peso e a velocidade, levando-se em conta que o álbum anterior flertava com o blues. E é também o primeiro álbum lançado pela Epic, major que no Brasil é representada pela Sony. Joe Satriani entrou para o mercado fonográfico pelos idos de 84, quando bancou um mini LP com seis músicas, assinando contrato em seguida com a Relativity. Na gravadora, independente, lançou ao todo seis álbuns, “Not Of This Earth”, “Surfing With The Alien”, “Flying In a Blue Dream”, “The Extremist”, “Time Machine” e “Joe Satriani”.
Virtuoso já aos 14 anos, Satriani ficou famoso por dar aulas a alunos que mais tarde conseguiriam reconhecimento dentro do mercado musical, como Steve Vai, Kirk Hammett (Metallica) e Larry La Londe (Primus). Depois que se lançou no mercado, Joe Satriani abriu espaço para um sem número de guitarristas que também desfrutam hoje de um lugar ao sol na música instrumental, sobretudo depois do sucesso de “Surfing With The Alien”, de 86: Tony McAlpine, Vinnie Moore, Marty Friedman (hoje no Megadeth) e o próprio Steve Vai. Como se não bastasse, participou como convidado no trabalho solo de Mick Jagger, em 88, e concluiu a tour de 94 com Deep Purple, depois do abandono de Ritchie Blackmore. Em 96 montou o G3, supergrupo instrumental que inicialmente reunia ele próprio, Steve Vai e Eric Johnson, mas que contou ainda com músicos do quilate do prodígio Kenny Wayne Shepherd, Robert Fripp, Michael Schenker e Uli Jon Roth, entre outros.
Foi no G3 que Satriani conheceu o produtor Mike Fraser, e retomou sua trilha pesada com “Crystal Planet”, que também apresenta seu sucessor, Z.Z. Satriani, seu filho de 16 anos, que compôs e tocou em algumas faixas. Confira os principais trechos da entrevista exclusiva que Satriani concedeu a Roadie Crew, por telefone, direto de Los Angeles, Califórnia:
Seu último trabalho, “Joe Satriani” foi basicamente um álbum de blues. “Crystal Planet” é uma espécie de retorno à música pesada?
Eu tentei fazer de Cristal Planet um álbum que fosse por várias direções diferentes, eu queria músicas como “Rasberry Jam Delta-V” e “Crystal Planet”; eu quis ir para dentro do futuro da música de Joe Satriani, como em “With Jupiter In Mind” e “Up In The Sky”; eu quis revisitar algumas idéias rítmicas, da época dos álbuns “Flying In a Blue Dream” e “The Extremist”. Ficou um pouco mais equilibrado do que cada álbum anterior.
Você acha que soa como se fosse um “Best of” de toda a sua carreira?
Todas as composições soam muito novas e têm evoluções que outras pessoas nunca usaram. Eu estou muito animado com essas coisas novas no álbum, mas não sinto com se fosse o melhor de minha carreira.
“Psycho Monkey” foi a sua primeira música feita para dançar?
Não, não creio. No meu primeiro álbum há uma música chamada “The Snake”, que eu acho que já tinha esse perfil.
“Crystal Planet” é o primeiro álbum, á exceção do último, que não foi produzido por você e por John Cuniberti. Porque você decidiu trocar a forma de produzir seus álbuns?
Trabalhei com John Cunibert por mais ou menos 20 anos, e nos envolvemos em vários projetos juntos. “Crystal Planet” foi mixado no estúdio dele, em San Francisco, e na verdade, enquanto eu estava trabalhando no álbum, eu o via todos os dias, e, de certa forma, nós continuamos trabalhando juntos. Mike Fraser é um engenheiro e produtor fantástico. Esse é o segundo álbum que fiz com ele, pois fizemos o G3 juntos também.
Como foi a sua experiência a tocar no G3? Há a possibilidade de vocês tocarem no Brasil?
Eu adoraria tocar com o G3 no Brasil, e tenho certeza que o Steve gostaria também, pois sempre conversamos sobre os shows que fizemos. Quanto a Eric, eu não sei, só perguntando para ele.
Você pensa em tocar com outros guitarristas?
Eu acabei de fazer a tour na Europa com o G3, junto com Uli Jon Roth e Michael Schenker, e acho que já está bom. Uli Jon Roth é um fantástico guitarrista... Michael Schenker não estava muito bem, e por isso essa tour não foi tão divertida. Na maioria do tempo eu estou muito ocupado com o meu trabalho próprio, com Jeff Campitelli e Stuart Hamm.
De volta à Crystal Planet, você concorda que “A Train Of Angels” é a nova “Summer Song”?
É engraçado, você nunca sabe quais músicas vão ser tiradas de um álbum para virarem singles. Algumas músicas tiveram enorme sucesso aqui nos Estados Unidos quando foram lançados como primeiro single, e em aproximadamente uma semana, “Train Of Angels”, será lançado como segundo single, e esperam que ele se torne um grande hit, mas você nunca sabe.
“Up In The Sky” me faz lembrar os tempos de “Surfing With The Alien”, seria uma espécie de revival?
Eu não acho que haja tantas musicas em “Crystal Planet” que sejam um revival quanto se encontra na música pop americana. “Up In The Sky” e “Secret Player” são músicas conectadas, porque são melódicas e estão amarradas por minha reação à essa música.
Qual é a diferença de se estar em uma gravadora pequena como a Relativity e uma gigante como a Epic?
A Epic tem uma distribuição muito grande em todo o mundo, e também tem uma equipe de divulgação e assessoria de imprensa maior, está apta para colocar as músicas no rádio e na imprensa em todo o mundo, e isso tudo é muito bom. No geral, a Epic faz todo o mundo saber que o seu álbum existe. Nós estamos em uma época difícil em todo o mundo para se fazer música instrumental com guitarra, e eu estou muito feliz que a Epic possa divulgar meu trabalho para tantas pessoas.
Você não sofreu algum tipo de pressão para vender mais discos?
Não, porque a Epic tem em seu cast muitos artistas que vendem milhões de cópias, e eu não sou o artista mais importante na Epic, então na verdade a pressão é menor. Quando eu estava na Relativity, eu era o artista que mais vendia na gravadora, e eles esperavam muito de min. É na verdade o contrário.
Em 94 você fez uma tour com o Deep Purple. Como foi a sua experiência com a banda, e porque você não se juntou a eles?
Joe Satriani não é uma parte do Deep Purple, isso é uma coisa que nunca vai acontecer, não são os mesmos estilos. Eu tive um momento maravilhoso tocando com a banda, os caras são ótimos, tocam músicas fantásticas, foi, enfim, uma grande tour. Eu fiquei feliz de poder ajudá-los quando eles precisaram de um guitarrista para finalizar uma tour, e partir para uma nova fase dentro da carreira deles. Mas depois eu tive que voltar para a minha vida real, o que significa Joe Satriani e guitarras.
Você deu aulas para guitarristas hoje famosos como Kirk Hammett e Steve Vai. Você aprendia com eles também?
Não, porque na época em que eu dava aulas pra eles, eu estava aprendendo outras coisas, e mostrando para eles o que eu ia aprendendo...
Com quem você aprendia?
Eu aprendi muito com um professor de uma escolar superior, aprendi muito em livros, com um amigo pianista... Fui aprendendo de diversas formas, mais principalmente estudando em livros e ouvindo discos.
Você pode se considerar um autodidata...
Não, ninguém é realmente um autodidata. Na verdade, autodidata significa que, ao invés de ir a uma aula toda semana, você lê coisas em livros, ouve discos, e adquire influências de outras pessoas. Ninguém se ensina sozinho, nós todos dependemos uns dos outros.
Além de “Crystal Planet”, qual você acha que é o seu melhor álbum?
Cara, essa é uma pergunta bastante difícil. Eu realmente não sei... Às vezes eu acho que é o “Joe Satriani”, às vezes acho que é “The Extremist”, mas nunca tenho certeza...
Você parece gostar muito do “Joe Satriani”...
É um álbum muito especial, porque é muito único, e não se parece com nenhum outro. É um álbum que tem muita alma. E para as pessoas darem conta disso, elas tem que prestar muita atenção nos detalhes. Por um lado é muito pesado, mas por outro é muito soft também. Não teve uma boa vendagem como os outros, mas eu acho que com o passar do tempo, as pessoas vão reconhecer que “Joe Satriani” é um álbum muito especial.
Você se considera parte da cena de heavy metal?
E não sei. Eu adoro boa música feita por pessoas de diferentes estilos, e com certeza existe bons músicos dentro do heavy metal. E eu sei que ser parte desses músicos é bom, mas eu tento estar à parte, separado de um único estilo. Eu tento fazer “Joe Satriani music”, e coloco sempre novos elementos, de ambient music, heavy metal, blues, eletrônico, rock... todas essas coisas, mas sempre buscando a minha própria música.
Muitos surfistas no Brasil gostam de sua música, você acha que sua ela pode ser identificada com a surf music?
Isso é muito legal, mas eu acho... Mão sei se vocês já ouviram falar de uma banda chamada The Mermen, que é uma grande banda de surf music, mas com um grande guitarrista. Não me importo que chamem de surf rock, mas faço o possível para desenvolver o meu próprio estilo.
Desde de que raspou a cabeça, você ficou parecido com o surfista da capa do álbum “Surfing With The Alien”. Foi essa a sua intenção?
Não, eu comecei a perder aos poucos os meus cabelos, e percebi que poderia ter um visual cool com a cabeça raspada... É mera coincidência!
Você já pensou em cantar de novo, como fez no álbum “Flying In a Blue Dream”?
Eu também penso sobre isso, mas é difícil fazer um álbum agradável, com bons vocais, no meio de uma música planejada para ser instrumental. É uma coisa muito difícil. Sou sempre muito cuidadoso para que todas as coisas funcionem direito, e acho que “Flying In a Blue Dream” foi o único álbum onde as coisas realmente funcionaram com vocais.
Como você costuma escolher os músicos que o acompanham?
E procuro por elementos de estilo e de qualidade enquanto músicos. Um bom exemplo é alguém como Jeff Campitelli, que esteve em todos os álbuns. Ele toca bateria em pelo menos uma música de cada álbum, a exceção do “The Extremist”, e ele tem um estilo muito identificado que as pessoas ouvem em todos as diferentes música. E ele tem muito groove, muita alma. E esses elementos eu gosto de incluir, porque intimamente, às vezes eu acho alguns álbuns muito técnicos, sem “feeling”. E o Stuart Hamm é um desses caras que faz o melhor.
A banda da tour vai ser a mesma do álbum? Como está o set list?
Sim, eu não toco com o Jeff e o Stuart desde o ano passado, e quero tocar com eles, inclusive no ano que vem, quando deveremos passar pelo Brasil. Nós tocamos de sete a nove músicas do novo álbum, e tem sido muito excitante ver a reação do público. Estou muito contente com isso.
O Slipknot não lança nada de novo desde 2004, ano em que saiu "Vol. 3: (The Subliminal Verses)". Nesse período, vários integrantes tocaram projetos paralelos, e só no final do ano passado a banda voltou a se juntar para compor o novo disco. A banda promete, também, uma nova fase de maquiagens, macacões e outros adereços típicos do Slipknot.
Fisicamente, no entanto, o guitarrista estava bem, andava de um lado para o outro no palco, surpreendendo os próprios músicos da banda, que viam em sua vitalidade motivo de orgulho. Ele convocava seu filho, Chuck Berry Junior, para duelar com em algumas músicas. Em “Wee Wee Hours”, um blues lento e ritmado, o garoto teve seu melhor momento. Com o baterista brasileiro Maguinho, Chuck também fez graça, em “Around And Around”, tudo de forma muito elegante e suave. Aos que gritavam por rock’n’roll no meio do público, Chuck Berry respondeu com a paciência dos idosos. A mesma que usou para tentar entender o que os fãs do gargarejo pediam. O grito de “Yesterday” fez o guitarrista dizer que a música não é dele, e sim dos Beatles, e levar o comecinho da canção mais gravada na história da música pop, para delírio dos mais velhos.
O público participou muito também ao fazer o tradicional dueto sugerido em “My Ding-a-Ling”, a quarta música da noite, em que Chuck Berry, com a garganta grossa, praticamente narrou a letra. “You Can Never Tell”, apropriada por Quentin Tarantino para o genial “Pulp Fiction” foi uma das mais aplaudidas, e uma das poucas em que a guitarra de Chuck Berry ecoou seu tradicional modo de tocar, meio percussivo, com o mínimo de punch. Nem sua música-símbolo, “Johnny B. Goode”, conseguiu escapar da fragilidade com que tocava, de modo que o fabuloso riff inicial quase não foi reconhecido, o que levou a platéia a cantar somente no refrão. Mas a música valeu pelo momento histórico em que ele fez o “duck walk”, a dancinha de pato que o consagrou nos últimos cinqüenta e poucos anos, imagem que hoje pertence ao imaginário coletivo da música pop.
Como era de se esperar, depois de exatos 50 minutos e 13 músicas o show chegou ao fim, sem tempo para que Chuck Berry apresentasse sua banda. A tarefa coube ao filho, já que uma multidão subiu ao palco (e depois desceu) e uma quantidade razoável de peruas desancadas e descerebradas permaneceu no palco em “Reelin’ And Rockin’”, deixando Chuck assustado. Também, quem mandou o velhinho safado chamar quatro moças para dançar com ele de cada lado do palco? Rock’n’roll, baby!
Um novo álbum de inéditas dos Pistols seria o segundo da história da banda, que só tem em catálogo o seminal "Never Mind The Bollocks Here's The Sex Pistols", marco do movimento punk, lançado em 1977.
