Bola e Bola Mesmo
01 de abril de 2008
Ronaldinho Gaúcho – quem diria – se despede do estrelato
Sem lugar sequer no banco do Barcelona e não convocado para a seleção, jogador deve curtir um exílio no futebol inglês, onde quem reina é seu xará Cristiano.

Ouvi dizer que Ronaldinho Gaúcho está sobrando no Barcelona. Que numa disputa de quartas de final da Copa dos Campeões da Europa, o jogador sequer foi relacionado. E, ainda, que o Campeonato Espanhol é coisa do passado. O negócio agora é a Liga Inglesa. Isso porque, das oito equipes que estão disputando as quartas de final da mesma Copa dos Campeões da Europa, nada menos que quatro são inglesas. Ao mesmo tempo, a seleção inglesa ficou de fora da Eurocopa 2008. Isso mesmo, o english team, hoje, grosso modo, não é nem a décima sexta força da Europa.

Nunca fui adepto do futebol internacional, exceto em tempos de Copa do Mundo. Mas convenhamos que, num mundo globalizado e cheio de brasileiros (800, craques e pernas de pau, por ano, saem daqui pra lá) jogando bola por aí, com a informação aparecendo na cara da gente a todo o momento, não há como escapar. Não que seja mais interessante assistir aos jogos desse ou daquele campeonato europeu, até porque tem muito jogador de seleção de certos países que não sentaria nem no banco do São Cristóvão. Mas, enfim, como diria o poeta, o saber não ocupa espaço.

Mas dizia que, vejam vocês, Ronaldinho Gaúcho não tem mais vaga no Barcelona, nem no banco. Sempre disse que ele não era jogador de seleção, para explicar aos mais novos seu apagamento com a amarelinha, e que, de fato, era um clássico jogador de clube. Ronaldinho nunca foi santo, mas um jornal espanhol publicou um dossiê cabeludíssimo sobre ele, tentando, de alguma forma, explicar o porquê da cisão entre o jogador e o Barcelona. O fato é que ele deve se transferir para a Liga Inglesa, o único lugar onde há grana em abundância para custeá-lo. Mas que, também, tem caneladas aos montes para não deixar Ronaldinho ficar de pé durante os jogos. No campeonato inglês, Ronaldinho deve fracassar fragorosamente, para, depois de uns dois anos, regressar à Espanha e jogar no Real Madri.

Na seleção, na chamada “era Dunga de treinador”, o habilidoso jogador pouco terá vez. Já não está tendo, aliás. Sua não convocação para o amistoso contra a Suécia, na última quarta, é evidência disso. E de que, também, ele não é um dos três preferidos pelo treinador para integrar os 18 nomes da seleção que vai disputar as Olimpíadas. Se não houver surpresas ou impedimentos causados por falta de liberação de clubes, Júlio César, Juan e Kaká é que devem ser os “coroas” eleitos por Dunga. Isso quer dizer que, em 2008, pouco vamos ouvir falar de Ronaldinho como jogador de futebol.

Mas ouviremos falar – e muito – de Pato, um novo ídolo/craque que o futebol brasileiro não pára de revelar para o mundo. A crônica tem dificuldade, por medo de ser cobrada, em chamar este ou aquele novo jogador de craque. Em tempos fugazes, tudo muda muito rápido – só os profissionais da crônica esportiva, tal qual Paxás vitalícios, é que ficam para serem cobrados. Por isso hesitam em chamar um jogador jovem de craque. “Craque era Pelé”, esquivam-se. Mas Pato é craque, sim, joga muito e tem sorte, a ponto de um goleiro fazer uma lambança e lhe oferecer um gol. Um golaço, porque só um craque teria a rapidez de raciocínio e precisão de execução para, ao receber tal presente, convertê-lo em gol sem (literalmente) pensar duas vezes.

Craque, também, é Cristiano Ronaldo, o portuguesinho que está virando gente grande no futebol, brilhando justamente no pouco inspirado futebol inglês. Sábado, junto com Rooney e Tevez, deu show, com direito a passe de calcanhar e a gol de letra. As duas jogadas – podem dizer os críticos e céticos – golpes de sorte, mas foi ele quem fez. Ele que teve a iniciativa de dar um toque de letra dentro de uma área lotada de pernas, sem deixar a bola bater em nenhuma, de tão inesperado que é o lance. Ele que, de primeira, deu um toque de calcanhar tão rápido que desconcertou toda uma defesa, atônita com o inesperado. Só um craque faz isso, acreditem.

Cristiano Ronaldo, sob a batuta de Felipão, deve brilhar nesta Eurocopa, diferentemente do que aconteceu na última Copa do Mundo. Mais maduro, o jogador deve ser o maestro de Portugal, que pode, sim, vencer a competição e apagar da história o fiasco de quatro anos atrás, quando a Grécia lhe roubou o título numa solitária cabeçada. Todo mundo aprende.

Até a próxima que Nostradamus baixou em São Januário!!!

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