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maio 31, 2008

Whitesnake
Good to be Bad

Baixado na Internet.
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Se encomendassem a David Coverdale um disco do Whitesnake que fosse um “best of” da carreira do grupo, o resultado não teria ficado tão bom. Ainda mais se considerarmos que falar de “banda” para quem há dez anos não compunha uma música sequer, e vivia a fazer shows ao redor do mundo no esquema "Coverdale + 10", soa meio esquisito. Mas o Mr. Feeling conseguiu, reunindo seus camaradas dos shows mais recentes, fazer um álbum que é, realmente, a essência do que foi o Whitesnake nesses últimos 30 anos. E nada se pode esperar de revolucionário para quem, a bem da verdade, já escreveu sua história no mundo do rock.

“Good To Be Bad” reúne várias das fases pelas quais o Whitesnake já passou, desde o hard/blues do início, passando pelo hard rock de raiz até a fase mais pop, nos anos 80, com direito às irresistíveis baladas com letras salpicadas pelos “loves” de Coverdale. O hard rock pesadão de “Can You Hear The Wind Blow” nada mais é do que a volta do peso do Deep Purple versão Coverdale/Hughes; “A Fool In Love” só não é um blues genuíno por conta do peso das guitarras, mas lembra a fase que marcou o álbum “Ready An’ Willing” (1980); a faixa-título e “Best Years” bem que poderiam ter entrado em álbuns como “Whitesnake” (1987) e “Slip Of The Tongue” (1989); e as baladas “All I Want All I Need” (belíssima) e “Summer Rain”, e a zeppeliana “‘Till The End of Time” não negam a história de uma das maiores bandas de hard rock em todos os tempos. Sete exemplos que valem pelas 11 faixas do álbum.

Todas as músicas têm a assinatura de David Coverdale e do guitarrista Doug Aldrich, ou seja, volta a se repetir a parceria do Mr. Feeling com guitarristas que lhe dão sustentação. No passado, Mel Galley, John Sykes, Adrian Vandenberg e até Steve Vai, entre outros, já tiveram esse papel. Doug Aldrich está no Whitesnake há cinco anos, e já tocou com nomes de peso como Ronnie James Dio, além de ter integrado bandas de menor expressão. Mas só agora teve a oportunidade de compor e gravar um disco com o Whitesnake, no que se saiu muito bem, seja em evoluções de guitarra como as de “All For Love”, em riffs certeiros como os de “Can You Hear The Wind Blow”, ou ainda em belas melodias, como na melosa “Summer Rain”. Econômico nos solos, mas sempre criativo, soube (obviamente junto com Coverdale) dar um necessário equilíbrio ao repertório do disco.

Além de comandar um retorno do Whitesnake após um deca-hiato, a parte mais difícil para um Coverdale de 56 anos e com a voz carcomida por álcool, cigarros e zilhões de turnês, foi mesmo cantar. Gravando em estúdio, deu para esconder certas deficiências de alcance percebidas nos shows nos últimos anos. Em contrapartida, também não era necessário usar o timbre e o tom de gravações passadas, que é o grande desafio do show. Em boa parte do disco, Coverdale lembra muito o álbum que gravou com Jimmy Page, em 1993, forçando um tom mais rouco e menos alto – caso de “Summer Rain” e “’Till The End Of Time”. Noutras músicas, como “Call On Me”, “Lay Down Your Love” e “A Fool In Love” (na ponte que leva ao refrão), busca o alcance possível com sucesso, e num terceiro grupo apresenta uma impostação diferente de tudo o que já fez desde que saiu de trás de um balcão de loja para cantar no Deep Purple, como na ótima “All For Love” e em “Best Years”. Saldo pra lá de positivo.

Não deixa de ser uma grata surpresa que o Whitesnake consiga lançar um bom álbum como este “Good To Be Bad”, ainda mais se olharmos para seus contemporâneos. Em geral, estão com as carreiras estagnadas ou vivendo de turnês de grandes sucessos, como, aliás, estava o próprio Whitesnake nos últimos tempos. Que este disco sirva de estímulo para os demais, e que Coverdale não desista. Para o bem do bom e velho hard rock.

Alice Cooper
Live At Montreux

ST2.
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Como assim? O mestre do rock horror tocando num festival de Jazz? Prova do ecletismo e do bom gosto da curadoria de Montreux, esta apresentação de Alice Cooper, na edição de 2005, é, desde já, histórica. Primeiro porque Tia Alice consegue tocar clássicos irretocáveis de sua longa carreira – iniciada no final dos anos 60 – e misturá-los com hits mais recentes, retrato da vitalidade de um veterano ícone do rock pesado e ultrajante, que abre o show com “Department Of Youth”, um belo cartão de visitas. Depois, porque o aspecto teatral, que nem sempre acompanha os shows de Alice mundo afora (como no Brasil, por exemplo) está presente em todo o espetáculo.

Em “Dirty Diamonds”, a faixa-título do álbum de 2005, mote para este show, Alice esbugalha e distribui colares de pérolas para o público. Aparece com uma um bolo de cédulas de dólar espetadas numa espada na clássica “Billion Dollar Babies”, e em “I’m Eighteen” se apóia numa muleta. Em “Go To Hell”, uma dançarina o faz sumir debaixo de uma capa. Ela é Calico Cooper, filha de Alice, que reaparece vestida de Patricinha em “Wish I Were Born In Beverly Hills”, já no bis, e, antes, marca presença na seqüência conceitual extraída do álbum “Welcome to My Nightmare”, de 1975, que culmina com a decapitação ao vivo do próprio Alice, e o seu posterior reaparecimento, todo de branco, para detonar o clássico eterno da juventude, “Schools Out”.

Além de sinistro, Alice Cooper é debochado e traça um interessante retrato da sociedade americana em “Lost In America”, cujo sarcasmo é reforçado por conta das legendas (em inglês) com as letras das músicas. Nem o posicionamento padrão das câmeras de Montreux estraga o espetáculo, que horroriza e diverte na mesma medida, ainda que visto via DVD. Mérito para as luzes que dão o clima ideal para cada passagem, chegando a fazer tudo ficar em preto e branco.

Alice Cooper, 58 na época desse show, tem na banda músicos experientes do hard rock da costa oeste americana, porém bem mais novos que ele. O destaque é o batera Eric Singer (ex-Kiss, entre outros), que arranca aplausos num solo não-chato na instrumental “The Awakening”, onde todos mostram habilidades virtuosas. A música é o abre-alas para a parte central do show em que Calico brilha com desenvoltura, e busca o fã de menos idade que por ventura não conheça o histórico de Alice. Por ser teatral, aliás, o show acaba agradando até quem, por se tratar de um festival, estivesse ali desavisadamente. E os mais jovens cantam mesmo é o hit “Poison”, do álbum “Trash”, de 1989. Em cerca de hora e meia de show – pouco para um artista tão antigo, mas muito pela intensidade cênica – Alice sabe mesclar experiência e juventude, que para ele parece ser tudo a mesma coisa.

O DVD vem com um CD com o áudio do show, só que com oito músicas a menos. Ficam de fora a parte central do espetáculo, que realmente só faz sentido pleno se vista no teatrinho inventado por Alice. Vale dar uma comparada com o show da turnê de do álbum “Billion Dollar Babies”, incluído no filme “Good To See You Again, Alice Cooper”, de 1973, relançado recentemente em DVD. Com o primeiro vídeo de Alice Cooper e o mais recente, lado a lado, percebe-se que nesses mais de 20 anos pouca coisa mudou. E funciona, acreditem.

Destruction

Foto do show do Dynamo Open Air, em Nijmegen, na Holanda, em 2000. destruction00.jpg Schmier voltou com o Destruction em 2000, já tocando no então maior festival de heavy metal do mundo

Muse promete lançar álbum numa forma mais 'orgânica'

Baterista falou à rádio inglesa sobre o novo material da banda. Em entrevista à Rádio BBC, de Londres, o baterista do Muse, Dom Howard, disse que o material que a banda está preparando para o próximo álbum será lançado de uma forma mais "orgânica", por conta das mudanças no jeito de se ouvir música. Para ele, o crescimento dos downloads criou um espaço em que o artista pode fazer o que quiser, já que hoje o fã de música não vai mais para as lojas comprar CD. O baterista negou, no entanto, que o Muse estaria embarcando no fórmula do "quer pagar quanto", criada pelo Radiohead.

Depois do sucsso do álbum "Black Holes And Revelations", o Muse lançou um CD/DVD ao vivo, initulado "HAARP", ainda inédito no Brasil. Segundo boatos virtuais, o grupo estaria já com uma turnê de três shows agendada para o País em agosto.

Local onde o Festival de Woodstock aconteceu ganha museu

Paraíso da geração hippie foi comprado por magnata da TV à cabo. Estará aberto para o público, a partir do próximo dia 2, um museu temático sobre o Festival de Woodstock, marco da cultura hippie em todo o mundo. Construído em Bethel Woods, onde o festival realmente aconteceu, a 76 Km de Woodstock, ao norte de Nova York, o museu é o resultado de mais de US$ 100 milhões investidos por Alan Gerry, um magnata da TV à cabo americana. A empreitada visa promover o desenvolvimento turístico de uma região atualmente atingida pelo desemprego, e deve atrair turistas de todo o mundo .

Joe Satriani, metade do Van Halen e baterista do RHCP formam superbanda

No começo era só uma brincadeira entre vizinhos. Vizinho do guitarrista e vocalista Sammy Hagar, que já foi do Van Halen, o baterista Chad Smith, do Red Hot Chili Peppers decidiu aproveitar as férias de sua banda para continuar tocando. Os dois montaram uma banda e convidaram Michael Anthony, o histórico baterista do Van Halen, e ninguém menos que o guitarrista Joe Satriani. Nasceu assim o mais novo supergrupo do rock, que leva o nome de Chickenfoot. No início eram só covers e pequenos shows, mas já há nove músicas prontas e um álbum já prometido para breve.

maio 30, 2008

Vocalista do Garbage prioriza carreira de atriz

Shirley Manson vai atuar em séria de ficção científica. A vocalista do Garbage, Shirley Manson, decidiu priorizar a carreira de atriz em detrimento do grupo. É o que diz o site The Hollywood Reporter, que noticiou ontem que Manson conseguiu um papel na segunda temporada da série "Terminator: The Sarah Connor Chronicles", exibida no Brasil pelo canal Warner. Ela fará o papel de uma presidente de uma empresa de alta tecnologia, Catherine Weaver. Baseado nos personagens da trilogia cinematográfica "O Exterminador do Futuro", e se apoiando no sucesso do roteiro dis filmes, o seriado conseguiu uma boa audiência entre as estréias da temporada.

Estréia do Scars on Broadway acontece, enfim, em julho

Grupo tem dois ex-integrantes do System Of a Down na formação. Demorou mas chegou a hora do Scars On Broadway estrear em disco. O grupo, formado por dois ex-integrantes do System Of a Down, Daron Malakian (guitarra) e John Dolmayan (bateria), lança o primeiro disco, auto-intitulado, em julho. Daron produziu o álbum, que conta com músicas como "World Long Gone", "Universe", "They Say", "Enemy", "Stoner Hate" e "Babylon". Algumas já estão inclusive disponibilizdas para audição no site My.Space.com. Ao vivo, o grupo já é conhecido: além de pequenos shows nos Estados Unidos, tocou esse ano no Coachella Festival, na Califórnia, e parte em agosto para uma mini-turnê pela Europa.

Rede Rio Música promove debates

Evento, com apoio do SEBRAE, acontece no Rio, a partir do dia 3. Formada por músicos, produtores e jornalistas, a Rede Rio Música se reúne há cerca de seis meses, e vem discutindo as necessidades daqueles que formam a cadeia produtiva da música no Rio de Janeiro, com a perspectiva de fortalecer e criar negócios inerentes a este circuito. O grupo tem o apoio do SEBRAE/RJ, e realiza, a partir do dia 3 de junho, na Universidade Estácio de Sá, no Rio, o primeiro Ciclo de Palestras e Debates. A entrada é franca.

Entre outros espelialistas, participam do evento a advogada Débora Sztajnberg, Glória Braga (representante do Ecad), Claudio Jorge (da área de patrocínio da Petrobras), Bruno Levinson (idealizador do Festival Humaitá Pra Peixe), Jomardo Jomas (do Festival Mada, de Natal) e Luiz Pimentel (do MySpace.com). Mais informações: www.rederiomusica.blogspot.com ou nos telefones (21) 2212 7796 / 9623-7600, com Arthur Bezerra/Sebrae. Confira a programação:

Ciclo de Palestras e Debates da Rede Rio Música
De 3 a 11 de junho de 2008, das 18 às 22h
Universidade Estácio de Sá
Av. Presidente Vargas, 642 – Auditório
Entrada franca

Dia 03 de junho, terça
Debates: Novas Mídias e Formas de Divulgação
Convidados: Paulo Lima (iMúsica), Luiz Pimentel (MySpace - SP), Gabriel Marques (Moptop), Bernardo Palmeira (Binário / Bolacha Discos), Maurício Bussab (Tratore - SP)

Dia 05 de junho, quinta
Palestras: Formatação de Projetos e Captação de Recursos
Convidados: Stanley Whibbe (Sebrae), Cláudio Jorge (Petrobras), Graça Gomes (Alternativa Produções)

Dia 10 de junho, terça
Palestras: Direitos Autorais e Entidades Protetoras
Convidados: Débora Sztajnberg (Debs Consultoria), Glória Braga (Ecad), Chico Ribeiro (Abramus)

Dia 11 de junho, quarta
Debates: Festivais e Eventos Musicais, Associativismo e Empreendedorismo Musical
Convidados: Gabriel Thomaz (Rede Rio Música / Autoramas / Gravadora Discos), Rodrigo Lariú (Rede Rio Música / Associação Brasileira de Festivais Independentes / Midsummer Madness), Léo Feijó (Grupo Matriz), Lencinho (Circo Voador / Mostra Livre de Artes), Pedro de Luna (Rede Rio Música / Araribóia Rock), Bruno Levinson (Humaitá Pra Peixe), Jomardo Jomas (MADA - RN)

U2
Popmart – Live From Mexico City

Universal.
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Se existe uma fase em que o U2 mais se descaracterizou, podem anotar que ela aconteceu durante a turnê do álbum “Pop”, a tal “Popmart Tour”. E isso quem diz é a própria banda, que assim que recuperou o rock de origem, a partir do álbum “All That You Can’t Leave Behind”, baniu do seu repertório todas as músicas dessa fase, e também aquela grandiloqüência sem fim que predominou no período. Pois é um dos shows dessa turnê – que passou (atabalhoadamente) por Rio e São Paulo, em 1998 -, gravado no México quase um ano antes, que aparece nesse DVD.

Aquele que conheceu o U2 somente nos últimos tempos, ou o fã das antigas certamente não reconhece os integrantes da banda entrando no local onde o show aconteceu, passando pelo meio do público como se fossem lutadores de vale-tudo. As roupas escandalosas (o que é o tímido Adam Clayton vestido todo de laranja, como se fosse um gari da Comlurb?), os gorros, máscaras e capuz usados revelam uma aparência caricata e inacreditável – como é possível o U2 ter caído nessa armadilha marqueteira? O fato é que caiu, e o exagero configurado nos shows da turnê anterior, que tinha como vedete a ZooTV, com fãs entrando ao vivo no meio do espetáculo em telões gigantescos, se estendeu a um insuportável limite kitsch evidenciado nesse vídeo.

Não por acaso o texto que apresenta o vídeo se prende em detalhes como o tamanho do telão (51 x 17 metros), do coquetel, com 30 de altura, e do afamado limão/disco voador de 15, que carrega o quarteto para o bis. Era realmente impossível perceber detalhes musicais num espetáculo essencialmente visual e – para usar um termo contemporâneo – midiático. Quase passa desapercebida a versão com voz e violão para “Sunday Bloody Sunday”, cuja marca registrada é justamente a marcação marcial da bateria. Ou então o corte em “I Still Haven’t Found What I’m Looking For”, a música feita para ser a da vida de todo mundo. Ou mesmo as infelizes citações à cultura texmex, feitas por Bono só porque o show foi no México. Na “Popmart” era assim. Via-se muito, pouco se escutava e nada se pensava.

O show não é, entretanto, de todo ruim. É o U2, ora bolas, e o que não passa batido é o carisma de Bono, que arrebata o público – mais que o de hábito – em “One”, na inacreditável “I Will Follow”, a terceira do repertório, em “Pride (In The Name Of Love)” e até na surpreendente “Please”. Adam, Larry tocam o de sempre, e reafirmam que a batida mágica do U2, assim como no álbum que desencadeou a turnê, está lá, atrás de toda aquela desnecessária parafernália. Sem extras de qualquer espécie, o DVD registra certinho um período destacado na história do U2. Só vendo mesmo para acreditar que aconteceu.

Leela
Pequenas Caixas

Arsenal/Universal. Íntegra da resenha publicada na edição 51 da Revista Zona de Obras - Zaragoza - Espanha.
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O quarteto carioca Leela nasceu de uma velha fórmula dentro da música pop, mas que sempre funciona ao soar nova para – sabe-se lá o porquê – esse mundinho masculinizado: o de colocar uma mulher como band líder. A loira fatal Bianca Jhordão (guitarra e vocal) se encarregou de fazer esse papel de forma espontânea e até vocacional, e a coisa deu certo, na letras e no pop rock inspirado no novo rock pós Strokes e Weezer – referência básica para eles.

Neste segundo disco, entretanto, o grupo foi além da receita inicial, expandindo referências e horizontes, até no jeito de compor. Se o primeiro disco resultou de músicas feitas aqui acolá até o momento de gravação, desta feita o grupo se reuniu por pequenos períodos no campo, em um estúdio no Rio de Janeiro, e numa casa em São Paulo, maior metrópole brasileira, para deixar idéias, conceitos e músicas saírem “suando”. O resultado é um conjunto de músicas – 12 no total – que prima pela homogeneidade (a boa produção contribuiu) e que parece acompanhar o rock em movimento em tempos de globalização. Ligados no que acontece nesse mundo, o casal Bianca & Rodrigo Brandão (guitarra) não deixou de adicionar o minimalismo de algumas das bandas que espocaram no Primeiro Mundo, nem o modernismo retrô à anos 80 de outras. Quem ouve “Delirium”, a pungente “6 Horas Sem Desculpas“ e “Garota Espelho” (quase new wave) logo se apercebe disso.

Um dos dois principais calcanhares de Aquiles do Leela sempre foram as letras, que andam, propositalmente, no limiar entre o feminino-banal e o pessoal. Aqui há certa melhora, ligeiramente notada em temas que superam a fase menininha bonita em crise. O que não impede o aparecimento de certas pérolas como “Eu queria ser um bom ator e não ter personalidade”, de “P.S.” e “Se eu e você estamos em guerra, me leve de refém”, de “Refém“. O outro senão é a voz de Bianca, que nestes “Pequenas Caixas” pouco desafina, apresentando melhora substancial, mas que precisa evoluir ainda mais.

Mas no que importa – as músicas -, o Leela vai muito bem, obrigado. Faixas como “Amores Frágeis”, “1 Beijo Pede Bis”, “Amor Barato” e “Pequenas Caixas” garantem um bom disco, que aponta para um passo certamente mais à frente.

Alice Cooper

Foto do show da British Rock Symphony, no Rio, em 2000 alicecooper00.jpg
Tia Alice e banda no ATL Hall (atual Citibank Hall), no Rio

maio 29, 2008

Celebridades do pop ajudam Sonic Youth a montar coletânea

Era só o que faltava... Para montar uma coletânea de sucessos encomendada pela rede de lojas Starbucks, o Sonic Youth contou com a ajuda de celebridades do mundo pop. Os nomes incluem o vocalista do Peral Jam, Eddie Vedder, o cantor Beck e o diretor de cinema Gus Van Sant. O disco, intitulado “Hits are for Squares”", traz ainda, entre as 16 faixas, uma inédita, “Slow Revolution”. Confira as faixas e quem as escolheu:

1- Bull in the Heather, Catherine Keener
2- Sugar Kane, Beck
3- 100%, Mike D
4- Kool Thing, Radiohead
5- Disappearer, Portia De Rossi
6- Superstar, Diablo Cody
7- Stones, Allison Anders
8- Tuff Gnarl, Dave Eggers and Mike Watt
9- Teenage Riot, Eddie Vedder
10- Shadow of a Doubt, Michelle Williams
11- Rain on Tin, Flea
12- Tom Violence, Gus Van Sant
13- Mary-Christ, David Cross
14- World Looks Red, Chloe Sevigny
15- Expressway to Yr Skull, Flaming Lips
16- Slow Revolution

Cada coisa no seu lugar

Cada veículo de informação/leitura tem o seu formato, por isso, nada de almanaquizar (ou internetizar) o que nasceu para ser biografia. Meus amigos, viva o paradoxo, a antítese, a contradição. Antes de publicar a coluna da semana passada, foi isso que vi no texto que fala, entre outras coisas, de baixar música. Baixar ou não baixar, eis a questão. Li e vi que o texto em si se contradizia o tempo todo, sem deixar claro a posição deste que vos escreve. Tanto que uma pá de leitores queria saber se, afinal, sou contra ou a favor do desvario virtual. Tá bom, uma pá pequena, daquelas de lixo. Pois eis a resposta: não sei. E, por isso mesmo, fiz questão de não deixar o texto claro, muito pelo contrário. Publiquei-o assim mesmo. E o que está feito está feito.

Começo assim a coluna de hoje numas de tentar explicar o que nem precisaria ser explicado, mas tudo na vida precisa de um início, sobretudo colunas semanais como essa. Escrevo essas linhas e ouço Bruce Dickinson falar sem parar no antenadíssimo programa de rádio dele. E a primeira música é, vejam vocês, uma do Jet, total AC/DC. Disse “vejam vocês” porque há tempos, desde que tardiamente conheci essa banda, estou para falar dela aqui. De acordo com a sincronicidade do rock’n’roll, deveria fazer isso já, mas vou declinar ao que não acontece por acaso para voltar àquilo que queria dizer.

O almanaque. Era esse o ponto. Para mim, almanaque sempre foi uma coletânea de coisas legais, de diversas áreas. Nas revistas em quadrinhos da minha infância, os almanaques, caros, eram desejadíssimos. Para o Aurélio, almanaque é uma “publicação que, além de um calendário completo, contém matéria científica, literária, informativa e, às vezes, recreativa e humorística”. Bela definição. Pois essa onda recente de almanaque, que eu me lembre, começou com o “Almanaque dos Anos 80”, lançado há alguns anos para celebrar tudo que de legal aconteceu naquela década. Escrito (agrupado) pelos jornalistas Luiz André Alzer e Mariana Claudino, ficou bem legal, fez sucesso e desencadeou os almanaques dos anos 70 e dos anos 90, do chapa Silvio Essinger, lançado agora há pouco. Ou seja, o formato pegou.

E por que será que pegou? Não sei se os amigos já reparam, mas o formato almanaque é bem parecido com o formato internet. Informações curtas, com fontes de tamanhos variados, muitas fotos, tudo sem muita seqüência ou ordem de qualquer espécie. Recursos antes só vistos na telinha do computador ganham versão impressa nos almanaques, como as frases/textos marcados (aquela tarja de outra cor que envolve a fonte), os destaques em caixa alta, e assim por diante. Até a Folha de São Paulo e sua fome de vanguarda já usa, em seu projeto gráfico mais recente, esses recursos. Almanaque e Internet: tudo a ver.

O problema, meus amigos, é quando se tenta aplicar o tal do formato almanaque para outro tipo de livro, como, por exemplo, uma biografia. Fazer uma biografia, como o nome já diz, é contar a história de alguém, e a história de alguém deve ser contada através de uma narrativa com uma certa seqüência, não salpicando fatos sem conexão aqui e acolá. Digo isso não numa de querer preservar formatos, mas porque a quebra da narrativa, numa biografia, prejudica o entendimento do leitor e provoca o desinteresse pela própria leitura. E se tem uma coisa que eu aprendia em salas de aula e redações, foi justamente como fazer algo interessante de se ler.

Digo isso não porque sou um especialista em lingüística ou algo que o valha, mas porque acabei de ler, enfim, o livro “Barão Vermelho – Por que a gente é assim”, escrito pelo jornalista e produtor do Barão, Ezequiel Neves; pelo baterista da banda, Guto Goffi; e pelo jornalista e fã Rodrigo Pinto. Disse “enfim” não porque tenha demorado a ler, mas porque demorei para iniciar a leitura do livro, que terminei, acreditem, em ligeiras quatro horas, e sem correrias. Lê-se rápido esse livro porque ele é uma mistura de biografia com almanaque, em que pese o conhecimento de causa dos três autores, sobretudo os dois primeiros, e a pesquisa do terceiro. É bem verdade que em nenhum lugar está escrito que se trata de uma biografia, mas é isso que se espera do livro, e é isso que ele faz: conta a história do Barão Vermelho.

E, em conteúdo, conta direitinho, sim. Peca é pelo formato, que faz o leitor se deparar constantemente com a dúvida: paro aqui para ler essas letras grandonas ou continuo lendo a história da banda? É como se existissem, a todo o momento, boxes gigantes que quebram completamente a narrativa, prejudicando – repito – o entendimento e esmorecendo o ímpeto pela leitura do texto. Como diz o anedotário popular, cada coisa no seu lugar. Almanaque é almanaque e biografia é biografia. Não sei de quem partiu a idéia, mas o fato de Rodrigo Pinto ser editor de cultura do Globo on line, e de almanaque e linguagem de internet ter tudo a ver, acho que a coisa nasceu daí.

Mas vejam, meus amigos, o livro é bom, no sentido de contar a história para alguém que já conhece a banda. E conta muitas histórias legais, falando bem abertamente, inclusive, de drogas e homossexualismo, coisa rara nessas biografias de bandas de rock, sempre com muitas e ótimas fotos, de todas as fases do Barão. Mas peca, de outro lado, por deixar de lado justamente a música. Aquele que, ao acaso, ficou fora do planeta Brasil nos últimos 30 anos, e decidir ler este livro para se atualizar, encerrará a leitura sem saber exatamente que tipo de som fazia (faz) o Barão, tal a superficialidade que foram tratadas as mudanças sonoras pelas quais a banda passou ao longo da carreira. Mas atenção: isso não é uma resenha.

Antes de encerrar preciso afirmar que sou fã do almanaque, adoro biografias e sou razoavelmente familiarizado com a linguagem da internet. Conheço, e bastante, as diferentes linguagens em veículos de comunicação, seja ele uma revista, um jornal, um site, um anúncio, um reles panfleto. E sei, acreditem, que cada qual se comunica de uma forma, e para um tipo de público. Mas, meus amigos, prestem atenção: cada coisa no seu lugar.

Até a próxima e long live rock’n’roll!!

Korn

Mais uma foto do show do Dynamo Open Air, em Nijmegen, na Holanda, em 2000. korn00-5.jpg Jonathan Davies comanda o Korn, ainda sem o pedestal estilizado que lhe daria fama

Metallica incrementa venda virtual de novo álbum

Veja quais as condições para comprar o novo disco do grupo Aos poucos o Metallica começa a divulgar a estratégia de lançamento de seu esperadíssimo novo álbum. A novidade, conforme divulgado anteriormente, é que a banda, que no passado chegou a ir à justiça americana contra downloads de suas músicas, hoje pretende explorar os recursos virtuais ao máximo. Para tanto, até criou um site oficial para cuidar do assunto, o www.missionmetallica.com.

Hoje foi anunciado como funcionará o lançamento, que inclui pacotes premium com acesso a downloads, sorteios de ingressos e outras vantagens. O fã interessado vai desembolsar um valor salgado, que pode variar entre US$ 25 e US$ 80. Na faixa mais em conta o associado vai ter todas as músicas do álbum em gravações de qualidade, e acesso a áreas restritas do site. Na intermediária, de US$ 33, recebe o CD do disco, e na mais cara, há vinis promocionais.

O novo disco ainda não tem título, foi produzido por Rick Rubin (U2, Red Hot Chili Peppers, Slayer) e é o primeiro a contar com Robert Trujillo, que entrou para a banda depois da gravação de " St. Anger", de 2003, no baixo.

maio 28, 2008

Eis então o novíssimo lema deste velho homem da imprensa: A gravadora não vai enviar? Então a gente baixa!

DVD do Sex Pistols sai no final de junho

Show gravado na Brixton Academy, em Londres, é o prato principal, mas há mais de uma hora de extras. Conforme noticiado anteriormente, pela primeira vez na história será lançado um vídeo de um show gravado ao vivo dos Sex Pistols. Agora foram anunciados os detalhes do DVD, cujo registro foi feito na Brixton Academy, no ano passado, durante a comemoração dos 30 anos do álbum “Never Mind The Bollocks”, marco do punk rock mundial.