Começo com este texto descritivo para, como de hábito, desdizer aquilo que eu disse antes. Se na semana passada enalteci a emoção das disputas do Tricolor na Taça Libertadores e da engrenada que o Brasileirão começou a dar, em detrimento dos jogos da Eurocopa, volto atrás hoje para mostrar encantamento com o futebol que a Holanda tem jogado. E não me refiro apenas ao jogo de hoje, onde a equipe de Marco Van Basten jogou repleta de reservas, e mesmo assim teve o controle do jogo o tempo todo. Falo das excepcionais goleadas impostas à França e à Itália, respectivamente por 4 a 1 e 3 a zero. Hoje, o controle do jogo era tanto por parte da Holanda, que em um determinado momento da partida a (boa) equipe romena precisava, perdendo por um a zero, virar o jogo para se classificar e sequer conseguia chutar ao gol adversário.
Na última sexta, a França também não jogou mal. Famosos pela técnica e pelo toque de bola, os jogadores franceses sucumbiram aos holandeses através de jogadas espetaculares, como a do segundo gol, por exemplo, quando o atacante Van Nistelrooy iniciou um contra-ataque na extrema esquerda com um lance de craque, aquele mesmo usado por Dodô contra o Boca Juniores, no Maracanã. No último, já nos acréscimos, Sneijder meteu um balaço na gaveta do arqueiro francês, que nada pode fazer. Num outro tento, feito por Robben, que acabara de entrar no jogo (um legítimo ponta no banco!), fez o impossível ao descolar um disparo com um ângulo exíguo. Até agora o videotape não conseguiu mostrar por onde a bola passou – só que foi um golaço.
O futebol praticado pela Holanda nesta Eurocopa é contagiante, assim como são os jogadores e torcedores, com suas camisas laranjas. Garantida a classificação, e em primeiro lugar, eis que os atletas holandeses partiram para a beira do gramado, onde, na primeira fila, tomaram seus filhos das esposas, e os levaram para cumprimentar a torcida. Uma cena linda que poderia passar desapercebida, mas que assim que eu soube de boatos de que a equipe holandesa ira jogar com reservas e entregar o jogo para a Romênia, a fim de eliminar simultaneamente França e Itália, foi dela que eu me lembrei. Homens assim não entregam jogo. Se vai vencer a Eurocopa, isso, sinceramente, não tem a menor importância. Já me satisfiz com o que vi.
Mas não é só de Holanda que vive a Eurocopa. Excetuando-se os anfitriões descadeirados e outros pernas de pau, há que se dar valor ao futebol jogado pela Espanha, que vem ganhando irresistivelmente os adversários. Contra a (boa) seleção russa, deu show, e teve que usar da sorte para passar apertado sobre a (melhor ainda) Suécia. Não me encantam as seleções de Alemanha e Portugal, e acho interessante que elas se encontrem nas quartas de final, assim uma pula logo fora. Para mim, dança Portugal, de menos tradição. Me atrai menos ainda o futebol croata, que deu sorte e deve passar (duramente) pela Turquia que surpreendeu numa virada sensacional sobre os tchecos – melhores, mas que têm o vocação para a derrota. Vocação, aliás, compartilhada por Espanha e Holanda, que nessa Euro jogam o futebol mais encantador. No que eu aponto, considerando as chaves que se formam até aqui, a pragmática Alemanha a sobrevivente Itália na final.
Se a Eurocopa mostrou boas partidas, o Brasileirão não fica atrás. O São Paulo golear o fraco Atlético Mineiro no Morumbi é até normal, mas repetir a dose em cima do líder Flamengo, em pleno Maracanã, num clássico 4 a 2, foi demais. Na quinta, o Palmeiras despachou outro líder, o Cruzeiro, com um inapelável 5 a 2, e o mesmo Atlético, que apanhara feio do São Paulo, aproveitou a partida doméstica para desancar o fraco Ipatinga. Sem falar no Grêmio, de goleou o Goiás como um visitante mal-educado. Engrenou ou não engrenou?
Só a nossa seleção não empolga, e, óbvio, o problema se resume num só nome: Dunga. Porque, explica-se, só pode ter partido dele a determinação de o Brasil iniciar uma partida recuada contra um Paraguai super ofensivo; o Brasil com três volantes e o Paraguai com três atacantes. Aquele que, afastado do planeta por um certo tempo (pequeno, uns dois anos, digamos) acreditaria que as equipes estavam com os uniformes trocados: o Brasil era o Paraguai e o Paraguai é que era o Brasil.
Dunga é o culpado porque convoca mal, escala mal e orienta errado. Mais: não é técnico e não sabe aproveitar talentos como o de Kaká e dos coadjuvantes Robinho e Ronaldinho Gaúcho. Futebol brasileiro, para o Dunga, não é o futebol brasileiro que nós, brasileiros, gostamos de ver. O de Dunga, é o de 1994. Ou, por outra, nem isso. O que gostamos de ver é o que ganha sem deixar dúvidas. Ou até o que eventualmente perde (é um jogo, ora bolas), mas joga sem medo de perder. Eis o pior dos defeitos do futebol de Dunga no último domingo: o medo de perder.
Dizem as línguas ocultas que Dunga só fica no comando da seleção até as Olimpíadas, e que um técnico de verdade já estaria apalavradamente contratado para o lugar dele. Assim, resolveria-se dois problemas de uma vez: nos livraríamos do Dunga e o novo treinador não se preocuparia com os Jogos Olímpicos, coisa para a qual a CBF (infelizmente) não está nem aí. Por via das dúvidas, melhor o Brasil perder logo para a Argentina amanhã, que aí Dunga fica por um fio. Um fiapo, por melhor dizer.
Até a próxima que time medroso não ganha a Copa do Brasil!!!
Recentemente o vocalista e guitarrista do Kiss, Paul Stanley, disse que o grupo não lança nada de novo porque os fãs só querem é ouvir os clássicos mesmo. Parece que, de uma forma ou de outra, para o Kiss, os fãs são sempre os culpados.
Cantora, guitarrista e compositora, KT Tunstall ficou conhecida pelo sucesso “Suddenly I See”, música do disco de estréia, que caiu no gosto do público e virou hit nas rádios brasileiras. O repertório ds shows desta turnê, no entanto, se baseia no segundo e mais recente disco de KT, “Drastic Fantastic”.
1- L.A.M.F.
2- Face Down In The Dirt
3- What's It Gonna Take
4- Down At The Whisky
5- Saints Of Los Angeles
6- Mutherfucker Of The Year
7- The Animal In Me
8- Welcome To The Machine
9- Just Another Psycho
10- Chicks = Trouble
11- This Ain't A Love Song
12- White Trash Circus
13- Goin' Out Swingin'
Ele admitiu, entretanto, que Slash o convidou para fazer um único show em Las Vegas, assim que Scott foi demitido, e que acha que advém daí os boatos que ele seria o novo vocalista do grupo. Chester não topou fazer a apresentação. Na mesma entrevista, Chester Bennington, político, disse que, se não fosse amigo de Scott e de todos os integrantes remanescentes, e se não cantasse no Linkin Park, certamente aceitaria entrar para o Velvet Revolver.
1- I'm Jim Morrison, I'm Dead
2- Batcat
3- Danphe And The Brain
4- Local Authority
5- The Sun Smells Too Loud
6- Kings Meadow
7- I Love You, I'm Going To Blow Up Your School
8- Scotland's Shame
9- Thank You Space Expert
10- The Precipice
O Muse nasceu em 1997, e é formado por Matthew Bellamy (voz e guitarra), Christopher Wolstenholme (baixo) e Dominic Howard (bateria). "Black Holes And Revelations", de 2006, aclamado por público e crítica, é o último álbum de estúdio do trio. No início do ano saiu o CD/DVD "H.A.A.R.P. Live from Wembley", do qual deve sair o repertório dos shows no Brasil.
1- Preciso Me Vingar, Oh Babe
2- Rua Aurora
3- Enchantè, Camaradas
4- Esperando o Furacão
5- Não Será um Bom Dia
Para entender o The Feitos é preciso voltar um pouco no tempo e lançar um olhar no Little Quail, banda do início os anos 1990 liderada por Gabriel Thomaz (hoje no Autoramas) que misturava rock dos anos 50 e 60, bom humor e jovem guarda – de onde vem a referência à Roberto Carlos, presente já no título da principal música do The Feitos. Sem Little Quail não seria possível o The Feitos, que re-atualiza o rock pra cima e divertido neste disco de estréia, adicionando uma generosa dose de esporro suja e deliberada. Mais do que nos shows, as músicas têm uma distorção quase descabida, fortalecida pelos vocais toscamente desafinados de Ramon Ribeiro e por uma equalização feita quase nas coxas, se não fosse proposital. Tudo contribui, no entanto, para a estética divertida – sem ser engraçadinho – sobre aquele mesmo rock’n’roll à jovem guarda do pioneiro Little Quail. Achados como “Eu Perdi o Amor Pelos Meus Dentes” e “Gente Feiosa”, com um reforço de teremin do baterista Andrei Duarte, realçam o que o trio tem de melhor.
Casos de amor adolescentes são o principal assunto das letras, todas de autoria do vocalista/guitarrista Ramon. Por mais sofridos, os temas têm sempre certa dose de cinismo que desafiam o ouvinte a ficar incólume a tal ponto de vista. Ë o caso, por exemplo, do drama vivido pelo protagonista paranóico com a fidelidade da parceira em “Mulher Infiel”, ou de “Eu Perdi o amor Pelos Meus Dentes”, onde, ao contrário, o jovem apanha feliz do namorado de uma pretendente. Há espaço para deboches com o hard rock, na impagável “Eu Quero Ser Poser”, e autozombaria, caso de “Gente Feiosa” e “Feios Mas Felizes”, que até pode sintetizar “Na Cabeça da Chorona”: feio, sim, mas feliz e muito legal.
Revi o documentário não por vontade própria, mas porque recebi a encomenda de dar uma geral no punk e hardcore nacional, e tive que usar o DVD como uma de minhas fontes. Além de pesquisas na internet, também fui atrás de meus discos, livres e fanzines. Sim, meus amigos, fiz uma viagem no tempo ao encontro do punk rock perdido por essas plagas, passando por Antonio Bivar, Janice Caiafa, Helena Wendel Abramo, Silvio Essinger, Redson, João Gordo, Fábio, Wander Wildner, Philippe Seabra, Ariel, Clemente e por aí vai.
Mas falava do documentário, que por um motivo ou outro, acabei não fazendo uma resenha propriamente dita, nem mesmo para este site ultrapessoal. Lembro que à época do lançamento, estava efetivamente na redação da Revista Outracoisa (esquisito falar nisso no passado) e o parceiro Tiago Velasco se encarregou de fazer umas perguntinhas sobre o DVD para o Gastão, o que garantiu um texto sobre o excelente trabalho. Lembro ainda que Gastão prometia um outro documentário, nos mesmos moldes, sobre o heavy metal no Brasil. Espero que o projeto tenha andado.
O documentário é bom porque focou (palavra em moda) seus esforços no iniciozinho do punk, e aí conseguiu cobrir muito bem a agitação toda que acontecia em São Paulo naqueles idos do final dos anos 70/início dos 80, quando, segundo o testemunha ocular da história Clemente, se o punk não tivesse sido criado em Nova York e Londres, teria sido inventado na periferia paulistana. A afirmação parece arrogante, mas eu não duvidaria disso. Falei de São Paulo porque o documentário é basicamente sobre o punk paulista, já que Gastão parece ter optado por deixar de lado ouras cidades importantes para o início do punk, sobretudo Brasília. Os minutos dedicados à Capital Federal, Rio e Porto Alegre, somados, são insignificantes ante a superpesquisa feita em São Paulo. Eis aí o único senão do DVD: achar que o Brasil é São Paulo. Não é, não, Gastão.
Outra frase que marcou aparece na hora de avaliar o legado deixado pelo punk, e é o chapa Silvio Essinger quem fatura o prêmio da melhor observação ao dizer que, depois do punk, todo movimento identificado com rebeldia juvenil é de certa forma identificado com o próprio punk. Ele tem razão, e a imagem de bandas do grunge sob sua fala é precisamente ilustrativa. Além de designar um movimento musical e social, a palavra punk sintetiza rebeldia, volta às raízes, ao básico, ao tosco, para depois começar de novo. Um dos entrevistados, do qual não lembro o nome, fala dessa desconstrução que aqui no Brasil chegou a ser apropriada até por Chico Science e suas alfaias.
Não gosto – diga-se – quando o termo “punk” é utilizado para definir uma situação ruim, difícil, sentido muito aplicado do lado de lá da Dutra. Punk só foi depressivo (e mesmo assim esteticamente) no pós-punk, espécie de “dream is over” do movimento, detonado pelo suicídio de Ian Curtis, o líder do Joy Division (já viram os filmes?). E nem engulo a história de que o punk surgiu como uma reação ao academicismo do rock progressivo. Primeiro porque nunca acredito que, no mundo do rock, uma coisa venha para substituir outra – como aqui no Brasil, onde os fãs de metal juram de pés juntos que foi o grunge que acabou com o hard rock -, mas isso é outra história. O punk nasceu para combater tudo e todos, explosão de rebeldia juvenil em estado bruto. O rock progressivo nada tinha a ver com isso, tanto que suas bandas nunca acabaram, e ele – o progressivo – se renovou na década 80 mesmo (Marillion, Palas, Pendragon) e vive se atualizando. Ou por acaso os caras do Pink Floyd, Yes, Genesis, etc, passaram a tocar só com três acordes e com as calças rasgadas, calçados de all star sujo?
