
Joel Santana conseguiu ajeitar o time do Flamengo, em meados do ano passado, porque junto com ele chegaram os reforços que Ney Franco, seu antecessor, sempre pediu e nunca teve. Mas também porque o jeito simples e matreiro de Joel trabalhar se encaixou com o perfil dos jogadores, num elenco deserto de craques. Não por acaso o Flamengo deu aquela arrancada fulminante rumo à Libertadores no campeonato brasileiro, com um meio-campo de vexar o clube que já teve Zico com a 10 às costas. Jaílton, Toró, Jonatas e Ibson formam um bando de marcadores que só deu certo porque os laterais resolveram a parada e Ibson – diga-se – até que se saiu bem como homem de criação. Caio Júnior, de seu lado, jamais escalaria um time assim. Podem anotar.
Joel também teve a manha, já no carioca e na Libertadores desse ano, de, ao ver Juan e Leonardo Moura ruins, encher o time de atacantes e decidir jogos como o da final contra o Botafogo e o jogo de ida contra o América do México, que, a bem da verdade, não marca ninguém. Caio Júnior também, segundo consta, jamais faria isso. Teórico, o treinador, pela primeira vez em sua curta carreira, não vai montar o time: já pega o Flamengo pronto, mas o Flamengo de Joel. Por mais que prometa dar seqüência ao trabalho de seu antecessor, obviamente ele vai, aos poucos, sacando esse ou aquele jogador para colocar os de sua preferência, o que inclui, inclusive contrações. Podem observar.
Só que a escolha de Joel foi, também, um equívoco da África do Sul. Joel nunca foi um técnico de seleção, na verdade é conhecido como o “rei dos estaduais”, pois é nessa competição que ele, em geral, triunfa. Possivelmente sequer chegará à Copa do Mundo, deve ser substituído por um estilo de técnicos “sem fronteira” como Dick Advocat, Guus Hiddink ou Bora Milutinovic. Uma vez fora da seleção do país sede, aí sim volta ao Flamengo, que, já farto de Caio Júnior, ou mesmo com o substituto dele, o recebe de braços abertos e tudo volta ao normal. Podem anotar.
Findo os estaduais, pode-se concluir que já deu o óbvio, salvo uma única exceção, em Goiás, estado que só tem um clube, e o campeão é outro. Fracassou justamente Caio Júnior. No Rio Grande do Sul, quase se repete a façanha do Inter e do Grêmio, de deixar, num estado que só tem dois clubes, um terceiro vencer. De outro lado, se considerarmos, como gostam os modernos, que os estaduais são reles pré-temporadas para a brasileirão, vou enumerando já meus favoritos, não necessariamente nessa ordem: Internacional, Palmeiras, São Paulo, Flamengo, Fluminense e Cruzeiro. Podem cobrar.
Na Libertadores agora o bicho começa a pegar de verdade. Algumas babas que ainda se classificaram para as oitavas de final vão se despedindo, e ficam somente boas equipes, salvo uma ou outra exceção. Promessa de bons jogos. Entre os brasileiros, temo pelo São Paulo, que joga em casa e não pode levar gol, e pelo Santos, que joga fora e tem um time muito fraco. Fla e Flu passam fácil, e até o Cruzeiro deve passar, com muita dificuldade, pelo Boca, e virar favorito para o título.
Já na Copa do Brasil, nas quartas é que o bicho começa a pegar, com jogos duríssimos entre Inter e Sport, e entre Atlético Mineiro e Botafogo. O futebol carioca promete brilhar de novo, com tem acontecido nos últimos anos, e pode até colocar Vasco e Botafogo na final, o que seria lindo. Só que nem um, nem outro, tem time, e o favorito é claramente o Internacional.
Até a próxima que o Flamengo não tem camisa pra jogar amanhã!!!