O DVD se chama “There’ll Always Be An England”, e chega às lojas (lá fora) dia 30 de junho. Além do show, há vários extras, incluindo um documentário com a banda gravado em locais históricos para o punk rock. Veja as músicas que estão no DVD:

1- Pretty Vacant
2- Seventeen
3- No Feelings
4- New York
5- Did You No Wrong
6- Liar
7- Beside the Seaside
8- Holidays in the Sun
9- Submission
10- (I’m Not Your) Stepping Stone
11- No Fun
12- Problems
13- God Save The Queen
14- EMI
15- Bodies
16- Anarchy in the UK

Cartolas – Original de Fábrica

Independente. Publicado na Outracoisa 23, de fevereiro de 2008.
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Lembram do festival Claro Que é Rock? Pois então, agora enfim sai o disco que o festival prometia gravar, por regulamento, com o grande vencedor, o Cartolas. O grupo gaúcho é um dos representantes do alardeado novo rock internacional (entenda-se The Strokes), mas não deixa de fora características regionais comuns a seus contemporâneos, que volta e meia bebem na fonte dos anos 60, e ainda leva uns skazinhos pra temperar. A linha condutora está num punch rock’n’roll dos mais interessantes, que alinhava boas letras, levadas menos vorazes, um bom vocalista e um instrumental tinindo. Aí fica fácil beber nessa ou naquela fonte para se chegar a uma poção própria, e, ao mesmo tempo, multi-referenciada. Músicas gostosas como “Garota”, “As Mil Garupas” e ”Que Diabos Tu Tem Dentro da Cabeça?” nos fazem parar pra pensar: “de onde conhecemos isso?”. Mas ao mesmo tempo carregam um frescor de arrebatar o sujeito mais cético. Pode crer: o Cartolas conseguiu fazer um belo disco.

Lobão
Palavra do chefe

Na edição de aniversário da Revista Outracoisa, criada por ele, Lobão faz um balanço geral da publicação, apontando saídas para o mercado fonográfico e avaliando também sua nova fase, depois de ter lançado um disco acústico por uma grande gravadora. Publicado na edição 23 da Revista Outracoisa, de fevereiro de 2008. Fotos: Marcos Hermes / Divulgação Sony-BMG. lobao08 - 1.jpg
Lobão fecha o rosto para a foto de divulgação do acústico: "Se eu não fizesse o acústico agora, também tava morto, porque eu não conseguia mais fazer show"

Quando se viu excluído do mercado musical brasileiro por não concordar com certos preceitos, Lobão sacou um coelho da cartola e decidiu lançar seu novo disco encartado numa revista, em bancas de jornal. O sucesso de “A vida é doce” (1999), que vendeu 97 mil cópias, levou o músico a criar esta Outracoisa, que, com quatro anos de vida, coleciona os melhores lançamentos da música independente nacional desse período. Resgatado ao mercadão pela Sony-BMG, gravou, no ano passado, um polêmico “Acústico MTV” e foi ideologicamente patrulhado e cobrado por todos, mas conseguiu seus objetivos: deixar de ser “um fantasma” e recolher seu acervo completo, que agora deve ser lançado numa caixa comemorativa. De quebra, ainda faturou um Grammy Latino de “melhor àlbum de rock brasileiro”, e isso com um disco acústico. Num exercício de auto-indulgência, deixamos de lado o pudor para saber de Lobão qual é a avaliação que ele faz do nosso trabalho, e o que ele espera do futuro de um veículo único (revista + CD), que em tempos de internet encara uma dura e desleal concorrência. Mas quando o papo é com o Lobão, o assunto vaza para todos os lados, e sobrou até para os “independentes franciscanos“, a geração 80 e a mpb. Com a palavra, o chefe.

Como você vê a Outracoisa hoje?

É uma revista que tem uma longevidade improvável, eu nunca imaginei que ela ia chegar aos quatro anos. A nata da nata da música independente quer sair na revista, e isso é o nosso combustível, dá muito orgulho. Vamos ter vários desdobramentos, como fazer um festival próprio, uma semana de música independente, é uma idéia que tá amadurecendo, a gente vai chegar lá.

Que avaliação você faz desses quatro anos?

Lançamos 22 discos que foram muito importantes, pessoas que adquiriram um vulto na carreira, como o Mombojó, Cachorro Grande, BNegão, Arnaldo Baptista, que foi a mola propulsora para a reunião dos Mutantes, o meu disco (“Canções dentro da noite escura”), que eu considero o melhor disco que eu já fiz. O Instituto, o Cascadura, o Vanguart... São bandas que estão na boca da nata da nata da parada, é exatamente isso que a gente imaginava. É um sucesso de respeitabilidade, credibilidade, de a gente ser o veículo que tem maior sensibilidade para as coisas novas, acho isso considerável para a nossa história.

A revista veio na seqüência do sucesso do lançamento do “A vida é doce” nas bancas...

Ela veio dar uma carteirada. A rapaziada da música independente aqui do Rio me chamou e disse: nós queremos esse modelo pra gente. Eu tava era tentando me virar, tanto é que hoje em dia, quando dizem que eu abandonei o movimento, eu digo: eu não abandonei o movimento, eu sou o movimento, eu tô fazendo em benefício próprio, sempre falei isso. E se eu posso, dentro desse benefício, expandir isso generosamente para todos os lados, é o que eu tô fazendo. Eu nunca pensei em ser o Zorro, o benemérito, apesar de estar sendo, mas isso não é uma obrigação. Eu tô satisfeito que isso possa gerar algo e que as pessoas estão verificando que a coisa só tende a fortalecer. O grande trunfo da revista é a qualidade artística de toda essa rapaziada. Senão não teríamos condições de apresentar uma novidade, um CD de um artista novo encartado numa revista que tem um editorial legal, um formato inédito, no meio dessa crise de mercado.

Você acha que hoje, quatro anos depois, ainda é viável o produto revista + CD?

Eu vou falar uma coisa muito temerária, mas acho que as pessoas vão se fartar de ouvir mp3. Na verdade não se ouve mp3, eu vejo a maioria das pessoas ouvindo i-pod nos aviões, andado pela rua, falando com outras pessoas sem tirar o fone do ouvido. Isso não é ouvir música, isso é um fundo musical. Não tem o ato ritualístico de ouvir música. É como a válvula. Em 89, em Los Angeles, quando eu tava lá, eu queria um amplificador à válvula e tinham que pegar a válvula no estoque, porque não se fabricava mais. Hoje é impossível conceber um amplificador que não seja à válvula. Eu acho que vai voltar o vinil, porque os audiófilos não tão a fim de mp3. A virada vai ser a coisa inversa, o álbum vai virar um artigo de luxo, vai ser muito caro e neguinho vai comprar. As pessoas vão verificar que a única maneira de combater a pirataria é transformar o disco em vinil, que não é possível piratear.

Nem fazer, a última fábrica fechou...

Assim como fecharam as fábricas de válvula, mas agora elas reabriram, tudo que tinha saído de linha voltou. Nós não vamos abdicar da conquista da cultura de ouvir som de qualidade. Então o mp3 vai virar uma grande vitrine, pra ouvir, avaliar e comprar o disco. Melhor do que na época da gente, que comprava o disco importado, lacrado, às escuras. A solução é adotar o vinil, e neguinho vai querer comprar, tem a capona, é uma tendência a mudar. Vulgarizou-se muito a atividade de artista propriamente dita, todo mundo é artista e lança disco. É evidente que pela seleção natural vai ter o verdadeiro artista, e pra isso acontecer vai ter um formato para privilegiar uma carreira.

Todo mundo pode fazer tudo hoje...

É democrático, mas fica tudo nivelado por baixo. Nós estamos no meio de um deslumbramento de armazenamento, a tecnologia aumentou a quantidade de armazenamento, mas o processamento sonoro piorou. A única forma de voltar ao processamento sonoro bom, é voltar aos materiais que são bons para o processamento sonoro. Acho muito difícil a manifestação musical se perder do jeito que está, é uma transição. A indústria fonográfica colaborou muito para que isso tivesse acontecido, a gente vem falando disso desde 97, que ia acabar, e diziam que eu tava maluco.

Foi uma sacação legal colocar o CD pra vender junto com revista, mas isso foi há quatro anos, o mercado mudou e não vende como antes...

Não vende como antes, mas ao mesmo tempo a revista tem um atrativo diferente, porque tem valor agregado. Ela é um material diferente, mesmo porque ela, junto com o CD, é mais barato do que o CD separado, então ela tem um trunfo, é diferente porque justamente agrega um valor que o CD deveria agregar. O que o Radiohead tá tentando fazer é agregar valor, botar vinil, informação, videoclipe, um box cheio de gueri-gueri ultrafaturado.

Como você vê o futuro da revista?

Eu acho que nós temos como marca registrada o pioneirismo e a criatividade. Eu sugeri linkar a gravadora com a revista, para ela ser um laboratório da gravadora. Nós somos especializados em uma coisa que foi atrofiada nas gravadoras, o caçador de talentos. Isso hoje é uma figura decorativa, a pessoa que menos sabe do que está rolando no mundo é o cara que tá dentro das gravadoras. Antigamente esse cara tocava numa banda, era um artista, tinha uma ligação com música de alguma maneira. Agora você não sabe de onde essas pessoas surgem. E nós estamos hipertrofiados, a gente é a antena do que é novo no Brasil.

Como seria essa parceria?

Testar e vê se tá dando certo. Tá dando recall? Contrata. Como aconteceu, de uma forma ou de outra, com o Cachorro Grande. Queremos colocar no mainstream, mas a gente precisa de um mainstream forte. Não é renegar o mainstream, é povoá-lo com coisa boa. E não essa coisa xiita e excludente de dizer “eu não vou sujar as minhas mãos nessa podridão”. Isso é o fim, porque outro cara faz cagada o resto da vida, sem ninguém para interferir. No Brasil as pessoas se tornaram franciscanas no meio independente: “não, não vou ganhar dinheiro”. Dinheiro é fundamental para ter qualidade, ter um puta show, não pode deixar de influenciar a coletividade, ser a trilha sonora da adolescência de certas pessoas. Você não pode ficar à margem da produção cultural, isso é dar armas para o nosso inimigo. A família do Jimi Hendrix fatura milhões, mas imagina se a gente tivesse um cara como o Hendrix à parte? É isso que tá acontecendo. A gente tem que ter jogo de cintura, senão vira um alvo fixo para o nosso inimigo, eles sabem quais são as nossas limitações porque elas são impostas por nós mesmos.

Qual dos discos você mais gostou?

O disco do Arnaldo Baptista foi um deleite. Eu tô com o Arnaldo desde quando ele caiu, a gente tava numa banda, eu, ele e o Arnaldo Brandão. Eu tentei o suicídio, ele me salvou e tentou o suicídio. Estávamos os três ensaiando, eu tomei um monte de comprimido e caí duro, e aí o Brandão foi pegar o filho na escola, e o Baptista falou: se isso aconteceu contigo também poderia acontecer comigo! Ele telefonou, chamou a ambulância, e entrou um estado de loucura. Foi para São Paulo num estado louco, foi pego, entrou no manicômio e se jogou logo em seguida. Eu me recuperei em três meses, passei um mês na CTI. Eu tomei barbitúricos, umas três caixas de Rivotril e um litro de álcool Pring.

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Mesmo sendo o vencerdor do Grammy Laino para "melhor disco de rock", o acústico não vendeu mais de 30 mil cópias

Bons tempos...

Nesse momento o Arnaldo ficou linkado comigo, porque quando ele tava fodido, em 89, eu gravei uma música dele, ”Sexy sua”, que dava credibilidade para que ele tivesse chances. Eu sempre amei os Mutantes, toquei com todos eles, cada um numa situação, e tenho muito orgulho de saber que o Arnaldo é parte integrante da minha vida e que um salvou o outro. E a Mojo elegeu esse disco (“Let it bed”) como um dos dez melhores de mpb de 2004.

O “A vida é doce” vendeu 97 mil cópias. Você teve sucesso nesse projeto e agora voltou ao processo tradicional de lançar por uma grande gravadora. Qual é o melhor?

Naquele momento ou eu lançava o CD na revista ou eu tava morto. Não tinha como lançar. Por isso que eu tinha ódio do acústico, porque ou você lançava o acústico ou tava fodido. Eu tinha material novo e queria lançar o meu disco. Agora te digo, se eu não fizesse o acústico agora, também tava morto, porque eu não conseguia mais fazer show. O pessoal do mainstream achava que eu já não existia mais. E eu sou um cara mainstream, nunca neguei, só que fui ejetado dele. E apareceu a gravadora que tem todo o meu acervo, então a manobra é recolher meu acervo, porque eu tava brigando judicialmente para tê-lo. Isso ia se resolver em dez anos, mas eu não tenho tempo. Um outro staff entrou, me procurou, e me propôs uma coisa que era muito importante fazer. Tanto é que a gente ganhou um Grammy. Agora, depois do calor de todas as especulações, as pessoas podem perceber que eu fiz um puta disco, que eu não teria condição de fazer no independente porque custou os olhos da cara. Eu fiz com o intuito de arquivar o meu material, porque eu tava como um fantasma desde 1991, sem ter um original. Agora tenho a possibilidade de fazer uma caixa de luxo com todo os meus 14 discos.

Como vai ser essa caixa?

Eu já devia estar mexendo no material desde julho. Quero pegar uns out takes, eu tenho técnico de som que gravou toda a turnê do “Vida bandida”, direto da mesa. Temos um disco apócrifo, que é o “Sob o sol de Parador”. Pra se proteger do Liminha (produtor), a gente gravou em 24 canais, ficou muito melhor do que foi gravado em Los Angeles, e tem as versões originais de “Sob o sol de Parador” em espanhol, e “Bang the boing”, uma música em inglês que ele proibiu. Então eu tô a fim de ver se essas coisas não estão apagadas. O importante é ter esses discos em catálogo. Eu mereço isso, quero consolidar meu ciclo, porque vai sair “A vida é doce” remasterizado com o “Ao vivo”, “Canções dentro da noite escura”, tudo bem encartado.

O contrato prevê um disco de inéditas?

Prevê, mas eu tô muito reticente, o que me interessa mesmo é lançar a caixa. O de inéditas depende das condições, a gente vai esperar a performance da gravadora. Eu acho que temos métodos melhores, a gente já ultrapassou a capacidade de administração deles. Temos rapidez e eficiência pra lançar, e isso pesa. Eu já tô com cinco temas prontos, sem letras, tô fazendo um monte de músicas, vendo onde que eu vou praiar, porque eu tô com um excesso de informação musical, fica difícil começar. Eu tô pesquisando, aprendendo, tocando em instrumentos que eu nunca toquei, tem a geografia ergonômica da coisa, e eu tô felicíssimo, sei que o meu melhor ainda tá por vir, o que não é muito corriqueiro na vida de um cara com 50 anos.

E a turnê do Acústico?

Foram os melhores shows da minha vida, eu fico impressionado como num show acústico, com a gente sentado, as pessoas se incendeiam no meio da platéia. E ganhar um Grammy de rock, disputando com Os Mutantes, Capital, Fresno, NX Zero, CPM 22, todo mundo tocando guitarra e gritando, isso foi o meu maior reconhecimento.

Você se cercou de condições muito boas para gravar esse disco...

A gente aproveitou a boa vontade da gravadora, eles investiram mais de um milhão. A gente não vendeu porra nenhuma - tem que deixar bem claro isso - não vendemos mais que 30 mil cópias entre CDs e DVDs, e a gente tem que atribuir isso à classe média baixando na internet. Não é porque CD não vende, porque a Maria Rita vendeu cem mil cópias em três semanas. O segmento de rock’n’roll é o mais prejudicado, porque a classe média baixa mais que outros segmentos. Nenhuma banda de rock nesse ano conseguiu ultrapassar as 30 mil cópias. Isso é uma coisa pra se pensar, a gente tá perdendo o fio da história. E se não for o rock’n’roll, o Brasil morre. A única salvação para o Brasil é se tornar um pouco mais paudurescente, e a paudurescência tá no rock’n’roll. Não vai ser na brejeirice paumolescente da mpb. A mpb pensa em todas as doenças, é o embevecimento com o pobre, a terraplanagem geral, pró ladrão, pró pobreza, pró todos serem comunistas, pró feriado, pró carnaval. Tudo que é o cancro no Brasil a mpb subscreve.

E o rock?

É a voz da rebeldia, o anti-estabilishment, a gente tem que ser mais duro, tem que ter mais potência, tem que sair pra rua pra reclamar, quem faz isso é o rock. E o rock é uma cultura contemporânea mundial, é uma apropriação da coletividade internacional, que não tem mais dono.

Por que o rock no Brasil não faz isso tudo que você tá falando?

Nós somos inerentemente bunda-moles porque somos brasileiros. As pessoas querem tapar o sol com a peneira com essa síndrome de dignidade intelectual. O Los Hermanos, que é o coletivo de Luiz Gonzaga Jr., era uma banda de hardcore e agora tá tocando Maria Bethânia. Isso daí é o fim pra gente, é entregar a rapadura para o filão. E nós estamos num momento altamente regionalista, a tal da volta às raízes. O Chico Buarque tá super em voga, a Maria Rita tá vendendo disco, todo mundo milimetricamente desarrumado, pra poder dizer que é da pobreza.

Isso é pior do que a mpb que tinha antes...

É pior porque é o cocô do cavalo do bandido. Se era ruim, agora é uma tentativa de emular. Vê o Lenine, é uma porcaria e as pessoas acham o máximo. Não que ele não toque bem e componha razoavelmente, mas o resultado final é entreguista. Se o rock não tomar uma consciência de virilidade... Pode parecer uma coisa machista, mas testosterona é testosterona, a gente tem ou não tem, e precisa ter, porque não tem transformação se não botar o pau na mesa.

Isso não tem a ver com essa horda de independentes “franciscanos”, como você falou, que não bota o pé na porta quando deveria botar?

Tem a ver, porque a música independente lá fora não tem esse perfil. O cara é independente e quer assinar um contrato grande. A contemporaneidade, o presidente bossa nova, o Juscelino, o PT voltou a isso. Quem abriu a TV Brasil foi a Maria Rita. As pessoas são xiitas, partidárias, facistóides, fãs do Ariano Suassuna, que é um cancro para a nossa cultura. Ele escreve bem pra caralho, mas o que ele fala é uma burrice, ele é avesso ao computador, a tudo o que é de fora. Nada mais jeca do que rechaçar o que é de fora. A nova geração da mpb é uma sombra pálida do que foi a outra, porque não tem revolução, não tem rebeldia. É o filho do fulano, é o filho do beltrano, virou uma capitania hereditária. E eles vêm com ares de salvadores da cultura nacional, esse é o grande retrocesso. Se houve alguma coisa de positivo nos anos 80, que eu sempre critiquei, foi justamente a ruptura. Mas a gente nunca se estabeleceu. Essa coisa de copiar o The Police, copiar o U2, nos deu uma fragilizada, tanto que o Police veio ao Brasil, o Paralamas foi fazer a abertura e o Sting contratou um cara de choro pra ficar tocando enquanto o Paralamas tava no palco. Quer um desrespeito maior do que esse?

E a história do "Peidei?"

Um amigo meu, o Zé Maria, tava conversando com a gente na véspera de eu ir para Brasília fazer divulgação. Ele disse “ao invés do Cansei, vou falar peidei. Que tal peidei, mas não fui eu?” E eu falei: faz uma camiseta disso que eu vou levar amanhã pra Brasília. Aí fui na TV Senado - o programa nunca foi ao ar -, mas vazou que eu fui lá, saiu na coluna do Joaquim Ferreira dos Santos (d’O Globo), o Jô Soares quis, estourou na internet, virou hit. Eu fiz a música, escolhi a dedo, peguei a prosódia do Chico Buarque, porque eu conheço toda a obra do Chico, eu toco toda a obra de Villa-lobos, João Pernambuco, sei a obra brasileira violonística praticamente toda. Então ninguém pode me taxar de preconceituoso, porque eu sei o que eu tô falando, e é muito difícil os meus antagonistas saberem tanto de mim quanto eu sei deles.

Você pretende fazer alguma coisa com isso?

Já foi o que tinha que ser, eu não quero que isso prepondere sobre a minha exposição musical, não quero me tornar uma caricatura política. Era pra neguinho sair na rua, mas tá todo mundo na internet batendo punheta. Na hora do asfalto ninguém faz porra nenhuma. Eu sou a bucha de canhão eternamente, e queria ver as pessoas protestando lá no Planalto.

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Do acústico Lobão herdou muitos instruimentos novos: "Eu tô pesquisando, tocando em instrumentos que eu nunca toquei, tem a geografia ergonômica da coisa, sei que o meu melhor ainda tá por vir, o que não é muito corriqueiro na vida de um cara com 50 anos"

Queen na Praia de Copacabana em novembro?

Site especializado na banda anuncia shows no Rio e em Buenos Aires. De acordo com o site queenzone.com, o Queen toca o Brasil num show único no dia 30 de novembro, na Praia de Copacabana. O show encerrará uma mini-turnê pela América do Sul que inclui ainda outras duas apresentações em Buenos Aires, Argentina, no Estádio do Velez Sarsfield. Um terceiro show na Argentina, e outros dois, um em Santiago, Chile, e outro em São Paulo, ainda segundo o site, também estariam sendo negociados.

O Queen vem excursionando pela Europa desde o ano passado com Paul Rodgers (Animals, Free, etc) nos vocais. É a primeira série de shows do grupo desde a morte de Fredie Mercury, em 1991.

Kiss

Foto do show do Autódromo de Interlagos, em São Paulo, em 1999. kiss99-03.jpg
Paul Stanley quer te ouvir

maio 27, 2008

Motörhead

Foto do show de 1996, no Metropolitan, no Rio. motorhead96-3.jpg
Há mais de 20 anos na banda, Phil Campbell prova que Motörhead não é só o Lemmy

O triunfo da técnica e a síndrome de Narciso

O jogo emocionante da última quarta levou o Fluminense ao êxtase da semifinal da Libertadores; para o arrogante São Paulo a partida ainda não acabou. Parece que o jogo da última quarta ainda não acabou. Ao menos para o São Paulo, cuja torcida, técnico, dirigentes e afins, acreditam que o time do Morumbi perdeu para o Fluminense, naquele belíssimo espetáculo no Maracanã. Pois eu retruco: foi o Fluminense quem venceu. Poderia ter empatado, vencido sem se classificar, mas venceu por diferença de dois gols e se classificou para as semifinais. Poderia ter dado o São Paulo, mas deu o único legítimo tricolor de que se tem notícia. Os outros, prova-se, são clubes de três cores.

Disse que o Fluminense poderia, na pior das hipóteses, empatar, como de fato aconteceu durante um minuto, quando, por cerca de 10, 12, o São Paulo dominou, com sobras, a partida. Jogando como jogou na última quarta, com uma fome de bola e de vitória impressionante, o Fluminense jamais perderia aquele jogo. Tanto que ficou, justamente, a maior parte do tempo vencendo por um gol de diferença – doa 12 do primeiro tempo aos 25 do segundo, e daí até o fatídico gol de cabeça de Washington, aos 46, já nos acréscimos. A equipe de Renato Gaúcho, entretanto, não foi superior o tempo todo, e poderia, apesar de toda a vontade, e de ter jogado melhor, ter saído do Maraca eliminada, porque o São Paulo, apesar de um início atordoado, também foi bem. Sim, meus amigos, foi um jogaço.

Pelo menos metade da torcida tricolor já estava a se conformar com a vitória por dois a um, dado o desempenho do time, apesar da eliminação latente, até que Washington fizesse o gol derradeiro ao apagar das luzes. Mesmo porque, naquele momento, o Fluminense imprensava o São Paulo com chutes de fora da área, escanteios em seqüência e defesas salvadoras (por vezes atabalhoadas) do ídolo Rogério Ceni. Entre esses lances, uma escapada do São Paulo resultou num ataque certeiro de Aloísio (que entrara para bagunçar a defesa do Flu, a melhor da competição) que obrigou o irregular Fernando Henrique a fazer das suas – o que vem se tornando hábito nessa Libertadores.

Mas coube ao escanteio de Tiago Neves e à cabeçada de Washington o mérito de dar números finais ao jogo e colocar a equipe das Laranjeiras frente a frente com o Boca Juniores. Um golpe de sorte que seria impossível não fosse a qualidade técnica de Júnior César, Cícero e Washington (no primeiro tento), de Conca, Tiago Neves e Dodô (no segundo) e de – repito – Tiago Neves e Washington (no terceiro). Prova inequívoca e definitiva de que venceu o melhor.

Acontece que, com ares de arrogância, o São Paulo acha que sofreu uma derrota vexatória, que foi humilhado e que tem que carregar um trauma daqueles. Dirigentes e setores da crônica esportiva de além Dutra querem, numa bandeja, a cabeça do técnico Muricy Ramalho. Diagnostica-se, assim, uma espécie de síndrome de Narciso. Para o São Paulo, só ele é bom, só ele pode vencer. Ora, meus amigos, perder para um time grande e forte como o Fluminense está longe de ser uma vergonha. Num clássico desse nível, poderia dar um ou outro, como demonstrou a própria partida, talvez a melhor do ano até aqui - seguramente a mais bem disputada. É evidente que o São Paulo, por ter colecionado títulos de primeira linha nos últimos anos (dois Brasileiros, uma Libertadores e um Mundial) tira onda de bam bam bam. Nem parece aquele time que, ao ser eliminado no Campeonato Brasileiro de 2002, na fase de mata-mata, depois de ter sido o primeiro na primeira fase, ficou chorando pelos cantos e com fama de amarelão. Porque futebol, sabe-se, é feito de altos e baixos.

Não, São Paulo, perder para o Fluminense nas quartas de final de uma Libertadores não é o fim do mundo, não. Problema é, aí, sim, contratar mal e não conseguir ter um bom time há mais de dois anos. Como tenho dito aqui repetidas vezes, a equipe do Morumbi tem se garantido por ter uma boa estrutura extracampo e por ter seguramente o melhor treinador em atividade no Brasil. Time bom mesmo, neca de pitibiriba. Não à toa, o time do São Paulo só fez duas boas atuações esse ano, justamente as partidas contra o Flu. Pensem nisso, são-paulinos. E toquem o barco normalmente.

Se o Boca é o bicho papão, é melhor para o Fluminense que encará-lo logo. Se tem vencido todos os brasileiros nos últimos tempos, já está na hora de perder a primeira, porque não vai vencer sempre pra sempre. Deixando estatísticas, temores e tradições de lado, a equipe tricolor nada fica a dever à portenha. É, sem exagero, até melhor. Isso sem falar em Riquelme (o craque que não sorri), que esse é jogador fora de série e difícil de encontrar em qualquer lugar do mundo. Mas no geral o Flu é melhor, mesmo sem ter um timaço, coisa que o Boca também não é. A decisão de Renato de colocar Arouca na cola de Riquelme é das mais acertadas, poucos meias marcam tão bem como a revelação tricolor, e, dependendo de onde ele conseguir roubar a bola do craque argentino, pode até iniciar uma arrancada para o gol adversário.

A poderosa defesa tricolor deve se cuidar também. O botinudo Palermo gosta de fazer das suas, e Palacio é tão habilidoso quanto o Conca. As arrancadas dos laterais pode surpreender as subidas dos tricolores, sobretudo a de Júnior César, que tem sido fatal. Se Ygor não joga, a entrada de Roger pode revestir a disputa de raça, como é necessário – dizem – numa Libertadores. Jogo, enfim, aberto. Mas no muro eu não fico. O Flu arranca um empate amanhã (se o Atlas conseguiu...) e vence no Rio, nem que seja nos pênaltis.

Até a próxima que o ataque do Internacional é show de bola!!!

Rush
A Última Grande Banda a Tocar no Brasil

Ás vésperas de vir tocar no Brasil pela primeira vez, o baixista Geddy Lee e o guitarrista Alex Lifeson concederam uma entrevista cada um, separadamente, por telefone, direto do Canadá. Na pauta, o álbum “Vapor Trails”, lançado naquele ano, os traumas familiares sofridos pelo batera Neil Peart e outros papos sobre a história do Rush. Matéria de capa da Revista Dynamite número 59, de novembro de 2002. Foto: Divulgação. rushdyna.jpg

Não resta dúvida de que o Rush é um grupo singular dentro da história do rock em todos os tempos. Afinal, que banda consegue atravessar três décadas sem perder um só fã, e angariando aos montes os da nova geração? Que grupo, apesar de ter várias fases, com tantos discos diferentes, consegue brilhar a cada novo lançamento, tendo desenvolvido uma sonoridade absolutamente própria? É difícil achar uma outra resposta que não seja Rush.

Entretanto, por absoluta falta de compreensão, a mídia (des)especializada insiste em colocar a banda no rol daquelas que você “ama ou odeia”. Mas o rastro de influências deixado pelo Rush ao logos desses mais de 30 anos de existência (28 deles com a formação inalterada) não deixa dúvidas. Podemos afirmar que não existe nenhum baixista ou baterista no meio da música pesada, e quiçá da música como um todo, que não cite respectivamente Geddy Lee e Neil Peart como, no mínimo, uma de suas referências. Isso quando não admitem claramente que aprenderam a tocar com eles. Alex Lifeson não fica atrás, mas na sua área (a guitarra), o mercado é mais saturado.

Desde que foi fundado, num longínquo ano de 1969, o Rush já teve várias facetas. Começou como um clone de Cream e Led Zeppelin, se enveredou pelo rock progressivo, num interessante crossover metal/progressivo, assumiu uma postura menos pesada, porém rock, flertou com Police e cia, adquiriu elementos eletrônicos, voltou ao rock básico, e (ufa!) tudo isso sem a perda da identidade. Um fraseado de Geddy Lee, um som de caixa de Peart, um solo de Alex, tudo isso é reconhecido a quilômetros de distância.

Se toda unanimidade é realmente burra como afirmava o gênio Nelson Rodrigues, o Rush veio para confirmar a teoria de uma maneira não menos genial: até hoje, nenhum de seus fãs (e olha que eles discutem) conseguiu chegar a um acordo sobre qual é o melhor álbum do grupo. Apesar de muitos discos serem incensados por todos, para alguns o que é o melhor, é aquele que é o pior para outros. Ou seja, até o pior disco do Rush é muito bom.