Não, meus amigos, isso aqui não é um tratado punk, muito menos uma resenha sobre o grande DVD produzido e dirigido por Gastão Moreira. É só o bom e velho papo de mesa de bar de porta de show. No que aproveito para reafirmar que o punk está em todos os lugares. Foi (e é) importante para tudo o quanto é subgênero do rock, no Brasil e no mundo. Metal, grunge, hardcore, rap, rock nacional, mpb... Em tudo que é lugar, em algum canto tá lá um “quê” de punk. Pode ser a voz gritada, a crueza dos acordes, a jaqueta de couro, o set de bateria, as tatuagens, as letras escalafobéticas, os cabelos espetados ou qualquer outro símbolo icônico – para deixar meu professor de lingüística orgulhoso. Mais: no mundo cultural globalizado, o punk superou os limites da música e se representa em partidas de futebol, desfiles de moda, portas de fábrica, artes e no pensamento do homem em geral, do final do século passado pra cá.
Sim, meus amigos, definitivamente o mundo em que vivemos não seria como é, não fosse o punk. Por isso a tarefa eu me deram, embora seja uma obrigação profissional, é – de novo – algo muito prazeroso. E, de quebra, ainda me deu o mote para chegar a mais esta Rock é Rock Mesmo. Afinal, nem sempre se pode ser Deus. Mas isso já é papo para outra coluna.
Até a próxima e long live rock’n’roll!!!

A década ainda não acabou, mas não é precipitada a constatação de que o rock brasileiro já tem seu maior representante nos anos 90: Raimundos. Gostando ou não do estilo e de suas influências, não há como negar que esses quatro candangos conseguiram a maior projeção dentro do cenário pop rock brasileiro, em um período nem sempre favorável para os artistas do gênero.
Começando como uma banda cover, a adição de letras típicas do folclore popular nordestino, e a opção pelo hardcore pesado, sem concessões, revelaram um estilo próprio e original dentro do mercado brasileiro, copiado (e na maioria das vezes distorcido) por dez entre dez bandas nos últimos anos.
Parece que foi ontem, mas já se passaram dez anos desde que o Raimundos começou suas atividades, início esse simbolizado por um show em uma festa de reveillon. E nesses dez anos muita coisa mudou na vida dos integrantes da banda. A bandinha cover das festinhas se transformou num sucesso de público e crítica, mesmo com todas inconveniências das letras, o peso do som, e a manutenção do jeito “peão” de ser.
A Rock Press correu atrás (você não imagina como) e foi flagrar a banda saindo do estúdio, onde arrancou do vocalista Rodolfo, em primeiríssima mão, e com exclusividade, todos os detalhes do próximo álbum, “Só No Forévis”. Falamos também com o baterista Fred, que deu uma geral na trajetória de uma década de hardcore e zoação.
Já fazia algum tempo que a Rock Press pretendia fazer uma grande matéria com o Raimundos, e aproveitamos essa oportunidade para desvendar toda a história da banda, com detalhes, análises, e outras coisas que você, como de costume, só encontra aqui. Go ahead!
ANOS 90: O ROCK NACIONAL APRENDE A LIÇÃO
A virada da década não havia sido muito generosa com o rock nacional. Passado o boom dos anos 80, boa parte das bandas já tinham se desfeito, e as consagradas ou repetiam fórmulas, ou partiam para caminhos que não agradavam aos fãs de sempre, e nem cativavam outros novos. As gravadoras, por sua vez, destinavam cada vez menos investimentos para o rock, e apostavam em outras fatias de mercado (desaguando na pobreza musical desse fim de década), dando às bandas mais antigas um tratamento de mpb, e fechando os olhos para o rock Brasil dos anos 90.
Estava claro que, nos anos 90, se alguma banda ou movimento quisesse se estabelecer no mercado, teria que ser por conta própria, tudo no esquema “do it yourself” que o punk rock consagrou pelo mundo afora.
O sucesso internacional conquistado pelo Sepultura repercutia no Brasil com uma febre de bandas cantando em um inglês macarrônico, na esteira do thrash metal que se espalhava pelo mundo. Em paralelo, a cena de Seattle era descoberta, e, além das camisas xadrez de flanela, espalhava a mensagem (imediatamente absorvida) de que qualquer lugar poderia ter sua própria cena de bandas novas, totalmente independente, e ganhar o mundo, fazendo ícones do mercado pop como Soundgarden, Pearl Jam, e, o maior de todos, Nirvana, do suicida Kurt Cobain.
O Brasil não ficou de fora, aprendeu a lição e os festivais independentes se proliferaram: Junta Tribo em Campinas, BHRIF em Belo Horizonte, BIG em Curitiba, Abril Pro Rock em Recife, Superdemo e Expo Alternative no Rio, e tantos outros. Como no Terceiro Mundo tudo funciona diferente, a grande mídia e as gravadoras pouco (ou nada) se importaram, e poucas bandas se destacaram e conseguiram atingir um sucesso no mercado comparado ao das bandas da década passada. O Raimundos foi uma delas.
Fundamental para esse início de década foi a chegada da MTV no Brasil, em 1990, que cobriu toda essa cena, catapultando essas bandas para público local, e, em conseqüência, para o primeiro contato com as gravadoras, fato outrora atribuído às rádios locais.
DE BRASÍLIA PARA O BRASIL
Estamos em Brasília, no ano de 1992. Quatro candangos acostumados a tocar covers de Ramones resolvem se assumir seriamente como Raimundos, uma mistura da banda predileta com música nordestina, referenciada pelo forrozeiro Zenilton, o preferido dos meninos. Mas esse foi só o ano do recomeço. A primeira vez que a banda se apresentou usando o nome Raimundos foi na passagem de 88 para 89, em uma festa na casa do amigo Gabriel Thomaz, guitarrista e vocalista do Little Quail (vide box).
Rodolfo e Digão se conheciam desde 87, um tocava guitarra e o outro bateria, já fazendo covers do Ramones. Rodolfo convidou Canisso para assumir o baixo, mais pelo visual do cara, já que ele tocava guitarra. Onde houvesse uma festa, lá estava o Raimundos, e a casa, invariavelmente lotada.
Em 90, porém, cada um parte para resolver sua prioridades pessoais, deixando, meio que desanimados, o projeto da banda de lado. Nessa época Digão trocou a bateria pela guitarra, enquanto Rodolfo começou a cantar na banda Royal Straight Flesh. Só em 92 o baterista Fred, que acompanhava os shows do Raimundos como espectador, sugeriu a volta da banda com formação que se mantêm até hoje: Rodolfo, vocais, Digão, guitarra, Canisso, baixo, e Fred, bateria.
Em 92, os Raimundos haviam decidido voltar para uma apresentação em um bar em Goiânia, e outros shows foram rolando, até que a primeira demo foi gravada no ano seguinte, intitulada “Raimundos Demo-Tape”, com quatro músicas: "Nêga Jurema", "Marujo", "Palhas do Coqueiro" e "Sanidade".
E foi em 93 que se deslocaram para São Paulo e começou a distribuir sua demo para amigos, bandas, imprensa e afins. Um telefonema de Fred para a organização do Festival Junta Tribo garantiu, em cima da hora, a presença da banda na primeira edição do evento, tanto que o nome Raimundos não constava no cartaz e nem na programação distribuída à imprensa. Não que tenha sido essa apresentação a projetar o grupo, mas ela aumentou o bochicho que corria no meio. Uma banda de Brasília que misturava Ramones com forró, e com letras escrachadas, cheias de palavrões.
Tal qual a avalanche de bandas que ia surgindo, uma nova geração de gravadoras, também independentes, precisavam dar conta de registrar esses novos valores, deixados à margem pela grande mídia. Uma delas, surgiu quando o jornalista e produtor musical Carlos Eduardo Miranda convenceu os Titãs a investirem em um selo para descobrir novas bandas. Ligado na cena, e ouvindo dúzias de fitas demo por dia, como repórter musical, Miranda tinha conhecimento do que estava rolando no novo underground brazuca, e sugeriu que o recém criado Banguela lançasse seu debut álbum com o Raimundos, cuja demo recebera de um colega de Brasília.
Os desafios eram muitos. Uma forma de trabalho diferente, com um selo independente, apesar de o esperto Miranda garantir a distribuição pela Warner, major que tem o Titãs no cast. Uma banda nova, de fora do eixo Rio/São Paulo, tocando um hardcore pesado, cantando em português, sim, mas com letras diferentes das demais, chupadas do folclore popular do Nordeste e carregadas de palavrões, com um bom gosto questionável. Quem iria tocar? Quem divulgaria esse novo trabalho?
A resposta veio com a nova geração de adolescentes ligada no rock brasileiro. Os anos noventa haviam renovado o público de rock, e essa garotada queria mesmo é chutar o pau da barraca. E o Raimundos foi a trilha sonora que eles precisavam.
Embalados pelo rótulo forrócore, que por si só já chamava a atenção, o primeiro álbum da banda, intitulado simplesmente “Raimundos”, chegou às lojas em maio de 94. A essa altura, a banda já havia tocado no M2000 Summer Concerts, em Santos, no início do ano, ao lado de atrações internacionais, para um público de mais de 50 mil pessoas, além de ter tocado como banda de abertura para nomes consagrados como Camisa de Vênus, Ratos de Porão, e, é claro, Titãs. O Raimundos estava, digamos, na marca do pênalti.
Escolhida como música de trabalho, “Nêga Jurema” ganhou uma versão em clip ainda independente, produzido na Universidade de Brasília, o que detonou uma execução maciça na MTV, mesmo antes do álbum ter sido lançado. O clip ao vivo de “Puteiro em João Pessoa”, música que abria o álbum com o indefectível clamor (“eu quero é rock!”) foi outra porrada na cara das FMs, que tiveram que tocar as músicas da banda, mesmo contendo versos como “ela pegou no meu p* pôs na boca e ficou de quatro”. Afora o péssimo gosto e a gratuidade da baixaria do grupo, “Puteiro Em João Pessoa” pegou também pelo lado hardcore, altamente convidativo para o pogo e a abertura de roda, a essa altura já não um monopólio dos punks, mas dominado por todo o tipo de playboys. O variado público do Raimundos começava a se formar.
A consagração da banda no entanto veio com a balada “Selim”, uma típica canção de corno, de autoria de outro amigo da banda, Titi, que narra a história de um adolescente que quer ser o banco da bicicleta de sua amada, só para estar mais perto dela. E isso numa letra sem nenhum palavrão, mas com citações à vagina, ânus, etc. Em agosto de 94, na participação da banda no Monsters of Rock brasileiro, no Pacaembu, “Selim” foi cantada em uníssono pelo público de heavy metal, que aguardava os shows de Suicidal Tendencies, Black Sabbath, Slayer e Kiss. “Selim” levou o álbum à marca das 120 mil cópias e deu ao Raimundos o status de banda grande no mercado brasileiro.
“Raimundos”, o álbum, na verdade não tem em suas músicas nada de forró, mas uma mistura de hardcore com rock pesado, riffs à vezes metálicos e muito gás. O forró, além de uma clara jogada de marketing, está na temática das letras, muitas delas tiradas do folclore popular nordestino. E é aí que a coisa pega. Uma coletânea de mau gosto e grosseria percorre o álbum do início ao fim, sem duplo sentido, direto mesmo. “Pimenta malagueta quando entra na b* vai enganchar no pulmão” (“Minha Cunhada”), “Dessa vez vou ter mais sorte, vou soltar um peido bem forte” (“MM’s”) e “Pra socar minha p* dia e noite, noite e dia” (“Cintura Fina”) são só alguns exemplos. Ainda assim, a grande mídia não só recebeu bem esse primeiro trabalho da banda, como teve participação decisiva ao impulsionar a carreira do grupo. Estava liberada a baixaria no rock brasileiro dos anos 90 (vide box).
Com o CD na mão, os Raimundos caíram na estrada, fechando o ano de 94 com uma vendagem superior a 100 mil cópias (ultrapassaria as 200 mil). Além da grande exposição na mídia, a banda faz shows de abertura para vários artistas internacionais, entre eles Ramones (o baixista CJ chegou a tocar com eles) e Sepultura, em três datas da “Acid Chaos Tour”.
LAVADO, NOVO E REPETINDO A DOSE
O sucesso da estréia garante a gravação um contrato de três álbuns com a Warner e sela, sem maiores explicações, o fim do selo Banguela (vide box). A gravação do segundo álbum, já em 95, teve a produção do inglês Mark Dearnley, conhecido por trabalhos com Black Sabbath e AC/DC. Nada mal para uma banda que há pouco tempo só tocava covers.
“Lavô Tá Novo” é lançado em novembro de 95, porém a música de trabalho, “Eu Quero Ver o Oco” já rolava direto nas rádios em todo o país, e seu belo clip, produzido na Califórnia, não parava de passar na MTV. Com muito mais peso, menos baixaria e mais produção e um “quê” de metal trazido pelo novo produtor, “Lavô Tá Novo” começa a colocar por terra o rótulo forrócore, a essa altura limitante para uma banda de grande porte. É um trabalho com músicas diferentes entre si, vão desde o hardcore cruzado com metal (“Eu Quero Ver o Oco”) até coisas mais lentas (“O Pão da Minha Prima”). As letras dão um certo tempo, em termos das habituais baixarias do álbum anterior, mas ainda há coisas lamentáveis como “Tora Tora” e “Esporrei Na Manivela”. Os destaques são “I Saw You Saying (That You Say That You Saw)”, uma bem humorada brincadeira com as bandas que cantam em inglês sem conhecer o idioma, e “Tá Querendo Desquitar (Ela Tá Dando)”, de autoria de Zenilton, essa, sim, com letra inteligente e de duplo sentido.
