Som na Caixa
31 de maio de 2008
Whitesnake
Good to be Bad

Baixado na Internet.

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Se encomendassem a David Coverdale um disco do Whitesnake que fosse um “best of” da carreira do grupo, o resultado não teria ficado tão bom. Ainda mais se considerarmos que falar de “banda” para quem há dez anos não compunha uma música sequer, e vivia a fazer shows ao redor do mundo no esquema "Coverdale + 10", soa meio esquisito. Mas o Mr. Feeling conseguiu, reunindo seus camaradas dos shows mais recentes, fazer um álbum que é, realmente, a essência do que foi o Whitesnake nesses últimos 30 anos. E nada se pode esperar de revolucionário para quem, a bem da verdade, já escreveu sua história no mundo do rock.

“Good To Be Bad” reúne várias das fases pelas quais o Whitesnake já passou, desde o hard/blues do início, passando pelo hard rock de raiz até a fase mais pop, nos anos 80, com direito às irresistíveis baladas com letras salpicadas pelos “loves” de Coverdale. O hard rock pesadão de “Can You Hear The Wind Blow” nada mais é do que a volta do peso do Deep Purple versão Coverdale/Hughes; “A Fool In Love” só não é um blues genuíno por conta do peso das guitarras, mas lembra a fase que marcou o álbum “Ready An’ Willing” (1980); a faixa-título e “Best Years” bem que poderiam ter entrado em álbuns como “Whitesnake” (1987) e “Slip Of The Tongue” (1989); e as baladas “All I Want All I Need” (belíssima) e “Summer Rain”, e a zeppeliana “‘Till The End of Time” não negam a história de uma das maiores bandas de hard rock em todos os tempos. Sete exemplos que valem pelas 11 faixas do álbum.

Todas as músicas têm a assinatura de David Coverdale e do guitarrista Doug Aldrich, ou seja, volta a se repetir a parceria do Mr. Feeling com guitarristas que lhe dão sustentação. No passado, Mel Galley, John Sykes, Adrian Vandenberg e até Steve Vai, entre outros, já tiveram esse papel. Doug Aldrich está no Whitesnake há cinco anos, e já tocou com nomes de peso como Ronnie James Dio, além de ter integrado bandas de menor expressão. Mas só agora teve a oportunidade de compor e gravar um disco com o Whitesnake, no que se saiu muito bem, seja em evoluções de guitarra como as de “All For Love”, em riffs certeiros como os de “Can You Hear The Wind Blow”, ou ainda em belas melodias, como na melosa “Summer Rain”. Econômico nos solos, mas sempre criativo, soube (obviamente junto com Coverdale) dar um necessário equilíbrio ao repertório do disco.

Além de comandar um retorno do Whitesnake após um deca-hiato, a parte mais difícil para um Coverdale de 56 anos e com a voz carcomida por álcool, cigarros e zilhões de turnês, foi mesmo cantar. Gravando em estúdio, deu para esconder certas deficiências de alcance percebidas nos shows nos últimos anos. Em contrapartida, também não era necessário usar o timbre e o tom de gravações passadas, que é o grande desafio do show. Em boa parte do disco, Coverdale lembra muito o álbum que gravou com Jimmy Page, em 1993, forçando um tom mais rouco e menos alto – caso de “Summer Rain” e “’Till The End Of Time”. Noutras músicas, como “Call On Me”, “Lay Down Your Love” e “A Fool In Love” (na ponte que leva ao refrão), busca o alcance possível com sucesso, e num terceiro grupo apresenta uma impostação diferente de tudo o que já fez desde que saiu de trás de um balcão de loja para cantar no Deep Purple, como na ótima “All For Love” e em “Best Years”. Saldo pra lá de positivo.

Não deixa de ser uma grata surpresa que o Whitesnake consiga lançar um bom álbum como este “Good To Be Bad”, ainda mais se olharmos para seus contemporâneos. Em geral, estão com as carreiras estagnadas ou vivendo de turnês de grandes sucessos, como, aliás, estava o próprio Whitesnake nos últimos tempos. Que este disco sirva de estímulo para os demais, e que Coverdale não desista. Para o bem do bom e velho hard rock.

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