Assim, numa análise preliminar, novos fãs do Rush se apaixonam por álbuns não digeridos pelos mais antigos. Não digeridos porque escutar a música do Rush é uma coisa eternamente inacabada, sempre descobre coisas aqui e acolá aquele que volta a ouvir cada álbum. Como costuma dizer o próprio Neil Peart, citando um autor desconhecido, nenhum trabalho artístico fica totalmente acabado, ele é apenas abandonado.

E isso numa carreia amplamente prolífica, em que a banda sempre esteve, a exceção dessa última fase, por causa dos problemas familiares de Neil Peart, que em menos de 10 meses perdeu a esposa (para o câncer) e a filha (num acidente de carro), ou dentro de estúdios, ou na estrada. Diferentemente de outras bandas, sobretudo as mais recentes, o Rush jamais lançou as chamadas “sobras de estúdio”, caça-níqueis inventados pela indústria do disco. Não por questões ideológicas, mas simplesmente por não ser necessário. Covers então, nem pensar. E para desespero dos marqueteiros de plantão, a cada álbum, a banda sempre criou um logotipo diferente, para ficar claro que, num álbum, o Rush jamais será a mesma banda que foi no anterior.

Com a confirmação dos shows pelo Brasil, esperado há varias gerações, a Dynamite descolou uma entrevista exclusiva com Geddy Lee, o “By-Tor”, e Alex Lifeson, o “Snow Dog”. Recuperada dos recentes traumas, a dupla, que junto com Neil Peart faz o Rush ressurgir das cinzas com o álbum “Vapor Trails”, falou sobre a nova fase, detalhes dos shows pelo Brasil e outras histórias de uma banda definitivamente histórica. Confira os principais trechos:

Sempre foi dito aqui no Brasil que o Rush não gosta de tocar em estádios abertos, e que esse seria o motivo de a banda ter demorado tanto para vir ao País. Ate que ponto isso é verdade?

Alex Lifeson: Em parte isso é verdade. Acabamos de terminar uma turnê na América do Norte, na qual fizemos shows em locais abertos, e gostamos muito. O problema é que no passado a única oferta que nós tivemos foi para tocar no Rock In Rio. E nós não ficamos à vontade para tocar em festivais muito grandes, junto com outras 10, 12 bandas, porque nosso show completo, que dura em torno de 3 horas, tem muitos efeitos de luz, vídeos e tudo mais. Numa situação como o Rock In Rio, é impossível de fazer o show que você quer. Essa foi a razão de não termos aceito. (Sábia decisão, a julgar pelo som do último Rock In Rio).

Geddy Lee: Festivais é uma coisa difícil porque nós achamos que os fãs do Rush são fãs muito dedicados e sempre queremos fazer o mesmo show para todos eles, igual ao que fazemos nos Estados Unidos e Canadá. Quando você toca num festival, não é possível fazer um show inteiro, e às vezes evitamos alguns convites porque gostamos de fazer o nosso próprio show.

É engraçado porque o Rush sempre foi a banda mais votada pelo público em todas as edições do Rock In Rio, como a mais desejada para tocar no festival. Qual é a sua expectativa para os shows no Brasil, especialmente no Rio, que vai ser no Maracanã, o maior estádio de futebol do mundo?

Alex: Primeiro de tudo, nós nunca pensamos que tivéssemos essa responsabilidade ao ir tocar no Brasil, nós não tínhamos idéia. Só agora é que estamos nos dando conta que existem muitos fãs do Rush no Brasil, e estamos bastante empolgados. Os shows vão ser idênticos ao que fizemos na América do Norte, vão durar 3 horas, vão ter muitos vídeos e efeitos de luz, e nós cobrimos todo o nosso repertório desde o primeiro álbum.

Geddy: Estou grato e bastante animado para levar esse show para os brasileiros. Estou particularmente orgulhoso desse show que estamos fazendo agora e acho muito legal levá-lo até o Brasil.

Pelo que andei olhando, vocês não vão tocar músicas dos álbuns “Caress Of Steel” e “Hold Your Fire”...

Alex: Eu teria que dar uma olhada no set list, mas talvez você esteja certo, isso pode ter ocorrido...

Geddy: Acho que é isso mesmo. Mas há algumas músicas que nós só vamos tocar só aí, como “Closer To The Heart”, por exemplo, que é muito popular no Brasil. E talvez alguma coisa que ainda poderemos acrescentar.

Que critério vocês usam para montar o set list, com tantos anos de carreira?

Geddy: É muito difícil para nós. Temos muitos álbuns e é muito difícil escolher as músicas certas, que farão as pessoas felizes, e que nos farão felizes. É pó isso que fazemos um show tão grande, cerca de três horas.

Alex: Primeiro nós fazemos um “set list dos sonhos”, com músicas de todos os álbuns, relacionando as músicas que são “candidatas” para serem tocadas no show. E aí temos um set de umas quatro horas e meia, e vamos cortando até chegarmos nas três horas. Às vezes ensaiamos músicas que ficaram de fora, e podemos ir fazendo trocas durantes a turnê.

Falando do último álbum, “Vapor Trails”, Alex, não existem muitos solos de guitarra nele, como você fazia em outros tempos. É um tipo de mudança no seu estilo de trocar?

Alex: Eu não sei, eu só senti que devia tocar assim. Eu adoro solar, adoro fazer números com a guitarra, mas nesse disco eu não quis colocar um solo que tomasse muito espaço numa música. E eu pensei que seria mais interessante todos nós tocarmos ao mesmo tempo, e todos teriam a chance de solar juntos, no meio das músicas. Achamos que seria melhor para as músicas. Isso nesse álbum, talvez o próximo seja todo de solos. É sempre uma coisa que parte de nós três.

É que os fãs das antigas reclamam das músicas que não têm solos como antigamente...

Alex: Uma coisa certa no Rush é que nós não gostamos de ficar sempre no mesmo lugar, nós gostamos de nos mexer, tentar coisas diferentes. Sempre haverá fãs mais antigos que querem ouvir todas as coisas que fizemos nos anos 80, de álbuns como “A Farewell to Kings” e “Hemispheres”. Eles não querem se distanciar dessas músicas longas, e nós gostamos delas, mas temos que sair do lugar. Não podemos ficar parados.

Também não há teclados no disco novo. Vocês estavam tentando reinventar o som do Rush, começando por uma espécie de “volta às raízes”?

Alex: Exatamente. Para min, nós deveríamos nos distanciar dos teclados o quanto pudéssemos. Eu acho que os teclados em alguns dos nossos álbuns soaram gratuitos, eles não estavam tocando uma parte importante da música, como partes de guitarra ou dos vocais, e nem criando outras coisas. Então decidimos que usar só os três instrumentos seria mais interessante.

Geddy: Desde o “Counterparts” nós começamos a reduzir as partes de teclados nas músicas e quando eu estava trabalhando na produção do disco ao vivo, o “Different Stages”, percebi que estava cansado de fazer isso desde 78. E havia a simplicidade do som que eu acho bastante interessante, e é uma coisa que nós deixamos para trás, aquela coisa de tocar como power trio mesmo. Quando nós começamos esse álbum, Alex estava pensando da mesma forma, e com mais certeza ainda de que nós não deveríamos usar nenhum teclado.

Você acha que esse lance de tentar fazer um som mais básico de novo tem algo a ver com os acontecimentos na vida pessoal do Neil Peart, que de certa forma também afetaram vocês?

Alex: Todos nós sentimos, emocionalmente, essa experiência. Quando nós viemos fazer esse disco, havia um presságio de fazer uma coisa, eu não sei, pura, mais básica, mais orgânica. Nós precisávamos voltar a trabalhar e foi difícil, porque somos uma banda de três elementos, e tocamos pesado. Foi o que tentamos passar nesse disco.

Esse disco demorou 14 messes para ficar pronto, é o recorde de vocês em toda a história do Rush?

Alex: Foi, em geral gastamos quatro ou cinco meses para compor, gravar e produzir um disco. Foi realmente cansativo.

Em relação ao encarte do disco, há alguma idéia por trás das cartas de tarô?

Alex: Eu acho que sim, para o Neil, quando ele estava perdido, procurando por alguma coisa, o porquê para tudo aquilo acontecer na vida dele. Ele andou por algumas cidades, lendo, se interessando por cada coisa que o intrigava. Ele fez conexão com várias dessas cartas, o que elas representam, e eu acho que quando ele começou a escrever as letras, fez também essa conexão. Além disso, essas cartas têm um significado gráfico muito forte.

Ao invés de produzir o disco vocês mesmos, vocês chamaram o Paul Northfield (que produziu o álbum “Different Stages”). Há alguma razão especial para essa escolha?

Alex: Esse álbum nós realmente queríamos produzir nós mesmos, mas nós sentimos que precisávamos de alguém que nos desse um outro ponto de vista. Nós chamamos o Paul quando já tínhamos quase todo o material, e queríamos que ele gravasse a bateria. Ele também é um amigo nosso, e o Neil precisava trabalhar com alguém com quem ele se sentisse à vontade, porque seria um trabalho difícil para ele.

Depois de todos esses problemas que a banda passou, você acha que o disco ficou realmente bom, ou poderia ter ficado melhor, em alguns aspectos?

Geddy: Eu não sei, só voltando no tempo, mas certamente sobreviver a dificuldades nos faz mais fortes e eu acho que estamos juntos há muito tempo, temos muita paixão ao fazer música. Foi um projeto muito emocional, por causa dessas dificuldades. E de alguma forma essa paixão transpareceu no disco.

Alex: Eu acho que todos os nossos discos poderiam ter ficado melhor, mesmo depois de prontos. E o dia que isso não acontecer, é porque você deve parar. Eu não ouvi o “Vapor Trails” por um tempo. Nós estamos muito felizes com o disco, acho as músicas muito boas, mas eu tentaria aperfeiçoar algumas delas, arranjando-as de novo. Há sempre coisas nas quais temos que evoluir.

Vocês costumam escutar os discos antigos do Rush, entes de começar a trabalhar no álbum novo?

Geddy: Não, eu não ouço a nossa música, a não ser quando estamos preparando uma turnê. Aí eu tento ouvir tudo que é possível do Rush. É um período interessante para min, para ouvir tudo que nós já fizemos, e ver o que sobreviveu...

Alex: Eu tento não ouvir nada antes de começarmos a compor, e quando o processo começa, eu não ouço nenhum tipo de música. Talvez no rádio do carro, mas eu acho um pouco perigoso ouvir música quando você está compondo.

Você tem medo de receber certas influências indesejáveis?

Alex: Pode acontecer de uma maneira até ingênua, você ouve algo que prende a sua atenção, e começa a tocar parecido, isso é perigoso. Todos nós tentamos ficar longe de escutar outras músicas quando estamos compondo.

Alex, você produziu o disco de uma banda chama Lifer, você se interessa por essas bandas novas, especialmente do cenário nu-metal americano?

Alex: Um amigo meu que trabalha na gravadora deles queria que eu escutasse a música e desse algumas idéias. Ele gostou do que eu falei e agendou o estúdio para gravarmos o disco no dia seguinte. Todo o disco em cinco semanas. Foi tudo muito rápido. Mas eu não sou o tipo de cara que está por dentro do que está acontecendo na música, eu não ouço as novas bandas da garotada que aparecem. Eu ouço coisas que eu realmente gosto muito, e não ouço nada que eu realmente não goste, ou que não entenda o qual é a idéia. Quando estou envolvido num projeto como esse do Lifer, eu só me interesso em saber o que eles estão querendo fazer, o que a música deles deve representar, e eu tento dar a resposta para eles, de modo que o resultado seja o melhor possível.

O Rush é uma banda que ficou conhecida por tocar, ao vivo, exatamente igual às gravações dos álbuns. Vocês já pensaram em fazer jams ao vivo, assim como deve rolar nos estúdios?

Alex: Não, nós tentamos chegar perto do material gravado nos discos porque é essa a expectativa que os fãs têm, de ver a banda tocando igualzinho ao vivo, só que tudo maior, mais alto, mais pesado, com efeitos visuais. Nós até que improvisamos um pouco, mas não de uma forma significativa. Eu acho que com esse álbum, há momentos de improvisação que nós nunca tivemos antes. Certamente nas músicas mais antigas, no bis, teremos um pouco dessa improvisação.

Vocês costumam compor músicas novas quando estão em turnês, especialmente as mais longas?

Alex: Não, nós costumávamos fazer umas jams nas passagens de som, e às vezes gravávamos. Isso há uns 12, 15 anos atrás, mas não fazemos mais nada disso nas turnês. Achamos mais interessante cada um guardar suas idéias e começarmos tudo no primeiro dia de estúdio, é muito bom colocar as novas idéias que acumulamos antes de testá-las, fica tudo mais fresco.

É difícil hoje em dia, que vocês estão já maduros, têm família, filhos, ficar muito tempo em turnês?

Alex: Essa turnê não está sendo tão ruim, afinal ficamos parados por cinco anos, e é legal estar de volta à estrada. Nós gostamos de estarmos juntos, e de aproveitar cada momento de todo o processo.

Geddy: Essa turnê eu estou gostando muito, e é difícil pra mim, pois tenho uma filha pequena, e é difícil ficar longe dela por muito tempo. Ela tem oito anos, e tenho um garoto com 22, que está na universidade. Mas ele costuma me visitar quando tenho muitas saudades. Com minha filha é mais difícil, porque eu já sou velho o bastante para reconhecer que uma turnê não dura para sempre e que quando ela acabar terei todos para mim de novo. Quando você está fora de turnês é que você percebe o quanto é bom tocar. No meio de uma turnê, quando você está no palco e vê pessoas tão felizes, é o que conta.

Qual fase do Rush você acha a mais legal?

Geddy: É difícil de dizer, eu não sei, mas eu gosto de como soamos agora... Mas eu fiquei muito orgulhoso do som do “Power Windows”, por exemplo, do som do “Moving Pictures” e também do “Permanent Waves” e do “2112”. Essas são as minhas fases favoritas na banda.

Há alguns anos vocês lançaram um álbum ao vivo, com um bônus com material de 1978. Você pretende repetir essa experiência, com material de outras fases do Rush?

Geddy: Eu não tenho certeza, mas esperamos poder lançar um DVD que estamos filmando nessa turnê, e colocar muitas performances dessa turnê e também outras coisas, incluindo vídeos antigos que temos guardados.

Vocês costumam lançar um álbum ao vivo a cada quatro gravados em estúdio. Isso é uma espécie de regra interna no Rush?

Geddy: Não é uma regra, regra é uma palavra forte. É uma forma que as coisas têm funcionado, mas não sei se vamos continuar assim, eu acho que já lançamos bastante álbuns ao vivo.

Geddy, como é cantar as letras escritas por Neil, já que elas não representam necessariamente o que você pensa?

Geddy: Eu me sinto bem, nós trabalhamos sempre juntos cuidando das letras e há uma boa comunicação entre nós. E no fim das contas sempre me sinto bem sobre o que colocamos nos discos.

Como é o processo, ele escreve e vai te passando aos poucos...

Geddy: Nós sentamos juntos e escrevemos três ou quatro páginas com idéias, algumas já em forma de músicas, e outras só mesmo as idéias. E eu escrevo músicas de acordo com que as letras vão aparecendo para mim, e certamente não uso tudo. Aí volto para ele, e ele desenvolve de modo a se encaixar nas partes que eu gostei. Em alguns casos eu adoro a música e ele também, mas isso depende.

Você costuma ter um cuidado especial com sua voz?

Geddy: É, infelizmente eu tenho uma vida meio chata nas turnês, tenho que cuidar do que como, e o quanto eu bebo. Preciso recusar certas comidas, como derivados de leite e comidas apimentadas. E tenho que beber bastante água e tentar não falar demais.

Você acha que o Rush é o tipo de banda que sobrevive fora do mainstream?

Geddy: Nós estivemos dentro do mainstream por 30 anos e ficamos bem à vontade nessa posição. Nós somos uma banda estranha, como se fôssemos a banda cult mais popular do mundo, sei lá...

Que tipo de música você ouve quando não está compondo ou em turnês?

Geddy: Eu adoro a música da Björk, e também Radiohead, Foo Fighters. Gosto de Coldplay agora, muitas coisas diferentes, gosto muito da música do Tom Waits.

Nos anos 80 muitas pessoas criticavam o Rush por ele ter adquirido certas influências da new wave, de bandas como o Police e tal. E agora, como o Rush se sintoniza com a música atual?

Geddy: Eu acho que, à medida que você vai ficando mais velho, suas influências vai ficando mais diversas, tem muitas coisas novas que chamam a atenção...

David Gilmour não descarta novo show de reunião do Pink Floyd

Guitarrista, no entanto, não aprova turnê. Em entrevista à Rádio BBC, de Londres, o guitarrista do Pink Floyd, David Gilmour, não descartou uma nova reunião do grupo para um único show, nos moldes daquele que aconteceu em 2005, no festival de caráter beneficente Live8, no Hyde Park. "Quem sabe? Quem conhece o futuro?", disse o guitarrista, ao ser perguntado sobre o tal show. "Eu nunca disse não a esta possibilidade", completou. Já a respeito de uma turnê de reunião, Gilmour foi categórico: "não vai acontecer".

Eric Clapton toca com Solomon Burke

Deus da guitarra colaborou em duas faixas do novo álbum do ícone da soul music. Já está confirmado: o próximo álbum de Solomom Burke terá duas músicas feitas em parceria com Eric Clapton. "Like a Fire" tem previsão de lançamento para junho, e traz as músicas "Thank You" e a faixa-título do CD, feitas em parceria com o guitarrista. Eric, no entanto, não é o único convidado de Burke para esse disco. Além dele, colaboraram ainda Ben Harper, Meegan Voss, Jesse Harris, Stephen Jordan e Keb’ Mo. Ícone da soul music, Solomon Burke foi indicado ao Rock and Roll Hall of Fame em 2001.

maio 26, 2008

MQN

Foto do Goiânia Noise Festival, de 2001, no Centro Cultural Martim Cererê. mqn01.jpg
MQN detonando em casa, como de costume

Lenda viva do rock, Lemmy Kilmister é tema de documentário

Filme deve sair em 2009 Ele foi roadie de Jimi Hendrix, é ídolo de todo músico de heavy metal de 50 anos para baixo e, à frente do esporrento Motörhead, virou lenda. Agora, chegou a hora de Lammy Kilmister, que já foi chamado de Deus, virar documentário. Intitulado, por enquanto, apenas como Lemmy, o filme está sendo dirigido e produzido por Greg Olliver e Wes Orshoski.

Contando com depoimentos de amigos, parceiros e fãs de Lemmy, incluindo artistas consagrados como Dave Grohl, Alice Cooper, Slash, Mick Jones e Steve Vai, o documentário promete traçar um paralelo da carreira do baixista com a história do rock em si. Uma previsão otimista aponta para o ano que vem o lançamento do filme, mas trechos que poderão ser incluídos já podem ser checados no site www.lemmymovie.com.

Vem aí o quarto álbum do The Vines

Grupo australiano lança novo trabalho em julho. "Melodia" é o sugestivo título do quatro álbum do The Vines, que deve chegar às lojas em julho. Produzido por Rob Schnapf, que já havia trabalhado com os australianos nos dois primeiros álbuns, o disco traz 14 faixas - veja relação completa lá embaixo. "Melodia" é o primeiro lançamento do grupo pela nova gravadora, Ivy League, mas a antiga gravadora da banda, a Capitol, representada no Brasil pela EMI, lançou recentemente uma coletânea com os sucessos do grupo. Confira a músicas que estão em "Melodia":

1- Get Out
2- Manger
3- A.S III
4- He's A Rocker
5- Orange Amber
6- Jamola
7- True As The Night
8- Braindead
9- Kara Jayne
10- MerryGoRound
11- Hey
12- A Girl I Knew
13- Scream
14- She Is Gone

maio 25, 2008

Virgo

Foto feita durante uma sessão para a Revista Roadie Crew, em Agosto de 2001, em Colônia, na Alemanha. virgo01-2.jpg
Andre Matos e Sacha Paeth encabeçando o Virgo,
duo extemporâneo que só gravou um disco.

maio 24, 2008

Acabou La Tequila

Outra do show do Superdemo de 1995, no Parque Garota de Ipanema. tequila95-3.jpg
Quem te viu e quem te vê: o magro Jimmy London, o careca Donida (ambos hoje no Matanza) e Renato Martins, atualmente no Canastra

maio 23, 2008

Walverdes

Foto do show do Goiânia Noise 2001, no Centro Cultural Martim Cererê. walverdes01.jpg
Mini: a voz desesperada dos Walverdes

maio 22, 2008

Acabou La Tequila

Foto do show do tumultuado Superdemo de 1995, no Parque Garota de Ipanema, no Rio. tequila95-2.jpg
Jimmy London com o gorro do Botafogo, que foi campeão brasileiro naquele domingo, e Renato Martins

O negócio é baixar

Música virtual só serve para ouvir antes, conhecer antes e ver se vale a pena comprar o álbum de verdade, seja ele em que formato físico for. Porque, senão tem o formato físico, a música simplesmente não existe. Meus amigos, o que é modernidade. E o que é a tecnologia. Nos últimos dias tenham baixado mais que pai de santo. Precisava conhecer o novo disco desse ou daquele artista e a gravadora nada. Prometia enviar o CD e não cumpria. Sim, meus amigos, porque jornalista é assim. Precisa estar bem informado para o que der e vier. O Whitesnake, por exemplo. Sem vem tocar aqui, não é possível que não se conheça o último álbum deles. E a gravadora nada. Daí me lembrei quando foi lançado o penúltimo álbum do Helloween, “Keeper Of The Seven Keys – The Legacy”, há uns dois anos, e eu ia fazer uma entrevista para ser publicada no Jornal do Brasil. E a gravadora nada. Meio a contragosto e digitalmente semi-analfabeto, baixei o CD duplo a tempo de elaborar umas perguntas de bom nível sobre o então mais recente disco da banda.

Agora, para poder assistir aos shows de Whitesnake e Megadeth, por ser a mesma gravadora, baixei os dois. Pois eis então o novíssimo lema deste velho homem da imprensa: a gravadora não vai enviar? Então a gente baixa. Admito, logo, e antes de mais nada, que para tal façanha, a de ser incluído no rol dos baixadores, tive a ajuda do amigo Zé, o Panamá, certamente a segunda figura que mais freqüenta shows de rock no Rio de Janeiro, quiçá no Brasil. A primeira vocês sabem quem é. Pois foi ele, o Panamá, que me passou, via depoimento no orkut (moderno, né?) uma pá de links para eu me esbaldar no mundo virtual. Isso num primeiro momento, já que, em seguida, percebi que toda essa fartura estava ali, no orkut mesmo. É só ir na comunidade de tal grupo que a discografia dele tá todinha lá, inclusive as coisas mais recentes, em links que te levam para sites baixadores da vida. Fácil, fácil, mole, mole, melhor que na Brastel – onde tudo era à preço de banana.

Fica, no entanto, a dúvida. Devo fazer a resenha desse disco, negado por uma gravadora e baixado na mão grande, no meu site? O do Whitesnake, “Good to be Bad”, por exemplo, deve ser resenhado? Pela ótica jornalística, sim. Simplesmente porque, fazendo o exercício de adivinhar aquilo que o leitor do site quer ler, e admitindo que o site tem, sim, leitores, acredito que o primeiro disco do Whitesnake em 10 anos esteja entre essas coisas. Acho também, usando de uma falsa modéstia, relevante a opinião deste que vos escreve para um ou outro leitor. Para o meio em geral, na verdade. É relevante para mim e para o universo que gira em torno deste site? Então tá dentro.

Mal soluciono o primeiro impasse e já me defronto com o segundo. No lugar onde em geral entra o nome da gravadora, o que escrevo? “Baixado da Internet”, como já fiz com o próprio disco do Helloween, incentivando ao leitor que baixe também ? Ou o nome da gravadora mesmo, para que o interessado se sinta disposto a comprar? Eu, por exemplo, como entusiasta do rock, gosto do álbum inteirinho nas minhas mãos, com encarte cheiroso e tudo. Gosto de abrir, olhar, escutar, ver as letras e blá blá blá. O Whitesnake, por exemplo. Gostei do disco e, cedo ou tarde, vou adquiri-lo, provavelmente quando o preço cair. Talvez, se não gostasse, ainda assim compraria o CD, baseado na teoria defendida pelo amigo Carlo Antico, que lhe valeu o singelo apelido de “Coleção”, já que ele costuma comprar discos para completá-la, a coleção. Quanto ao novo do Megadeth, com o ótimo título de “United Abominations”, ainda o escuto, nesse momento, lá no tocador de CD.

No que essa conversa toda deságua para um ponto com o qual volta e meia eu me deparo. Essa coisa de música virtual que não serve pra nada, a não ser pra gente ouvir antes, conhecer antes e ver se vale a pena comprar o álbum de verdade, seja ele em que formato físico for. Porque, senão tem o formato físico, como diria Maurício Valladares, esse álbum não existe. Música virtual para sempre vai ser, tão somente, uma grande vitrine, como disse Lobão recentemente. Baixei e gravei em CDR (não ouço música nessas caixinhas toscas de computador) mais de dez álbuns, e, confesso, não morri de amores por todos; nem gamei por eles. Há prós e contras em todos: muitos, vou comprar; outros, jamais.

Disse, no início, que tenho baixado mais que pai de santo. Mas não me vejo como um inveterado baixador. Quero o CD, o disco, o álbum. Quero a música em estão físico, prostrada na prateleira, para eu pegar quando quiser ouvir ou quando precisar para fazer uma ou outra citação em um texto qualquer. Sabe-se que, mesmo fisicamente, o saber não ocupa espaço, a menos que seja na prateleira. Por isso eu exijo o conhecimento materializado. Aqui na minha mão. Senão a gente baixa tudo.

Até a próxima e long live rock’n’roll!!!

Red Hot Chili Peppers anuncia férias

Grupo fica ao menos um ano sem atividades. O Red Hot Chili Peppers ficará fora de combate por ao menos um ano. O anúncio foi feito pelo vocalista Anthony Kiedis, numa entrevista à Revista Rolling Stone americana. Kieds disse que vai aproveitar para passar mais tempo junto da família, e que o baixista Flea e o guitarrista John Frusciante trabalharão em projetos individuais. O vocalista se queixou da sempre lotada agenda da banda, que, segundo ele, desde 1999 não dá tréguas para os músicos. Nesse períuodo, a banda lançou três álbuns: "Californication" (1999), "By the Way" (2002) e "Stadium Arcadium" (2006).

maio 21, 2008

Violeta de Outono tem primeiro disco relançado com faixas bônus

Compra pode ser feita pela internet, veja como. O guitarrista Fabio Golfetti informa: o Violeta de Outono acaba de receber a primeira tiragem do primeiro LP (convertido para CD), intitulado "Violeta de Outono". O disco foi todo remasterizado e traz faixas bônus, incluindo uma cover que nunca foi lançada antes, já que estava escondida no tape original. Trata-se de "2000 Light Years From Home", do Rolling Stones, originalmente gravada no álbum "Their Satanic Majesties Request", de 1967.

O CD foi lançado na Inglaterra, assim como o segundo disco da banda, "Em Toda Parte", que chega em junho, também remasterizado e com bônus. Como a tiragem é limitada, vale comprar logo pela Internet, aqui.

Courtney volta atrás e diz que lança disco ainda em julho

Cantora postou mensagem no MySpace.com. Ao tomar conhecimento da notícia de que teria "jogado fora" as músicas que compõs nos últimos três anos com a ajuda de Linda Perry e de Blly Corgan, líder do Smashing Pumpkins, Courtneu Love postou uma mensagem em seu blog, dentro do MySpace.com, dizendo que a tal reportagem "não faz sentido". A cantora disse ainda que o disco, produzido por Linda Perry, vai ser lançado pelo selo Custard, pertencente à produtora, em meados de julho, e acrescentou que tem tocado com Stuart Fisher e Roddy Bottum, ex-Faith No More, sem dar maiores detalhes.

Lacuna Coil

Foto feita no container/camarim do Dynamo Open Air, em 1999, em Mierlo, Holanda. lacunacoil99-2.jpg
Banda satisfeita depois de um belo show no Dynamo

Fãs do Slayer são os mais dedicados, diz jornal inglês

The Guardian elaborou lista de bandas segundo a dedicação de seus fãs. O conceituado jornal inglês The Guardian elaborou uma lista de bandas e artistas segundo a dedicação de seus fãs, e deu Slayer na cabeça. O grupo americano de thrash metal vem seguido da cantora Tori Amos (!), e Kiss e Iron Maiden também aparecem entre os 10 primeiros colocados. Confira:

1- Slayer
2- Tori Amos
3- Sublime
4- Kiss
5- Bruce Springsteen
6- Black Sabbath (fase Tony Martin)
7- Jimmy Buffett
8- Iron Maiden
9- Guided By Voices
10- Morrissey

maio 20, 2008

Novo do Kataklysm também sai antes no MySpace

"Prevail" pode ser escutado já a partir desta sexta. O nono disco do Kataklysm, "Prevail", tem data de lançamento confirmada para o dia 27 de julho, mas os mais apressadinhos já podem escutar todas as músicas que estão no disco já a partir da próxima sexta, na página da banda no MySpace.com. O disco tem a produção de Jason Seucof, e as participações especiais de Pat O'Brian, do Cannibal Corpse, e de Dave Linsk, bo Overkill.