A escalação do Raimundos para a noite mais rock do Hollywood Rock, nos dois últimos finais de semana de janeiro de 96 foi a prova de fogo para o grupo. Ainda no início da tour do segundo álbum, foi a primeira vez que a banda pôde mostrar o novo trabalho, para um público grande e exigente, que tinha olhos mesmo era para a atração principal da noite, nada menos que a dupla Page & Plant, ou se preferirem, o Led Zeppelin. Sem se intimidar, a banda levou a Praça da Apoteose a baixo, com os primeiros acordes de “Eu Quero Ver o Oco”, a essa altura já um hit nacional, fato ocorrido também na semana anterior, no Estádio do Pacaembu, em São Paulo. O show foi decisivo para a carreira do grupo, que com um set curto, típico de festivais, entrou e saiu com o jogo ganho, com o público cantando todas músicas no pé da letra.
Nesse ano, os Raimundos tiveram seus álbuns lançados em Portugal e na Espanha, onde o grupo faz uma rápida tour com poucos shows e muitas entrevistas, para divulgação. Decorridos seis meses do seu lançamento, “Lavô Tá Novo” entupia a programação das rádios em todo país, e atingia a marca de 180 mil cópias vendidas (passaria das 400).
Em agosto, o Raimundos voltou a ser escalado para o Monsters Of Rock, desta vez ao lado de Mercyful Fate, King Diamond, Helloween, Biohazard, Motörhead, Skid Row e Iron Maiden. A banda causou polêmica, pois tocou depois do Helloween, tendo inclusive maior tempo de show. A nação metálica nacional se voltou contra o grupo, que, alheio a isso e aos eternos problemas de equipamentos e passagens de som, típicos em festivais desse porte, voltou a sacudir o público com sua saraivada de sucessos de FM.
No final do ano, na esteira do reconhecido sucesso do grupo, foi lançada a caixa “Cesta Básica”, com tiragem limitada, incluindo um CD com covers e versões alternativas para algumas músicas, uma fita de vídeo com todos os clipes lançados até então, e imagens caseiras registradas nas tours pela esposa do baixista Canisso, e uma revista em quadrinhos feita pelo cartunista Angeli. Inicialmente com tiragem de 8 mil cópias, uma vez que se destinava (até pelo custo) só para colecionadores, o sucesso foi tanto que a gravadora prensou nova tiragem, dessa vez com 100 mil cópias, além de colocar o CD, em separado, no mercado.
São ao todo dez músicas, sendo três covers (Ramones, Sex Pistols e Filhos de Menguele), quatro versões ao vivo, duas faixas inéditas e, de novo, “Puteiro em João Pessoa”, que ganhou finalmente um clip. Com a banda metida em infindáveis tours, e com dificuldade para trabalhar em cima de material novo, “Cesta Básica” serviu mesmo para dar um certo fôlego, marcando presença nas FMs. Sem falar, é claro, na estratégia de se lançar um produto altamente vendável na época de fim de ano, onde reina a febre dos presentes.
LAPADAS E MUDANÇAS
Em 97, os Raimundos começaram a preparar o terceiro álbum, mas os compromissos agendados e o inesperado sucesso de “Cesta Básica” atrasaram os trabalhos. Além de shows que não param de rolar, inclusive com a banda passando até mais de duas vezes com a tour em determinados lugares, o Raimundos participa da gravação dos álbuns de Rita Lee e do Camisa de Vênus.
É só no segundo semestre que “Lapadas do Povo” começou a ser efetivamente trabalhado, de novo com a produção de Mark Dearnley, mas desta vez todo gravado no exterior. A banda tece comentários de que “Lapadas” seria o seu trabalho mais pesado, e com menos escrachos e palavrões. Daí a manutenção de Mark na produção.
“Lapadas do Povo” já da o ar da graça em “Andar Na Pedra”, com um riff típico de metal, ultrapesado, de fazer inveja aos bons tempos do Suicidal Tendencies, com direito a um grande solo de Digão, outrora limitado a palhetadas distorcidas. Hardcores rapidíssimos marcam presença com “Véio, Manco e Gordo”, “CC de Com Força” e “Crumis Ódamis”. Não há realmente espaço para as tradicionais baixarias (“Ui, Ui, Ui” é a exceção), mas a presença da temática nordestina continua firme, como se vê em “Poquito Más (Healthy Food)” e em “Nariz de Doze”. A novidade é a cover de “Oliver’s Army”, de Elvis Costello e a versão para “Ramona”, que aqui virou “Pequena Raimunda”. Com “Lapadas do Povo”, basicamente um álbum crossover, o Raimundos se confirma no mercado como uma banda madura, entrosada e cometendo um dos trabalhos mais bem produzidos do ano.
A tour do novo álbum começou mal. Após um dos primeiros shows, em Santos, em novembro, um tumulto causado pela falta de organização do clube local (poucos acessos, portas trancadas) deixou mais de 100 feridos e resultou na morte de sete fãs. O detalhe é que os músicos só ficaram sabendo do ocorrido quando estavam no hotel, e o pior é que toda a grande mídia, com é de costume, deu ênfase ao fato, prejudicando, de certa forma, a imagem da banda. O quarteto se sensibilizou com o episódio e suspendeu temporariamente a recém iniciada tour.
O ano de 98 começou com a notícia da renovação do contrato com a Warner para mais cinco álbuns, estabilizando mais ainda a carreira do Raimundos. A essa altura do campeonato, os quatro candangos freqüentam não só os estúdios das rádios rock e da MTV, mas todos os maiores e mais populares programas de TV: Jô Soares Onze e Meia, Ratinho Show, Programa Livre, H, Raul Gil, Xuxa Hits, e por aí afora. A popularidade e a aceitação da banda crescem tanto que, de repente aparece na TV um comercial da Rider (grife de chinelos), com Raimundos ao fundo. Era a música “Nana Neném”, uma espécie de canção de ninar hardcore, que foi lançada em single, em agosto passado, junto com “Reggae do Manêro”, inédita até então. O ano terminou com a participação do Raimundos em dois shows da tour do Iron Maiden e Helloween, em São Paulo e em Curitiba, onde, como de costume, a banda foi bem aceita, embora sendo um público de metal.
A VOLTA AO COMEÇO, UMA DÉCADA DEPOIS
Entre fevereiro e março de 99, os Raimundos se enfiaram no Estúdio AR, no Rio de Janeiro, para a gravação do quarto álbum, “Só No Forévis”. A idéia da banda era meio que voltar um pouco ao trabalho do começo, fazer um som parecido com o do primeiro álbum. Para tanto, voltaram a recrutar Carlos Eduardo Miranda para a produção, mas dessa vez em parceria com Tom Capone e Mauro Manzoli.
“Só No Forévis” terá doze músicas, sendo duas covers, uma do Little Quail e outra do Filhos de Menguele, a antiga banda do guitarrista Digão. Isso sem falar em algumas faixa bônus, já gravadas, mas não reveladas pela banda (veja a lista a seguir), e nem pela gravadora até o fechamento dessa edição. Outro detalhe ainda não divulgado é como vai ser a capa do álbum, mas já se sabe que vai ser com uma foto (não uma ilustração), e o trabalho está a cargo de Luís Stein.
Como se ainda fosse pouco, a lista de participações especiais vai desde Bi Ribeiro, dos Paralamas do Sucesso, do Los Djangos, até o vocalista Alexandre, do Nativus, e Gustavo Black Alien, do Planet Hemp.
Confira agora, como serão as músicas de “Só No Forévis”, uma por uma, na relação que o vocalista Rodolfo preparou, de memória, com exclusividade para a Rock Press:
“Mata o Véio” lembra... pô, me dá vontade de andar de skate quando eu ouço essa música. Parece comercial do Hollywood, música de extreme games. Ela fala um pouco da televisão brasileira;
“Alegria” é uma música do Filhos de Menguele. A gente resolveu gravar essa música porque ela tem a letra mais do c* que eu já vi, é do Telo, aquele bicho doido que já compõe com a gente há 500 anos;
“Língua Presa” eu fiz a letra com o Telo também. É um hardcore ligado, só que cantado por caras que têm a língua presa. Nessa música apareceu o pessoal do Los Djangos, e eles fizeram uma vinhetinha de introdução;
“Aquela” é do Little Quail, que a gente resolveu regravar porque é uma música linda, e uma música linda dessas tem que ser revivida;
“Me Lambe” é um skazinho maneiro, que até o Bi tocou um baixo nela, e ficou demais, cara. É uma letra meio sacaninha;
“Carrão de Dois” é um hardcorezinho meio melódico, mas não é nessa linha do hardcore da Califórnia não, é um melódico brasileiro. É uma música besta que fala de um carro movido à bafo no vidro;
“Fome do cão” é a única música que tem uns forró no disco, a gente mesmo gravou uma zabumba, triângulo. Essa música é irada, quem fez a letra junto comigo foram os caras do Rumbora, lá de Brasília (nova banda do baterista Bacalhau, ex-Little Quail). Essa é uma das músicas mais maneiras do disco;
“Deixa Eu Falar” é o tipo uma música que fala de poder falar o que quiser. Essa música é meio uma jam, quem cantou fui eu, o Gustavo Black Alien e o Alexandre, do Nativus. Foi legal, que eu não dei letra pra ninguém, cada um chegou e fez a sua parte. Ficou demais, cada parte ficou a cara do cara que fez. A parte do Gustavo é boa demais, ele é um dos melhores rappers que tem no Brasil, e já tem vários discípulos;
“Boca de Lata” a gente gravou meio rap. Quem fez a música foi o Nuts e o Zé Gonzales. Eu roubei o povo do D2, roubei todo mundo;
“A Mais Pedida” ficou linda, e quem cantou nela foi a Érika, do Penélope Charmosa. Ficou linda a bichinha;
“Pom Pem” é uma música besta que fala de uma menina da cidade que foi pro mato e adorou. É a música mais doida do disco, com partes bem malucas;
“Mulher de Fase” é a música mais bonita que a gente já fez. O nome dela era “Linda”, depois a gente mudou. A gente gravou até uns violinos. Eu vou ver se eu faço uma versão só com voz e violino pra mandar pra minha mãe. A bichinha sempre pede: “Meu filho, faça uma música que dê pra eu cantar”. E essa dá, vai fazer a véia chorar. Com violino então, até o meu pai vai chorar.
FRED: DE FÃ A INTEGRANTE DO GRUPO
Depois da mini tour que o Raimundos fez com o Helloween e o Iron Maiden no final do ano passado, o baterista Fred atendeu a Rock Press para um bate papo em uma livraria em Ipanema, zona sul do Rio. Fred falou sobre as mudanças no som e na temática da banda, sobre o mercado internacional e contou algumas curiosidades desses dez anos de carreira. Com vocês, o mais carioca dos Raimundos:
Houve uma mudança de som e nas letras do “Lavô Tá Novo” para o “Lapadas”. Por que isto ocorreu?
Mudança eu não sei se rolou, eu acho que teve uma busca maior em termos de qualidade. Sempre teve aquele negócio que "ah, a banda é muito legal, só que tem um som nacional", e a gente não acreditava nisso. A gente achava que uma banda nacional poderia também fazer um som no mesmo nível, e talvez não tenha interpretado direito, soando de uma forma diferente. Além disso, foi um disco muito corrido, a gente só teve uma semana para fazer o “Lapadas do Povo”. O primeiro disco é mais baseado nos hardcores. O “Lavô Tá Novo” tinha um rock mais pesado, arrastado. O “Lapadas” tem hardcore e rock mais pesado. O forró a gente queria não deixar de lado, mas escolher uma outra forma de fazer isso.
O “Lavô” foi o que vendeu mais, certo?
Foi, mas não tem explicação. Quando o pessoal da gravadora escutou a primeira música, “Tora Tora”, a feição das pessoas era, tipo "o que é que nós vamos fazer com esse CD?" Eles não sabiam por onde começar a trabalhar. Eles nunca tinham trabalhado um disco daquele. E foi o que mais vendeu. O número de vezes que as músicas tocavam nas rádios era impressionante. E o “Lapadas” perdeu um pouco disso, tocou bem menos em rádio. Mas isso é bom.
Por que? Você acha que dá um tempo na mídia?
Dá. Teve uma vez que eu fiz uma entrevista para o Jornal da Tarde e saiu uma manchete enorme "O sucesso do Raimundos é prejudicial ao rock brasileiro." E embaixo, em letras menores, no sub-título, "segundo o baterista da banda Fred..." O editor foi sensacionalista nisso. O que eu quis dizer pra ele foi o seguinte: se o Raimundos viesse com o “Lavô tá Novo” e o “Lapadas do Povo” fosse a mesma coisa, poderia acontecer como tá acontecendo com muitas bandas. Tem uma hora que, se não surgir nada da novo, cansa. E se a gente usar a mesma fórmula, vai virar uma comédia, uma piada contada duas vezes. O “Lapadas” foi muito importante nesse ponto.
Qual a relação que você vê entre a diminuição dos elementos de forró no “Lapadas” e o aumento de espaço lá fora?
Lá fora falam muito ainda de forró, apesar deles não conseguirem identificar direito. Mas quando você explica, o forró nada mais é que um repente. E o rap também é um repente. O “Lapadas” tem músicas que a gente não entende como não estouraram. Eu gosto de escutar música na rádio. Esse papo de "eu não gosto de sucesso" é mentira.
Mas tem vezes que cansa ficar tocando em rádio 24 horas por dia. Não acha que tem risco de saturar o público?
