Bola e Bola Mesmo
29 de abril de 2008
Como é ruim esse time do Botafogo
Mesmo sendo o contrário de tudo o que se diz que deve ser uma equipe grande, moderna e bem planejada, o péssimo Botafogo de 2008 agrada à crônica esportiva.

Dizem que a graça do futebol está na possibilidade de uma equipe pior derrotar a melhor. No futebol falta a lógica que em outros esportes faz o melhor, em geral, vencer. Tem isso muito a ver com o ser humano, que está sempre interessado, instintivamente, no drama. Ver um David vencer um Golias é motivo de regozijo para a humanidade, e, em disputas, isso acontece desde os tempos de sangrentas batalhas entre gladiadores.

No caso do futebol, caem em contradição aqueles que exigem que um clube de tradição faça altos investimentos e se planeje montando bons elencos para que seus times sejam campeões, e depois defendem a supremacia daquele que, com elenco inferior e investimentos menor, é notadamente pior. Essa inversão de valores é verificada a cada vez que um pequeno vence um grande, que o pior vence o melhor. Isso associado à necessidade de sempre se explicar a peleja a partir do resultado. Eis aí o grande mal da crônica esportiva. O comentário de resultados.

Digo isso para tentar entender o fascínio que uma equipe como a do Botafogo exerce nessa mesma crônica. Um time sem investimentos, com um treinador mediano e que, segundo consta, pouco conquistou em sua carreira, e jogadores que, se analisados um a um, poucos teriam vaga no nosso time de coração. Talvez os números indicassem esse apego ao clube de General Severiano, mas a (falta de) conquistas fala mais alto. Sem querer voltar a 2007, quando o clube amargou resultados típicos de sua história pobre de títulos, vejam esse ano. Na final da Taça Guanabara, se abalou e entregou o título ao Flamengo. Havia chegado lá depois de uma vitória pouco convincente sobre o Fluminense na semifinal. Na final da Taça Rio, ganhou jogando muito mal (assim como o adversário, de novo o Tricolor) por causa de um lance de azar do adversário (o pênalti batido na trave) e de pura casualidade – o gol do zagueiro doidão.

Tracei esse brevíssimo histórico para chegar à final do campeonato, que pude, enfim, assistir, ainda que pela TV. Como é ruim o time do Botafogo. Não consegue esboçar uma única armação de jogada e não tem um jogador sequer capaz de fazer de um lance individual se transformar num gol. Sim, há o Lúcio Flávio, o rei do pênalti, mas no domingo ele não entrou em campo. Há o Wellington Paulista, artilheiro do campeonato, que mal conseguiu dominar uma bola. E houve um tal Eduardo, que fez a única jogada perigosa do time, mas não conseguiu o gol. Em três frases resume-se o que foi o Botafogo domingo.

Isso se ficarmos com o time. Se a intenção for falar do elenco, aí é covardia. Se até Joel Santana, notório criador de retrancas, partiu para cima do Botafogo, terminando a partida com quatro atacantes, o que dizer do inventivo Cuca, que, a cada atacante rubro-negro que surgia no túnel, efetivava um zagueiro em sua equipe? Cuca não só não tem como fazer alterações como mostrou que não sabe fazê-las. Sim, meus amigos, ante a Cuca, Joel, o bom e velho retranqueiro, saiu do Maracanã com fama de ousado. É mole ou quer mais?

Envergonha-me aqui tratar do derrotado, ficar atribuindo ao perdedor o mérito de quem lhe venceu. Mas a verdade é que o Botafogo é um time muito ruim. Como explicar, então – me perguntaria o leitor – o título da Taça Rio, e a melhor campanha considerando os dois turnos do campeonato? No que eu retruco: sorte. Ou, por outra, o mais cristalino exemplo da falta de lógica do futebol, onde o mais fraco, para deleite da humanidade, pode ser o vencedor. Digo isso já prevendo que o Botafogo pode, sim, ser o campeão carioca desse ano, ainda mais se a equipe do Flamengo voltar detonada do México, como voltou de Cuzco, pra jogar a semifinal da Taça Rio, vencida por este mesmo time ruim do Botafogo. Seria o ápice para aqueles que apostam sempre no triunfo do mais fraco.

Para não dizer que não falei do vencedor, o Flamengo é franco favorito para domingo, porque joga por dois resultados (empate e vitória), tem mais time, mais elenco e mais técnico. Talvez lhe falte as pernas que certamente sobrarão ao Botafogo - daí o equilíbrio. Para vencer, as duas equipes terão que se superar. O Botafogo a sua própria ruindade, e, o Flamengo, o cansaço. Em se tratando de uma final, Flamengo é Flamengo, e o Botafogo é que se cuide.

Até a próxima que o Ronaldo é um fenômeno!!!

em maio 13, 2008 12:42 PM [Marcello]

O Botafogo pode ser ruim, o que não acho. Mas o América do México é bem pior, aí podemos somar:
Ruindade do América (MEX) + Salto alto do Flamengo = ?????

Fica pra vc responder!

Ninguém cala esse nosso amor.

Obs: acessava seu site toda semana, depois desse post, vou procurar outro que fale de rock e de futebol de uma maneira que não fique torcendo pro time do administrador...

Valeu!



em maio 13, 2008 05:06 PM [Marcos Bragatto]

Qualé, Marcello, tá me estranhando?



em maio 14, 2008 05:29 PM [Marcello]

Não, não estou lhe estranhando, mas só acho que você, como administrador do site, não deveria puxar sardinha para o time que você torce. Lembre-se que seus leitores podem não torcer pelo mesmo time que você, mas ter o mesmo gosto musical.
Mas, cada um cada um né?

Até mais!



em maio 15, 2008 06:33 PM [Marcos Bragatto]

E para que time você acha que eu torço?



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