Paradas duras e equilibradas

Semifinais da Copa do Brasil e da Libertadores são pautadas pelo equilíbrio. Como pouco sou cobrado aqui, cobro-me eu mesmo. Disse que, na Copa do Brasil, daria Inter e Vasco e Corinthians e Botafogo. Não deu Inter e desde já me lamento, porque não gosto de ver time pequeno próximo de ganhar título, muito menos um de expressão nacional, e com direito a ingresso na Libertadores. Já pensou que lástima ver o Sport repetindo o triste papel de Paulista e Santo André? Façam-me o favor. Acontece que, entre as três equipes grandes que estão nas semifinais da Copa do Brasil, não há sequer um bom time. E repito: Vasco, Corinthians e Botafogo não têm, em absoluto, bons times. Ficaram para trás, por motivos variados, Inter e Palmeiras, estes, sim, bons times, e que volto a apontar, junto com Flamengo, Fluminense, Cruzeiro e São Paulo, como os favoritos para o brasileiro desse ano.

Recuso-me a comentar sobre o Sport, e já fiz e refiz considerações sobre a gritante ruindade do Botafogo. Não há, dentro da equipe alvinegra, um único craque. Tanto que o destaque da equipe de General Severiano é o técnico Cuca. Mas esse não ganha títulos de jeito nenhum. Por incrível que pareça, a saída para o Botafogo pode estar – acreditem – no meia Carlos Alberto. Não que ele jogue muita bola e crie pouco caso – é exatamente o contrário. Mas o sortudo jogador já ganhou de tudo: Estadual do Rio e de São Paulo, Brasileiro, Copa do Brasil, Copa dos Campeões da Europa, Mundial Interclubes... No quesito superstição, cai como uma luva para a torcida alvinegra.

Contra o Botafogo, entra em campo hoje um outro time ruim, aquele que, numa cidade em que existem apenas três times grandes, ficou classificado em um choco quinto lugar. Que, atualmente, não está entre os 20 (eu disse 20!) melhores clubes do Brasil, e que, na melhor das hipóteses, é uma equipe “em reconstrução”, “em busca de sua identidade” ou outra frase feita para animar muito usada por setoristas que, infelizmente, vestem a camisa do clube sobre o qual têm a obrigação de apenas escrever. Isso faz da disputa pela vaga nas semifinais algo bastante equilibrado, cuja imprevisibilidade me impede de cravar um favorito. Olhando pelo fator campo, o Corinthians decide em casa, e isso é, sim, uma vantagem. De outro, o Botafogo adora chegar bem perto de um título para depois perder. Para mim, apesar do time fracote, dá Fogão. Nos pênaltis.

Na outra semifinal, por razões óbvias, o Vasco seria o favorito disparado. Seria, se não tivesse um dos piores elencos de sua história. Mas como tem Edmundo em estado de graça, Leandro Amaral em boa forma e Antônio Lopes, um dos maiores arrumadores de times ruins de que se tem notícia, a equipe da Colina é apenas favorita, sem qualquer disparate. Jogando a segunda em casa, então, tem uma grande vantagem, e só sai da Copa do Brasil se levar uma goleada histórica em Recife. Em suma: Vasco e Botafogo na final – a maior freguesia do futebol carioca. Foi mal, Botafogo.

Na Libertadores a coisa ficou difícil para Santos e Fluminense, mas tudo pode acontecer. Em casa, o Santos tem que fazer valer seu mando de campo e fazer de tudo para despachar o América do México, que é um time – repito – muito ruim. Não é possível um ex-jogador em atividade (né, PC Vasconcelos?) como Cabañas se criar na defesa do Peixe. O Santos tem tudo para golear e dar uma embalada. Disse que ficou difícil, mas não impossível. O São Paulo conseguiu fazer uma única boa partida em todo o ano (até aqui) e a fez justamente quando mais precisava, para vencer o Fluminense em casa e vir para o Rio carregando certa vantagem.

Disse certa vantagem porque o um a zero sofrido pelo Tricolor é perfeitamente reversível no Maracanã enevoado pelo pó de arroz. E, também, porque dificilmente o São Paulo (e Adriano) repetirá uma atuação como a da última quarta. Na verdade, nem precisa. Para o time do Morumbi, basta amarrar o jogo e não deixar o adversário, mais técnico, criar jogadas de perigo. Se destruir direitinho, o São Paulo se classifica. Mas do lado tricolor, espera-se uma atuação bem superior a do Morumbi, a começar pelo técnico. Renato Gaúcho tem que manter Tiago Neves e Conca em campo durante os 90 minutos, é deles que saem as principais oportunidades de gol, seja articulando jogadas, lançando ou ainda em jogadas de bola parada. Até Dodô pode esquentar o banco, com os dois armadores chegando junto de Washington, e os dois meias (Cícero e Arouca) segurando as pontas. Jogo aberto, mas, em nome do bom futebol, aposto no Flu. Nem que seja nos pênaltis.

Até a próxima que o Brasileirão ainda não começou!!!

Motörhead

Outra tirada no dia 26 de setembro de 1996, no Metropolitan, Rio motorhead96-2.jpg
Lemmy Kilmister: a história do rock passar por ele

Courtney Love joga fora trabalho de três anos e começa tudo de novo

Cantora deu piti e adiou a gravação do novo disco. Courtney Love, a eterna viúva de Kurt Cobain, decidiu não gravar as músicas nas quais vinha trabalhando para o seu próximo álbum. Insatisfeita, ela jogou fora três anos de trabalho e parcerias como Linda Perry e Billy Corgan, o líder do Smashing Pumpkins. O disco já tinha até nome - "Nobody’s Daughter" - e seria lançado pela gravadora de Perry. Agora, Courtney está trabalhando com Micko Larkin, da banda inglesa Larrikin Love. O guitarrista já havia tocado como músico de apoio dela no ano passado.

Sepultura em estúdio

Novo disco deve sair em outubro. O Sepultura acaba de entrar em estúdio, para a gravação do próximo álbum da banda. O tema principal do disco será o romance/filme "Laranja Mecânica". Recentemente a banda organizou um concurso entre os fãs, para receber versos sobre o assunto que podem ser utilizados nas letras das novas músicas. A previsão de lançamento do disco é para outubro. Já o guitarista Andreas Kisser completou, enfim, seu primeiro álbum solo, um CD duplo intitulado "Hubris I e II".

maio 19, 2008

Overkill

Foot do show do Wacken Open Air, em 2001, na Alemanha overkill01.jpg
Bobby "Blitz" Ellsworth no comando da porradaria do Overkill

Em busca da sonoridade perdida, Korn volta para Ross Robinson

No álbum do grupo deve voltar a ter o "pai do nu-metal" com produtor. Depois de boatos e especulações de tudo o que é lado, enfim um integrante do Korn se manifestou sobre o novo disco da banda e quanto a uma possível volta da formação clássica numa futura turnê. Em um chat no site oficial da banda, Jonathan Davies disse que o próximo disco deve ser produzido por Ross Robinson, responsável pelo já clássico álbum de estréia do grupo, e que não trabalhava com o Korn desde "Life Is a Peach", lançado há 12 anos.

Quanto ao retorno da formação clássica, Davies disse que o guitarrista Brian "Head" Welch "ainda não quer voltar". "Head" se converteu a uma igreja para conseguir se distanciar das drogas e chegou a lançar um livro contando com se livrou do vício e do Korn. "As drogas estão em toda parte, e acho que ele ainda não está pronto para voltar a viver ao redor disso", disse o vocalista.

Sobre David Silveria, Jonathan Davies disse que não sabe o que vai acontecer, porque o baterista não teria mais a paixão pela música que tinha antes, e que a banda está muio satisfeita como o atual baterista, Ray Luzier.

Offspring aproveita novo álbum para relançar clássicos

Dezessete de junho é o dia D. Aproveitando o lançamento de seu mais novo álbum, "Rise And Fall., Rage And Grace", o Offspring vai incrementar o relançamento de dois discos clássicos da banda, e que marcaram a música dos anos 90. "Ignition", de 1993, e "Smash", de 1994, terão versões remasterizadas colocdas à disposição dos fãs também no dia 17 de junho. O encarte de "Smash", o grande sucesso do Offspring, terá um livreto especial de 24 páginas.

"Rise And Fall, Rage And Grace" vem com 12 novas músicas, e teve a produção assinada por Bob Rock, famoso por dar uma "cara mais pop" ao Metallica no chamado "Black Album".

The Dead Rocks lança disco e se manda para a Europa

Grupo de surf music paulistano faz turnê de lançamento na França e na Itália. Acaba de sair do forno o novo álbum da banda de surf music The Dead Rocks. E tem mais, "One Million Dollar Surf Band" tem data de lançamento marcaíssima para o dia 22, quinta que vem, em Lyon, na França. O show faz parte de uma turnê pela Europa que passa também pela Itália, com 17 datas já agendadas. No Brasil, o lançamento acontece só no final de junho, em São Paulo.

O disco foi gravado em São Carlos - cidade natal do grupo - pelo guitarrista César Bottinha, mixado em Seattle por ninguém menos que Jack Endino (o Papa do grunge) e masterizado na Califórnia pelo guru da surf-music mundial, Phil Dirt. São 16 novas músicas registradas pela primeira vez pelo Dead Rocks, sendo dois covers: "País Tropical" de Jorge Ben, e o tema "O Milionário", sucesso dos anos 60 com Os Incríveis. Mais detalhes em www.deadrocks.com.br

maio 18, 2008

Novo disco do Whitesnake nas paradas brasileiras

"Good to be Bad" chegou à trigésima sexta posição. O mais recente disco do Whitesnake, "Good to be Bad", está ranqueado entre os 50 álbuns mais vendidos no Brasil, e já chegou até á trigésima sexta posição, na semana entre 30 de abril e 6 de maio. O resultado foi obtido no mesmo período em que a banda iniciou a maior turnê brasileira de sua história, a primeira em que se apresentou como banda principal. A verificação foi feita pela Revista Sucesso!, que publica semanalmente o ranking.

'Iron Man', do Black Sabbath, resiste ao tempo e é hit nos celulares

Música, editada há 36 anos, segue escalada na parada de ringtonres da Billboard De acordo com o site Mobile Marketing News, especializado em mídias para aparelhos celulares, a música "Iron Man", do Black Sabbath, chegou ao quinto lugar na parada de ringtones da Billboard - sim, existe uma. Atribui-se o sucesso da música, que saiu pela primeira vez no segundo álbum dio grupo, "Paranoid", de 1972, o fato de ela fazer parte da trilha sonora do filme "Homem de Ferro", embora só apareça no traller e nos créditos finais; e ainda por ser tocada em videogame muito popular na web.

Oasis também lança em setembro

Em entrevista a uma rádio inglesa, Noel Gallagher confirmou o período do lançamento. Depois do Metallica, o Oasis também confirmou que o próximo álbum do grupo sai em setembro. O anúncio foi feito ontem, numa entrevista concedida por Noel Gallagher a uma rádio inglesa. Como tem sido hábito em tempos de internet, o líder do grupo não disse qual o título do CD, e nem precisou a data do lançamento.

Banco del Mutuo Soccorso

Foto do show do Rio Art Rock Festival 2000, no Garden Hall, Rio. banco2000.jpg
Banco: ressuscitado na Itália para tocar no Rio Art Rock Festival

maio 17, 2008

Ozzy Osbourne afirma que gravar discos sóbrio é mais divertido

Texto feito a partir de entrevista coletiva concedida por Ozzy Osbourne no Hotel Sheraton Barra, no Rio de Janeiro, dia 2 de abril de 2008. No dia 3 ele tocaria no Rio, e no dia 5, em São Paulo. Publicado originalmente no UOL Música. Foi-se o tempo em que Ozzy Osbourne precisava se drogar para gravar um disco. No passado o músico chegou a dizer que jamais gravaria um álbum sóbrio, mas hoje encontrou o caminho para trabalhar completamente livre das drogas. "Durante muitos anos vivia gravando de porre, mas aprendi a fazer isso sem drogas e me divirto muito mais. Esse disco foi o que eu mais me diverti gravando", disse o músico, que se apresenta amanhã no Rio de Janeiro e no sábado (5) em São Paulo, durante entrevista coletiva realizada nesta quarta-feira (2) num hotel na zona oeste do Rio.

No melhor estilo "faça o que eu digo não faça o que eu faço", Ozzy afirmou torcer para que Amy Winehouse também se livre das drogas. "Ela é amiga de minha filha, Kelly, e é uma pena que se afunde tanto em drogas, porque é muito talentosa. Espero que ela encontre o que eu encontrei".

Apesar de ter vindo do aeroporto direto para a coletiva, Ozzy estava bem-humorado. Perguntado sobre o que fazia no camarim antes dos shows, já que não bebe mais, disse, sem cerimônia: "Pedalo uns 5 minutos na bicicleta ergométrica, aqueço a voz e me masturbo". Sobre as maldades que, segundo uma jornalista, fazia com seus 18 cães no reality-show "The Osbournes", foi direto: "Chuto minha mulher, mas não chuto meus cachorros".

O disco que Ozzy se divertiu gravando, e que serve de apoio para essa turnê é "Black Rain", lançado no ano passado e que traz, já no título das duas primeiras músicas --"Not Going Away" e "I Don't Wanna Stop"--, respostas àqueles que acham que ele deveria parar de tocar. "Só vou me aposentar quando morrer, porque não se trata de um trabalho chato, como acordar as seis da manhã, entrar no carro e ir para um escritório. É diversão o tempo todo", disse o ex-vocalista do Black Sabbath.

Perguntado quando pretende lançar um novo disco junto com o Black Sabbath, banda da qual fez parte nos anos 70, e é considerada a fundadora do heavy metal, Ozzy disse que teme não repetir os grandes discos lançados naquela época. "O Black Sabbath é uma parte sagrada da minha vida, tenho medo de não sermos tão bons hoje quanto éramos naquela época", disse Ozzy. "Mas nos últimos tempos nós chegamos a compor alguma coisa juntos", completou.

Quando soube que fazia muito tempo que não vinha ao Brasil, Ozzy se espantou. "Eu sabia que fazia tempo que eu não vinha aqui, mas não lembrava que eram 13 anos! Gosto dos latino-americanos porque eles têm a música no sangue e se divertem muito nos shows, isso é ótimo". Ele, entretanto, preferiu não dar pistas do que vai acontecer nos shows de amanhã, no Rio, e sábado, em São Paulo. "Quem quiser saber como é o meu show, compareça que vai se divertir", finalizou.

'Nosso disco vai ser um tapa na cara', diz vocalista do Slipknot

Quarto disco dos mascarados do metal sai em agosto. Está marcado para dia 12 de agosto o lançamento do quarto álbum do Slipknot, o primeiro em quatro anos - "Vol. 3: (The Subliminal Verses)" é de 2004. O disco é guardado a sete chaves por banda e gravadora, possivelmente com medo de o material vazar na web. Em entrevista à Reuters, ontem, o vocalista Corey Taylor disse que o novo disco "vai ser um tapa na cara", e que não sabe se o mundo está preparado para esse álbum. Questionado sobre o nome do CD e de algumas das faixas, no entanto, Taylor guardou segredo.

Atenção bandas: Festival Demo Sul abre inscrições

Produção está recebendo material durante dois meses. Foram abertas no dia último dia 15 as inscrições para o Festival Demo Sul, que acontece anualmente em Londrina, no Paraná. Bandas e artistas que quiserem participar já podem enviar material - CD, release, foto - para a Braço Direito Produções, organizadora do evento, que este ano terá como grande patrocinador a Petrobras. Segundo nota enviada à imprensa, "Não haverá restrições quanto à localidade, gênero musical ou número de integrantes das bandas inscritas. Os critérios básicos de seleção são: o nível de participação, regional ou nacional, em manifestações culturais de caráter independente e a coerência da proposta musical, analisada de acordo com o contexto no qual o artista está inserido".

Fora isso, a organização também leva em consideração a qualidade de produção do material enviado, embora este não seja um fator decisivo para a escolha. A inscrição é feita através do envio de um kit com a gravação da banda, e um CD com release, pelo menos uma fotografia em alta resolução, mapa de palco e as demais informações que a banda julgar necessárias. A organização exige que todo o material esteja devidamente identificado. As inscrições se encerram no dia 15 de julho, e o endereço para o envio é:

Braço Direito Produções
Rua Xingu, nº 136 – Vila Nova
Londrina – PR
CEP: 86025-390

Nevermore

Foto do show do Wacken Open Air, em 2001, na Alemanha. nevermore01-2.jpg
Warrel Dane agita a cabeleira no Wacken, em 2001

Confirmado: novo do Metallica sai mesmo em setembro

Quem dá a certeza do lançamento é o batera Lars Ulrich. Em entrevista concedida na última quinta-feira o baterista do Metallica, Lars Ulrich, reafirmou que o próximo disco da banda sai mesmo em setembro, conforme noticiado anteriormente. Lars disse que ainda faltam alguns detalhes para completar a produção do CD, cujo título não chegou a ser divulgado, e que espera concluir tudo até o feriado americano do Memorial Day, no próximo dia 26. O baterista voltou a dizer que, inicialmente, o grupo tinha composto 26 músicas, das quais 11 foram escolhidas para entrar no álbum. Segundo ele, as músicas duram entre sete e oito minutos cada uma. O Metallica criou um site para antecipar as novidades sobre o lançamento do novo álbum. Confira aqui.

maio 16, 2008

Shadowside com duas músicas novas no MySpace

Escute agora "Nation Hollow Mind" e "In The Night" . O grupo de heavy metal santista Shadowside acaba de disponibilizar duas novas composições no MySpace.com. "Nation Hollow Mind" e "In The Night" estão no repertório do segundo álbum do grupo, "Dare to Dream". O disco foi produzido e mixado por Dave Schiffman (System of A Down, Audioslave), em parceria com a banda, e está em fase final de masterização no Masterdisk Studio, em Nova York, sob a batuta de Howie Weinberg (Aerosmith, Iron Maiden, Metallica). Para escutar as músicas, clique aqui.

Chester Bennington, do Linkin Park, estréia projeto paralelo

Grupo tocou no último sábado, em Tempe, Arizona. O vocalista do Linkin Park, Chester Bennington, fez a estréia, nos placos, de seu projeto paralelo no último dia 10, na cidade de Tempe, Arizona. Dead By Sunrise é o nome do grupo, e o show foi na festa de aniversário de um clube noturno, cujo proprietário é o próprio Chester. O grupo trabalha nas músicas de um possível álbum de estréia, que, no entanto, só seria lançado numa folga de sua banda principal.

Lou Reed vira radialista

Cantor e guitarrista vai apresentar programa semanal. A emissora de rádio americana Radio Satelite Sirius anunciou que o veterano Lou Reed vai apresentar um programa semanal, intitulado "Lou Reed's New York Shuffle", que estréia amanhã, no canal 70, Disorder. O músico apresenta o programa junto com Hal Willner, diretor musical de "Berlin", uma versão cinematográfica em concerto do álbum homônimo de Reed, de 1973.

Nightwish

Foto do show de 2002, no Claro Hall, Rio. nightwish02-05.jpg
Close artístico em Tarja Turunen!

The Traveling Wilburys - The Traveling Wilburys Collection

Warner.
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Para quem vive lado a lado com a inspiração, uma simples frase numa embalagem de papelão dizendo que o conteúdo é frágil é motivo para fazer música. Fica muito mais fácil se o compositor em questão for o Beatle George Harrison e ele decidir fazer outras nove músicas com os amigos “só” para completar um disco cheio. E mais ainda, considerando que esses amigos são nada mais nada menos que Bob Dylan, Roy Orbinson, Tom Petty e Jeff Lynne (do Electric Light Orchestra). Pois os cinco se reuniram a pretexto de criar uma faixa para ser o lado B de um single do disco “Cloud Nine”, de Harrison, em meados de 1988, e assim nascia, às avessas, o Traveling Wilburys, supergrupo cuja história é contada no DVD que acompanha esse CD duplo.

Duplo modo de dizer, já que, na verdade, são os dois únicos álbuns lançados pelo grupo, remasterizados e com duas faixas extras cada um. O primeiro, “Traveling Wilburys Volume 1” é naturalmente o mais bem sucedido – vendeu mais de cinco milhões de cópias -, mesmo porque traz “Handle With Care”, a tal música de título retirada da caixa de papelão, uma canção pop vocacional. Mas não é só ela a brilhar, todas em que a eloqüente voz de Orbinson se projeta, como em “Not Alone Any More”, se salientam como candidatas cereja do bolo. De qualquer forma, depois de assistir ao DVD, onde a simplicidade e o modo primário como as gravações foram feitas são enfatizados, o disco parece ainda melhor. E é de se admirar que não tenha havido – segundo consta – conflitos de ego, em se tratando de superstars do rock e da música pop, e de gerações diferentes. Outras faixas legais são “Tweeter And The Monkey Man” (na voz de Dylan), “Margarita” e “Last Night”, e até a repetitiva “Congratulations”. As duas faixas extras, até então inéditas, mantém o nível do disco. São elas “Maxine”, com sotaque espanhol, e a lentinha “Like a Ship”.

O segundo disco, chamado curiosamente de “Traveling Wilburys Volume 3”, e muito aguardado depois do sucesso do primeiro, é marcado pela ausência de Orbinson, vitimado por um ataque cardíaco fulminante ainda em 1988. Como de hábito, não consegue segurar o pique (a química?) inicial do projeto, embora tenha lá seus momentos. Um deles é logo a abertura, com a animada “She’s My Baby”, talvez a melhor do disco, ao lado da total anos 50 “Wilbury Twist”. As duas sintetizam muito bem esse disco como o que tem mais guitarras, em detrimento da marcante presença de violões no anterior. Mas as levadas de fogueira de acampamento marcam presença: “The Devil’s Been Busy”, a bem marcada “New Blue Moon”, e “Poor House”, praticamente um country. As duas extras são “Nobody’s Child”, balada marcada por uma bela evolução de harmônica, e a quase surf “Runaway”, que só deve ser sobrado por algum descuido, já que é uma das melhores do grupo.

Além da bem acabada caixinha, o CD traz um encarte como mini biografias do supergrupo e a reprodução dos encartes originais dos dois discos. E no DVD, o mini documentário é acompanhado pelos cinco videoclipes que eles fizeram. Boa oportunidade para quem deixou passar a época do lançamento original, além de a caixinha fazer a ponte para os nossos dias, através do DVD.

maio 15, 2008

A síndrome do ‘ninguém quer ver’, o moderno colunista quarentão e os shows lotados

Passado, presente e futuro se juntam para o nobre exercício da colocação de pingos nos “is”. Meus amigos, se uma mentira repetida mil vezes se transforma numa verdade, imaginem uma verdade, ela própria, se for repetida não mil, mas um milhão de vezes. Digo isso porque temo, ao começar esta coluna, soar repetitivo. Certamente vou falar sobre aquilo que já falei, mas isso depende de quem me ouviu. Ou, por outra, se alguém me ouviu. Em ambos os casos, vou me permitir ao artifício de repetição, porque, se repetem-se os que falam o que querem, devem ser repetitivos aquele que os fazem ouvir o que não querem. É ou não é?

Disse que ia ser repetitivo e o máximo que consegui, em vez de alcançar a ira do leitor pela repetição, foi deixá-lo confuso com um texto mais truncado que jogo de time treinado por técnico gaúcho. Mas queria voltar ao ano de 2003, quando um show do Coldplay, aplaudidíssimo, no Rio e em São Paulo, fez um moderno colunista quarentão ir gastar módicos R$ 100 num restaurante classemediano. Naquela oportunidade, o Brasil descobria o Brasil, e o jornalismo cultural brasileiro descobria, pela enésima vez, o rock. Fato que fez o tal colunista praticamente se desesperar e optar pelos prazeres da decadente classe média cosmopolita de São Paulo. Imagino até o restaurante escolhido pelo falastrão de plantão e sua, digamos, acompanhante. Até nela, sinceramente, chego a pensar.

No mesmo ano de 2003 detectei um certo preconceito com guitarrista solo e com artistas que tocam com alguma freqüência no Brasil. Para pessoas ligadas de alguma forma à crônica musical brasileira, show de banda estrangeira no Brasil só é legal se essa banda nunca tenha vindo tocar aqui. Se vem uma, duas, três vezes, aí já era, trata-se de uma “turnê caça-níquel que ninguém quer ver”. Quase cinco anos depois, vejo que a coisa continua a mesma, raciocínios com esse tipo de lógica continuam rolando por aí, e, o pior, publicados em jornais de grande circulação.

Citei duas colunas passadas porque um fato novo liga as duas histórias. Novo, porém antigo, e, portanto, repetitivo, como anunciei lá em cima. É que outro dia, vi o tal colunista quarentão esbravejando justamente conta dois shows agendados para o Brasil neste primeiro semestre, com bandas decadentes que “ninguém quer ver”. O conceito de “decadente” do cidadão pode até ter lá seus motivos, porque é possível enxergar decadência em qualquer expressão artística, muito embora eu duvide que o tal fulano tenha se dado o trabalho de fazer sequer uma análise desse tipo de conteúdo. Já o “ninguém quer ver” passou bem longe dos fatos – no caso da primeira banda – e deve passar também no caso da segunda.

Sim, meus amigos, o “ninguém quer ver” apontado pelo afamado colunista resultou numa Via Funchal lotado, em São Paulo, e de cerca de 3 mil pessoas no Citibank Hall, no Rio. Toda essa gente queria ver um show inteiro do Whitesnake, que vinha ao Brasil pela quarta vez em 23 anos, sendo a terceira em São Paulo, e a primeira vez com um show só da banda. Longe de ser caça-níquel, o show, que passou ainda por outras tantas cidades, fazia parte da turnê do recém lançado álbum da banda, “Good To Be Bad”, ranqueado pela Revista Sucesso! Entre os 30 mais vendidos do Brasil. Isso, para o colunista decadente adepto do jantar classemediano, é o tal “ninguém quer ver”. Lamentável.

Disse qual foi a primeira bravata que gerou o início dessa Rock é Rock Mesmo, e quase não falo da segunda. Pois a outra banda citada era o Megadeth, um dos ícones do thrash metal mundial, e que toca por aqui no início de junho. Thrash metal? Mas isso não é coisa dos anos 80? Perguntaria o ávido leitor. No que eu retruco que é, sim, e eu próprio já havia dito que o Megadeth teria acabado, baseado nas palavras do líder da banda, Dave Mustaine, que me concedeu uma entrevista publicada na Revista Dynamite há alguns anos. Realmente hoje o nome Megadeth serve para Mustaine fazer o que bem entende; bem, na verdade sempre foi assim mesmo. O fato é que pode-se falar de tudo em relação ao Megadeth, exceto de decadência. Com um disco novo na praça, “United Abominations”, de 2007, o grupo está em turnê mundial de forma ininterrupta há mais de um ano, passando por Estados Unidos, Europa, Japão e o escambau. È mais um espetáculo que temos a sorte de passar por aqui, e que seguramente servirá para calar – mais uma vez – nosso moderno colunista quarentão. Que “ninguém quer ver” que nada.

Disse que ia me repetir, comecei todo enrolado, mas até que me saí bem. Porque, meus amigos, uma das funções desta coluna é colocar certos pingos nos “is”. Há tempos, aliás, ela não se prestava a isso. Só mesmo nosso moderno classemediano de plantão poderia me dar – de novo – essa oportunidade. Há que se lamentar, contudo, que um jornal de grande circulação ainda dê voz a esse cidadão. Mas podem anotar aí: tal qual seu antecessor, será, em caráter irrevogável, humilhantemente demitido em praça pública. É só uma questão de tempo.

Até a próxima e long live rock’n’roll!!!

Autoramas

Mais uma do show de lançamento do primeiro disco, "Stress, Depressão e Síndrome de Pânico", nos estúdios da Universal, no Rio, em 2000. autoramas00-3.jpg
Grita, Gabriel, grita...

Julho verá novo disco do Krisiun

"Southern Storm" tem até cover de música do Sepultura. Chegas às lojas da Europa no dia 21 de julho o novo disco do Krisiun, "Southern Storm". O álbum foi gravado no Stage One Studios, em Borgentreich, na Alemanha, e teve a produção de Andy Classen, que já havia trabalhado com o trio gaúcho nos álbuns "Conquerors of Armageddon" e "AssassiNation". Confira as faixas - e repare na cover para Refuse/Resist", do Sepultura:

1- Slaying Steel
2- Sentenced Morning
3- Twisting Sights
4- Minotaur
5- Combustion Inferno
6- Massacre Under The Sun
7- Bleeding Offers
8- Refuse / Resist
9- Origin Of Terror
10- Contradictions Of Decay
11- Sons Of Pest
12- Black Wind

13- Whore Of The Unlight

Dave Grohl diz que mensagem para o Metallica não era 'carta aberta'

Segundo o líder do Foo Fighters, texto teria sido escrita a pedido de um jornalista, no final de uma entrevista. Ao saber da grande repercussão que teve a carta aberta escrita ao Metallica, o líder do Foo Fighters e ex-baterista do Nirvana, Dave Grohl, enviou uma mensagem a alguns sites esclarecendo o fato. Segundo ele, o texto foi escrito a pedido de um jornalista, no final de uma entrevista, e não era para ser uma "carta aberta". Grohl confirmou, no entanto, que realmente tem sido um fão leal do Metallica nos úlimos 25 anos, e que mal pode esperar para escutar as novas músicas. "Mas uma 'carta aberta' para a banda? Não. Não é meu estilo", disse Dave Grohl. A íntegra do texto que se transformou na tal carta aberta está aqui.

