
No caso do futebol, caem em contradição aqueles que exigem que um clube de tradição faça altos investimentos e se planeje montando bons elencos para que seus times sejam campeões, e depois defendem a supremacia daquele que, com elenco inferior e investimentos menor, é notadamente pior. Essa inversão de valores é verificada a cada vez que um pequeno vence um grande, que o pior vence o melhor. Isso associado à necessidade de sempre se explicar a peleja a partir do resultado. Eis aí o grande mal da crônica esportiva. O comentário de resultados.
Digo isso para tentar entender o fascínio que uma equipe como a do Botafogo exerce nessa mesma crônica. Um time sem investimentos, com um treinador mediano e que, segundo consta, pouco conquistou em sua carreira, e jogadores que, se analisados um a um, poucos teriam vaga no nosso time de coração. Talvez os números indicassem esse apego ao clube de General Severiano, mas a (falta de) conquistas fala mais alto. Sem querer voltar a 2007, quando o clube amargou resultados típicos de sua história pobre de títulos, vejam esse ano. Na final da Taça Guanabara, se abalou e entregou o título ao Flamengo. Havia chegado lá depois de uma vitória pouco convincente sobre o Fluminense na semifinal. Na final da Taça Rio, ganhou jogando muito mal (assim como o adversário, de novo o Tricolor) por causa de um lance de azar do adversário (o pênalti batido na trave) e de pura casualidade – o gol do zagueiro doidão.
Tracei esse brevíssimo histórico para chegar à final do campeonato, que pude, enfim, assistir, ainda que pela TV. Como é ruim o time do Botafogo. Não consegue esboçar uma única armação de jogada e não tem um jogador sequer capaz de fazer de um lance individual se transformar num gol. Sim, há o Lúcio Flávio, o rei do pênalti, mas no domingo ele não entrou em campo. Há o Wellington Paulista, artilheiro do campeonato, que mal conseguiu dominar uma bola. E houve um tal Eduardo, que fez a única jogada perigosa do time, mas não conseguiu o gol. Em três frases resume-se o que foi o Botafogo domingo.
Isso se ficarmos com o time. Se a intenção for falar do elenco, aí é covardia. Se até Joel Santana, notório criador de retrancas, partiu para cima do Botafogo, terminando a partida com quatro atacantes, o que dizer do inventivo Cuca, que, a cada atacante rubro-negro que surgia no túnel, efetivava um zagueiro em sua equipe? Cuca não só não tem como fazer alterações como mostrou que não sabe fazê-las. Sim, meus amigos, ante a Cuca, Joel, o bom e velho retranqueiro, saiu do Maracanã com fama de ousado. É mole ou quer mais?
Envergonha-me aqui tratar do derrotado, ficar atribuindo ao perdedor o mérito de quem lhe venceu. Mas a verdade é que o Botafogo é um time muito ruim. Como explicar, então – me perguntaria o leitor – o título da Taça Rio, e a melhor campanha considerando os dois turnos do campeonato? No que eu retruco: sorte. Ou, por outra, o mais cristalino exemplo da falta de lógica do futebol, onde o mais fraco, para deleite da humanidade, pode ser o vencedor. Digo isso já prevendo que o Botafogo pode, sim, ser o campeão carioca desse ano, ainda mais se a equipe do Flamengo voltar detonada do México, como voltou de Cuzco, pra jogar a semifinal da Taça Rio, vencida por este mesmo time ruim do Botafogo. Seria o ápice para aqueles que apostam sempre no triunfo do mais fraco.
Para não dizer que não falei do vencedor, o Flamengo é franco favorito para domingo, porque joga por dois resultados (empate e vitória), tem mais time, mais elenco e mais técnico. Talvez lhe falte as pernas que certamente sobrarão ao Botafogo - daí o equilíbrio. Para vencer, as duas equipes terão que se superar. O Botafogo a sua própria ruindade, e, o Flamengo, o cansaço. Em se tratando de uma final, Flamengo é Flamengo, e o Botafogo é que se cuide.
Até a próxima que o Ronaldo é um fenômeno!!!
O Botafogo pode ser ruim, o que não acho. Mas o América do México é bem pior, aí podemos somar:
Ruindade do América (MEX) + Salto alto do Flamengo = ?????
Fica pra vc responder!
Ninguém cala esse nosso amor.
Obs: acessava seu site toda semana, depois desse post, vou procurar outro que fale de rock e de futebol de uma maneira que não fique torcendo pro time do administrador...
Valeu!
Não, não estou lhe estranhando, mas só acho que você, como administrador do site, não deveria puxar sardinha para o time que você torce. Lembre-se que seus leitores podem não torcer pelo mesmo time que você, mas ter o mesmo gosto musical.
Mas, cada um cada um né?
Até mais!