Se for uma coisa de livre e espontânea vontade da rádio, não me incomoda. Agora, se eu souber que tem uma carga de grana por trás por esta música está estourando... Música tocando na rádio é sinal de mais show.
Voltando à diminuição do forró no “Lapadas”, não acha que isto pode ter jogado a banda num lugar comum, tipo, só mais uma banda de rock?
Tem isso. Antes de sair de Brasília eu vivia falando pro resto da banda "vamos parar de falar nesse negócio de forrócore porque isso vai vir pro resto da vida", e não deu outra. A gente tinha um texto que dizia que, apesar de toda a mistura, o Raimundos não passava de uma boa banda de rock. O “Lapadas” sobreviveu como uma boa banda de rock. Eu gosto muito do primeiro e do segundo, mas considero o Lapadas o disco mais importante da gente até agora. Demos um ponto. O maior medo que a gente tem é chegar no décimo disco e aí ter que repensar toda a carreira. Isso a gente tá fazendo agora no terceiro.
O “Lapadas” ter saído diferente foi espontâneo ou programado?
Tinha uma idéia de fazer alguma coisa mais pesadona. E de tanto a gente falar, acho que o público acreditou que ele era muito mais pesado do que ele é mesmo. A gente acreditou nisso também.
E como está a aceitação dos discos no exterior?
Como artista estrangeiro que canta em outra língua, tem sido legal. Porque lá funciona bem diferente. Aqui existem os selos das gravadoras, que funcionam mais ou menos como uma gravadora mesmo. Lá, não. Lá a gente é do Bruto, que é da Draw, que é da Wishwesh, que é da Warner Bros. Um sub selo de um sub selo do selo da major. E isso funciona maravilhosamente bem.
Os álbuns foram lançados na América Latina?
Não, porque a gente não tem ido com o acordo de gravadora com gravadora como foi o “Lavo”. Ele foi um acordo da Warner do Brasil com a Warner da Espanha. Depois que o “Lavo” foi lançado, as coisas começaram a acontecer e rolou um interesse desse selo Bruto em nos contratar.
Enquanto o “Lavô” pode ter sido encarado como um disco de rock em outra língua, mas com o diferencial de ter elementos de música brasileira, é possível que o “Lapadas” seja encarado como apenas mais um disco de rock cantado em língua estrangeira. Você acha que isso atrapalha ou ajuda?
Isso que você tá falando a gente escutou também lá. Eu não posso te responder direito porque a gente não entendeu direito como é o mercado de lá. Mas o “Lapadas” já vendeu mais que o “Lavo”. A verdade é que nosso grande interesse ainda é ter o nosso mercado aqui. Se rolar lá fora, tudo bem, mas eu quero é que role aqui.
Bem, o Raimundos está fazendo 10 anos de carreira e eu gostaria de aproveitar o momento para saber algumas curiosidades sobre a banda. Qual foi o primeiro show do Raimundos que você viu?
Eu estava no primeiro show do Raimundos! Foi no reveillon na casa do Gabriel, do Little Quail. Eu tocava em duas bandas nessa época: Zona e Rock e os Billies. O meu pai sempre gostou muito dessa onda de ser baterista. E na época, eu falei pra ele que se existia uma banda em Brasília que iria fazer sucesso era o Raimundos. Aí ele falou: "Por que você não entra no Raimundos?" E eu respondi: "Pô, eu nem conheço os caras!"
E qual foi o primeiro show que você tocou com eles?
Foi no Jogo de Cena no Teatro Garagem, em agosto de 92. Porque eu já fazia parte do Raimundos acústico, era eu no tambor, zabumba, banco... o que tivesse na hora. O Rodolfo no triângulo e na voz, o Celsão, que era do Filhos de Menguele, no baixo e o Digão no violão. Depois pintou esse negócio de voltar o Raimundos. Mas o Digão estava naquela de não querer tocar bateria porque tinha problemas de audição. A banda usava uma bateria eletrônica, e no show em Goiânia, a bateria eletrônica deu errado. Foi quando o Rodolfo e o Canisso falaram: "Vamos chamar o Fred. Desde que a gente parou que ele enche o saco pra gente voltar". Aí eles me chamaram.
Qual foi o melhor e o pior show dos Raimundos?
Um show que eu não gostaria de ter feito foi o de Santos. O show foi maravilhoso, um dos melhores shows da gente. De repente, você chega no hotel e recebe uma notícia daquelas. Acabou o show numa boa mas as pessoas não conseguiram chegar em casa ilesas. Esse foi o melhor e foi o pior. Um show que a gente não vai esquecer nunca.
Qual foi a coisa mais esquisita que aconteceu com vocês na estrada?
Teve uma vez que rolou uma tarde de autógrafos em Goiânia. Eram cinco mil pessoas dentro do shopping. Nesse dia, fui só eu e o Rodolfo. Foi o maior esquema: todo mundo de rádio, cada um num carro, muita segurança. Quando a gente tava chegando eu peguei o rádio e falei pro Rodolfo ir primeiro, porque vai todo mundo pra cima dele e eu vou direto pra loja. Quando o Rodolfo entrou, eu comecei a sair, mas eles sacaram que tava um em cada carro e foi todo mundo pra cima de mim. Os seguranças ficaram com medo que pessoas quebrassem a loja e mandaram que tirassem a gente o mais rápido possível. E pra gente sair armaram todo um cordão e fizeram um coque no meu cabelo. Nessa, romperam o cordão e arrancaram o coque, o cabelo... Quando a gente tava chegando perto do carro, o segurança destravou a porta, e as outras destravaram também. Parecia “A Volta dos Mortos-Vivos”! Pessoas entrando por todos os lugares do carro.
Como você imagina o Raimundos daqui a 10 anos?
Eu imagino o Raimundos daqui a 10 anos, como um trabalho. Eu vou estar com os cabelos completamente brancos. Daqui a 10 anos o Canisso vai estar com 43, eu com 36, Digão com 38 e o Rodolfo com 36. Caramba, Rolling Stones total! Cara, se eu chegar aos 50 que nem os caras dos Stones tá beleza. Eu consigo imaginar a gente tocando daqui a 10 anos.
RODOLFO: UM PEÃO NO ROCK
Empolgado com a gravação de “Só No Forévis”, Rodolfo atendeu à Rock Press com uma simplicidade às vezes difícil de se encontrar em bandas do mesmo porte que o Raimundos. Além de falar sobre o gravação em si, ele revelou também seu projetos para o mercado fonográfico brasileiro, e para revitalizar a cena rock de Brasília. Com vocês, um legítimo peão do rock:
Como foi a gravação do disco novo?
Foi o bicho cara, foi a gravação mas maneira do mundo. De todos os discos da gente, foi o mais alto astral, clima bom, as músicas saíram fácil, foi gravado até num tempo bem rápido, um mês e meio.
Por que vocês resolveram dessa vez fazer o álbum todo no Brasil?
Porque lá fora foi a maior merda do mudo, eu não gosto dessas paradas de sair fora, não...
Você acha que o “Lapadas” ficou ruim?
Não é que ficou ruim, mas é aquele negócio, você dá uma festa, compra comida pra c*, a melhor cerveja da terra, e não estão os teus brothers ali. Não tem ninguém, você dá uma festa pra você. A gente gravou, não teve nem participação de ninguém, tava todo mundo isolado, todas as músicas foram feitas lá... Eu não gosto de sair do Brasil, não, eu gosto daqui e fiquei triste lá.
Mas fazendo uma comparação, a produção lá de fora é tão boa quanto a nacional?
O resultado em termos de música foi muito bom, eu gosto do “Lapadas” pra c*, é um disco porrada pra cacete, eu acho que a gente conseguiu o som que a gente queria naquele disco. Mas esse foi muito mais astral, as músicas estão muito mais legais, mais peão...a produção aqui fechou o time, esses caras são os caras.
E como é que está em termos de letras, as sacanagens estão de volta?
É uma questão de momento, eu nunca forcei essas paradas, não, elas sempre saíram numa boa. Esse tem umas sacanagenzinhas, mas eu não penso muito nisso, não. O fato de eu estar mais em casa, fez com que saísse mais esse tipo de coisa.
E o som, como é que está?
Continua a mesma porrada, mas tem umas músicas mais bonitas. Tipo assim, não tão hardcore, aquela gritaria. Tem uns hardcores mais cantados. Rápido pra c*, mas cantado. Tem mais melodia nesse disco. O “Lapadas” é muito falado, as músicas são muito rápidas. Nesse cada música tem mais melodia, e tem umas músicas gritadas também. Esse disco tá variado pra c*. Saca aquela viagem do “Lavô Tá Novo”? Cada música é de um jeito naquele disco, e esse tá assim, mais ou menos do mesmo jeito, bem variadão. Mas tá peão do mesmo jeito, a mesma coisa.
Como é ser “peão do mesmo jeito”?
Cara, peão, é porque a gente é peão. O Raimundos chamou a atenção quando apareceu porque era peão. Na definição da mídia tinha aquele negócio do forró, de duplo sentido, sacanagem, não sei lá o que. Isso é pra gente é “peãozisse”. Tipo assim, pra você ver o que eu estou te falando, o “Lapadas” é um disco que não é muito peão, é legal pra c*, mas não é peão. Esse tá mais peão, tá peão demais até.
Pode ser considerado um retorno às origens?
Total, só que numa nova fase. Não é uma parada que vem tipo, um outro Raimundos, é o mesmo Raimundos. Lembrando o antigo, mas é novo. Nesse disco as músicas estão muito bonitinhas, umas músicas maneiras da porra.
As músicas foram todas feitas no estúdio, ou vocês já tinham alguma coisa pronta?
No “Lapadas” a gente sofreu, muita música foi feita lá. Agora, quando a gente começou a ensaiar, já tinha umas quatro feitas, o Digão já tinha vários riffs gravados, neguinho já cheio de idéia. Entramos no estúdio e já estava tudo pronto... Só faltavam três letras que saíram assim, sem fazer a menor força. Foi maravilha, esse disco foi o maior relax. Ainda mais que foi na frente do surf (o estúdio AR fica na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, a uma quadra da praia). Era todo tia: chegava no estúdio, um surfezinho antes de gravar, um surfezinho depois. Qualquer meia hora que você dá uma caidinha e já vale teu dia.
Não rolou de fazer uma surf music, colocar uns riffs tipo Dick Dale?
Rapaz, não sei não, mas tem umas guitarras muito loucas, uma viagens...Você falou uma parada legal, o surf com certeza influenciou esse disco sim. O Digão também tá á pegando altas ondas.
Você tocou nesse disco?
Eu toquei duas guitarras só. Porque eu componho muito junto com o Digão. A gente sempre dá opinião em tudo pra todo mundo se amarrar em tudo. Não é tipo “a guitarra é a sua parte, faça ela”. A maioria das guitarras que eu iria gravar, seria a mesma coisa da guitarra do Digão, e ia embolar o som, porque seriam duas pegadas diferentes. Então ele grava tudo, e aquela que tem alguma coisa que teria que fazer ao vivo mesmo, eu fui lá e gravei, só com o som da minha guitarra, sem nenhum efeito.
A banda acaba de fazer dez anos, já vendeu muitos discos... O que você acha?
Tô velho pra c*... Eu tô amarradão, eu agradeço a Deus todo dia, de poder fazer uma parada que é o meu hobby. Me dá satisfação pra c*. O resto da batalha a gente tá aí mesmo, pra lutar, passar por cima dos problemas, e continuar.
Porque que você acha que poucas bandas nos anos 90 se deram bem?
Eu acho que tem muita banda boa que não se deu bem. Eu acho que a coisa começou legal pra c*, selos independentes... Essa é a alma da parada. Com a volta de novos selos, vai voltar a ter bandas legais. Uma gravadora quer pegar um produto que já venda, uma coisa certa, quer ter retorno, porque é uma multinacional. Tudo isso é compreensível. As bandas precisam dos selos independentes, porque eles deixam elas fazerem o que elas querem. Aí dá qualidade, não vira um lance de padrão de rádio, uma banda pra vender. Eu tô até lançando um selo, com um amigo meu lá de Brasília.
Então abre o jogo...
Chama Domingas Discos, e a gente tá lançando um disco nosso, uma bandinha em que eu tocava antes do Raimundos, o Royal Straight Flash. O disco já está pronto, eu vou lançar dois discos no mesmo mês, isso é muito f*.
E qual é o som?
É um hardcore bem doido, falando de maldades. O Evandro faz umas letras muito doidas, e eu só toco guitarra. O CD já está lá em casa, são mil cópias. É uma parada que ninguém faria. O Domingas Discos vai ser uma grande empresa. Tipo assim, se você quer lançar alguma coisa pelo Domingas, você chega lá e paga metade, a gente paga metade, ai chegam os discos cada um fica com a metade, vende sua parte e pronto. Sem contrato, sem p* nenhuma. É uma parada pelo movimento. Pra banda que não tem nada, ela chega e já sai com o CD. É uma parada pela parada, não é por grana.
Como estão as bandas lá em Brasília?
Brasília é uma cidade que gera tanta coisa boa, mas todo mundo rala de lá! Ainda tem um monte de moleques tocando lá. É que tem pouco selo, e o pessoal que tem potencial, faz as paradas e sai. Devia sair, arrebentar, voltar e pregar alguma coisa para a cidade crescer. Não tem local pra se tocar em Brasília. Na nossa época, tinha um espaço f*, chamado Teatro Garagem. Tinha show de pelo menos cinco bandas. Foi na época que saiu a gente, o Little Quail, o Maskavo, Oz, Low Dream, DFC, Os Cabelo Duro... Era banda pra c*, e rolava uma cena. Tinha uma galera no jornal que dava força, que era a mesma que trabalhava no rádio. Você fazia um show, tinha matéria no jornal, sua música de demo tocando na rádio junto com a do Metallica e a do Caetano Veloso. Por isso meu próximo plano e montar uma casa de shows lá, no mesmo estilo do Domingas, juntar mais uns doidos, um dinheiro, e comprar um imóvel. Porque tem esse defeito, a parada acontece, dura três meses, e acaba. Por isso tem que ser imóvel próprio.