Disco do Guns N'Roses sai em junho

Coletânea de sucessos, não o "Chinese Democracy". Está confirmado para a dia 2 de junho o lançamento de uma coletânea com os grandes sucessos do Guns N'Roses, com músicas de todos os álbuns da banda. O CD é um dos dois lançamentos que os fãs esperam para esse ano; o outro é o "Chinese Democracy", só com músicas inéditas, prometido há mais de 10 anos. Conforme noticiado aqui, consta que Axl Rose já entregou todo o material gravado pela banda para a gravadora, e só faltaria prensar a bolachinha. Uma outra notícia mostra que alguns sites estão aceitando encomenda para entregar o disco em setembro.

Enquanto esso imbróglio não se resolve, veja quais músicas estão nessa nova compilação:

Welcome To The Jungle
Sweet Child O’ Mine
Patience
Paradise City
Knockin’ On Heaven’s Door
Civil War
You Could Be Mine
Don’t Cry
November Rain
Live And Let Die
Yesterdays
Ain’t It Fun
Since I Don’t Have You
Sympathy For The Devil

maio 14, 2008

Baixista do Placebo lança primeiro disco do Hotel Persona

Stefan Olsdal estréia em projeto paralelo O baixista do Placebo, Stefan Olsdal, lança o primeiro álbum de seu projeto paralelo, o Hotel Person, intitulado "En Las Nubes". Tocam com Stefan na banda os espanhóis Javier Solo e David Amen, e participaram desse primeiro disco Brian Molko (também do Placebo), Samantha Fox e Michael Bose, entre outros convidados. Confira as músicas que estão no disco:

1- Apocalipsis
2- + Amor
3- Quiero Volar
4- El Mar
5- Modern Kids
6- Addicted
7- Fantastica
8- Touch Me
9- Cada Día
10- Lullaby For Evan

Veja o novo videoclipe do Children Of Bodom

"Hellround On My Trail" é o primeiro single do álbum "Blooddrunk". Já pode ser visto no youtube o novo videoclipe do Children Of Bodom. Trata-se de "Hallround On My Trail", o primeiro single do mais recente álbum dos finlandeses, "Blooddrunk". A música é também a faixa de abertura do álbum, ainda não lançado no Brasil. Clique aqui e assista ao vídeo.

Weezer antecipa lançamento em três semanas

Expectativa de sucesso ou medo de que vaze na web? O novo álbum do Weezer deveria chegar às lojas no dia 24 de junho, mas a banda anunciou que o lançamento será antecipado em três semanas, passando para o próximo dia 3. De acordo com post lançado no site oficial, a decisão foi tomada por conta do sucesso do primeiro single desse disco, "Porks And Beans", mas a explicação pode estar no temor de que o disco vaze na internet antes do lançamento.

Homônimo, o disco está sendo chamado pelos fãs de o "álbum vermelho", a exemplo do que já ocorreu com o "blue album" e o "green album", discos anteriores do grupo que também não receberam título. A produção ficou a cargo de Rick Rubin (Red Hot Chili Peppers, Slayer, U2).

Jane Fonda

Foto do show do Mada, em Natal, em maio de 2003. janefonda03.jpg
Uma das revelações do Mada de 2003

Marky Ramone & Tequila Baby
Ao Vivo

Orbeat / Antídoto.
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Nunca houve uma contagem oficial, mas é senso comum que existe, no Brasil, uma banda tocando Ramones a cada esquina. Pois uma delas se transformou na gaúcha Tequila Baby, que cresceu, tem sua própria carreira – muito bem sucedida no Sul, diga-se – e volta e meia se dá o luxo de ter, na sua formação, um legítimo Ramone. Esse vídeo registra um dos shows que coroou a série feita com o baterista Marky Ramone, e só poderia ter acontecido mesmo no histórico Opinião, em Porto Alegre, para uma platéia enlouquecida.

Muitos podem considerar certo oportunismo por parte da banda ter Marky como um integrante, ou mesmo enxergar em Marky a intenção de fazer caixa nesses shows, mas a verdade é que, à rigor, um não precisa do outro, e ambos se completam em nome do rock. É de Marky a explicação mais convincente, dada em uma das pequenas entrevistas que se intercalam com as partes do show. Para ele, além da diversão, é uma forma de “manter o legado do Ramones e dar continuidade àquilo que aqueles que já não estão mais aqui fariam caso estivessem”. Convenceu. Ele ainda soltaria a pérola de que o Ramones, ao contagiar fãs de várias idades, teria dado fim ao conflito entre gerações. Ok, também faz sentido.

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O show se divide em duas partes, meio a meio. Na primeira, só sucessos do Tequila, tudo cantado por todos ali no opinião. Em “Tira o Sutiã, Tira a Calcinha”, uma espevitada gaúcha obedece e faz a primeira parte da solicitação. Lindo. “Melhor Que Você Pensa” e a ótima “Sexo, Pássaros e Rock’n’roll” também são destaques, em meio a um repertório redondinho. Quarenta e poucos minutos depois a banda sai e volta anunciando Marky Ramone, no que se inicia uma verdadeira celebração de hits do grupo que, musicalmente, inventou o punk rock. “Beat On The Brat”, “I Wanna Be Sedated” (a primeira música gravada por Marky no Ramones), “The KKK Took My Baby Away” e até outras da fase “menos punk” marcam presença, como “Poison Heart”, cantada pelo argentino Sebastian Expulsado – se dissessem que era o fantasma de Joy Ramone, ninguém duvidaria. Quase ao fim, a honra maior para o Tequila vem em “Seja Com Sol, Seja Com a Lua”, música deles em que Marky tocou bateria, enfiada no meio dos clássicos ramônicos.

Os extras incluem um mini documentário mostrando fãs ensandecidos, os integrantes fora do palco e a equipe de produção trabalhando, além de cenas da banda participando de programas da RBS (a Globo deles) que contribuiu orgulhosamente para a feitura do DVD. Há ainda imagens só de Marky tocando duas músicas: “Pet Sematary” e “I Wanna Be Sedated”. Há também a versão em CD, mas com há seis músicas a menos. Vale notar essa produção independente tem um resultado que não fica nada a dever a qualquer DVD de artista nacional de grande porte ou mesmo a um medalhão internacional. Golaço dos gaúchos.

maio 13, 2008

Nine Inch Nails – Nine Inch Nails Live: Beside You In Time

Arsenal / Universal.
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A etiqueta colada no plástico que envolve a caixa de papelão desse DVD tenta corrigir a total omissão de informações sobre o conteúdo do disquinho. Mas não foi por um erro que isso aconteceu: é das predileções de Trent Reznor, o homem por trás do Nine Inch Nails, dificultar as coisas, desde a música indigesta que ele compõe, com menos instrumentos e mais recursos eletrônicos e de informática, até a apresentação do resultado desse trabalho. Em geral, ou falta informação, ou ela vem em demasia, a ponto de confundir (para o bem ou para o mal) quem quer que se interesse pelo Nine Inch Nails.

Esse DVD traz a íntegra de um show gravado durante a turnê “Live: With Teeth 2006”, quase a mesma que passou pelo Rio no famigerado Festival Claro Que é Rock, no final de 2005. Quase porque, apesar do excelente show, vê-se agora que muitos efeitos especiais não atravessaram a linha do Equador. E se a música é indigesta, um show do Nine Inch Nails é um espetáculo que tem na projeção de imagens seu maior handicap. Na frente do palco, um telão gigante, transparente (espécie de filó) recebe projeções tão grandes que transformam banda e público em pequenos detalhes, inseridos nas imagens. O artifício pode ser melhor notado, aqui, nas músicas “Eraser”, “Right Were It Belongs” e “Beside You In Time”, que dispõem do recurso “ângulo alternativo”, mostrando o palco de frente, bem distante, e deixando o close nos integrantes para o outro ângulo. As imagens variam entre a falsa felicidade americana, comparações do homem com animais e até um dançarino George Bush, vaiado na hora.

Quando o telão não está em ação, projeções se sucedem e se revezam com luzes colocadas à meia altura, e com polígonos de forma irregular que sugerem um efeito de profundidade dos mais interessantes. A saturação das cores fortes também ajuda, já que no palco é o preto que predomina. Todo esses aspecto visual só dialogaria mesmo com uma música sinistra, intrincada e, até, por vezes, pop. O repertório é enfileirado de modo que o show comece num ritmo lento (a sombria “Love Is Not Enough” é a primeira) e vá ganhando corpo durante a apresentação. A arena onde o show foi gravado, em Oklahoma, está tomada de fãs que pouco se importam, se atropelando em moshes sem parar.

“The Line Begins to Blur”, quase dark, inicia uma transição que vai passar por números mais pesados (“March Of The Pigs”) e outros até dramáticos – caso de “Something I Can Never Have”. “Only”, o hit do último disco, cai como um sopro pop, já no final do show, e cabe aos hits “The Hand That Feeds”/ “Head Like a Hole”, juntos, o encerramento. O exagero de informações visuais não ofusca a banda, que tem uma performance agitada e agressiva, com direito a instrumentos destruídos ao final, incluindo um amplificador que é penetrado por uma guitarra. O show é complementado por cinco músicas que só eram apresentadas quando a banda tocava em festivais ou em outros palcos (à céu aberto), com uma estrutura que só era possível ali. Nessas músicas, à frente do palco, no lugar do telão, há uma espécie de persiana metálica gigante, que também recebe projeção de imagens.

Outros extras mostram o grupo ensaiando em três músicas em 2005, antes de Trent Reznor pelar a cabeça. Só que de ensaio as imagens nada mostram: é tudo tão organizado, que, além dos figurinos escolhidos a dedo, até um roadie entra em ação para recompor o pedestal de um microfone. Dois videoclipes (“The Hand That Feeds” e “Only”) completam essa parte. No final, ainda há seqüência de fotos do show, e toda a discografia do NIN, faixa por faixa, com uma delas sendo reproduzida. Nada tão indigesto assim. Depois de assimilado, claro.

John Mayall And The Bluesbreakers – In The Palace Of The King

ST2.
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Mais que uma homenagem, discos–tributo se tornaram um meio de promover artistas em ascensão. Este não é o caso, absolutamente, de John Mayall, com seus mais de 50 discos lançados em cerca de 40 anos de carreira. Talvez por isso mesmo ele misturou, nesse álbum, músicas de sua autoria, outras de Freddie King, e um terceiro grupo de canções que o homenageado costumava cantar – caso da nervosa “Going Down”, gravada, entre outros, por Jeff Beck. Para incrementar a homenagem ainda mais, Mayall arregimentou um time considerável de músicos, que inclui o guitarrista Robben Ford, o requisitado baixista Hank Van Sickle, e o guitarrista Buddy Whittington, peça chave em todas as músicas, já que Mayall, guitarrista de origem, praticamente só canta e toca piano e, eventualmente, harmônica.

A virtuose e (ao mesmo tempo) o descompromisso fazem do repertório do disco algo talhado para a jam session, a improvisação. “Time To Go”, uma das que Mayall compôs, é blues típico, clássico e realçado pelo emprego de sopros que liberam Buddy Whittington para viajar à vontade, como se estivesse sobre o palco, levando a música a quase sete minutos de duração. E quando não é guitarra (quase sempre é) aparece a harmônica, teclado, ou mesmo a calejada e em forma voz de Mayall, que, honra seja feita, sempre casou certinho com o “jeito blues” de se cantar. Em “Big Legged Woman”, conhecida na interpretação de Jerry Lee Lewis, voz e guitarra se sobrepõem num interessante dueto.

Outra característica desse disco é a simplicidade com que John Mayall trabalhou os arranjos das músicas, optando por não lhes roubar a crueza dos registros originais. Assim acontece com “I Love You More Every Day”, que, mesmo atualizada, parece ter saído de uma daquelas gravações “roots” de CDs distribuído gratuitamente em revista de variedades. Já “Help Through The Day”, de Leon Russel, quem aparece é Robben Ford, tomando conta da guitarra-solo e anunciando a delícia que é a instrumental “Cannonball Shuffle”, outra que, ao vivo, deve desaguar num improviso dos bons.

“King Of The Kings” é a canção-tributo, escrita por John Mayall para Freddie King, em música e letra. “Ele foi o rei dos reis / Nasceu para ser um superstar / Quando o blues britânico explodiu / esse homem foi o herói do dia”, diz uma passagem, que ainda cita Eric Clapton, All Green e Mick Taylor. O detalhe é que a música é quase um rock’n’roll à anos 50, com sopros, tecladinho e baixo acústico da época, o que a faz soar bem diferenciada entre as 14 faixas, apesar do sotaque blues inalienável de John Mayall. Longe dos clichês dos discos-tributo, John Mayall conseguiu realizar um trabalho instigante que certamente deixaria Freddie King orgulhoso de seu pupilo.

Morre John Rutsey, baterista fundador do Rush

Músico tinha 55 anos. O baterista e membro fundador do Rush, John Rutsey, faleceu no último final de semana, segundo informações da empresa que cuida da carreira do grupo canadense. Rutsey tinha 55 anos, e gravou apenas o primeiro álbum da banda, homônimo, em 1974. Ele sofria de diabetes e não tinha condições de acompanhar s turnês da banda, sendo substituído por Neil Peart.

Metallica dá pistas de como será o novo disco

Site foi criado especialmente para aguçar a curiosidade dos fãs. O Metallica, que já foi à justiça contra o download gratuito de suas músicas, agora usa a internet para aguçar a curiosidde dos fãs. O grupo criou um site especial, www.missionmetallica.com para divulgar vídeos das sessões de gravação do novo disco, entre outras informações. Numa seção específica do site, os fãs cadastrados terão a acesso a material exclusivo e poderão fazer download do novo álbum, entre outras benesses. Segundo o baterista Lars Ulrich, o esperado novo disco sai em setembro.

Mötley Crüe adia lançamento de disco para gravar mais uma faixa

Uma semana passa rápido. Os fãs vão ter que esperar mais um pouco, mas em contrapartida terão uma faixa a mais para escutar no novo álbum do Mötley Crüe, "Saints of Los Angeles". É que a banda decidiu adiar em uma semana o lançamento do disco, para dar tempo de incluir mais uma música, "Goin' Out Swingin'". "Ela é perfeita para finalizar o álbum", disse o baixista Nikki Sixx. O disco tinha previsão de chegar às lojas em 17 de junho, mas agora só sai dia 24, com 13 faixas. Trata-se do primeiro álbum de estúdio da banda, ícone do hard rock oitentista, em 10 anos.

Pitty

Foto do show do Mada, em maio de 2003 pitty03.jpg
Cinco anos que fizeram diferença: de totalmente
desconhecida, a cantora se tornou um ícone do rock
nacional

Estão esquecendo de comentar o jogo jogado, dentro das quatro linhas

Discussões infrutíferas sobre se está certo ou não escalar esse ou aquele jogador deixa a análise do jogo - mais uma vez - em segundo plano. É lamentável que comecemos o campeonato brasileiro não analisando a força das equipes, mas se está correto ou não um clube poupar esse ou aquele jogador para utilizá-lo numa partida pela Libertadores ou pela Copa do Brasil, ambas numa fase mais aguda – quartas de final. Pois é isso que está acontecendo desde que a primeira rodada começou, no sábado, no meio de nossa confusa crônica esportiva. Envergonha-me aqui ter que analisá-la – a crônica – em vez de falar do futebol propriamente dito, mas há que se dar vazão àquilo que se pensa.

Primeiro de tudo, o termo já está errado, e o usei assim mesmo, de propósito, para não fugir no assunto em voga. “Poupar” não é o que se faz quando se escala jogadores tidos como reservas no lugar de titulares. Vejam vocês que, no início de uma temporada, sempre elogiamos o clube que, além de pensar em montar um bom time, planeja-se para ter um elenco. E o que isso quer dizer? Que haverá, durante a temporada, em quase todas as posições, mais de um jogador para o treinador escolher quem entra em campo. E aí, quando um time que montou um bom elenco, escala um Fulano em detrimento de Cicrano, está errado? Claro que não.

Outra. Quando analisamos o futebol europeu, elogiamos equipes inglesas, italianas e espanholas, que sabem como fazer um rodízio de jogadores de tal forma a se conquistar bons desempenhos nos campeonatos domésticos e nas ligas européias. E aqui não vale? Lá, elogiamos a condição de uma equipe que não tem, no seu elenco, titulares e reservas, de modo que cada jogador entra em campo de acordo com as circunstâncias. E aqui, não vale? Vale, sim. Prova disso é que no Internacional, por exemplo, o técnico Abel Braga escalou quem quis e faturou os três pontos. Poderia ter perdido? Poderia. É sempre assim: ganha-se, perde-se ou empata-se. Com este ou aquele time. Portanto, vamos parar de fazer comentários periféricos e falar de futebol. Queremos saber quem jogou bem, quem mereceu ganhar, quem armou seu time de que forma, e assim por diante. Chega de lero-lero.

Vejam, meus amigos, que um dia depois de eu ter previsto a queda de rendimento do Flamengo em virtude da entrada de Caio Júnior no lugar e Joel Santana, o clube da Gávea sofreu a maior derrota de todos os tempos, um resultado que, para ser sincero, até hoje não acredito que aconteceu. Primeiro porque o time do América do México é, sim, muito ruim. E, depois, que o Flamengo poderia perder em diversos resultados, menos por aquele triste três a zero. É, realmente, inacreditável. Não, meus amigos, eu não esperava uma queda tão imediata, só vislumbrava o teórico Caio Júnior enrolado com o time de boleiro de Joel. No que reafirmo: não vai dar certo, podem anotar.

Triste também, e de novo, foi ver a crônica esportiva ficar procurando culpados para a acachapante derrota. Houve quem culpasse a presunção, as comemorações do título carioca, a festa pela despedida de Joel, a diretoria do clube... Vi até um comentarista Mauricinho, certamente torcedor do Flamengo, desabafando em causa própria ao culpar os dirigentes rubro-negros. Ora, faça-me o favor. Será que esses basbaques não percebem que futebol é um jogo em que a derrota está ali, ao lado? Por mais que a equipe do Flamengo nada tenha feito (e não fez mesmo), dois dos três gols sofridos pelos rubro-negros foram fruto de puro acaso. Se esqueceram – e de novo – de comentar o jogo jogado, dentro das quatro linhas.

Pois chega de arredores e vamos ao que interessa. Na Copa do Brasil, dá Inter e Vasco e Corinthians e Botafogo. Na Libertadores, classificam-se Boca, Fluminense, Santos e LDU, e aí invertem-se os confrontos, já que o regulamento proíbe dois times de um mesmo país disputando a final. Dá Flu e Santos e Boca e LDU. No brasileirão, vou repetir os seis favoritos: Flamengo, Fluminense, São Paulo, Palmeiras, Internacional e Cruzeiro. E tenho dito!

Até a próxima que mostrar habilidade em jogo do Palmeiras, só a favor!!!

maio 12, 2008

Veja quais músicas o Kiss está tocando na turnê de 35 anos

Correm boatos de que o show pode passar pelo Rio ainda esse ano. Na última sexta o Kiss deu início a uma nova fase turnê comemorativa de 35 anos, na cidade de Oberhausen, na Alemanha. Contando atualmente como Paul Stanley (guitarra e vocal), Gene Simmons (baixo e vocal), Tommy Thayer (guitarra) e Eric Singer (bateria), o grupo pode, na sequencia da turnê, voltar a tocar no Rio, depois de 26 anos. Confira as músicas que estão sendo tocadas pelo quarteto:

1- Deuce
2- Strutter
3. Got To Choose
4- Hotter Than Hell
5- Firehouse
6- Nothin' To Lose
7- C'mon and Love Me
8- Parasite
9- She + solo de Tommy Thayer
10- Watchin' You
11- Rock Bottom
12-100,000 Years + solo de Eric Singer
13- Cold Gin
14- Let Me Go, Rock and Roll
15- Black Diamond
16- Rock and Roll All Nite
17- Shout It Out Loud
18- Lick It Up into Won't Get Fooled Again
19- Solo de Gene Simmons + I Love It Loud
20- I Was Made For Lovin' You
21- Love Gun
22- Detroit Rock City

Tablóide inglês diz que baterista do Oasis deixou a banda

Motivo seriam as desavenças com Noel Gallagher O baterista Zak Starkey está fora o Oasis. Quem diz é a edição de hoje do The Sun. O tablóide inglês sensacionalista diz que Zak se desentendeu feio com Noel Gallagher, e que ele já não vai participar dos próximos compromissos da banda. Se a notícia for confirmada, o novo disco do Oasis, já concluído, marcará a última participação do baterista com o clã dos Gallagher.

Angra

Outra do show do dia 16 de dezembro de 2001, no Garden Hall, Rio. angra01-3.jpg
Poucos esperavam, mas Edu Falaschi se saiu muito
bem à frente do Angra

Echo And The Bunnyman toca álbum clássico com orquestra

Grupo britânico, ícone do pós-punk, vai apresentar a íntegra de "Ocean Rain" em Nova York. Para comemorar os trigésimo aniverário, o Echo And The Bunnyman vai até Nova York para tocar a íntegra do álbum "Ocen Rain", considerado o melhor momento do grupo, acompanhado por uma orquestra. O show acontece no dia primeiro de outubro, no Radio City Music Hall. A condução da orquesra ficará a cargo de Rupert Christie, que já fez o mesmo tipo de trabalho com Lou Reed. Conforme noticiado aqui, o grupo de Liverpool já vinha preparando apresentações tocando a íntegra de "Ocean Rain", sem citar a orquestra como coadjuvante.

Mas não é só de passado que vive o Echo. A banda está em estúdio com o produtor John McLaughlin preparando as músicas que estarão no décimo álbum, intitulado "The Fountain". O primeiro single, "I Think I Need It Too", sai em agosto. Na Inglaterra, claro.

maio 11, 2008

Raridades de John Mayall relançadas

CDs trazem shows realizados em 1969. A Eagle Rock Entertainment está relançando, nos Estados Unidos, dois álbuns gravados ao vivo do blueseiro John Mayall. "The Masters" e "Live At Marquee" foram editados originalmente em 1999, mas trazem performances do guitarrista registradas em 1969.

"The Masters" é um CD duplo, e traz Mayall tocando músicas do filme "The Turning Point" e inveredando por passagens acústicas, de violão + bateria. "Live At Marquee" pega um show gravado em Londres e traz muitas jam sessios. Como a Eagle é representada no Brasil pela gravadora ST2, existe a chance de os discos serem lançados por aqui. John Mayall toca no Rio na próxima quinta, no Canecão. Mais detalhes aqui.

Yngwie Malmsteen compôs 39 músicas para novo álbum

Guitarrista está empolgado com a nova formação de sua banda. O guitarrista sueco Yngwie Malmsteen, um dos primeiros a conseguir projeção no mercado como artista solo, está empolgado com sua nova banda e com o próximo disco. Em entrevista à revista americana Guitar World, Malmsteen disse que voltará à cena "como uma bomba atômica", e que o som de bateria que está sendo gravado é "o mais pesado" que ele já ouviu. A nova banda do guitarrista tem como destaque o vocalista Tim "Ripper" Owens, que substituiu Rob Halford no Judas Priest. Tocam ainda Bjorn Englen (baixo), Michael Troy (teclado) e Patrik Johansson (bateria).

Na mesma entrevista, Malmsteen disse que obteve os direitos de boa parte de seu catálogo, que terá em breve relançamento com nova masterização, pela Rising Force Records. Somente os cinco primeiros discos, lançados pela PolyGram (hoje Universal) é que não fazem parte do pacote

Nightwish

Foto do show de 2002, no Claro Hall, Rio. nightwish02-04.jpg
A exuberante Tarja Turunen em grande forma

maio 10, 2008

Muse pode fazer três shows no Brasil em agosto

Ao menos uma data já estaria acertada. Boatos na internet dão conta de que o Muse toca por aqui ainda esse ano, em agosto. O grupo teria, ao menos, uma data reservada para o Brasil em meio a uma turnê que pasaria também pelo Chile e Argentina. Só que a produção brasileira ofereceu três cidades (Rio, São Paulo e Curitiba), e a banda estaria pensando sobre o assunto. O negócio é torcer.

Crescimento do Goiânia Noise faz Bananada priorizar cena local

Festival se assume como segunda foça na chamada Seatte brasileira Depois da criação da Abrafin (Associação Brasileira de Festivais Independentes) e de um forte patrocínio da Petrobras, o Goiânia Noise Festival cresceu tanto, que o Bananada, outro festival que acontece anualmente em Goiânia, está priorizando a cena local. É o que mostra a escalação para a próxima edição o festival, que acontece entre os dia 23 e 25 de maio, no Centro Cultural Martin Cererê: metade das bandas são de Goiânia.

Preocupados com os custos, já que a Petrobras "só" apoia o Goiânia Noise, a Monstro, que organiza os dois eventos, busca também um perfil de bandas mais recentes. Ao invés de Pato Fu, Mallu Magalhães; no lugar de Sepultura, Are You God?; sem Los Hermanos, que venha o Do Amor, e assim por diante. Goiânia cria, assim, uma espécie de segunda divisão dos festivais da cidade. Confira a programação completa:

Sexta, dia 23:

Mandatory Suicide (GO)
Johnny Suxxx & The Fuckin' Boys (GO)
Mechanics (GO)
Are You God? (SP)
Sapo Banjo (SP)
Identidade (RS)
Curumim (SP)
Inbleeding (GO)
Jonas Sá (RJ)
Fim do Silêncio (SP)
Goldfish Memories (GO)
The Melt (MT)
Mugo (GO)
Bad Lucky Charmers (GO)

Sábado, dia 24:

Violins (GO)
Diego de Moraes e o Sindicato (GO)
Motherfish (GO)
Do Amor (RJ)
Mallu Magalhães (SP)
Cérebro Eletrônico (SP)
Sweet Fanny Adams (PE)
Black Drawing Chalks (GO)
Chimpanzé Club Trio (SP)
Bang Bang Babies (GO)
Abesta (SC)
Filhos de Empregada (PA)
Abluesados (GO)
Gloom (GO)

Domingo, dia 25:

A Banda da Eline (GO)
Necropsy Room (GO)
MQN (GO)
M. Takara 3 (SP)
O Lendário Chucrobillyman (PR)
A grande trepada (RJ)
Amp (PE)
Shakemakers (GO)
Bad Folks (PR)
Orquestra Abstrata/Seven (GO)
Big Nitrons (Santos - SP)
Fire Friend (DF / SP)
The Backbiters (GO)
Sweet Racers (GO)

Preferida de Kurt Cobain, Vaselines está de volta

Banda faz ao menos dois shows, sendo um na festa de 20 anos da Subpop. O grupo escocês The Vaselines confirmou que está se reunindo para fazer dois shows, um no próximo dia 16, como uma das atrações do festival escocês Tigerfest, e outro em julho, dentro de um evento comemorativo dos 20 anos da gravadora Subopop, em Seattle.

Foi pela Subpop que o Vaselines obteve seu maior sucesso no mercado americano. O grupo vendeu cerca de 61 mil cópias do álbum "The Way of The Vaselines", lançado em 1992. Muitos atribuem esse sucesso ao fato de Kurt Cobain ter se declarado publicamente fã do grupo. O Nirvana gravou covers para "Molly's Lips" e "Son of a Gun", do Vaselines, incluídas na coletânea de singles "Incesticide", e ainda "Jesus Doesn't Want Me for a Sunbeam", no histórico CD "MTV Unplugged in New York".

Com repertório ruim, Queensrÿche não consegue engrenar

Em sua terceira vinda ao Rio, grupo de Seattle se perde entre músicas boas e ruins; filosofia de botequim do vocalista não contribui. Veja também como foi o show do Whitesnake, na quarta. Embora tenha conquistado grande sucesso no meio da música pesada, o Queensrÿche tem uma carreira essencialmente irregular, e foi essa irregularidade que maçou o show do grupo, anteontem à noite, no Citibank Hall, no Rio. A alternância de bons e maus momentos só foi superada pelas falas do vocalista Geoff Tate entre as músicas, sempre apostando numa filosofia de botequim que de alguma forma desaguava no tema abordado na letra da música a ser iniciada. Sua voz, no entanto, intacta, é o grande destaque do show, embora ele pouco se movimente no palco, fato raro para um show de heavy metal.

A escolha do repertório talvez tenha sido o erro do grupo. Só para se ter uma idéia, as músicas que abriram e fecharam o show, respectivamente “Best I Can” e “Silent Lucidity”, não chegaram a empolgar o público – bem pequeno, diga-se de passagem. Esta última, embora detentora de um improvável sucesso, não é talhada para as massas. Poucas músicas do álbum “Operation: Mindcrime” (duas!), o único grande disco do Queensrÿche em 27 anos de história, contribuíram para que o show não chegasse a engrenar. Ou, ainda, a ausência de mais covers, dentre os gravados pela banda no álbum mais recente, “Take Cover”, a julgar pela empolgação causada em “Neon Knights”, emprestada do Black Sabbath fase Dio.

