Som na Caixa
08 de abril de 2008
HIM – Venus Doom
Warner.

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A manutenção de Tim Palmer na produção pela segunda vez consecutiva num disco do HIM quer dizer que a banda ficou satisfeita com os (não tão) novos caminhos apontados no excelente “Dark Light”, de 2005. Palmer fez fama na década de 80 com álbuns de rock, sim, mas com forte sotaque pop, e não chega a ser um segredo que está nessa década a pedra fundamental do HIM, mas precisamente – não custa repetir - no gótico implantado no pós punk de bandas com o The Sisters Of Mercy. Foram feitos sob a batuta dele discos de gente como The Mission, The Cure, Gene Loves Gezebel e INXS, entre outros.

O que não quer dizer, necessariamente, que este “Venus Doom” tenha seguido estritamente o caminho semeado de brilhantismo deixado pelo excelente “Dark Light”. Porque produtor cuida de sonoridades, arranjos e acabamento, e quem compõe é a banda. Analisando o disco como um todo, nota-se que o quinteto, embora continue sacando canções de grande apelo emocional, e, portanto, pop, não conseguiu manter o nível – o que, convenhamos, seria realmente difícil.

Longe de ser ruim, de outro lado, “Venus Doom” traz verdadeiras jóias moldadas no “jeito HIM” de se fazer as coisas. Uma delas é a (não por acaso) música de trabalho, “The Kiss Of Dawn”. Com uma introdução calcada num riffaço que se repete cuidadosamente junto ao refrão, falsetes vocais típicos de Ville Valo, solos e evoluções de guitarra que trafegam no limiar do pesado e do pop, e ligeiras mudanças de andamento, cuidadosamente posicionadas, a música é uma espécie síntese da banda e do estilo que lhe deu fama.

O mesmo falsete que faz da voz de Valo algo quase gutural em “Kiss Of Down”, tem uma espécie de negativo em “Love In Cold Blood”, quando o refrão/título é repetido utilizando-se o artifício nas notas altas que consagrou o vocalista mais dramático de que se tem notícia. A música também tem um riff contagiante e os solos econômicos – no tamanho certo – que caracterizam o HIM. A receita é tentada também em “Sleepwaking Past Hope”, mas aí beira o exagero, com diversos “erros na medida” que levam a música para exaustivos dez minutos, com direito a citações a Black Sabbath, Led Zeppelin e ao próprio HIM, mas acaba, num labirinto de referências, errando o caminho.

Os títulos das músicas já auto-explicam que os temas de amor e morte continuam sendo os preferidos de Ville Valo. “Song or Suicide”, “Bleed Well” e “Cyanide Sun” são outros exemplos bem acabados do universo ora belo ora sinistro e aterrorizante criado pelo vocalista. “Cyanide Sun” é, ainda, outro exemplo bem acabado daquele tipo de jóia citado ali em cima. Baladaça clássica, abre espaço para Valo exercitar um lado canastrão poucas vezes tão realçado. Ao invés de terminar em riffs desgovernados, usa a voz de Ville Valo num tom de adeus triste e melancólico, porém belo. Desfecho animador para mais um bom disco do HIM.

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