LÍDER DO LITTLE QUAIL FOI ANFITRIÃO DO PRIMEIRO SHOW
“Foi uma festa de reveillon que foi feita lá em casa. Os meus pais viajaram, eu decidi fazer a festa escondido, tirei todas as coisas da sala. Era uma sala bem grande, eu morava numa casa mesmo, não era um apartamento. Nós montamos o palco, e a galera foi assistir. O Raimundos abriu o show, depois tocou Little Quail e fechando foi Os CabeloDuro”. É assim que Gabriel Thomaz, na época guitarrista e vocalista do Little Quail explica como foi o primeiro show do Raimundos, na passagem do ano de 88 para 89. “A formação era diferente, era o Digão na bateria, o Rodolfo na guitarra, tinha o Titi, que é o cara que fez “Selim”, nos vocais e o Canisso no baixo. O Fred eu acho que nem estava lá, ele tocava no Zona”, continua.
Naquela época, todas as bandas estavam em início de carreira, todos eram amigos e queriam fazer alguma coisa diferente do rock caracterizado como “dos anos 80”. “O Little Quail é exatamente da mesma época do Raimundos, todo mundo tinha banda de hardcore, mas sem aquelas regras de ser punk, e ter que fazer isso, ser punk e ter que fazer aquilo. A gente era uns moleques, zoação total, queria fazer umas coisas diferentes”, comenta Gabriel.
Com essa atitude, é de se estranhar que o Raimundos tenha começado como uma banda de covers, mas Gabriel explica: “O Raimundos no início era Ramones Cover, só que tocar Ramones não era uma coisa muito comum naquela época, as bandas tocavam U2. E aí eles começaram a pegar una forrós que o pai do Rodolfo ouvia e botar numa versão bem Ramones, com os forrós em cima. Ficou uma coisa muito engraçada, muito boa de ouvir”. Assim germinava o que mais tarde toda a mídia brasileira iria chamar de forrócore, ou “peãozisse”, com prefere o vocalista Rodolfo.
Na época, a recém formada banda quase não fazia letras, mas a intenção de fazer zona e não levar a coisa muito a sério foi crucial para as primeiras composições: “O troço do palavrão começou depois, o pessoal achava muito estranho. Tanto o Raimundos quanto o Little Quail era uma coisa muito anti-cabecismo, que dominava total na terra de onde veio Legião Urbana e Osvaldo Montenegro. A onda era essa, falar besteira, porque tirar onda de ser inteligente a gente achava uma merda, tirar onda de poeta a gente achava que era coisa de mané”, completa Gabriel.
Das bandas que tocaram nesse show, só mesmo o Raimundos conseguiu atingir o sucesso do mercado brasileiro nos anos 90. Os CabeloDuro tem uma respeitável carreira no underground, e o Little Quail, depois de gravar dois álbuns, encerrou suas atividades. “O Raimundos fez a coisa certa na hora certa, tiveram muita sorte, coisa e tal”, justifica Gabriel, que agora está à frente do Autoramas, trio que faz um trabalho voltado para a surf music. “Eu acho que é muito bom o Raimundos existir, é uma banda de hardcore que entrou nas paradas, vendeu disco de platina em todos discos que eles lançaram, e quebraram um monte de barreiras”, finaliza, com propriedade.
BANDA DECRETOU PADRÃO BAIXARIA PARA A GERAÇÃO DOS ANOS 90
No mundo pop é assim, nada se cria, tudo se copia. Qualquer grupo que chega ao topo das paradas, arregala os olhos do mercado, que sai à caça do novo ícone, dentro dos moldes do anterior. Nos anos 90, a incansável busca do novo Nirvana, ou ainda da nova Seattle, foi uma constante.
No rock brasileiro não poderia ser diferente, pois são as mesmas gravadoras, os mesmos esquemas, o mesmo sistema. Assim, os padrões “engraçadinho” (na cola dos Mamonas Assassinas), “maconheiro sangue bom” (do Planet Hemp) e a “baixaria nordestina” (pregado pelo Raimundos) se proliferam de norte a sul do país. Com o fim precoce dos Mamonas e a perseguição política ao Planet, só sobrou a baixaria do Raimundos.
O resultado foi drástico. Milhares de bandas tentando descolar uma nova forma de misturar forró com rock (mesmo em estilos mais conservadores como o heavy metal), e de escrachar com mulher de uma forma geral, atingindo níveis de mau gosto nunca antes alcançados. Até algumas bandas com carreira internacional consolidada caíram no erro de misturar (ou maquiar) as tais “influências brasileiras”, como o Angra e o Sepultura, por exemplo.
E o problema não era só o uso do palavrão, fato comum no rock em qualquer lugar do planeta. O problema é como o termo chulo é utilizado, em geral gratuitamente, revelando um péssimo gosto, do ponto de vista estético. O primeiro álbum do Raimundos é um exemplo típico, e espalhou essa semente em toda uma nova geração de fãs e, por conseguinte, de bandas.
Entupiu-se os escritórios das gravadoras e as redações das revistas especializadas com todo esse lixo. Algumas bandas chegaram ao lançar trabalhos por grandes gravadoras, mas a grande maioria, é óbvio, não conseguiu ir em frente, não só por uma questão do mau gosto em si, mas sobretudo por se tratar de um sub produto de outro grupo, a falta de criatividade plena.
BANGUELA MOSTROU O CAMINHO PARA OS SELOS INDEPENDENTES
Criado pelo jornalista e produtor musical Carlos Eduardo Miranda, em parceria com parte dos Titãs (o primeiro entrava com as bandas, e o segundo com a grana), o selo Banguela foi o primeiro no cenário nacional a conferir uma certa viabilidade para o lançamento de novas bandas a custo reduzido e com distribuição por uma major, no caso a Warner, a mesma gravadora dos Titãs.
A idéia foi tão boa que boa parte das grandes gravadoras passou a apostar nos novos selos, principalmente os regionais, dado o tamanho do nosso país. A Sony criou o Chaos, que acaba de completar cinco anos, a BMG ressuscitou o Plug, e a Polygram possui um verdadeiro cast de pequenos selos dos estilos mais variados, que já lhe rendeu artistas como Zeca Balero, Júpiter Maçã e Acabou La Tequila, entre outros.
Mais ainda, mostrou a viabilidade (ainda não consolidada) de se erguer um mercado para bandas e estilos de pequeno e médio porte, sem a necessidade de altos investimentos, e tampouco, de grandes astros. Provou que uma banda pode sobreviver no mercado sem vender milhões, mas sendo a profissão de seus integrantes.
O que a Banguela não conseguiu foi convencer a Warner (e nem as outras majors) disso. Resultado: num processo antropofágico, a Warner digeriu o sucesso do Raimundos, e deixou de lado todas as outras bandas do selo, que teve que acabar. Essa é uma questão até hoje mal esclarecida, não se sabe se existem problemas legais ou mesmo jurídicos, mas boa coisa não foi.
A versão oficial dá conta de que o contrato com a Warner foi rescindido, e o novo cast da Banguela teria passado para a Excelente Discos, de propriedade de Miranda, inicialmente distribuído pela Polygram (atual Universal), e depois pela Abril Music.
À frente do Banguela, Miranda capitaneou o maior número possível de bandas novas, mas não teve o apoio da Warner para lançar todas, como a Graforréia Xilarmônica, o Liguachula, e o sem número de bandas que participaram das três coletâneas lançadas pelo selo.
O mais importante, porém, é que a partir daí gravadoras independentes pipocaram por todo o país, ampliando o mercado e os horizontes da mídia. O Banguela cumpriu o seu papel. Que cada novo selo também faça a sua parte.
A turnê começa hoje, num show a ser realizado na Flórida, e a única exceção prevista é a apresentação dentro do Bannaroo Festival, que acontece a partir de amanhã, no Tennessee. A venda desse conteúdo para o público prevê ainda sorteio de ingressos para shows do Pearl Jam dentro dessa mesma turnê.
O disco foi produzido por Danny Saber, Greg Hampton e o próprio Alice Cooper, e teve a participação especial de Slash na faixa "Vengeance Is Mine". Veja quais as músicas que estão no disco, agora na ordem definitiva:
1- Prologue/I Know Where You Live
2- Vengeance Is Mine
3- Wake The Dead
4- Catch Me If You Can
5- (In Touch With) Your Feminine Side
6- Wrapped In Silk
7- Killed By Love
8- I’m Hungry
9- The One That Got Away
10- Salvation
11- I Am The Spider/Epilogue
Os mais apressadinhos (lá em Londres) poderão receber o disco gratuitamente, em formato pen-drive, caso decidam ir ao show de Brett no Mermaid Theatre, dia 7 de julho. O detalhe é que o show será todo feito em cima do repertório de "Wilderness".
A única diferença é que o grupo californiano não usa o site MySpace.com, e sim o IMEM. Para escutar o disco, basta acessar esse endereço: www.imeem.com/theoffspring. Confira o título das 12 faixas:
1- Half-Turism
2- Trust In You
3- You're Gonna Go Far, Kid
4- Hammerhead
5- A Lot Like Me
6- Takes Me Nowhere
7- Kristy, Are You Doing Okay?
8- Nothingtown
9- Stuff Is Messed Up
10- Fix You
11- Let's Hear It For Rock Bottom
12- Rise And Fall
Senão vejamos. Nas últimas três quartas-feiras, a torcida brasileira (sobretudo a tricolor) viveu emoções a flor da pele, com jogos extraordinários contando, pela ordem, com os seguintes ingredientes: um gol de classificação no último segundo, um empate heróico na casa do adversário e uma virada sensacional. Aqui no Rio, com exceção de uns parcos “secadores” que arrumaram briga até com a torcida argentina, todo mundo é tricolor. Nos bares, nas esquinas, nas cidades, quase todos os lugares, todo mundo é tricolor, como bem notou o veterano Carlos Eduardo Novaes. Pelé, Zico, Roberto Dinamite, o cobrador do ônibus, todos querem o Flu campeão das Américas. A empolgação que saiu do gramado e contagiou uma cidade inteira é tanta que, nas Laranjeiras, ao invés de tratarem de treinar jogadas, finalizações e outras estratégias de jogo, o negócio é segurar a onda do “já ganhou” para enfrentar os dois dificílimos jogos contra a LDU.
Olhando para o outro lado da Dutra, vemos um Corinthians renascendo das cinzas mais rápido do que se imaginava. Na série B, após cinco rodadas, o time é líder absoluto, invicto e com cinco vitórias seguidas. Sou do tempo em que, quando uma equipe caía para a segunda divisão, dizia-se que, se não tomasse cuidado, não conseguiria voltar para a primeira tão cedo. Pois o Corinthians, após cinco rodadas, já voltou. Mais que isso, chega a final da Copa o Brasil como favorito frente a um fulminante Sport, que destronou simplesmente Internacional, Palmeiras e Vasco. Torço pelo timão porque não quero ver time pequeno representando o Brasil na Libertadores de 2009. E temo que a polícia de Pernambuco, que continua impune, volte a estragar o espetáculo – dispensável o apoio dado a um policial pelo jogador do Sport através de um cumprimento, no domingo, após marcar um gol sobre o Palmeiras.
Envolto a esse turbilhão de emoções, o Brasileirão tinha mesmo que dar o ar da graça o último final de semana. O São Paulo parece ter curado a ressaca da eliminação da Libertadores e emplacou um impiedosa goleada sobre o Atlético Mineiro, construída em menos de meia hora. O Flamengo, que há trezentos anos não começava bem uma campanha, ruma ao título vencendo em casa – sua especialidade – e aproveitando o mole que os adversários lhe oferecem. E para apimentar ainda mais a disputa, os lamentáveis erros de arbitragem deram o ar da graça, no que eu aqui peço licença para convertê-los numa espécie de “atrativo a mais”. Porque quem escala um energúmeno como Wilson de Souza de Mendonça (ou nome que o valha) para apitar uma partida só pode estar querendo apimentar a coisa mesmo. Digo isso depois de saber que o chefão da comissão de arbitragem deu razão ao notório criador de confusões, validando uma interpretação que foi por terra em 1991, há 17 anos, justamente a que acaba com a chamada “defesa em dois tempos”.
Enquanto a emoção rola solta nessas três competições, eis que, na Eurocopa, espécie de Copa do Mundo sem Brasil e Argentina, os jogos dão uma canseira na gente. As vitórias da República Tcheca sobre a Suíça e da Croácia sobre a Áustria, e o empate entre Romênia e França (aonde os goleiros não chegaram a fazer defesas) foram de doer. Salvou-se, como de hábito, uma espetacular exibição da Holanda, que sapecou três a zero na Itália campeã do mundo, jogando em exuberantes contra ataques. Que futebol europeu que nada.
E aí, meus amigos, quando tudo começa a embalar aqui no Brasil, eis que uma parada de cerca de 15 dias é anunciada, justamente para que o Brasil dispute mais duas partidas pelas eliminatórias, as mais difíceis, contra Paraguai e Argentina. A mesma seleção que não empolga, treinada por um técnico novato, terá a chance de se mostrar ao mundo. E é aí que mora o perigo, mesmo porque, sem time, não há padrão de jogo, e as chances de vitória, nas duas partidas, são mínimas. Por incrível que pareça, nossos campeonatos, hoje, são mais legais que os jogos da seleção. Quem diria...
