Som na Caixa
16 de maio de 2008
The Traveling Wilburys - The Traveling Wilburys Collection
Warner.

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Para quem vive lado a lado com a inspiração, uma simples frase numa embalagem de papelão dizendo que o conteúdo é frágil é motivo para fazer música. Fica muito mais fácil se o compositor em questão for o Beatle George Harrison e ele decidir fazer outras nove músicas com os amigos “só” para completar um disco cheio. E mais ainda, considerando que esses amigos são nada mais nada menos que Bob Dylan, Roy Orbinson, Tom Petty e Jeff Lynne (do Electric Light Orchestra). Pois os cinco se reuniram a pretexto de criar uma faixa para ser o lado B de um single do disco “Cloud Nine”, de Harrison, em meados de 1988, e assim nascia, às avessas, o Traveling Wilburys, supergrupo cuja história é contada no DVD que acompanha esse CD duplo.

Duplo modo de dizer, já que, na verdade, são os dois únicos álbuns lançados pelo grupo, remasterizados e com duas faixas extras cada um. O primeiro, “Traveling Wilburys Volume 1” é naturalmente o mais bem sucedido – vendeu mais de cinco milhões de cópias -, mesmo porque traz “Handle With Care”, a tal música de título retirada da caixa de papelão, uma canção pop vocacional. Mas não é só ela a brilhar, todas em que a eloqüente voz de Orbinson se projeta, como em “Not Alone Any More”, se salientam como candidatas cereja do bolo. De qualquer forma, depois de assistir ao DVD, onde a simplicidade e o modo primário como as gravações foram feitas são enfatizados, o disco parece ainda melhor. E é de se admirar que não tenha havido – segundo consta – conflitos de ego, em se tratando de superstars do rock e da música pop, e de gerações diferentes. Outras faixas legais são “Tweeter And The Monkey Man” (na voz de Dylan), “Margarita” e “Last Night”, e até a repetitiva “Congratulations”. As duas faixas extras, até então inéditas, mantém o nível do disco. São elas “Maxine”, com sotaque espanhol, e a lentinha “Like a Ship”.

O segundo disco, chamado curiosamente de “Traveling Wilburys Volume 3”, e muito aguardado depois do sucesso do primeiro, é marcado pela ausência de Orbinson, vitimado por um ataque cardíaco fulminante ainda em 1988. Como de hábito, não consegue segurar o pique (a química?) inicial do projeto, embora tenha lá seus momentos. Um deles é logo a abertura, com a animada “She’s My Baby”, talvez a melhor do disco, ao lado da total anos 50 “Wilbury Twist”. As duas sintetizam muito bem esse disco como o que tem mais guitarras, em detrimento da marcante presença de violões no anterior. Mas as levadas de fogueira de acampamento marcam presença: “The Devil’s Been Busy”, a bem marcada “New Blue Moon”, e “Poor House”, praticamente um country. As duas extras são “Nobody’s Child”, balada marcada por uma bela evolução de harmônica, e a quase surf “Runaway”, que só deve ser sobrado por algum descuido, já que é uma das melhores do grupo.

Além da bem acabada caixinha, o CD traz um encarte como mini biografias do supergrupo e a reprodução dos encartes originais dos dois discos. E no DVD, o mini documentário é acompanhado pelos cinco videoclipes que eles fizeram. Boa oportunidade para quem deixou passar a época do lançamento original, além de a caixinha fazer a ponte para os nossos dias, através do DVD.

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