Alguns momentos, no entanto, deixaram boa impressão, sobretudo quando os guitarristas Michael Wilton e Mike Stone se aproveitavam de evoluções e solos mais melódicos para se aproximarem da beira do palco. Aconteceu em “The Hands”, “Gonna Get Close To You”, com um belo solo, e na dobradinha “Breaking The Silence”/”Anybody Listening?”. Ou ainda quando alguns hits apareceram, caso da bela “Another Rainy Night (Without You)”, de “Jet City Woman”, cujo simples anúncio foi comemorado como um gol, e na soberba “Eyes Of a Stranger”, que fechou a primeira parte do show em clima de euforia.

O bis que poderia trazer a redenção acabou se dividindo. Se apresentou a obrigatória “Empire”, uma das mais ovacionadas na noite, e a pré-histórica “Take Hold Of The Flame”, pesadíssima, teve como contraponto a fraca “The Lady Wore Black”, salva por um belo solo no final, e a inexplicável e já citada “Silent Lucidity”. Das quase duas horas de show sobrou a ausência de boas músicas e de público, e faltou um pouco mais de animação por parte da banda, além de habilidade em se montar um bom repertório. Fica para a próxima.

Set List:

1- Best I Can
2- NM 156
3- Screaming In Digital
4- Hostage
5- The Hands
6- Bridge
7- The Killing Words
8- Another Rainy Night (Without You)
9- Gonna Get Close To You
10- Walk In The Shadows
11- Neon Nights
12- Last Time In Paris
13- Breaking The Silence
14- Anybody Listening?
15- Jet City Woman
16- Eyes Of a Stranger

Bis

17- The Lady Wore Black
18- Empire
19- Take Hold Of The Flame
20- Silent Lucidity

Wolfmother – Please Experience Wolfmother Live

Arsenal / Universal.
wolmotherplease.jpg
Dentre a safra de bandas de rock que apareceram depois da virada do século, o Wolfmother é sem dúvida a mais peculiar de todas. Fugindo da estética retrô anos 80, o trio australiano foi bem mais longe, ao reproduzir a psicodelia e o som pesado pré-heavy metal dos anos 60 e 70, batizado no Brasil como “rock pauleira”. Mais: conseguiu fazer músicas que parecem clones de Black Sabbath, mas sem deixar de lado referências a Pink Floyd, Blue Cheer, Jethro Tull, Led Zeppelin (no que esbarrou no White Stripes, outro emérito decalcador) e adjacências.

Deu certo. E o lançamento desse DVD, mostrando essencialmente como é a banda ao vivo, é prova disso. Afinal, que artista teria lançado um vídeo gravado ao vivo com o mesmíssimo material que compõe o único disco de sua história? Só aquele que faz realmente muito sucesso e este é o caso do Wolfmother. Outras provas desse triunfo são os cinco(!) videoclipes feitos em cima do mesmo disco, e, claro, a Grammy de “melhor performance de hard rock” conseguido em 2007, entre outras premiações. Uma delas é o australiano Aria Awards, onde foi gravado a apresentação (nervosa, com direito a instrumentos destruídos) para “Joker & The Thief”, incluída nesse DVD.

Mas o grosso do material é um show gravado também na Austrália, para uma platéia de mais e 4 mil fãs ensandecidos. São tocadas 12 das 13 músicas do único álbum do grupo, embaralhadas e com uma pegada que faz do repertório algo completamente diferente e justifica o título do DVD: é preciso mesmo experimentar o Wolfmother ao vivo. Logo se perceber que a utilização de teclados, por parte do baixista Chris Ross, que passa batido no disco, é fundamental para a contextualização sonora e esporrenta do trio. E não é um teclado qualquer, o instrumento está ali a serviço da criação de texturas, ruídos, fundos e outros elementos que dão consistência e sustentam o som pesado do grupo. É o que se nota em todo o show, sobretudo em “White Unicorn”, que cita The Who e Led Zeppelin, ou na viagem em que se transforma “Minds Eye”, quando o guitarrista Andrew Stockdale se esparrama no chão.

Andrew, muito jovem e com uma cabeleira à Hendrix, emblematiza muito bem o universo do Wolfmother. “Ainda gosto de rock’n’roll, faz parte do meu DNA”, diz ele no micro documentário que aparece no final do DVD. No tal universo da banda, além das curiosas roupas usadas pelo vocalista, cores psicodélicas borradas e vibrantes dão o tom, no encarte do CD e nos videoclipes que também aparecem aqui como bônus. A exceção do gravado em estúdio para a sabbathica “Woman”, onde Andrew é, literalmente, Ozzy, os outros quatro têm passagens gravadas ao vivo (um, com cenas do show principal do DVD), e chama a atenção o de “Minds Eye”. O vídeo pega a banda tocando no meio de um deserto, sozinha, sem público, o que remete diretamente ao filme “Pink Floyd Live At Pompeii”.

Mas o Wolfmother – que fique claro – é uma banda de guitarras, que se sustenta a partir do riffs bem sacados de Andrew. Músicas como “Tales” e “Colossal”, além da já citada “Woman”, sequer existiriam não fossem as guitarras pesadas, secas e primais que lhe dão o tom. Duas músicas do mesmo repertório, gravadas na lotada Brixton Academy, em Londres, também aparecem. “Dimension”, pós-editada com efeitos retrô que duplicam as imagens de cada integrante ficou simplesmente sensacional. Como a banda anda sumida ultimamente, depois desse DVD espera-se que esteja preparando o mais que esperado segundo disco. Se depender do que já foi feito, vem mais porrada por aí. Tomara.

Sean Lennon

Mais uma foto do show do Free Jazz (atual TIM Festival), em 2000, no MAM, Rio de Janeiro seanlennon00-2.jpg
Nem nas viagens mais absurdas John Lennon imaginou seu um de seus filhos viraria músico indie...

maio 09, 2008

Engenheiros do Hawaii
A maior banda média do Brasil

Publicado na edição número 66 da Revista Dynamite, de setembro de 2003. “Sem soar o alarme... Sem fazer alarde”. Esse verso da música “Camuflagem”, que abre o novo disco dos Engenheiros do Hawaii, “Dançando No Campo Minado”, bem que poderia sintetizar sua trajetória. Em pleno e fabricado revival dos anos 80, quando quase todas as bandas se renderam a discos em formato acústico ou de covers, o Engenheiros (que desde de 1989 lança um álbum ao vivo a cada três de estúdio) mantém sua inabalável carreira, lançando sempre bons discos, fazendo shows por todo o país e atingindo níveis de vendas satisfatórios. É, sem dúvida, o sonho de qualquer banda que luta para sobreviver num mercado onde ou se é um sucesso fenomenal, ou, então, não é nada. O sonho de ser uma banda média, ou, como prefere o chefão Humberto Gessinger, uma banda de “segundo escalão”.

“Dançando No Campo Minado” é o segundo disco de estúdio com a mesma formação, que, além do controverso Gessinger (de volta às guitarras), inclui Paulinho Galvão (guitarra), Bernardo Fonseca (baixo) e Gláucio Ayala (bateria). Curtíssimo para a era CD, “Dançando No Campo Minado” é também o segundo álbum da “fase gerúndio”, e traz um peso quase inédito na carreira do grupo, com temática de engajamento e citações militares, presentes desde o (quem não se lembra) “Exército de Um Homem Só”.

Confira abaixo a entrevista que Humberto Gessinger concedeu com exclusividade à Dynamite, direto de seus domínios, nos pampas gaúchos, e veja como, já há algum tempo, o Engenheiros vem, como diria outro famoso caudilho, “comendo pelas beiradas”.

Muita gente avaliou o penúltimo disco, “Surfando Karmas & DNA”, como uma volta ao período do “A Revolta dos Dândis”/”Ouça o Que Eu Digo Não Ouça Ninguém”, como você vê isso?

Eu concordo. É um lance que não foi procurado, acabou soando com aquele frescor do início, talvez pela minha volta à guitarra. E eu acho que o “Dançando No Campo Minado” tem a mesma onda, é um amadurecimento.

O “Dançando No Campo Minado” parece mais pesado, talvez até em toda a carreira do Engenheiros. O que influenciou vocês para que ele saísse assim?

Não foi algo que tenhamos procurado. Ouvindo agora o que eu sinto é que no “Surfando...” as minhas guitarras estavam escondendo alguns efeitos e nesse eu acho que ficou mais cru, e talvez isso dê, na forma, um sensação de mais peso. Eu acho que no texto até nem tem tanta diferença, é mais nas sonoridades das guitarras. E acho que isso serve muito ao que estávamos cantando. Eu vejo esse disco como uma longa canção de 39 minutos. São canções curtas, mas eu ouço como uma grande e única canção. Ele começa com essa onda mais pesada e sombria, até desesperançada; em “Segunda-feira Blues” bate no fundo do poço, num lance meio ressaca; e aí, em “Dom Quixote”, começa a vir umas coisas mais de esperança que é “Outono em Porto Alegre”. Muitos fãs ficam cobrando, dizendo que “as músicas eram mais progressivas na época do ‘Papa é Pop’”, e eu acho que é mais ou menos a mesma estrutura.

Nas letras parece que há uma preocupação com o mundo globalizado, há palavras marcantes de guerra, como camuflagem, colisão, radar. O campo minado é a globalização, dentro dessa visão?

Eu acho que existe pouco espaço para a liberdade hoje em dia, tá tudo muito tomado. Vejo assim em geral, sem cair especificamente no lance político ou econômico. Vejo como é pouco o que se oferece para um adolescente, na indústria cultural, quer dizer, só besteirol piadinha, só uma violência fake. É um campo minado que parece que não tem muito onde pisar, para apoiar e dar o passo seguinte. Mas o engraçado é que eu falei do lance do nome do disco há um tempo, antes de gravar, e as pessoas prestavam maia atenção no “dançando” do que no “campo minado”, perguntavam se era uma música para dançar. Depois que eclodiu a guerra no Iraque o mesmo nome começou a significar outra coisa, começaram a pescar mais esse lado bélico. Não mudou o nome, mas a leitura mudou, todo mundo ficou mais sensível a esses tempos, que são bem recorrentes na carreira do Engenheiros.

Depois de “surfando” e “dançando”, você já tem um gerúndio para começar o próximo álbum?

Eu gostaria muito de um gerúndio no próximo disco, mas ainda não tenho um. Eu queria fazer mais um disco com o mesmo esquema, a mesma galera, estúdio.

Essa formação parece estar funcionando. Ela é a melhor depois da fase de sucesso do Engenheiros?

São momentos diferentes, eu tô super feliz, acho que nunca tive tão feliz. Agora não sei se isso é uma coisa boa ou não, essa sensação de felicidade, tranqüilidade. Na estrada eu sinto um lance de coração batendo, acho que nasceu um novo Engenheiros, não sei bem em que ponto da carreira, é uma coisa que eu vejo nos shows, na maneira como a molecada ouve Engenheiros. Acho que isso reflete esse frescor, nós entramos no estúdio e começamos a tocar com uma liberdade bem grande. Às vezes eu me coloco no lugar de quem está entrando na banda, não é uma banda muito fácil de se perceber para quem tá de fora, que tipo de energia que rola, em relação ao público. Eu gosto desse processo, os caras vão tomando conta, vão tomando uns sustos na estrada e aí eu vou começando a conhecê-los melhor e nós começamos a trabalhar com mais facilidade.

Funciona como banda mesmo, porque dá a impressão que é você e mais três, né?

Cada vez vai ser mais difícil tentar falar de igual para igual, porque as bagagens são completamente diferentes. Acho que o grande erro que talvez eu tenha cometido em algumas formações é tentar criar esse clima de que somos uma banda, artificialmente, que é o pior que tu pode fazer. O lance é deixar, a estrada vai transformando numa banda.

Você parece ser muito autocrítico nas coisa que você faz, tá sempre reavaliando, parando para pensar, é isso mesmo?

Tem modificações nesse meio, da música pop, do rock’n’roll, e acho legal ficarmos atentos, porque se tirar o risco e a espontaneidade, é uma música muito pobre. Se mantiver o risco, é uma coisa muito rica. Acho legal ficar atento, manter essa autocrítica, para não cair na inércia, aquela coisa de acho bacana ter uma banda de rock, que legal, tenho sucesso. Temos que começar sempre do zero.

O Engenheiros quase sempre lança um disco a cada ano, mas, por outro lado, os discos têm saído curtos. Você não pensa em esperar mais e lançar discos maiores, já que num CD é possível chegar em torno dos 70 minutos?

Eu tenho pensado nisso, mas no sentido oposto. Quando eu estava ouvindo o disco, pensei: “Como é que nós gravávamos discos maiores que esse?”. Começou a me parecer mais orgânico esse tempo, daí pra baixo. No vinil tinha uma limitação física, que era de 22 minutos por lado, mas por outro lado tinha a coisa de ter duas entradas, lado A e lado B. Com o CD não é bem assim, tem essa facilidade do skip, de as pessoas irem direto na faixa que vão ouvir, as pessoas se apropriam da música de outra forma. Acho que as possibilidades físicas que o CD te dá não vão ser determinantes para saber qual é o tamanho de um álbum para os anos 2000. Pode ser uma esperar mais e lançar um tijolão, ou pode ser o contrário, lançar um disco por semana, de oito minutos. Vamos caminhar para o lance de baixar a música on line. E aí, o que será do álbum? Vai ser todo mundo fazedor de single, como era antes dos anos 50? Para bandas da minha geração é inevitável ter esse cordão umbilical com a história do vinil. Vamos sempre ter, inconscientemente, esse timing.

Nos álbuns mais antigos você usava muitas aliterações nas letras. Até hoje, quando se discute Engenheiros isso é recorrente, mas hoje você não usa tanto. Você acha que elas afinal, ajudam ou não?

Eu sempre fiquei de fora dessa discussão, porquê não consigo ver tanta diferença. Por outro lado muita gente me fala isso. O problema é que quando começam a falar alguma coisa sobre um artista, um jogador de futebol, aquilo vira um clichê e vai se auto-alimentando. Então o Romário para sempre será talentoso e preguiçoso, o Jimi Hendrix para sempre será o guitar hero. Eu sempre tive um fascínio pelo lance da forma, e não acho que eu tenha parado de fazer, talvez elas não tenham ficado tão famosas, mas eu gosto pra caramba desse lance da forma.

Fala-se muito na geração dos anos 80, na volta dessa geração, mas o Engenheiros nunca parou. De que geração é o Engenheiros de hoje?

Hoje em dia tu olha para trás e tudo é uma grande geração, mas na época havia diferenças que hoje parecem pequenas, mas eram fundamentais. Eu ia a show dos Paralamas sem nem pensar em estar numa banda. Na época éramos um pouco posteriores, chegamos e já tinha o declínio da Blitz. Acho a nossa história mais linear, nunca tivemos uma ruptura brusca na minha maneira de escrever, apesar das várias formações. Quando falam assim, que voltou, eu levo um susto porque na verdade eu estou fazendo o trabalho nesse tempo inteiro e não me dou conta do que rola no mundo exterior. Eu vejo a coisa do Engenheiros menos episódica, é uma história mais contínua, mais tranqüila.

É uma banda de “come quietos” ou que “come pelas beiradas”?

Boa, eu acho que nós somos uma banda assumidamente média. Um dos momentos mais desconfortáveis na história da banda para mim foi quando a ela foi guindada para uma posição de estrela, na época do “Papa é Pop”, que não fazia o menor sentido. Foi muito desagradável.

Você lembra quanto vendeu?

Umas 350 mil cópias na época, hoje deve estar em 450 mil. O que não é uma grande vendagem, comparando com as bandas que vieram depois. Era um momento em que ninguém tava vendendo nada, era como se todo mundo tivesse saído da festa e sobramos nós.

Foi quando entrou o Collor e confiscou as contas bancárias, né?

É, eu me lembro que estava fazendo um show durante esse confisco, e a bilheteria era toda de cheques sem fundo. Mas eu me sinto muito mais à vontade hoje em dia do que na época do estouro. Eu vejo muito fã achando que foi uma época excepcional da banda, a segunda formação, “O Papa é Pop”, mas acho que a própria mídia tava com mais interesse nesse tipo de som, do Engenheiros, do pop rock. Em geral as bandas que vêm dos anos 80 fizeram seus melhores trabalhos naquela época, sabe como é o Brasil, cada ano tem sua onda, era a hora do pop rock. Mas acho que tem coisas interessantes antes e depois, o mundo não começou ali, não.

Mas você acha que realmente “O Papa é Pop” é o melhor disco da carreira de vocês?

Não, eu acho que o “Revolta...” é bem melhor que o “Papa...”. Acho o “Tchau Radar” um disco bacana, mas por ser muito maduro não fez tanto barulho.

Durante os anos 80 e em boa parte dos 90 você reclamava que era injustiçado pela imprensa. Como você vê isso, olhando de longe? Eles continuam pegando no seu pé?

Pegando muito, cada vez mais. É proporcional ao espaço que tu tem. Então é um bom sinal que ele estejam pegando no pé. Mas acho que, sem querer ser arrogante, são mundos que não se tocam, o do músico e o do crítico. Só aparentemente estamos falando a mesma coisa, mas não tem possibilidades de diálogo. Cada um na sua, eles estão certos falando o que eles falam, e eu estou certo dentro do que estou fazendo. A minha hora de falar é quando eu faço as minhas músicas e a deles é quando escrevem.

Você acha que tinha uma panelinha de críticos que pegavam no seu pé ou era uma coisa generalizada?

Começou como uma panelinha, mas depois caiu naquela inércia que eu te falei, e aí tem gente que começa a repetir sem nem saber o que tá falando. Antigamente tinha duas ou três pessoas que paravam para ouvir um disco, o resto todo mundo ia atrás. Hoje te canais alternativos, revistas menores, internet, não é tão monolítico assim.

Você já parou para prestar atenção nas bandas que estão sendo chamadas de rock gaúcho?

Eu ouço quando toca no rádio. É quase o contrário de quando eu comecei, agora rola quase que um preconceito ao contrário. Na verdade sempre teve bandas legais aqui, mas não tinha vazão. As rádios aqui esperavam a banda acontecer no resto do país para depois tocar, mas agora estão apostando, porque tem também um circuito em que os caras podem viajar.

Se fosse assim na sua época o Engenheiros ficaria por aí mesmo?

O Engenheiros nunca foi uma banda para ser “a banda”, um lance hegemônico. Tu falou o lance das beiradas, é interessante, é mais ou menos isso. Então, tem meia dúzia de malucos que gostam em Porto Alegre, meia dúzia em Minas, não é para ser uma banda de todos os porto-alegrenses ou todos os brasileiros. Hoje em dia, em geral, é mais fácil fazer sucesso regionalmente e mais difícil cruzar as fronteiras. Não é só Porto alegre, vários lugares que tu vai, tem uma cena local legal.

Acaba que o eixo Rio-São Paulo é que fica sem cena. Vira aquele negócio de estourar ou não...

É o que eu falo para o pessoal que toca comigo que é do Rio: vocês moram embaixo da antena, e têm mais dificuldades, porque fica só um espaço mainstream.

Você já recebeu sugestão de gravadora para fazer discos acústico, de covers ou ao vivo?

Acústico sempre falam, projetos de disco em espanhol, mas nunca me senti muito à vontade e me parece que, até agora, a gravadora olha e fala assim: “Pô, deixa os caras fazerem que eles sabem, o que eles fazem melhor”. Não rolou pressão até hoje na minha carreira. Até já vi gente falando que nos fizeram gravar essa ou aquela música, mas é tudo mentira. Com “Era Um Garoto...” era inacreditável, todo mundo dizia: “Viu, fui eu que fiz tu gravar essa música”.

Assim como o Rush, que faz um disco ao vivo a cada quatro de estúdio, o Engenheiros faz um a cada três. Isso é uma regra que você pretende seguir?

Uma coincidência, e é a única coisa que temos a ver com o Rush. O importante é o disco ao vivo não ser um episódio na carreira da banda, senão tu entra naquela nóia de fazer um disco ao vivo perfeito, e nunca vai ser. O barato são as imperfeições, então é bom que tenha vários discos ao vivo. Essa coisa de ser um a cada três é para chamar a atenção para isso. No Engenheiros o disco ao vivo nunca foi uma liquidação de nossos hits.

O próximo vai ser de estúdio?

O próximo vai ser de estúdio, sim, quero fazer mais um gerúndio, igual ao “Surfando...” e ao “Dançando...”

Pra fechar: e a viagem do Humberto Gessinger Trio?

Aquele disco era bacana, hoje eu vejo como um disco do Engenheiros. Foi ingenuidade achar que tinha espaço para essa sutileza, sou eu mas não sou eu. No início não era para ser um lance fonográfico, o erro foi ter gravado o disco, era para tocar em outras situações. A formação era de transição, eu e o Carlos estávamos pensando o que fazer. Seria legal aproveitar as músicas do disco, tem músicas bacanas para trazer para os Engenheiros.

Tom Bloch - Tom Bloch 2

Som Livre. Íntegra da resenha publicada na edição 51 da Revista Zona de Obras - Zaragoza - Espanha.
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Não é qualquer banda que muda da água para o vinho sem perder a identidade. Pois o Tom Bloch conseguiu. Para início de conversa, dos seis integrantes que gravaram disco de estréia, de 2002 (aquele do hit “Nessa Casa”), restaram apenas Pedro Veríssimo e Iuri Freiberger. O “apenas” vale só pela questão numérica, já que Iuri, além de baterista é afamado produtor no meio independente, e Pedro Veríssimo é o autor de todas as letras e faz praticamente todas as músicas, com a ajuda de parceiros. Nesse disco o agora duo teve o auxílio luxuoso do baixista Patrick Laplan (Eskimo, Los Hermanos, Biquini Cavadão) e do excepcional guitarrista Júnior Tostói. Para melhorar, tudo foi gravado no Estúdio Toca do Bandido, herança de Tom Capone. Tais credenciais seduziram a Som livre, braço musical da Rede Globo, que incluiu o Tom Bloch no projeto “Som Livre Apresenta”.

A economia de integrantes poderia sugerir a utilização equivocada de recursos eletrônicos – e eles aparecem - mas o grupo não recuou um milímetro no peso inerente ao rock pungente que lhe deu fama. As guitarras convivem com nuances de estúdio que realçam o conteúdo musical, estético e das letras em si, já que Pedro pertence ao clã dos Veríssimo e não nega as origens. É a partir de suas histórias bem tramadas que se resolve a música do Tom Bloch. Na melhor delas, “Ente Nós Dois”, ele explica milhões de relações entre homem e mulher num espaço exíguo, levado por guitarras agrupadas com efeitos eletrônicos cirúrgicos. Bem perto dela vêm, juntas e emendadas, “Sob a Influência” e “A Dúvida”. A primeira é quase uma “marcha abre-alas” que abriga losers amorosos de todo o tipo, e a segunda é um rockão dos bons, trilha perfeita para a indecisão de um ator cujo papel parece condenado às incertezas (de novo) das mazelas amorosas. Outra boa é “A Invenção”, macia e com refrão certeiramente pop.

Nem tudo são flores, porém, nas baladas “Imitação da Vida” e “O Refém”. Curiosa é “Situação de Dança”, uma trilha sinistra em que Pedro escancara a dificuldade que tem em dançar, algo sincero e autobiográfico se lembramos que o cantor tem presença de palco praticamente nula durante os shows do Tom Bloch. O disco peca, ainda, por ter repertório reduzido, nove músicas em pouco mais de meia hora. Mas desde quando, sobretudo em música, tamanho é documento?

Histórias bem tramadas realçam o rock moderno da Tom Bloch

Banda se reduz a um duo e lança segundo disco em selo especial da Som Livre para novos artistas. Fotos: Divulgação. tom bloch - 1.jpg
Iuri Freiberger e Pedro Veríssimo: uma dupla que se multiplica à frente da Tom Bloch

“Éramos Seis” bem que poderia ser o nome dessa banda gaúcha, formada em 1999. Pelo menos na fase atual, na qual - explica-se - quatro integrantes deixaram o barco nas mãos do vocalista Pedro Veríssimo e do baterista (e produtor) Iuri Freiberger. O nome Tom Bloch vem de outra referência literária, de um conto escrito por Mini, ex-guitarrista, e que fez fama à frente do também porto-alegrense Walverdes. E como o sobrenome não nega, Pedro é filho do escritor Luis Fernando Veríssimo e, talvez por isso mesmo, é seguramente um dos melhores letristas do rock nacional.

No disco de estréia, “Tom Bloch”, de 2002, o hit “Nessa Casa” marcou a banda, mas já estavam ali, embutidas em muitas guitarras, histórias de relacionamentos que são a especialidade do observador Pedro. Elas realçam o segundo disco, “Tom Bloch 2”, lançado agora pela Som Livre, dentro do projeto “Som Livre Apresenta”, idealizado para dar espaço para novos artistas do cenário nacional. Nessa nova empreitada Pedro e Iuri contaram com a ajuda do guitarrista Junior Tostoi (Vulgue Tostoi) e do baixista Patrick Laplan (Los Hermanos, Eskimo), para gravar o CD, na Toca do Bandido, no Rio de Janeiro, cidade para onde os dois, aliás, vieram de mala e cuia.

Nessa entrevista concedida por e-mail, Pedro Veríssimo discorre sobre essa nova fase da banda, fala sobre o contrato com uma gravadora, em tempos de música virtual, das letras que bem sabe escrever, da atual formação mutante do Tom Bloch e do novo disco em si. Confira que ele é bom de papo, ops, bom com as palavras.

Rock em Geral: Qual a origem do nome Tom Bloch?

Pedro Veríssimo: O primeiro guitarrista da Tom Bloch foi o Mini, dos Walverdes, que além de letrista excepcional escreve uns contos ótimos. Tom Bloch era um personagem recorrente nesses contos. Quando começamos a procurar um nome, pedi permissão para usar. Sempre achei interessante - e muito de acordo com o conceito da banda - ter o nome de uma pessoa para identificar a todos. Um tipo de pseudônimo coletivo. E é um nome bem sonoro.

REG: Da formação que gravou o primeiro disco, restaram dois integrantes. Conte como isso aconteceu:

Pedro: Contratamos um assassino profissional e nos livramos de todos! Ok, não foi exatamente assim... Foram decisões pessoais de cada um, caminhos diferentes na vida. Mas o fato é que a Tom Bloch sempre teve um rodízio grande de integrantes. E o começo foi como dupla mesmo - eu e o Charles di Pinto, co-produtor do primeiro disco -, depois é que acabou crescendo e mudando sempre. Claro que a maior parte da vida da banda foi como um grupo de pelo menos quatro pessoas, e voltar a esse formato original mudou bastante a forma como estávamos compondo e produzindo. Mas não deixou de ser Tom Bloch, essa mudança toda é parte do que a banda é.

REG: Como você reuniu os músicos que gravaram esse disco? Diga quem é cada um deles:

Pedro: Começou quando decidimos que o disco seria gravado no Rio. Então fomos sondar pessoas e perguntar por aí. O que sabíamos é que quem quer que fosse precisava ter personalidade. Como o som do disco seria mais esparso do que o primeiro, mais limpo e com menos camadas, as guitarras e baixos precisavam ter presença forte. O Junior Tostoi era amigo antigo da banda - mesmo que só virtual - e eu sempre gostei muito de Vulgue Tostoi. É um guitarrista sensacional. O Patrick foi indicado por alguém para o Iuri. Não conhecíamos praticamente nada dele, mas todo mundo dizia que era a “personalidade” que a gente procurava no baixo. E era mesmo, um baixista foda. Além deles, teve a participação da Alessandra Verney, que é cantora e atriz (o que era uma combinação excelente para o que a gente pretendia), em duas faixas. E também o Ray Z., tocando guitarra em uma das faixas. E ainda os sopros do Luis Fernando Rocha e do Julio Rizzo e as cordas do André Meneghello na primeira faixa do disco. Um time bem enxuto.

REG: Foi legal gravar na Toca o Bandido? Por que escolheram esse estúdio?

Pedro: Foi ótimo. Uma experiência bem diferente da gravação do primeiro disco. Gosto de dizer que o primeiro era um disco de produção e que esse é um disco de instrumentos. No primeiro a gente resolvia as deficiências técnicas com recursos de estúdio, criando camadas, colocando efeitos. No segundo, por gravar num estúdio de tanta qualidade, o importante era o som de cada músico. Não tinha muito o que disfarçar, era só mostrar mesmo. E chegamos lá meio por acaso, através da Érika Martins. Ela gravou o disco dela na Toca e uma das músicas era nossa - “Sacarina”, escrita para ela. A partir daí, começamos a conversar com a Constança (Scofield), dona do estúdio. Já sabíamos que o disco novo seria gravado fora de Porto Alegre - novos ares e tal - mas só nos decidimos pelo Rio quando fechamos com ela.

REG: Conte um pouco do caminho percorrido desde a composição dessas nove músicas até o processo de gravação:

Pedro: A saída dos outros integrantes coincidiu com o começo do processo de gravar o segundo disco. Algumas das músicas já estavam prontas, compostas pelos quatro (eu, Iuri, Sapo e Goyo). Outras a gente teve que fazer depois, em dupla. Dois processos bem diferentes, mas igualmente interessantes. Acho que não deve ser difícil perceber a diferença entre elas sem olhar para os créditos do disco, mas acho que todas têm a cara da banda. O mais complicado, no final, foi o momento de decidir o que fazer sem ter uma banda completa para tocar, gravar, ensaiar. Mas a vontade de seguir com a banda e a certeza de que ainda tínhamos o que mostrar fez tudo se acertar, de um jeito ou de outro.

REG: Vocês demoraram um pouco até assinar com a Som Livre. Está difícil conseguir um bom contrato com uma gravadora, em tempos de mp3?

