Bola e Bola Mesmo
20 de maio de 2008
Paradas duras e equilibradas
Semifinais da Copa do Brasil e da Libertadores são pautadas pelo equilíbrio.

Como pouco sou cobrado aqui, cobro-me eu mesmo. Disse que, na Copa do Brasil, daria Inter e Vasco e Corinthians e Botafogo. Não deu Inter e desde já me lamento, porque não gosto de ver time pequeno próximo de ganhar título, muito menos um de expressão nacional, e com direito a ingresso na Libertadores. Já pensou que lástima ver o Sport repetindo o triste papel de Paulista e Santo André? Façam-me o favor. Acontece que, entre as três equipes grandes que estão nas semifinais da Copa do Brasil, não há sequer um bom time. E repito: Vasco, Corinthians e Botafogo não têm, em absoluto, bons times. Ficaram para trás, por motivos variados, Inter e Palmeiras, estes, sim, bons times, e que volto a apontar, junto com Flamengo, Fluminense, Cruzeiro e São Paulo, como os favoritos para o brasileiro desse ano.

Recuso-me a comentar sobre o Sport, e já fiz e refiz considerações sobre a gritante ruindade do Botafogo. Não há, dentro da equipe alvinegra, um único craque. Tanto que o destaque da equipe de General Severiano é o técnico Cuca. Mas esse não ganha títulos de jeito nenhum. Por incrível que pareça, a saída para o Botafogo pode estar – acreditem – no meia Carlos Alberto. Não que ele jogue muita bola e crie pouco caso – é exatamente o contrário. Mas o sortudo jogador já ganhou de tudo: Estadual do Rio e de São Paulo, Brasileiro, Copa do Brasil, Copa dos Campeões da Europa, Mundial Interclubes... No quesito superstição, cai como uma luva para a torcida alvinegra.

Contra o Botafogo, entra em campo hoje um outro time ruim, aquele que, numa cidade em que existem apenas três times grandes, ficou classificado em um choco quinto lugar. Que, atualmente, não está entre os 20 (eu disse 20!) melhores clubes do Brasil, e que, na melhor das hipóteses, é uma equipe “em reconstrução”, “em busca de sua identidade” ou outra frase feita para animar muito usada por setoristas que, infelizmente, vestem a camisa do clube sobre o qual têm a obrigação de apenas escrever. Isso faz da disputa pela vaga nas semifinais algo bastante equilibrado, cuja imprevisibilidade me impede de cravar um favorito. Olhando pelo fator campo, o Corinthians decide em casa, e isso é, sim, uma vantagem. De outro, o Botafogo adora chegar bem perto de um título para depois perder. Para mim, apesar do time fracote, dá Fogão. Nos pênaltis.

Na outra semifinal, por razões óbvias, o Vasco seria o favorito disparado. Seria, se não tivesse um dos piores elencos de sua história. Mas como tem Edmundo em estado de graça, Leandro Amaral em boa forma e Antônio Lopes, um dos maiores arrumadores de times ruins de que se tem notícia, a equipe da Colina é apenas favorita, sem qualquer disparate. Jogando a segunda em casa, então, tem uma grande vantagem, e só sai da Copa do Brasil se levar uma goleada histórica em Recife. Em suma: Vasco e Botafogo na final – a maior freguesia do futebol carioca. Foi mal, Botafogo.

Na Libertadores a coisa ficou difícil para Santos e Fluminense, mas tudo pode acontecer. Em casa, o Santos tem que fazer valer seu mando de campo e fazer de tudo para despachar o América do México, que é um time – repito – muito ruim. Não é possível um ex-jogador em atividade (né, PC Vasconcelos?) como Cabañas se criar na defesa do Peixe. O Santos tem tudo para golear e dar uma embalada. Disse que ficou difícil, mas não impossível. O São Paulo conseguiu fazer uma única boa partida em todo o ano (até aqui) e a fez justamente quando mais precisava, para vencer o Fluminense em casa e vir para o Rio carregando certa vantagem.

Disse certa vantagem porque o um a zero sofrido pelo Tricolor é perfeitamente reversível no Maracanã enevoado pelo pó de arroz. E, também, porque dificilmente o São Paulo (e Adriano) repetirá uma atuação como a da última quarta. Na verdade, nem precisa. Para o time do Morumbi, basta amarrar o jogo e não deixar o adversário, mais técnico, criar jogadas de perigo. Se destruir direitinho, o São Paulo se classifica. Mas do lado tricolor, espera-se uma atuação bem superior a do Morumbi, a começar pelo técnico. Renato Gaúcho tem que manter Tiago Neves e Conca em campo durante os 90 minutos, é deles que saem as principais oportunidades de gol, seja articulando jogadas, lançando ou ainda em jogadas de bola parada. Até Dodô pode esquentar o banco, com os dois armadores chegando junto de Washington, e os dois meias (Cícero e Arouca) segurando as pontas. Jogo aberto, mas, em nome do bom futebol, aposto no Flu. Nem que seja nos pênaltis.

Até a próxima que o Brasileirão ainda não começou!!!

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