Até a próxima que o Boca se calou!!!
Ainda assim, o empresário deixou claro que a estratégia de lançamento do sucessor de "How To Dismantle An Atomic Bomb" utilizará toda a tecnologia disponível para tornar a aquisição do álbum o mais interessante possível.
O novo disco do AC/DC, ainda se título, já está finalizado, teve a produção de Brendan O'Brien (Pearl Jam, Bruce Springsteen, Audioslave) e é o primeiro desde "Stiff Upper Lip", lançado em 2000.
Page e Jones tocaram duas músicas: "Rock'n'Roll" e "Ramble On". Na primeira, Dave Grohl voltou para a bateria, instrumento o qual foi revelado no Nirvana, deixando o vocal para o baterista Taylor Hawkins. Durante a semana boatos davam conta que a participação aconteceria, mas um animado Dave Grohl definiu o momento como "o dia mais foda da minha vida". Faz sentido...
Dave Mustaine continua sendo um dos mais emblemáticos representantes da música pesada
Set list:
1- Sleepwalker
2- Wake Up Dead
3- Take No Prisioners
4- Skin O' My Teeth
5- Washington Is Next!
6- Kick The Chair
7- In My Darkest Hour
8- Hangar 18
9- She Wolf
10- A Toute Le Mond
11- Tornado Of Souls
12- Sweating Bullets
13- Symphony Of Destruction
14- Peace Sells
15- Holy Wars… The Punishment Due
A julgar pelo título do álbum (algo como "me salvando de mim"), a "salvação" continua sendo o tema preferido do guitarrista. Assim que deixou o Korn, por conta da conversão a uma religião, "Head" lançou o livro "Save Me From Myself: How I Found God, Quit Korn, Kicked Drugs, and Lived to Tell My Story”, algo como “Salvo de mim mesmo: Como encontrei Deus, saí do Korn, me livrei das drogas, e vivi para contar a minha história”), o que causou um certo descontentamento entre os integrantes remanescentes.
Recentemente boatos indicavam a volta do Korn com a formação original, o que incluiria "Head", mas a banda já está trabalhando no próximo álbum, com o produtor Ross Robinson, contando apenas com o trio formado por Jonathan Davies (vocal), Reginald "Fieldy" Arvizu (baxo) e James "Munky" Shaffer (guitarra). Ou seja, muitos convidados devem aparecer no estúdio para turbinar a banda.
Em entrevista ao site da Billboard, o baterista Brann Dailor disse estar animado com um improviso de cerca de 15 minutos que pode virar uma música. O depoimento reforça a vocação da banda para a experimetação. Duas músicas já estão bem encaminhadas - "Divinations" e "Oblivion"-, mas o disco só chegas às lojas no final do ano. O vocalista do Neurosis, Scott Kelly, deve partcipar em uma das músicas.
O Police anunciou a turnê mundial de reunião em fevereiro do ano passado, um dia após terem tocado na cerimônia de premiação do Grammy. A turnê começou em maio, no Canadá, passou por Estados Unidos, Europa, Ásia, Oceania e até pelo Brasil, num show único no Maracanã, em dezembro. A turnê da banda foi apontada como a mais rentável de 2007.
Durante esse período, diversas vezes foi aventada a possibilidade de a banda lançar um álbum com músicas inéditas, o que de fato não aconteceu. O lançamento de um DVD com um dos shows dessa turnê, no entanto, é praticamente certo.
1- Dónde está la Playa
2- Flamingos (for Colbert)
3- On the Water
4- In the New Year
5- Seven Years of Holidays (for Stretch)
6- Postcards from Tiny Islands
7- Red Moon
8- Canadian Girl
9- Four Provinces
10- Long Time Ahead of Us
11- The Blue Route
12- New Country
13- I Lost You
14- If Only It Were True
1- Sleepwalker
2- Wake Up Dead
3- Take No Prisioners
4- Skin O' My Teeth
5- Washington Is Next
6- Kick The Chair
7- In My Darkest Hour
8- Hangar 18
9- She Wolf
10- A Toute Le Mond
11- Solo de guitarra
12- Tornado Of Souls
13- Ashes In Your Mounth
14- Burnt Ice
15- Sweatig Bullets
16- Symphony Of Destruction
17- Peace Sells... But Who Is Buying?
19- Holy Wars
Nessa vastidão multi-referenciada, o grupo acaba pecando por dois fatores cruciais, sobretudo nesses tempos de triunfo da música independente no mercado fonográfico brasileiro. Primeiro que a produção do disco deixa muito a desejar, dando a impressão de que o descaso com as gravações foi total, como ser independente fosse pretexto para fazer mal feito. Depois, não há a mínima cumplicidade estética entre as vozes feminina e masculina, isso sem falar que talvez os timbres delas (ao menos sob essa produção desamparada) sejam realmente incompatíveis. A de Ricardo Kudla, que também toca baixo, é de desanimar, mas a da tecladista Marcella Yoshida também não ajuda.
Mas há que se registrar que, apesar de tudo, é possível pinçar uma ou outra música que, melhor trabalhada, poderia render bons frutos. É o caso da boa “Autista”, e de “Poente”, envolvente e bem sacada, que se perdem entre as outras 11 faixas. Bem intencionado e até com um belo apelo estético (arte + letras), o disco, no entanto, com cômputo geral, é mal resolvido, perdido que se encontra num labirinto de referências que não se comunicam entre si. Assim, fica difícil o próprio Revoltz ter eco junto ao público e ao mercado, a não ser que volte para o início e faça direitinho o dever de casa.
Kay Hansen: simplesmente o cara
O montante em dinheiro que Ozzy irá receber com o processo deve ser doado o Sharon Osbourne Colon Cancer Program. O jornal "Daily Star", de seu lado, pediu perdão pelos problemas provocados ao músico pela matéria, e admitiu que as afirmações da reportagem eram realmente falsas.
Na versão deluxe, "Boy", o primeiro álbum, vem com as faixas inéditas "Speed of Life", "Saturday Night" e "Cartoon World", além de um remix para "I Will Follow" e versões ao vivo de "Boy-Girl" e "11 O'Clock Tick Tock". O segundo disco, "October", vem com várias músicas gravadas ao vivo no Hammersmith Palais, em Londres, e no Paradise Theatre, em Boston, Estados Unidos. Essas faixas incluem "Gloria" e "I Will Follow", e há ainda um remix para "Tomorrow".
"War", o terceiro á'bum, famoso pelos hits "New Year's Day" e "Sunday Bloody Sunday", vem com a inédita "Angels Too Tied to the Ground" e remixes para "New Year's Day" e "Two Hearts Beat as One", além da versão 7" para (de novo) "New Year's Day". Resta saber se isso tudo sai no Brasil também, né?
Se tem, por que cargas d’água alguém do referido jornal pautou essa matéria, e, mais ainda, por que o editor topou fazê-la? Eu mesmo respondo: porque os caras que trabalham em grandes jornais ficam engordando barriga na redação e não sabem o que está, de fato, acontecendo. Vivem de ler e-mail e de receber faxes que vão preencher as colunas do jornal a cada dia, a cada final de semana. Sempre digo e volto a repetir: o jornalista tem que ir onde o fato está. O jornalista que escreve sobre música, sobre rock, tem que ir onde o show está. Senão, cai em asneiras como a matéria que estampou a capa daquele caderno cultural.
Mais ainda. Como já havia observado em outras matérias do mesmo jornal, a escolha das fontes foi terrível. Imagine perguntar para o baterista do Titãs, uma ex-banda em atividade, se existem lugares para tocar. A resposta dele foi hilária e óbvia. Tocamos em feiras agro-pecuárias, disse o baterista. João Baroni, do Paralamas, foi mais longe: adolescente é um saco. Ora, meus amigos, esses senhores já perderam o fio da meada quando o assunto é rock, e logicamente não seriam eles a dizer onde se toca rock no Rio ou e qualquer outra cidade. Eles e suas bandas já fizeram a parte deles e hoje vivem curtindo o sucesso do passado. Nada contra, parabéns! Erro que quem os escolheu para tal matéria.
Se querem saber onde se toca rock no Rio, perguntem ao Renato Martins, vocalista, guitarrista e faz tudo do Canastra. Ou ao Gabriel Thomaz, líder e dublê de empresário do Autoramas. Cito essas bandas e poderia citar outras, não fossem essas que me viessem à cabeça como exemplo de quem faz o novo rock e corre muito atrás para fazer shows e tirar deles o sustento. Esses caras sabem onde tocar, no Rio – tema da reportagem – ou em qualquer lugar. Mas, também, tirem a barriga de trás das mesas e partam para a rua, vão lá ver onde tem e onde não tem banda nova ou espaço para tocar. Senão, não vão conseguir, na clausura das redações, esperando a sacolinha da gravadora chegar, apurar nada.
Não sei se vocês já perceberam, mas o mundo da música tem mudado muito. Não se descobre, hoje, um novo artista tocando no rádio. Ele está, isso sim, na internet, em sites de relacionamento, próprios, ou desses em que se posta e se escuta música gratuitamente, como o MySpace.com. O artista novo, de qualidade, raramente aparece lançado por uma gravadora. Essas empresas cavaram sua própria sepultura durante anos, e ainda tentam se adequar ao mundo mutante (nada a ver com a novela da Record) de hoje. Envergonha-me aqui proclamar o óbvio, meus amigos, mas, como sempre digo, o óbvio é como a luz forte demais, que, de tão clara, cega. Só isso explica matérias como aquela publicada pelo tal jornal.
Já disse, repeti, mas não foi o bastante. A música nova de nossos tempos, sobretudo o rock, passa necessariamente pelos festivais independentes, é lá que se apresentam novos artistas, e eles, por sua vez, se autopromovem na internet, fazendo shows aqui e acolá, no corpo a corpo virtual e físico que o “ter banda” sempre impôs. Não é possível falar de nova música sem os festivais independentes. Até a caquética Petrobrás, do alto de seu conservadorismo, enxergou isso e quer capitalizar em cima. De uma forma intrometida e arrogante, mas não se pode ficar com tudo, não é mesmo?
Aí, sim, talvez cidades cosmopolitas como Rio e São Paulo estejam marcando touca por não ter elas próprias (em profusão, não só o Humaitá Pra Peixe) os seus festivais independentes – se é que essas cidades, badaladas, têm vocação, hoje, para isso. No passado o Rio já teve, senão o rock dos anos 80 não teria saído de dentro do Circo Voador e das ondas da Fluminense FM para conquistar este Brasil varonil. Hoje, o Circo pratica condições inacessíveis para novos artistas e vira as costas para o novo rock, e rádio, como já disse, não existe mais. O Circo hoje são as pequenas casas espalhas pela cidade e a rádio está dentro do computador. Outros tempos, outras formas, mas o mesmo rock e sua vocação para a vanguarda.
Como entusiasta do rock, admito que sempre sofri com a notícia de que ele, o rock, estava para acabar. Agregado à bandeira da juventude de todas as épocas, o rock teme o seu fim a cada dia, e nesse mesmo dia a renovação sempre vem, com novas bandas e artistas, as chamas cenas, movimentos e o escambau. Basta pensar que o rock vai acabar, que é dali que ele renasce, tal qual uma fênix, mais forte e renovado que nunca. Só é preciso olhar em volta para ver o óbvio.
Até a próxima e long live rock’n’roll!!!

Comendo pela beiradas. Essa é a expressão que melhor reflete o processo que levou o Nightwish a se transformar num dos ícones do heavy metal europeu. Com um estilo único e absolutamente original, o grupo da Finlândia fundiu com maestria o peso do heavy metal tradicional, com ênfase nos teclados, com a “voz de ópera” da vocalista Tarja Turunen.
O Nightwish se formou no final de 1996, e além de Tarja, conta com Tuomas Holopainen, teclados, Marco Hietala, baixo, Emppu Vuorinen, guitarra, e Jukka Nevalainen, bateria. Em 1997, lançaram o discreto álbum de estréia, “Angels Fall First”, mas foi com “Oceanborn”, no ano seguinte, que o grupo decolou para uma carreira internacional. O disco serviu de passaporte para os shows em vários países da Europa, conquistando fãs a dar com o pau. “Wishmaster” de 2000, além de ser considerado o grande álbum do Nighwish, marcou uma nova fase, em que a vocalista Tarja assumiu a liderança dentro do grupo, muito embora seja Tuomas o principal compositor e arranjador.
Em 2002, depois de um DVD/CD ao vivo (“From Wishes to Eternity”) e um EP (“Over The Hills And Far Away”), com o clássico homônimo de Gary Moore, o grupo passou a ter a distribuição mundial da Universal, a partir do último álbum, “Century Child”. Conhecidos dos brasileiros, que já viram duas turnês do Nightwish, os músicos a banda não hesitam em apontar os shows do Brasil como os melhores de suas vidas. No último, no Rio, eles nem queriam deixar o palco, diante de inacreditáveis 3 mil extasiados fãs.
Confira abaixo a entrevista que o tecladista Tuomas concedeu a Rock Press, com exclusividade, via e-mail:
Aos poucos o Nightwish foi conquistando grande sucesso, especialmente na Europa, mas também aqui no Brasil. Como esse processo aconteceu dentro da banda?
Nós temos sido muito honestos com o que fazemos, e vivemos um dia de cada vez. Nós não tínhamos nenhuma expectativa no começo, era tudo por diversão e para externar sentimentos em forma de música. Esse tipo de fórmula acabou dando certo para nós, e depois de algum tempo tocando juntos, quebramos primeiro a barreira da Finlândia, depois da Europa e também da América do Sul.
