
A economia de integrantes poderia sugerir a utilização equivocada de recursos eletrônicos – e eles aparecem - mas o grupo não recuou um milímetro no peso inerente ao rock pungente que lhe deu fama. As guitarras convivem com nuances de estúdio que realçam o conteúdo musical, estético e das letras em si, já que Pedro pertence ao clã dos Veríssimo e não nega as origens. É a partir de suas histórias bem tramadas que se resolve a música do Tom Bloch. Na melhor delas, “Ente Nós Dois”, ele explica milhões de relações entre homem e mulher num espaço exíguo, levado por guitarras agrupadas com efeitos eletrônicos cirúrgicos. Bem perto dela vêm, juntas e emendadas, “Sob a Influência” e “A Dúvida”. A primeira é quase uma “marcha abre-alas” que abriga losers amorosos de todo o tipo, e a segunda é um rockão dos bons, trilha perfeita para a indecisão de um ator cujo papel parece condenado às incertezas (de novo) das mazelas amorosas. Outra boa é “A Invenção”, macia e com refrão certeiramente pop.
Nem tudo são flores, porém, nas baladas “Imitação da Vida” e “O Refém”. Curiosa é “Situação de Dança”, uma trilha sinistra em que Pedro escancara a dificuldade que tem em dançar, algo sincero e autobiográfico se lembramos que o cantor tem presença de palco praticamente nula durante os shows do Tom Bloch. O disco peca, ainda, por ter repertório reduzido, nove músicas em pouco mais de meia hora. Mas desde quando, sobretudo em música, tamanho é documento?