Pedro: Já era difícil antes! Ainda mais para uma banda como a Tom Bloch, que nunca teve a preocupação de se encaixar num nicho de mercado. Somos difíceis de catalogar e acho que isso sempre confundiu um pouco as gravadoras. Mas vou dizer que, para bandas independentes ou mais alternativas, os tempos de mp3 são bons. Muito bons, aliás. Nunca se teve tanto acesso a novos nomes, nem tanta possibilidade de escolher o que ouvir. Até mesmo as gravadoras estão tentando se adaptar. O selo Som Livre Apresenta é uma iniciativa ótima nesse sentido. O perfil é independente, mesmo dentro de uma empresa do porte da Som Livre.

REG: Como vocês se sentem como uma das primeiras bandas de um projeto para novos artistas em uma grande gravadora?

Pedro: A iniciativa é ótima. E inteligente, eu acredito. Eles estão dando força a novos nomes, dando suporte. Não tem a expectativa de vender milhões de cópias de algum dos artistas, mas acreditam no potencial comercial de todos. E é ótimo ser tratado como artista novo, ainda mais na minha idade...

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Ao vivo, a Tom Bloch enche o palco de convidados, numa interessante e mutante formação

REG: É verdade que o contrato da Som Livre não cobre nenhum custo, e que a única “vantagem” para a Tom Bloch seria a inserção de músicas de vocês no Sistema Globo?

Pedro: Eles cobrem vários custos, sim. E a inclusão numa trilha de novela, por exemplo, é só uma possibilidade. A grande vantagem é estar em um selo que é parte de uma empresa sólida, o que permite a esse selo apostar em novos nomes com mais segurança. Não sei como é o contrato dos outros artistas, mas o nosso é um tipo de licenciamento. Quando acabar o contrato, a master volta para a banda. Enquanto isso, eles prensam, distribuem e capitalizam em cima.

REG: Você é filho do escritor Luis Fernando Veríssimo. De que forma isso te ajuda ou atrapalha para ter reconhecimento no meio artístico?

Pedro: Ajuda ao mesmo tempo em que não ajuda. Tem um exemplo que eu uso sempre: quem for assistir um show nosso só pra ver o que o filho do Veríssimo está fazendo, só vai voltar pra ver outro show ou comprar o disco se gostar do que viu. Se não gostar, o sobrenome não vai fazer diferença nenhuma. Ter um nome famoso atiça a curiosidade, mas é um efeito de curta duração.

REG: As letras da Tom Bloch são bem caprichadas, se compararmos com a média do rock nacional. A coisa tá no sangue?

Pedro: Não sei se por genética ou simplesmente por ter nascido e crescido em uma casa coberta de livros, mas gosto de palavras. Sempre presto atenção no texto. Acho que isso me deu alguma intimidade com o assunto, mas sinceramente não sei de onde sai a inspiração. Não digo só a minha, mas a inspiração como conceito. De resto, acho que quem quer escrever tem que começar é lendo. Para letras de música, a mesma coisa. A música no mundo todo está repleta de textos geniais, é só prestar atenção.

REG: Na Tom Bloch a letra é prioridade em relação à música?

Pedro: Não exatamente. É raro eu escrever alguma coisa que já não venha com melodia junto. No final, acho que tem pesos iguais. Mas também acho que o tema da letra influencia a música mais do que o contrário. Pelo menos no meu caso.

REG: A música “Situação de Dança” parece falar da dificuldade que você tem ao se apresentar ao vivo, é isso mesmo?

Pedro: É mais sobre a dificuldade de improvisar, de lidar com o inesperado. E dançar numa pista é se deixar levar, não tem coreografia. Por mais que eu não goste de me mover muito no palco - e estou bem longe de ser um animador de auditório - não é um lugar onde eu me sinta em dificuldades. É mesmo uma analogia com as situações inesperadas da vida.

REG: A expressão “capaz” é usada tipicamente no Rio Grande do Sul, mas você conseguiu encaixá-la bem em “Dúvida”. Conte como essa música foi feita:

Pedro: “Hesito, Maria. Me mato ou rasgo tua fotografia?”. Saiu desse hai-kai do Millôr (Fernandes, escritor, dramaturgo, humorista). É sobre um momento definidor: ou fica preso naquele momento/relação ou segue adiante, segue a vida. A palavra “capaz”, nessa música, foi usada no sentido “não-gaúcho” da expressão. Será que ele é capaz? Ou será que é incapaz de deixar pra trás? Mas é claro que é uma brincadeira com a expressão, principalmente pelo som. Fiz questão de cantar o mais “porto-alegrense” possível.

REG: ”Por Favor, Mente” é um tanto melancólica perto das outras músicas. É o lado “dark” da Tom Bloch?

Pedro: Essa é das primeiras músicas que escrevi na vida. Um daqueles exemplos que falei de letra já com melodia. Volta e meia eu mostrava em algum ensaio, jogava meio verde. Mas nunca teve ressonância, acho que ainda não tinha muita convicção. Quando começamos a ver o que mais gravar além das canções que já estavam prontas, me lembrei dela. Pedi para o Iuri abrir uma sessão no computador e ligar o microfone. Gravei o vocal inteiro já com a melodia e o Iuri teve que achar a harmonia depois. Eu não toco nenhum instrumento, é bom dizer. “Por Favor, Mente” é uma música sobre solidão, sobre a necessidade de ser amado intensamente naquele momento... Depois a gente vê como fica.

REG: Há muito de recursos eletrônicos nesse disco. Isso se deve à redução do número de integrantes ou algo que o grupo já tinha interesse em fazer?

Pedro: Na verdade, acho até esse disco menos eletrônico do que o primeiro. É que a bateria, por exemplo, tem um timbre intencionalmente eletrônico, mas é de verdade. Os recursos eletrônicos estão presentes, claro. Mas acho que acabam sendo mais acessórios. A gente buscou um “clima” eletrônico, se é que dá pra se dizer isso. Só que a maioria dos sons é “hand made” mesmo.

REG: Em geral as letras (a de “Entre Nós Dois” em particular) falam de relacionamentos que você parece colecionar ou mesmo observar. Essa é uma das suas especialidades?

Pedro: É um tema que está sempre no centro das minhas composições, eu acho. Mas de uma forma ampla, não são necessariamente relacionamentos amorosos. Quer dizer, acho que a maioria é... De qualquer modo, são canções sobre gente. E gente tem essa tendência meio inexplicável de querer se relacionar com gente... Vai entender.

REG: Ao vivo, a banda é a mesma que gravou o disco? Como têm sido os shows?

Pedro: Um dos efeitos mais divertidos de ser uma banda de dois é que a banda que nos acompanha muda quase que de show pra show. Dependendo da data ou do local, acabamos tocando com quem pode ou está mais perto. E isso tem sido uma experiência sensacional. Não muda nada dos arranjos, das estruturas, nada. Mas basta mudar a mão de quem toca que tudo muda. O Patrick, sempre que pode, toca. Acho que é o mais assíduo até agora. O Junior, aliás, ainda está nos devendo um show.

REG: Quais os planos daqui pra frente? Novas músicas a caminho?

Pedro: Sim, várias músicas a caminho. Esperamos começar a gravar em breve. E acho que vai ser um pouco como os shows que comentei na resposta acima. Um rodízio ainda maior de pessoas gravando do que a Tom Bloch já teve até agora.

REG: Como banda andam as atividades da banda agora que vocês se mudaram para o Rio?

Pedro: Gostaria de te dizer que tenho ido muito à praia, mas sigo tão pálido quanto antes...

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Duas cabeças que se fundem em uma só: Tom Bloch

Pesquisa descobre gravações de Renato Russo como Trovador Solitário

Selo Discobertas deve lançar material obscuro da carreira do vocalista da Legião Urbana, morto em 1996. O pesquisador Marcelo Fróes tanto procurou que achou. O selo Discobertas, de sua propriedade, vai lançar gravações caseiras feitas por Renato Russo em 1982. Na época, entre o fim do Aborto Elétrico e o início da Legião Urbana, ele atendia pela alcunha de Trovador Solitário e fez vários shows sozinho, com violão, e, evenualmente, gaita. O disco sai em julho, e tem o "de acordo" dos herdeiros de Renato.

Preocupado com novo disco do Metallica, fã Dave Grohl escreve carta

Líder do Foo Fighters expressa preocupação com qualidade do sucessor de "St. Anger" Está circulando pela Internet uma carta aberta escrita pelo líder do Foo Fighters, Dave Grohl, endereçada ao Metallica. Grohl se diz fã da banda de longa data, incentiva o grupo a concluir logo o esperado novo álbum, mas mostra preocupação com algumas partes, especialmente a gravação da bateria. Numa passagem, o baterista deixa escapar que não é tão fã do último álbum do Metallica, "St. Anger", quanto é dos demais. Confira a íntegra da carta, postada no site da revista inglesa Metal Hammer:

"Ei, aqui é o Dave! Lembram-se de mim? Sim, eu sou o cara que tem ouvido a banda de vocês fielmente desde 1983. Eu comprei o primeiro disco de vocês, "Kill 'Em All" pelo correio, através de um catálogo chamado Under The Rainbow", eu acho. Na verdade não consigo lembrar. Era 1983, pelo amor de Deus! Mas esse disco mudou minha vida e eu tenho escutado os discos de vocês desde então (até o "St. Anger"!).

Eu mal psso esperar para ouvir a porra das músicas novas, e não importa o que vocês façam, eu sempre serei o primeiro na loja esperando para escutar. Tenho certeza que vocês virão para explodir a porra da cabeça de todo mundoi, porque vocês são os fodas do Metallica!

Boa sorte. E não lancem nada antes que eseja muito foda.

Dave Grohl.

P.S.: Vocês já finalizaram as gravações de bateria?"

Revista Billboard se rende ao Iron Maiden

Famosa publicação americana faz matéria especial com mais de 40 páginas sobre o grupo inglês
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A revista americana Billboard se rende de vez ao sucesso mundial do Iron Maiden, e pela primeira vez na história modifica o logotipo para adapá-lo à fonte utilizada pelo grupo liderado por Bruice Dickinson. No interior da edição de maio, que chega às bancas amanhã, uma matéria especial com mais de 40 pãginas sobre a turnê "Somewhere Back In Time", que passou pelo Brasil em março e chega agora aos Estados Unidos. A turnê, que remonta os palcos do grupo nos anos 80, é dissecada pela reportagem da Billboard, desde as pessoas que fazem tudo funcionar até a criação das temãticas usadas pelo Iron Maiden.

Sonic Youth

Mais uma foto do show do Free Jazz (atual TIM Festival) em 2000, no Rio. sonicyouth00-3.jpg
Kim Gordon: uma senhora a serviço do esporro no rock'n'roll

Whitesnake
Vitalidade na meia-idade

Público pequeno não desanimou veteranos do hard rock. Íntegra da matéria publicada hoje no Jornal do Brasil. A platéia não era lá tão grande para ver o quarto show do Whitesnake no Rio, anteontem à noite, no Citibank Hall. Mas, mesmo assim, o vocalista David Coverdale não desanimou. Líder e nome-símbolo do grupo, ele soltou a voz rouca celebrando “os melhores anos” de sua vida já na abertura, com “Best Years”. A música faz parte do último disco do grupo, “Good to Be Bad”, lançado no ano passado após um jejum de uma década. Calcado num hard rock pesado, o disco ainda cederia outras duas boas músicas ao show: “Lay Down Your Love” e “Can You Hear The Wind Blow”.

Coverdale não é bobo, e a banda que o acompanha é a mesma que vem fazendo turnês pelo mundo nos últimos anos. O destaque absoluto é o guitarrista Doug Aldrich, responsável por manter a identidade que ainda resta à banda, que já teve mais de 30 integrantes. Ao mesmo tempo, é inventivo nas músicas mais recentes e em seu solo – exercício obrigatório num show de hard rock - quando duela com o outro guitarrista, Reb Beach. O malabarismo não impediu citações ao blues mais primal e mexeu com o público.

Mas o forte da banda no show foi saber mesclar as músicas das várias e distintas fases. Estava tudo ali: o hard de raiz com referências ao blues, a fase cabelo laquê dos anos 80 e até o período em que David Coverdale saiu de trás do balcão de uma butique em Londres para liderar o Deep Purple, nos anos 70. No encerramento, a pesada “Burn”, símbolo dessa fase, foi tocada com citação a “Stormbringer” e, à capela, Coverdale, de 56 anos, mandou “Soldier Of Fortune”, numa prova de vitalidade vocal que superou os ecos e reverberações usados com exagero durante todo o show.

Além de emblemático vocalista, Coverdale é um performer e tanto. Na sábia alternância de fases do repertório, clássicos como “Fool For You Loving” (a segunda da noite), a emocionada “Ain’t No Love In The Heart Of The City”, e “Here I Go Again”, que fechou a primeira parte do show, fizeram o local tremer, embora não tenham derrubado teto, como pedia o vocalista. “Love Ain’t No Stranger”, aquela mesmo do comercial de cigarros, foi dedicada a Mel Galley, guitarrista do grupo nos anos 80, desenganado pelos médicos no início do ano após ter contraído câncer.

Ainda houve tempo para levar, em formato acústico, “The Deeper The Love”, numa referência ao CD “Starkers In Tokyo”, gravado em esquema desplugado no Japão, em 1998. Quase duas horas e 16 músicas depois, o Whitesnake mostrou que os 30 anos de história renderam clássicos imunes ao tempo. Mesmo que o público já não seja tão grande assim.

Set List (complemento REG):

1- Intro
2- Best Years
3- Fool For Your Loving
4- Bad Boys
5- Van You Hear The Wind Blow
6- Lve Ain't No Stranger
7- Lay Down Your Love
8- Is This Love
9- Blues For Mylene (Snake Dance) - solo dos guitarristas
10- Crying In The Rain
11- Aint No Love In The Heart Of The City
12- The Deeper The Love
13- Give All Your Love
14- Here I Go Again

Bis

15- Still Of The Night
16- Soldier Of Fortune
17- Burn

maio 08, 2008

Músicas novas do Oasis vazam na web?

Links teriam aparecido em chats freqüentados por fãs do grupo britânico. Uma série de links oferecendo três novas músicas do Oasis para download apareceram em chats freqüentados por fãs da banda. As músicas seriam “I Wanna Live a Dream (In my Record Machine)”, “Nothing on Me” e “Stop the Clocks”. Há suspeitas de que, em vez de músicas novas, as faixas seriam versões de músicas antigas, ou ainda versões inacabadas de músicas novas.

O certo mesmo é que o novo disco do Oasis, o sétimo da carreira do grupo, chega às lojas no segundo semestre, e tem a produção de Dave Sardy, o mesmo de “Don’t Believe The Truth”.

Sebastian Bach cogita entrar para o Velvet Revolver

Parceria depende das músicas novas, mas amizade com Axl Rose é empecilho. Em entrevista a uma rádio americana, o ex-vocalista do Skid Row, Sebastian Bach, cogitou a possibilidade de integrar o Velvet Revolver, em substituição a Scott Weiland, que recentemente foi demitido da banda. O próprio Weiland sugeriu o nome de Bach, em tom de brincadeira, e Slash, o chefão do Velvet, não levou a sério.

Sebastian Bach disse que já conversou com Slash a respeito, e que considera prioridade para ele o seu próprio disco, "Angel Down", lançado no ano passado, que ele "gosta mais que os discos do Velvet Revolver". O vocalista admite o apreço pelo trabalho do Guns N'Roses, mas diz ter "suas próprias velhas músicas", embora tenha feito a ressalva de que, se Slash aparecer com "músicas incríveis", pode pensar no assunto.

Um outro empecilho para a empreitada é o fato de Sebastian Bach e Axl Rose, desafeto de Slash, serem grandes amigos. Axl, inclusive, cantou em três músicas no disco de Sebastian, o que ajudou a alavancar as vendas do CD, fato também lembrado nessa entrevista.

Muito além do laquê oitentista

Carreira do Whitesnake e de David Coverdale tem muito mais a mostrar do que a superficialidade que imperou no hard rock dos anos 80. Com botox ou sem botox. Meus amigos, o tempo não pára. Nem para mim, nem para você, nem para o David Coverdale. Ele está girando pelo Brasil com o Whitesnake na turnê de lançamento do disco “Good to Be Bad”, que passou pelo Rio ontem. É o primeiro CD do grupo com músicas inéditas em 10 anos, finalmente o cara de pau resolveu compor alguma coisa com o bom guitarrista Doug Aldrich, e se mantém na ativa. Não escutei ainda o disco novo, mas, moderno que sou, vou baixar tudinho através de um link que o amigo e figuraça Panamá me passou via orkut. Visivelmente recauchutado por aplicação de botox e afins, como já se notava desde a segunda vinda da banda ao Rio, em 1997, Coverdale, no entanto, mantém a voz muito boa. Sim, meus amigos, o tempo não pára.

Muita gente faz do Whitesnake motivo de chacota justamente por não conhecer o grupo na plenitude de seus (já?) 31 anos de história. Para a grande maioria, a fase que mais marcou foi aquela em que Coverdale e seus comandados pegaram carona no hard rock oitentista, aquele rotulado somente aqui no Brasil como “farofa”. Disse “farofa” e já me arrependo. Acho o termo abjeto quando aplicado nesse sentido, além de ser fora de propósito por ser intimamente doméstico. Farofa, para mim, é só um prato da culinária brasileira feito à base de farinha, a partir de um refogado gorduroso. Não tem nada a ver com rock, muito menos com o hard rock. Voltando ao assunto, só se nota a mudança, tão somente, pela quantidade de laquê despejada na cabeleira do vocalista. Musicalmente, o Whitesnake tem a fase pesada e turbinada pela colaboração de guitarristas típicos do período, como Steve Vai e Adrian Vandenberg. Refiro-me aos discos “Whitesnake”, de 1987, que traz a baba “Is This Love”, e “Slip of the Tongue”, de 1989. Há, no entanto, outros períodos, positivamente melhores.

Um deles é a daquela formação que esteve no Rock In Rio, com John Sykes na guitarra, Neil Murray no baixo e o saudoso Cozy Powell na bateria. Era uma espécie de versão reduzida daquela que gravou o excelente “Slide It In”, lançado em 1984, e que contava ainda com os teclados de Jon Lord e o excepcional guitarrista Mel Galley. Desse álbum saiu o precioso hit “Love Ain’t No Stranger”, famoso por estrelar uma campanha publicitária de cigarros. O disco é precedido por trabalhos nem tão bons assim, mas que continham preciosidades que foram regravadas pelo próprio Whitesnake e duram até hoje. Caso de “Here I Go Again” e “Crying In The Rain”, do album “Saints & Sinners”, de 1982. Em “Come An’ Get It”, de 1981, boas músicas escondidas sumiram na história da banda, como a faixa-título, “Don’t Break My Heat Again” e a ótima “Child Of Babylon”.

Esses dois discos pegam o restinho de uma das melhores formações do Whitesnake, para muitos a única em que o grupo teve uma identidade, foi o “verdadeiro” Whitesnake. Tocavam com Coverdale Jon Lord (teclados), Bernie Marsden e Mick Moody (guitarras), Neil Murray (baixo) e Ian Paice (bateria). Como se vê, metade da banda vem do Deep Purple, e, além daquilo que Coverdale e Glenn Hughes implantaram no grupo – swing, funk e afins – o grupo envereda por um hard rock inovador justamente por misturar isso tudo com os dois pés fincados no blues americano de duas décadas atrás. “Ready An’ Willing” e “Live In The Heart Of The City”, ao vivo, ambos de 1980, e “Lovehunter”, de 1979, com o batera Duck Dowle, cristalizam essa esplêndida fase. Música símbolo do período? A espetacular “Fool For Your Loving”, também regravada em fases posteriores.

Não, meus amigos, isso aqui não é um texto biográfico, só pretende colocar alguns pingos nos “is”. David Coverdale, embora tenha se aproveitado do hard rock dos anos 80 para sabiamente manter sua banda viva e se renovando a cada disco, não pode ser confundido com a superficialidade que, salvou poucas exceções, imperou no hard rock daquela época. Ademais, Coverdale, autor de baladas irresistíveis, e certamente o sujeito que mais utilizou a palavra “love” desde a descoberta da pólvora, tem um estilo que lhe é muito peculiar. Não é só vocalista, mas cantor de voz privilegiada e que sabe interpretar, literalmente, uma canção. Não a toa volta e meio o chamo de Mr. Feeling, que desde os tempos do Deep Purple sente, ao cantar, cada palavra que sai de sua boca. Basta ver interpretações históricas para músicas como “Mistreated”, “Soldier Of Fortune”, e “Ain’t No Love In The Heart Of The City”, só para ficarmos entre as mais dramáticas.

Fora do Deep Purple, Coverdale também fez das suas. Além de ter lançado os dois primeiros discos do Whitesnake usando seu próprio nome, e do bom “Into The Light”, de 2000, fez, com Jimmy Page, causando ciúmes em Robert Plant, o excepcional álbum “Coverdale Page”, em 1993. A música “Take Me For a Little While”, desse disco, é um exemplo bem acabado de como funciona o Mr. Feeling, seja qual for a empreitada. Daí a obrigatoriedade de ser marcar presença num show do Whitesnake, com 31 anos de rodagem. Com botox e tudo. Sim, meus amigos, o tempo não pára. Imune a ele, a generosa obra do Whitesnake precisa ser reverenciada

Até a próxima e long live rock’n’roll!!!

Confira as músicas que o Whitesnake está tocando na turnê pelo Brasil

Repertório foi apresentado ontem, no Rio. O Whitesnake está em turnê pelo Brasil, lançando o álbum "Good to Be Bad", o primeiro do grupo em 10 anos. No repertório dos shows da turnê, entretanto, poucas músicas novas estão sendo tocadas. Ontem, no show do Rio, foram três: "Best Years", "Can You Hear The Wind Blow" e "Lay Down Your Love". O grupo, liderado por David Coverdale, toca sexta, dia 10, em São Paulo. Confira o repertório apresentado ontem:

1- Intro
2- Best Years
3- Fool For Your Loving
4- Bad Boys
5- Van You Hear The Wind Blow
6- Lve Ain't No Stranger
7- Lay Down Your Love
8- Is This Love
9- Blues For Mylene (Snake Dance) - solo dos guitarristas
10- Crying In The Rain
11- Aint No Love In The Heart Of The City
12- The Deeper The Love
13- Give All Your Love
14- Here I Go Again

Bis

15- Still Of The Night
16- Soldier Of Fortune
17- Burn

Autoramas

Foto do show de lançamento do primeiro disco, "Stress, Depressão e Síndrome de Pânico", nos estúdios da Universal, no Rio, em 2000. autoramas00-2.jpg
Simone Dash, a primeira e eterna baixista do Autoramas

maio 07, 2008

Max cumpre promessa e disco do Soulfly sai esse ano

Confira as faixas do novo disco da banda. Mal saiu o disco do projeto Cavalera Conspiracy, "Inflikted", reunindo os irmãos Iggor e Max Cavalera, e um novo disco do Soulfly já está saindo do forno. Como Max hava prometido em entrevista no ano passado, os dois discos estão sendo lançados em 2008.

Os detalhes do novo CD do Soulfly foram revelados ontem. O disco, o sexto na carreira do grupo, se chama “Conquer”, e sai no dia 29 de julho. Tem 11 faixas e conta as participações de David Vincent (Morbid Angel), e do vocalista do Throwdown, Dave Peters. A produção ficou a cargo do badalado Andy Sneap. Confira o título das músicas:

1- Blood Fire War Hate
2- Unleash
3- Paranoia
4- Warmageddon
5- Enemy Ghost
6- Rough
7- Fall of the Sycophants
8- Doom
9- Rot
10- Touching the Void
11- Soulfly VI

Volta do Police chega ao fim

Grupo anuncia último show da turnê de reunião, considerada a mais rentável de 2007. Em agosto o The Police faz, em Nova York, o último show da turnê de reunião iniciada pelo grupo há cerca de um ano. O anúncio foi feito ontem, numa entrevista coletiva com os três integrantes do grupo, Sting, Andy Summers e Stewart Copeland. A turnê, que passou pelo Brasil em show único no Rio de Janeiro, em dezembro, foi considerada a mais rentável de 2007.

A banda disse que o último show terá toda a renda revertida para trabalhos envolvendo redes públicas de televisão, e ainda confirmou uma doação no valor de 1 milhão de dólares a Associação MillionTreesNYC, que promove campanhas para o replantio de arvores na cidade de Nova York. Já os boatos de lançamento de um disco de inéditas do trio, ou ainda de um DVD com o show da turnê de reunião, não foram confirmados.

Nightwish

Outra do show de 2002, no Claro Hall, Rio nightwish02-03.jpg
O chefão Tuomas Holopainen demitiu Tarja Turunen e agora reina absoluto.

maio 06, 2008

Angra

Mais uma do show do dia 16 de dezembro de 2001, no Garden Hall, Rio. angra01-2.jpg
O simpático Kiko Loureiro manda ver no show do Angra

Caio Júnior: o começo do fim da boa fase do Flamengo

Com estilo diferente de seu antecessor, novo técnico rubro-negro deve fracassar, mas Joel volta antes do que se espera. O título desta coluna pode parecer precipitado ou um desvario de um palpiteiro qualquer. Pois não é. A saída de Joel Santana do Flamengo prejudicaria o desempenho da equipe de uma forma ou de outra, mas a escolha do substituto não poderia ser mais infeliz. Não que Caio Júnior seja um técnico ruim, muito ao contrário, eis aí uma grande revelação entre os técnicos de todo o Brasil nos últimos tempos. Acontece que seu jeito de trabalhar nada tem a ver com o de Joel, e, ainda, trabalhar no Flamengo é difícil pacas, ainda mais para um sujeito novo e bem intencionado.

Joel Santana conseguiu ajeitar o time do Flamengo, em meados do ano passado, porque junto com ele chegaram os reforços que Ney Franco, seu antecessor, sempre pediu e nunca teve. Mas também porque o jeito simples e matreiro de Joel trabalhar se encaixou com o perfil dos jogadores, num elenco deserto de craques. Não por acaso o Flamengo deu aquela arrancada fulminante rumo à Libertadores no campeonato brasileiro, com um meio-campo de vexar o clube que já teve Zico com a 10 às costas. Jaílton, Toró, Jonatas e Ibson formam um bando de marcadores que só deu certo porque os laterais resolveram a parada e Ibson – diga-se – até que se saiu bem como homem de criação. Caio Júnior, de seu lado, jamais escalaria um time assim. Podem anotar.

Joel também teve a manha, já no carioca e na Libertadores desse ano, de, ao ver Juan e Leonardo Moura ruins, encher o time de atacantes e decidir jogos como o da final contra o Botafogo e o jogo de ida contra o América do México, que, a bem da verdade, não marca ninguém. Caio Júnior também, segundo consta, jamais faria isso. Teórico, o treinador, pela primeira vez em sua curta carreira, não vai montar o time: já pega o Flamengo pronto, mas o Flamengo de Joel. Por mais que prometa dar seqüência ao trabalho de seu antecessor, obviamente ele vai, aos poucos, sacando esse ou aquele jogador para colocar os de sua preferência, o que inclui, inclusive contrações. Podem observar.

Só que a escolha de Joel foi, também, um equívoco da África do Sul. Joel nunca foi um técnico de seleção, na verdade é conhecido como o “rei dos estaduais”, pois é nessa competição que ele, em geral, triunfa. Possivelmente sequer chegará à Copa do Mundo, deve ser substituído por um estilo de técnicos “sem fronteira” como Dick Advocat, Guus Hiddink ou Bora Milutinovic. Uma vez fora da seleção do país sede, aí sim volta ao Flamengo, que, já farto de Caio Júnior, ou mesmo com o substituto dele, o recebe de braços abertos e tudo volta ao normal. Podem anotar.

Findo os estaduais, pode-se concluir que já deu o óbvio, salvo uma única exceção, em Goiás, estado que só tem um clube, e o campeão é outro. Fracassou justamente Caio Júnior. No Rio Grande do Sul, quase se repete a façanha do Inter e do Grêmio, de deixar, num estado que só tem dois clubes, um terceiro vencer. De outro lado, se considerarmos, como gostam os modernos, que os estaduais são reles pré-temporadas para a brasileirão, vou enumerando já meus favoritos, não necessariamente nessa ordem: Internacional, Palmeiras, São Paulo, Flamengo, Fluminense e Cruzeiro. Podem cobrar.

Na Libertadores agora o bicho começa a pegar de verdade. Algumas babas que ainda se classificaram para as oitavas de final vão se despedindo, e ficam somente boas equipes, salvo uma ou outra exceção. Promessa de bons jogos. Entre os brasileiros, temo pelo São Paulo, que joga em casa e não pode levar gol, e pelo Santos, que joga fora e tem um time muito fraco. Fla e Flu passam fácil, e até o Cruzeiro deve passar, com muita dificuldade, pelo Boca, e virar favorito para o título.

Já na Copa do Brasil, nas quartas é que o bicho começa a pegar, com jogos duríssimos entre Inter e Sport, e entre Atlético Mineiro e Botafogo. O futebol carioca promete brilhar de novo, com tem acontecido nos últimos anos, e pode até colocar Vasco e Botafogo na final, o que seria lindo. Só que nem um, nem outro, tem time, e o favorito é claramente o Internacional.

Até a próxima que o Flamengo não tem camisa pra jogar amanhã!!!

