
A música de abertura, “Pump”, embora com longa duração, se considerarmos a urgência dançante que marca a trajetória do grupo, é belo retrato de uma música do B-52’s, com a guitarra marcada e as vozes de Cindy e Kate deslizando sobre fundos preenchidos por teclados vindos do além. Melhor que ela é “Ultraviolet”, que ainda traz Schneider se contrapondo às duas vozes femininas, com uso perfeito das aliterações bem sacadas. Outra que poderia facilmente carimbada como faixa-símbolo é “Eyes Wide Open”, mas por adotar com naturalidade outra marca do grupo: o futurismo retrô – o jeito como os antigos viam o futuro, muito explorado por bandas como o Devo, e, aqui no Brasil, sobretudo esteticamente, pelo Autoramas.
É de impressionar como a música criada por Strickland se encaixa tão bem com a interpretação dos três vocalistas, no que vale ressaltar a produção de Steve Osborne (Happy Mondays, Doves, New Order), que soube manter as características básicas do grupo, e lhe emprestar o tal ar de modernidade. Embora guitarrista, Strickland também circula bem pela eletrônica (sem desvarios) e consegue achados como “Love in the Year 3000”. Para entrar nos anos 2000, era preciso avançar o futuro em mil anos, né? “Deviant Ingredient” é outra boa sacada, onde uma base musical suave é a pista onde as vozes femininas transitam lado a lado com a masculina, rumando para um refrão fácil, colante e delicioso.
O retorno vigoroso de uma banda que marcou determinada época costuma gerar questionamentos do tipo “o mundo ainda precisa deles”. Nesse caso, é só olhar para a pasmaceira que se tornou a música feita para dançar nos últimos tempos, com proliferação dos DJs, que a resposta é óbvia. Precisamos, sim, de bandas que nos lembrem que rock é que é feito para dançar, e ninguém melhor que o B-52’s pra provar isso pra gente com músicas fresquinhas como o novo rock pós anos 2000. Que este “Funplex” sirva como a retomada da carreira da banda. Let’s keep the party going on.