Imagem e Tudo
30 de maio de 2008
U2
Popmart – Live From Mexico City

Universal.

u2popmart.jpg
Se existe uma fase em que o U2 mais se descaracterizou, podem anotar que ela aconteceu durante a turnê do álbum “Pop”, a tal “Popmart Tour”. E isso quem diz é a própria banda, que assim que recuperou o rock de origem, a partir do álbum “All That You Can’t Leave Behind”, baniu do seu repertório todas as músicas dessa fase, e também aquela grandiloqüência sem fim que predominou no período. Pois é um dos shows dessa turnê – que passou (atabalhoadamente) por Rio e São Paulo, em 1998 -, gravado no México quase um ano antes, que aparece nesse DVD.

Aquele que conheceu o U2 somente nos últimos tempos, ou o fã das antigas certamente não reconhece os integrantes da banda entrando no local onde o show aconteceu, passando pelo meio do público como se fossem lutadores de vale-tudo. As roupas escandalosas (o que é o tímido Adam Clayton vestido todo de laranja, como se fosse um gari da Comlurb?), os gorros, máscaras e capuz usados revelam uma aparência caricata e inacreditável – como é possível o U2 ter caído nessa armadilha marqueteira? O fato é que caiu, e o exagero configurado nos shows da turnê anterior, que tinha como vedete a ZooTV, com fãs entrando ao vivo no meio do espetáculo em telões gigantescos, se estendeu a um insuportável limite kitsch evidenciado nesse vídeo.

Não por acaso o texto que apresenta o vídeo se prende em detalhes como o tamanho do telão (51 x 17 metros), do coquetel, com 30 de altura, e do afamado limão/disco voador de 15, que carrega o quarteto para o bis. Era realmente impossível perceber detalhes musicais num espetáculo essencialmente visual e – para usar um termo contemporâneo – midiático. Quase passa desapercebida a versão com voz e violão para “Sunday Bloody Sunday”, cuja marca registrada é justamente a marcação marcial da bateria. Ou então o corte em “I Still Haven’t Found What I’m Looking For”, a música feita para ser a da vida de todo mundo. Ou mesmo as infelizes citações à cultura texmex, feitas por Bono só porque o show foi no México. Na “Popmart” era assim. Via-se muito, pouco se escutava e nada se pensava.

O show não é, entretanto, de todo ruim. É o U2, ora bolas, e o que não passa batido é o carisma de Bono, que arrebata o público – mais que o de hábito – em “One”, na inacreditável “I Will Follow”, a terceira do repertório, em “Pride (In The Name Of Love)” e até na surpreendente “Please”. Adam, Larry tocam o de sempre, e reafirmam que a batida mágica do U2, assim como no álbum que desencadeou a turnê, está lá, atrás de toda aquela desnecessária parafernália. Sem extras de qualquer espécie, o DVD registra certinho um período destacado na história do U2. Só vendo mesmo para acreditar que aconteceu.

ESCREVA UM COMENTÁRIO

Nome
Email
Site
Salvar informações pessoais?
Sim       Não
Comentário (you may use HTML tags for style)















desenvolvido por
Gabriel Lupi / zupa.net

ilustrações por
Flávio Flock


© 2005 - 2006 - Rock em Geral: gardenal.org/rockemgeral
Os textos publicados em Rock é Rock Mesmo podem ser reproduzidos total ou parcialmente, desde que sejam citados fonte, autoria e endreço do site. O sistema de comentários disponibilizado aos leitores do Rock em Geral é exclusivamente para a publicação de opiniões e comentários relacionados ao conteúdo deste site. Todo e qualquer texto publicado na internet através deste sistema, assim como os links oferecidos, não refletem, necessariamente, a opinião de seu autor. Os comentários publicados através deste sistema são de exclusiva e integral responsabilidade e autoria dos leitores que dele fizerem uso, e podem ser excluídos, a critério do autor do site.