Bola e Bola Mesmo
22 de abril de 2008
Tradição, empáfia, sorte e azar
Entenda as finais dos campeonatos paulista e carioca. O primeiro já tem dono, mas o segundo... Vai depender da sorte de um tradicional azarado.

Vivo dizendo, e vocês são testemunhas, que no futebol vale mais a tradição que o time. Numa competição mais do que noutras, mas a tese é geral: só vence que já venceu. Ou, por outra, quem mais venceu. Inicio assim a coluna de hoje não para falar das derrotas de São Paulo e Fluminense nos respectivos campeonatos regionais, mas para justificar o triunfo da Ponte Preta sobre (quem?) o Guaratinguetá. Mesmo encarando o líder absoluto do campeonato paulista, a Ponte foi lá e venceu duas vezes, dentro e fora de casa, numa jornada incontestável.

Lembrarão-me os leitores que a Ponte Preta é time pequeno, assim como o Guaratinguetá. No que eu retruco. Do ponto de vista dos grandes, é tudo uma pequenez só, e todos estão, de antemão, condenados ao fracasso. Mas, no micro mundo do interior paulista, o Guaratinguetá ainda vai ter que comer muito angu para se igualar à centenária Ponte Preta. Por isso – e só por isso – sucumbiu. Mais óbvio impossível.

Desculpo-me, antes de qualquer coisa, de ter começado essas linhas falando justamente de dois times pequenos. Fazendo assim, admito, apequeno-me também. Mas culpem o terceiro time grande de São Paulo, que além de estar na segunda divisão em nível nacional, não conseguiu ficar entre os quatro melhores de São Paulo, mesmo com todos os esforços feitos pelo regulamento. Ainda mais que sobrou para a Palmeiras vencer o título paulista. Depois de despachar o São Paulo, teremos que aturar novamente o palavreado tosco de Wanderley Luxemburgo tirando onda de vencedor. Sim, podem anotar aí: o Palmeiras é o campeão paulista de 2008

Por que deu Palmeiras e não São Paulo? Porque o time do Morumbi fez exatamente o contrário daquilo que lhe valeu os maiores elogios nos últimos tempos. Não se planejou, não soube contratar, tem um elenco reduzido e pouco disciplinado, e vive (como no ano passado) de um excelente treinador e de uma boa estrutura clubística – que, está se provando, não vai vencer sempre sozinha. Prova disso, ou melhor, símbolo de um planejamento atribulado é o goleiro Rogério Ceni. Aquele que outrora guardava todas as tradições do São Paulo, hoje emblematiza o contrário. Visivelmente desanimado, cansado, Rogério pouco tem feito gols como no ano passado (embora sua obrigação seja evitá-los), falhou copiosamente no primeiro do Palmeiras, e, inacreditável, perdeu a cabeça com o Valdívia. Alguém tem que sacudir o São Paulo antes que ele se perca completamente numa empáfia démodé.

Dizem que o Botafogo é o time amarelão, que na hora ‘h’ acaba sempre perdendo. Mas domingo o alvinegro provou ser o Fluminense (e não ele próprio) o que amarela na hora de decidir. Isso além de esboçar uma freguesia que já dura três jogos, se contarmos um em que o Flu usou reservas. Tecnicamente fraco, o jogo foi decidido em dois lances de pura sorte para o Botafogo. Um, o pênalti não convertido pelo Fluminense. E, o outro, o gol marcado pelo zagueiro doidão que havia cometido tal pênalti. Olha a fama de azarado saindo do Botafogo para o tricolor também. Resta agora saber se o Fogão vai se superar contra o Flamengo ou se vai, como na Taça Guanabara, entregar a rapadura. E é bom lembrar que os dois estão envolvidos em outras competições – Copa do Brasil e Taça Libertadores –, o que torna a disputa ainda mais equilibrada.

Quanto ao Fluminense, aos torcedores cabe o choro da derrota e da incompetência dos jogadores que não souberam quem ia bater o pênalti, e também não criaram (com tantas alternativas) novas chances de gol. Mas, para o clube, há que esquecer tudo e partir para a busca do melhor resultado dentro da Libertadores, que, a julgar pelo nível rasteiro dessa fase inicial, pode até ser o título. De qualquer forma, a classificação para cada fase deve ser muito comemorada, com o coração e com o bolso.

Até a próxima que tem spray de pimenta lá no Parque Antarctica!!!

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