A primeira vez em que vocês estiveram no Brasil foram apenas dois pequenos shows, e dessa vez vocês tocaram para lugares lotados. Que diferenças você vê entre essas duas turnês?
As duas turnês estão entre as melhores coisas que nós já experimentamos. Na primeira vez em que tocamos em São Paulo foi um grande choque cultural para nós. O público estava bastante entusiasmado, de uma forma que você não vê na Europa. A última turnê superou tudo que nós vimos na turnê do “Wishmaster”, dois anos antes, mesmo já sabendo o que esperar. Brasil e América do Sul têm um lugar especial nos nossos corações.
Existe um tipo de competição entre você, que compõe quase todas as músicas e a Tarja, que canta e é a “front woman”?
Nunca. Eu acho ótimo que ela tenha se transformado na “cara do Nightwish”. Eu escrevo quase todas as letras e músicas, então o Nightwish é uma criação minha e eu sei que os fãs gostam da banda. Todos na banda estão muito satisfeitos com a posição que cada um tem.
Muitos acreditam na saída de Tarja do Nightwish. O que há de verdade nisso?
Esse boato ultrapassou todas as proporções! O que acontece é que Tarja está estudando na Alemanha nesse momento, numa escola de música muito rigorosa, e como ela dedicou cinco anos ao Nighwish, agora é hora de dar um ano para ela se concentrar nos estudos. Nós ainda vamos tocar em alguns festivais no próximo verão e um novo álbum está planejado para o verão de 2004.
No ultimo álbum, pela primeira vez, Tarja dividiu os vocais com Marco Hietala, que acabou de entrar na banda. Ele seria um eventual substituto, no caso de Tarja deixar a banda? Ou vocês só estão interessados em dividir os vocais entre masculinos e femininos, como fazem bandas como Trail of Tears, por exemplo?
Eu não acho que o Nightwish existiria sem a Tarja, e estou realmente surpreso e achando graça sobre algumas reações, de que nós vamos substituir tarja por Marco. É uma bobagem. Eu simplesmente quis tentar alguma coisa nova para o álbum “Century Child”, e o uso de vocais masculinos me deu oportunidades como compositor. E eu não falaria em dividir vocais, desde que definitivamente Tarja é a vocalista solo.
“Century Child” é o álbum mais vendido do Nightwish, mas boa parte dos fãs prefere o “Wishmaster”. Você sentiu-se pressionado a compor alguma coisa semelhante a esse álbum?
Sempre houve pressões. Mas não como se eu precisasse fazer alguma coisa semelhante ao “Wishmaster”, ou algo para satisfazer os fãs. Eu quero me superar a cada álbum e não há razão para fazer o mesmo álbum duas vezes. Para mim é importante sempre buscar alguns novos elementos na música, mantendo o estilo do Nightwish.
Você considera o “Century Child” o melhor álbum do Nightwish?
Definitivamente, e essa é a opinião de toda a banda. Mas todos os álbuns têm sua força, e eu me orgulho deles.
Como acontece o processo de composição na banda? Você primeiro mostra as músicas novas, e aí a Tarja coloca os vocais? Ou, quando você compõe, você já tem em mente o jeito com que ela deve cantar?
Eu sempre escrevo as linhas de vocal, isso é uma coisa que eu aprendi ser essencial ao longo dos anos. Quando eu tenho a base de uma música, como refrões, melodias, riffs, etc, eu a levo para os ensaios, e então nós testamos com toda a banda e arranjamos a música até que todos estejam satisfeitos. Depois disso, eu escrevo as letras finais.
Atualmente há muitas bandas com vocais femininos, muitos no estilo erudito. Você acha que há espaço para todas elas, ou a maioria se repete, tentando soar como o Nightwish?
Eu ouvi algumas comparações, mas todas essas bandas, na minha opinião, têm seus próprios estilos. Se o Nightwish é uma inspiração para algumas bandas, isso é uma gentileza, uma coisa legal da qual eu me orgulho.
Existem vários motivos para o fenômeno, e que não passam necessariamente pelo desinteresse pelo Campeonato Brasileiro, muito menos, repito, por esse início assim, assim. Acontece que passamos todos – a mídia principalmente – o ano inteiro falando em ser campeão, por uma “luta por pela Libertadores”, por uma “vaga na Sul-americana” e por uma “fuga do rebaixamento”. Como ser campeão é objetivo alcançado apenas por uma equipe, rebaixamento é coisa de derrotado e Copa Sul-americana, ao menos por enquanto, soa mais como prêmio de consolação, é a Libertadores a grande vedete. Quem passa o ano todo falando em conseguir ir para a Libertadores, quando está nela não pode ter outra prioridade mesmo.
Por isso o técnico Renato Gaúcho não tem outra saída que não seja jogar todas as fichas na semifinal de amanhã e colocar os reservas para disputar, por hora, o Brasileirão – o Boca fez o mesmo no Campeonato Argentino. É bem verdade que o Fluminense poderia ter um time de reservas melhor do que este que conquistou apenas um ponto em 12 disputados, mas isso, agora, não vem ao caso, é conversa para o planejamento da próxima Libertadores que o clube disputar – e pejo jeito outras virão. O próprio Renato, domingo, após a derrota para o Flamengo, resumiu o Campeonato Brasileiro à tal vaga na Libertadores, praticamente ignorando o título. Ele, a equipe, o clube, a torcida, todo mundo só quer saber da Libertadores. Ao menos por enquanto.
Outro fator que reforça a Libertadores mania é a inevitável comparação, ainda que desigual, com a Copa dos Campeões da Europa. O aumento das transmissões via internet e TV de jogos internacionais, e não só em canais à cabo, trouxe para dentro da casa do torcedor equipes que ele só conhecia de nome e jogadores só vistos a cada quatro anos, em Copas do Mundo. Se antes só se ouvia falar de Milan, Manchester, Barcelona, PSV, Bayer e afins, na hora em que nossos craques eram transferidos para o exterior, agora torcedores – sobretudo os mais jovens – sabem de cor e salteado a escalação desses times e chegam a, literalmente, torcer por eles.
Pois a Copa Libertadores (com esse belo nome) passou de algo sujo e truculento a versão das Américas para a Copa dos Campeões da Europa. É, já, na prática, espécie de Copa dos Campeões da América. Disse ali em cima que a comparação é desigual porque ainda somos muito pouco organizados e nossas equipes, por causa disso mesmo, em geral não têm tantas estrelas como as de lá do outro lado Atlântico. Muito embora volta e meia saia daqui o campeão mundial. Assim como lá, o formato Copa traz de volta a emoção perdida na reverenciada justiça e correção dos pontos corridos, além de carregar uma bandeira de dominação extramuros das mais instigantes para o torcedor, que vê sua equipe como a desbravadora e conquistadora do continente, e, depois, do mundo. Tudo fantasioso, mas que motiva, e muito, o torcedor de um clube de futebol.
Por último a motivação que deveria ser enumerada um primeiro lugar, que é a remuneração recebida pelos clubes que disputam a Libertadores a cada fase ultrapassada. Não tenho aqui os valores exatos, mas, segundo consta, são bastante fartos. E isso sem falar da arrecadação dos jogos, que deve estar ajudando a um clube como o Fluminense, que seguramente não jogava com o Maracanã lotado, numa quarta à noite, há muitos anos; até aqui já está fazendo isso, ao menos, em duas oportunidades, contra São Paulo e amanhã, contra o Boca. Espaço generoso na mídia, marketing, venda de camisas e afins, e tudo o mais que decorre disso completam as causas da Libertadores mania.
Usei a palavra truculência ali atrás para falar de como era a Libertadores em outros tempos, mas devia tê-la guardado para adjetivar o que fez a polícia do Recife no jogo Botafogo e Náutico, no domingo. Apesar de a imprensa ter se cercado de cuidados para não transformar tudo em uma questão bairrista/xenófoba, o fato é que é a polícia de Recife que atua assim, e deve ser punida, assim como o árbitro, por omissão, e o Náutico, que tem o mando de campo e recebe seus visitantes dessa maneira. Nota-se que não é a primeira vez que isso acontece. O técnico Lori Sandri já saiu e campo algemado e o Palmeiras, recentemente, pela Copa do Brasil, foi vítima dos mesmos tratos. E não adianta dizer que o Náutico é inocente, porque o estádio de porta de vestiário fechada é dele, e a polícia foi chamada por ele. Se o Campeonato Brasileiro é organizado pela CBF (uma entidade privada); se a Confederação Pernambucana é uma entidade privada; se o Náutico é um clube privado, ele que, ao invés da polícia, contrate segurança privada para trabalhar nos jogos em que tem o mando de campo. Não o faz porque concorda com as práticas da polícia de Pernambuco.
O Náutico é culpado, sim, e deve perder mando de capo, ser multado e, até, ser punido com rebaixamento, por não se comportar como clube de Primeira Divisão – o que, de fato, não é. E a prova da culpa é que, diante das imagens vistas por todo o Brasil, da condenação dos profissionais da mídia e do público em geral, todos lá acham que estão certos. Da tenente que tratou um atleta como bandido, passando pelo gênio que decidiu tirar o mesmo atleta do estádio pelo meio da torcida adversária e pelo clube que tranca portas, até chegar às autoridades da polícia pernambucana, eles acham, acreditem, que estão certos – e eis o grande problema. Hora de punição exemplar, sim senhor.
Até a próxima que o Edmundo é um animal!!!
Para Medina o retorno do evento que colocou o Brasil na rota dos grandes shows internacionais, em 1985, será "uma nova revolução". As outras duas edições aconteceram em 1991 e 2001. O produtor disse ainda que pretende reduzir a capacidade de público, de 250 para 150 mil espectadores. Em Lisboa, o Rock in Rio aconteceu em três anos: 2004, 2006, e no último final de semana. Este ano pela primeira vez Madri recebe o festival, nos dias 27 e 28 de junho e em 4, 5 e 6 de julho.
Formada por músicos, produtores e jornalistas, a Rede Rio Música se reúne há cerca de seis meses, e vem discutindo as necessidades daqueles que formam a cadeia produtiva da música no Rio de Janeiro, com a perspectiva de fortalecer e criar negócios inerentes a este circuito. O grupo tem o apoio do SEBRAE/RJ. O Ciclo de Palestras vai até o dia 11. Maiores informações: www.rederiomusica.blogspot.com ou nos telefones (21) 2212 7796 / 9623-7600, com Arthur Bezerra/Sebrae. Confira a programação:
Ciclo de Palestras e Debates da Rede Rio Música
De 3 a 11 de junho de 2008, das 18 às 22h
Universidade Estácio de Sá
Av. Presidente Vargas, 642 – Auditório
Entrada franca
Dia 03 de junho, terça
Debates: Novas Mídias e Formas de Divulgação
Convidados: Paulo Lima (iMúsica), Luiz Pimentel (MySpace - SP), Gabriel Marques (Moptop), Bernardo Palmeira (Binário / Bolacha Discos), Maurício Bussab (Tratore - SP)
Dia 05 de junho, quinta
Palestras: Formatação de Projetos e Captação de Recursos
Convidados: Stanley Whibbe (Sebrae), Cláudio Jorge (Petrobras), Graça Gomes (Alternativa Produções)
Dia 10 de junho, terça
Palestras: Direitos Autorais e Entidades Protetoras
Convidados: Débora Sztajnberg (Debs Consultoria), Glória Braga (Ecad), Chico Ribeiro (Abramus)
Dia 11 de junho, quarta
Debates: Festivais e Eventos Musicais, Associativismo e Empreendedorismo Musical
Convidados: Gabriel Thomaz (Rede Rio Música / Autoramas / Gravadora Discos), Rodrigo Lariú (Rede Rio Música / Associação Brasileira de Festivais Independentes / Midsummer Madness), Léo Feijó (Grupo Matriz), Lencinho (Circo Voador / Mostra Livre de Artes), Pedro de Luna (Rede Rio Música / Araribóia Rock), Bruno Levinson (Humaitá Pra Peixe), Jomardo Jomas (MADA - RN)
1- Catch Me
2- Hungry
3- I Am The Spider
4- I Know Where You Live
5- (In Touch With) Your Feminine Side
6- Killed By Love
7- Salvation
8- The One That Got Away
9- Vengeance Is Mine
10- Wake The Dead
11- Wrapped In Silk
1- Morphogenesis
2- Timewave Zero
3- Quantumleaper
4- Artificial Sun Projection
5- The Missing Coordinates
6- Ghost Prototype I (Measurement of Thought)
7- Fear Catalyst
8- Trapezoid
9- Prism and Gate
10- Holographic Universe
11- The Three-Dimensional Shadow
12- Ghost Prototype II (Deus Ex Machina)
O The Jam acabou em 1982, mas o baterista Rick Buckler e o baixista Bruce Foxton formaram recentemente uma nova versão da banda, chamada From The Jam, com um outro vocalista. Paul Weller, por sua vez, acaba de incrementar sua careira solo com um novo álbum, duplo, que conta com a participação de Noel Gallagher, do Oasis. Mais detalhes aqui.
Nos shows, além do repertório do Tuatha, certamente estarão presentes alguns hits do Skyclad, que já teve vários álbuns lançados no Brasil. "Spinning Jenny", "Penny Dreadful", "Civil War Dance", e a cover para "Emerald", do Thin Lizzy, são algumas já anunciadas pela assessoria de imprensa do grupo. Os shows acontecem no Festival Roça'n'Roll, em Varginha, cidade natal do Tuatha, dia 14 de junho, passa por Campinas dia 20, Ribeirão Preto dia 21, e por São Paulo no dia 22. Mais detalhes no site oficial da banda.