Confirmados os shows de Chuck Berry no Brasil

Músico veterano faz quatro apesentações em junho O veterano guitarrista Chuck Berry, considerado um dos criadores do rock'n'roll, faz quatro shows no Brasil em junho. As apresentações acontecem no Rio, dia 17, no Vivo Rio; em São Paulo, dia 18, no HSBC Brasil; em Curitiba, dia 20, no Teatro Positivo; e em Porto Alegre, dia 21, no Pepsi On Stage. Na última vez em que veio ao Brasil, em 1993, Chuck Berry tocou com Little Richards no Free Jazz Festival (atual TIM Festival).

maio 05, 2008

Iron Maiden

Mais uma do show do Gods Of Metal 2000, em Milão, Itália. ironmaiden00-2.jpg
O chefão do Iron Maiden, Steve Harris, sempre animado

Novo do Nine Inch Nails liberado para download

"The Slip" pode ser baixado gratuitamente do site oficial da banda. O novo disco do Nine Inch Nails já está disponível para download gratuito no site oficial da banda, junto com a arte do CD, para impressão. "The Slip", produzido pelo chefão Trent Reznor, em parceria com Atticus Ross e Alan Moulder, ganha versão "física" em CD e em vivil em julho. No início do ano, o grupo já havia liberado o álbum "Ghost I-IV" no esquema "quer pagar quanto", e faturou alto. Confira as faixas de "The Slip":

1- 999,999
2- 1,000,000
3- Letting you
4- Discipline
5- Echoplex
6- Head Down
7- Lights In The Sky
8- Corona Radiata
9- The Four Of Us Are Dying
10- Demon Seed

maio 04, 2008

Sebastian Bach trabalhando com vocalista do Hatebreed

Hard rock metal hardcore? Enquanto ainda faz turnês para lançar seu álbum solo mais recente, "Angel Down", o vocalista Sebastian Bach, revelado no Skid Row, já prepara novas músicas. Em entrevista ao site Behind The Amps ele disse que está compondo em parceria com Jamey Jasta, vocalista da banda de metal/hardcore Hatebreed. Sebastian afirmou que está escrevendo letras para quatro músicas que está compondo com Jamey, e que o Hatebreed é uma de suas bandas de metal favoritas. Se "Angel Down" já é um álbum pesado, imagine o que vem por aí...

Todo show é passível de melhora, a menos que seja um do Zumbi do Mato ou do Yo La Tengo.

Relançamentos do Midnight Oil a vista

O clássico álbum "Diesel And Dust" deve sair com faixa bônus e DVD. Há seis anos o Midnight Oil, ícone mundial do rock australiano, se desfez, e só agora o mercado deve receber relançamentos da banda. O guitarrista Jim Moginie está trabalhando no primeiro deles, o cássico "Diesel And Dust", de 1987, que tem o hit "Beds are Burnning". A nova versão deve trazer uma faixa bônus e um DVD com um documentário da turnê de 1986 pelo interior da Austrália, quando a banda teve contato com os povos aborígenes que inspiraram a feitura de "Diesel And Dust".

Depois de conquistar um grande sucesso em todo o mundo, o Midnight Oil encerrou as atividades em 2002, quando o vocalista e líder da banda, Peter Garret, decidiu se dedicar à política. Hoje, o careca grandalhão participa do governo australiano de centro-esquerda.

Angra

Foto do show do dia 16 de dezembro de 2001, no Garden Hall, Rio. angra01.jpg
Parecia que não, mas não é que essa formação do Angra (sem Andre Matos) deu certo?

Ouça uma música do Revolution Renaissance

Supergrupo do metal disponibiliza faixa inteira no MySpace.com. O Revoluition Renaissance acaba de liberar uma música inteira, que pode ser escuitada na página do guitarrista Tomo Tolkki no MySpace.com. O supergrupo do metal, que além de Tolkki (ex-Stratovarius), conta ainda com Michael Kiske (ex-Helloween), Tobias Sammet (Edguy, Avantasia) e Mirka Rantanen, liberou a música "Las Night On Earth", que faz parte do álbum "New Era". Veja mais sobre o disco aqui.

maio 03, 2008

Avantasia – The Scarecrow / Lost In Space Part 1 / Lost In Space Part 2

Rock Brigade / Nuclear Blast.
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O Avantasia que se apresenta neste “Scarecrow” continua sendo o projeto paralelo de Tobias Sammet, vocalista do Edguy, mas – nota-se já pela capa e pelo corte de cabelo à Bon Jovi fase “Keep The Faith” - não é mais aquela coisa derivada do heavy metal melódico, épica e com referências operísticas. Ou seja, não é mais a tal da “metal-opera”, cuja onda açambarcou inúmeros projetos de gosto duvidoso mundo afora. O próprio Tobias explica isso no encarte, ao mesmo tempo em que introduz a história de “The Scarecrow” (espantalho, em inglês), já que o disco é, assim como os dois anteriores, conceitual.

A fórmula é a mesma, com Tobias assinando todas as músicas e arranjos, e contando com convidados mais luxuosos que nunca, como Alice Cooper, Rudolf Schenker, Michael Kiske e Kai Hansen, entre outros. Só que dessa vez há uma banda base, o trio formado pelo produtor do disco e guitarrista genérico Sascha Paeth, o baterista Eric Singer, que já tocou com Kiss e Black Sabbath, entre outros, e o próprio Tobias Sammet, no baixo e vocal. Tobias aparece no DVD que vem junto com o disco comentando cada faixa, respondendo perguntas óbvias e afirmando que esse álbum é mais uma oportunidade de ele gravar com seus amigos e ídolos. Pois resta saber se, além disso, ele tem, artisticamente, algo a ser mostrado. O DVD traz o clipe para duas músicas (“Lost In Space” e “Carry Me Over”), além de releases, making of de um deles e fotos.

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Se a ópera dançou, o metal continua firme e forte, mas também há o hard rock com o qual Tobias, no Edguy, tem flertado nos últimos tempos. Tobias também aparece pisando num terreno no qual ele ainda não se sente muito à vontade, o da música pop, cujo fruto mais bem acabado nesse disco é a pérola “Lost In Space”, de cara identificada por Eric Singer e Sascha Paeth como a de melhor potencial para virar single. A música, derradeira no CD, cola nos ouvidos menos concentrados logo de cara. A que abre, “Twisted Mind”, foge daquele padrão música veloz, rápida e curta do heavy metal, e é deixa para a faixa título, uma elaborada peça com mais de 11 minutos de duração. Nela, cantam Tobias, Jorn Lande e Michael Kiske. Embora tenha certas orquestrações, está mais para o rock progressivo e para o peso do hard rock, com seus riffs generosos, do que para o exagero melódico. Heavy metal melódico, aliás, é o que menos se encontra nesse disco – mas “Devil In The Belfry” e “Another Angel Down” bem que poderiam ter sido guardadas para um futuro disco do Edguy.

Além de “Lost In Space” e da baladinha “Cry Just a Little”, outra faceta pop deste novo Avantasia é “Carry Me Over”, que mesmo com menos poder de fogo pode agradar a muitos programadores de rádio por aí. Ela abre caminho para “What Kind Of Love”, onde a cantora Amanda Somerville (Kamelot, Virgo), que inicialmente deveria só dar uma idéia para que uma outra vocalista participasse do projeto, brilhe substancialmente. Ela acompanha Tobias e Kiske, que também realça a dramaticidade da música. A presença mais marcante é obviamente a de Alice Cooper, apropriadamente na sinistra “The Toy Master”, muito embora ele cante bem diferente do que faz em seus discos, e dificulta o reconhecimento da voz logo de primeira. Nessa, Tobias poderia ter ficado só no baixo mesmo. A mais porrada do disco tinha que ser mesmo “I Don’t Believe In Your Love”, riffada pelo excelente Rudolf Schenker

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Considerando a “jeitão” do Avantasia de agora e todo o investimento envolvido, parece que a idéia é Tobias Sammet engrenar uma carreira solo definitiva – não apenas como um projeto paralelo do Edguy – voltada para um público mais amplo, além do heavy metal. Esse disco, no entanto, apesar da experiência de Sammet, é só o início, e mais representa uma transição entre as duas coisas (ou entre o Tobias do Edguy e outro patamar) do que a afirmação artística do projeto. Mostra, ainda assim, uma boa perspectiva para os próximos anos.

Como de hábito, muito material acabou sendo gravado, mas Tobias Sammet fez o contrário do que geralmente acontece no mercado musical. Ao invés de lançar um disco depois com as sobras de estúdio reunidas, resolveu disponibilizar essas músicas antes, ainda em 2007, em dois EPs, “Lost In Space Part 1” e “Lost In Space Part 2”, cada um com seis músicas e extras para o computador. No primeiro aparecem a faixa-título e “Another Angel Down”, que já estão e “Scarecrow”; uma versão melosa, mas bacana para “Lay All Your Love On Me”, do Abba; duas outras músicas composta por Tobias, uma instrumental e outra com a participação de Bob Catley, do Magnum; e “Ride The Sky”, do Lucifer’s Friend, obscura banda de hard rock alemã cujo vocalista era o inglês John Lawton, que seria do Uriah Heep. Nela, quem canta é Eric Singer. Completa o EP a parte multimídia, com o clipe e o making of de “Lost In Space” (que aparecem no DVD que acompanha “Scarecrow”), e outras coisinhas virtuais.

No segundo, “Lost In Space” aparece em duas versões, sendo uma acústica, gravada ao vivo. Há uma versão estupenda para “Dancing With Tears In My Eyes”, do Ultravox; “In My Defense”, do repertório solo de Freddie Mercury; e outras duas que sobraram do álbum. Na parte virtual, a mesma coisa do primeiro EP, acrescida de um mini-documentário feito durante as gravações. Resta saber se, numa época em que vender CD é tão difícil, três produtos (sendo um duplo, CD + DVD, e dois EPs) lançados simultaneamente, vão ter boa saída. Mas aí já é outro problema.

Kaiser Chiefs também começa a gravar

Grupo britânico trabalha com dois produtores. Um post no site oficial do Kaiser Chiefs confirma que o grupo está preparando o material para o próximo disco. Sem assinatura de um dos integrantes, a mensagem diz que eles estão compondo novas músicas, e há duas que já vêm sendo tocadas nos shows mais recentes: "You Want History" e "Never Miss a Beat". Para produzir este disco, o grupo convocou Mark Ronson (das cantoras Amy Winehouse e Lily Allen), mas não descartou a colaboração de Eliot James, que já trabalhou com The Rakes e Bloc Party.

Annie Haslam

Foto do show do Metropolitan, Rio, em 1998. anniehaslan98.jpg
A eterna e doce vocalista do Renaissance

Pearl Jam preparando novo álbum

Depois do trabalho solo do vocalista Eddie Vedder, hora de voltar à rotina. O Pearl Jam já está trabalhando no material que fará parte do nono álbum da banda. Em entrevista à Rolling Stone americana, o guitarrista Mike McCready confirmou os boatos de que a banda estaria já em estúdio. A novidade é o retorno do produtor Brendan O'Brian, que trabalhou com o Pearl Jam em "Yield", de 1998. O'Brian está concluindo também o novo álbum do AC/DC, e já trabalhou com grupos como Audioslave e Velvet Revolver. O guitarrisa não falou em título nem em data de lançamento, mas o disco deve sair só em julho, depois que o Pearl Jam terminar uma tunê americana.

Pitty – {Des}Concerto Ao vivo – 06-07-07

Deckdisc.
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Não é de hoje que projetos do tipo acústico, tributo ou ao vivo vêm sendo usados para alavancar carreiras em decadência. Não é bem essa a situação de Pitty. Pelo contrário, nos últimos quatro anos a ex-vocalista de banda de hardcore dos cafundós da Bahia se transformou numa personalidade nacional reconhecida por todos, e – o melhor -, fazendo rock pesado. De verdade. Por isso o estranhamento com este precoce disco/vídeo gravado ao vivo, com um estofo de apenas dois álbuns, passa logo, a julgar por tudo que foi feito pela banda comandada por Pitty.

“Eu tô tocando cada uma delas como se o mundo fosse acabar antes da próxima”, diz Pitty logo no começo, entre uma música e outra. A frase, símbolo da entrega da banda ao público e vice-versa, mostra o grau de interação entre eles, em que pese a lotação esgotada (com filas iniciadas de véspera) nos dois dias em que os shows aconteceram. O repertório de Pitty é conhecido vírgula por vírgula pela platéia, cantando tudo com um entusiasmo atroz que emociona a cantora sem deslumbrá-la. Esperta, Pitty não abre mão de sua voz como faz a maioria dos grupos nessa situação. Seu repertório é variado. Canta andando de um lado a outro, parada na frente do microfone, toca guitarra em várias músicas e até esboça um tímido (mas verdadeiro) mosh no final, em “Seu Mestre Mandou”, que quase lhe custa a blusa.

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A banda também aparece ensaiadinha.Também pudera, Pitty certamente deve ser uma das recordistas em número de shows, toca em tudo o que é buraco desse Brasil varonil. O discreto Joe e o furioso Duda, juntos desde o início, tocam por mera intuição, e o guitarrista Martin provou ser boa e fiel opção para a banda. Embora o “making of” pomposamente intitulado “{Des}Concerto: Exposé” mostre uma produção cheia gueri-gueri, o efeito final no palco é bem simples, com destaque para o visual de fundo, que segue a linha do álbum “Anacrônico”, o segundo de Pitty. A qualidade de imagem e a edição são também simples e até óbvias, e por mais que o vídeo reproduza o que é, de verdade, o show, há que se lamentar, ao menos, duas ausências. A primeira é a fantástica jam session (momentos de improvisação) que Pitty e seus acólitos costumam fazer; aqui, o artifício é timidamente anunciado antes de “Brinquedo Torto”, quando a pedaleira de Martin ecoa, e num reggae no meio de “Memórias. A segunda é que a excelente “Teto de Vidro”, num universo de poucas músicas, jamais poderia ter sido poupada.

Isso, no entanto, no meio do show, não passa de um reles detalhe. Porque os melhores momentos de um espetáculo desses se estendem ao espetáculo em si. Mesmo em músicas lentinhas como a boa “Na Sua Estante”, ou “Equalize”, uma balada clássica, o “bicho pega”, como diz Pitty. Imaginem então em porradas no naipe de “Anacrônico” e “Admirável Chip Novo”, que abrem o show, juntas, com um nível de adrenalina transbordante a olhos vistos. Na nirvânica “No Escuro” a entrega de Pitty, que se estatela no chão, é exemplar, e “Máscara”, o improvável hit abre-alas, se converte num desfecho catártico, com direito ao público (pouco mostrado no vídeo, diga-se) dando mosh a rodo. Por isso a simples audição do CD de mesmo nome e repertório idêntico não dá a medida do que se passa no circo de Pitty.

Como o que passou, passou, o que mais importa no CD é a apresentação de duas músicas novas, que podem dar a medida do que vai acontecer com a carreira da banda. Se olharmos para a excelente “Pulsos”, pesada e com letra bem sacada, no estilo “mais do mesmo, mas diferente” de Pitty escrever, e que funciona muito ao vivo, a coisa vai muito bem, obrigado. Mas se a referência for a óbvia “Malditos Cromossomos”, o caldo pode entornar. Com inspiração de gosto duvidoso, a música só se justifica se for para compor o elenco de outras que mantenham o nível de “Pulsos”. Melhor esperar, então.

maio 02, 2008

Rabugentos lança disco nesse final de semana no Rio

Grupo carioca faz dois shows na cidade. O Rabugentos faz dois shows nesse final de semana para o lançamento do disco de estréia, "Quebrando Tudo". O grupo, formado por Paulinho (vocal), Pedrex (baixo e programações), Madu (guitarras) e Rafo (bateria), toca hoje, em Jacarepauá, e domingo, em Cascadura. O show de hoje acontece na Lona Cultural Jacob do Bandolim, e tocam também Detonaustas e Marpe Cheia. No de domingo, na Planet Music, tocam Hidrofobia, Ardil 22, Gravizero, AntiZona e Marafos.

Bad Religion

Foto do show do dia 16 de março de 2001, no ATL Hall, Rio de Janeiro badreligion01.jpg
Jay Bentley fazendo backing vocals: lá lá lá garantido

Acredite se quiser: disco do Guns N'Roses sai em setembro

CD, incluindo capa, já está sendo anunciado na web
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A notícia mais propalada nos últimos 17 anos já virou motivo de chacota, mas o fato é que alguns sites especializados em venda de CDs já anunciam o "Chinese Democracy", novo disco do Guns N'Roses, para o dia primeiro de setembro. Somando-se a isso a recente notícia de que Axl finalmente teria entregue a master do álbum para a gravaora, a coisa parece que é séria. Agora é só esperar, mesmo porque, para quem recebe essa notícia há 17 anos, quatro meses é fichinha.

The Cure vai lançar um single por mês

Cada um terá duas músicas, que estarão no próximo disco do grupo. Enquanto o mundo da música busca saídas na internet para a queda nas vendas de CD, o The Cure opta pelo caminho tradicional. O grupo inglês vai lançar um single a cada mês, com duas músicas que fazem parte do próximo álbum deles, o décimo terceiro, a ser lançado em setembro. Cada single sairá no dia 13 de cada mês, e o álbum, ainda sem título, no dia 13 de setembro. O primeiro da série sai já em maio, e vem com as faixas "The Only One" e o lado b "'NY Trip". O segundo traz "Freakshow" e "All Kinds Of Stuff, como lado b, e sai em junho.

maio 01, 2008

O hard rock, os festivais internacionais, os alvissareiros, o porco de Roger Waters e o óbvio que cega

O mundo globalizado e a internet tiraram de vez as vendas e escancararam o óbvio. Descubra como e por que. Meus amigos, devo dizer que sou a favor do hard rock. Porque, onde há hard rock, há a alegria. E não é de hoje que faço a defesa do subgênero do rock mais esculachado de que se tem notícia. Sou contra, entretanto, a enganação, o embuste, a empulhação. Mesmo que ela esteja envolvida com coisas legais, coisas que a gente não tem como não gostar. Como o hard rock, por exemplo. Digo isso porque não é possível o ruim ser defendido como o bom, como a coisa rara, se é que vocês me entendem.

Começo essa coluna assim, em pleno dia do trabalhador, trabalhando como nunca – novidade... Mas admito que o assunto é outro. Vejam vocês que ainda há pouco bateu o telefone, e no que fui atender, estava do outro lado o meu amigo Moderninho de Plantão. Mal disse alô e já comecei a me preparar, me ajeitando entre as almofadas da sala aqui de casa - o telefone é daqueles sem fio – para escutar as histórias de meu amigo de longa data. Não que estivéssemos sem nos falar há muito tempo, mas sabia que ele, pela primeira vez, iria ao Coachella Festival, que, de uns tempos para cá, se transformou no grande oba-oba indie entre os quetais de meu amigo aqui no Brasil. Nos poucos segundos em que trocávamos os cumprimentos protocolares, imaginava o amigo radiante. No que, súbito, levei um balde de água gelada contra as ventas.

- Não fui ao Coachella, não. A programação desse ano estava muito caída, démodé, disse Moderninho.

Não foi só a sua desistência que me causou estranhamento, mas a explicação que se seguiu ao anúncio. Se Moderninho está achando o line up do Coachella ruim, das duas uma: ou ele está ficando velho ou o festival já não é mais aquele. Eu já tinha, a título de curiosidade e por força da profissão, olhado, de longe, por alto, quais bandas iriam tocar no afamado festival, que aconteceu na cidade de Indio, na Califórnia, no último final de semana. Indio, sem acento no “i” mesmo, entrou para o mapa por causa o festival, que começou a acontecer em 1999, mas só ganhou fama por aqui em 2004, quando o reunido Pixies, que depois passaria por Curitiba, tocou por lá. Fazer reunião de grupos dinossauros, mas que um dia foram vanguarda, é uma das especialidades do festival. Foi assim também com Jane’s Addiction (2001), Siouxsie & The Banshees (2002) e Iggy Pop And The Stooges (2003), só para se ter uma idéia.

Mas falava da programação que fez meu abastado amigo desistir de dar um pulinho ali, na Califórnia. Nos três dias, uma pá de bandas modernas, a vanguarda da música pop, mas, também, emos, rappers, Scars On Broadway (metade do System Of a Down), bandas que não são bandas, uma pá de anônimos maravilhosos e veteranos como Prince e... Roger Waters. Usei as reticências para dar certo suspense porque este foi, em suma, o motivo que fez o meu amigo Moderninho de Plantão desistir de voar para a famosa – famosíssima – Indio sem acento.

Nossa conversa se estendeu por outros assuntos, rock, música, rock, novidades, rock e a vida em geral, mas foi nesse pedaço que começou a brotar mais uma Rock é Rock Mesmo. Ouvia-o falar e falar e não parava de pensar em escrever esta coluna – o que faço agora. Meu amigo Moderninho ficou fulo da vida ao saber que Roger Waters iria se apresentar no Coachella Valley Music and Arts Festival – eis o nome completo do convescote. Mais: Roger Waters tocaria a íntegra do álbum “Dark Side Of The Moon”, tido como o disco de rock mais vendido da história, além de grandes sucessos de sua ex e irreconciliável banda, o Pink Floyd, que lançou o tal disco, acreditem, em 1973.

Foi demais para meu amigo. Primeiro, que o mesmo Roger Waters esteve aqui, no Rio e em São Paulo, há pouco mais de um ano, em março de 2007, apresentando exatamente o mesmo show, sem tirar nem por. Registre-se que, na época, o evento ganhou o desprezo de Moderninho e quetais. Depois, porque, para Moderninho e quetais, não é possível qualidade no rock feito há mais de seis meses, quiçá há mais de três décadas. Foi demais para ele, mas não para o Coachella, que jorrou gente pelo ladrão, segundo consta, durante os três dias, para a alegria de todos. A curiosidade bizarra ficou por conta do desaparecimento do lendário porco inflável usado por Waters desde os tempos do Pink Floyd, que se desprendeu das cordas e desapareceu, só sendo recuperado dois dias depois, em pedaços. Se fosse no Brasil, imaginem o que diria a mídia internacional... Ao menos a produção do Coachella recompensou os dois casais que acharam os restos do porco com uma boa grana e quatro ingressos vitalícios para o festival.

Disse isso tudo porque, por aqui, volta e meia alvissareiros transformam um evento internacional na Meca da música de vanguarda de todos os tempos, e ignoram que grandes bandas desprezadas por esses mesmos falastrões volta e meia tocam nesses mesmos eventos. Roger Waters no Coachella, Iron Maiden e Metallica no Reading são só alguns exemplos recentes de que a visão global lançada sobre o rock não é provinciana como a propalada por aqui. Foi-se o tempo em que nos enganávamos todos. O que se aplica, também, para a alegria do hard rock citada lá em cima. Hoje, mundo globalizado e internet tiraram de vez as vendas e escancararam o óbvio. Aquele que, de tão óbvio, ás vezes cega.

Até a próxima e long live rock’n’roll!!!

Children Of Bodom – Chaos Ridden Years – Stockholm Knockout Live

Universal.
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“Uma espécie de black metal com guitarras de Yngwie Malmsteen” é mais ou menos a definição dada pelo baixista Henkka T. Blacksmith para o som que o Children Of Bodom apresentava no primeiro disco e o fazia temer pela aceitação. No mesmo documentário – “Chaos Hidden Years” – o vocalista e guitarrista Alexi Laiho usa o truque “a minha irmã gostava” para citar como outras referências o hard rock de Skid Row, Guns N’Roses e adjacências. É mais ou menos isso que define o death metal melódico criado nos cafundós da Finlândia por um bando de moleques, e que viria a conquistar o mundo da música pesada, incluindo o Brasil, onde o Children Of Bodom tocou por duas oportunidades, em 2001 e 2004.

O documentário mostra como um grupo montado precocemente (no início os integrantes tinham 13, 14 anos) criou algo de novo dentro do cenário metálico e se transformou no “queridinho no meio” – o hype do metal -, por muitos anos. Desde a escolha do nome, que teve de ser mudado porque eles assinaram contrato com duas gravadoras ao mesmo tempo, até as extensas turnês, passando por homéricas bebedeiras e pela troca do guitarrista de origem, está tudo ali, contado exclusivamente pelos próprios integrantes. É engraçado notar como boa parte deles teve educação musical desde bem pequenos, na escola ou incentivados pelos pais, o que explica, de certa forma, a riqueza musical em países mais desenvolvidos. Detalhe curioso é que o Alexi Laiho, vocalista esquisitão, além de maquiar os olhos e pintar as unhas de preto, aparece num pós-show trocando beijos de folhetim com o tecladista Janne Warman. Eu, hein...

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O show em si, parte principal do DVD, mostra que Warman é muito mais que um affair do chefão. Praticamente todas as músicas apresentadas para a platéia de Estocolmo, há cerca de dois anos, não começam sem que ele faça a introdução em suas teclas. Isso sem falar que ele e Laiho travam um belo duelo teclado/guitarra, que já se anunciara durante a boa “Follow The Reaper”, título do melhor álbum deles. Depois dessa música, a foice do mascote do COB é utilizada para assar um salsichão no fogaréu de um barril de combustível que serve como efeito pirotécnico no show – para se ter uma idéia de que a banda não se leva tão a sério assim. O palco tem outros adereços, como um carro velho que simula roncar o motor na entrada da banda e sobre o qual volta e meia Alexi Laiho sola vistosamente.

A apresentação fez parte da turnê do álbum “Are You Dead Yet?”, que de certa forma mostra o grupo um pouco indeciso sobre que rumo tomar. Por isso as quatro músicas desse disco são as que menos mexem com o público, muito embora a iluminação seja precária e ele pouco apareça. Os fãs preferem claramente a fase que inclui os três primeiros discos, e olha que só a ótima “Lake Bodom”, do primeiro, “Something Wild”, entrou no repertório. Isso se nota em músicas como “Silent Night, Bodom Night”, com um riff melódico matador, e na espetacular “Hate Me!”, tocadas uma colada na outra; na beleza quase épica de “Evey Time I Die”; no medley “Bodom After Midnight / Bodom Beach Terror”; e na açucarada “Angels Don’t Kill”, essa do ainda bom “Hate Crew Deathroll”, o quarto disco. Essa imprecisão na seleção das músicas seria evitada se os rapazes, cheios de energia, tocassem por um tempo maior do que uma hora e meia.

Outras coisas bacanas do DVD são o mini-documentário que mostra a montagem do palco para o show e uma seleção de videoclipes, sete no total. Na maioria, prevalece a máxima de bandas de heavy metal tocando ao vivo (ou como se fosse), mas dá pra ver certinho como a o grupo evoluiu, inclusive em termos de orçamento para se rodar um vídeo. Os mais recentes, feitos para “Are You Dead Yeat?” e “Sixpounder”, além de melhor filmados, contam até uma historinha, entre um riff e outro. Já a galeria de fotos e as cenas deletadas pouco acrescentam. Vale lembrar que a íntegra do show também foi lançada em áudio, em CD duplo, separadamente. Como o show é curto para encher dois CDs, sobrou espaço o bastante para a banda completar com material antigo, o que acabou não acontecendo. Ah, esses meninos...

Veja o novo videoclipe do Whitesnake

Grupo toca no Rio na próxima quarta, no Citibank Hall. O novo videoclipe do Whitesnake já pode ser conferido o youtube. Trata-se da música "Lay Down Your Love", que integra o último álbum do grupo, "Good to be Bad". O disco, o primeiro de inéditas em 17 anos, traz 11 músicas, e já foi lançado no Brasil. Para ver o clipe, clique aqui.

A partir do dia 9 de maio a gravadora da banda coloca nas lojas uma versão especial e limitada do álbum, com um CD extra, pôster, fotos, adesivos e uma faixa multimídia com o videoclipe para "Ready To Rock". O Whitesnake toca no Rio na próxima quarta

Prodigy

Foto do show do Metropolitan (atual Citibank Hall), em 21-09-1998 prodidy98.jpg
Tempos bizarros: o auge do Keith Flint e o Prodigy

Porco de Roger Waters é encontrado e dois casais faturam US$ 10 mil

Eles pensaram que a recompensa era brincadeira, mas vão dividir a grana. O porco inflável gigante usado durante o show de Roger Waters no Coachella Festival, no último domingo, que havia se desprendido das cordas, foi encontrado. Dois casais disseram, ontem, que encontraram pedaços de plásticos que seriam da alegoria, no pátio de suas casas. Eles vão receber da produção do festival a quantia de 10 mil dólares - cerca de 17 mil reais - por terem encontrado o material, além de quatro ingressos vitalícios para as próximas edições do Coachella, o principal evento indie dos últimos tempos, que acontece anualmente na cidade de Indio, Califórnia.

Mötley Crüe abre o jogo e libera título das músicas do novo disco

"Saints Of Los Angeles" sai em junho. O Mötley Crüe acaba de divulgar a relação das músicas que estão no novo álbum do grupo, 'Saints Of Los Angeles", cujo çançamento está previsto para o dia 23 de junho, nos Estados Unidos e Europa. O videoclipe para a faixa-título já está na internet, e o grupo está preparando o seu próprio festival, chamado de Crüe Fest. Confira as faixas do disco:

1- Mother Fucker Of the Year
2- Down At The Whiskey
3- Saints of Los Angeles
4- Face Down In The Dirt
5- What's It Gonna Take
6- Chicks = Trouble
7- White Trash Circus
8- The Animal In Me
9- Welcome To The Machine
10- This Ain't A Love Song
11- Just Another Psycho